quinta-feira, 23 de maio de 2019

Georges Vernay Mirbaudie blanc: Era para cozinhar, mas...

Era dia das Mães e estava cozinhando para minha querida esposa para celebrar. Busquei na adega um vinho branco para temperar uns pratos e vi uma garrafa do Georges Vernay Mirbaudie dando sopa. Nem safrada era, mas com certeza, anterior a 2010, pois comprei junto com outros tantos do produtor quando a Grand Cru decidiu, infelizmente, parar de importar seus vinhos. Meus confrades e eu pegamos um monte, principalmente os maravilhosos brancos feitos com a Viognier. E esse, mais simples do produtor do norte do Rhone, um "Vin de Table", foi junto, para beber despretenciosamente. Bem, e ao abrir esta garrafa, pensando já estar descendo a ladeira (ou no final dela), tive uma bela surpresa. O vinho estava inteiraço e delicioso. A cor viva e os aromas florais e de pêssego branco pediam que o colocasse na taça antes de ir à panela. E foi uma, duas, tres vezes... Para a goela, sem dó! E faltou vinho na comida... 



Espero que um dia alguma importadora de bom gosto volte a importar os grandes vinhos de Georges Vernay.









quarta-feira, 22 de maio de 2019

Champagne Henriot Rosé: Para celebrar o dia das Mães!

 O Dia das Mães sempre foi um dia que guardo com muito carinho. Lembro-me de nunca ter deixado de visitar minha amada Mãezinha nesse dia. Hoje, que ela está do lado de lá, celebro esse dia com a Mãe de meus filhos, minha amada Terumi, que é uma Super Mãe e uma Super Esposa. E para ela, que não bebe muito, abro sempre um vinhão (que acaba sobrando todo para mim). Dessa vez, foi um belo Champagne Henriot Rosé. Gosto demais desse vinho. Seu destaque: A cremosidade! Borbulhas abundantes e finas trazem uma sensação deliciosa que nos enche de prazer. É um Champagne muito elegante, com muita finesse. Aromas de grapefruit e leve morango, com o fundo de panificação. Cremoso, equilibrado, fresco, sempre pedindo outra taça. Um belíssimo Champagne, digno do dia!







terça-feira, 21 de maio de 2019

Confraria com: Bosconia Reserva 2004, Le Prélat de Pape Clément 2007 e outros

Noite boa na confraria, que começou com este Viña Bosconia 2004, levado pelo Paulinho, Rei dos Portugueses, mas que às vezes se enverada, e bem, pelos espanhóis.

Viña Bosconia Reserva 2004: Obra de Lopez de Heredia, os irmãos dos belos Tondonia provêm de uvas plantadas no vinhedo El bosque. O vinho procede de um vinho que costumava ser feito pelo bisavô da família, com influência francesa, ao estilo de Borgonha e com parte de Pinot Noir. Daí a garrafa no estilo borgonhês. O vinhedo tem apenas 15 hectares e nele são plantadas, além da Tempranillo, a Garnacha, Mazuelo e Graciano. O vinho, como é tradição da vinícola, tem longa Crianza, de 5 anos em barricas de carvalho americano, com 10 trasfegas. A diferença em relação ao Gran Reserva é que este último matura mais tempo em barricas de carvalho (6-7 anos) e são produzidos apenas em grandes safras, em quantidade menor. Este Bosconia da grande safra 2004 estava ainda nervoso e precisava ter sido decantado. Mostrou austeridade e a madeira se mostrava um pouco acima do meu limiar. Bela acidez e taninos ainda pegados. Foi melhorando com o tempo, mas acabou antes de mostrar o seu melhor. Bom? Claro! É um Lopez de Heredia!

AN/2 2005, da vinícola Anima Negra, de Mallorca. Levado pelo Caio. Vinho feito com as uvas O vinho é feito com 5 uvas, as cepas locais Callet (60%), Mantonegro e Fogones (20%), e as francesas Cabernet Sauvignon e Syrah (20%). No seu ápice, mostra ainda ótima fruta e toques de couro e tabaco. Muito redondo e fácil de beber. Gosto dos vinhos dessa vinícola. 

