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sábado, 15 de junho de 2013

Korem Isola dei Nuraghi 2003: Belo Vinho!

O amigo Akira nos brindou com uma garrafa do Korem Isola dei Nuraghi 2003, de Argiolas. Já comentei sobre o 2004 aqui no blog (clique). É um vinho de categoria, da Sardegna, feito com as castas Bovale Sardo (Bovaleddu), Carignano e Cannonau. Passa 12 meses em barricas. O vinho tem aromas bem legais de cereja, balsâmico, cedro, tabaco e notas terrosas. Em boca é bem redondo, com boa acidez e taninos levemente terrosos. Tem um fundinho de cedro no ponto. Como mencionou o amigo Vitor, do Louco por Vinhos, não é vinho prá galera. Os Argiolas dão prazer quando jovens, pela sua riqueza e acidez vibrante. Quando mais evoluídos, mostram grande elegância e complexidade.  Outra característica deles é o lado camaleão: Mudam com tempo em taça. Coisa de vinho bão! São vinhos gastronômicos e que acompanham muito bem uma carne grelhada. 
A meu ver, esse 2003 já está mostrando o sinal dos tempos, tanto na cor quanto nos aromas e paladar. Acredito que não deve ganhar com mais tempo em adega. Se tiver uma dessas, mande ver que ficará feliz. Bem, se quiser comprar um mais novinho, a Vinci, sua atual importadora, está comercializando o 2006. O seu problema: Preço salgado! Poderia ser mais em conta.

