sábado, 18 de novembro de 2017

Estou convencido: Não entendo mesmo nada de vinho!

Nosso final de ano se aproxima e fiquei de escolher os vinhos para o jantar. Mas estou preocupado, pois em 2014 me malharam pelos vinhos que escolhi (vejam aqui a postagem). Até hoje ouço reclamações, principalmente do Caio, em relação a lista que elegi. E me pergunto sempre: Foi mesmo ruim? Vejam a foto a baixo... Um Valentini Montepulciano d'Abruzzo eleito o melhor vinho branco da Europa; Um Campolargo 2009, cujo irmão de 2011 também foi eleito melhor branco da Europa mais recentemente (e que depois desta famigerada noite, foi levado pelo Paolão outras vezes e em todas muito elogiado pelos confrades...rs); Um Leoville Barton 2000, de grande safra, 97 pontos da Wine Spectator e considerado um dos melhores Leoville Barton de todos os tempos; Uma magnum de Quinta do Ribeirinho Pé Franco 2003, do mago Luis Pato, raridade até em Portugal, elegância pura; Um Hewitt 2010, vinho intenso, quarto do mundo pela WS, com 95 pontos e muitos elogios; Um Pinhal da Torre IPO 2008, do Tejo, de apenas 552 garrafas produzidas; Um Viña Sastre Pago de Santa Cruz 2011 (cujo irmão mais simples, Crianza, arranca sempre elogios dos confrades) e um vinho do Porto Taylor's very old 1964, que até hoje o Bart diz se lembrar dos aromas que encheram o seu restaurante. Acho que não entendo mesmo nada de vinho e estou preocupado com os que escolhi para nosso jantar. Depois coloco aqui o que aconteceu.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Nesta o JP foi bem: Carm Reserva 2011, Marquesa de Alorna Reserva branco 2012, H.Stagnari Dinastia 2012, Raiza Reserva 2010 e Calda Bordaleza 2006

Em reunião da confraria semanas atrás apreciamos bons vinhos, começando pelo ótimo Marquesa de Alorna Reserva branco 2012, levado pelo Paul, Rei dos Portugueses. Não é a primeira vez que ele nos brinda com este vinho (clique aqui). E obviamente, nos agradou novamente. Um belo vinho, fresco, mineral, com ótima presença de fruta, boa cremosidade, de primeira. Não gosto de fazer comparações, mas ele custa a metade do Pera-Manca branco, e para mim, bate de frente fácil.
Nos tintos, o JP levou o mais complexo da noite: Carm Reserva 2011. Este é querido da turma, e nesta safra também fez bonito (como havia feito o 2007). Nariz floral e mineral, em meio às notas de amoras, chocolate amargo e defumadas. Em boca mostrava potência, mas ótimo frescor e mineralidade. Persistente e com taninos redondos. Mais um ótimo vinho desta vinícola que nunca decepciona. Ainda bem que peguei umas garrafinhas na última promoção da World Wine. Nota:  Abri outra garrafa do vinho em novembro de 2017. Está evoluindo que é uma beleza! Agora pode-se notar umas notas de tabaco em meio às defumadas. Continua ótimo!
Eu levei um Raiza Reserva 2010, riojano da centenária bodega Vicente Gandía. O vinho tem aromas de cereja, cítricos e terrosos, em um fundo abaunilhado. Em boca, ótimo frescor, toques cítricos e final abaunilhado. Os taninos são presentes e fazem do vinho par certo para uma carne gordurosa. Gostei dele também! A repetir.
O Paulão levou um top uruguaio, da Bodega Stagnari: Dinastia 2012. Esta era a garrafa 427 de apenas 1.700 produzidas. O vinho tem cor retinta, forte, e aromas de ameixas pretas e uva passa, em meio a tostados e leve baunilha. Em boca é denso, com toque terroso e taninos firmes. Eu gostei dele, embora esperasse mais. O pessoal, inclusive o Paolão, que o levou, não ficou surpreso. Acho que também esperavam mais do danado. Será que o bebemos da forma correta? Talvez uma boa decantação, uma carne para acompanhar, fizesse toda a diferença.
E para finalizar, o vinho levado pelo Thiago: Calda Bordaleza 2006, bairradino de Carlos Campolargo. O vinho é feito com Merlot (70%), Petit Verdot (25%) e Cabernet Sauvignon (5%), com estágio de 12 meses em barricas francesas. Este eu tinha muita curiosidade para beber, e dei com os burros n'água. Esperava bastante dele, depois de ler muitos elogios e ser fã incondicional dos vinhos do produtor. Mas algo deu errado. Talvez seja a garrafa... Mas o fato é que tinha um aroma de curral exagerado, Brett saltando da taça, que incomodou muito. E não adiantou respirar, o aroma tava lá, marcante. Não deu, infelizmente. Espero um dia beber outro para mudar minha opinião.



segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Barolo Giovanni Manzone Bricat 2012, Domini Plus JMF 2008, Pulenta XI Cabernet Franc 2012, Cartuxa Reserva 2012, Brunello Poggiotondo 2011, Masi Campofiorin Oro 2010, Barolo Fantino Conterno Sori Ginestra 2011 e um Tokaji 6 Puttonyos para arrematar!

Dias atrás fomos convidados por nosso amigo Rodrigo para assistir o jogo da seleção em sua casa. Como sempre, ele nos recebe com muita classe e boa comida! E a noite foi recheada de bons vinhos, que descrevo rapidamente a seguir:
Barolo Giovanni Manzone Bricat 2012, levado pelo JP. Segunda garrafa que bebemos deste vinho. Para mim, foi o melhor da noite. Pode parecer estranho falar assim de um Barolo de apenas 5 anos, mas este estava uma beleza mesmo na juventude. Fruta fresca, morangos, notas florais, minerais e leve tabaco. Em boca, os taninos são jovens e presentes, mas nada que incomode. Vinho mineral e com longo final. Uma delícia! Obviamente, decantação é recomendada. Imagino que em alguns anos estará uma beleza! Guardarei minhas garrafas, que paguei um preço muito bom para um vinho desta qualidade.
Domini Plus 2008, levado por este que vos escreve. Duriense de José Maria da Fonseca. Com quase 10 anos mostra ainda muita força. Já com algum precipitado, mas ainda intenso ao nariz e boca. Fruta madura, tabaco e alcaçuz. Um pouco mais pesado do que eu estou buscando nos durienses ultimamente. Mas muito bem feito, como é de se esperar do produtor.
Pulenta XI Cabernet Franc 2012, levado pelo Little John. Torci o nariz ao ver, pois os últimos exemplares que bebi deste Pulenta XI, principalmente de 2011, estavam muito carregados na pimenta. Mas este não! Lembrou alguns antigos, mais equilibrados. Ótima fruta, sem exagero de pimenta e pimentão, tanto ao nariz, quanto em boca. Para mim, muito melhor que o 2011. Deste eu gostei.
Cartuxa Reserva 2012, levado pelo Paulinho. Este não tem erro. É bom sempre. Mas eu diria que perde para seus antecessores, principalmente o de 2011. Mas estava muito bom, mostrando boa fruta e especiarias. Senti uma pontinha de álcool a mais, mas acho que é questão de deixar ele respirar um pouco.
Brunello di Montalcino Poggiotondo 2011, ofertado pelo anfitrião Rodrigo. Brunello de cor clara, brilhante, e aromas de cereja, cítricos, tabaco e florais. Em boca, boa acidez e mineralidade. Os taninos ainda são jovens e devem se arredondar com algum tempinho de adega. Não é dos grandes, mas gostei.
Masi Campofiorin Oro 2010, levado pelo Paolão. Fruta madura, enotas especiadas. Não fez muito minha cabeça, apesar de bem feito.
Barolo Fantino Conterno Sori Ginestra 2011, levado pelo Thiago. Bebi só um fundinho de taça deste e não posso falar muito. E estava no final da noite. Só posso dizer que é bom, claro, mas queria ter podido bebe-lo com tranquilidade, curtindo.
E para finalizar a noite com muita classe, o nosso amigo Rodrigo abriu um Tokaji Chateau Megyer 6 Puttonyos 2008, acompanhando Tiramissu. Falar o que? O vinho, de cor dourada brilhante, estava um mel, delicioso, com notas de damasco, doce de laranja, florais, favo de mel e cardamomo. A acidez equilibrava o dulçor e o vinho descia como um néctar.  Uma delícia! Fechar a noite com um Tokaji é o que há!
Valeu, Rodrigo!

