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sábado, 27 de novembro de 2010

Señorio de San Vicente 1999, Quintas de Pancas Reserva Especial 2003 e Tokaji Disznoko 1993


Hoje à tarde, e entrando pela noite, tomamos 3 vinhos que me marcaram. Há tempos não tinhamos uma experiência tão bem sucedida. Bem, a comida estava boa: Cordeiro, Bife do Açougueiro, Picanha... e os vinhos, maravilhosos. As companhias agradabilíssimas: Paulão e João Paulo. Vamos aos vinhos. 
O primeiro deles foi um que eu trouxe de Campello, cidadezinha vizinha de Alicante, Espanha. Um Señorio de San Vicente 1999. Um estrondo. Tempranillo envelhecido, de Rioja, de cor atijolada, aromas de cereja e especiados. Em boca, elegante ao extremos e com taninos mais que redondos. O vinho foi ganhando muito depois que foi respirando. Difícil bater este danado - Primeira linha! Se for à Espanha, guarde um lugar na mala para um destes.
O segundo foi um trazido pelo Paulão, o Quinta de Pancas Reserva Especial 2003, de Estremadura (atual Lisboa). Os vinhos da Quinta de Pancas não seguem modernismos. São vinhos elegantes, de corpo médio e que agradam por seu equilibrio e boa fruta. Este estava sensacional. Apesar da idade ainda mostrava boa fruta, principalmente cereja. Depois de um tempo podia-se notar morango, como um borgonha. Complexidade sem igual. Sensacional! Esse não mais, mas outros 2003 devem ter ainda alguns anos de vida. 
E para fechar, abri um Tokaji 1993 5 Puttonyos, da Disznoko. Comprei este vinho também em Campello, sem saber que tinha sido o sexto vinho da WS em 1998. A cor do danado é diferente de todos os outros Tokaji que já bebi. Vejam a foto do vinho na taça ao lado da garrafa. Cor escura, como um bom tinto. Incrível! Parecia um néctar dos Deuses! O melhor Tokaji que já experimentei. No nariz, além do Botrytis, sentia-se uma complexidade incrível. O mais impressionante era o aroma de coco queimado, que combinou demais com o bolo de côco e ameixa que minha amada Terumi comprou. Realmente, uma experiência sem igual. Ainda bem que tenho outra garrafa...

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Vinhos que me marcaram em 2010: Só preciosidades!

Obviamente, não dá para listar todos os vinhos que bebi e gostei. Aliás, seria mais fácil fazer uma lista dos que não gostei... No entanto, vou citar alguns poucos que realmente me impressionaram. Sem dúvida devo esquecer alguns... Não incluo vinhos de degustações, pois conto apenas aqueles que abri a garrafa, tomei tranquilo, com amigos. Vai a lista:

