quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Poggio a'Frati Chianti Clássico Riserva 2006: Itália na veia!

Fico feliz quando acerto uma compra em algum bota-fora (quem não gosta?). Pagar um preço justo por um bom vinho o deixa ainda melhor. E este eu adquiri 2 anos atrás, em um bota-fora da Mercovino. Lembro que peguei a última garrafa do 2006 em meio a algumas 2004. Bem, as duas safras foram boas, mas a 2006 foi uma das melhores dos últimos tempos na Itália. Por isso, queria uma garrafa dele. Mas acredito que o 2004 devia estar tão bom quanto. O vinho é um Poggio a'Frati Chianti Clássico Riserva 2006, da vinícola Rocca di Castagnoli. Já comentei aqui no blog sobre outro vinho da vinícola, o Buriano, feito com Cabernet Sauvignon (clique aqui). Bem, mas este Chianti Poggio a'Fratti Riserva 2006 me agradou ainda mais, pois tem mais alma italiana. Isso porque, obviamente, é feito majoritariamente com a rainha Sangiovese (95%), mais uma pitadinha de Canaiolo (5%). O danado é maturado por 15 meses em barricas de carvalho e um ano em garrafa antes de ser comercializado. Ao nariz mostra notas de cereja preta, tabaco e alcaçuz. A fruta é um pouco suplantada pelas notas de tabaco e alcaçuz, mas nada que comprometa. Em boca, tem boa intensidade, ótima acidez e taninos já domados. Vinho muito bom e gastronômico por natureza. Só faltou a bisteca fiorentina para acompanhar. Pena que era a última garrafa...

Nota: Li no blog do amigo Vitor, que é Louco por Vinhos, uma postagem sobre o 2004. Nela o amigo cita que o referido Chianti bate muitos Brunellos por aí. Concordo plenamente! Aliás, com relação aos famosos (e maravilhosos) Brunellos há que se ter cuidado: Infelizmente tem muito Brunello meia-boca no mercado. Desta forma, como sempre, é bom se atentar ao produtor.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

San Vicente 2006, Barolo Beni di Batasiolo 2006 e Lindaflor 2006: 3 belos vinhos em noite esvaziada na Confraria do Ciao!

E como faltei nessa última quinta-feira à reunião da confraria (infelizmente, pois abateram belos vinhos...rs), postarei sobre uma reunião de semanas atrás. Aliás, os confrades já estam reclamando por eu estar atrasando postagens e até mesmo esquecendo algumas... Com razão! Tentarei não atrasar mais. Mesmo por que, esta em questão trata de 3 belos vinhos (bem, tinha um quarto, que infelizmente, estava bouchonné). 
Aos vinhos!
O primeiro deles foi levado por este que vos escreve. Era o riojano San Vicente 2006. Já postei aqui sobre os belíssimos 1999 (clique aqui) e 2004 (clique aqui). Este vinho é tiro certo! Como já citei anteriormente, se você for à Espanha, tem que guardar um lugar na mala para trazer ao menos uma garrafa dele. Ele é feito pela família Eguren, que produz grandes vinhos além dele. O curioso aqui é a uva utilizada. Embora seja 100% Tempranillo, é de uma variedade local, quase extinta, chamada Tempranillo Peludo (rs). O vinho é maturado por 20 meses em barricas novas de carvalho (90% francês e 10% americano) com trasfegas a cada 4 meses. É um vinho muito complexo. Este 2006 tinha aromas de cereja, notas florais e alcaçuz. Com o tempo foram surgindo notas especiadas bem gostosas. Aliás, o vinho precisa ser decantado com antecedência para mostrar todas as suas qualidades, que são muitas. Em boca, repetia o nariz e mostrava ótima acidez. Mais uma vez, o destaque foi para as notas especiadas. Um vinho excelente! Sua importadora é a Peninsula
Depois dele, seguindo a lista do título, o vinho levado pelo amigo Rodrigo: Um Barolo Beni di Batasiolo 2006. Já postei aqui no blog sobre o 2004 e 2005. Este 2006 foi considerado o melhor Barolo DOCG feito pela vinícola (excetuando-se os de vinhedos únicos). Eu estava mesmo querendo apreciá-lo. E correspondeu totalmente às expectativas. Um vinho com notas de cereja, groselha, alcaçuz e um fundinho mentolado gostoso. Em boca, excelente acidez e tanicidade típica de um bom Barolo, claro. Estaria ainda melhor se tivesse sido decantado por algumas horas, mas estava muito bom já com pouco tempo após aberto. Um dos melhores Barolos que já apreciei deste produtor. Quem tiver uma garrafa dele guarde que apreciará um belo vinho no futuro.
E para fechar a noite, uma figurinha carimbada em nossa confraria, levado pelo JP: Lindaflor 2006! Eu já citei aqui e repito, o Lindaflor é um dos Malbecs mais estruturados e consistentes que já apreciei. Todos os que bebi estavam muito bons e não é qualquer Malbec que pode peitá-lo. O 2006 já foi comentado aqui (clique aqui), assim como o 2002 e 2003. É um vinho cheio, untuoso, com notas de ameixa, amora e figo, em meio a toques florais e notas de alcaçuz. É daqueles de encher a boca (sem ser enjoativo), que pode ser bebido sozinho, mas que fica bem melhor com um bife de chorizo. Ou com uma Rabada com Polenta Gratinada feita no Ciao Bello (foto abaixo).
Bem, é isso aí pessoal! Só vinhobão!

