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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Realmente, a vida é curta para ficar bebendo zurrapa: Cobos Malbec 2007, Mas La Plana Cabernet Sauvignon 2009, Carm Grande Reserva 2008 e La Massa 2009!

Duas semanas atrás, em reunião da confraria esvaziada, fomos apenas 5 confrades. Mas os vinhos foram daqueles... 
Eu vou começar por um que ainda não havia bebido e que tinha grande curiosidade para conhecer: Cobos Malbec 2007! Seu irmão "menor" (que não é tão menor assim....rs) Bramare Marchiori 2006, já foi levado pelo JP anos atrás, e agradado demais (clique aqui). Esse levado pelo Tonzinho, que chegou despretensioso na mesa, sem mostrar muito o que trazia, é o grandão...rs. E olha, atingiu todas nossas expectativas. O vinho também é feito com uvas do vinhedo Marchiori, com mais de 80 anos de idade. Passa 18 meses em barricas novas de carvalho francês e é engarrafado sem clarificação ou filtração. Ao nariz mostra uma riqueza impressionante, com notas de figos, ameixas, chocolate, baunilha, em meio a um toque floral, mineral (grafite), especiado e de café. Em boca é opulento, musculoso, cheio de intensidade, mas ao mesmo tempo, elegante ao extremo. Tem ótima fruta mas tudo equilibrado com perfeita acidez e taninos mais que sedosos. É uma explosão! Um soco com uma luva de pelica. Ele acaricia o palato, mostrando uma bela cremosidade. Delícia, delícia, delícia! Paul Hobbs é mesmo um craque. É vinho para competir com grandes do mundo. Bem, também em preço, que é bem (mesmo) salgado.  Mas só como informação, seu irmão de 2011 andou ganhando 100 pontos por aí... E este de 2007, faturou 95 da WS. O 2006 ficou em primeiro em uma lista dos 50 vinhos argentinos, segundo Mr. Parker (junto com o Achaval Altamira 2009). Mas independente das notas, trata-se mesmo de um vinho grandioso... E com muitos anos pela frente. Isso aí, Tonzinho!
O nosso amigo Rodrigo, que fechou a noite com histórias maravilhosas, também levou um vinhaço, que há tempos queria experimentar. Era uma grande falha no Curriculum que eu tinha. Mas graças ao Rodrigo, já a preenchi com este belo Mas La Plana Cabernet Sauvignon 2009, do grande Miguel Torres. Este vinho é feito há mais de 30 anos e segundo o próprio site da vinícola, muita gente desconfiava se seria bem sucedido. Um vinho feito com Cabernet Sauvignon na terra da Tempranillo e Garnacha; A garrafa estilo borgonhês e até o rótulo preto causavam desconfiança. Até o exemplar de 1970 se dar bem em uma degustação às cegas em Paris (inclusive frente a um Latour...). A partir daí, o danado foi ficando cada vez mais respeitado. Dizem que mudou um pouco de lá prá cá, mas continua muito respeitado. O vinho é feito com uvas de um vinhedo de 29 hectares em Penedès. É um Single Vineyard, que vai das margens de um rio até as encostas de uma colina. Segundo o próprio produtor, eles têm mais sucesso com as uvas de plantas próximas à colina. O vinho matura 18 meses em barricas de carvalho francês. Tem cor escura e aromas de cereja preta, cassis, pimenta do reino na dose certa, grafite e cacau. Em boca, repete o nariz e muito intenso, mineral, com taninos firmes e um final longuíssimo. Um Cabernet Sauvignon refinadíssimo, perfeitamente apreciável agora, mas com longa vida pela frente. Satisfez todas as minhas expectativas. Gracias, Doc, por tirar esta falha de meu CV...rs. 
Eu levei um vinho da vinícola duriense Carm, dos quais sou apreciador. Era um Carm Grande Reserva 2008. Eu gosto do produtor. Sempre fiquei feliz com seus vinhos. Este Grande Reserva é um de seus vinhos topo de gama, e é feito com Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional. Segundo o produtor, procuraram agregar os taninos firmes da Tinta Roriz com as notas de esteva e taninos suaves da Touriga Franca e as notas de frutos silvestres e florais marcadas da Touriga Nacional. Passa 12 meses em barricas novas de carvalho francês. No início ele se mostrou meio discreto, mas depois de pouco tempo começou a mostrar toda a sua riqueza. Ao nariz mostra notas de cereja preta, framboesa, florais e de chocolate. Dá a impressão que se trata de um vinho tendendo ao doce, mas em boca muda a conversa. É amplo, redondo, com fruta madura e acidez na medida certa. Os taninos são muito sedosos e o final é muito longo e especiado, com alcaçuz, canela e noz moscada. Foi conquistando o pessoal a cada taça. Todos gostamos. Destaque para a sua intensidade e equilíbrio. Um ótimo vinho! 
O Caião levou um La Massa 2009, já descrito aqui no blog (clique aqui). Dois anos atrás, quando bebemos, estava fechado. Mas agora já está bem melhor. Como o tempo ajuda bons vinhos... Está ótimo agora! Fruta madura, tostado, tabaco e alcaçuz em nariz e boca. Acidez correta e taninos já redondos. Beleza!
Ih, estava esquecendo o vinho que o JP levou. Bem, melhor esquecer mesmo... Não é Doc? Este ano não tem prá ninguém: JP vai faturar o troféu Yellow Tail!




