domingo, 16 de setembro de 2018

Calcu Reserva Especial Cabernet Franc 2014: Bom preço

Calcu Reserva Especial Cabernet Franc 2014: Não tem a categoria de seu irmão Futa mas mostra boa qualidade pelo preço (que é bem menor que de seu irmão Futa). Mostra que os chilenos também sabem trabalhar bem a Cabernet Franc. Metade do vinho é maturado em madeira. O restante, inox. Aromas de amoras, chocolate amargo, tabaco, tostados e leve pimenta. Em boca, boa presença, acidez correta e bons taninos. Final levemente apimentado. Bom vinho pelo preço. 




Primeiro Festival do Queijo da Canastra e Convidados em minha Passos, MG

Nesse último final de semana fui a Passos ver minha amada família. Foi a primeira vez que os vi depois da despedida de nosso amado pai. Além de reve-los, fui a um ao Primeiro Encontro Canastra e Convidados, no antigo mercado municipal. Nasci comendo queijo da Canastra. Meu lanche na escola era pão com uma boa fatia de queijo meia-cura. Aliás, os queijos estavam em tudo: Derretidos no mingau de fubá pela manhã, tostado em espeto na brasa do fogão à lenha, na pamonha (que sem queijo não é pamonha!), no pão-de-queijo (claro!), na sobremesa com goiabada, doce de leite ou qualquer outro doce, e por aí vai... E é claro que eu não poderia perder uma dessas. Foi legal, pois além de tudo, pude encontrar amigos de infância e matar as saudades. 
Queijos foram muitos, no estande do Geraldo, da Venda do Mineiro; no estande da APROCAN (Associação dos produtores de queijo da Canastra) e outros tantos.
No Geraldo provei um belo Canastra da Lúcia, maturado com perfeição, macio e rico em sabores. Lá tinha também o premiado Canastra do Guilherme (Capim Canastra), Onésio, Ivair (com bela casca), Reginaldo etc. Foram para a cesta o Capim e o Pingo do Mula (com bela casca, massa branca, lisa e sabor pronunciado - Canastra tradicional).
Do lado do estande do Geraldo, o estande da APROCAN, com vários queijos. Destaque para o produtor Humberto, que estava lá mostrando o seu Canastra Real, que bate de frente fácil com um bom Emmental. Ficará uma beleza com mais tempo de maturação. Seu Canastra normal também é muito bom, firme e maduro. Também lá o Canastra da Marisa (com cobertura de mofo branco e massa bem branca, macia e saborosa), Daniel (massa bem branca, mais seco e firme), Antônio e Miguel (massa fina, cremoso por dentro,  leve e saboroso, lembrando o Pingo de Amor - Gostei muito). Mandei para a cesta o canastra do Miguel, Antônio, Marisa e Humberto (mais amarelo e maduro). Todos ótimos!


Desta feita, foi sem vinho. Mandei mesmo foi uma ótima APA Passense, que combinou muito bem com os queijos mais curados, inclusive, um de Cabra maturado.
Ano que vem tem mais, e estarei lá de novo!





quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Giorgio Primo 2008, Amarone Tommasi 2007, Zuccardi Aluvional Gualtallary 2013, Chateauneuf du Pape Chemin des Papes 2012 e Domaine de Montille Volnay 1er Cru Les Brouillards 2008

Fazia um bom tempo que o Tonzinho não nos brindava com suas habilidades culinárias. Desta vez mandou uma boas carnes e um macarrão à carbonara de tirar o chapéu. E para acompanhar, ótimos vinhos. O rei da noite, para mim, foi o Giorgio Primo 2008 levado pelo JP. Apesar de terem tirado a Sangiovese do corte (este 2008 é feito com Merlot, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot), o vinho continua grande. Perfumado ao nariz, com notas florais, de madeira bem colocada, amoras, café e minerais. Em boca, repete o nariz e mostra grande frescor e mineralidade. Camadas de taninos e final longo e mineral. Uma beleza de vinho! O Caião disse que já levou outras vezes para gente. Só se foi para a outra confraria que ele participa, pois na nossa, nunca levou. Bebemos o belo e premiado 2006 em um final de ano (clique aqui). Eu bebi um excelente 2004 tempos atrás. É um grande vinho, sempre.
Mas a noite teve outros vinhões, mostrados nas fotos abaixo.