Rabada com polenta do Ciao Bello: Que beleza!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

3.000 AÑOS 2006: Nome criativo para um belo vinho do sul da Espanha!

E após uma ótima conversa sobre células tronco, biologia molecular e outros assuntos, o amigo Rodrigo abriu uma garrafa do espanhol 3.000 Años 2006, das Bodegas del Rosario, D.O. Bullas (Murcia, ES). Todos já sabem a vocação que a região sul da Espanha tem para elaborar vinhos com a casta Monastrell (Mourvèdre). Mas o vinho é um corte de Monastrell com Syrah (50/50), ambas de altitude, sendo que a Monastrell vem de videiras de 60-100 anos de idade. A maturação é feita em  barricas novas de carvalho francês de 220-500 litros por 14 meses e mais 6 meses de garrafa antes da comercialização. O nome do vinho é uma homenagem às terras de Bullas, onde as videiras têm sido cultivadas há mais de 3.000 anos. Notem a originalidade do rótulo, que possui 3.000 tracinhos. Muito legal.
Bem, mas e o vinho? É bom? Não, é muito bom! Cor granada, intensa e brilhante. Ao nariz, é muito complexo, com notas de uva passa e fruta madura, como ameixa, amora e mirtilo, em meio a notas florais (violetas), de baunilha e cacau. Depois de um tempo em taça notava-se ainda notas defumadas. Em boca, mostra taninos maduros, intensidade e elegância. O final é longo, frutado e especiado. Um belíssimo vinho, pronto para beber, mas com longo potencial de envelhecimento. Um belo representante da região sul da Espanha. Pena que ainda não o vi sendo comercializado no Brasil. Valeu Rodrigo!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

DE MARTINO GRAN FAMILIA Cabernet Sauvignon 2004: Vinhobão!

Eu gosto muito da De Martino, que faz bons vinhos e o preço (ainda) não está estratosférico, como ocorre com grande parte dos chilenos. 
A vinícola foi fundada um pouco antes da segunda guerra mundial, pelo italiano Pietro De Martino Pascualone, no Valle del Maipo. Ela se orgulha de ter sido a primeira chilena a exportar uma garrafa de vinho feito com a casta Carmenére, hoje tão difundida. Aliás, para quem gosta, seus Carmenére são muito bons (assim como também seu Chardonnay Quebrada Seca, Syrah Granito e tantos outros). 
Dias atrás abri uma botella do De Martino Gran Familia Cabernet Sauvignon 2004. Esta linha já faturou por duas vezes o título de melhor vinho premium pelo Guia de Vinhos do Chile (safras 2001 e 2002). Eu tinha curiosidade para conhecê-lo, visto a qualidade de outros vinhos da vinícola. E minhas expectativas foram mais que atendidas! O vinho, produzido sob a batuta do competente enólogo Marcelo Retamal, é feito majoritariamente com Cabernet Sauvignon, mas tem pitadas de Malbec e Carmenére. A maturação é feita em barricas novas de carvalho francês por 18 meses. Ao nariz, é muito rico, com notas de cereja preta, amoras maduras, tabaco, café, baunilha e alcaçuz. Ao fundo, um tostado que não peca pelo excesso. Em boca, muito intenso, com taninos fortes mas sedosos. Um belo vinho que merece ser conhecido. Li recentemente uma postagem do colega Luiz Cola, do Vinhos e Mais Vinhos, sobre o 2002, e concordo plenamente com seus comentários. O amigo Luiz cita que não entende como um vinho que custa a metade do preço de outros premium chilenos, e que já ocupou por duas vezes o titulo de melhor vinho, ainda venha pouco à mente do público quando vai escolher um bom vinho chileno. E ele tem toda razão! O vinho é muito bom e pouco badalado. Mas sabe o que eu acho disso? Bom demais, pois aí o preço não vai lá prá cima, como de outros tantos. 
Vinho recomendado! A propósito, os vinhos De Martino são importados pela Decanter.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

7a Mostra Internacional de Vinhos de Campinas: Minhas impressões (positivas e negativas)

