quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

São Lourenço Bairrada 2008: Bom e barato!

Mais um vinho da Ideal Drinks, que aliás, possui um portfólio amplo e muito bom. Logo publicarei sobre vários deles aqui. Este São Lourenço Bairrada 2008 é produzido pela vinícola Colinas de São Lourenço, a mesma que produz o ótimo Principal. O vinho nos foi ofertado pelo Carlão, que também o deixou embrulhado para nos desafiar. Pelos aromas, sugeri ser um bordozinho mais simples, com presença clara da Merlot (não a tão conhecida chilena). Não pude ir mais além disso. Aí o Carlão tirou o papel e para nossa surpresa era o bairradino São Lourenço. O vinho é feito com Merlot, Syrah e Touriga Nacional. Não consegui no site as proporções. O fato é que, para mim, a Merlot deu o tom. A Touriga Nacional não reina, com suas notas florais. O vinho tem aromas de groselha, notas de carne, noz moscada e baunilha. Em boca, repete o nariz e mostra corpo médio e boa persistência. É bem macio, sedoso. Desce fácil, fácil. Eu já havia bebido em uma degustação e gostado bastante, principalmente pela relação preço/qualidade. No evento estava por 35 pilas, mas custa por volta de 40. Vinho muito bem feito, bom e barato. Compra certa. Vale a pena experimentar! Bem, e agora que já elogiei, deixa fazer minha crítica. Para mim, Bairrada é sinônimo de Baga. O vinho é bom, mas parece francês. Duvido que alguém dissesse ser português. Sou meu conservador neste sentido. A vinícola produz excelentes vinhos, inclusive, os tops Principal (Reserva e Grande Reserva), que estão arrebatando prêmios por aí. Mas a meu ver, não pode perder a identidade portuguesa. Tem gente que acha legal dizer que um determinado vinho é um "bordeaux feito em Portugal". Eu ficaria mais feliz em dizer, após apreciá-lo, que ele é "um típico vinhão português!". Mas atenção, esta é apenas uma posição pessoal, e não quer dizer absolutamente que o vinho não seja bom. Como disse acima, é um excelente custo benefício.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Salentein Reserve Malbec 2007: Malbec mais seco

O Carlão nos serviu um vinho com a garrafa embrulhada, para sabermos o que era. Deu prá notar de cara ao nariz as notas de ameixa, mas elas não reinavam. Eu suspeitei ser um corte, com a presença da Malbec. E o Carlão pode confirmar: Mandei logo no produtor - Salentein! Isso porque eu já havia apreciado tempos atrás um corte, com Malbec, e me chamava a atenção o fato do vinho ser mais seco, menos doce que os Malbecs habituais. Bem, depois do chute do Nelinho (só alguns lembrarão dele...rs) o Carlão se rendeu e descobriu o vinho, um Salentein Reserve Malbec 2007. É um 100% Malbec, de vinhedos de altitude (mais de 1.000 m), e talhado sob a batuta de José "Pepe" Galante (Catena). A maturação ocorreu em barricas de carvalho francês por 12 meses. Ao nariz, o vinho mostra as típicas notas de ameixa, entre notas herbáceas, tabaco e especiarias. Em boca se destaca pelo frescor, certa rusticidade e por ser mais seco que o habitual. A acidez é correta e os taninos secos. A madeira aparece um pouco, mas sem incomodar. Só depois de muito tempo é que o lado mais doce da Malbec deu o ar da graça. Assim, eu preferi o vinho mais no início e meio da degustação, quando se mostrava mais seco e nem um pouco enjoativo. Vinho que pede comida. Gostei dele. 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Marques de Casa Concha Cabernet Sauvignon 2010: Algo mudou nesta safra!

