domingo, 26 de fevereiro de 2012

La Vicalanda Gran Reserva 2001, Quinta da Leda 2008, Callabriga Douro 2008 e um Sol de Sol de entrada

O amigo Carlos André nos convidou para o aniversário da Tequila, e foi em grande estilo. A abertura foi com um Sol de Sol Chardonnay 2008. Este é considerado um dos melhores Chards chilenos, e eu ainda não o conhecia. O vinho produzido pelas Viña Aquitania tinha notas de abacaxi compotado e melão, com um fundinho tostado. Em boca bastante amplo, mineral e com boa acidez. Um ótimo vinho. Mas confesso que prefiro o Maycas Quebrada Seca, que me lembra mais alguns borgonheses.
E nos tintos, a sequência foi ibérica e muito boa mesmo. Começamos por um Callabriga Douro 2008. Vinho das Casas Ferreirinha, feito com Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional. Esta última reina no inicio, com notas fortes de violeta. A madeira aparece bem após o descorche, mas com o tempo o vinho foi melhorando bastante, ficando mais harmônico. Notas de cereja e ameixa se destacavam em um fundo especiado. Um bom vinho! No entanto, ficou à sombra, e muita sombra, do próximo apreciado, do mesmo produtor. 
Eu não conhecia o danado. Era um Quinta da Leda 2008. Que beleza de vinho! Destaque total! Um equilibrio impressionante. Notas deliciosas de framboesa, ameixa e cassis, em meio a chocolate, leve baunilha, caixa de charuto e café com leite. Em boca, sedosidade pura. Todos ficaram encantados com o vinho, que a meu ver, briga de frente com seu irmão maior Casa Ferreirinha Reserva Especial.
E depois do belo Quinta da Leda, um espanhol de peso: La Vicalanda Gran Reserva 2001. Vinho Riojano produzido pelas Bodegas Bilbaínas. Eu já havia bebido o La Vicalanda Reserva 2004, mas não este top do produtor. Um belo vinho. Aromas de cereja, tabaco e de casca de laranja, e um toquezinho caramelado e de mentol (como bem observado pelo Akira). Em boca, uma ótima acidez e taninos já domados pelo tempo. Não dos mais potentes, e sim, equilibrado. Delícia de vinho ofertado pelo amigo Carlos.
Bem, eu levei o espanhol Casalobos 2005, que não gostei muito. Estava meio sem graça. Fiquei devendo para os colegas um bom vinho.
Ah, vocês devem estar querendo saber quem era a aniversariante... rs. Vai a foto abaixo. A Tequila é a simpática Rottweiler do Carlão, que completou 100 Anos caninos ontem!


sábado, 25 de fevereiro de 2012

Barolo Seghesio La Villa 2004: Justificando o nome de meu blog!

Perdão confrades! Tive que abater este sozinho... Bem, a minha digníssima apreciou uma tacinha também. O vinho foi esta maravilha de Barolo Seghesio Vigneto La Villa 2004. Bem, todos sabem que sou Barolista e Brunelleiro assumido. Portanto, apreciar um Barolo de ótima procedência é para mim um motivo de muita alegria. Os irmãos Aldo e Ricardo Seghesio produziram este vinho a partir de uvas do Cru La Villa, em Monforte D'Alba. Infelizmente, Aldo deixou esta esfera em 2010, e agora, Ricardo e seus filhos são os responsáveis pelos menos de 10 hectares de vinhas, dos quais apenas 4 são dedicados à Nebbiolo. Este Barolo La Villa 2004, em particular, foi número 14 da Wine Spectator em 2008, com 95 pontos e elogios rasgados (merecidos, diga-se de passagem). Sua vinificação foi feita em tanques de inox e a maturação em barricas de carvalho francesas por 24 meses, com adicionais 12 meses de descanso em garrafa antes da comercialização. Este 2004 é um vinho muscular, denso, concentrado, com aromas riquíssimos que, como um bom Barolo, foram se sucedendo durante a apreciação. Eram camadas e mais camadas. O vinho tinha aromas de cerejas pretas, ameixa, rosas, alcaçuz, café, terrosas, de tabaco e couro. Quem conhece Barolo, e tem paciência para esperar sua evolução na taça, sabe do que estou falando. E em boca, amplo, com taninos presentes mas bem domados, e final longuíssimo! Que vinho! Perfeito para pratos densos, como o belo Risoto ao vinho tinto com linguiça que o acompanhou. Bem, como eu mencionei no título da postagem, é vinho que justifica muito bem o nome de meu blog: "Vinhobão!". A propósito, é importado pela Vinci. Só que este 2004... Não tem mais não. E a outra garrafinha que tenho na adega ficará lá por uns bons anos para que eu apreciá-lo mais senhorío.
Nota (repetiviva): Barolo tem que respirar! Não se preocupe, ele não se perde como vinhozinhos fraquinhos por aí. Pelo contrário, ele ganha muito com aeração. Tomá-lo logo após o descorche pode causar decepção aos desavisados... É vinho para pessoas pacientes.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Herdade do Grous Reserva 2005, Crasto Vinhas Velhas 2008 e um Tokaji Hetszolo 2000 para arrematar!