Nesse último sábado os amigos Akira, René, Sérgio e eu fomos ao Royal Palm Resort em Campinas para a 7a Mostra Internacional de Vinhos de Campinas (claro...). Havia um grande número de expositores, desde produtores nacionais até importadoras conhecidas (outras nem tanto). Bem, confesso que sou meio avesso a estas feiras, até mesmo quando se trata da gigante Expovinis. O motivo é simples: Boa parte do pessoal não está interessado no consumidor final. O que querem é fazer negócios. Para mim, algo difícil de entender, pois quem leva para casa ou bebe os vinhos nos restaurantes são os consumidores finais. O ideal então seria que fizessem eventos separados, um para os "profissionais do vinho" (rsrs) e outro para nós, pobres mortais consumidores finais (que pagamos a conta ao final). Era comum os expositores perguntarem se éramos "profissionais" ou consumidores. Quando dizíamos que pertencíamos a esta última classe,  nos tratavam de maneira diferente, não passando informações completas sobre os vinhos e até mesmo "regulando" alguns vinhos "melhores" (e que nem valiam tanto a pena assim). Por outro lado, eu ouvi de vários a frase "este vinho é diferente daqueles que você está acostumado a  beber" e "você nunca tomou algo assim" etc. Como sabem disso? Julgam que aqueles vinhos são melhores que os que estamos acostumados a beber??? E aqueles então que se metiam a corrigir a pronúncia em francês dos visitantes? Arrogância total!
Uma pechincha!
Bem, depois do desabafo, vamos aos vinhos. Reservo-me o direito de não citar vinhos de expositores que não me trataram bem, mesmo que alguns de seus vinhos possam até ser razoáveis. É claro que assim, posso incluir no "balaio" aqueles que não visitei (por já conhecer os vinhos ou por falta de tempo mesmo). Mas não tem jeito. Não quero citar nomes aqui no blog, pois não é esse meu intuito. De qualquer forma, ressalto que tinha muito expositor legal, como os exemplos que cito abaixo na postagem.
Vamos aos vinhos. Deu para apreciar bons exemplares, alguns já figurinhas carimbadas e outros, boas surpresas. Eu dei uma boa passada nos brancos e fiquei muito bem impressionado com alguns que bebi. O primeiro deles foi o Verdicchio dei Castelli di Jesi DOC Clássico 2011. Vinho importado pela Grand Cru, de ótimo preço, com boa fruta e acidez própria para acompanhar comida. Também gostei do Chardonnay Gran Reserva do brasileiro Luiz Argenta. Embora passe 8 meses em madeira, ela dá estrutura para o vinho mas não sobrepuja a fruta. Ainda nos Chards, gostei daquele da Batasiolo, que tem bom peso e dos 2 ml que bebi do Amélia Chardonnay (rs). Gostei também de um Sauvignon Blanc espanhol da Chaves de Oliveira (ótimo atendimento dos expositores) e de um da chilena Viña mar (Épice), que mostra boa mineralidade. [Havia um outro Sauvignon muito bom na feira, que não comentarei]. Ainda nos brancos, provei o Furmint Heidi Schrock, da The Special Wineries (Vinhos da Áustria) que estava muito bom, assim como o seu Riesling Salmon Undhof 2008, muito mineral. Aliás, provei bons Riesling na feira [um deles não citarei].
Daiane Argenta: Simpatia e entusiasmo!
Migrando para os tintos, vários me agradaram, desde os mais simples, como o sincero Guilhem de Mas de Damas Gassac (Mistral) até os mais complexos Clarendelle 2005, La Massa 2008 e Edizione Cinque Autoctoni, de Farnese (este, para mim, um dos melhores da feira - Todos da World Wine). Alí no meio, Campo Madonna Cabernet Sauvignon 2008, de Montresor (Cantu), Two-Vines Shiraz de Columbia Crest (bom preço, Wine Brands), um Cabernet Sauvignon interessante da H.Stagnari (para evoluir em adega, Cantu) e o T.H. Pinot Noir 2009 da Undurraga (melhor ainda que o 2008, Abflug). Dos tintos brasucas, gostei do Cabernet Sauvignon Gran Reserva 2005 de Luiz Argenta (aliás, estande no qual a recepção foi muito educada e simpática) e do Décima Gran Reserva Tannat 2005 (fruta madura, notas balsâmicas, de café e chocolate em um vinho de ótima estrutura e capacidade de guarda - Parabéns!).
Mas deixei para o final o meu destaque absoluto da feira: Os vinhos austríacos da The Special Wineries! Já citei os ótimos brancos e agora destaco os tintos. Quando ví que havia um feito com a uva Lemberger, o Prieler 2008, fiquei entusiasmado. É a mesma do vinho Acinipo, feito pelo craque Federico Schatz na Espanha (veja minha postagem sobre o Acinipo 2003). E que beleza de vinho! Não é para quem gosta de geleionas e sim, elegância e finesse. As notas de cereja e groselha se misturam a notas minerais em um vinho ótimo ao nariz e em boca. Elegância pura. Esse não teve jeito, adquiri uma garrafa alí mesmo. O outro tinto, o blend Opus Eximium Cuvée 21, tinha um estilo mais internacional, mas também possuía grande complexidade (deve ficar excelente com algum tempo de guarda). Também não resisti e pequei uma garrafa, que se somou à uma do belo e mineral Riesling Salmon Undhof 2008. Para este que vos escreve, estes foram os melhores vinhos da feira.
Finesse!