domingo, 19 de maio de 2013

Vini Vinci 2013: Fotos e algumas impressões

Muitos anos de barrica, elegância e longevidade
Nessa edição de 2013 do Vini Vinci a importadora Vinci voltou para o local onde foi feito o seu primeiro evento, ou seja, o Hotel Tivoli. Lembro-me bem daquele evento estreiante. Obviamente, a cada edição fica ainda melhor. É difícil eleger destaques dentre tantos vinhos excelentes. 
Minha primeira passagem foi na CVNE, onde experimentei um branco muito fresco, feito só com Viura e sem madeira, o Monopole. Alí também bebi o grande Imperial Gran Reserva 2001, que dispensa comentários. Nossa turma já apreciou o 1998 e eu no último Vini Vinci experimentei o 1999. Todos ótimos! Ah, tem a história batida de que é o preferido do Rei... 
Sedosidade!
Dalí, fui direto ao estande da Lopez de Heredia, o qual tinha como anfitrião o simpático e empolgado Sr. Júlio Lopez de Heredia. Também, como não ser empolgado com aqueles vinhos maravilhosos? São destaques sempre. Brancos incríveis, tintos maravilhosos! O que há de melhor em Rioja. São sucesso sempre em nossa confraria. Ficarei devendo as fotos dos tintos, um Cubillo, um Reserva 2001 e um belíssimo Gran Reserva 1994, vivíssimo e cheio de finesse.
Passei alí pertinho pelo estande da italiana Fontodi, que produz grandes vinhos, entre eles o grande Flaccianello 2007, o Vigna del Sorbo Riserva 2006 e o ótimo Syrah Case Via. Ah, e o Pinot Nero também é uma beleza, assim como o Vin Santo, feito com Sangiovese e Malvasia Bianca. Todos vinhos excelentes, de muita classe. E se estamos falando de italianos, grandes vinhos da Argiolas (destaque óbvio para o Turriga, mas também o grande Vermentino Cerdeña e o de sobremesa Angialis). 
Alegria, elegância e grandes vinhos
E os vinhos da vinícola Dei? O estande nem estava tão cheio. Parece que o pessoal não conhece muito. Mas se não visitou, perdeu. Os vinhos são ótimos e eram apresentados pela super simpática Catharina Dei, proprietária da vinícola. Aliás, seu vinho top tem o nome de Sancta Catharina, e é uma beleza. Eu já havia apreciado o 2001 e agora apreciei o 2009, que embora novo, estava muito sedoso. São vinhos a serem conhecidos. Todos são muito elegantes. Eu gosto muito de seu Nobile de Montepulciano. 
Da Argentina não podia deixar de visitar a Noemía e apreciar todos os seus vinhos, que gosto muito. Quem quiser conhecer o estilo deles pode começar pelo ótimo A Lisa. Mas se quiser chutar o balde mesmo deve mandar um Noemía, que é maravilhoso, para muitos anos de adega. Experimentei o 2008 e o 2009 e estavam belíssimos. Incrível como são distintos dos outros Malbecs argentinos. E ainda tinho o "2", que é um corte que tem como majoritária a Cabernet Sauvignon. Outro vinhão! 
Passando para o Chile, mas com alma espanhola, visitei o estande da O. Fournier, onde o incansável José Manuel Ortega Founier mostrava os vinhos que faz na Argentina, Chile e Espanha. É outro produtor que gosto muito, pela qualidade e regularidade de seus vinhos. Bebi todos, mas fiquei particularmente impressionado com o chileno O. Fournier blend 2008, que tem como majoritária a Cabernet Franc, com pitadas de Cabernet Sauvignon e Carignan. Os vinhedos de Cabernet Franc foram plantados em 1890! Um grande vinho, que deve evoluir maravilhosamente em garrafa. O problema é, como sempre, o preço, que está salgado... Mas que é um grande vinho, é! E também grandioso o de Ribeira del Duero, o O. Fournier 2005. Cem por cento Tempranillo de uma grande safra e de um grande produtor. Potência e elegância perfeitamente casadas. 
De Portugal, gostei muito dos vinhos da Monte da Ravasqueira. É claro que o pessoal (fugindo da etiqueta) ía logo pedindo o MR Premium 2007, top da vinícola, mas perdeu quem não começou do prinícipio, ou seja, do ótimo Viognier Flavours, que é muito típico. Ou então, não quis conhecer o bom custo benefício Monte da Ravasqueira. É claro que o Vinha dos Romãs e o MR agradaram a todos. O Romãs, que tem como majoritárias a Syrah e Touriga Nacional, eu já havia gostado muito da última vez que provei. O MR Premium é feito com Alicante Bouschet, Syrah e Petit Verdot. 
Joana Cunha: Entusiasmo!
E já que entrei nos portugueses, gostei bastante também dos vinhos da Fontes da Cunha. Eles eram apresentados pela simpática e entusiasmada enóloga Joana Cunha, que conta com a assessoria de Francisco Olazoabal (Meão e Valllado). Vinhos do Dão, com alma do lugar (embora eu tenha notado um lado mais moderno neles). Muito frescor aportado pela ótima acidez e taninos marcantes. O Munda Touriga Nacional 2007 estava uma delícia. É a Touriga no seu berço, diferente daquela do Douro. Ela é menos floral, menos explosiva, e mais elegante. Confesso que a prefiro. Ah, e o branco Munda Encruzado 2010 não pode deixar de ser provado. É fermentado em barricas grandes, onde também matura por 6 meses, junto com as borras. Um vinho de muito personalidade e de ótimo preço. Bem, ainda nos patrícios, nem precisaria  comentar sobre os Portos Fonseca, belíssimos vinhos, apresentados pelo conterrâneo Frederico. Mas não posso deixar de citar o Tawny 20 Anos e o Fonseca Vintage 2009, do qual peguei uma bela taça e apreciei bem devagar caminhando pelos corredores do evento. 
E ainda nos portugueses, quem não bebeu o belíssimo Dão Porta dos Cavaleiros Reserva 1975, das Caves São João, perdeu boa parte do ingresso. Antes de apreciá-lo, é claro que bebi todos os outros da vinícola, cujos vinhos muito me agradam. Em sua juventude, mostram certa rusticidade, mas com o tempo, vão ganhando muita elegância. É só ter paciência. Mas quando cheguei naquele "Senhor" de 38 anos, fiquei estupefado. Como são longevos os vinhos dessa vinícola! Impressionante! Um Touriga Nacional estupendo, que evoluiu maravilhosamente bem nesses 38 anos e ainda mostra muito frescor. Destaque total!
E vamos em frente com a vinícola sulafricana Rust en Vrede. Gostei muito do Shiraz e Cabernet Sauvignon. São vinhos de ótimo corpo e com estrutura para guarda. Mas fiquei impressionado com o seu primo Guardian Peak Lapa Cabernet Sauvignon 2009, alí no mesmo estande.  Um vinho com ótima estrutura, nervoso, com taninos presentes e toques muito gostosos de pimenta e tabaco em meio ao cassis. Um belo vinho com ótimo potencial de envelhecimento, mas que já dá muito prazer agora.
Ufa, já tô ficando cansado... Gostei dos vinhos do Clos de L'Oratoire, principalmente o Chateauneuf Branco 2010 e os de Ogier, com destaque para o Gigondas e o Côte Rotie, muito sedosos e elegantes. 
E para finalizar, impossível não se deslumbrar com os vinhos La Spinetta. O Chardonnay Lidia tem muita presença. Lembra, mas não tem o peso e exagero de novo-mundo. O Barbera D'Alba é belíssimo, assim como os Pin Monferrato. Mas o destaque, claro, vai para o estupendo Barbaresco Gallina 2007. Esse sim, merece o adjetivo estupendo. Que vinhaço! Bebi devagar, curtindo com alguns queijos. Um vinho de cor clara, límpida e aromas deliciosas, riquíssimos, com notas de frutas em meio a notas florais e de especiarias. Muscular, mas extremamente elegante, com taninos perfeitos. Estonteante! Esse vou  conferir devagar, em taças adequadas, brevemente. 
Turma da pesada: La Espinetta
Bem, chega vai... Teve muitos outros e não dá para citar todos. Fiquem com as fotos. Ah, e ainda deu tempo de gastar um pouquinho de energia dando uma caminhada até a Tasca da Esquina para apreciar uma boa comida portuguesa, porque ninguém é de ferro...rs.