Ontem mandamos ver em dois portugueses de responsa, que não desagradaríam nenhum enófilo de bom gosto. O primeiro, que levei para os amigos foi o alentejano Herdade do Grous Reserva 2005. A bela vinícola alentejana Herdade do Grous produz poucos vinhos. O colheita é produzido todos os anos, tanto o branco quanto o tinto. Os Reservas (branco e tinto) apenas em grandes safras, e o 23 Barricas (feito com Syrah e Touriga Nacional), apenas em safras excepcionais. Há também o Moon Harvest tinto, feito com Alicante Bouschet colhida na fase de maior influência lunar, segundo a vinícola. Aliás, a Alicante Bouschet tem participação importante nos vinhos desta vinícola.
Eu apreciei tempos atrás algumas garrafas do colheita tinto, que é muito bom. Mas este Reserva 2005 que levei para os amigos ontem fica alguns bons degraus acima em sofisticação e complexidade. O vinho é feito com Alicante Bouschet, Syrah e Touriga Nacional e matura 12 meses em barricas novas de carvalho francês. É riquíssimo em aromas, com notas de cereja, amora e ameixa, em meio a alcaçuz, tabaco e chocolate. Em boca é untuoso, amplo, denso, com tudo muito equilibrado. Os taninos são levemente terrosos. Uma beleza de vinho! Entre os melhores.
E como a noite era portuguesa, com certeza, o JP levou um nosso amigo constante, que todos adoramos, e que já foi comentado aqui no blog várias vezes. Desta vez, foi o duriense Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2008. Já apreciamos este danado antes, inclusive, em um belo embate com o Meandro 2008 (Veja aqui). Este de ontem parece que estava ainda mais gostoso que o primeiro. Aromas frutados deliciosos, com destaque para a cereja e cacau. Em boca, repetia o nariz e mostrava taninos sedosos e muito equilibrio. Uma delícia de vinho, sempre!
E para fechar a noite, levei um garrafa do Tokaji Hetszolo 2000 para os amigos apreciarem com a torta síria que o Fernandinho sempre oferece. Dias atrás eu já havia aberto outra garrafa deste mesmo vinho e comentado aqui no blog (veja aqui). Desta vez, fui menos "egoísta" (rs) e dividí com os amigos. E como não poderia deixar de ser, eles gostaram do néctar rico em notas de mel e amêndoas.
Bem, como de costume, mais uma noite de belos vinhos...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Alguns belos lugares para quem gosta de vinho

O Portal Terra divulgou uma lista de hotéis para quem gosta de viajar e é amante do vinho. Veja abaixo as fotos e o texto da reportagem. Realmente, locais de extremo bom gosto.

