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sábado, 11 de julho de 2015

3 belos franceses: Comte Armand Auxey-Duresses 1er 2009, Comte Armand Pommard 1er Cru 2011 e Domaine Huet Clos du Bourg Moeulleux 2009!

Sentamos dias atrás para apreciar dois ótimos borgonhas de um mesmo produtor: Comte Armand. O Domaine Comte Armand fica no centro de Pommard, tendo o monopólio de produção de vinhos no 1er Cru Clos de Epeneaux. Este 1er Cru é muito antigo e tem a característica peculiar de ser cercado por muros. Em 1994 o Domaine expandiu sua produção para vinhedos em Auxey-Duresses, AOC criada em 1970, e cujos vinhos eram anteriormente vendidos com o nome dos vizinhos Volnay e Mersault. Não há Grand Cru na AOC, apenas 8 climats classificados como 1er Cru. 
O primeiro vinho apreciado foi um Comte Armand Auxey-Duresses 1er Cru 2009. O vinho é um blend de dois terrois e passa 20 meses em barricas 40% novas. Ao nariz mostra notas de frutas silvestres e especiarias, envoltas em um fundo terroso delicioso. Em boca repete o nariz e destaca-se pela ótima acidez, mineralidade e taninos firmes. Possui frescor e uma "rusticidade" que me agradam muito, e que faz a gente querer sempre mais uma taça. É um vinho que apesar de poder ser bebido agora, pode ser guardado sem medo. 
O segundo vinho foi um Comte Armand Pommard 1er Cru 2011. O vinho é mais novo que o primeiro, um pouco mais caro, e também, um pouco mais complexo. Possui aromas de morangos silvestres, couro, terrosos e defumados. Em boca está novo, cheio de vida, mostra acidez vibrante e ótima mineralidade. Como o vinho anterior, também mostra taninos firmes. Outro belo exemplar do produtor, que me deixou muito bem impressionado pela mineralidade de seus vinhos. Estou muito curioso para beber o Clos de Epeneuax. Os Comte de Armand são importados pela Delacroix.
E para finalizar, o Carlão surge com um belo branco, o Clos du Bourg 2009, do Domaine Huet. O vinho é um Vouvray, versão Moelleux, feito com Chenin Blanc, próprio para sobremesa. O Domaine Huët foi fundado em 1928 e é um dos mais prestigiados no Loire. Este vinho estava fantástico! Cor linda e aromas deliciosos de frutas cítricas, figo, gengibre, botrytis e mel. Em boca o dulçor é equilibrado com uma excelente acidez e mineralidade. É vinho de álcool baixo (12,5%) para um vinho estilo sobremesa, o que o deixa muito agradável. Delicioso! Embora seja indicado para sobremesa, não é tão doce e seu álcool baixo também faz com que possa escoltar pratos com peixes e frutos do mar. Nós experimentamos e ficou ótimo. Ele é muito versátil. Vinhaço! É importado pela Premium.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Jean Grivot Clos de Vougeot Grand Cru 2006: Nervoso!

A família Grivot tem origem no Jura mas se estabeleceu na Borgonha no século XVII. Atualmente o Domaine é conduzido por Étienne Grivot (filho de Jean Grivot), que formou-se em Beaune e tem experiência também na Califórnia. A vinícola pratica agricultura orgânica e só usa leveduras da própria uva para fermentação. O vinhedo em Clos de Vougeot foi adquirido em 1919 por Gaston Grivot, avô de Étienne, e possui pouco mais de um hectare, no lado leste da denominação. Este Clos de Vougeot Grand Cru 2006, ofertado pelo Cássio, mostrou-se um vinho robusto, nervoso, até com certa rusticidade. O vinho tinha notas de morangos silvestres, daqueles pequenos, meio azedinhos, cereja, funghi e especiarias (com destaque para um lado apimentado que me agrada muito). Em boca, mostrava ótima acidez e mineralidade, com um final muito longo e apimentado. Os taninos eram finos e corretos. Um ótimo vinho, que deve ganhar muito com adega. Mas este já foi... E estava excelente! Gostei demais, claro....rs. Valeu, Cássio!
Nota: O vinho é importado pela Mistral. Salgadinho...rs.

sábado, 1 de março de 2014

Bons vinhos na confraria: Chacra Barda 2012, EPU de Almaviva 2010, Chateau de Chamirey Mercurey Les Ruelles 2009, Trefethen Merlot 2001 e Calyptra Assemblage 2008

