O JP nos convidou para apreciar uns petiscos em sua casa em companhia de uns vinhos. Fomos o Caio e eu.
Eu levei um Cedro do Noval 2007, duriense da casa produtora de um dos melhores vinhos do Porto. Eu já havia provado este vinho tempos atrás em uma degustação da Grand Cru, e gostado dele. Mas queria bebê-lo com calma, sentindo sua evolução. O vinho é feito com Touriga Nacional (30%), Touriga Franca (25%), Tinto Cão (10%) e Syrah (35%). A inclusão desta última tornou o vinho mais frutado, segundo a vinícola. Além disso, faz com que o vinho receba a indicação geográfica "Terras Durienses", em vez de DOC Douro. A maturação é feita por 18 meses em barricas de carvalho francês. Ao nariz, mostra os efeitos dessa maturação: A madeira aparece, e para combinar com o nome, em notas de cedro. Mas depois de um tempo aberto ela fica perfeitamente integrada. A fruta se mostra em notas de cereja preta e amoras, em meio a notas de azeitona preta, chocolate amargo, herbáceas e de grafite. Em boca, repete o nariz, mostra boa acidez e taninos muito corretos. O retrogosto é mineral e levemente herbáceo. É do tipo que eu gosto. Não tem exagero de frutas e nem de madeira. É amplo e equilibrado. Lembrou-me as características do Duas Quintas Reserva, pelo menos os antigos. É vinho para bater de frente com Meandro e colegas, no preço e na qualidade. Muito bom! Recomendo. É importado pela Grand Cru.
Depois de apreciarmos até as últimas gostas do Cedro, o JP resolveu abrir um Condado de Haza Reserva 2000. O vinho passa 22 meses em barricas de carvalho americano e 12 meses em garrafa antes de ser comercializado. Embora ele mostre a qualidade típica de um do grupo Pesquera, parecia já estar cansado, na descendente. Os aromas terciários já dominavam em meio à cereja (bem) madura e cravo. Em boca era carente de acidez e mostrava dulçor. Não que estivesse ruim, mas para mim, alguns anos atrás devia estar bem melhor. Há algum tempo apreciamos um primo seu, o Pesquera Reserva 2003, que estava parecido (clique aqui). Eu tenho uma suspeita quanto a esses vinhos do grupo Pesquera recentemente ofertados pelo JP e Caio. Se não me engano, eles compraram na mesma loja, em um mesmo país estrangeiro, de clima bastante quente. Acho que tem algum problema de acondicionamento nesse caso. Ou então, é uma característica dos Pesqueras não serem longevos. Estou mais inclinado à primeira opção.