O da esquerda, um Chateauneuf-du-Pape Chemin des Papes 2012, levado pelo Caião, não me agradou. Meio rústico, madeira aparente, certo amargor. Não me convenceu.
O do meio na foto é um Amarone della Valpolicella Clássico 2007, levado por este que vos escreve. O tempo lhe fez muito bem. E olha que não sou lá muito fã de Amarone. Mas este estava no ponto certo, com muita vida, aromas florais, cerejas secas, passas e toques minerais. Em boca, ótimo volume, ótima acidez e taninos sedosos. Final longo e levemente adocicado. Um belo Amarone!
O Thiagão mandou bem e levou um Zuccardi Aluvional Gualtallary 2013. Aqui o destaque total foi para os aromas de ervas frescas que exalavam do vinho, principalmente a sálvia, bem saliente. Em boca, ótimo frescor e taninos finos. E a sálvia, tava lá... Um vinho bem diferente dos Malbecs tradicionais. Diferenciado! Para carne assada e alguns anos mais na adega. Ótimo vinho!
E como o Tonzinho ainda não estava satisfeito, foi na adega e trouxe o Domaine de Montille Volnay 1er Cru Les Brouillards 2008, que estava uma delícia! Aromas de frutas maduras, morangos, cerejas, notas amadeiradas e terrosas. Em boca, acidez moderada e fruta madura. Taninos sedosos e final frutado. Muito gostoso! Para encerrar a noite com classe.





segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Casa Rivas Gran Reserva Carmenere 2013

Carmenére tem que ser bom para me chamar a atenção. E este Casa Rivas Gran Reserva Carmenere 2013, que foi un regalo de mi hermano cubano-chileno y brasileño de corazon, Ariel, me agradou bastante. Cor bonita, rubi escura, e muito aromático ao nariz, com notas de cerejas pretas, cassis, especiarias, cacau e é claro, aquele toque herbáceo da Carmenére. Em boca mostrava ótima estrutura, acidez vibrante e camadas de taninos. Final longo e frutado. Muito bom vinho, que ganhou bastante com tempo em taça. Excelente companhia para um churrasco. Carmenére distinto!





quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Casa Silva Cool Coast Pinot Noir 2016: Muito bom!

Se você quiser comer bem em Piracicaba, em um ambiente legal e pagando preço de prateleira no vinho, vá até o Pavanelli. Tenho boas e antigas lembranças do local, que me foi apresentado pelo saudoso amigo Eugênio Ulian, que infelizmente, não está mais entre nós. Mas na época o local era bem mais simples. Atualmente, conta com um ótimo portifólio e um mezanino bonito, onde fica o restaurante. O bom é que podemos pegar o vinho na prateleira e levar para o restaurante, sem nenhum custo adicional (só os 10% do serviço, que aliás, é muito bom). Ah, e o preço dos vinhos é bom. Para ter uma ideia, pagamos 80 e poucas pilas neste Casa Silva Cool Coast Pinot Noir 2016. Já vi bem mais caro no mercado. Como o próprio nome diz, o vinho vem da costa fria do Vale do Colchágua. Aromas de morangos maduros e framboesas, em meio a toques terrosos e amadeirados. Em boca mostrava ótima acidez, que lhe aportava frescor, e taninos sedosos. A fruta dá o tom, mas sem exagero de extração. Um ótimo Pinot Noir da Casa Silva, típico novo mundo, que escoltou com maestria um excelente Carré de Cordeiro com Risoto de Abobrinha. Acerto no vinho e na comida!





terça-feira, 4 de setembro de 2018

The FranQ rouge 2014, de William Févre: Feito com uma uva que aprecio muito!

