segunda-feira, 27 de julho de 2015

Salanques 2006: Outra beleza da Celler Mas Doix!

Eu tinha acabado de chegar de uma corrida para queimar um pouco a gordura quando recebo uma ligação do amigo Paolão convocando para beber em sua casa este belo Salanques 2006, da Celler Mas Doix, Priorato. Aliás, é o segundo Salanques que o Paolão nos oferta. O primeiro foi um 2010, que estava uma delícia (clique aqui). E que o Paolão continue inspirado! Fomos JP e eu apreciar a presença do amigo e seu vinho, que estava uma beleza. O vinho é feito com Garnacha (majoritária) e Cariñena (ambas de vinhas velhas), e Syrah de vinhas mais jovens. Os vinhedos, como é comum no Priorato, são de baixíssimo rendimento (700 g de uva por planta) e a maturação é feita por 14 meses em barricas novas e de segundo uso de carvalho francês. O vinho é muito aromático, com notas de cereja preta e chocolate amargo, em um fundo mineral e de ervas. Em boca mostrava fruta na medida, levemente licorosa, ótima acidez, mineralidade e taninos redondos. Destaque para o seu frescor e clareza. O final era longo e com notas de ervas frescas. Melhor ainda que o 2010 ofertado da primeira vez. Os anos lhe fizeram muito bem. Eu sou suspeito para falar de vinhos do Priorato, dos quais gosto muito, pela sua intensidade e mineralidade. Mas este estava realmente muito bom. Aliás, depois vi que não fomos só nós 3 que gostamos dele. A WS também, lhe outorgando 92 pontos, com menção de highly recommended e o incluindo na lista dos top 100 de 2009. Merecido. Gracias, Paolão!

Uma dupla sensacional: E. Guigal Hermitage Branco 2010 e Duas Quintas Reserva Especial 2004!

Não é todo dia que se aprecia vinhos deste calibre. E estes dois que descreverei foram abertos para celebrar o encontro com o amigo Roberto, leitor assíduo aqui do blog. Aliás, esta é uma das coisas boas do blog: A possibilidade de fazer novos amigos e até encontrá-los pessoalmente. O Roberto, que reside em Pernambuco, veio a trabalho para o interior de São Paulo e em sua passagem por Ribeirão Preto, deu uma esticada a São Carlos para um almoço e bons vinhos, claro. E acho que o "sacrifício" valeu a pena. Vamos começar pelo vinho que levei.  
Era um E.Guigal Hermitage 2010. Aqui, tem tudo para dar certo: Produtor excelente e safra histórica. Assim, só podíamos mesmo esperar coisa grandiosa. O vinho é feito com Marsanne (95%) e Roussanne, de vinhedos com 30 a 90 anos de idade, e a maturação feita em barricas de segundo uso. Sua cor era dourada, brilhante, belíssima. Ao nariz, mostrava notas florais, alecrim, de pêssego, uvaia, mel e frutos secos. Em boca, repetia o nariz e mostrava ótima acidez e mineralidade.  O final é muito longo, com toques de ervas (alecrim) e amêndoas. É daqueles vinhos que evapora ligeiro da taça e da garrafa, e que a gente fica triste quando acaba. Uma delícia! Perfeito sozinho ou acompanhando peixes e frutos do mar. Tem ainda longa vida pela frente, mas já está excelente agora.


NotaTem gente que ainda confunde Hermitage com Crozes-Hermitage. Bem, a colina de Hermitage (ou Ermitage, em escrita mais antiga), que tem apenas 134 hectares de vinhedos, é praticamente envolta pela bem maior AOC Crozes-Hermitage. A densidade permitida em Hermitage é menor, assim como o número de produtores bem limitado. As uvas e procedimentos usados em Crozes-Hermitage são semelhantes, mas os vinhos não atingem a qualidade dos grandiosos Hermitage, cujos vinhos tem como rivais no Rhone apenas os grandes Côte-Rotie (para os tintos) e os Condrieu e Chateau Grillet (para os brancos). Por outro lado, muita gente subestima os vinhos de Crozes-Hermitage. Embora possam ser encontrados nesta AOC vinhos de qualidade irregular, há aqueles, de grandes produtores, que são muito bons. Exemplos são aqueles produzidos por Alain Grillot, Jaboulet, Delas, Chapoutier, Colombier, etc, que são de primeira. Em suma, se for comprar um Hermitage, pode fechar os olhos, tirar o escorpião do bolso e mandar ver. Se for comprar um Crozes-Hermitage, fique com os melhores produtores. E se quiser fazer uma brincadeira, pegue um bom Crozes-Hermitage tinto de um bom produtor e coloque ao lado de um Syrah do novo mundo, na mesma faixa de preço, e depois me diga o que aconteceu...rs. 

