quinta-feira, 30 de junho de 2011

Cheval des Andes 2006 - Argentino de peso

O Cheval des Andes é um projeto de parceria entre a bodega argentina Terrazas de los Andes e o famoso Chateau Cheval Blanc, de Saint Emilion, Bordeaux. A confecção do vinho é capitaneada por Pierre Lurton, enólogo chefe e diretor da Cheval Blanc (e Chateau d'Yquem). Não poderíamos esperar nada menos que um grande vinho. Ele é talhado com Malbec, Cabernet Sauvignon e Petit verdot, de vinhedos pequenos e selecionados, de Vistalba.
Este Cheval des Andes 2006, oferta do João Paulo, tinha cor densa e aromas de bala toffee destacados, que revelam sua juventude. A fruta aparece, com notas de ameixa e amora, mas o tostado da madeira ainda a sobrepuja. Notas ainda de café, alcaçuz e especiarias, que aparecem com mais tempo em taça. Em boca é potente, untuoso, porém aveludado, com taninos finissimos. O vinho é exuberante e tudo leva a crer que estará maravilhoso quando atingir 10 anos de idade. Infelizmente, esta garrafa não esperou até lá... Quem tiver um destes, guarde! Ou se não resistir, deixe em decanter por mínimo uma hora.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Catena Alta Malbec 2007 - Explosão de flores e frutas

A linha Catena Alta representa o que há de melhor das Bodegas Catena. O Malbec sempre foi considerado um dos melhores da Argentina,  ainda que atualmente enfrente a competição saudável de outras vinícolas e também fique um pouco à sombra dos single vineyards e do Malbec Argentino, do mesmo produtor. O Catena Alta 2002 foi destaque absoluto na imprensa especializada, tendo ficado entre os top 100 da WS e também sido eleito pela Revista Gula como melhor do ano em 2004. Este Catena Alta Malbec 2007 não deixa por menos. É uma beleza! Trilha um caminho um pouco diferente dos anteriores, que têm mais ameixa e também dos single vineyards, que são mais finos e têm mais notas de figo. O vinho é altamente floral, com notas rasgadas de violetas em meio a muita fruta (não compotada). Quer ter uma idéia dos aromas? Coloque muita amora madura em um tigela, adicione um pouco de cassis, amasse tudo muito bem e leve à boca. É isso! Uma explosão de frutas, mas com muita elegância. No entanto, eu vou guardar uma garrafa na adega por mais uns anos para que o vinho fique ainda melhor. Hoje, a madeira aparece e ele ainda está um pouco impetuoso demais. Mas é um vinhaço, próprio para um belo bife de chorizo. Ah, só tem um problema: Mancha os dentes sem dó! O que não gosto muito.
Bem, os vinhos da Catena são importados pela Mistral.

Sassoalloro 2006 - Italiano de corpo e alma

O vinho Sassoalloro é feito por Castello di Montepò/Jacopo Biondi Santi, na Toscana. O vinho é garantia de sucesso em qualquer jantar com pratos italianos, e ótimo presente para um amigo de bom gosto! É feito com a maravilhosa Sangiovese e estagia 14 meses em carvalho francês e 6 meses em garrafa antes de ir ao mercado. Este Sassoalloro 2006 está ainda um pouco fechado, mas já mostra a exuberância da Sangiovese, com notas florais, de cereja e de chá. A madeira aparece, mas nada que incomode. Em boca é amplo, suculento, vivo, uma delícia! Os taninos são presentes, mas polidos, e a acidez lhe faz perfeito para acompanhar comida. Acompanhou com maestria o Stinco de Cordeiro ao molho de 3 cogumelos e polenta.
Se tiver paciência e resistir, espere mais 1 ou 2 anos para apreciá-lo ainda mais macio.
O Sassoalloro é importado pela Mistral.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Chateau Kefraya 2007