The Franq Rouge 2014: Um ótimo Cabernet Franc de quem é craque com a Chardonnay. William Févre caprichou neste CF, de produção pequena (pouco mais de 1.000 garrafas) e que tem uma pitadinha de Cabernet Sauvignon. Vinho com ótima pegada, fruta viva, azeitona preta, chocolate amargo, tostado, madeira na medida e final longo e prazeiroso. Os bons taninos lhe dão bom nervo. Se destacou em uma feira de vinhos da Mercearia 3M em São Carlos, disputando a ponta com um ótimo Esporão Reserva 2015, que está uma beleza (e não sei por que, ainda não postei sobre ele)! 







Alto de la Ballena Tannat Blend 2015: Bom e barato!

Estava em Piracicaba a trabalho e à noite fui jantar no Empório Santa Therezinha, na companhia dos amigos Helaine, Maria Helena e Luiz. Gosto do local, onde se come bem, o atendimento é bom e pode-se pegar o vinho na prateleira e levar para a mesa, pelo mesmo preço. Isso é muito bom. Eu escolhi o vinho, de ótima safra no Uruguai, que agradou a todos. Este Alto de la Ballena Tannat Blend 2015 é de produção pequena (apenas 2700 garrafas) e tem a Tannat como uva majoritária (60%), sendo cortada com a Merlot (30%) e Cabernet Franc e Syrah dividindo o restante. Um corte muito interessante. O vinho tem curta passagem pela madeira, o que faz com que a fruta seja a protagonista. Aromas de amoras maduras, framboesas, leve tostado, baunilha e outras especiarias doces. Em boca repete o nariz, mostra boa acidez e taninos docees. É um vinho redondo, sedoso e com destaque para a fruta. Perfil moderno e muito bem feito. Gostei bastante, ainda mais pelo preço (56 Reais muito bem pagos!). Se encontrar, pode colocar na cesta que não ficará decepcionado. Muito fácil de agradar. Vi em alguns lugares um pouco mais caro, mas ainda vale o preço, tranquilamente. O vinho é uma boa apresentação da vinícola, sugerindo que os vinhos superiores devem ser muito bons.




segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Facundo 2009, de Garcia e Schwaderer

Depois do Marina e Sofia - belos nomes, a propósito - o Facundo 2009, do casal Garcia e Schwaderer (Bravado Wines), que integram o MOVI (Movimento dos Vinhateiros Independentes do Chile). Não tenho certeza do corte, mas a Carignan parece ser majoritária (50%), cortada com Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Petit Verdot. Ameixas, cassis, chocolate e especiarias doces. Bem macio em boca, redondo, com taninos doces, e final levemente amadeirado. O que eu queria mais dele? Um pouquinho mais de nervo, mais acidez e taninos mais pegados. Aí, tocaria o sino. Talvez na juventude o fizesse. Seus irmãos, ou irmãs, Marina e Sofia (Pinot Noir), badalaram mais. Um dia, o outro Sofia (Syrah) pintará por aqui.





quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Caros leitores! Tive problemas no recebimento dos comentários!

Caros amigos! Aconteceu algo estranho no blogger e não recebi comunicação por email de vossos comentários. Vou responde-los agora. Só hoje fiquei sabendo disso. Mas já recebi uma mensagem do blogger reparando as coisas. Perdão pelo inconveniente!

Abraços,

Flavio

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Quinta da Fata Reserva 2009: Muito bom!