Graham's Porto Vintage 1985 - Uma raridade! Vinho explêndido, para ficar na memória. Sem dúvida o melhor porto que já bebi e para mim, o melhor vinho que bebi em 2010. Levei na confraria para tomar com os amigos. É um vinho de consenso, que recebeu 96 pontos tanto da WS quanto do Mr. Parker.
Siro Pacenti Brunello de Montalcino 1998 - Este bebi com meu amigo Pepe, em casa. Uma delícia de Brunello, estilo mais moderno, mas extremamente complexo e cativante. De mastigar.
Siro Pacenti Brunello de Montalcino 2000 - Outra delícia que levei em meu aniversário para beber com os amigos da confraria do Ciao. Ficou sem identificação, em decanter, e foi eleito por todos (até aqueles que não gostam muito dos Italianos, como o Caio...), como o melhor da noite. Eu concordo! E olha que nesta noite levei Quinta do Vale Meão, Renacer, Santa Helena Don, Chambolle Musigny e um Sauternes.
Châteauneuf-du-Pape Les Vieilles Vignes 2000 (Domaine du Villeneuve) - Um Chateauneuf tradicional, feito com 13 uvas. Belo vinho! Bebido com meus amigos Pepe e Wilton José, na última visita que o Pepe fez ao Brasil. Complexidade a toda prova. Riquíssimo!
Chateauneuf-du-Pape Les Cailloux Cuvée Centenaire 2001 - Versão especial (e cara) de Lucien e André Brunel para o Les Cailloux. Foi levado pelo meu amigo e confrade Rodrigo Reiff  à uma reunião na casa do Paulão. Eu fiz o papelão de agitá-lo, o que levantou as borras. Mesmo assim, nos deleitamos com o maravilhoso vinho, que é uma beleza. Um dos Chateauneuf mais complexos que já bebi.
Don Melchor 2005 - Um grande chileno que levei à casa do Paulão para apreciar, junto com o confrade João Paulo. Uma beleza de vinho. Cassis maduro em meio a notas balsâmicas e alcaçuz. Já amaciado pelo tempo, mas guardei uma garrafa para apreciar daqui a uns anos.
Don Melchor 2006 - Esse foram várias garrafas. Uma levada pelo João Paulo em seu aniversário, e que às cegas bateu vários outros vinhões. Os outros foram levados pelo amigo Caio, que pelo jeito ficou sócio da Concha y Toro. Estilo mais macio que o 2006, mas com igual riquesa. Muito sedoso.
Chateau La Fleur-Petrus 2002 - Grande vinho oferecido pelo amigo Tom para comemorar o nascimento de seu filho. Só lembrando que, apesar do nome, não é o segundo vinho do Petrus, e sim, vizinho dele e do La Fleur. Fruta madura, notas tostadas e mineralidade. Dos grandes.
Barca-Velha 2000 - Um ícone português que bebemos na especial de final de ano da Confraria. Um belíssimo vinho, que a meu ver, pode envelhecer mais. Mas o carimbo Ferreirinha estava lá... Elegância pura!
Pera-Manca 1997 - Apesar de achar que já estava dobrando a esquina, este vinho é um ícone e muito particular. Levei ao Ciao Bello e apreciei junto com meus amigos Paulão e Fernandinho. Um vinho particular. Provavelmente muito diferente dos atuais, que contam com a assessoria de Michel Rolland e devem estar mais internacionais. Vinho para não esquecer.
Migliara 2006 - Vinho italiano de Luigi Alessandro. Uma maravilha engarrafada. Nenhum dos outros vinhos que bebi é melhor que ele. Um Syrah estupendo, que deve se abrir ainda mais nos próximos anos. Elegância pura! Justifica os 98 pontos da WS. Tomamos na especial de final de ano.
Quinta do Vallado Reserva 2007 - Este também foram várias garrafas. Mas a que mais me marcou foi bebida na companhia do Paulão, em sua casa, na copa do mundo, após um jogo do Brasil. Lembro também do Carré de Cordeiro com Risoto de Morango maravilhoso que sua esposa Regina fez. Combinação perfeita!
Rubaiyat Syrah 2006 - Vinho espanhol natural que bebi em Granada, no Restaurante Ruta del Azafran. Uma beleza de vinho, sem filtrar, com grande personalidade. Infelizmente não comercializado no Brasil (ainda). Se for a Granada, coloque um desses na mala.
El Linze Syrah 2007 - Outro espanhol, que bebi em Alicante. Também não é encontrado no Brasil. Uma beleza, encorpado, com bela acidez e mineralidade. Um Syrah de primeiro time.
Vega Sicilia Valbuena 1998 - O segundo vinho do mítico Vega Sicilia. Tomei com o Fernandinho no Restaurante Ciao Bello. Uma beleza que dispensa comentários.
Pagos Viejos 2000. Vinho top da espanhola Artadi, que bebi em Segóvia acompanhando o sensacional cochinillo de Segóvia. Um Rioja estupendo! Inesquecível. Tudo no perfeito lugar.
Quinta de Pancas Reserva Especial 2003 - Vinho português que infelizmente a Mistral não mais comercializa. Um grande vinho levado pelo Paulão recentemente para tomarmos em casa, junto com o João Paulo. Estava muito elegante e envelhecido no ponto certo.
Tokaji Disznoko 5 Puttonyos 1993 - Um Tokaji com 17 anos e com cor, nariz e sabor particulares. Eu adorei. Vinho particular que comprei em Alicante.
Chateau Rieussec Sauternes 2005 - Como cita a WS, um doce engarrafado! Maravilha de Sauternes, de uma grande safra. Destaque absoluto no final da especial de final de ano.

sábado, 15 de outubro de 2011

Só grandes vinhos na última reunião da confraria!!! Mais uma de impressionar!

