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quarta-feira, 30 de março de 2016

Valduero Gran Reserva 12 Años 1996: Um vinho grandioso para celebrar uma grande data!


No último 22 de Março completaram
exatamente 20 anos de minha defesa de doutorado. Foi uma data marcante em minha vida pessoal e obviamente, científica. Como diria meu querido orientador, Prof. Hamza El Dorry, "o nogoso não foi fácil". Muita luta no Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da USP, São Paulo, local de grande tradição e excelência em pesquisa. Lá tive grandes mestres, fiz grandes amigos e aprendi muito. 
E para celebrar esses 20 anos de defesa, tinha que ser um vinho parrudo. Tirei então da adega este Valduero Gran Reserva 12 Años 1996 e saí com a família para celebrar. Esse é o vinho top da vinícola, que adquiri há uns bons anos e que estava descansando esperando a hora certa de ser descorchado. Valduero é certeza de agradar. Seus Crianza são ótimos, os Reservas e Gran Reservas, excelentes e o 6 Años, um camaleão riquíssimo, que adoro! Todos já pintaram por aqui no blog. Mas esse 12 Años é algo que a própria vinícola coloca em destaque. O vinho é feito com uvas de três vinhedos diferentes, de altitude, com idades entre 42 e 90 anos. A fermentação é feita em barricas de carvalho francês de 500 litros e a maturação é (bem) longa, como mostra o contra-rótulo. Demora a ser lançado no mercado. O último é um 1999. E o que falar desse 1996? Cor belíssima, rubi escura, brilhante. Bouquet finíssimo, com notas de cerejas, café, tabaco, couro, tostado, cítrico e especiarias. Em boca, finesse incrível, muita clareza, ótima acidez, intensidade e taninos aveludados. O final era muito longo e com notas de café e de tabaco. Maravilhoso! Estilo bem distinto de seu irmão 6 Años, que tanto gosto. Esse 12 Años prima pela finesse. Um vinho grandioso, com 20 anos e cheio de força. Espero que eu também tenha adquirido qualidades depois desses 20 anos de defesa...rs. 



sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Valduero Crianza 2010, Quinta da Bacalhoa 2012 e Villa Antinori 2012: Ótimo trio!

A confraria se reuniu em pouco nessa última quinta. Vários deram o calote. Perderam...
Eu levei um Valduero Crianza 2010, das bodegas homônimas. Esse é queridinho da confraria. Os vinhos Valduero são ótimos, desde o Crianza até os tops Gran Reserva e 12 Años. Todos achamos um dos melhores em termos de Crianza, juntamente com o Pesquera, Pago de Carraovejas e Sastre. É sempre certeza de agradar. É um Ribera del Duero 100% Tempranillo, com crianza em barricas francesas e americanas. O nariz é marcado por cereja preta, alcaçuz, tostado e especiarias (noz moscada e cravo). Com o tempo, foi surgindo um mentolado muito gostoso. Em boca, repetia o nariz, tinha um toque cítrico, mostrava ótima acidez e taninos finos. O final era longo e balsâmico. É um vinho que evolui muito bem na taça. Aliás, é uma característica dos Valduero. Uma delícia!
O Thiago levou um Quinta da Bacalhoa 2012. Esse é outro vinho que nunca pode faltar na adega de bebedores de bom gosto...rs. Cabernet Sauvignon Português de muita classe. Mostrava ótima fruta ao nariz, com notas de licor de cassis e amoras, em meio a pimenta do reino. Em boca é denso, com boa fruta e uma picância que dá imponência ao vinho. O final é bastante longo e com um toque apimentado. Os taninos ainda devem se resolver com adega, mas nada que incomode agora. A madeira aparece, mas é muito bem integrada. É um vinho que pode ser bebido agora, e está mais pronto que seu irmão de 2011, mas os pacientes serão muito bem recompensados. Outro belo Quinta da Bacalhoa!
E para finalizar, o vinho levado pelo JP: Villa Antinori 2012. É um Sangiovese cortado com Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah. Ao nariz mostra notas de cereja, tabaco e especiarias. Em boca mostra boa fruta e toques de chocolate amargo. A acidez é ótima e os taninos firmes. É mais seco que alguns de outras safras que bebi. Levemente austero agora, e pedindo tempo para dar uma amaciada. Pede comida! Bom vinho agora, mas deve ganhar com adega. Aliás, os que bebi da linha, eram mais antigos, e estavam muito redondos e complexos.
Isso aí!