Para mim, 3 vinhos representam aquela passagem típica de apreciadores pelos vinhos chilenos (e posterior migração para europeus): Marques de Casa Concha, San Pedro 1865 e Montes Alpha. Para quem já passou por eles, fica a lembrança de vinhos com madeira, mentol e álcool salientes. E enquanto estas características atraem os chamados "enófitos" (não gosto destes termos...rs), elas afastam aqueles que buscam vinhos sem exageros. Mas algo aconteceu nos vinhos da safra de 2010 no Chile. Particularmente, tenho notado mais frescor, menos extração e presença mais calma da madeira. Este Marques de Casa Concha Cabernet Sauvignon 2010 é um exemplo. Abrí para acompanhar uma bela lasagna feita pela minha digníssima, e o vinho me agradou. Geralmente o Marques CS passa 18 meses em barricas, e este passou 14 (mencionado no contra-rótulo). Acho que isso lhe deixou menos marcas, embora as notas de cedro estejam lá, mas bem mais domadas. O vinho, de bela cor rubi escura, mostra ainda notas de cassis, chocolate amargo e baunilha. O mentol, claro, aparece, mas sem exagero. No começo, o álcool é um pouco saliente, mas com o tempo, vai se ajeitando. Em boca mostra a mudança em relação aos de safra anteriores: Mais frescor! Não tem exagero de extração. Os taninos são sedosos e com tempo em taça o vinho vai ficando muito sedoso. Acompanhou a lasagna com perfeição e ficaria ainda melhor com uma carne gordurosa. Gostei! Espero que a linha seja mantida para as próximas safras. Para quem for apreciar, é bom abrir com antecedência e/ou decantar. O vinho está pronto para beber, mas pode ser guardado por mais um tempo em adega, sem problemas.
Eu paguei pouco mais de 60 pilas tempos atrás na Wine. Foi uma boa compra. Acho que tanto ele, quanto seus primos citados acima, não poderiam custar mais que isso.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Senhoria Alvarinho 2010

Rapidinho: O branco português Senhoria Alvarinho 2010 é também um produto da Ideal Drinks e seu rótulo é uma reprodução da pintura Feira do Minho, do artista português Silva Porto (tido como um dos fundadores do Naturalismo em Portugal). O vinho tem notas cítricas e florais, em meio a notas de maçã. Em boca é leve e mostra boa acidez, que lhe aporta frescor (mas eu queria um pouco mais). Custa ao redor de 70-80 pilas, mas paguei 46 em uma promoção da Mercearia 3M. Bem pagos.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Casa Ferreirinha Vinha Grande 2009

Os vinhos da Casa Ferreirinha dispensam apresentação. Pode-se notar, desde o mais simples Esteva, até o grandioso Barca Velha, características únicas, carimbo da casa. Este Vinha Grande 2009, feito com as castas Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Touriga Nacional, passa 12 meses em barricas de carvalho francês usadas. O vinho é engarrafado com ligeira filtração, e em decorrência disso, com o tempo pode-se notar sedimento na garrafa, como no caso desta que apreciamos. Mas mesmo com seus 5 anos, sua cor ainda é de vinho jovem, assim como os aromas logo ao ser aberto. Nota-se aromas florais, mirtilo, kirsch, em meio à madeira (cedro) bem integrada. Em boca, mostra ótima acidez e taninos muito corretos. É um vinho que melhora muito após um tempo de aeração. Tomando de cara, mostra-se um pouquinho nervoso. Mas com boa aeração, transforma-se, para melhor. Assim, se for bebê-lo, mande 1-2 horinhas de decanter e apreciará um bom vinho. Mas confesso que este 2009, pelo menos nesta ocasião, não me mostrou aquelas características marcantes dos vinhos da Casa Ferreirinha. Preferi o 2007 e o 2008.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Craggy Range Te Kahu 2008: Muito bom!

A vinícola neozelandesa Craggy Range é especializada em produzir vinhos de vinhedos únicos. Ela tem sido considerada uma das melhores da Nova Zelândia, e produz uma ampla gama de vinhos, dentre eles, este Te Kahu 2008. Te Kahu significa "a capa", e é em referência à cobertura de neblina que envolve as colinas ao redor da vinícola. Este 2008 foi feito com Merlot (64%), Cabernet Franc (15%), Cabernet Sauvignon (14%) e Malbec (7%).  As uvas vêm do vinhedo Gimblett Gravels, que tem na Merlot sua uva majoritária. A fermentação é feita em tanques de inox e a maturação por 18 meses em barricas de carvalho francês (49% novas). É um vinho com aromas de amoras, alcaçuz e outras especiarias. A madeira aparece, mas muito bem integrada. Com o tempo em taça, vão surgindo umas notas especiadas, um apimentadinho gostoso e canela. É um vinho elegante, bem redondo em boca, mineral e com taninos muito sedosos. Fazia tempo que eu não bebia um vinho no estilo Bordalês vindo da Nova Zelândia, que aliás, sempre me agradaram. Este me matou as saudades. Muito bom vinho! Valeu Akira!
A propósito, o vinho é importado pela Decanter.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Philippe Pacalet Bourgogne 2009