Bem, e depois de apreciarmos o belo branco, passamos pelo vinho trazido pelo amigo Roberto. E era um grande vinho, top da tradicional Casa Ramos Pinto: Duas Quintas Reserva Especial 2004! Se o Duas Quintas Clássico já é muito bom e o Duas Quintas Reserva excelente, imaginem este Reserva Especial... O vinho é feito de forma tradicional, com fermentação em lagares de granito e pisa a pé. É um corte de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinto Cão, Tinta Barroca, Tinta Amarela, Tinta Francisca, Tinta da Barca, Souzão e Bastardo. A maturação é feita em barricas de carvalho francês por 18 meses. O vinho tem cor bem escura, com halos amarronzados. Ao nariz é riquíssimo, mostrando notas de frutas maduras (destaque para a cereja preta), ameixa seca, minerais, tabaco, café, alcaçuz e carvalho. Em boca é untuoso, denso, mineral, com notas de ginja, café e alcaçuz. Os taninos são redondos e o final interminável, com notas de chocolate amargo e especiarias. Riquíssimo! Um vinho superlativo. Foi o primeiro da linha que bebi, e fiquei impressionado. Bem, esperar o que de um vinho feito sob a batuta de João Nicolau de Almeida, filho de Fernando Nicolau de Almeida, criador do mítico Barca Velha? 
Valeu, Roberto!


sábado, 25 de julho de 2015

Herdade dos Grous 2011: Na medida

Rapidinho: Alentejano de ótimo produtor (Luis Duarte) elaborado com as castas Aragonez, Syrah, Alicante Bouschet e Touriga Nacional, com estágio de 9 meses em barricas de carvalho francês. Ao nariz mostra notas de ameixa e amoras em meio a ervas e um fundinho balsâmico. Em boca mostra bom frescor para um alentejano, é menos frutado, mais leve e seco que em safras anteriores, e com taninos finos. O final é médio e levemente herbáceo. A madeira aparece um pouco, mas está bem integrada ao conjunto. É vinho que não enjôa e pede outra taça. Já perfeitamente apreciável agora. Está em promoção na Casa Deliza, em São Carlos, a um preço convidativo.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Uma noite portuguesa, com certeza: Incógnito 2009, Quinta do Noval 2009, Adega de Borba Grande Reserva 2011, Vallado Reserva 2011, Cartuxa Reserva 2011, Pacheca Reserva 2011 e um Chateauneuf de intruso!

Nada foi combinado, mas em noite que celebrávamos a volta de nosso confrade Rodrigo de uma viagem, choveu vinho português da melhor qualidade. E no meio da noite, eu me perguntava como iria comentar sobre aqueles vinhos, todos excelentes. E a turma me fez a mesma pergunta. A primeira coisa a dizer é que não teve um sequer que não tenha gerado um sorriso na cara de todos os confrades. Era elogio atrás de elogio. Todos impecáveis! Mas vocês podem ver que no meio da foto tem um intruso francês, um
Chateauneuf du Pape Mourre du Tendre 2010. Ele foi levado pelo Joãozinho e no início, mostrava-se melhor em nariz que em boca, onde estava um pouco fechado. Mas o vinho, da belíssima safra, foi se abrindo e no final da noite estava uma beleza. É CdP à moda antiga, mais austero, feito com Grenache majoritária e uma pitada de Mourvédre. Ao nariz é floral e com notas de framboesa e cassis, em meio a ervas. Com o tempo as notas de ervas foram ficando mais evidentes, com destaque para alecrim e sálvia. Em boca estava reticente no início, mas depois foi se abrindo e mostrando ótima complexidade e final herbáceo. A acidez era ótima e os taninos bem evidentes, ainda por arredondar. CdP novo, claro, de ótima estrutura e com grande potencial de guarda. Mas esse, já foi... Mr. Parker também gostou dele, tascando 95 pontos.
E os portugueses? Foram vários, e grandes. O primeiro, levado pelo Rodrigo, era um grande Incógnito 2009. Syrah de primeiríssima, cuja história é conhecida de todos. Aqui o negócio pega... O vinho estava maravilhoso. Ao nariz mostrava fruta na medida (amoras e mirtilo), mineralidade, azeitona preta, chocolate amargo e especiarias... Em boca, repetia no nariz, mostrava acidez perfeita, taninos sedosos, mineralidade e final longo e especiado. Equilíbrio perfeito. Sem dúvida alguma um dos maiores vinhos portugueses. Primeiríssima linha! Para rir: A WS lhe deu 87 pontos! "Tá de brincation with me?"
O Paolão levou outro de primeira grandeza, e do mesmo ano:
Quinta do Noval 2009. Eu adoro os vinhos desta vinícola, desde o mais simples Cedro do Noval. Mas este DOC é outro papo. Degraus acima. Tempos atrás bebi um 2008 que estava demais. E este 2009 seguiu na mesma linha, com destaque para um lado mineral bem característico, que faz a gente sempre querer uma taça a mais. Notas de frutas silvestres, amoras, em meio a cacau, tostado e grafite. É um vinho com muita estrutura e grande potencial de guarda. Muito complexo, concentrado (mas elegante), intenso e com aquele final interminável. Vinhaço! Para guarda, sem medo.
O JP levou outro vinho que sempre agrada (principalmente este que vos escreve...rs), e da grande safra de 2011: Quinta do Vallado Reserva 2011. Outro vinho de primeira. No início estava um pouco reticente em mostrar suas qualidades, mas depois de meia horinha começou a mostrar todas elas. E são muitas! Ao nariz mostrava notas de ameixa, kirsch, alcaçuz e outras especiarias, com um fundo mineral. Em boca, repetia o nariz e mostrava muito equilibrio. O final era longo, com notas herbáceas e minerais. O vinho, como muitos 2011 que tenho bebido, mostra-se incrivelmente pronto para ser apreciado, mas com belo futuro pela frente, para os pacientes... Mais um belo Vallado Reserva, sempre presente aqui no blog. A WS não lhe poupou elogios, outorgando-lhe belos 96 pontos. 
Eu levei outro também da bela safra, e que também é um queridinho da turma: Cartuxa Reserva 2011. Diferentemente de seu primo duriense descrito anteriormente, este alentejano, feito com as tradicionais Alicante Bouschet e Aragonez, esbanjava fruta madura (cereja e ameixa) em meio à baunilha, chocolate, tabaco e especiarias doces. Em boca mostrava grande intensidade, fruta madura e final longo. Os taninos estavam sedosos ao extremo. Não parece ter apenas 4 anos. Mais uma beleza de Cartuxa Reserva. Compra certa e prazer garantido!