Ps. Os asteriscos nos marcadores indicam os vinhos "provados", não os bebidos... Estou adotando essa marca agora para diferenciá-los.


Sr. Júlio Lopez de Heredia e eu
Olha a cor desse Barbaresco Gallina La Espinetta!



O incansável José Manuel Ortega Fournier


O melhor em Chianti Clássico Riserva


Ótimos brancos de Argiolas, liderados pelo grande Cerdeña
Suolo 2007: Ótimo Sangiovese de Argiano, que mostrava também um grande Solengo 2006


Paleta de Porco Preto com Creme de Cogumelos e Farofa de Torresmo - Bão demais!


Pudim de Abade de Priscos - Delicioso candidato a Doce do Ano pela Prazeres da Mesa - Eu já votei!








quarta-feira, 20 de julho de 2011

Korem Isola Dei Nuraghi 2004 - Que delícia de vinho!


O rótulo tava baleado,
mas o vinho...
 Ontem o amigo Akira e eu fomos "obrigados" a apreciar um vinho italiano da vinícola Argiolas, da Sardegna. Esta vinícola é colecionadora de "tre bicchieri" do guia Gambero Rosso, já possuindo uma "stella". Seus vinhos são muito elogiados, e contaram com a consultoria de Giacomo Tachis, criador dos grandes Sassicaia e Solaia (e "man of the year 2011" da revista inglesa Decanter). Giacomo se aposentou definitivamente em 2010, mas seu legado sem dúvida ficou na Argiolas. O vinho que apreciamos é o segundo da vinícola, abaixo apenas do grande Turriga. Foi um Korem Isola Dei Nuraghi 2004, feito com as castas Bovale Sardo (Bovaleddu), Carignano e Cannonau. Esta última é a mesma Garnacha espanhola. Aliás, o amigo Akira, antes de saber das uvas que o compõe, citou que o vinho tem aromas que lembram alguns GSM australianos, que são cortes de Grenache, Shiraz e Mourvedre.
O vinho tem notas de cassis e groselha, mescladas a leve tabaco (caixa de charuto), chocolate, especiarias e notas terrosas. Depois de um tempo na taça mostrava ainda notas cítricas que segundo o Akira lembravam tangerina bem madura (nariz bom o cara!). É um vinho mineral, que tem uma acidez muito bem integrada. É rico, tem presença, e combina frescor com um ótimo corpo. Vinho delicioso! Ótimo sozinho, mas excelente acompanhamento uma bela carne grellhada. Mostra os aromas logo ao ser aberto, mas ganha muito depois de um tempo. Um belíssimo vinho! O da safra 2004 ainda pode ser encontrado na Expand, mas atualmente os vinhos da Argiolas são importados pela Vinci.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Vini Vinci 2011 - um pouco de Itália, França e Hungria