Ps. Não falei de dois vinhos: O levado pelo Caião, Quinta da Bacalhoa 2014, que comentei recentemente aqui no blog, e que estava uma beleza, e o espanhol de Alicante (La Tremenda, de Enrique Mendoza), levado pelo Tonzinho, que não bebi.

Tokaji Chateau Megyer 6 Puttonyos 2008: Um néctar!




domingo, 22 de outubro de 2017

Vinosia Neromora Aglianico 2014: Bem sedoso!

Em visita à vizinha Ribeirão Preto, resolvi passar na nova sede da World Wine para dar aquela sapeada nos vinhos. Fiquei feliz ao ver que eles estão importando os vinhos italianos da vinícola da Campania Vinosia (de Luciano Ercolino, ex-Feudi de San Gregorio). Tempos atrás, quando os vinhos eram ainda importados pela Cellar, bebi um Marziacanale que me agradou muito.  Este Vinosia Neromora Aglianico 2014 é mais simples (e mais barato) que o Marziacanale, mas tem muita qualidade. É um 100% Aglianico que matura por 8 meses em barricas francesas. Tem aromas de fruta madura, com destaque para cassis e framboesa, em meio a notas de baunilha e café. Em boca mostra boa acidez e taninos aveludados. O final de boca apresenta toques de baunilha e alcaçuz. Vinho muito macio e agradável, Talvez o único porém (para mim) é a baunilha, que a meu ver poderia ser um pouquinho menos pronunciada. Acredito que o fato do vinho ser jovem contribua para isso, e que o tempo poderá diminuir a presença dela. De qualquer maneira, é um vinho muito bem feito e agradável. Um Aglianico de bom preço, que pode ser apreciado mais jovem e que representa uma boa introdução à casta. Bom para comida! 


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Georges Duboeuf Moulin-à-Vent 2013: O frescor de sempre!

Georges Duboeuf Moulin-à-Vent 2013: Um dos 10 Cru de Beaujolais, feito por produtor tradicional. Vinho com aromas de framboesas, jabuticaba (será que só eu sinto?), cítricos e ervas secas. Em boca, toques minerais e o frescor de sempre, em um vinho de corpo leve, assim como os seus taninos. Vinho com gosto de vinho, gastronômico e que dificilmente desagrada. Aliás, pelo contrário, a mim, sempre agrada. 

domingo, 15 de outubro de 2017

Comemorar o que no Dia dos Professores?


Hoje eu ia abrir um vinho para celebrar o Dia dos Professores. Talvez, mais em homenagem aos meus mestres, que a mim. Mas fico aqui pensando com meus botões: -Há mesmo motivos para se comemorar?

Comemorar o que?

  • O salário inadequado*?
  • A falta de reconhecimento por parte do governo e grande parte da sociedade?
  • A falta de condições de trabalho?
  • Cadeados nas portas de salas de aulas proibindo docentes de entrar e trabalhar?
  • O desrespeito por parte de pais e alunos?
  • A violência nas salas de aula e fora delas?
  • O desinteresse dos alunos?
  • O uso insistente dos malditos celulares durante a aula?
  • A falta de interesse pela leitura?
  • A falta de estudo?
  • O fato dos alunos não adquirirem um livro sequer, por acharem que tudo agora é dever do estado?
  • O fato dos alunos não usarem livros para estudar, por acharem que tudo se encontra no Google?
  • O fato dos pais, em vez de corrigirem seus filhos em casos de indisciplina, irem à escola brigar com o Professor?