E continuando no Alentejo, o vinho levado pelo Rei dos Portugueses, nosso confrade Paulinho: Adega de Borba Grande Reserva 2011. Para quem já conhece o famoso rótulo de cortiça, este é outro comprimento de onda. Fica degraus acima. É uma edição limitada, feita apenas em grandes safras, com as tradicionais uvas Trincadeira e Alicante Bouschet, de vinhas antigas.  Mostra notas de amoras e ameixa em meio a especiarias e notas minerais. Em boca, repete o nariz, mostra frescor e muita sedosidade. É como se fosse uma versão mais domada de seu conterrâneo Cartuxa Reserva, com fruta mais contida, mas muita estrutura. Ótimo vinho!

E para finalizar a saga portuguesa, chega o Tonzinho com um Pacheca Reserva Vinhas Velhas 2011. Outro belo vinho, feito com Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga
Nacional, Tinta Cão, Sousão e Tinta Amarela, com pisa a pé e maturação em carvalho francês. Nariz com notas de framboesa, cereja e notas lácteas, café com leite e caramelo. Ao fundo, um tabaco discreto e que dava charme ao conjunto. Em boca, repetia o nariz e era muito redondo e prazeiroso. Um duriense diferente dos demais bebidos na noite. Todos gostamos!
Bem, ainda mandamos um Bordeaux levado pelo Thiago, mas como bebi pouco e já estava com a língua cozida, nem vou apresentar minhas impressões.
Que noite!!!



domingo, 19 de julho de 2015

Chocapalha Vinha Mãe 2010, Gran Bajoz Viñas Viejas 2004 e Chaski Petit Verdot 2011

Em reunião de semanas atrás estávamos em poucos na confraria. Apenas 3 botellas foram descorchadas, mas foram boas.
A primeira foi levada pelo amigo Paulinho, rei dos portugas. Era um Chocapalha Vinha Mãe 2010, vinho da região de Lisboa produzido pela (excelente) enóloga Sandra Tavares da Silva. É feito com Touriga Nacional (40%), Tinta Roriz (30%) e Syrah (30%), de uvas dos vinhedos mais antigos da Quinta (por isso o nome "Vinha Mãe). Matura 22 meses em barricas de madeira. É um vinho com aromas florais, amoras maduras, ameixa e cacau. Em boca é amplo, com muita estrutura, boa acidez e taninos maduros. O final é longo e com notas tostadas e de chocolate amargo. Mais um ótimo vinho da vinícola, que sempre agrada. Decantação por uma horinha é recomendada.
Eu levei um Gran Bajoz Viñas Viejas 2004, espanhol da região de Toro. Eu gosto muito dos vinhos desta região, e este, da bela safra de 2004 e com 11 anos de vida, estava muito redondo. Os aromas eram de fruta madura, com destaque para ameixa e cereja, em meio a café e tabaco. Em boca repetia o nariz, fruta levemente licorosa e taninos devidamente arredondados pelo tempo. Evoluiu muito bem nesses anos. Gostei!
E para finalizar, um Chaski Petit Verdot 2011 levado pelo JP. O vinho, produzido pela chilena Perez Cruz, surpreendeu pelo equilíbrio. Ao nariz mostrava notas de frutas maduras em meio a especiarias, chocolate e toques balsâmicos. Em boca se mostrou redondo, com boa acidez e final especiado. Os taninos ainda merecem um tempinho para ficarem mais redondos, mas já estão corretos. A meu ver, é o melhor Chaski já produzido. Muito bom e de bom preço. É um dos chilenos mais agradáveis que bebi recentemente. Se for bebê-lo, deixe o danado descansar um pouquinho na garrafa ou decanter para que ele respire um pouco.
Isso aí!