terça-feira, 12 de março de 2013

Ciao: Benmarco Expresivo 2005, La Massa 2009, Luca Beso de Dante 2007 e Etna Rosso di Verzella 2005

Na última semana tivemos bons vinhos na Confraria do Ciao.
O começo foi com um que levei embrulhado e a moçada (?), em sua maioria, chutou ser um espanhol de classe. E era um argentinão, de Susana Balbo, o Benmarco Expresivo 2005. Vinho que tem a Malbec contribuindo com um pouco mais de 50% e os restante dividido entre Cabernet Sauvignon, Merlot, Bonarda e Syrah. Eu achei o vinho mais pronto e elegante da noite. Nada de muita extração e madeira passando por cima de tudo. Um vinho com aromas maduros e lembrando mesmo Espanha. Notas de cereja em licor, figo, framboesa, caixa de charuto e depois de um tempo, café. Em boca, muito, muito redondo, com taninos perfeitos, arredondados pelo tempo. A acidez era correta e o vinho tinha um final longo e muito sedoso. Realmente um ótimo vinho e que evoluiu muito bem. Mais um que comprova que vinhos argentinos evoluem muito bem, principalmente os cortes.
O segundo vinho foi o La Massa 2009, levado pelo JP. Corte de Sangiovese, Merlot e Cabernet Sauvignon. Vinho com bons aromas, de framboesa, cereja e tabaco. Em boca é seco, com acidez de italiano e fundo mineral. Os taninos ainda pegam e pedem uns aninhos de adega. É um vinho que deve melhorar com o tempo. Agora, tá pegando um pouco, mesmo para quem é fã de italiano. Eu gostei mais do 2008. 
Passamos então para outro argentino, levado pelo confrade Rodrigo, o Luca Beso de Dante 2007. Mais um vinho que mostra a habilidade de Laura Catena. Corte de Malbec e Cabernet Sauvignon, cheio de classe. Obviamente, tinha aquele docinho ao nariz e na boca, mas com o tempo, tudo foi se integrando e o vinho foi ficando muito bom. Notas de figo, ameixa, aniz, alcaçuz e café com leite. Os taninos são sedosos e o final muito agradável. Imagino que deve ficar uma beleza com alguns anos de adega. Ótimo vinho! Assim como seu colega Benmarco, teve 92 pontos da WS e na minha opinião, ficou lado a lado com ele.
E para finalizar, o vinho que o Tonzinho levou, e que ele mesmo, não gostou. Na verdade, a turma toda torceu o nariz, mas eu não. Era um Etna Rosso di Verzella 2005, da vinícola Siciliana Benanti. O vinho é feito com Nerello Mascalese e Nerello Cappuccio. Já citei aqui no blog que a Nerello Mascalese disputa com a Aglianico o posto de melhor uva do sul da Itália. A maturação do vinho é feita por 10 meses em barricas de 225 litros. Era um vinho que fugia às características dos primeiros. Já de cara mostrava uma cor clara, lembrando borgonha. Ao nariz mostrava notas de frutas vermelhas, tabaco e especiarias, como a baunilha, cravo e alcaçuz. Em boca, mostrava corpo médio, ótima acidez e taninos perfeitos. O final era persistente. Eu gostei do vinho, que me surpreendeu positivamente. Sem dúvida quero experimentar mais vinhos feitos com a Nerello. 
Isso aí, pessoal! Vinhos parelhos em mais uma noite boa na confraria...