Castello Banfi Il Borgo, Toscana, Itália: a família Mariani, dona dos famosos vinhos italianos Castello Banfi, tem um hotel de luxo dentro de sua propriedade, ao lado de um castelo medieval. Com 14 quartos e uma piscina com vista sobre os vinhedos da Toscana, o Il Borgo é um dos melhores destinos para qualquer amante do vinho.

Park Hyatt, Mendoza, Argentina: situada em frente à cordilheira dos Andes, a cidade de Mendoza é conhecida por produzir os melhores vinhos da Argentina e alguns dos melhores da América latina. Na região existe uma rota do vinho, que passa por belas áreas rurais e numerosas adegas e vinhedos. Em Mendoza, capital da província homônima, a bebida está também muito presente, com lojas dos maiores vinhos argentinos, adegas, wine-bars e restaurantes com os principais rótulos da região.

Meadowood, Vale de Napa, Califórnia, EUA: além de um dos melhores restaurantes da Califórnia, com três estrelas no guia Michelin, o Meadowood é também um hotel de luxo no Vale de Napa, principal região produtora de vinho dos Estados Unidos. Em meio aos vinhedos, o hotel tem oferece aos hóspedes degustações privadas e palestras de especialistas.

Healdsburg, Vale de Sonoma, Califórnia, EUA: vizinho do condado de Napa, a 50 km de San Francisco, o Vale de Sonoma também produz excelentes vinhos californianos, mas mantém um ambiente mais tranquilo e relaxado, com menos turistas. O Hotel Healdsburg é o melhor ponto gastronômico da cidade, com seu delicioso restaurante Dry Creek Kitchen e numerosas degustações.

Domaines des Hauts de Loire, França: a 2h de Paris, no coração do charmoso vale do Loire, com seus castelos e sua rota dos vinhos, o Domaine des Hauts de Loire é uma antiga mansão com 25 quartos, usada antigamente pela nobreza francesa. Hoje, a mansão de contos de fada foi transformada em um luxuoso hotel.

Le Quartier Français, Vinhedos do Cabo, África do Sul: a África do Sul tem tido uma reputação cada vez melhor da qualidade de seus vinhos, produzidos principalmente na região dos Vinhedos do Cabo. A 75 km da Cidade do Cabo, o vale de Franschhoek é um dos principais produtores do país, e é no coração dessa região que se encontra o charmoso hotel Le Quartier Français.

Chateau Yering, Vale de Yarra, Austrália: versão australiana de Napa, o vale de Yarra é uma região rural pitoresca a 1h de Melbourne. Nos últimos anos, vinhos da região têm sido premiados junto às áreas mais tradicionais. O Chateau Yering, uma mansão vitoriana do século 19, é um local perfeito para uma escapada para conhecer os melhores vinhos do local.

Hotel Marqués de Riscal, La Rioja, Espanha: Em meio às paisagens rurais da região vinícola de La Rioja, no norte da Espanha, uma estrutura futurista surpreende os olhos daqueles que passam pela pequena cidade medieval de Elciego. Trata-se da Cidade do Vinho, complexo de 100 mil m² construído pelo famoso arquiteto Frank Gehry, e que combina o hotel Marqués de Riscal, nome de uma das maiores marcas de vinho da Espanha, com a adega da marca.

Les Sources de Caudalie, Bordeaux, França: Muito mais que um hotel para amantes de vinho, o Les Sources de Caudalie é um dos hotéis-spa mais famosos do mundo, com tratamentos de vinhoterapia. Situado em Martillac, na região de Bordeaux, o hotel tem um restaurante estrelado pelo guia Michelin, o La Grande Vigne, com mais de 15 mil vinhos diferentes.

Reid's Palace, Madeira, Portugal: a cerca de 600 km da costa africana, o arquipélago das Madeiras tem como capital a cidade de Funchal. Neste marco de ilhas vulcânicas no Oceano Atlântico, o hotel Reid´s Palace, da cadeia Orient Express, oferece muito luxo e a oportunidade de conhecer Madeira e seus vinhos.