Chateau Kefraya possui tradição na produção de vinhos com estilo francês, no Líbano. Inclusive, em seus vinhedos a quase totalidade das uvas plantadas é de origem francesa (Cabernet Sauvignon, Syrah, Grenache, Carignan, Cinsault, Mourvèdre, Sauvignon Blanc, Ugni Blanc, dentre outras). A única não francesa é a espanhola Tempranillo.
 Tempos atrás apreciamos o mais simples do produtor, o qual tem um ótimo frescor e ótimo custo benefício. Nesta última semana pudemos apreciar um Chateau Kefraya 2007. Este em questão já fica um degrau acima e também oferece muita qualidade. É feito com Cabernet Sauvignon (majoritária), Syrah, Carignan e Mourvèdre. Possui uma cor rubi bonita, e aromas de melaço, especiarias e leve couro. Depois de um tempo na taça mostra notas florais, de cereja e alcaçuz. Em boca é bem elegante, mineral, de médio corpo, com taninos corretos e um final prazeiroso. Acredito que o vinho deve ganhar em complexidade com mais tempo de adega. O produtor cita que ele tem excelente potencial de envelhecimento (acima de 10 anos). É um vinho gostoso, bem elegante e a ser conhecido.
Os vinhos do Chateau Kefraya são importados pela Zahil, e em São Carlos podem ser encontrados na Mercearia 3M, do amigo Idinir.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Chateau La Lagune 1995 - Na hora certa!


Nada como apreciar um bom Bordeaux já com seus 16 anos de idade e de uma boa safra. A safra de 1995 foi muito boa em Bordeaux, sucedendo uma sequência de safras ruins (91 a 94).
O Chateau La Lagune é um Gran Cru Classé (3ème Cru da classificação de 1855), de Haut Medoc, feito com uvas de vinhedos plantados em uma área de 80 hectares, em um terroir conhecido por proporcionar vinhos com muita finesse. Este Chateau La Lagune 1995 foi elaborado com 50% Cabernet Sauvignon, 25% Merlot, 10% Petit verdot e 15% Cabernet Franc (informação retirada do site do Chateau, e que está diferente em alguns outros sites, principalmente com a ausência da Cabernet Franc).
O vinho estava uma delícia! Ao nariz, notas de terra molhada, tabaco e tostadas muito bem integradas à fruta (cassis e cereja madura) e leve especiaria. Em boca, repetia o nariz e apresentou taninos muito macios e médio-corpo. O final, embora não seja dos mais longos, é muito gostoso. Bem, a única coisa ruim foi quando acabou o conteúdo da garrafa...
O vinho estava no ponto certo! Acho que não ganharia com mais tempo de adega.
A propósito, os vinhos do Chateau La Lagune são comercializados pela Mistral.

domingo, 19 de junho de 2011

Don Maximiano 2005 e Quinta do Vallado Reserva 2007 - boa briga!