Barolo Tenuta Arnulfo Costa de Bussia 2013: Levado pelo Tonzinho. Barolão feito em Bussia, localidade de Monforte d'Alba. A vinícola data do século XIX. O vinho é um Barolo clássico, com notas de pétalas de rosa, morangos e cerejas, com um fundo de funghi secchi e alcaçuz. Em boca, ótima acidez, mineralidade e taninos finos, bem presentes, como esperado para um Barolo de apenas 6 anos. Mas mesmo assim, uma delícia em boca. Gostei muito.

Tarapacá Etiqueta Negra 2011. Levado por este que vos escreve para matar as saudades. É um vinho que não decepciona e que há tempos não bebíamos. Nariz com notas de amoras, cassis e pimenta-do-reino. Em boca, bom conjunto, com taninos já domados e final picante. Vinho bem feito, como sempre, e que sempre agrada. Não fez feio. Eu pensei que ocuparia uma posição nos degraus de baixo da escada, mas o JP se incumbiu de levar um que além de ficar na rabeira, não agradou. 
Le Prélat de Pape Clément 2007: Terceiro vinho do grande Chateau Pape Clement, destaque na região de Graves (o segundo é o Le Clémentin de Pape Clément). É feito com Merlot e Cabernet Sauvignon em quantidades parecidas e pitadinhas de Cabernet Franc e Petit Verdot. Nariz mostrando fruta madura e especiarias. Em boca, a fruta madura dava o tom e os taninos já redondinhos. Ótimo volume e persistência. O mais acertado da noite. Muito bom! Isso aí, Thiagão!


Oak Ridge Lodi Zinfandel Ancient Vine 2016, levado pelo JP. Não é o primeiro Zinfandel meloso que o JP leva. Acho que ele pensa que todos os Zins (como chamam nos EUA) são da mesma qualidade do Seghesio Sonoma County. Não são! Para mim, a maioria lembra este da foto: Doce, superextraido, abaunilhado etc. Este, na verdade, superou todos os outros que já bebemos. Ninguém conseguiu terminar uma taça. Nem o JP! Não foi para o Sagu por que o deixaria muito doce. 







segunda-feira, 20 de maio de 2019

Morandé Golden Harvest Edición Limitada 2007: Boa companhia para meu Creme Brulee!

Um almoço finalizado com um vinho de sobremesa é outra coisa. Se o vinho for bom, fecha com chave de ouro e faz até a gente esquecer se durante o almoço (ou jantar), um outro vinho deixou a desejar. Eu sou fã desse tipo de vinho, e costumo apreciar de diferentes nacionalidades. Apesar de mais comuns no velho mundo, o novo mundo também nos brinda com alguns de qualidade. Podemos encontrar grandes vinhos de sobremesa na África do Sul, Austrália e também aqui na América do Sul. Um dos que mais aprecio é aquele produzido por Pablo Morandé, no Chile. Na verdade, são dois. Um deles, mais simples, é feito com Sauvignon blanc de Casablanca, atacada pelo Botrytis cinerea. No entanto, todo o cacho é usado, podendo não estar totalmente botrytizado. 
Perfeito com meu Creme Brulee...
Vai bem também com queijos azuis.
A rolha estava meio seca e quebrou.
O outro vinho, é este da foto, no caso, um Morandé Golden Harvest Edición Limitada 2007. O Golden Harvest é feito em safras nas quais 100% das uvas são atacadas pelo B.cinerea, como as de 2000, 2007, 2011 e 2013. O vinho passa 2 anos em barrica, enquanto o primeiro passa um ano. Sua cor é diferente do irmão menor, sendo mais escura, como mostrado na foto. Seu preço, também difere, custando no mínimo o dobro. O vinho tem aromas de damasco, mamão papaia, mel e gengibre. Em boca, é mais doce que seu irmão "menor", além de ser mais denso e com maior carga de Botrytis. A acidez equilibra o dulçor e o vinho é muito agradável. Bate fácil aqueles Sauternes mais baratos encontrados no mercado. Tem muita categoria. É, para mim, o melhor sulamericano do tipo. E o seu irmão menor? Olha, gosto muito dele também. São vinhos distintos. O seu irmão "menor" é mais vivo, mais leve e com maior acidez, que lhe torna fresco e muito agradável. O Golden, é bem mais denso, concentrado e persistente. Ambos, destaque entre os outros similares produzidos na América do Sul. Compre sem medo!