 A Quinta da Fata foi construída no final do século XIX e é uma propriedade muito bonita, arborizada e que possui quartos disponíveis para turismo. Localiza-se entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo, à direita do Rio Dão. Este Quinta da Fata Reserva 2009 compõe o portifólio enxuto da Quinta, que além de 4 tintos, produz um Encruzado. O Reserva é feito com Touriga Nacional, Tinta Roriz e Alfrocheiro. A cor é granada, escura, e os aromas de amoras e ameixa preta, em meio a notas herbáceas, de folhas secas, balsâmicas e tabaco. Em boca, repete o nariz, é seco e mostra boa acidez e final herbáceo. Com o tempo vai mudando, principalmente em boca, onde vai ficando cada vez mais redondo. É um vinho com bom frescor e taninos finos. Gastronômico por natureza. Dão típico, muito agradável e de bom preço. Digo e repito: Sou fã dos vinhos do Dão! Paguei ótimo preço no Super Nosso, de BH. Mas acho que agora eles só têm o Clássico. Se encontrar este reserva, não hesite. Ele é a prova de que, para ser bom e complexo, o vinho não precisa, necessariamente, ser caro.






terça-feira, 21 de agosto de 2018

D de Donoso 2007: 11 anos e em ótima forma!

Tempos atrás provei este vinho em degustações distintas. Uma, na verdade, era a eleição dos Top 5 do Encontro de Vinhos de Ribeirão Preto. Na ocasião, ele ficou em primeiro na minha lista (ainda que nem tenha figurado na lista final do evento). Mas o vinho, feito com Cabernet Sauvignon, Carmenere, Malbec e Cabernet Franc, mostrava ótima estrutura e potencial de envelhecimento. E isso se confirmou com este que bebi semanas atrás. O vinho mostrava o pedigree chileno, com a fruta (cassis e ameixa) envolta nas notas de pimenta e amadeiradas. Mas não tinha exagero de pirazina e era bem agradável. Não mostrava o sinal dos tempos, contrariando muitos que dizem que os vinhos chilenos não são muito longevos. Este, com 11 anos, estava em plena forma. Muito bom!

Nota: A Casa Donoso fica no Maule, na região de Talca, cidade onde vive mi hermano Cubano/Chileno Ariel.




segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Chianti Clássico San Giusto a Rentennano Riserva Le Baroncole 2007: Nome grande, vinho também!

Chianti Clássico San Giusto a Rentennano Riserva Le Baroncole 2007: Abri com meu cunhado Bú, que aprecia muito (bons) vinhos italianos. Vinho com 11 anos de idade e ainda em boa forma. Feito com 97% Sangiovese e 3% Canaiolo, com maturação em botti e barricas francesas. Aromas de cereja preta, balsâmicos, couro e leve tostado. Em boca estava macio, ainda com bom frescor, taninos redondos e final médio para longo. Devidamente amaciado pelo tempo. Muito gostoso e par perfeito para massa com molho vermelho. Chiantão de responsa!





domingo, 12 de agosto de 2018

Meu Barolo se foi... Que saudades terei de meu amado pai, o SôRai!

Nosso Raimundinho, em foto quando tinha 70 anos, e muita destreza... 
Há 8 anos fiz uma postagem aqui no blog, em que comparava meu amado Pai com um Barolo. A postagem era curta, direta, como ele era:

"Se ele fosse um vinho seria um bom Barolo: Desconfiado, fechadão, até meio nervoso às vezes, mas com muita coisa para mostrar"...