Ontem o amigo Carlos André nos convidou para apreciar um Don Maximiano 2005 em sua casa.  Eu estava louco para apreciar este vinho, visto que apenas havia degustado o 2007 no último Vini Vinci. Mas apreciar devagar, em maior quantidade, e com carré e picanha de cordeiro, é outra coisa. Por outro lado, imaginei que o vinho da bela safra de 2005 devesse estar mais pronto que o de 2007.
Não para competir, mas para manter a qualidade, abrimos paralelamente um Quinta do Vallado Reserva 2007, já comentado aqui no blog (clique).  Mas querendo ou não, a briga foi belíssima, e quem ganhou fomos nós! O Don Maximiano é excelente, e justifica plenamente as vitórias que teve sobre grandes bordeaux em degustações às cegas. O vinho é feito com Cabernet Sauvignon (majoritária), Cabernet Franc, Petit Verdot e Syrah, e descansa 20 meses em barricas novas de carvalho frânces. É um vinho aristocrático, fino, elegante ao extremo. Tudo nele é correto! Aromas envolventes, sem exageros, com boa fruta (figo, cassis, groselha) e notas de café (pudim de) e leve baunilha. Em boca repete o nariz e é amplo, cremoso, aveludado, com taninos corretíssimos e um belíssimo final. Uma maravilha de vinho! Duvido que alguém não goste. Valeu Carlão! A única ressalva que eu tenho, e que de maneira alguma desabona o vinho, é que ele não muda muito com o tempo de taça. Confesso que aprecio os vinhos "camaleões" na taça (sem perder a qualidade, claro).
O Quinta do Vallado Reserva 2007 está mais aberto quando comparado com as últimas garrafas que apreciei. Está ganhando vida! A fruta está aparecendo mais, em notas gostosas de mirtilo e amora, que somam-se às notas de kirsch, especiarias (pimenta muito discreta e noz-moscada) e de bala toffee. É um vinho que possui mineralidade e que, ao contrário do Don Maximiano, se transforma com o tempo e vai ganhando novas nuances. Vinho cheio de camadas. Em boca estava excelente, amplo, com taninos sedosos. Possui mais acidez que o Don Maximiano. Acredito que os anos lhe farão muito bem, e estou curioso para apreciá-lo daqui a uns 2-3 anos.
Só para fomentar a discussão, não entendo por que a Wine Spectator, em suas avaliações, é pouco generosa com o Don Maximiano em comparação com outros chilenos super-premium. Este 2005 obteve 91 pontos (eu acho que ele merecia mais - ou os outros menos!). Por outro lado, o Vallado Reserva sempre abocanha grandes notas, tendo o 2007 faturado 96 pontos e o posto de 22nd na lista dos top 100 de 2010. Bem, de qualquer forma, são dois grandes vinhos, bem diferentes em estrutura, e que dão muito prazer. Pedidas certas! Só acho que os vinhos premium chilenos tem aumentado muito de preço nos últimos tempos, e isso os deixará em desvantagem competitiva com os europeus, principalmente os ibéricos.
A propósito, os vinhos da Errazuriz, produtora do Don Maximiano, são importados pela Vinci, e os vinhos da Quinta do Vallado são importados pela Cantu.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Pombal do Vesúvio 2007, Abadia Retuerta Selección Especial 2007 e Megara 2005 - Na Confraria do Ciao



Ontem começamos a noite com um vinho levado pelo confrade Caio, o Pombal do Vesúvio 2007, da Quinta do Vesúvio. É a segunda vez que o Caião nos brinda com este vinho, já postado aqui (clique), mas esta garrafa estava ainda melhor que a primeira. O vinho abriu bastante neste ano, desde a época em que apreciamos a outra garrafa. É o segundo vinho da Quinta do Vesúvio, e é elaborado com as castas Touriga Franca (60%), Touriga Nacional (30%) e um pouquinho de Tinta Amarela (10%). As notas florais da Touriga Nacional aparecem majestosas, em meio às notas de cereja, amora e leve chocolate. É um vinho que surpreende, pois é um duriense com aromas que lembram alentejano. Em boca o vinho está mais gostoso agora, mais redondo, com boa acidez e taninos já domados. Vinho elegante e muito equilibrado. Uma delicia! É importado pela Mistral.
E como na semana passada eu havia pisado na bola e levado um vinho que desagradou até o saca-rolhas, levei um que tinha certeza de que todos iriam gostar, o Abadia Retuerta Selección Especial 2007. Já comentei sobre ele aqui no blog (clique aqui). O levei embrulhado, para que os confrades acertassem a procedência. O Caião matou na hora e o Fernandinho concordou com a alma espanhola do danado. Comparando com a primeira garrafa, que bebi há cerca de um ano atrás, esta já mostra um vinho mais amigável, mas redondo, aliás, bem redondo! O vinho tem notas tostadas, carameladas, de bala toffee, em meio a cereja passa. Uma delícia! Em boca é elegância pura, mas com imponência. Os taninos já estão bons, mas com o tempo devem ficar ainda melhores. É vinho que se pode beber agora, mas que deve envelhecer muito bem. Bem, foi unanimidade entre os confrades. O Fernandinho, que adora o Abadia, o elegeu, ainda embrulhado, com o melhor da noite. Os vinhos da Abadia Retuerta são importados pela Peninsula.
Bem, o final da noite não foi lá dos melhores, tenho que confessar. Apreciamos um vinho siciliano levado pelo JP, o Megara 2005, da Duca di Salaparuta. O vinho é um corte da uva (provavelmente autóctone) Frappato e Syrah (50/50). Ao nariz, tinha notas medicinais que não me agradam, que com o tempo foram diminuindo, mas persistiram. A fruta aparecia, mas um pouco enjoativa, com notas bastante evidentes de licor de cassis e cereja. Em boca era leve, com bons taninos. Mas no geral, o vinho não agradou.