Aproveitando que a turma está (quase) toda viajando em busca de vinhos para apreciarmos durante uns meses...rs, resolvemos Paolão e eu irmos à casa do Fernandinho bater um papo e beber uns vinhos acompanhados de uma boa massa. O Paolão levou este Philippe Pacalet Bougogne 2009. É o tinto de entrada deste produtor que é conhecido pelos vinhos naturais, feitos utilizando técnicas ancestrais e pouca intervenção. O vinho, da ótima safra de 2009,  tem cor clara e aromas de frutas silvestres, sous bois e especiarias. Em boca mostra austeridade, juventude, ótima fruta, acidez marcante e taninos corretos. Embora possa ser apreciado agora, sem problemas, ele deve ficar melhor daqui a 1-2 anos. Um vinho de entrada acima da média. Bem, o preço também fica acima da média para os chamados "borgonhas genéricos". Mas no último bota-fora da World Wine estava com bom preço. Também peguei uma garrafa, que deixarei descansar um pouco na adega.
A propósito, na noite apreciamos também um Elvio Cogno Langhe Montegrilli 2008. levado por este que vos escreve. O vinho já foi comentado aqui. Não me canso de apreciá-lo.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Kilikanoon Killerman's Run Shiraz 2010: Outro Killi de responsa!

O Akira gosta mesmo dos vinhos Kilikanoon. Eu também! E este outro que ele abriu prá gente estava muito bom. Já bebemos vários da vinícola, e eu tenho uma preferência pelos mais simples (que de simples, não têm nada...rs). O motivo é a mineralidade e especiarias, principalmente um apimentadinho na medida. É o que sinto quando comparo o Oracle e seu irmão "mais em conta"  Covenant. Este último é para mim mais mineral e especiado, enquanto o primeiro é mais portentoso. Este Kilikanoon Killerman's Run Shiraz 2010 é o vinho com preço mais em conta da vinícola e passa 16 meses em barricas de carvalho francês e americano de 300 litros (chamados de "hogshead" por Kevin Mitchell, fundador e enólogo chefe da vinícola). É um vinho que tem o carimbo "Kilikanoon", com aromas de ameixa seca, chocolate amargo, alcaçuz e um apimentado gostoso. Em boca é amplo, mineral e com um final especiado longuíssimo (característica dos Killikanoon - Como são persistentes!). Um ótimo Shiraz e que apresenta com honras as qualidades da vinícola, cujos vinhos devem ser conhecidos. A propósito, não tenha preconceito com a Screw-cap. O que está dentro da garrafa é muito bom! Olha, os Syrahs chilenos estão ficando muito caros e passando o preço de bons australianos. Este Killerman's Run é um sinal de alerta.

Tres Lunas Reserva 2009: Bom vinho!

Levei o espanhol Tres Lunas Reserva 2009 para bebermos na casa do Paolão. O vinho é produzido pelas Bodegas Gil Luna, na região de Toro. O seu nome é em referência ao sobrenome materno da família e às 3 filhas do produtor. É um vinho orgânico, feito com 95% Tinta do Toro (Tempranillo) e 5% Garnacha, e que matura 14 meses em barricas de carvalho francês. É um vinho potente, intenso, característico da região, com aromas de amoras maduras, cereja preta (até licorosa), balsâmico e couro. Em boca é denso, com boa acidez e um final especiado persistente e bem gostoso. Muito bom! Todos gostamos. E com o belo desconto que tive na Decanter, foi um achado. Ótima compra!
Além do Tres Lunas, apreciamos um outro espanhol, de Ribera del Duero, o Mayorazgo Crianza 2007. O vinho foi levado pelo Fernandinho, que já havia aberto um desses tempos atrás (clique aqui). Um ano depois e o vinho continua bom, com frescor e boa especiaria. Bom custo benefício.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Final de tarde na casa do JP: Terrunyo Sauvignon Blanc 2006, Maycas del Limari Quebrada Seca 2008 e Georges Vernay Le Pied de Samson 2007