Concluindo, como pontos positivos da feira, a oportunidade de apreciar bons vinhos (já conhecidos, como o Edizione Cinque Autoctoni e La Massa 2008) e novidades, como os ótimos vinhos austríacos (para mim, os grandes destaques!) e o Tannat Décima. Além disso, o local onde foi realizada a feira é agradável e a comida estava boa (bons frios, quiches e massas). Também como ponto positivo a possibilidade de se adquirir alguns vinhos na própria feira e já levar para casa, o que foi interessante. 
Bem, mas não tudo são flores. Como pontos negativos do evento destaco a falta de "semancol" de alguns expositores (como citado no começo da postagem), vinhos acima da temperatura ideal (a maioria!) e muita gente usando perfume (mulheres e homens - Será que um dia aprenderão que não se usa perfume em degustações de vinhos?!?). 

E para finalizar, como a feira acabou cedo,  ainda sobrou tempo para ir ao Hirata comer uma picanha e apreciar a melhor salada de rúcula do estado de São Paulo! Veja as fotos abaixo...
É muito boa a danada da salada!

domingo, 19 de agosto de 2012

FULVIA PINOT NOIR GARAGEM 2011: destaque em reunião da confraria


Nessa última reunião da confraria tivemos vinho francês, espanhol, português, argentino e um brasileiro que a meu ver, deu chineladas em todos eles...rs. Bem, vamos pela ordem da foto. 
O primeiro deles, que já comentei aqui no blog (clique) é o alentejano Cortes de Cima 2005. Levei o danado embrulhado e só o Fernandinho acertou se tratar de um português. Acho que a Syrah (67%), que divide o corte com Aragonez (16%), Touriga Nacional (12%) e Cabernet Sauvignon (5%), deu uma enganada na turma. O vinho estagiou 12 meses em barricas de carvalho (80% Francesas e 20% Americanas). O vinho mostrava notas muito intensas de frutas maduras, florais, couro e alcaçuz. Em boca, amplo e com longo final. Bem, como citei na outra postagem, é um vinho muito recomendado e que oferece muito pelo seu preço.
O seguinte na foto, também já comentado aqui (clique), é um que não poupo elogios. Foi levado pelo amigo Caio e para mim, foi o rei da noite. O Fulvia Pinot Noir Garagem 2011 deu o show. Mesmo bebido em taças de brunello, mostrou sua força. As notas de frutas silvestres estavam lá, mescladas a notas terrosas e especiadas. Uma delícia que ia se transformando com o tempo. Vinho para ser apreciado devagar, sozinho ou com boa comida (o que é melhor ainda) e que confirma a qualidade dos vinhos de Marco Danielle (alguns já comentados aqui). Só o Fernandinho, por não apreciar Pinot Noir, não gostou do vinho... Mas ele é novo, aprende...rs.
Do lado direito do FVLVIA, o vinho levado pelo amigo João Paulo (JP), o segundo vinho do  Chateau Gruaud-Larose, o Sarget de Gruaud-Larose 2003. O vinho, de St. Julien, varia em composição de safra para safra, mas este 2003 é feito com Cabernet Sauvignon (57 %), Merlot (30 %), Cabernet franc (8 %), Petit Verdot (3 %) e Malbec (2 %). Ele mostra notas de cereja, cassis, tostadas e alcaçuz. Em boca é levemente glicerinado, com taninos muito sedosos e final médio. É um bom vinho, mas não empolgante. 
O amigo Rodrigo levou o Crianza de Tondonia, o Cubillo 2005. Bem, Lopez de Heredia dispensa comentários. É tradição pura e qualidade certa. O Cubillo 2005 é um corte de Tempranillo (65%), Garnacha (25%), Graciano (5%) e Mazuelo (5%) que passa 2 anos em madeira e 1 em garrafa antes de ser comercializado. O danado demorou a abrir, principalmente em boca. Ao nariz, mostrava notas de cereja, baunilha e alcaçuz. Em boca, mostrou sedosidade, mas baixa acidez. Eu senti falta de mais presença, principalmente em boca. Na mesma faixa de preço, pelo menos este 2005, tem concorrentes seríssimos. 
E para finalizar, o Tonzinho levou um embrulhado que matei na hora: Shiraz novo, sem madeira, e embora simples, era de boa qualidade. Tinha notas de groselha e especiadas, e ótima acidez. Era um vinho alegre, festivo. E para nossa surpresa, era um argentino, o Las Moras Shiraz 2010. Vinho barato e que agrada. Nada de bomba! Estudando um pouco sobre a vinícola, soube que é conhecida por produzir grandes vinhos com Shiraz de San Juan, e que muitos a consideram ser a que melhor produz vinhos com esta casta na Argentina. Estou curioso para conhecer seus outros Shiraz, pois devem ser bons. Inclusive, são vinhos orgânicos. A conhecer melhor.