Há uma semana ele nos deixou, e com ele, levou parte de nossas vidas. 
Tenho lembranças maravilhosas de meu pai. Lembro de cada vez que chegava à tarde em casa depois de um dia cansativo de trabalho. Sua face sofrida, marcada pelo sol de todos os dias e do trabalho duro que desempenhou em toda a sua vida, trazia um sorriso largo, divertido e sincero. Ele não ria à toa. Ria quando achava graça, e pronto. Também não chorava. Minha amada Mãe disse que o viu chorar poucas vezes, e uma delas, foi no dia quando eu sai de casa para estudar em São Carlos. Ela disse que após me ver descendo a rua em direção à rodoviária, ele foi para o fundo de nossa casa, sozinho, e chorou, como poucas vezes fez na vida. 
Eu tive a honra e o prazer de trabalhar com ele durante a minha adolescência (pois é... hoje criança não pode trabalhar...). Ele me ensinou uma profissão, mas mais que isso, me ensinou a ser honesto e me dava a alegria da convivência diária. O trabalho duro era compensado por momentos incríveis de muita alegria. As histórias do SôRai eram incontáveis. Era uma comédia ambulante. Suas tiradas eram incríveis e suas histórias dariam um belo livro. Quem sabe um dia? Mas são tantas, que não dá para contar aqui. Foram anos intensos de convivência. Os momentos foram muitos, em casa, no trabalho, a torcida pelo nosso amado Vasco da Gama, as pescarias... Quantos momentos! Meu pai, Vascaíno de coração, me ensinou a torcer pelo time que tinha uma "filial" em Passos. Como vivo em São Paulo, todos costumam me perguntar: "Por que torce para um time do Rio"? Não precisaria responder, mas hoje, tenho uma só resposta: "Por que aprendi com meu pai"! E quantos momentos torcendo, ouvindo jogos pelo rádio, partidas transmitidas pelo Jorge Cury, Waldir Amaral ou pelo "Garotinho" José Carlos Araújo. Quantos gols do Roberto Dinamite comemoramos juntos! Ele amava rádio... Não gostava muito da TV. À tarde e à noite, ouvia todas as notícias sobre o futebol, ansioso esperando pelas notícias do Vascão. Eu sempre ouvia com ele. Eram momentos ímpares, que me enchiam de felicidade! Quando vim para São Carlos, perdi muito de tudo isso, mas ainda curtia muito a presença do meu querido Pai quando ia a Passos. 
Mas os anos foram passando, e meu gigante de menos de um metro de sessenta, foi envelhecendo. Mas era incrível vê-lo, com mais de 70 anos, subindo em casas e prédios, e andando nas beiradas deles, sem o menor medo, e ainda fazendo gracinhas que nos deixavam todos morrendo de apreensão. Como ele gostava de fazer isso! Era um dos poucos em Passos que se arriscava em telhados das altas igrejas de lá, com uma cordinha simples amarrada na cintura. Era corajoso e, acima de tudo, tinha um equilíbrio invejável! Mas um dia abusou e caiu de cima de uma escada, quebrando a bacia. Na época, fiz até uma música brincando com o episódio...rs. E ele dizia: "Rapaz bobo"...rs.
Mas como um bom Barolo, ele envelheceu... Os anos e o serviço pesado foram impiedosos. E o levaram de nós. 
Neste dia dos pais, quando queria estar com ele lá em Passos, celebrando, estou aqui chorando para conseguir terminar este texto, que é curto para o tanto que seria necessário para falar de meu SôRai... E não há outra maneira de terminar a não ser dizendo que lhe amo muito, que sou orgulhoso de ser seu filho e que será sempre o meu herói!






segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Caramba! Por que eu insisto em ir a grandes degustações?