Foi uma noite estranha, que esquentou de repente e nos pegou de surpresa, sem nos dar chance para levar brancos para a reunião da Confraria lá no Chez Marcel. Mas de mais leves, dois Pinots deliciosos. 
O primeiro deles, o patagônico Chacra Barda 2012, tinha cor clara, bonita, e aromas frutados, de morango e cereja, em meio a um tostadinho gostoso e especiarias (cravo). Destaque para ao seu frescor. Era um vinho fresco, mineral,  do tipo festivo. Como o pessoal disse, para um fim de tarde à beira da piscina. Muito gostoso! Diferente de outros Barda que bebi, que eram mais tostados. Eu sempre achei este de entrada da Chacra o melhor. Não me encantaram o Chacra 55 nem o Chacra 32. Por outro lado, o preço que estão cobrando por aqui é surreal. O Caião trouxe direto da Argentina, direto para a nossa mesa. Valeu! Importante sobre este vinho: A experiência que tive com outros anteriores é que não aguenta guarda. É para beber logo.
Depois dele, outro Pinot de responsa, levado pelo Paolão. Mas agora, algo com mais peso e estrutura. Era um Chateau de Chamirey Mercurey Les Ruelles 2009. Vinho de excelente safra, cor mais escura que o primeiro, aromas deliciosos de cereja, framboesa e especiarias, como a canela.  Em boca é amplo, mineral, com um toque salino bem gostoso. Foi um camaleão durante a noite, mostrando aromas distintos e fazendo a felicidade da turma. Para mim, e vários outros, o melhor da noite. Uma delícia! Vou guardar uma garrafa dele que tenho para apreciar daqui a uns anos. Quem pegou no último bota-fora da World Wine pode ficar feliz. A propósito, o Caião já havia levado uma garrafa destes prá gente semanas atrás, em postagem que ainda não publiquei.
O JP chegou disposto também (apesar do resfriado....rs): Levou um EPU de Almaviva 2010. Não este, mas dois de outras safras, já foram motivo de artigos (e "polêmica salutar") aqui no blog (clique aqui e alí). Mas este 2010 já me atraiu pela safra, que tem me trazido boas surpresas, com vinhos mais vivos e menos extraídos que o normal. E este seguiu a mesma linha. Estava pegado no começo, nervoso, mas depois de um tempo no decanter, foi se equilibrando. Diferentemente de outros EPUs que bebi, é menos extraído, mas fresco, como tenho visto nos Cabernets chilenos de 2010. Vinho com aromas de cassis, cereja preta e alcaçuz. Em boca, amplo, fresco e com taninos nervosos, do jeito que eu gosto. Para mim, o melhor dos EPUs que bebi. E com longa vida pela frente. Me lembrou o TEZ. Gostei, JP! Tá indo muito bem no ano.
Eu levei um Trefethen Estate Merlot 2001. A vinícola familiar do Napa Valley produz uma ampla gama de vinhos e muitos deles têm feito muito sucesso por aí (o Cabernet 2005 é muito elogiado e faturou 97 da WE). Este Merlot tem também uma pitadinha de Cabernet Sauvignon (e em algumas safras, Malbec). Passa 19 meses em barricas de carvalho francês e americano. Ao nariz, mostra notas de frutas maduras, tostadas, chocolate, couro e tabaco. Já traz o sinal dos 13 anos. O JP, que estava com o nariz um pouco afetado...rs, dizia que ele estava na descendente. Para mim, ele estava senhorío, maduro, evoluído, o que é diferente. Até acho que não ganhará mais com o tempo e talvez já comece a descer. Mas agora, está no ponto, macio, redondo, muito elegante. Eu gostei. Mas ele ficou na rabeira dos outros.
E para finalizar, o Thiago levou um Calyptra Assemblage Gran Reserva 2008. Chileno feito com Merlot, Syrah e Cabernet Sauvignon, e que passa 26 meses em barricas usadas. Apenas 3.500 garrafas foram produzidas. Tem aromas de amoras, pimenta do reino, madeira e chocolate amargo. Em boca, repete o nariz, mostra mineralidade e bons taninos. É um vinho com bom nervo. A madeira aparece um pouquinho, mas não incomoda. Pede comida. Pelo preço, uma boa pedida. Gostei dele. O Descorchados lhe atribuiu 93 pontos.
Isso aí, pessoal! Todos os vinhos aprovados! E como estava bom aquele Risoto com lula, chorizo e vieira, hein? O Bart estava inspirado.
A turma reunida




segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Dominique Laurent Mazis-Chambertin Grand Cru 1997: Grandioso!

Meus amigos André e Akira apareceram com um borgonha de responsa para mandarmos ver. E não era coisa pequena: Dominique Laurent Mazis-Chambertin Gran Cru 1997! Bem, eu poderia gastar umas boas linhas sobre Dominique Laurent, que é um négociant muito respeitado na Borgonha, mas prefiro remeter à uma postagem do Beto Gerosa, que descreve com muito mais propriedade as características do produtor, que figura entre os négociant tops (isso, tem négociant e négociant...). Para se ter uma idéia, até a Wine Spectator, que não costuma ser muito generosa com borgonhas (?), ou pelo menos o quanto deveria ser, lhe outorga sempre pontuações de respeito. O Mazis de 1995, por exemplo, faturou 98 pontos, e este de 1997 que bebemos, 96 e elogios rasgados. 
O Grand Cru Mazis-Chambertin é localizado dentro da comuna de Gevrey-Chambertin e conta com pouco mais de 8 hectares plantados, em sua maioria, com Pinot Noir (85%). Os restantes 15%, obviamente, são ocupados por videiras de Chardonnay. Seus vinhos são conhecidos pela opulência e é claro, elegância. E este Mazis-Chambertin 1997 não poderia estar diferente. O vinho exalava aromas de morangos silvestres e amoras, em meio a sous-bois, notas florais e muita (mesmo) especiaria. As notas de alcaçuz se alternavam com canela e noz-moscada. Eram impressionantes os aromas do vinho. Na primeira cafungada lembrei também de carne flambada. Parece esquisito, né? Mas foi a sensação que eu tive. Em boca era intenso, especiado, com bela acidez e taninos finíssimos. A madeira, como deve ser em um bom vinho, era coadjuvante e muito bem integrada. O final era interminável, terroso e levemente cítrico. Uma maravilha! Um vinho de 16 anos e em plena forma. Tudo que a Pinot Noir pode oferecer. Sem dúvida alguma um dos melhores borgonhas que eu bebi, ajudado pela perfeita maturação nesses anos em garrafa. E ele foi apreciado na presença de dois outros Pinot Noir do novo-mundo que, embora de muita qualidade, tomaram chineladas daquelas ardidas. Bem, ardido também é o preço do vinho, que é importado pela World Wine. A safra disponível é, no entanto, a 2006.
Valeu André e Akira!