Nesta última reunião da Confraria do Ciao comemoramos o retorno de nossos confrades Paulão e Tom, que estavam viajando com suas famílias. A lista de vinhos foi de babar! Preparem-se...
Mineralidade!
O primeiro a ser descorchado foi o espanhol do Priorato Vall Llach Embruix 2005, levado por este que vos escreve. Eu gosto muito dos vinhos do Priorato, que têm muita personalidade, são concentrados e possuem bela mineralidade. Vall Llach é uma vinícola relativamente nova, criada em 1990. Seus primeiros vinhos foram lançados em 1998 e desde lá, têm acumulado prêmios e elogios da crítica especializada. São apenas 3 vinhos produzidos: Embruix, Idus e o top Vall Llach. O Embruix é feito com uvas de videiras mais jovens e têm uma crianza de 14 meses em barricas francesas levemente tostadas, de segundo e terceiro uso. O corte é 38% Garnacha, 26% Cariñena, 15% Cabernet Sauvignon, 15% Syrah e 6% Merlot. É um vinho muito rico, tanto em aromas quanto em boca. Muita fruta madura (ameixa, cassis e amora) mesclada a notas de chocolate, balsâmicas e de especiarias. Como todo bom Priorato, muita mineralidade! Um belo vinho, que mostrava-se áspero em boca no início, e que precisou de umas 2 horas para amaciar. Mas depois disso, perfeito! E fez uma pareceria maravilhosa com os embutidos ibéricos levados pelo Tom. O amigo Margarido disse ter adorado. Bem, eu sou suspeito, mas também gostei muito. Mas vou deixar a outra garrafa uns bons anos na adega descansando, assim como a de seu irmão maior, Vall Llach. Eles estão novos ainda. Os vinhos Vall Llach são importados pela Expand. Aliás, este exemplar eu adquiri em uma excelente promoção.
Elegância pura!
O Caio levou uma maravilha portuguesa, do Alenquer, o Quinta do Monte D'oiro Reserva 2006. É um vinho que já foi considerado por João Paulo Martins um dos melhores de Portugal. É feito com 95% Syrah e 5% Viogner, fermentadas juntas, ao estilo dos Côte Rotie. Aliás, a vinícola tem parceria com a Maison Chapoutier. Uma beleza de vinho, equilibrado ao extremo. Ao nariz, notas de amora madura, florais e chocolate. Em boca repetia o nariz, com muita finesse. Os taninos estavam redondos e o final longuíssimo. Vinho de primeiríssima! É importado pela Mistral.
Multicamadas!
O nosso amigo Paulão levou um argentino de Zuccardi, já comentado aqui no blog (clique aqui), o Zuccardi Zeta 2007. É um vinhaço! Aliás, o 2006 foi eleito o melhor em uma degustação às cegas somente com tops argentinos, recentemente conduzida por Marcelo Copello e Wines of Argentina. E olha que havia poderosos na peleja, como o Catena Adrianna 2003, Yacochuya 2006, Cobos Bramare Marchiori 2006 e outros. Aliás, todos estes já apreciados e comentados aqui no blog. Esta garrafa do Zeta já se abriu um pouco mais em relação à última que bebemos. O vinho é feito com 68% de Malbec, 18% Cabernet Sauvignon e 14% Tempranillo. É complexo, cheio de camadas. Notas de amora, ameixa, figo e balsâmicas. Em boca é muito amplo, denso e com final longo. Uma beleza de vinho! Perfeito para carne assada! É importado pela Ravin.
O denso!
O confrade Rodrigo levou um outro argentino top, o Val de Flores 2006. O do ano de 2005 já apreciamos por duas vezes e já foi comentado aqui no blog (clique aqui). Este, da bela safra de 2006, estava também delicioso. Aliás, me pareceu ainda melhor que o 2005. Notas de ameixa e figo se mesclavam a notas tostadas e de baunilha. Em boca mostrava potência mas também muita elegância. Os taninos estavam macios e sedosos. Uma delicia que teria muitos anos pela frente! Vou guardar uma garrafa que tenho para apreciar daqui a alguns anos.