Temos mesmo o que comemorar?

Nosso país caminha para ser um país sem Professores. A cada ano o interesse pela carreira diminui. Ninguém mais quer entrar nesta fria. E alguém consegue imaginar um país sem Professores? Bem, considerando muitas das questões acima, deve ter um monte de gente que consegue. Embora Jean-Paul Sartre tenha dito que estamos "condenados a ser livres", eu diria que estamos mesmo é condenados a ser, eternamente, terceiro mundo!

*E olha que eu, como Professor Universitário, ainda posso me considerar um privilegiado neste aspecto, quando comparado com os colegas do ensino básico e fundamental.




quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Duorum Vinha do Castelo Melhor Vintage 2008: Um jovenzinho de 9 anos!

Duorum Vinha do Castelo Melhor Vintage 2008: Obra do grande João Portugal Ramos em parceria com José Maria Soares Franco e João Perry Vidal. Vinho feito com uvas de videiras de mais de 100 anos, com predominância de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Sousão. Vinho de cor escura, intransponível, e aromas ricos de frutas em compota (amoras e ameixas), chocolate amargo, tabaco, ervas e flores. Em boca é intenso, mineral, acidez equilibrando o dulçor, levemente picante e com taninos firmes. O final é muito longo e com notas de chocolate amargo e especiarias. Um super vintage, rico e ainda jovem. Vale esperar mais um pouco. Mas se não resistir, deixe decantando para ele se abrir. Perfeito com chocolate amargo. A palavra aqui é intensidade, sem ser enjoativo. Foram 94 pontos bem atribuídos pela Wine Spectator.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Terredora Fiano di Avellino 2011: Leve e floral

Terredora Fiano di Avellino Terre di Dora 2011: Vinho de cor clara, aromas florais, pera e cítricos, com fundo amendoado. Em boca, boa acidez, leve e cremoso, com toques de cera de abelha. Um bom vinho da Campagna, que ganhou 95 pontinhos da Decanter e figurou entre os seus melhores 50 vinhos do ano de 2013. Bom para acompanhar peixe.




segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Quinta da Bacalhôa 2014: Ainda melhor que o 2013!

Quinta da Bacalhôa 2014: Cabernet Sauvignon com aquela pitadinha marota de Merlot. Este 2014 está uma beleza! Para mim, melhor que o anterior, de 2013, que bebi algumas vezes mas ainda não postei. O 2014 está  com aromas de frutas maduras, alcaçuz e um mentolado elegante ao fundo. Não há exagero da pimenta-do-reino, que achei um pouco saliente em alguns exemplares anteriores. Em boca, fruta madura bem integrada à madeira, toque licoroso, boa acidez e taninos redondos. A madeira aparece, mas não incomoda. É vinho que deve ganhar com o tempo, mas que já pode ser apreciado. Mais um ótimo Bacalhôa!

domingo, 17 de setembro de 2017

Vinho bão não é só vinho: Também é queijo bão!

Quem gosta de vinho costuma também gostar de outras coisas boas, como bons cafés, azeites, queijos etc. Eu gosto de tudo isso. E como bom mineiro, vizinho da Serra da Canastra, gosto muitos dos queijos de lá. 
Canastra Mariane - Feito na Fazenda Cravo e Prata, em Medeiros, Minas Gerais. Fica em direção oposta a São Roque de Minas, ao norte. Comprei em na Casa do Queijo, em Paraguaçu, entre Lavras e Poços de Caldas.
Tinha um mês de maturação e deixei mais dois meses. Maturação perfeita, com formação de mofo branco sobre a peça. Bela cor e textura. Sal no ponto certo. Ótimo queijo! Matura muito bem.
Canastra Fazenda Jacob: Produtores Dhaniella e Vivaldo. Queijo premiado, de São Roque de Minas, que adquiri em Serra Negra, SP, em viagem recente. Bom preço e com maturação de 6 meses. Casca muito saborosa, com camada de mofo. Textura cremosa, massa muito fina. Para acompanhar um bom vinho do Porto. Muito bom! Se encontrar, compre.