Goulart Gran Vin 2006

Bem, eu não gosto muito de postar sobre vinhos que não gostei, mas por insistência dos confrades, terei de fazê-lo. Comprei este vinho na World Wine, há algum tempo atrás, e resolvi apreciá-lo com os confrades na semana passada. É um vinho das Bodegas Goulart, propriedade de Erika Goulart, uma brasileira que produz vinhos em terras argentinas. Já havia apreciado um vinho mais simples da bodega, o Paris Goulart, há algum tempo atrás, e gostado bastante, pela qualidade e pelo custo.
Este em questão, o Goulart Gran Vin 2006, é um vinho top da bodega, feito com uvas de vinhedos privilegiados, e que estagiou 14 meses em barricas novas de carvalho francês. O vinho tem uma proposta interessante, que foge ao modismo, principalmente da fruta compotada em excesso de muitos malbecs argentinos. Sua cor já mostra isso, pois é mais rubi e menos violeta e densa que a maioria dos malbecs. Ao nariz apresenta notas de ameixa, figo e chocolate meio-amargo, mas a meu ver, a madeira aparece em excesso. Em boca nos pareceu agressivo, com a madeira aparecendo demais e muita acidez. Tava aí o que mais desagradou. A alta acidez! Eu acho que a maioria dos malbecs argentinos pecam por possuirem baixa acidez, mas neste ela se sobressai. Bem, eu espero muito que o tempo lhe dome.
No entanto, o problema maior é quando o comparamos com outros argentinos de peso, na mesma faixa de preço, como o Catena Alta, Angelica, Trapiche Single Vineyards, J.Alberto, etc. Aí a coisa complica.

domingo, 12 de junho de 2011

San Leonardo Merlot 2001

A Tenuta San Leonardo, localizada no nordeste da Itália, em Trentino, produz vinhos muito refinados, com inspiração em Bordeaux. Inclusive, seus vinhos são feitos com castas bordalesas, como a Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc. Tempos atrás adquiri umas garrafas do Merlot (2001 e 2003), que tenho apreciado ao longo destes anos. Hoje apreciamos a última garrafa do San Leonardo Merlot 2001. De uma bela safra, com 10 anos de idade, o vinho estava uma delícia. Já mostrava em sua cor rubi, com toques atijolados e halo de evolução, o efeito do tempo, que lhe fez bem. O vinho tinha notas de cereja ao marrasquino, chocolate e leve tabaco. É vinho de médio corpo, e em boca estava redondo, sedoso, com taninos bem macios. Uma delícia! Que pena que foi a última garrafa. Aliás, o vinho não aparece mais no site da vinícola, nem tampouco no catálogo da Mistral, infelizmente. No entanto, vale a pena buscar na Mistral os outros vinhos do produtor, pois são muito elegantes.