A unanimidade!
O amigo Margarido, confrade "flutuante", nos brindou com um grande Lindaflor 2002. O Lindaflor é figura sempre presente na confraria, e já apreciamos algumas garrafas dele (2002 e 2003). Este, da espetacular safra de 2002 na Argentina, estava divino. Nove anos e ainda com muitos pela frente. É vinho potente, denso, mas muito elegante e de uma presença incrível. Notas clássicas de ameixa e figo, mescladas a um tostado gostoso e alcaçuz. Em boca, denso, amplo, aveludado e com final interminável. Uma maravilha de Malbec! A meu ver, sempre entre os melhores Malbecs argentinos.
A modernidade!
E o amigo Tom, retornando de viagem, levou um vinho embrulhado, para tentarmos acertar. O Caio chegou bem perto. Era o argentino Tikal Locura 2006, de Ernesto Catena. Este vinho, tempos atrás, provocou grande agito em um Tour Mistral. É um corte inusitado de Malbec (85%), Bonarda (10%) e Torrontés (5% - fermentada junto com a Malbec). Bem, a Malbec reina, mas a Bonarda dá o ar da graça com fruta compotada e toques florais. Notas densas, até doces, de ameixa, figo, tostado e café com leite. É um vinho potente, novo mundista típico, daqueles para serem mastigados. É equilibrado, muito gostoso e perfeito para acompanhar as belas carnes assadas pelo amigo Tom! Acredito que deve envelhecer muito bem.
"Hors-concurs"!
E o JP? Bem, não deixou por menos: sacou do coldre um estupendo Brunello de Montalcino Altesino 1995! Como comentei com o amigo Rodrigo, grandes Brunellos, de grandes produtores, e com mais de uma década, são "hors-concurs". Esse Altesino estava divino. Não há outra palavra. Denso, com notas de cereja e florais mescladas a notas de tabaco, couro, alcaçuz e terrosas. Em boca, uma explosão! Qualquer elogio é pouco. Que maravilha!!! Para tomar sentado, olhando para o infinito e agradecendo a vida.
A sedosidade!
E como o pessoal ainda não estava satisfeito, busquei na adega um Ribera del Duero dos grandes, um Arzuaga Reserva Especial 2001. Esta bodega, criada no início dos anos 90, é vizinha de nada menos que Vega Sicilia e Pingus. Precisa mais? O empreendimento tem ainda um hotel 5 estrelas com Spa. Seu enólogo, Jorge Monzón, trabalhou no Domaine de la Romanée Conti e Vega Sicilia, de onde foi para a Arzuaga Navarro. Este Reserva Especial é um vinho top da casa, abaixo apenas do Gran Reserva e do raro (e caro) Gran Arzuaga. O vinho é feito com Tempranillo e maturou 24 meses em barricas novas de carvalho frances. É um espetáculo! Ao nariz é riquíssimo, com notas de ameixa, cereja marrasquino, bala toffee, alcaçuz e canela. Em boca, repetia o nariz e tinha uma sedosidade incrível. Para mim, estupendo! Entre os grandes espanhóis.
A raridade!
Bem, e para finalizar, depois destas maravilhas todas que acompanharam as belas carnes assadas pelo Tom, apreciamos um Tokaji Disznoko 5 Puttonyos 1993 com Foie Gras levado pelo JP. Já comentei sobre este mesmo vinho aqui no blog (clique aqui). É um vinho particular, já  com seus 18 anos, com notas de côco deliciosas e perfeito para acompanhar o Foie Gras. Um néctar dos deuses!
Ufa! Chega! Só posso dizer uma coisa sobre esta noite: INESQUECÍVEL!

As feras reunidas!