domingo, 19 de maio de 2019

Hess Collection Mount Veeder 19 Block Cuvée 2008: Longevidade e elegância!


Faz bastante tempo que comprei este Hess Collection Mount Veeder 19 Block Cuvée 2008. Lembro de ter pago um ótimo preço em uma Black Friday muito confusa das Americanas (ou Submarino?). Peguei várias coisas boas, e estava na hora de abater este vinho, que é feito pela tradicional Hess Family, no Napa Valley. O corte é complexo, formado por várias uvas: Cabernet Sauvignon (majoritária), Malbec, Merlot, Syrah, Cabernet Franc e Petit Verdot. O vinho não mostrou nenhum tipo de cansaço, seja na cor, ou no paladar. Ao nariz, mostrou notas de cassis, cereja preta, framboesa, baunilha e alcaçuz. A fruta se mostrava viva nos aromas e também no paladar. Em boca, o vinho era muito elegante e sem exageros. Nada de excesso de extração, dulçor e tostado. A acidez era correta e os taninos já domados pelo tempo. O final era médio e levemente herbáceo, com notas de alcaçuz. É um vinho muito bem equilibrado, elegante e no estilo bordalês. Muito bem feito. Poderia até aguentar um pouco mais em adega, mas está em um ótimo momento para o abate. Muito bom!





domingo, 21 de abril de 2019

Quinta do Carmo Reserva 2011: Veludo!

Meu cunhado Bú, de Jaú, gosta muitos do vinhos da Quinta do Carmo. O cara não é bobo, rs. Mas ele diz que prefere o Quinta do Carmo normal ao Reserva. Eu gosto de ambos, mas para mim, o Reserva mostra mais elegância e estrutura que seu irmão menor. E no caso deste Quinta do Carmo Reserva 2011, ofertado pelo Bú nesse Sábado de Aleluia, isso ficou ainda mais patente. A safra falou alto aqui. Aliás, que safra! Um vinho bão atrás do outro! E este da foto estava uma beleza. Foi feito pelas mãos do enólogo Hugo Carvalho, com as castas Aragonez, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon e Syrah. Os 18 meses de estágio em carvalho novo francês lhe aportam muita riqueza. Sua cor é escura, impenetrável, e os aromas de frutas maduras (cereja preta, cassis e ameixa) se mesclam a notas de café, chocolate, alcaçuz e outras especiarias. Bem rico o vinho. Em boca é intenso, muito sedoso, com boa acidez e taninos maduros e superaveludados. Ótima estrutura e final persistente. Delicioso! Um belo vinho que pode ser bebido agora ou guardado. Bom deixá-lo meia horinha aberto ou em decanter para que se abra. 





domingo, 14 de abril de 2019

O dia em que um Tignanello 2006 foi "quase" prejudicado por um Carré mal-feito!