Churrasco com Syrah - De Lucca e Maycas del Limari Reserva Especial

Desde que os Malbecs argentinos ganharam notoriedade em todo o mundo, sua associação com uma boa carne, inclusive o churrasco, sempre foi feita, e com sucesso. Isso é inclusive utilizado como estratégia de marketing. No entanto, sabemos que outros vinhos podem acompanhar muito bem um dos pratos mais queridos dos brasileiros. Certa vez, em uma degustação da Decanter, um representante da De Martino me disse que não há nada melhor para um churrasco que um bom Syrah. Hoje resolvi testar com dois Syrah sul-americanos, um do Uruguai, outro do Chile. O uruguaio é feito por Reinaldo De Lucca, em Canelones. É o De Lucca Syrah Reserva 2007. Os vinhos uruguaios têm ganhado destaque nos últimos tempos, por terem personalidade e fugirem a modismos. Este Syrah, de cor rubi, tinha aromas florais e notas de cereja, groselha e romã. Em boca, estava uma delícia. O vinho é festivo, fresco, gostoso, fácil de beber. Daqueles que somem rápido da garrafa. Acompanhou o churrasco maravilhosamente. Belo custo benefício.
Abrimos depois dele uma garrafa do Maycas del Limarí Reserva Especial 2005, já comentado por mim aqui no blog (clique).  Este, que tem uma cor mais para violeta, esbanja também os aromas desta flor, junto com notas de amora. Em boca é uma delícia, nada enjoativo como muitos Syrah, elegante, com bastante mineralidade e taninos sedosos. Um belo vinho que acompanhou a picanha maravilhosamente. Bem, nos próximos churrascos vou dar mais atenção aos Syrah, para variar um pouco dos já manjados Malbecs.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Amélia Chardonnay 2008 e Tarapacá Etiqueta Negra 2005

Meu amigo Carlos André me brindou com dois belos vinhos na última segunda-feira. O primeiro foi um que tinha curiosidade em conhecer, o Amélia Chardonnay 2008, da Concha y Toro. O vinho é feito na região de Casablanca, e traz consigo a mineralidade típica do local. É um vinho maduro, com um nariz muito gostoso, com notas florais (flores de citros), pêra, maçã verde, um pouco de abacaxi e notas herbáceas. Em boca mostra sua mineralidade e uma acidez muito boa para acompanhar comida. Vinho muito bom e que confirmou minha espectativa, mas confesso que o Marques de Casa Concha Chardonnay me impressiona igualmente.
Passamos então para um Tarapacá Gran Reserva Etiqueta Negra 2005. Eu gosto muito dos vinhos da Tarapacá, que a meu ver, expressam muito bem a alma dos vinhos chilenos (infelizmente muitos deles perderam a identidade...). O Etiqueta Negra, apesar de ser muito menos badalado que outros vinhos na mesma faixa, é muito bom. Tempos atrás apreciei um 2007, que estava excelente. Mas gostei mais deste 2005. Acredito que o tempo lhe aportou muita elegância, o que talvez o 2007 adquira daqui a uns 2 anos. Vale a pena esperar. Por outro lado, mesmo que a safra de 2007 tenha sido considerada excelente, ela fica, a meu ver, ainda um pouco atrás da de 2005. Bem, o vinho estava excelente e como bebemos devagar, enquanto o Carlos me mostrava as raridades que tem em sua adega, pudemos apreciar sua evolução na taça. O vinho, majoritariamente de cabernet sauvignon, mas nesta safra com uma pitadinha de cabernet franc, mostra notas mentoladas típicas (mas sem exagero), de cassis, amora madura, chocolate meio-amargo, ameixa, alcaçuz e leve baunilha. Em boca é amplo, intenso e com o tempo na taça foi ficando mais e mais redondo. Ou seja, é bom deixar respirando para ver seu crescimento. Estava uma delícia! Valeu Carlão!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Sobrevoando Tormentas! Os vinhos de Marco Danielle na Confraria do Ciao

Foto dos vinhões! (Tiradas na mesinha do Ciao Bello)