Canastra Estância Capim Canastra: De São Roque de Minas, produtor Guilherme. Queijo premiado recentemente em concurso na França (Medalha de prata entre 600 queijos). Vejam abaixo o danado aberto.

Casca oleosa, cor branca interna bem bonita, ótima textura, sal correto e sabor incrível! Um dos melhores canastra que comi. Delicioso! Foi unanimidade em uma prova que fizemos entre os confrades. Excelente! 

Canastra do Reginaldo: Fazenda Campo Belo, Medeiros, MG. Uma grata surpresa! Não conhecia o danado, que surpreende pela casca bonita e interior cremoso. Meus confrades pensaram se tratar de um exemplar francês, pela textura cremosa e sabor marcante. Uma delícia de queijo, que prova que podemos fazer ótimos queijos em nossa querida Minas Gerais. Excelente! Vou comprar mais!

Canastra do Zé Mário: São Roque de Minas. Este é famoso. O produtor já apareceu várias vezes em reportagens na TV. Um dos responsáveis pela visibilidade dos Canastra. E o queijo faz bonito. Casca amarela, bonita, oleosa, e interior bem branco, com ótima textura e muito saboroso. Justifica a fama. Ótimo Canastra! 

Conclusão: Todos ótimos!
Obs. Esses últimos 3 queijos eu comprei em Passos, na Venda do Mineiro, que tem grande variedade. Se passar por lá, visite. Facebook.




Peter Lehmann Riesling Eden Vallley 2008: "Querosene" demais pro meu gosto!

Peter Lehmann Riesling Eden Valley 2008: Australiano de grande produtor, com aromas minerais muito evidentes, aquele toque de "petróleo" muito forte para o meu gosto, suplantando a fruta, marcada por abacaxi e cítricos. Em boca, acidez vibrante e mineralidade. Eu gosto de vinhos feitos com a Riesling, mas não quando são marcados demais pelo toque de "petróleo". Aliás, para mim, não gosto de vinhos com exageros, sejam lá quais forem. Mas eles têm seu público.


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Noitada com: Sassoalloro Oro 2006, Duckhorn Cabernet Sauvignon Napa Valley 2014, Tokaji Oremus 6 Puttonyos 2000 e outros vinhões