Já era final de tarde, quente (como tem sido há semanas), quando fomos à casa do JP beber uns brancões. 
O primeiro deles foi levado pelo Paolão, e foi a segunda garrafa que bebi do mesmo vinho em uma semana. Era um ótimo Terrunyo Sauvignon Blanc 2006. Aí vocês podem pensar: Um chileno branco de 8 anos... hummm. Bem, o Terrunyo é um vinho de categoria, e este Sauvignon Blanc, por duas vezes, mostrou que aguenta o tempo. A sua cor dourada, com leve toque esverdeado, denuncia sua idade. Mas ao nariz e em boca é que mostra que evolui bem. Tem notas de maçã verde, herbáceas e minerais. Com seus 8 anos ainda mostra um ótimo frescor. Delicioso!
O segundo vinho foi levado por este que vos escreve, e era um Maycas del Limarí Quebrada Seca Chardonnay 2008. Seu irmão de 2007 já pintou por aqui. Eu sou fã deste vinho, que considero um dos melhores Chardonnay chilenos. Não tem aquele peso tão comum em Chards chilenos. Tudo é bem dosado. Tem notas de pêra, erva doce e leve mel, com um fundinho amanteigado sem exagero. É muito bem feito. O problema dele é o preço, que acho alto. Em sua fase começa a brigar com bons Chablis de entrada, e aí o negócio pega.
E para finalizar e acompanhar a contemplação de um belo céu estrelado (com direito à estrela cadente e tudo...rs), o JP abriu um Georges Vernay Le Pied de Samson 2007. Mais um belo Viognier deste ótimo produtor. O nome vem do folclore regional, que trata da lenda de um gigante chamado Samson, que fica com um pé em cada lado do Rio Rhône, bebendo as águas do referido. Este Le Pied de Samson é feito com uvas de vinhedos que ficam acima de Condrieu, que anteriormente eram incluídos na denominação. Matura brevemente em vats de 200 litros, sobre as lias finas. É um vinho muito aromático, com notas florais, de pêra e pêssego. Em boca repete o nariz e é muito agradável (como todos os vinhos do produtor). Lembra um bom Torrontés, mas mais perfumado e complexo. Um branco diferenciado. Muito bom!
Isso aí! 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Cumpleaños do Akira: Amélia Chardonnay 2011, Vallado Reserva 2009, Roquette e Cazes 2008, Principal Reserva 2007, Kilikanoon Covenant 2004, Viña Alberdi 2006 e Chateau D'Aurillhac 2006