Ontem degustamos vinhos do brasileiro Marco Danielle, feitos com esmero em seu Atelier Tormentas. Aliás,  nota-se o capricho já nos rótulos, de muito bom gosto. Seus vinhos têm recebido elogios rasgados da crítica especializada, brasileira e estrangeira. Principalmente o Fulvia Pinot Noir 2009, que recentemente superou bons borgonhas em uma degustação às cegas. Seus vinhos são produzidos a partir de vinhedos de baixo rendimento, com colheita e seleção manual, da forma mais natural possível, sem filtração e com a mínima intervenção. Alguns são produzidos sem INS 220 (SO2). Tudo isso lhes aporta um caráter muito particular, garantindo sua autenticidade (sem contar que evita a dor de cabeça no dia seguinte...). Marco Danielle oferece vendas en primeur e também a promoção "Sobrevoando Tormentas", que possibilita a aquisição de 6 garrafas sortidas, a um preço especial,  para que os apreciadores possam conhecer as nuances de seus produtos artesanais. A caixa contém uma garrafa do Tormentas Minimus Anima 2007 (Cabernet Sauvignon, Tannat, Merlot e Alicante Bouschet),  uma do Tormentas Ius Soli Garagem 2008 (Cabernet Sauvignon,  Merlot e Alicante), um Tormentas Fulvia Garagem 2008 (Cabernet Franc), duas garrafas do Tormentas Minimus Anima Garagem 2008 (Cabernet Franc,  Cabernet-Sauvignon,  Merlot e Alicante) e uma do badalado  Tormentas Fulvia Pinot Noir Garagem 2009.
Nós começamos por este último, considerando que é o mais leve. E que maravilha! Decantamos o vinho por algum tempo para que ele manifestasse todo o seu explendor. Foi sucesso completo na confraria. Teve briga pelos mililitros finais. Um borgonha! Lembrou-me um bom Nuits-Saint-Georges. Nada parecido com a grande maioria dos Pinot Noir sul-americanos. Duvido que alguém o deguste às cegas e não diga que é um borgonha. Um nariz gostoso, com notas de morango silvestre e cereja fresca, além de notas de especiarias e terrosas típicas de um borgonha mais evoluido. Em boca, é de uma elegância fantástica. Devo concordar com vários comentários feitos sobre esse vinho e com o Ed Mota, amante da borgonha, que disse ser o Fulvia Pinot Noir Garagem 2009 o melhor vinho já feito no Brasil! Parabéns ao Marco Danielle.
Seguimos com o Ius Soli Garagem 2008, que tem um corte basicamente bordalês. No começo o vinho tem um ataque um pouco agressivo, mas com o tempo no decanter ele foi ficando bem mais redondo e mostrando boas qualidades. É vinho potente, com personalidade. Acredito que está novo, e que deve envelhecer muito bem. Depois dele apreciamos o Tormentas Minimus Anima 2007, que tem uma interessante adição de Tannat colhida tardiamente. Segundo o contra-rótulo, quase passificada. Isso dá muita complexidade ao vinho, com notas de frutas compotadas, como ameixa. Lembrava até um ripasso. Em boca é muito bom, com taninos redondos e final persistente. Ficou excelente acompanhando o jantar. Foi o vinho que mais agradou depois do Fulvia Pinot. Acredito que sua idade também contribuiu para o fato, o que comprova que os outros vinhos devem melhorar com tempo de adega. O Minimus Anima Garagem 2008 tem um corte diferente, com ausência da Tannat e inclusão da  Cabernet Franc (majoritária). Todos acharam menos elegante que o Minimus Anima 2007. Mas vamos dar-lhe tempo. Finalmente, apreciamos o Tormentas Fulvia Garagem 2008 Cabernet Franc. É um vinho com bom nariz, com notas animais (aliás, como alguns dos anteriores), apimentado típico da casta, mas sem exagero e gostoso em boca, com taninos presentes mas bem integrados. Acompanhou muito bem o filet ao molho Pavarotti.
Bem, foi uma noite especial. Apreciamos vinhos que fogem a modismos e de muita personalidade. Sou da opinião de que alguns deles ainda estão novos, e devem crescer muito com os anos. O Mininus Anima 2007, que tem a Tannat no corte é muito bom, e agradou muito. Mas não posso deixar de destacar novamente a grande qualidade do Fulvia Pinot Noir 2009. Realmente, o Marco Danielle está de parabéns! Vou aguardar o 2011, que pelo jeito, vai continuar o sucesso do 2009.   