Para ver a reportagem original da qual as fotos e texto foram compiladas, clique aqui

Elvio Cogno Langhe Montegrilli 2008 - Arrebatou meu coração!

A vinícola piemontesa Elvio Cogno pertence a uma família que tem se dedicado à produção de vinhos por quatro gerações. Ela fica na belíssima Azienda Agrícola Elvio Cogno, na comuna de Novello, na zona de Barolo. A propriedade se dedica exclusivamente à produção de uvas autóctones (Nebbiolo, Barbera, Dolcetto e Nascetta). Seus vinhos têm sido altamente elogiados pela crítica especializada. Recentemente eu adquiri alguns deles, e ontem, experimentei o primeiro: Elvio Cogno Langhe Montegrilli 2008. É um vinho feito com a maravilhosa Nebbiolo (50%), que tanto gosto, e Barbera (50%). O afinamento é feito por 12 meses em barricas Allier de segundo uso, e o vinho descansa por adicionais 6 meses em garrafa antes de ser comercializado. Ao abrí-lo e sorver na taça, já suspeitei da beleza que estava por vir. A bela cor rubi, límpida e transparente, acenava para um vinho fino e de alma italiana. Os aromas de pétalas de rosas e violetas se manifestaram imediatamente. A fruta, representada pela framboesa e groselha, se mesclava aos aromas florais e e notas especiadas de alcaçuz, com um fundinho de baunilha. Em boca, o álcool estava perfeitamente integrado à uma acidez vibrante e taninos corretíssimos. Aliás, este é o grande destaque do vinho: Equilíbrio perfeito! E o vinho ía se mostrando na taça, enchendo minhas narinas com aqueles aromas deliciosos e persistentes, assim como era o seu final em boca. Que delícia! Bem, os amigos podem dizer que sou suspeito, pois já manifestei inúmeras vezes minha paixão pelos vinhos italianos, mas acreditem em mim: É um belíssimo vinho! Ele agrega tudo que se pode esperar de um vinho: Alegria, vivacidade, equilíbrio e ainda por cima, bom preço! Que mais vocês querem? Eu estou ansioso para abrir a garrafa do elogiado Barbaresco 2008 que adquiri na mesma oportunidade. Deve ser outra maravilha. Na verdade, estou curioso para experimentar todos os vinhos do produtor, pois pelo primeiro, senti que vou ficar altamente satisfeito! Aliás, no site da vinícola se lê que "In vini di Casa Cogno desiderano trasmettere emozioni e farsi recordare: una buona compagnia che allieta l'anima di chi li degusta con l'entusiasmante sinceritá" ou seja, os vinhos da Casa Cogno buscam transmitir emoção e serem lembrados: uma boa companhia que alegra a alma de quem os degusta com entusiasmo e sinceridade (como eu fiz...).
A propósito, mostro abaixo algumas fotos que extraí do site do produtor, onde podem ser encontradas belas imagens da propriedade. Sem dúvida um local paradisíaco como este é inspirador para produção de belos vinhos.
Nota: Os vinhos Elvio Cogno são importados pela Vinosyvinos, que tem, além de todos os vinhos deste produtor, um ótimo portifólio.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Castell de Falset 2003 - Sempre um belo vinho!

O JP nos brindou com este tinto que já é figurinha carimbada na confraria. Era um Castell de Falset 2003. Bem, eu lhes apresentei o 2001 há alguns anos e desde então, a turma sempre aprecia uma ou outra garrafa do danado. É vinho da D.O. Montsant, Catalunha e com assinatura da região. É denso, untuoso e com excelente mineralidade. O vinho é feito com 50% de Garnacha, 25% Cabernet Sauvignon e 25% de uma mescla de vinhas velhas de mais de 70 anos de idade, provavelmente contendo Carignena, Syrah e Tempranillo. A maturação é feita em barricas de carvalho francês novas, por 12 meses, e o engarrafamento é feito sem filtração. O vinho é bastante aromático. A fruta madura se mescla a notas balsâmicas, café e alcaçuz. Em boca é amplo, redondo e muito gostoso. É um vinho que envelhece muito bem e pode ser guardado em adega por anos, tranquilamente. Eu sempre o compro nos Botas-Foras de inicio de ano da World Wine e é compra certa. 