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Almoço com Alexandre Relvas, da Herdade de São Miguel: Destaque para o Herdade de São Miguel Reserva e para o bom e barato Cicônia tinto

Dias atrás o amigo Idinir, da Mercearia 3M, gentilmente nos convidou para um almoço na presença do jovem Alexandre Relvas Jr, da Casa Agrícola Alexandre Relvas. A propriedade Alentejana produz uma ampla gama de vinhos na sub-região de Redondo, que fica no centro do Alentejo, entre Évora e Alandroal. 
Apreciamos vários exemplares, que mostraram que a vinícola produz vinhos de qualidade e bom preço. O destaque maior foi para o top de gama Herdade de São Miguel Reserva 2007. O vinho, de grande safra, é feito com Aragonez, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon e passa 12 meses em barricas de carvalho frânces. Ele mostra a opulência de um bom alentejano, mas com tudo bem integrado. Os 15% de álcool não se fazem sentir e a madeira não sobrepuja a fruta. Ao nariz, mostra notas de amora, cassis, tabaco, toques balsâmicos e chocolate. Em boca tem muita presença, taninos corretos e final longo. Um vinho muito bom e com ótimo potencial de guarda. Quero apreciá-lo daqui a uns 2-3 anos, quando deve estar ainda mais complexo.
O outro destaque, a meu ver, foi o vinho de entrada Cicônia 2010. O vinho é feito com Touriga Nacional, Syrah e Aragonez, e uma pequena porcentagem dele passa por estágio em barrica de carvalho francês. Ao nariz mostra notas florais, de amora e tostadas. Em boca, é muito correto e com complexidade acima do esperado para um vinho nessa faixa de preço. Na minha opinião, briga fácil com o justo Flor de Crasto, que geralmente é encontrado a preço um pouco mais alto. É uma ótima pedida para o dia-a-dia ou para comprar de caixa e servir em uma festa com muitos convidados. Vai agradar com certeza.
Além desses dois vinhos supracitados, apreciamos um bom Cicônia Vinho Verde (produzido por uma vinícola parceira no Minho), que mostrou-se aromático e fresco, bom para bebericar ou acompanhar o Ceviche que foi servido de entrada, e um bom varietal São Miguel Touriga Franca 2009. Este último, mostrou notas de framboesa, tostadas e alcaçuz. É levemente glicerinado e com o tempo em taça, foi se abrindo, ficando bem redondo e muito fácil de beber. Gostei do vinho, embora confesse que não tenho muita experiência com varietais de Touriga Franca, a conhecendo mais em cortes onde "acalma" um pouco a Nacional.
Bem, fiquei bem impressionado com os vinhos da vinícola, que trazem ótima qualidade a bom preço, o que é difícil hoje em dia. Seus vinhos são importados pela Cantu, e em São Carlos são comercializados pela Mercearia 3M.
Ao centro, o jovem Alexandre Relvas. Formado em Bordeaux, responde pela enologia da vinícola, juntamente com o enólogo Nuno Franco. À direita, o amigo Carlos.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Noite de cachorro grande no Ciao: Peñalolen TEZ 2009, Triangle 2008, Neyen Espiritu de Apalta 2007 e Mingre 2007! Só vinhobão!

Nada melhor para celebrar o retorno do confrade Rodrigo que uma noite regada a grandes vinhos. Eu já havia programado uma sequência de tops chilenos, inspirado em uma postagem do seu xará, o amigo Rodrigo, do Vinhos e Viagens. E chegou a hora! Mas nosso confrade Rodrigo queria fazer a introdução e fechamento do evento, e levou os vinhos para tal. A introdução foi com um Champagne Veuve Clicquot e o encerramento, com um sauternes Carmes de Rieussec 2006, para acompanhar o meu famoso (quase 20 pessoas conhecem...rsrs) Creme Brulée. Bem, evento iniciado e concluído nos conformes!