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Brancaia TRE 2011, Undurraga Founder's Collection Cabernet Sauvignon 2009 e Mas Oller Pur 2010

O Brancaia TRE 2011 é um toscano feito com Sangiovese (majoritária), Merlot e Cabernet Sauvignon. Por ser feito com as 3 uvas, e de 3 locais diferentes, recebe o nome "Tre". Tempos atrás bebemos várias garrafas do 2007, que foi número 10 dos top 100 da WS em 2009. E na verdade, apesar de bom, não era para tanto. E este 2011 recentemente faturou 95 pontos e muitos elogios da revista Decanter. Outro exagero. Às cegas, nem arrisquei chutar do que se tratava. É um vinho menos extraído que seu irmão de 2007, o que achei legal. Tem aromas de cereja, chocolate amargo e herbáceos. Em boca é mais seco que seu irmão de 2007, tem boa acidez, taninos secos e final herbáceo. Confesso que o herbáceo dele me incomodou um pouco, mas nada que o condenasse. Não é um vinho para beber solo, e sim, com boa comida. Tem aptidão gastronômica. Agora, 95 pontos? Nem pensar! Só se beberam enganados o seu irmão Il Blu...rs. 
O vizinho dele, à direita, também servido às cegas, denunciou sua origem chilena, mas de forma discreta. Nada de exageros de pimentão, goiaba, eucalipto ou algo similar. Na verdade, tinha uns aromas de ameixa, chocolate e café que lembravam um Syrah. Mas tinha algo mais. Chutei ser um corte. Mas depois foi revelado que era um Undurraga Founder's Collection Cabernet Sauvignon 2009. Cabernet chileno diferente, com aromas elegantes, corpo médio e boca aveludada. Um pouco maduro, mas gostei dele. O engraçado é que depois vi um comentário de um outro apreciador que fazia a mesma pergunta: "Seria um Syrah?". 
E fechando a foto, o terceiro vinho, também servido às cegas pelo Carlão. Aqui não deu para chutar nada. Tinha aromas um pouco estranhos, de extrato de tomate, daqueles de lata, que depois de bastante tempo em decanter foram amansando, mas não sumiram. Fruta nega, toques vegetais e animais completavam o conjunto. Era um Mas Oller Pur Empordà 2010, da região nordeste da Espanha, já quase na divisa com o sul da França. É feito com Syrah, Garnacha e Cabernet Sauvignon. O Akira achou que estava com algum defeito. Eu já não sei. Precisaria apreciar outra garrafa para ver se difere desta. Lembrei de uma tirinha do Millôr Fernandes, na qual um cidadão dizia "Nós que nunca vivemos em uma democracia, e se for isso mesmo???". Ou seja, e se o vinho for assim mesmo? O fato é que andou sendo elogiado por aí... Esta garrafa, não fez sucesso.

Bleasdale Bremerview Langhorne Creek Shiraz 2010: Australiano sem exageros

Rapidinho: Não é fácil beber um Shiraz australiano que não tenha exagero de extração e fruta saindo pelo ladrão. Este Bleasdale Bremerview Langhorne Creek Shiraz 2010, do sul da Austrália, foge um pouco do padrão pancadão. Tem aromas equilibrados de amora, pimenta e defumado, com um fundo de chocolate. Em boca, tem boa acidez e mineralidade, que controlam a fruta e dão um caráter gastronômico ao vinho. É mais seco que o usual e seus taninos dão o ar da graça, deixando o conjunto bem agradável. Eu gostei do danado. Se for bebê-lo, deixe em decanter por uns 30 min para ele ficar mais redondo. No começo o álcool aparece um pouco. Peguei em uma ótima promoção com 50% de desconto na Casa Deliza, São Carlos. Valeu.

sábado, 11 de julho de 2015

3 belos franceses: Comte Armand Auxey-Duresses 1er 2009, Comte Armand Pommard 1er Cru 2011 e Domaine Huet Clos du Bourg Moeulleux 2009!

Sentamos dias atrás para apreciar dois ótimos borgonhas de um mesmo produtor: Comte Armand. O Domaine Comte Armand fica no centro de Pommard, tendo o monopólio de produção de vinhos no 1er Cru Clos de Epeneaux. Este 1er Cru é muito antigo e tem a característica peculiar de ser cercado por muros. Em 1994 o Domaine expandiu sua produção para vinhedos em Auxey-Duresses, AOC criada em 1970, e cujos vinhos eram anteriormente vendidos com o nome dos vizinhos Volnay e Mersault. Não há Grand Cru na AOC, apenas 8 climats classificados como 1er Cru. 
O primeiro vinho apreciado foi um Comte Armand Auxey-Duresses 1er Cru 2009. O vinho é um blend de dois terrois e passa 20 meses em barricas 40% novas. Ao nariz mostra notas de frutas silvestres e especiarias, envoltas em um fundo terroso delicioso. Em boca repete o nariz e destaca-se pela ótima acidez, mineralidade e taninos firmes. Possui frescor e uma "rusticidade" que me agradam muito, e que faz a gente querer sempre mais uma taça. É um vinho que apesar de poder ser bebido agora, pode ser guardado sem medo. 
O segundo vinho foi um Comte Armand Pommard 1er Cru 2011. O vinho é mais novo que o primeiro, um pouco mais caro, e também, um pouco mais complexo. Possui aromas de morangos silvestres, couro, terrosos e defumados. Em boca está novo, cheio de vida, mostra acidez vibrante e ótima mineralidade. Como o vinho anterior, também mostra taninos firmes. Outro belo exemplar do produtor, que me deixou muito bem impressionado pela mineralidade de seus vinhos. Estou muito curioso para beber o Clos de Epeneuax. Os Comte de Armand são importados pela Delacroix.
E para finalizar, o Carlão surge com um belo branco, o Clos du Bourg 2009, do Domaine Huet. O vinho é um Vouvray, versão Moelleux, feito com Chenin Blanc, próprio para sobremesa. O Domaine Huët foi fundado em 1928 e é um dos mais prestigiados no Loire. Este vinho estava fantástico! Cor linda e aromas deliciosos de frutas cítricas, figo, gengibre, botrytis e mel. Em boca o dulçor é equilibrado com uma excelente acidez e mineralidade. É vinho de álcool baixo (12,5%) para um vinho estilo sobremesa, o que o deixa muito agradável. Delicioso! Embora seja indicado para sobremesa, não é tão doce e seu álcool baixo também faz com que possa escoltar pratos com peixes e frutos do mar. Nós experimentamos e ficou ótimo. Ele é muito versátil. Vinhaço! É importado pela Premium.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Vinhos do meu aniversário: Ibéricos - Casa Ferreirinha, Mogador, Mouchão, Que bonito Cacareaba entre outros