O Akira fez aniversário e levou um monte de vinho bão prá gente beber. E vale ressaltar: Muito bem selecionados. 
Apenas os dois primeiros estavam descobertos. Os outros, estavam embrulhados prá gente tentar descobrir do que se tratava. E olha, o pessoal foi bem... Praticamente todos acertaram parte dos vinhos e/ou características. Foi legal!
A abertura foi com um Amélia Chardonnay 2011. Vinho muito bem feito da Concha y Toro e pela segunda vez ofertado pelo Carlão (clique aqui). Assim, não gastarei mais linhas com ele. 
O primeiro tinto, em versão magnum, foi um Quinta do Vallado Reserva 2009. O Akira é fã incondicional do Vallado Reserva. E tem toda razão. Nunca bebi um que não tenha me agradado. O vinho é feito com uvas de vinhas velhas e passa 17 meses em barricas de carvalho francês. Ao nariz mostrou notas de amoras, kirsch, florais e cacau. Em boca, repetia o nariz, era fresco, mas no começo estava meio pegado. No entanto, com o tempo o vinho foi ficando redondinho e ganhando novas nuances. Como sempre, um vinhaço de Francisco Olazabal. 
E aí o Akira começou a servir os outros embrulhados, para comparar com o Vallado. Tarefa difícil...rs.
O primeiro oculto foi difícil e ninguém arriscou muito. Até disse ao Akira que tinha semelhanças com o Vallado, mas que lembrava um francês. Bem, eu não estava errado em nenhuma das duas suspeitas. A primeira, por que era um Roquette e Cazes 2008, também duriense. A segunda, por que tem a participação da familia francesa Cazes (Linch-Bages), em parceria com a familia Roquette. Vinho feito com Touriga Nacional, Touriga Francesa e Tinta Roriz. Os 18 meses em barricas aparecem. O vinho é bom, mas para mim, ficou atrás daqueles de outros anos que bebi, e durante a noite, se mostrou linear, sem grande evolução (principalmente, se comparado com o Vallado). Acho que foi o que menos se destacou no jantar.
Depois dele, um vinho que matei a origem em pouco tempo, e mandei ver: Bairrada. Mas ainda disse ao Akira: com um toque francês. E confesso que não disse o nome para o pessoal não pensar que o Akira havia me dito...rs. Era um Principal Reserva 2007, produzido pela Colinas de São Lourenço. É um vinho muito característico, e que me marcou quando bebi no Encontro de Vinhos em Ribeirão Preto (com direito à uma boa sobra para o jantar...rs). Ele não leva a tão conhecida Baga, e sim, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Merlot. É um vinho com ótimos aromas, meio carnosos, balsâmicos e especiados. É denso em boca, mineral, sedoso e com final persistente. Vai muito bem com comida. Um ótimo vinho! Em sua faixa de preço, uma bela aquisição. Logo quero comentar aqui sobre o Grande Reserva, que tem sido um sucesso em Portugal.
E à direita do Principal, outro que matei o produtor, linha e ano (estava inspirado). Mas é que já bebi vários do produtor, a maioria, ofertada pelo próprio Akira. Isso facilitou as coisas. E o bom é que ele nem é o mais caro da vinícola. Mas é o que mais me agrada pela mineralidade e especiarias. Era um Kilikanoon Covenant 2004, inclusive, já comentado aqui no blog (clique aqui). É um vinhão, com final interminável. Se você gosta de Shiraz e quer conhecer um de primeira, experimente este. Vai gostar.
O penúltimo vinho era um Viña Alberdi Reserva 2006, da vinícola La Rioja Alta. O seu irmão, de 2005, já pintou por aqui. Mas este 2006 achei bem diferente. Talvez porque o Akira o tenha aberto com bastante antecedência, não sei... Não deu prá identificar a procedência. Muita gente mandou que era um francês. Bem, o vinho passa 24 meses em barricas de carvalho americano (novas no primeiro ano e usadas no segundo). Tem notas de cereja, canela e tabaco, e em boca é bem redondo, fácil de beber. Sem arestas, mas sem aquelas notas cítricas e amadeiradas de Rioja. Bom vinho, mas sem surpresas.
Bem, e por último, um que também matei a procedência francesa. Era um Cru Borgeouis Chateau D'Aurillhac 2006, de Haut Medoc. É feito com Cabernet Sauvignon (60%), Merlot (34%), Cabernet Franc (3%) e Petit Verdot (3%). O vinho estava fechadão no começo, e relutou por bom tempo em mostrar sua cara. Tinha notas de cassis, alcaçuz e de baunilha. Em boca era um pouquinho austero, mas como disse, um pouco tímido. Bom, mas inibido.
Meus destaques na noite foram o Vallado, Kilikanoon e Principal, ficando os outros, também bons vinhos, um degrau abaixo destes três.
Isso aí, Akira! Ótima noite para comemorar o aniversário. Parabéns!


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Esporão Private Selection Branco 2010, Chateau de Maligny Chablis 2010, Sidónio de Sousa Garrafeira 2000, Baron de Ley Gran Reserva 2007, Conde de Los Andes 2004, Tres de 3000 Ayles 2007, Mimosa 2009, Carmelo Patti Cabernet Sauvignon 2005 e Eastdell Icewine Cabernet Franc 2008!