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Vini Vinci 2011 - um pouco de Itália, França e Hungria



A Itália sempre está bem representada no Vini Vinci. Eu estava curioso para visitar o Argiolas, da Sardegna. É uma vinícola colecionadora de tre bicchieri. São todos vinhos gastronômicos, com acidez e taninos presentes. No entanto, eu só comecei a gostar prá valer a partir do Is Solinas 2006, que é um vinho baseado em Carignano. O vinho é encorpado, com frutas compotadas e boa acidez. Os taninos estão presentes e devem arredondar com o tempo. O Turriga 2006, top da vinícola, já é de outro nível. Este gostei muito. Vinho feito majoritariamente com a uva Cannonau, que é a mesma Garnacha da Espanha, mas também conta com as uvas Bovale, Carignano and Malvasia Nera. O vinho tem ótima acidez, mineralidade, com notas de cassis, chocolate meio-amargo e tabaco. Um belo vinho. 


Mas a Argiolas nos reservava um colheita tardia delicioso, o Angialis, considerado um dos melhores vinhos de sobremesa da Itália. Ele é feito com a uva Nasco e uma pitadinha de Malvasia di Cagliari. O vinho, de cor âmbar, era denso, com notas de doce de abacaxi, mel e amêndoas. Uma delícia! Só faltou um queijo azul para nos deleitarmos.
Ainda nos italianos, gostamos muito do Pinot Nero La Pineta, de Podere Monastero, embora eu ache que lhe falta tipicidade da Pinot Noir. Ali do lado, gostei do Feudi del Pisciotto Versace Nero D`Avola. Vinho gastronômico, potente, com boa acidez e fruta madura (mas sem exagero de alguns Neros). Perfeito para uma massa com molho vermelho forte. 


Sr. Massimiliano e o Rupe Ré
Mas confesso, minha grande surpresa italiana foi parar no estande da Cavit, de Trentino-Alto Adige. Os vinhos são de excelente custo benefício. Acredito que inigualáveis no evento. O espumante Accento Brut (do Veneto), feito com Chardonnay e Pinot Bianco é uma delicia! Muito fino e refrescante. O Pinot Grigio também estava uma delícia, bem mineral. Os tintos, também muito bons. O Norico Rosso, corte de Teroldego, Lagrein e Merlot, tem boa fruta e mineralidade. Muito bom pelo preço. O Collection Merlot é de uma sedosidade incrível e o Teroldego é muito gostoso. O top Quattro Vicariati Rosso, um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc, é um vinho austero, concentrado, muito bom. E para terminar, apreciamos ainda um vendimia tardia delicioso, o Rupe Ré. Vinho com acidez e doçura na medida certa. Entre os melhores. Quer comprar vinhos muito bons, a bom preço? Cavit sem dúvida é uma bela escolha.

Passando para a França, fomos degustar os vinhos da Chanson Pére e Fils, hoje propriedade da Bollinger. O bourgogne genérico branco dá o cartão de visita do produtor. É muito bom para um vinho de entrada. Agora o Chassagne Montrachet estava demais. Vinho mineral, profundo, com notas de pêssego, flor de laranjeira e torta de limão. Vinho cremoso. Uma delícia! Nos tintos, o Mercurey estava muito bom e o Premier Cru Beaune Clos du Roi 2005, estupendo. Complexo, com notas de cassis, cereja e minerais. Como eu queria te-lo apreciado em uma taça grande, para borgonhas, bem tranquilo, beliscando um bom queijo suave. O amigo Richard o preferiu ao Chambolle Mussigny, que também estava excelente, com notas terrosas, de framboesa e com final bastante persistente. Bem, borgonha é borgonha!

E para terminar, tenho que citar as taças de Tokaji 5 e 6 Puttonyos da Hetszölö, ambos da safra de 2001. Os dois possuem notas de laranja e damasco deliciosas. Mas o 5 Puttonyos tem um pouco mais de acidez que o 6 Puttonyos. No entanto, a diferença entre ambos é muito sutil. Dois vinhos excelentes!

Bem, está na hora de eu parar de escrever sobre o Vini Vinci! Até o próximo evento!