Já faz tempo que penso muito antes de ir a degustações fora da cidade de São Carlos. Costumo ir muito a São Paulo em degustações da Mistral, Vinci, World Wine, Qualimpor etc. E confesso que estou cansado. Dá trabalho, cansa e custa ir a degustações. Tem a viagem, o hotel, o preço da própria degustação, refeições etc. Se coloco tudo na ponta do lápis, compraria uma bela garrafa de vinho e beberia tranquilo em casa, sem cansaço ou amolações. Pois é, essas últimas costumam também acontecer. Cito a recente viagem que fiz até São Paulo, para a Feira dos Naturebas. Cheguei em São Paulo em dia de evento na Arena Palmeiras e a rua do hotel onde fiquei estava com trânsito impedido. Transtorno total. Foi meia hora rodando que nem bobo até conseguir chegar no hotel. Já começou a cansar... No evento, realizado em um local muito bonito (Casa das Caldeiras, na Francisco Matarazzo), tive também um contratempo chato. Em um determinado momento, inadvertidamente, fiquei do lado de dentro, entre duas mesas, de olho em uns queijos que uma moça servia. Até que fui abordado por um cidadão que apresentava os vinhos do Louis-Antoine Luyt, que me perguntou de forma irônica se eu era expositor. Eu, obviamente, respondi que não. A partir daí ele começou a me passar um sonoro "pito", dizendo que eu estava no lugar errado, atrapalhando as pessoas, se eu gostaria que fizessem isso comigo blá, blá, blá. Eu fiquei sem entender, pois eu não estava cometendo nenhum crime e certamente saíria rapidamente com uma simples frase educada. Mas tem gente que quer aparecer mais que os produtores e se acha o dono da festa. Fiquei chateado com o negócio. Procuro tratar as pessoas muito bem e, obviamente, gosto de ser tratado assim. Deslocar-me até São Paulo, para levar "pito", é o que faltava...rs. Mais um motivo para eu não ir mais a degustações. 
A feira estava bem cheia. Muita gente, o que dificultava o acesso às mesas dos produtores e expositores. Mas era um pessoal legal, educado e de bom papo. Público seleto! O lugar era bonito e tinha bons vinhos (outros nem tanto, para o meu gosto). E ainda provei bons queijos (menos aquele citado acima...rs) e comi um Choripan de primeira - Delícia! Pude ainda encontrar alguns produtores que queria conhecer pessoalmente, como o Lorenzo Valenzuela, espanhol da Barranco Oscuro (com quem bati um bom papo); o craque Alvaro Espinosa (como um craque daque pode ser tão simples?); Felipe Uribe (Andes Plateau - Gente muito boa!); Manuel Moraga Gutierrez (Cacique Maravilla - Um show de pessoa!) e outros... E ainda revi o simpático e competente Zanini, produtor do Era dos Ventos Peverella, que eu gosto muito. Por fim, encontrei também os amigos blogueiros Luiz Cola e Silvestre Tavares. 
Na próxima postagem eu colocarei fotos e legendas com algumas linhas sobre os vinhos. Não quis colocar nessa para não misturar as bolas.






Confraria: Covela Escolha branco 2013, Pêra-Grave Reserva 2013, Torre Muga 2006, Colomé Estate Malbec 2013 e Barolo Giovanni Manzone Bricat 2012

Covela Escolha 2013, levado por este que vos escreve. Vinho feito com Avesso e Chardonnay, de cultivo sustentável, da região do Minho. Produção pequena e sem passagem por madeira. Vinho muito fresco, com notas florais e boa mineralidade. Parece que a vinícola é propriedade de um brasileiro e um inglês. Para ficar de olho nela, pois tanto o tinto, quanto o branco que bebi deles são muito bons. 
Pêra-Grave Reserva 2013, levado pelo Thiago. Vinho premiado nesta safra. Alentejano de primeiríssima. Bebi o 2012, que estava muito bom, mas este 2013 está superior. Muito complexo, com fruta madura, especiarias, cacau e alcaçuz. Em boca é muito rico, cheio de camadas, taninos finos e final longo. Delicioso! O melhor do produtor que bebi até o momento (achei até melhor que o Pêra-Velha 2012, que é bem mais caro). Os Pêra-Grave são importados e comercializados pela Clarets



Torre Muga 2006, que, se não me engano, foi levado pelo Paulinho. Um grande vinho, que já pintou aqui no blog em outra ocasião (clique aqui). Denso, fruta madura, notas tostadas, cítricas e especiarias. Sedoso e final muito longo. Muga nunca decepciona, e Torre Muga, muito menos. Do lado dele um Colomé Malbec 2013, levado pelo Joãozinho. Gosto muito do produtor. Fruta viva equilibrada com boa acidez. Vinho para acompanhar carne. Bem gostoso.

Barolo Giovanni Manzone Bricat 2012, levado pelo Tonzinho. O JP já levou um desses também (clique aqui). Um ótimo Barolo, que apesar de jovem, já pode ser bebido. Só merecia uma decantação. Mas agrada muito. Fruta fresca, notas florais, minerais e  fundinho de tabaco. Uma beleza de Barolo, que deve evoluir maravilhosamente nos próximos anos.