quinta-feira, 11 de julho de 2013

3 Amigos, 3 Vinhaços: Les Terrasses 2010, Quinta da Romaneira 2007 e Valduero 6 Años 2004!

Em uma noite bem esvaziada da Confraria, sentamos Paolão, JP e eu para beber grandes vinhos. E sem combinar, foram os 3 ibéricos, com 3 anos de diferença entre as safras. Era a noite dos 3!
O Paolão levou um do grande Álvaro Palácios, o Les Terrases 2010. O vinho, do Priorato, é feito com Garnacha, Cariñena e Cabernet Sauvignon de vinhedos com pequeno rendimento (o que é comum na área - e contribui para os altos preços dos vinhos). A maturação é feita por 12 meses em barricas de carvalho francês.  É um vinho bem aromático, com notas florais e de fruta madura (amora e cassis) em meio a notas balsâmicas, alcaçuz, chocolate e um fundinho de baunilha. Em boca é mineral, intenso e com ótima acidez. Deixa um final de boca com notas balsâmicas e de couro. Ainda que o vinho seja jovem, os taninos já estão muito corretos. No entanto, devem ficar redondinhos com uns aninhos de adega. É um ótimo vinho, que mostra o potencial do Priorato e as mãos do grande enólogo Alvaro Palácios. Isso aí, Paolão!
Eu levei um Quinta da Romaneira 2007. A vinícola duriense parece que foi adquirida recentemente por um empresário sulamericano que adora os vinhos do Douro e que permanece incógnito. Segundo dizem, o negócio passou de 20 milhões de Euros. A Quinta da Romaneira, além dos vinhedos e adegas, tem um hotel belíssimo (e caro...rs). A enologia é comandada pela mesma equipe responsável da Quinta do Noval, ou seja, tem pedigree. Os seus vinhos não são muito badalados, mas são considerados entre os melhores do Douro, principalmente a partir de 2004, quando a vinícola foi reestruturada. Tanto que a partir desse ano, todos seus vinhos ganharam destaque na crítica, principalmente aqueles de rótulo preto (recentemente mudado na safra de 2008, e agora chamado Reserva). Só para ter uma idéia, esse Quinta da Romaneira 2007 teve 94 pontos da WS. Para efeito de comparação, seu "conterrâneo" (e um pouco mais caro) Vale Meão, teve 95 pontos da mesma safra. Mas posso ser sincero? Eu gostei mais do Romaneira. O vinho tem um frutado muito interessante, que foi seu destaque. Apesar da fruta ser concentrada, não é super madura. É uma concentração de frutas silvestres deliciosa, em meio a notas florais, minerais e de alcaçuz muito acertadas. Tudo é correto no vinho, que é feito com Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinto Cão. Com o tempo em taça ele vai mudando e liberando novos aromas de especiarias indianas. Uma delícia, que se repete em boca. É um vinho intenso, mas sem exageros, com acidez e taninos corretíssimos. Integração perfeita. Eu corri atrás e consegui pegar mais umas garrafas na Grand Cru, que infelizmente, não os importa mais. Só consegui o 2005, que não fica atrás. Parece que agora os Romaneiras são importados pela Portuscale. Ainda bem que ainda vêm para o Brasil.
E para fechar, com chave de ouro, o vinho levado pelo nosso confrade JP. Já vou adiantando, foi um dos melhores espanhóis que bebi esse ano. E olha que já rolou Valbuena, Vega, Ygay, TSM etc... Mas realmente esse vinho chamou a atenção. Era um Valduero 6 Años 2004. Aquí, tudo ajuda: A vinícola é top e a safra, idem. Dizem que esse vinho é feito para competir com o Valbuena, da Vega Sicilia. E olha, bate de frente tranquilo. Mas devemos saber apreciá-lo. No começo, surge como mais um ótimo vinho espanhol. Mas depois, com algum tempo de garrafa aberta, ganha uma riqueza impressionante. Foi como se tivéssemos bebido 3 vinhos diferentes: Um no começo, outro no meio da noite e outro no final. O vinho é feito com 100% Tempranillo de vinhedos selecionados. Matura 3 anos em barricas de carvalho de 4 origens distintas (francês, americano e duas outras européias) e mais 3 em garrafa antes de ser comercializado. Ou seja, quase 6 anos de maturação, daí o nome. Ao nariz o vinho é riquíssimo. A cereja preta dá o tom, em meio a notas de toffee e madeira muito bem integrada. Com o tempo, vão surgindo notas de alcaçuz e especiarias como a canela e noz-moscada. Em boca é amplo, intenso, com ótima acidez e taninos sedosíssimos. O final é interminável. Uma beleza! É vinho de uma complexidade ímpar, mas que para ser sentida, ele tem que ser apreciado devagar. Se abrir para uma turma grande, colocar uns 100 ml por taça e a turma tungar, não passará de um vinho espanhol muito bom. Se apreciar corretamente, curtindo sua evolução, verá o quão grandioso ele é. Ao final da noite, sobrou um pouquinho de cada vinho, e foi uma briga para ver quem levava o fundinho dele prá casa... Bem, não teve jeito: Resolvemos beber tudo! rsrs. Valeu JP!
Pelo conjunto da obra, foi uma das melhores noites do ano.
A turma reunida