Há um tempinho, comemorei meu aniversário com a Confraria do Ciao. O tema, para a comida e vinhos, era península ibérica. E a noite foi excelente...
Recebi meus amigos com o único não ibérico, e era um Champagne R. Pouillon Premier Cru 2008. Era um champagne com ótimos aromas de maçã, pêssego, brioche, frutas cítricas e panificação na medida. Em boca mostrava cremosidade, mas também muito frescor, com um fundinho de gengibre muito gostoso. Como não podia deixar de ser, agradou a todos. Delicioso!
Abri dois belos brancos para meus amigos. O primeiro foi o brancão riojano de Benjamin Romeo, o Que Bonito Cacareaba 2009. Aqui não é só nome que é bonito. O vinho é excelente. A cor era amarelo dourado, brilhante, lindíssima, e os aromas muito ricos de damasco maduro, côco, amêndoas e mel. Em boca era untuoso, cremoso, com ótima acidez e um final longo e amendoado. Uma beleza de branco, do produtor do grande Contador. Uma resposta do produtor aos grandes Tondonias, mas em outro estilo, mais untuoso.
O outro branco foi um ótimo Quinta das Bágeiras Pai Abel 2008. O vinho é produzido na Bairrada, por um produtor que se destaca por produzir ótimos vinhos de todos os tipos, desde espumantes até belos garrafeiras. Este Pai Abel é um branco top do produtor, com aromas de frutas cítricas, mel e amêndoas. Em boca mostrava boa intensidade, acidez correta e um gostinho de gengibre. É um vinho para comida e com grande potencial de envelhecimento. Sobrou um pouquinho e matei no dia seguinte, e estava ótimo! É um produtor a ser mais conhecido.
Bem, e partindo para os tintos, começo com o vinho levado pelo JP: Casa Ferreirinha Reserva Especial 2003. É a quarta garrafa deste que aprecio, e obviamente, não me canso. É um vinhaço, com aromas deliciosos, florais e de frutas silvestres. Em boca repete o nariz, é superelegante e rico. Falar o que de um Ferreirinha Reserva Especial já com mais de 10 anos? Beleza pura!
O Paulinho levou um que também já apreciamos, e que eu também adoro: Mouchão Colheitas Antigas 2003. Só lembrando a história dos Colheitas Antigas: -A partir de 2002 a tradicional vinícola Alentejana começou um projeto no qual a cada safra ela guarda garrafas para serem comercializadas 10 anos depois, para mostrar a longevidade do Mouchão. O resultado é um só: Evolução perfeita! É um vinho fresco, com ótima fruta, notas balsâmicas e final longuíssimo. Outra beleza!
O Paolão levou um espanhol de primeira grandeza, do Priorato: Clos Mogador 2010. Aqui também os comentários são meio que dispensáveis. É um vinho do grande René Barbier, o mago do Priorato. Vinho rico, untuoso, floral e mineral. Notas de ameixas, kirsch, balsâmicas e alcaçuz. Uma beleza, que precisaria (e mereceria) mais uns bons anos para arredondar na adega. Mas como o Paolão levou, a gente tomou, com o maior prazer, claro...rs. Dos grandes!
O Caião levou um Curriculum Vitae 2010, duriense de Cristiano Van Zeller. No começo o vinho estava meio pegado, mas depois de um tempinho respirando, mostrou-se um vinho intenso, concentrado, com ótima fruta e grande presença em boca. Outro que merecia mais uns aninhos de adega, mas que já estava bom para ser apreciado.
E voltando aos espanhóis, o vinho tinto que ofertei, que é o top da vinícola riojana LAN. Era um Culmen 2004. Eu gosto muito dos vinhos desta vinícola, e este não foge a regra. É um riojano com um toque moderno, mais concentrado que os tradicionais. Ao nariz mostrava notas de ameixa e cerejas pretas, em meio a um tostado na medida e tabaco. Em boca era amplo, com ótima estrutura e taninos devidamente arredondados. O final era longo e levemente tostado. Riojano de primeira! Lembrou-me bastante o Pagos Viejos 2000 que bebi anos atrás. Até a WS gostou dele, lhe outorgando 96 pontinhos... 
E para finalizar, com o bolo personalizado, um vinho mais que especial: Trilogia Moscatel de Setúbal! Este é uma raridade. Foi lançado em 1999 para celebrar o novo milênio, e é feito com vinhos de 3 grandes safras do século XX: 1900 (15%), 1934 (15%) e 1965 (70%). Obviamente, meu interesse foi por esta última, majoritária no vinho. Para todo o mundo, foram produzidas menos de 14.000 garrafas de 500 ml. Aqui o negócio pega! Cor âmbar, linda, e aromas refinadíssimos de avelãs e outras frutas secas, em meio a doce de casca de laranja, caixa de charuto e mel. Em boca, repete o nariz, o dulçor é cortado por uma ótima acidez e o final é interminável! Uma maravilha! Perfeito para celebrar uma data especial. Beber um vinho desses é viajar no tempo. João Paulo Martins, um dos maiores críticos portugueses, lhe tascou nada menos que 19,6 pontos em 20...
Isso aí, pessoal!