Esse Tignanello 2006, de ótima safra, me foi presenteado por uma cunhada querida e resolvi abri-lo para celebrar meu aniversário, pois não é todo dia que se abre um Tignanello. Dia chuvoso, friozinho, tudo pedinho um bom vinho e uma boa carne. Mas para minha insatisfação, o Carré de Cordeiro de um restaurante que frequento há anos, não fez jus ao ótimo vinho. Seco, esturricado e sem gosto, o Carré teve que ser deixado de lado para não prejudicar o vinho. Coisas da vida. Este Tignanello 2006 foi feito com 85% Sangiovese e pitadas de Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. A cor era rubi, brilhante, límpida e bem bonita. Ao nariz, mostrou notas florais, perfumadas e aromas de cassis e cereja, em meio a notas de especiarias e leve tabaco. Em boca, ótimo frescor e precisão, sem exageros e com taninos finos. Menos potente e apimentado que outros Tignanello que bebi, talvez reflexo da grande safra e dos 13 anos descansando. Muito fino. O mais italiano dos Tignanello que bebi*. Se tivesse sido escoltado por uma boa comida, melhor ainda. Da próxima, eu mesmo vou preparar o acompanhamento, para não me arrepender. De qualquer forma, acho que ele iria melhor com um bom bife de chorizo ou uma bela fatia de picanha.

Uma pergunta que fica, para mim e meus leitores: O Tignanello vale os 80 Euros que cobram por ele? Eu particularmente, acho um ótimo vinho, mas com este valor dá para comprar duas garrafas de excelentes Chianti Gran Selezione, ou duas de bons Brunello, e para rimar, uma de Flaccianello, que acho superior (e ainda sobra um troquinho). Isso significa que ele não vai para minha cesta...

*Parece estranho dizer isso, mas refiro-me ao fato de alguns serem mais "internacionais".

Nota pós-postagem (feita em 19/04): Eu bebi o restante do vinho durante a semana, apreciando uma tacinha pequena a cada dia. Olha, o vinho melhorou absurdamente nos dias seguintes. Fiquei impressionado com a complexidade que ganhou. Já estou revendo meus conceitos sobre ele. Vinhaço! E certamente, teria muitos anos pela frente.






terça-feira, 19 de março de 2019

Clous des Fous Grillos Cantores 2011: Bom Cabernet Sauvignon!

O projeto Clous des Fous nasceu em 2008 e é conduzido por quatro amigos, dentre eles, o "caçador de Terroirs", Pedro Parra. O Clous des Fous Grillos Cantores 2011 é feito com uvas de um vinhedo particular, aos pés da Cordilheira dos Andes, em região de solo vulcânico, calcáreo e granítico. O vinho não passa por madeira. Ao nariz, mostra notas de amoras, cassis, grafite e pimenta-do-reino. Com o tempo as notas apimentadas foram se acalmando e surgiram notas mentoladas. Em boca, boa acidez, corpo médio e taninos finos. É um vinho bem interessante, que foi melhorando bastante com o tempo. As notas picantes não incomodavam e foram se acalmando depois que o vinho foi aberto. Eu o bebei aos poucos, em alguns dias, e ao final, estava macio e muito agradável. Seus 8 anos não se faziam sentir e penso que teria ainda outros bons para viver, considerando que durante a semana foi tendo um comportamento muito resistente. Bom vinho! Importado, atualmente, pela World Wine.





segunda-feira, 18 de março de 2019

Noite da Confraria: Rutini Apartado Gran Blend 2014, Quinta de Foz de Arouce 2011, Neyen Limited Edition Syrah 2006, Post Scriptum de Chryseia 2015 e La Tremenda 2014

Aos poucos, liberando o que está engavetado. E não é pouca coisa. Abaixo, foto de vinhos apreciados semanas atrás em reunião da confraria. Todos estavam ótimos! Mas alguns me chamaram mais a atenção. Apesar do Post Scriptum 2015 estar grande, precisa de tempo. O La Tremenda, precisa de um prato denso para se espelhar. no mais, 5 vinhões. 