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Monte da Penha Reserva 2003 - Já dobrando o cabo da boa esperança...

Esses dias, passando no Empório Brigante do Mercado de São Carlos, vi esta garrafa do alentejano Monte da Penha Reserva 2003 lá, dando sopa. Resolvi levá-la, principalmente considerando a boa safra de 2003 e também esperar já um vinho evoluído. E não deu outra, o vinho já está em sua maturidade. A fruta já está sobrepujada pelos aromas terciários. Só ficou um fundinho de ameixa... No mais, musgo, tabaco, couro e café. Os taninos já estavam redondinhos, e o vinho é bem seco. É vinho gastronômico e pode não ser bem compreendido, neste momento, por amantes de vinhos frutados e que gostam de vôos solos. Eu gostei dele, mas mesmo gostando de vinhos evoluídos, preferiria tê-lo apreciado 2 anos atrás.

Ps. O vinho é feito com Trincadeira (55%), Aragonês (25%), Alicante Bouschet (18%) e Moreto (2%), sob a batuta dos engenheiros Francisco Fino e Nuno Franco. Estagia 12 meses em barricas de carvalho francês de primeiro e segundo uso e 12 meses em garrafa antes de ser comercializado.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Três belos brancos na confraria: Esporão Private Selection, Maycas del Limari Quebrada Seca e Alvarinho Deu la Deu

E o calor continua forte... Mais uma vez os brancos reinaram na última reunião da confraria.
O Caião, cada vez mais adepto de um branquinho, levou um exemplar muito bom, o Esporão Private Selection 2009. O vinho é um branco superior da vinícola alentejana, e é feito com castas francesas: Semillon (majoritária), Marsanne e Roussane (diferentemente do que relata a Wine Spectator, que cita ser feito com Arinto, Roupeiro e Antão Vaz... Confundiram com o Reserva...rs. Este Private Selection é na verdade o antigo "Garrafeira"). O vinho, de cor dourada bonita, é rico em aromas frutados de pêssego e manga, com um tostado ao fundo aportado pelos 6 meses em barricas novas de carvalho francês. Em boca é amplo, glicerinado e com final especiado. Muito bom mesmo!
Eu levei um Chardonnay que experimentei tempos atrás na Expovinis e que fiquei impressionado: O Maycas del Limari Quebrada Seca Chardonnay 2007. Que vinhão! Para mim ou dos Chards mais elegantes e complexos do Chile. Um nariz muito rico, sem aquele exagero de abacaxi típico, e com aromas de melão, erva doce, pêssego branco e um tostadinho ao fundo bem charmoso. Em boca, muito fresco, amplo, mineral e com final delicioso. Elegância pura! Se você não o conhece, precisa fazê-lo, pois é diferenciado.
O amigo Rodrigo levou um vinho verde, o Alvarinho Deu la Deu 2010. Como estava novo, as notas florais e de maçã estavam lá bem presentes, em meio a muito frescor. Em boca tinha uma acidez vibrante e muita vivacidade. É vinho para acompanhar muito bem peixes e frutos do mar e também ser apreciado sozinho em um dia quente. Sempre um bom custo benefício.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Valduero Crianza 1997 - Ainda vivo