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

E a praia chegou a São Carlos: TIBURON! Com vinhobão, claro: MARQUES de ARIENZO Reserva Especial 2001 e VALDUERO RESERVA 2005

 No sábado passado fomos a uma prévia do que será o cardápio do Tiburon, mais um grande empreendimento gastronômico dos amigos Tom, Humberto e Adriano em São Carlos. O restaurante é temático, e nos remete a um local praiano. A decoração é belíssima, desde a entrada até o interior, onde fica o bar, dentro de um barco. E nós estávamos lá para provar (e aprovar) em primeira mão, o belo cardápio, rico em pratos com frutos do mar, como uma ótima lagosta, e carnes, ao estilo Tom de assar. São todas carnes nobres, de excelente procedência, como as picanhas Bassi, seladas inteiras e levadas à mesa para que o cliente escolha o corte e ponto, até os assados de tira de Black Angus e a bela Bisteca Fiorentina. Tudo ótimo, claro. Parabéns, meus amigos! Mais um sucesso garantido.
E eu estava lá, apreciando a bela comida e uma Baden-Baden Golden, com aquele toque gostoso de canela, quando chegam os confrades JP e Caio  com duas botellas de responsa para apreciarmos com as carnes. E foram dois espanhóis de classe. 
O primeiro deles, levado pelo JP, foi um tradicional riojano Marques de Arienzo Reserva Especial 2001. Aquele da etiqueta preta. É um vinhão! E a safra ainda ajudou muito. É produzido com Tempranillo (75%) e Graciano (25%) e passa 48 meses em barricas de carvalho americano. Ao nariz, notas de cereja, cassis, cítricas, tabaco, toques especiados e um fundinho medicinal. Em boca, muito sedoso, com taninos redondinhos, redondinhos. É de médio corpo e grande elegância. Muito bom! Valeu JP! Nota: Para quem não sabe, a Marques de Arienzo era da Pernod Ricard, mas em 2010 foi vendida para a Marques de Riscal, por 28 mi de Euros.
E o Caião chegou com os dois pés no peito,  portando um belíssimo Ribera del Duero, o Valduero Reserva 2005. Bem, já apreciamos alguns (grandes) vinhos desse produtor, que é de primeira (clique aqui). Seus Crianza já são muito bons, mas o Reserva fica degraus acima. Este 2005, 100% Tempranillo, passou 30 meses em barricas de carvalho de 3 origens distintas (americano, francês e provavelmente eslavono) e mais 18 em garrafa antes de ser comercializado. Ao nariz, mostra aromas muito ricos de licor de cereja, baunilha, alcaçuz, café com leite e caramelo. Em boca, repete o nariz e deixa um fundinho herbáceo da madeira, leve, muito bem integrado. Os taninos são sedosos ao extremo e a acidez perfeita, daquelas de limpar a língua. Uma beleza de vinho! Nem preciso dizer que acompanhou maravilhosamente as carnes do Tiburon, preciso? Aliás, hoje voltaremos ao Tiburon para apreciar mais carnes e os grandes vinhos de Marco Danielle, no evento Sobrevoando Tormentas 2, com a nossa confraria. A primeira edição foi um sucesso (clique).
Céu bonito de São Carlos... E o Tiburon
A entrada do Tiburon
Visão interna do Tiburon, mostrando o "Bar-co"
Detalhe do Bar-co
Essa lagosta pedia um branquinho...rs