Depois de umas taças de champagne partimos para os tintos, que decantei por 2 horas antes de levar ao Ciao Bello. Isso foi fundamental, pois eram vinhos relativamente novos e alguns deles, brigões.

Fizemos uma rodada inicial com cada um, e depois, com todos abertos e a comida na mesa, mandamos ver livremente de acordo com a preferência de cada confrade.

O primeiro a ser apreciado foi o O Mingre Assemblage 2007, da tradicional vinícola J.Bouchon. O vinho é feito com Cabernet Sauvignon (37%), Malbec (21%), Carmenére (21%) e Syrah (21%), de vinhedos com mais de 60 anos e de baixo rendimento. Os enólogos são Patrick Valette, Rafael Sanchez e Pablo Toro, ou seja, só gente boa. O vinho, que é feito com uvas de vinhedos de baixo rendimento, passa 14 meses em barricas de carvalho francês. Ele tem boa fruta, mas sem exagero, com notas de framboesa e ameixa, em meio a cacau, chocolate ao leite e um tostado na medida certa. Em boca é sedoso, complexo e muito elegante. Era o mais barato da turma, e o mais pronto para ser bebido. Agradou a todos, sem exceção. Muito bom o vinho! Recomendo. Fiquei arrependido de não ter comprado mais garrafas dele.

O segundo vinho foi o Neyen Espiritu de Apalta 2007. A vinícola Neyen possui 135 hectares de vinhedos, mas apenas uvas de 30 deles são utilizadas para o Neyen Espiritu de Apalta, o seu vinho top. O enólogo é o competente Patrick Valette. O vinho é feito com 70% Carmenére e 30% Cabernet Sauvignon, e passou 14 meses em barricas de carvalho francês (70% novas). É bastante especiado, com notas de especiarias indianas em meio à fruta madura e café. Em boca, muito correto, com taninos levemente arenosos e final especiado muito gostoso. Um vinho excelente, mas para paladares que sabem entendê-lo. Lembrou até características do Domus Aurea (embora este último seja feito só com a Cabernet).

O terceiro vinho foi o Triangle 2008, da jovem vinícola Crazy Wines, a qual é propriedade de de Jean-Pascal Lacaze, Christophe Beau e Olivier Bastet. O enólogo é Rhodolphe Bourdeau. A área plantada é de apenas 1,5 hectares. O Triangle 2008 é feito com 100% Cabernet Sauvignon, de vinhedos sem irrigação de Cauquenes, no Vale do Maule. O vinho foi muito elogiado no Descorchados 2012, onde foi chamado de "monstro". Sugerem ainda que precisaria no mínimo 5 anos de garrafa, além dos 2 anos que já passou em madeira. E realmente é um monstro! Foi eleito por unanimidade o melhor da noite. Um vinho potente mas muito equilibrado. Notas de frutas maduras, como a goiaba e amora, em meio anotas tostadas, balsâmicas e chocolate amargo. Em boca é amplo, potente, mineral e com longo final. Lembra a potência dos vinhos da região de Toro, na Espanha. Um vinhaço, com anos e anos pela frente. Vou guardar uma garrafa por uns anos, porque tenho certeza de que evoluirá maravilhosamente.

E para fechar, uma nova estrela chilena, o Peñalolen TEZ 2009. A vinícola Peñalolén foi fundada em 1998 e tem como enólogo Jean-Pascal Lacaze. É do mesmo grupo da Quebrada do Macul, que faz o grande Domus Aurea, e do Pargua. Portanto, tem pedigree. Aliás, ele já tem arrebatado prêmios em eventos realizados no Brasil. Ele foi lançado na Vitória Expovinhos 2012 e já ficou entre os Top Five. Até hoje, há apenas duas safras lançadas, a 2009 e a recente 2010. O vinho é feito com uvas de baixo rendimento e a produção é muito pequena. Só para se ter uma idéia, foram feitas apenas 2 barricas do 2009 e 4 do 2010! Essa garrafa que bebemos era a número 192  de apenas 490 que foram produzidas! Portanto, se quiser beber um desses, corra, pois acabará logo. É um vinho muito aromático, com muita fruta (menos madura que do Triangle), com notas de goiaba e cassis, em meio a um leve mentolado. Em boca é potente e com um final muito longo. Um vinhaço que ainda está novo e que deve evoluir muito bem. Em minha opinião, ficou ali pertinho do Triangle. 

Minha conclusão final: Noite impecável! Abertura com Champagne, final com Sauternes e Creme Brulée, e um recheio com tintos chilenos de primeira! Falar o que? Todos os tintos estavam ótimos, com destaque para o Triangle e TEZ, mas muito bem na fita o Neyen e o Mingre (que se mostram mais prontos para beber).