Já apreciei vários vinhos espanhóis das Bodegas Valduero e gosto deles. O Paulão nos ofertou tempos atrás um Valduero Gran Reserva 1999 que estava estupendo, e aguentaria mais uns bons anos de adega (se não tivéssemos abatido o danado, com o maior prazer!). Este Valduero Crianza 1997 já estava na hora de beber. Mesmo assim, com seus quase 15 anos ainda estava meio nervoso. A cor ainda estava forte, levemente avermelhada e com halo de evolução. O vinho tinha borra, e tive que deixá-lo de pé por um bom tempo para ela precipitar. O que me espantou nele foi a acidez e a madeira ainda bem aparente. Ele ficou bom mesmo para beber no dia seguinte, pois logo ao ser aberto tinha um aroma forte de pitanga, meio verde, que superava as notas de cereja do vinho, e que me incomodou um pouco. No dia seguinte este aroma já estava mais sutil, e o vinho, bem melhor. A cereja apareceu, em meio a notas de tabaco, terrosas, toques medicinais e sumo de laranja. Em boca, eu esperava que estivesse mais domado pelo tempo, mas a madeira ainda estava lá em meio a toques herbáceos.  O nariz estava melhor que a boca. Confesso que gostei mais de outros Valduero que bebi, e que esperava mais deste senhor de 15 anos.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

De Lucca Syrah Cuvée Especial 2009 - Algo de errado aconteceu aqui...

Eu gosto dos vinhos uruguaios, por serem bons, autênticos e terem bom preço. Além disso, não é só a Tannat que gera bons vinhos lá. Há também bons vinhos feitos com outras castas. Eu comentei tempos atrás sobre um Syrah de Reinaldo de Lucca, que gostei bastante (veja aqui). No entanto, este De Lucca Reserve Syrah Cuvée Especial 2009, garrafa de 500 ml, me decepcionou. Bem, o nome é grande e pomposo, mas o vinho não é caro. E isso, aliado à reputação de Reinaldo de Lucca, me atraiu. Mas algo de errado aconteceu com esse vinho. Nada da festividade e frescor do outro Syrah dele que bebi. Ao invés disso, excesso de extração, compota demais, doce já ao nariz, com aquelas notas de ameixa pesadas que lembravam até aqueles malbecões argentinos pesadões. Não consegui terminar a taça. Enjoativo demais! Bem, espero que tenha sido algo pontual, por que gostei muito do primeiro Syrah De Lucca que apreciei.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Noite de brancos e dois bons tintos na Confraria: Destaque novamente para o belo Carm Reserva 2007

Nessa última quinta-feira sugeri aos confrades que levassem vinhos brancos ou tintos leves, pois o calor estava bravo... E a noite foi boa!
O Rodrigo levou um RAR Viognier 2010, vinho feito pela associação da Miolo com o empresário Raul Anselmo Randon (daí o RAR). Apesar do vinho passar por 12 meses em carvalho, é bastante fresco e vivo. Notas florais e de pera. Uma boa surpresa. Bom para tomar sozinho ou acompanhando um peixe. 
E para confrontá-lo, nosso amigo Paulão, que nos deu o ar da graça depois de um bom tempo, levou um branco de Paul Jaboulet Ainé, o Le Petit Jaboulet Viognier 2009. É um vinho de ótimo preço e que foi elogiado por Jancis Robinson, que disse ser um vinho superior a outros bem mais caros do Rhone Norte. Diferentemente do RAR, a madeira aparece mais, lhe aportando toques tostados e amendoados bem gostosos, sem mascarar a fruta. Vinho fresco e ótimo para frutos do mar.
Eu levei outro branco, português, regional Terras do Sado, o Adega dos Pegões 2002. Este já era um senhor, com seus 10 anos. Vinho feito com Arinto, Chardonnay e Pinot Blanc, em proporções iguais, e que mostrava notas de abacaxi compotado, nozes, favo de mel e leve amanteigado. Um nariz supreendente. Em boca, muito gostoso, redondo, tudo em cima. Gostei!
O Tonzinho, levou um Pinot Noir americano, o Sonoma-Cutrer Pinot Noir 2006. Logo ao ser aberto, estava fechado (que incoerência, hein? rsrs), mas com o tempo foi se abrindo em notas de frutas silvestres, ameixa, baunilha e um toque terroso gostoso. Vinho muito gostoso, que surpreendeu por não ter aquela doçura típica que os americanos gostam. Precisa respirar para mostrar suas qualidades. Eu gostei do danado.
E para encerrar, o vinho da noite, levado pelo amigo João Paulo. Não era exatamente um vinho leve, mas com um frescor de tirar o chapéu. E novamente, era o duriense Carm Reserva 2007. Esse eu já apreciei algumas vezes (veja aqui, e alí) e não me enjôo (claro, não sou bobo!). Número 9 do mundo na lista dos Top 100 2010 da WS, é um vinho que me agradou todas as vezes que lhe apreciei. E ele não pára de melhorar. Desta vez estava ainda mais aberto que das outras vezes. Estavam lá as notas deliciosas de amoras silvestres, Kirsch e violetas. Em boca, taninos corretos, acidez perfeita, complexo, e com um frescor impressionante. E o legal foi que tomamos um pouco mais resfriado que da próxima vez, e lhe fez bem. Uma beleza! Que bom que ainda tenho uma garrafa dele... Queria muito experimentá-lo mais evoluído, mas vai ser duro resistir.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Tokaji Hétszolo 3 Puttonyos 2000 - Muito bom!