Fizemos uma reunião em minha casa, com muito vinho bão, pernil de cabrito etc. Tava ruim, não...
O Paolão levou um vinho enganado. Pensava levar um Esporão Private Selection (Garrafeira) tinto e levou um Esporão Private Selection Branco 2010. Que ótimo engano! Eu gosto dos dois, mas na noite quente, o brancão fez um sucesso danado. Este 2010 é feito com Antão Vaz e Semillon, vinificadas em barricas de carvalho francês, estágio de 6 meses sur lie e batonnage. Uma beleza de vinho! Notas de mamão, mel e amendoadas, com um fundinho de baunilha. Amplo e muito sedoso, com final muito longo. Brancão! Perfeito para uma posta de bacalhau.
O Caio levou outro branco, um Chateau de Chablis 2010. O vinho é feito pela família Durup, que possui mais de 130 hectares na região. O vinho tinha notas de pêssego e amendoadas. Em boca era mineral e com bom frescor. Um bom Chablis, refrescante, como deve ser.
Na sequência da foto, o vinho levado pelo Joãozinho, o riojano Baron de Ley Gran Reserva 2007. A vinícola Baron de Ley foi concebida em 1985, mas começou a produzir efetivamente ao final dos anos 90. Este Gran Reserva é feito com 90% Tempranillo e 10% outras castas (não mencionadas), de vinhedos plantados em Rioja Baixa. A crianza foi de 24 meses em barricas de carvalho francês e americano (50/50) e ficou 5 anos em garrafa antes de sair ao mercado. Ou seja, tá fresquinho...rs. O vinho mostra notas de cereja em meio a especiarias, tabaco, tostado, baunilha e caramelo. Estas últimas características são bem evidentes e se sobressaíram. É fresco em boca, e com taninos bem sedosos. Um bom vinho, que por enquanto mostra juventude. O tempo lhe fará bem.
O Tonzinho deu um replay do Conde de Los Andes Gran Reserva 2004. Como já comentei aqui, remeterei ao outro artigo (clique aqui). Mas vale citar que as notas de baunilha estão mais sutis e que o vinho se mostra mais especiado (o que eu gostei).
E logo à direita do Conde de Los Andes, o vinho que ofertei. E saí um pouco da rotina, abrindo um Baga tradicional, um Sidónio de Souza Garrafeira 2000A vinícola começou com Sidónio de Sousa, avô de seu atual gestor, o engenheiro Paulo Sousa. Sidónio foi dos Estados Unidos para Portugal na década de 30, e vendia vinhos a granel ou para cooperativas. Só depois dos anos 80, com participação de Paulo Sousa, é que a vinícola começou a melhorar sua produção própria. São apenas 12 hectares de vinhas, nos quais a Baga divide lugar com a Touriga Nacional, Merlot, Bical, Maria Gomes e Arinto. As vinhas de Baga tinham mais de 90 anos, mas foram cortadas recentemente. Assim, o último Garrafeira feito com uvas destas vinhas antigas foi o 2005. 
A fermentação deste Garrafeira 2000 é feita por leveduras da própria uva, sem adição de leveduras industriais. A maturação é feita em barricas usadas de carvalho, algumas delas com décadas. A vinícola também produz excelentes espumantes, pelo método tradicional. Logo postarei aqui sobre o Super Bruto Natural Tinto 1999 que adquiri junto com este Garrafeira 2000. Este garrafeira passou 12 meses em barricas usadas. Fiquei impressionado com sua longevidade. Catorze anos e o vinho está lá, fortão. É um Baga típico, austero, nervoso, em que a fruta não reina. Os aromas são bem especiados e herbáceos. A madeira aparece, bem integrada. Em boca repete o nariz e mostra-se seco, com taninos nervosos e final herbáceo. Um vinho gastronômico por natureza, que implorava uma leitoa à pururuca. Não é vinho para todos os paladares. É do tipo ame-o ou deixe-o. Eu fico com a primeira opção. E prometo que a outra garrafa que está na adega, lá ficará por um tempo, até que faça uma bela leitoa que lhe acompanhe. Ufa, gastei muitas linhas com o Sidónio...rs. Vamos ao próximo.
O vinho seguinte é o levado pelo Fernandinho, e que fez muito sucesso. É o Tres de 3.000 Ayles 2007, espanhol da região de Aragón. Seu irmão Serendípia foi comentado aqui no blog dias atrás (clique aqui). Mas enquanto o Serendípia era um puro Garnacha, este Tres de 3.000 é um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Garnacha, que passa 12 meses em barricas de carvalho de diferentes procedências (francês, americano, romeno e russo). Notas de framboesa e amora se mesclam a tabaco e especiarias. A madeira aparece, mas sem incomodar. Em boca é amplo, sem exagero de fruta madura, e com notas minerais. Possui um ótimo frescor, o que faz com que esperemos sempre pela próxima taça. Um ótimo vinho! Destaque para o lado mineral e frescor.
Bem, a turma não estava contente e resolveu ainda abrir duas garrafas antes do de sobremesa.
A primeira foi um Quinta da Mimosa 2009, levado pelo Rodrigo. Português da região de Palmela, feito com a conhecida Castelão (Periquita) pelas Casas Ermelinda Freitas. Estagia 12 meses em meia-pipas de carvalho francês. É um vinho denso, com aromas de geléia de amoras e framboesas, em meio a tabaco e baunilha. Em boca, repete o nariz e mostra untuosidade e grande persistência. Um vinho muito bom e com grande potencial de guarda. Além disso, tem um preço muito justo. Dá chinelada em muito vinho mais caro. Experimente e depois me diga o que achou.
E o último antes da sobremesa foi um levado pelo JP, e que nem lembro direito como estava... Infelizmente...rs. E era um vinho que eu gosto muito, um Carmelo Patti Cabernet Sauvignon 2005. O vinho passou 2 anos em barricas, e foi engarrafado em 2007. É um vinho que precisa ser decantado, e não o foi. Da tacinha que bebi, lembro as características dos Cabernet do Sr. Carmelo: fruta na medida certa, nada de super extração, tabaco e especiarias. Cabernet distinto e com longa vida pela frente. Tem outra garrafa, JP?
Bem, e para finalizar a noite e acompanhar um belo e delicioso Cheese Cake de frutas vermelhas, vindo fresquinho do Glace Art, abri uma garrafa de um Ice Wine Canadense feito com Cabernet Franc. Este até merece uma foto separada, pois a garrafa é linda, jateada, com fundo grosso, destacando a bela cor avermelhada do vinho. Nem preciso contar a história dos Ice Wines, por que já é batida. Este East Dell Cabernet Franc Ice Wine 2008 tinha aromas de morango e cereja, em meio a uns toques de tabaco. Em boca, repetia o nariz e tinha um retrogosto levemente apimentado. Combinação mais que perfeita para o Cheese Cake. Uma delícia!!! Um néctar!
Bem, pessoal, foi isso...rs. Muita comida e vinho bão!





quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Outra lembrança: Cumpleaños do JP com Don Melchor, Cartuxa Reserva, Abadia Retuerta Seleción especial, Meerlust Rubicon, Chateau Gloria, Passito Arrocco e Freixenet

Mais uma boa lembrança, de uma reunião da confraria anterior à criação do blog... Aniversário do JP em 2010. Naquele ano, havíamos combinado que o aniversariante levaria todos os vinhos, de preferência encobertos, para a turma descobrir o que bebiam. Eu cumpri o trato e levei umas coisas boas (Brunello Siro Pacenti, Meão, Renacer, Chambolle-Musigny David Duband, Don - o mais fraquinho -  e um Sauternes que não me lembro o nome...rs. Se um dia recuperar a foto coloco aqui). Em seu aniversário o JP também não arregou: Levou bons vinhos embrulhados prá gente beber e descobrir o que era. A foto mostra os danados. Lembro que fiz umas fichas para o pessoal anotar opiniões sobre a procedência e tipo de vinho. Também lembro que dois se destacaram: Cartuxa Reserva 2005 e Don Melchor 2006. Bem, Cartuxa Reserva sempre agrada. É compra certa. E o Don Melchor 2006, que apareceu recentemente aqui no blog, estava muito redondo.
Outro vinhão foi o Abadia Retuerta Seleción Especial 2004, que tomamos várias garrafas desde a criação da confraria. Foi o JP que nos apresentou o danado, pois levava sempre seu irmão menor, o Rívola. Aí decidiu comprar uma caixa do bitelo. É um vinho muito bom o Seleción Especial. E bom mesmo é seu preço na Espanha. Cheguei a pagar 15 Euros no supermercado do El Corte Ingles. Uma pechincha por um vinhão. 
Havia também na lista um Chateau Gloria 1999. A safra de 99 foi sombra da grande 2000, mas os vinhos geralmente ficaram prontos para beber mais cedo. Este já estava no ponto. Não é bordozão potente, e sim, de corpo médio.
Do lado do Gloria o sulafricano Meerlust Rubicon 2003. Este lembro ter causado confusão em todos, pois tem corte bordalês típico (CS, Me e CF) e muita gente chutou bordeaux. Mas ele tem um tostado bem presente em vinhos sulafricanos. É um vinho potente, denso e com ótima capacidade de guarda. 
Do Passito Arrocco não lembro absolutamente nada...rs. Mas devia estar bom...rs. Assim como o Cava Freixenet Cordon Negro servido de entrada. 
Pena que depois disso a turma arregou e não manteve a tradição, pois foi bem legal a brincadeira. 

Ps. Muitos podem perguntar: Como o cara lembra disso? A resposta é fácil: Tenho ótima memória fotográfica, olfativa, para números de telefone, placas de carros (sem as letras) e-mails, sítios de enzimas de restrição etc. Por outro lado, péssima para nomes de pessoas, filmes, atores, nome de música etc. De vinho, lembro os aromas de muitos, e por muito tempo. Tenho o famoso nariz de Químico...rs. Bom isso...