Todos os tintos são importados e comercializados pela Vinos y Vinos, que aliás, também importa os excelentes vinhos da vinícola Elvio Cogno, já comentados aqui no blog (1 e 2)


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Villa Francioni 2005: Esse não precisa de Salvaguardas!

Eu já manifestei aqui minha opinião sobre as salvaguardas. Em resumo, acho que os vinhos brasileiros não precisam delas. Por outro lado, continuo prestigiando os nossos vinhos, por gostar deles e por achar que têm qualidade. E nesse sábado, meu amigo Idinir, da Mercearia 3M, mostrou-me toda a linha  da vinícola catarinense Villa Francioni, que agora faz parte de seu já vasto portfólio. Eu não resisti e saí de lá com uma garrafa do Rosé 2011 (aquele da bela garrafa...) e uma do Villa Francioni 2005, que abri já no almoço de sábado para acompanhar uma bela fraldinha na brasa. É um vinho da gama superior da vinícola, e logo ao abrir, olhando a rolha de 5 cm, e de primeira, já dava para notar o capricho com que é feito. O danado é um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Malbec, com maturação de 13 meses em barricas de carvalho francês. O álcool não ultrapassou bons 13,3%. É um vinho rico em aromas, que incluem cassis, cereja preta, café, tabaco, alcaçuz e um fundinho mentolado bem discreto. Com o tempo em taça foram surgindo mais especiarias, como cravo e canela (só para lembrar da Gabriela...). Em boca é bem seco, nada de geléiona, com ótima acidez e taninos corretíssimos. Ele me lembrou os ótimos Erasmo e Bad Boy, que inclusive, ficam na mesma faixa de preço (com um pequeno desvio...). É um vinho muito bom! Eu li uma frase no contra-rótulo que define bem uma característica sua: "Um vinho que parece não querer se despedir". É isso mesmo!
Em São Carlos, toda a linha da Villa Francioni pode ser encontrada na Mercearia 3M.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Marichal Reserve Collection Chardonnay 2001: O branco sulamericano mais "velhinho" que bebi!

De vez em quando consigo garimpar umas coisas boas e a ótimo preço. E nesse caso, era um risco, pois nunca havia bebido um vinho branco sulamericano tão "velhinho". E este Marichal Reserve Collection 2001, uruguaio da Bodega Marichal, mostra a qualidade inegável do vinho uruguaio, e mais ainda, que pode ser guardado. Os Reserve Collection, como o nome diz, são feitos com as melhores uvas, selecionadas após a colheita. Três castas são selecionadas para elaboração de vinhos dentro desta linha: Tannat, Pinot Noir e Chardonnay. São produzidos varietais de cada uma delas e também cortes de Pinot/Tannat e Pinot Noir (Blanc de Noir)/Chardonnay. O Chardonnay, como este apreciado e mostrado na foto, é feito com uvas de Etchevarría, Canelones, a 25 km do Rio de la Plata. A maturação (60% do vinho) é feita em barricas francesas e americanas por 6 meses. A rolha do vinho estava perfeita o que indicava boa conservação. Quando verti na taça, vi que teria uma ótima surpresa. O vinho de cor amarelo ouro mostrava aromas de maracujá, abacaxi compotado, amêndoas e um pouco de mel. Em boca, repetia o nariz e por incrível que pareça ainda estava fresco, com ótima acidez. Não tinha nenhum excesso. Gostei bastante, principalmente por se tratar de um branco de 11 anos! Valeu a pena. O adquiri na Adega Spazio, em São Carlos. 

Nota: Vejam que no rótulo é indicado, de forma adequada, que o vinho deve ser apreciado em temperatura que varia de 12-14 graus. Isso é importante. Tem gente que pensa que vinho branco tem que "virar picolé" antes de beber. Nada disso! Vinho gelado demais esconde aromas e prejudica o paladar.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Palazzo della Torre 2008: Vinhobão para amantes de vinhos italianos!

A vinícola Allegrini é muito tradicional no Vêneto e produz vinhos muito bons. Este Palazzo della Torre 2008 foi feito com as castas Corvina Veronese (70%), Rondinella (25%) e Sangiovese (5%), utilizando a tradicional técnica do ripasso. O vinho matura por 16 meses em barricas de carvalho. Sua cor é forte e seus aromas muito envolventes, que vão se alterando em taça. Notas de amora madura, uva passa, tabaco, balsâmicas e chocolate. E no fundinho, como diria o amigo Vitor, aroma de Sangiovese, que é minoritária, mas aparece. Em boca é amplo, com ótima acidez e final longo, com um sutil amargor final bem gostoso. Como todo bom italiano, gastronômico por natureza, e bem versátil. Eu bebi acompanhando Risoto al Funghi e também com uma boa carne. Mas o legal mesmo foi apreciar a última taça acompanhada de um belo Cheese Cake com geléia de amora... Que delícia! Pois é, parece inusitado, não? Mas tente um dia. 
A propósito, meu parecer sobre o vinho: Muito bom! Recomendado,! Principalmente para quem tem bom gosto e é chegado a um bom vinho italiano! rsrs...