A famosa Paella do Paschoal





terça-feira, 7 de julho de 2015

Lessona Sella 2008: Me arrependi!

Se você gosta de vinhos do Piemonte, não deve se restringir aos Barbera, Barolo e Barbaresco. Tente também apreciar outros vinhos. Além de Gattinara e Ghemme, etc, a DOC Lessona é uma bela alternativa. A comuna de Lessona (Província de Biella) fica no norte da Itália, a nordeste de Torino. Se você traçar uma linha reta entre Milão e Aosta, ela fica mais ou menos no meio do caminho, pertinho de Gattinara. Os Sella produzem vinho no local desde o século XVII, e dizem ser a vinícola mais antiga em atividade na Itália. Eu ainda não havia bebido seus vinhos, e chegou a hora por meio deste Lessona 2008Segundo a vinícola, a primeira safra do Lessona data de 1671! O vinho é feito com 80% Nebbiolo e 20% Vespolina (talvez esta proporção possa variar um pouquinho de safra para safra). A maturação é realizada em barricas de carvalho da Eslavônia (Não Eslovenos!) de 250 litros, por 24 meses. O vinho tem cor clara, bonita, e aromas refinados de pétalas de rosas e cerejas, em meio a alcatrão e alcaçuz. Em boca tem ótima presença, é muito fino, com boa acidez e um final longo e muito agradável. É mais leve que um Barolo, com taninos mais domados, mas eles estão lá, e agregam muita estrutura ao vinho. É um vinho delicioso, que evapora rapidamente da taça e da garrafa. Obviamente, perfeito para comida (como todo vinho deveria ser...). E querem saber o motivo do título desta postagem? Me arrependi de não ter comprado uma caixa! Este vinho é um prato cheio para quem gosta de bons vinhos italianos. Belíssima compra!

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Vinhada na cozinha do Tom: Matando as saudades com bons vinhos!

Nosso confrade Tom está por demais envolvido com a Pão To Go e tá sobrando pouco tempo prá gente...rs. Mas nesse final de semana fomos lá na cozinha matar as saudades e mandar frutos do mar com bons vinhos. A idéia era só brancos, mas como estava um dia frio prá dedéu, levamos também tintos. A lista foi grande e vou falar apenas de alguns.
O Joãozinho levou um bom Chablis L'Orangerie du Chateau 2013, de Jean Bouchard. A Maison fica ao lado da Albert Bichot, onde vinifica seus vinhos. Este Chablis é bem fresco, com boa mineralidade e toques de pêra e abacaxi. Bom para frutos do mar.
Joãozinho também levou um ótimo Montchenot 2003, argentino com alma francesa, e que surpreende pela sua longevidade. É um vinho feito com Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec. Diferentemente de seus conterrâneos, geralmente com bastante extração, muita fruta e álcool, este Montchenot mostra fruta na medida certa, muita clareza e frescor, com taninos redondos e final especiado. Um ótimo vinho e que tem um preço muito convidativo na Argentina. Vale a pena conhecer.
O Thiago levou um Cono Sur Reserva Especial Chardonnay 2013, que apresentava notas de abacaxi e um fundinho de mel, boa mineralidade e acidez. A Cono Sur faz bons vinhos, e este estava bem legal. 
O Paulinho sempre pega pesado, e levou um belo Pêra-Manca branco 2011. Vinho de bom corpo, da bela safra de 2011, mostrava intensidade e ótima fruta, com destaque para maçã e pêra, em meio a toques cítricos e um fundo de mel. Não é vinho para bebericar, e sim, acompanhar comida. Mais que frutos do mar, umas postas de bacalhau fariam bom par.
O mesmo Paulinho levou também um ótimo Roquette e Cazes 2011. O irmão menor do Xisto sempre faz bonito, mas as vezes, quando novo, costuma mostrar muita madeira. Mas este 2011 está uma beleza: Tudo na medida certa! Vinho intenso, boa fruta, boa acidez e taninos redondos para seus poucos anos de vida. O final é longo e prazeiroso. Mais um exemplar de sucesso da bela safra. Deve melhorar com alguns anos de adega.
Eu levei um branco já comentado aqui, o Quanta Terra Grande Reserva 2009. Vinho de peso, com cor amarelo escura e notas de damasco, amêndoas e mel. Assim como o Pêra-Manca, par perfeito para uma boa posta de bacalhau. Mas foi muito bem com os frutos do mar.
Eu levei também um Conde de Los Andes Gran Reserva 2005. O vinho é um Riojano clássico, da víncola Paternina, com madeira presente, boa acidez, cereja seca, toques cítricos e tabaco. Destaque para sua relação preço/qualidade. É muito barato pelo que oferece. Se achar no mercado, coloque na cesta que ficará feliz.
Little John e Il Capo JP!
Bem, e entre tantos vinhos, não dá para não mencionar um que já apareceu por aqui 2 vezes, mas que pode aparecer quantas vezes quiser, pois é dos grandes. Foi levado pela segunda vez pelo JP, que pegou pesadíssimo: Flaccianello dela Pieve 2009! Sangiovese na veia! Intenso, concentrado, com cereja preta e alcaçuz em meio a um elegante tostado (que se equilibra com tempo em taça). A acidez é excelente, os taninos redondos e o final é interminável. É vinho de primeira grandeza. Isso aí, JP!
Bem pessoal, teve mais, como mostrado na foto. Mas a postagem tá ficando grande demais...rs.
Valeu, Confrades!!! Comida excelente, belos vinhos e companhia de primeira!