Rutini Apartado Gran Blend 2014, levado pelo Caião. Acho que é um corte com proporções parecidas de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Malbec e Syrah, e passagem por madeira nova e usada. Um belo vinho, floral e com notas de mirtilo, amoras, pimenta-do-reino e cacau. Em boca, complexo e persistente, com boa acidez e taninos firmes. Final longo e com notas de cacau e picantes. Todas as castas se mostram com ótimo equilíbrio. Um belo blend, que pede tempo em adega para ficar ainda melhor. 
Do lado dele um que já pintou aqui no blog, mas merece mais uma menção, pois melhorou muito em dois anos: Quinta de Foz de Arouce 2011! Vinho de grande safra e que parece melhorar a cada dia. Aromas florais, fruta viva, fresca, e especiarias, com aquele fundinho vegetal da Baga. É feito com esta casta, sinônimo de Bairrada, e Touriga Nacional. Foi unanimidade na noite, agradando a todos. Belo vinho, que lembro ter comprado em uma bela promoção da Decanter. Mais uma vez: Vasco!
O Cassião chegou meio ressabiado, com uma garrafa de Neyen Limited Edition Syrah 2006. Mas a desconfiança durou pouco, pois o vinho estava ótimo! Syrah muito bem feito, equilibrado, com ótimo corpo e sem aquele calor por vezes comum nos Syrah chilenos. Lembrava mais Rhone. Muito macio, com taninos já devidamente arredondados pelo tempo. Está em seu limite e não deve evoluir mais. Mas mostra que bons vinhos chilenos podem ser longevos.
O JP levou o Post Scriptum de Chryseia 2015. Vinho com pedigree! Segundo vinho do grande Chryseia, em grande ano. Blend de Touriga Nacional (53%) e Tinta Roriz. Notas florais, amoras, cereja, cacau, couro e tabaco. Em boca, boa acidez, mineralidade e taninos ainda um pouco nervosos. Bem francês... Precisa de tempo. Deve recompensar quem tiver paciência. 
E para finalizar, um vinho que o Tonzinho levou uma vez na casa do Rodrigo e eu não bebi, e que agora tive a chance: La Tremenda 2014. Monastrell do craque Enrique Mendoza, feito no sul da Espanha, mais precisamente, na bela região de Alicante. Vinho aromático, com notas de cereja preta e ameixas, em meio a um toque tostado e de chocolate amargo. Em boca, certo calor, fruta madura e taninos macios. Mas não tem exageros por vezes visíveis em vinhos feitos com a Monastrell, provavelmente, pela boa acidez que lhe aporta frescor. Bom vinho, que pede uma boa carne para acompanhar. Muito boa qualidade pelo preço. Vasco!











domingo, 17 de março de 2019

Mais um belo branco da terra de Vasco da Gama: Anselmo Mendes Curtimenta Alvarinho 2011!

Não se pode falar de Vinho Verde sem falar de Anselmo Mendes. Ele é um craque e a sua lista de vinhos verdes é realmente de tirar o chapéu. Eu provei o Curtimenta pela primeira vez há alguns anos, em uma degustação da importadora Decanter. O estande do Sr. Anselmo Mendes foi o primeiro que visitei, em busca de brancos de muita qualidade, para começar a noite. E entre os belos brancos do Sr. Anselmo, provei o 100% Alvarinho Curtimenta, que me deixou impressionado. De cara, o vinho mostrava que era vinho para durar muitos anos, e a fermentação com as cascas lhe aportava muita complexidade. O coloquei na lista daqueles que apreciaria com tranquilidade um dia. E este Anselmo Mendes Curtimenta Alvarinho 2011, de safra histórica e com 8 anos, foi a "vítima" nessa semana. O vinho passa 9 meses em madeira, com batonnage semanal. Sua cor é palha, bem bonita, e os aromas remetem a limão siciliano, maçã verde e especiarias. A fruta é um pouco tímida no começo, mas com o tempo, vai dando as caras, principalmente quando a temperatura do vinho foi ficando mais alta. Em boca, o danado é mineral e com acidez vibrante, que lhe aporta muito frescor. Notas de maçã e ervas frescas. Uma beleza de Alvarinho, como só o Sr. Anselmo Mendes sabe fazer. E sem o menor sinal de cansaço! Vinhão! 










sexta-feira, 15 de março de 2019

Banalizando o vinho?