Noite na casa do Cássio, regada a muito vinho, comida e companhias da melhor qualidade. O Paul, Rei dos Portugueses, está diversificando. Levou um Sassoalloro Oro 2006, de Jcopo Biondi Santi. Já bebemos o Sassoalloro 2006 normal, da mesma (ótima) safra. Inclusive, em uma das oportunidades, ele foi levado pelo próprio Paul. Mas este Oro se mostrou bem melhor que o outro. Parece que a diferença em relação ao outro é apenas mais tempo de repouso nas caves do Castello de Montepò. E pelo visto, isso fez bem. O vinho tem aromas de cereja e especiarias doces, e em boca mostrou grande maciez e taninos finos. Muito elegante! Eu esperava até um pouco mais de pegada, mas pelo jeito, a proposta dele é outra. Evaporou logo nas taças, mostrando que foi o que mais agradou. 
Outro que me agradou foi o levado pelo Thiago. Ele estava um pouco dele, pensando que se trataria de um vinho extraidão, repleto de baunilha e madeira. Mas não! O Duckhorn Cabernet Sauvignon Napa Valley 2014 tinha muitas qualidades. Aromas de cassis e apimentados (sem exageros) se mesclavam a notas de cedro e alcaçuz. Em boca, a juventude era evidente, mas com o tempo em taça ganhava equilíbrio. Boa acidez e taninos firmes, aguardando alguns anos para ficarem mais redondos. Final longo e picante. Muito bom vinho, que iria ganhar com alguns anos de adega. 
O Tonzinho levou o chileno Siegel Unique Selection 2013. O vinho é feito com Cabernet Sauvignon, Carménère e Syrah. Tem aromas que, obviamente, entregam sua nacionalidade e composição. As notas de cassis e cereja se mesclam a notas apimentadas e de chocolate amargo. Em boca é picante, com taninos presentes e final especiado. Precisava ter sido decantado para que se acalmasse um pouco. Para mim, tem complexidade e qualidades que indicam bom potencial de guarda. Agora, ainda está muito jovem. Se for beber, duas horas de decanter no mínimo. Ah, e não é para se beber solo... Precisa de uma boa carne. 
Os outros vinhos da noite, quase todos já pintaram por aqui e estão na foto a seguir:
Greywacke Pinot Noir 2011 (levado por mim e que já pintou aqui no blog); Um branco que não bebi; Sassoalloro Oro 2006, Tokaji Oremus 6 Puttonyos 2000, Beronia Gran Reserva 2008 (ofertado pelo Cássio, e que também já pintou aqui no blog), Siegel, Altos las Hormigas Paraje Altamira 2011 (levado pelo Caião e por diversas vezes aqui no blog) e Duckhorn CS 2014
Mas é claro que eu não poderia deixar de mencionar aquele que fechou a noite com total maestria, ofertado pelo Cássio: Tokaji Oremus 6 Puttonyos 2000! Já bebemos um desse anos atrás e ele deixou lembranças belíssimas! Um grande vinho com o carimbo da Vega Sicilia. Bela cor dourada, aromas de frutas secas, doce de casca de laranja, mel e gengibre. Em boca, untuoso, com a acidez equilibrando o dulçor. Final interminável! Uma beleza de vinho!!!






domingo, 3 de setembro de 2017

3 vinhões: Muga Prado Enea 2009, Brunello di Montalcino Castiglion del Bosco 2012 e Foradori Granato 2004