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Lembranças da Confraria na casa do JP: Imperial Gran Reserva, Tondonia Reserva Branco, Gaja Sperss, Chateau Lafite, Alion, Chateau Rieussec e Tokaji Oremus 6 Puttonyos

Caio, JP, eu, Tonzinho, Cláudio, Rodrigo, Paolão e Fernandinho
Que saudades! Antes do blog existir nós tivemos muitas e muitas reuniões da Confraria do Ciao. Algumas delas, as chamadas especiais, eram na casa do JP. E esta, em particular, para comemorar o final do ano de 2009, foi espetacular. Prá começar, teve até filminho do Claude Troisgros enviado por ele e trazido pelo Cláudio (que também trouxe uma receita de um Boeuf Bourguignon do próprio, e executou prá gente - Uma beleza!). E os vinhos? Ah, os vinhos... Se esta não foi a melhor reunião da confraria, foi uma das melhores, sem sombra de dúvida. É só olhar a foto dos vinhos apreciados.
Bem, a foto seguinte mostra os vinhos em mais detalhes. Só cachorro grande. 


Da esquerda para a direita, Imperial Gran Reserva 1998, da CVNE. Uma beleza de vinho, escolhido na época por este que vos escreve para brigar com o Chateau Lafite 2002 escolhido pelo Tonzinho e JP. Olha, o Imperial deu o show. Sua untuosidade e sedosidade encantou a todos. E digo mais, brigou mesmo com o Lafite. À direita do Imperial, outro espanhol de produtor tradicional de Rioja (também sugestão deste que vos escreve). Este Tondonia Reserva Branco 1990 estava uma beleza. Aquelas notas amendoadas e levemente oxidadas (que desavisados pensam ser defeito) fizeram sucesso. Ah, e eu, com minha memória de elefante, lembro bem que alguns da turma (que na época ainda não conhecia os vinhos de Lopez de Heredia), não mostraram muito entusiasmo. Pois é... morderam a língua...rsrs. Chegamos então em outra sugestão minha, uma magnum do Gaja Sperss 2001. Falar o que de um Nebbiolo (com uma pitadinha de Barbera) do grande Angelo Gaja? E ainda da grandiosa safra de 2001... Maravilha engarrafada! O pecado aqui foi o pouco tempo de decantação. Além disso, vou dizer uma coisa: Era vinho para ser bebido solo, com um pernil de cabrito, um risotinho al funghi e devagar, curtindo. 
Bem, à direita do Gaja o Chateau Lafite 2002 sugerido pelo Tonzinho e JP. Esse também tem pouco o que falar. Potência e sedosidade a toda prova. O problema era a idade. Abrir um bordozão destem com apenas 7 anos é uma dó. Agora seria outra coisa. Bem, mas não ficamos tristes, não...rsrs.
Do ladinho do Lafite um Alion 2004 que já apareceu aqui no blog em outra oportunidade (mais recente, aliás). O vinho na época tinha 5 aninhos e estava pegado, concentrado, nervoso. Tomado no ano passado o do mesmo ano, foi outra coisa. É vinho para beber com bons anos de garrafa. Uma beleza com o carimbo Vega Sicilia. 
E para a sobremesa, dois belos exemplares. O primeiro, para deleite da turma, foi um grande Tokaji Oremus 6 Puttonyos 2000. Mais um com o carimbo Vega Sicilia e com a finesse característica. Quando abri, lembro-me que a rolha estava molhada, até já saindo vinho por cima. Fiquei com receio, mas depois... Quando sorvemos o danado nas taças, foi aquela exclamação geral: Vinhaço!!! Um néctar dos deuses! Inesquecível. Digo sem nenhuma sombra de dúvida que foi um dos melhores vinhos de sobremesa que bebemos, rivalizando fácil com Chateau D'Yquem. Ah, e já que passei para um Sauternes, teve um também na noite. e não era dos fracos: Chateau Rieussec 2005. As notas de damasco do vinho ainda estão na minha lembrança. Vinho cremoso, delicioso, de primeira.
Bem, pessoal. Foi isso. Resolvi escrever sobre esta noite por sugestão dos confrades, que têm saudades daquela noite espetacular. Como na época eu ainda não tinha o blog, não dava para dividir com ninguém o prazer que tivemos. Tá aí, confrades! Para lembrar... Logo escreverei sobre um aniversário do JP, também antigo, com ótimos vinhos servidos às cegas.