Eu gosto de beber vinho com tranquilidade e sabendo o que estou apreciando. Tirando os vinhos correntes, que podem ser apreciados sem grandes formalidades, alguns merecem "mais respeito". Isso não quer dizer burocratizar o vinho, e sim, valorizá-lo. Li recentemente um artigo do Adolfo Lona, enólogo argentino, mas que vive no Brasil há muito tempo, que concordei bastante. Além da presença de amigos para compartilhar, o vinho merece cuidados ao ser apreciado, que incluem a temperatura do serviço, taças apropriadas, abertura prévia (para grande parte deles) etc. E eu penso que os apreciadores devem procurar saber o que estão bebendo, e não fazê-lo apenas pelo simples prazer de beber. Se isso não é feito, o momento acaba por ser banalizado. Eu, particularmente, tenho notado que em minha confraria estamos banalizando os vinhos. Antes, bebíamos bons vinhos semanalmente e, de dois em dois meses, programávamos um jantar especial com vinhos melhores, denominando a reunião como sendo "especial". Com o tempo, fomos fazendo estas reuniões com maior frequência e elas se misturaram às reuniões ditas "normais". Assim, começamos a apreciar mais frequentemente vinhos que deveríamos apreciar mais raramente. Foi ficando difícil então fazer um discernimento entre eles. E vinhos que antes entravam em reuniões "especiais", foram ficando cada vez mais comuns em todas as reuniões. Exemplos são o Esporão Reserva, Quinta da Bacalhôa, Quinta do Crasto Vinhas Velhas, Esporão Private Selection, Castillo Ygay Gran Reserva Especial (até ele!), La Rioja Alta 904, Imperial Gran Reserva, etc. Esses, quando levados, sempre despertavam comentários elogiosos por parte dos confrades - Atualmente, não. E ainda tem os Barolos, Brunellos e Chateauneufs, que surgem frequentemente nas reuniões. E como há um grande número desses vinhos invadindo o país, de produtores às vezes não muito conhecidos (e alguns não muito bons), acaba que alguns não agradam, e os bons, quando levados, são injustiçados. Alguém pode imaginar que eu estou reclamando de beber vinho bão. Mas não é isso. É só um momento de reflexão.









quinta-feira, 14 de março de 2019

Amayna Chardonnay 2010, Domaine de Latroun Rose, Luis Cañas Reserva Selección de la Família 2008, Valduero Reserva 2008 e Castell de Falset 2004

Faz tempo que bebemos esses vinhos. Mas para não perde-los, vai a descrição breve.

Domaine de Latroun Rosé: levado pelo Tonzinho. Vinho Rosé Israelense, de vinícola perto de Tel aviv, na qual monges trapistas produzem vinhos desde 1890, com clara influência francesa. Um bom Rosé, seco e floral, que vale pela curiosidade de experimentar um vinho da procedência. 

Amayna Chardonnay 2010, levado pelo Rodrigo. Chard chileno típico, A madeira um pouco acima para meu gosto. Para acompanhar peixe gorduroso. Depois do Rosé Israelense, um Luis Cañas Reserva Selección de la Família 2008, levado pelo Caião. Riojano com muita fruta, cereja, framboesa, em meio a especiarias doces, cravo e alcaçuz. Estilo mais moderno. Sedoso e muito agradável. Do lado dele, um belo Ribera del Duero: Valduero Reserva 2007, levado pelo JP. Este vinho é excelente! Sempre agrada. Aromas ricos, madeira bem dosada e complexidade. Taninos redondos e ótima persistência. Tudo de bom! E para fechar, um Castell de Falset 2004 levado por este que vos escreve. Este também não tem erro. Um ótimo exemplar de Montsant, com fruta madura, toques balsâmicos, tabaco e especiarias. Sempre colocava este vinho na cesta em promoções da World Wine, e nunca me decepcionava. 






quarta-feira, 13 de março de 2019

Altamura Cabernet Sauvignon 2007: Um grande vinho Californiano!