Nota: Os vinhos da Allegrini são importados pela Grand Cru.

Apreciando vinhos e boa comida no Bourbon Atibaia: Destaque absoluto para o Barmès Buecher Leimenthal Riesling 2005!

Levei a família para descansar uns dias no Resort Bourbon, em Atibaia. O local é bem legal e possui uma adega muito boa, com ótimos vinhos, bem acomodados e com preços muito justos (alguns idênticos aos praticados pelas importadoras). Dá até para encontrar vinhos mais evoluídos, o que vale a pena. Interessantes também são os eventos promovidos pelo Hotel. Nesse final de semana tinha um Wine Encontro seguido de um jantar harmonizado, preparado pelo Chef Jérôme Dardillac. Vale destacar também a atenção do Henrique e do Robson na Wine Cave - Sempre educados e atenciosos com todos. A apreciação dos vinhos foi conduzida pelo sommelier da Casa Flora, Fernando Gurgel. Eram vinhos orgânicos e biodinâmicos, da Finca los Alijares, da região de Toledo, Espanha, e Barmès Buecher, da Alsácia, e um espumante de Filipa Pato. Vamos aos vinhos apreciados:

Felipa Pato 3B Rosé Brut: Feito com Baga (75%) e Bical (25%), da Bairrada (daí os 3Bs). Segundo a ficha técnica, a Baga passa 9 meses em barricas de carvalho usadas, enquanto para a Bical é utilizado o inox. Bom vinho, fresco, com boa cremosidade, notas de morango e panificação.

Barmès Buecher Leimenthal Riesling 2005: 100% Riesling do vinhedo Leimenthal. O destaque no evento, sem dúvida alguma. Vinho amarelo claro, com notas florais, de damasco, mel, nozes e cítricas. Muito rico, com ótima acidez e mineralidade. Uma delícia! Os vinhos deste produtor biodinâmico já me haviam sido recomendados pelo amigo Eugênio, do Decantando a Vida, mas só agora tive a oportunidade de experimentar. E assim como o Eugênio, recomendo! Pode ser encontrado na Casa Flora e Winestore.

Finca los Alijares Graciano 2008: Vinho orgânico, 100% Graciano e que passa 3 meses em madeira. Notas florais, de frutas negras e bom corpo. A boa acidez pede uma carne gordurosa. Um bom custo benefício (~50 reais).

Crémant D'Alsace Barmès Buecher Brut: Espumante feito com  42% Auxerrois (aparentada da Chardonnay), 36% Pinot Gris, 13% Chardonnay, 8% Pinot Blanc e 1% Pinot Noir, pelo método champenoise. Muito aromático, com notas cítricas, amendoadas e de damasco. Tem um leve açúcar residual que não incomoda. Aposta certa para brindes e também para acompanhar entradas e coquetéis. Bem gostoso.

Finca los Alijares Viognier 2010: Um Viognier leve, não muito floral, com notas cítricas, pêssego e pera, que sozinho estava meio fraco, mas que ganhou acompanhando o prato. Eu, que gosto muito da Viognier de Condrieu, achei meio aguadinho... 

Finca los Alijares Syrah/Petit Verdot 2008: Vinho feito com 50% de cada casta, as quais são vinificadas separadamente. Estagia 5 meses em barricas de carvalho. Vinho denso, com notas de frutas maduras, especiarias e balsâmicas. Além disso, possui boa mineralidade, que junto com as notas balsâmicas remeteu a vinhos do Priorato. Em boca é redondo, agradável, com taninos bem corretos. Uma boa surpresa, que pelo preço (~50 reais), é uma ótima pedida. Para brigar fácil com argentinos e chilenos na mesma faixa. Recomendo! Imagino que seu irmão mais velho (e mais caro) Crianza, deve ser muito bom.

Finca los Alijares Moscatel Blanco 2010: Um vinho de sobremesa leve, com notas cítricas e boa acidez. Mas a meu ver poderia ter mais corpo.

Bem, e os vinhos acompanharam um belo jantar preparado pelo Chef Jérôme Dardillac. Abaixo coloco fotos de alguns pratos. Esqueci de fotografar o ótimo Carpaccio de jacaré com castanha da Amazônia tostada e espuma de coentro, que estava ótimo e fez par perfeito com o Crémant.

Beiju de Pato no Tucupi
Duo de Mousse de Cupuaçu e Chocolate com Renda de Castanha