A Itália sempre está bem representada no Vini Vinci. Eu estava curioso para visitar o Argiolas, da Sardegna. É uma vinícola colecionadora de tre bicchieri. São todos vinhos gastronômicos, com acidez e taninos presentes. No entanto, eu só comecei a gostar prá valer a partir do Is Solinas 2006, que é um vinho baseado em Carignano. O vinho é encorpado, com frutas compotadas e boa acidez. Os taninos estão presentes e devem arredondar com o tempo. O Turriga 2006, top da vinícola, já é de outro nível. Este gostei muito. Vinho feito majoritariamente com a uva Cannonau, que é a mesma Garnacha da Espanha, mas também conta com as uvas Bovale, Carignano and Malvasia Nera. O vinho tem ótima acidez, mineralidade, com notas de cassis, chocolate meio-amargo e tabaco. Um belo vinho. 


Mas a Argiolas nos reservava um colheita tardia delicioso, o Angialis, considerado um dos melhores vinhos de sobremesa da Itália. Ele é feito com a uva Nasco e uma pitadinha de Malvasia di Cagliari. O vinho, de cor âmbar, era denso, com notas de doce de abacaxi, mel e amêndoas. Uma delícia! Só faltou um queijo azul para nos deleitarmos.
Ainda nos italianos, gostamos muito do Pinot Nero La Pineta, de Podere Monastero, embora eu ache que lhe falta tipicidade da Pinot Noir. Ali do lado, gostei do Feudi del Pisciotto Versace Nero D`Avola. Vinho gastronômico, potente, com boa acidez e fruta madura (mas sem exagero de alguns Neros). Perfeito para uma massa com molho vermelho forte. 


Sr. Massimiliano e o Rupe Ré
Mas confesso, minha grande surpresa italiana foi parar no estande da Cavit, de Trentino-Alto Adige. Os vinhos são de excelente custo benefício. Acredito que inigualáveis no evento. O espumante Accento Brut (do Veneto), feito com Chardonnay e Pinot Bianco é uma delicia! Muito fino e refrescante. O Pinot Grigio também estava uma delícia, bem mineral. Os tintos, também muito bons. O Norico Rosso, corte de Teroldego, Lagrein e Merlot, tem boa fruta e mineralidade. Muito bom pelo preço. O Collection Merlot é de uma sedosidade incrível e o Teroldego é muito gostoso. O top Quattro Vicariati Rosso, um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc, é um vinho austero, concentrado, muito bom. E para terminar, apreciamos ainda um vendimia tardia delicioso, o Rupe Ré. Vinho com acidez e doçura na medida certa. Entre os melhores. Quer comprar vinhos muito bons, a bom preço? Cavit sem dúvida é uma bela escolha.

Passando para a França, fomos degustar os vinhos da Chanson Pére e Fils, hoje propriedade da Bollinger. O bourgogne genérico branco dá o cartão de visita do produtor. É muito bom para um vinho de entrada. Agora o Chassagne Montrachet estava demais. Vinho mineral, profundo, com notas de pêssego, flor de laranjeira e torta de limão. Vinho cremoso. Uma delícia! Nos tintos, o Mercurey estava muito bom e o Premier Cru Beaune Clos du Roi 2005, estupendo. Complexo, com notas de cassis, cereja e minerais. Como eu queria te-lo apreciado em uma taça grande, para borgonhas, bem tranquilo, beliscando um bom queijo suave. O amigo Richard o preferiu ao Chambolle Mussigny, que também estava excelente, com notas terrosas, de framboesa e com final bastante persistente. Bem, borgonha é borgonha!

E para terminar, tenho que citar as taças de Tokaji 5 e 6 Puttonyos da Hetszölö, ambos da safra de 2001. Os dois possuem notas de laranja e damasco deliciosas. Mas o 5 Puttonyos tem um pouco mais de acidez que o 6 Puttonyos. No entanto, a diferença entre ambos é muito sutil. Dois vinhos excelentes!

Bem, está na hora de eu parar de escrever sobre o Vini Vinci! Até o próximo evento!