domingo, 5 de julho de 2015

Portugueses interessantes na degustação da Casa Deliza em São Carlos

Dias atrás fomos à uma degustação bem organizada da Casa Deliza, em São Carlos, na qual havia bons vinhos, principalmente para o dia a dia. Na faixa um pouco mais alta, gostei do duriense das Caves Santa Marta, o Conde de Guião 2013. É um vinho feito com uvas clássicas do Douro, e sem uso de madeira. O rótulo é uma obra de arte, muito bonito. O vinho ainda está novo, claro, mas mostra a que veio. A ausência da madeira deixa que a fruta se manifeste sem influências. É um vinho com notas florais, de amoras e minerais. Os taninos ainda carecem de mais tempo para arredondar, mas com uma carne gordurosa o vinho deve ir muito bem. O vinho é complexo e tem boa estrutura e deve ganhar com uns anos de descanso em adega. Mas se for beber agora, deixe aerar em decanter para ele amaciar. Eu achei o melhor vinho do evento.
Da Casa Ermelinda gostei do sempre bom Mimosa, feito com a conhecida Periquita (Castelão), na sua safra de 2012.
Mas fiquei surpreso mesmo foram com os vinhos da cooperativa UDACA (União das Adegas Cooperativas da Região Demarcada do Dão). Eu não provei o Eloquente, que é um vinho suave, mas todos os outros estavam muito bons para sua faixa de preço. Aliás, surpreendem neste quesito. São vinhos que custam abaixo de 30 Reais! O UDACA Colheita 2010, feito com Touriga Nacional, Tinta Roriz, Jaen e Alfrocheiro (informação do 2006), que pelo informado, não passa por madeira, é muito bom pelo preço. Boa complexidade, fruta na medida, boa acidez e fácil de beber. O UDACA Touriga Nacional de 2011, que passa 12 meses em madeira, é mais complexo, apresenta os típicos toques florais da casta, mas sem exageros, e notas de amora silvestre, azeitona preta e minerais. Difícil acreditar que custa menos de 30 pilas. Mas atenção: São vinhos que se destacam pela ótima relação custo-benefício e bem apropriados para o dia a dia ou um evento descontraído com amigos. Não espere mais que isso. 

sábado, 4 de julho de 2015

Chi-Chi-Chi--Le-Le-Le: Viva Chile! Bons vinhos apreciados no país campeão da Copa América

Em plena Copa América estávamos na região central do Chile, mais especificamente, em Talca, capital do Maule. Obviamente, nos intervalos das atividades laborais, sobrava sempre um tempinho para apreciar a comida e os vinhos chilenos, claro. O clima era de festa e parece que os chilenos já previam que ganharíam o campeonato. Sentia-se isso por todos os lados. Eu não bebi vinhos tops. Isso porque já conheço muitos deles e principalmente, porque são muito caros em seu país. É só comparar para ver que paga-se mais caro lá que os preços altos que pagamos aqui. Eu fico então nos vinhos base e quando dá, tento conhecer coisas novas. Para acompanhar o almoço no ótimo restaurante de Miguel Torres, em Curicó, a alguns minutos de Talca, elegemos um Cordillera Cabernet Sauvignon 2010, que estava muito fresco e tinha ótima intensidade. Aliás, eu gostei dos vinhos chilenos de 2010, que mostraram frescor e sem exagero de madeira. Esse Cordilleira veio em minha mala por bons 40 Reais. O vinho foi servido de maneira corretíssima e acompanhou muito bem a costela assada com primor. Aliás, quem passar na região tem que visitar o restaurante. O lugar é bonito, agradável, o serviço impecável e a comida ótima. 