Frank e Karen Altamura estabeleceram a vinícola Altamura em 1985. Frank trabalhou por 5 anos na famosa Caymus. Além do Cabernet Sauvignon eles produzem dois tintos feitos com as conhecidas castas italianas Sangiovese (que dizem ser muito bom) e Negroamaro, além de um branco com a Sauvignon Blanc. Os vinhos produzidos pela vinícola têm arrebatado muitos prêmios. Este Altamura Cabernet Sauvignon 2007, por exemplo faturou o posto de #5 na lista dos Top 100 da Wine Spectator em 2010, com 96 pontos. Mr. Parker também gosta dos vinhos deles, tendo atribuido 95 pontos para este CS da postagem. Ele diz também que o feito com Sangiovese é um dos melhores feitos com esta casta na Califórnia. Este Altamura CS 2007 estava já há um bom tempo em minha adega, e ontem resolvi descorchá-lo. O vinho tem cor escura e aromas densos de cassis, ameixa, alcaçuz, leve tabaco e aniz. Com o tempo, um mentolado bem gostoso foi surgindo. Em boca, mostrava bom frescor, toques terrosos e taninos já bem redondos. O final era bem longo, especiado e com notas herbáceas. Os 30 meses em barricas de carvalho (70% novas) se fazem mostrar, mas a madeira é bem integrada e não incomoda. Um grande Cabernet Sauvignon Californiano!









domingo, 10 de março de 2019

Aniversário do Thiago: Quinta da Leda 2014, Brunello di Montalcino Rennina 1999, Pera-Velha Grande Reserva 2012, Pera-Grave Reserva 2014, Cos d'Estournel 2004, Quinta do Vesúvio 2014 e Quinta do Carmo Reserva 2012