Os húngaros Tokaji são alguns de meus vinhos de sobremesa prediletos. Nada como terminar um bom almoço ou jantar com uma bela taça de Tokaji acompanhando uma bela sobremesa. É fechar com chave de ouro! Ou então, beber acompanhando uma bela fatia de Saint Agur ou Foie Gras. Que maravilha! 
Já comentei aqui no blog sobre alguns que apreciei (Dereszla 5 Puttonyos 1993 e Szamorodini 2004). Antes de tratar deste Tokaji Hétszolo 3 Puttonyos 2000, vou só lembrar brevemente algumas coisas (já batidas...) sobre os Tokaji. Primeiramente, Tokaj é a cidade e Tokaji o vinho. Há Tokaji secos, mas os mais famosos são os doces, feitos com uvas atacadas pelo fungo filamentoso Botrytis cinerea. Portanto, é "o" Botrytis, não "a" Botrytis, como as vezes dizem por aí. Aliás, alguns chamam a (levedura) Brett (Brettanomyces) de "o" Brett... Bem, voltando aos Tokaji, já escrevi aqui sobre um Szamorodini (link acima), que é feito com cachos inteiros contendo uvas botrytizadas e não-botrytizadas. Os Aszú (como são chamados os bagos botrytizados) são feitos apenas com bagos botrytizados, que são selecionados, esmagados e o mosto (chamado pasta aszú) é macerado com o vinho base. O mosto é novamente prensado e fermentado em barriletes de carvalho húngaro por meses ou até anos. A maturação total pode durar de 3 a 8 anos para os aszú e até 15 anos para os Eszencia, que são feitos apenas com o néctar proveniente do mosto, sem mistura com o vinho base. 
Puttony (http://www.antikea.hu)
A classificação dos Tokaji é feita de acordo com a quantidade de aszú adicionada a 136 litros de vinho base.  Os bagos aszú são acondicionados em cestos de madeiras chamados Puttonyos. Cada Putonny (figura) comporta cerca de 25 kilos de aszú. Ou seja, um Tokaji 3 Puttonyos teve 3 cestos de aszú (~75 kilos) adicionados ao vinho base, e assim por diante. Um Tokaji 6 Puttonyos teve 6 cestos, ou aproximadamente 150 kilos de aszú adicionados ao vinho base.
E não é por que é Tokaji, que é bom. Há de se escolher o produtor, assim como os Sauternes. Nomes como Oremus (Vega Sicilia), Royal Tokaji), Disznókö, Hétszolo, Királydvar e Pajzos são referências.
E voltemos a este que mostro na foto e que apreciei dias atrás. É um Hétszolo 3 Puttonyos 2000. Vinho caramelado, com notas de mexerica, damasco seco e um fundinho de gengibre. Tudo isso, em meio à uma acidez perfeita, que não o deixa nem um pouco enjoativo. Vinho do começo da pirâmide dos aszú, e já muito bom! Delicioso!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Uma noite de vinhos mais modestos na Confraria do Ciao