O casal Alleydis e Ariel, queridos amigos, e o amigo Anderson, fazendo companhia no Miguel Torres

No restaurante do hotel arriscamos um vinho de San Clemente, alí pertinho de Talca, em direção aos Andes. Era um Sello de Raza Gran Reserva Carmenére 2013, da vinícola Corral Victoria. E este não agradou. Era muito potente e tinha muita madeira! Os 14 meses em barricas novas deixaram marcas. Suplantava tudo, até mesmo aquele herbáceo típico da Carmenére. Era novo, e talvez o tempo lhe ajude, mas agora, era como mastigar uma lasca madeira recém cortada. Não dá!
E no dia em que o Chile ganhou do Uruguai (com direito à polêmica e tudo mais), mandamos ver em 3 botellas de um mesmo produtor, que me agradou bastante. E vi que podem ser encontrados no Brasil. 
O primeiro era um Hugo Casanova Antaño Carmenére 2012, o segundo um Hugo Casanova Antaño Cabernet Sauvignon 2013 e o último um Hugo Casanova Antaño Merlot 2013. Todos vinhos muito corretos e macios. A qualidade aumentou na sequência. Nenhum deles tinha superextração e o Carmenére não tinha aquele exagero herbáceo tão comum, mostrando boa fruta e taninos muito redondos. O Cabernet Sauvignon estava ainda melhor, com mais presença, e também muito macio. O melhor deles era o Merlot, que mostrava fruta em meio a um toque mineral, de couro e um fundinho de pimenta-do-reino que em vez de incomodar, dava um charme ao conjunto. Não estou falando de vinhos grandiosos. Estou falando de vinhos corretos, sem exageros de madeira e álcool, e que têm preço justo. Eu fiquei atraído a conhecer os melhores da casa. No Brasil são encontrados na Vinho Site, de BH. 
Isso aí!

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Brunellada de sopetão: Fontebuia Riserva 1997, Argiano 2007, San Polo 2007 e La Poderina 2006

Zap-zap rápido sugerindo levar Brunellos e a turma acatou de imediato. O tempo era curto e só o Joãozinho conseguiu abrir com um pouco de antecedência para respirar. Os outros, foram abertos mesmo na hora e respiraram no restaurante mesmo. Mas é legal para acompanhar a evolução dos danados.
O primeiro da foto (e para mim, também o primeiro da noite) foi o Brunello di Montalcino Fontebuia Riserva 1997. Bem, beber um Brunello de 1997 não é todo dia... E este da vinícola Nistri, que produz vinho desde 1865, estava uma beleza! Brunello no estilo tradicional, mais austero, do jeito que eu gosto. A fruta estava lá, mas não era aquela explosão vista em Brunellos de estilo mais modernos. Tinha aromas ricos de cereja seca, ameixa, couro, tabaco, chá preto e terrosos. Muito rico! Em boca era amplo, mineral, acidez perfeita, com taninos firmes e final especiado e muito persistente. Paladar mais seco. A madeira está muito bem integrada e dava um charme especial ao conjunto. Um ótimo Brunello, que parece não ser mais produzido em sua versão Riserva. Paulada do Paulinho!
O segundo foi levado por este que vos escreve, e me foi regalado pelo confrade Joãozinho na ocasião de meu último aniversário. Resolvi então compartilhá-lo com meus grandes amigos. Era um Brunello di Montalcino Argiano 2007. Novo ainda, diferia do anterior por seu perfil mais moderno, já podendo ser apreciado. Mostrava notas de cereja preta, cedro, tabaco, alcaçuz e um tostado na medida. Em boca mostrava-se amplo e incrivelmente sedoso para um Brunello de 8 anos. O final era longo e levemente tostado. É o danado do perfil moderno. Mas estava uma delícia e agradou a todos. Os anos lhe farão muito bem. Como eu gosto de Brunellos mais antigos e mais tradicionais, preferi o Fontebuia, mas este estava excelente também.
O terceiro vinho da foto foi levado pelo confrade Joãozinho, e era um Brunello di Montalcino San Polo 2006. Este também tem um perfil moderno mas fica entre o Argiano e o Fontebuia. A fruta aparece com uma cereja madura em meio a muita especiaria, toques cítricos e madeira. Mas ele não tem aquele tostado do Argiano e tampouco a austeridade do Fontebuia. Em boca mostrava-se vibrante e com ótima acidez, com taninos firmes e final especiado. Um belo Brunello.
O último da foto (e para mim também o que menos impressionou), foi um Brunello di Montalcino La Poderina 2006. Eu o bebi logo ao ser aberto, depois de beber o Fontebuia, só para notar a diferença de estilos. É gritante! O La Poderina é um vinho no estilo fruta madura e exuberante (cereja e framboesa), e em boca mostrava taninos "fracos" para um Brunello. É muito leve, lembrando até um bom Rosso. Mas com o tempo foi melhorando bastante e ao final mostrava toques mentolados e mais complexidade em boca. Um bom Brunello, mas que ficou na rabeira dos 3 anteriores.
Isso aí! Nada como uma Brunellada para aquecer uma noite fria!