O nosso amigo e confrade Thiago fez aniversário e nos convidou para conhecer sua nova casa. A recepção que ele nos deu, juntamente com sua esposa Karine, foi de gala. Uma noite memorável na bela casa. Além da ótima comida, a lista de vinhos foi de primeiríssima. Nem precisaria descrever muito a foto acima, mas sendo breve, ela começa com um Quinta da Leda 2014 levado pelo Joãozinho. Um belo vinho da Casa Ferreirinha, a qual, dispensa apresentações. Mas vale dizer que este mostra um estilo mais moderno que os outros da casa. Notas de framboesa, baunilha e especiarias doces. Sedoso em boca, com taninos já bem resolvidos para a pouca idade. Um vinhão, que apesar de poder ser guardado, mostra-se bem apreciável agora. Do lado dele um Brunello di Montalcino Pieve Santa Restituta Rennina 1999, levado pelo JP. A vinícola foi adquirida por Gaja em 1994, e este Rennina vem de um vinhedo particular (como o Sugarille). Já bebi o Pieve Santa Restituta, que é feito com um blend de uvas de diferentes vinhedos da vinícola, e que não me surpreendeu muito. Mas este Rennina, com seus 20 anos, estava incrível. Mais ao estilo tradicional, com notas de cereja, chá, especiarias, tabaco e couro novo. Ótima acidez e mineralidade em boca, com taninos muito acertados. Uma delícia de Brunello, na idade certa para ser apreciado. O anfitrião abriu dois vinhos da vinícola Alentejana Quinta São José de Peramanca. Um deles foi o Pera Grave Reserva 2014, feito com Touriga Nacional de Syrah (seu ótimo e elogiado irmão de 2013 tinha também a Alicante Bouschet). Vinho floral e com notas de fruta madura, ameixa e amoras. Em boca, muito volume, bom frescor e final especiado. Vi agora a descrição no site da vinícola e as impressões coincidem. É vinho que ainda deve aguentar bom tempo na adega. Muito bom na sua faixa. Mas o Thiago quis fazer uma (ótima) brincadeira e compará-lo com seu irmão maior, o Pera-Velha Grande Reserva 2012, top da vinícola e que já fica degraus acima. Este 2012 foi feito com Syrah, Alicante Bouschet e Touriga Nacional, sendo que esta última não estava no vinho da safra 2011. Ele lembra o Reserva, mas com mais polidez e finesse. A cor era mais clara e os aromas mais domados, com a fruta envolta em um toque abaunilhado. Demorou um pouco mais a se abrir. Em boca, bom frescor e mais estrutura que seu irmão. Bem sedoso e com muita finesse. Vinho para guardar. Um belo exemplar alentejano! E à direita deste belo vinho, o exemplar que este que vos escreve levou para o jantar: Chateau Cos d'Estournel 2004. Nada como um bom Bordeaux de 15 anos! Já com precipitado, o decantamos para que também se abrisse mais. E o vinho, corte clássico bordalês (CS 74%, Merlot 24% e uma pitadinha de Cabernet Franc), se abriu lindamente, com aromas de cassis, ameixa, alcaçuz, notas terrosas, tabaco e especiarias. Em boca, muito volume, intensidade e taninos generosos. O final era longo e com notas de café e tabaco. Uma delícia de vinho, muito elegante e que ganhou muito em adega. Bebi outro exemplar da mesma safra tempos atrás e este, agora, estava muito melhor. Valeu a pena guardar e mais ainda, apreciar com amigos queridos. Mas ainda não acabou... O penúltimo vinho da foto é um Quinta do Vesúvio 2014, levado pelo Cássio. Outro vinhaço! O vinho é feito majoritariamente com Touriga Nacional e uma parte menor de Touriga Franca, completadas com uma pitadinha de Tinta Amarela. Vinho feito pelo patriarca da família Symington, que me confessou certa vez, em um Encontro Mistral, que tinha grande apreço por ele. E o vinho é realmente grande. Para minha surpresa, bem diferente do 2013, ofertado tempos atrás pelo JP, que estava bem mais fechado e abaunilhado, clamando adega. Este 2014, surpreendentemente, está bem mais apreciável agora. Os aromas remetiam àqueles do Quinta da Leda acima, mas com um toque de cacau e notas minerais a mais. Em boca, ótimo frescor e taninos presentes, mas bem-vindos. Uma beleza de Quinta do Vesúvio!
Ah, o último da foto, o Quinta do Carmos Reserva 2012, levado pelo Caião, infelizmente não foi aberto... Mas sua hora chegará, pois trata-se de um belo vinho!
Grande noite, Thiago e Karine! Grazie mille! 









sexta-feira, 8 de março de 2019

Que trio! Valduero Reserva 2011, Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2012 e Esporão Private Selection tinto 2012!

Noite esvaziada da confraria. Éramos apenas 3: Rodrigo, JP e este que vos escreve. No meio da noite apareceu o Cássio, vindo de Sampa e mostrando que é ponta firme. Só vinhos bons, aliás, excelentes! Um Valduero Reserva 2011, replay do JP, delicioso, como são os vinhos desta vinícola que produz grandes vinhos em Ribera del Duero. Um vinho complexo, com bela fruta, cereja madura, em meio a tabaco, alcaçuz e couro novo. Macio em boca, com frescor e final longo e especiado. Uma delícia! Eu levei o Crasto Vinhas Velhas 2012, que já pintou aqui no blog, mas que agora, está ainda mais redondo. Aromas frutados, framboesa e especiarias doces. Em boca, sedoso, boa acidez e taninos redondos. Tudo muito ajustado. Um grande vinho, sempre! E para completar o trio ibérico, um belíssimo Esporão Private Selection tinto 2012, levado pelo amigo Rodrigo. Que vinhão! Um belo embate com o duriense descrito anteriormente. Vinho frutado, com notas de fruta madura, ameixas e framboesas, em meio a tabaco e notas balsâmicas. Ótima complexidade em boca, com taninos em camadas e final longo. Já com precipitação, inesperada para um vinho relativamente novo. Delicioso também! Noite de primeiríssima, com 3 vinhos ibéricos de muita classe, e no mesmo nível! Pode fechar os olhos, escolher qualquer um deles e ficará feliz!