Nesta última quinta-feira foram levados bons vinhos na confraria. Nenhum acima de 100 pilas. E alguns bem abaixo disso. Mas todos agradaram. Eu levei o Duriense Vinha Grande 2007, das Casas Ferreirinha. Já comentei sobre o 2008 aqui no Vinhobão. Este 2007 está um pouco diferente, mais maduro e aberto. Aromas de amora e cereja em meio a notas de chocolate e leve tabaco. Em boca, muito redondo, correto e elegante, como é marca das Casas Ferreirinha. É comercializado pela Zahil, e em São Carlos, pela Mercearia 3M.
O JP estava lá com um vinho embrulhado, que me agradou logo na cor rubi bonita, e ao nariz, com aquelas notas de estrebaria e tabaco, em meio a groselha. Em boca, gostoso, com leve tanicidade, mas nada que incomodasse. Rodrigo e eu chutamos ser um brasileiro, mas nada de acertar a uva. Era um Don Laurindo Tannat 2007. Bem diferente dos Tannat uruguaios, mas com corpo e lembrando vinho francês. Eu gostei bastante.
O Caião levou um Três Palácios Merlot Family Vintage Grand Reserve 2006. Esta vinícola boutique chilena é reconhecida por produzir bons vinhos com a Merlot. Este até parecia um pouco o Don Laurindo, o que nos levou a pensar que o anterior era um Merlot. Mas não tinha aquelas notas de estrebaria e tabaco tão evidentes. O vinho tinha notas de ameixa, groselha e um tostado gostoso. Em boca, encorpado e levemente tânico. Eu gostei dele também. Os vinhos Três Palácios eram comercializados pela Fasano, agora, provavelmente pela World Wine.
O amigo Rodrigo levou mais um daquele série de espanhóis bem pontuados pelo Mister Parker e com bom preço, vendidos pela Grand Cru. Desta vez foi um da região da Calatayud, biodinâmico feito com as uvas Aragon, Provechon (ambas clones de Garnacha) e Carigñena. Era um Pieza el Coll Aragon 2008. Vinho leve, com aromas adocicados de marmelo, que se repetiam em boca. Bem redondinho, doce e fácil de beber. Não decepcionou. Deve agradar a mulherada que é uma beleza (nem todas, claro). Mas peraí Mr. Parker! 90 pontos na média para estes vinhos é brincadeira! Parece que a escala do Parker começa em 90... rs.
O amigo Tom levou um que há tempos não bebia, o Los Vascos Grande Reserve Cabernet Sauvignon 2009. Eu gosto dos vinhos desta vinícola chilena, propriedade dos Rothschild. Ele é sempre correto. Este tinha notas de cassis, café, tostado e grafite. Em boca, redondo, com taninos corretos e um final médio. Também gostei!
Bem, e foi isso, noite com vinhos bons e de bom preço.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Maycas del Limarí Sauvignon Blanc Reserva 2007 - Bom Sauvignon do Limarí

Eu gosto muito dos vinhos Maycas del Limarí, que são produzidos pela gigante Concha y Toro no Valle del Limarí, uma região que tem se destacado pela produção de ótimos Sauvignon e Syrah. Eu gosto muito dos vinhos desta D.O., pois são bem minerais. Já comentei aqui sobre alguns Maycas, como o Reserva Especial Syrah 2005 e o Reserva Especial Sauvignon Blanc 2007, ambos muito bons. Dias atrás apreciei este Maycas Sauvignon Blanc Reserva 2007 da foto, que adquiri no Bota-Fora da World Wine deste ano. Obviamente, ele não tinha o poder e elegância do Reserva Especial, mas estava muito gostoso. Ao nariz, notas de pêra, lima da pérsia e giz. Em boca, boa acidez e toques herbáceos. Apesar de gostar muito de mineralidade, achei que ela se destaca bastante neste vinho. É a única ressalva que tenho.  Mas é sem dúvida um bom vinho, ainda mais pelo preço adquirido no Bota-Fora. E acompanha queijo de cabra que é uma beleza!