Noite com IBOPE baixo... Só 3 dispostos a beber bons vinhos: JP, Tonzinho e eu. Mas quem não foi, perdeu. O Tonzinho levou um Muga Prado Enea 2009, que já pintou por aqui e dispensa mais comentários. Muito bom vinho! Mas eu vou deixar a garrafa que tenho para beber daqui a uns anos, pois acho que deve melhorar muito. Agora, apesar do vinho ser grande, eu ainda prefiro o 2004...rs. Talvez por que o tenha bebido mais "velhinho"...
Eu levei um Foradori Granato 2004, vinho top de gama da Elisabetta Foradori, craque de Trentino-Alto Adige. Gosto demais dos vinhos dela, que produz sem muita intervenção, não adiciona sulfitos, usa só leveduras da própria uva, etc. Tempos atrás bebemos um Sgarzon e um Morei feito por ela. Belos vinhos! Este Granato é um 100% Teroldego de um vinhedos antigos que ocupam não mais que 4 hectares. A fermentação é feita em grandes tinas abertas, e a maturação por 18 meses em barricas. A rolha deste 2004 já estava baleada, mas uns 20% do topo estavam intactos. O vinho tinha uns aromas um pouco estranhos logo ao ser aberto, e precisou de um bom tempo para mostrar tudo que tinha. E tinha muito! Aromas de amoras, ervas, alcaçuz e minerais. Em boca era seco, com toques picantes e minerais. Apesar da idade, os taninos estavam presentes e clamavam por uma carne gordurosa (que não veio). Ótimo vinho! Nada de modernidade, novo mundo, internacionalização etc. Um comentário: Obviamente, ficou feliz de beber um vinho oriundo de uvas não tratadas com químicos etc etc. Ou seja, o chamado vinho "natural" (entre aspas por que o termo é controverso). No entanto, não é isso que garante sua qualidade. Tem gente que acha que vinho tem que ser "natural", mesmo que seja ruim (e tem muito vinho ruim feito de forma "natural"). No caso, este Granato é "natural" e excelente, pois é obra de uma grande enóloga. 
E para fechar, o JP levou um belíssimo Brunello di Montalcino Castiglion del Bosco 2012. Acho que foi o primeiro Brunello 2012 que mandamos ver. Dizem que a safra vai brigar pau a pau com a 2010. Espero que sim. E como eu bebi o 2010 do mesmo produtor, posso tirar uma conclusão: Para mim, o 2012 está melhor! No começo, até pensei que o JP estava fazendo um sacrilégio ao abrir um Brunello tão novinho. E já no nariz ele confirmava um pouco isso. Em boca, no começo, muito nervo e taninos poderosos. Mas como o tempo aberto lhe fez bem! Foi se abrindo em notas de cereja seca, flores, ervas, tabaco, couro e alcaçuz. Tudo isso, em um fundo terroso muito agradável. Os aromas de ervas deram o show mais para o final da noite. Em boca, acidez vibrante e taninos firmes, que pedem alguns anos para se arredondarem, mas que devem enfrentar uma picanha gordurosa com maestria! A mineralidade do vinho também surpreendeu. Um  belíssimo Brunello, que deve evoluir maravilhosamente na adega. Se for beber agora, tem que abrir com boas horas de antecedência, tomar uma tacinha e deixar o bichão respirar. Aí você verá o quanto ele evoluí. Nessa noite, só lamentei não termos apreciado uns bifes de Chorizo, bife Ancho ou uma boa picanha. Os vinhos eram para essas carnes.
Isso aí!


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Ventisquero Grey Ultra Limited Release 2011: Muito bom!

Ventisquero Grey Ultra Limited Release 2011: Como o próprio nome diz, este vinho é uma edição limitada da vinícola chilena Ventisquero. A produção foi pequena. parece que de apenas 700 garrafas. É feito com Cabernet Sauvignon, Carménère, Merlot e Petit Verdot e maturado por 14 meses em barricas de carvalho francês 50% novas. Cor bonita, brilhante e límpida, e aromas de cassis e framboesa, em meio a notas picantes, e com o tempo, mentoladas. Em boca, ótimo frescor, picância e taninos redondos. A Carménère aparece com o apimentado, mas ele é bem controlado e não incomoda. Com o tempo aberto tudo vai se equilibrando e o vinho fica muito agradável, com um aroma mentolado que dá charme ao conjunto. Muito bom vinho, que adquiri por um ótimo preço pela sua qualidade. Espero que um dia volte ao estoque da Wine.  

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Domenico Clerico Barbera D'Alba Trevigne 2006: Ótimo parceiro para uma massa!

Domenico Clerico não produz "apenas" grandes Barolo, como o Pajana e Percristina. Produz também este Domenico Clerico Barbera D'Alba Trevigne 2006, que é um ótimo parceiro para massa com molho vermelho. É um 100% Barbera feito com uvas de 3 vinhedos: Dois que são parte do Cru Ginestra (com 3 hectares) e um, de apenas 0,8 hectares, do Cru San Pietro. A maturação ocorre por 16 meses, sendo 50% em barricas de carvalho francês e 50% em barris maiores, de 5000 litros. Apesar dos seus 11 anos, o vinho, de grande safra, está vivão. Aromas de amoras, florais e de chocolate amargo. Em boca é seco, com ótima acidez, mineralidade e taninos firmes. O final não é lá dos mais longos, mas muito agradável. Tipo de vinho que eu gosto: Sem exageros, mais seco, sem excesso de extração e boa companhia para comida... Mandei ver com um Fettuccine com linguiça e ele casou muito bem.