terça-feira, 19 de março de 2019

Clous des Fous Grillos Cantores 2011: Bom Cabernet Sauvignon!

O projeto Clous des Fous nasceu em 2008 e é conduzido por quatro amigos, dentre eles, o "caçador de Terroirs", Pedro Parra. O Clous des Fous Grillos Cantores 2011 é feito com uvas de um vinhedo particular, aos pés da Cordilheira dos Andes, em região de solo vulcânico, calcáreo e granítico. O vinho não passa por madeira. Ao nariz, mostra notas de amoras, cassis, grafite e pimenta-do-reino. Com o tempo as notas apimentadas foram se acalmando e surgiram notas mentoladas. Em boca, boa acidez, corpo médio e taninos finos. É um vinho bem interessante, que foi melhorando bastante com o tempo. As notas picantes não incomodavam e foram se acalmando depois que o vinho foi aberto. Eu o bebei aos poucos, em alguns dias, e ao final, estava macio e muito agradável. Seus 8 anos não se faziam sentir e penso que teria ainda outros bons para viver, considerando que durante a semana foi tendo um comportamento muito resistente. Bom vinho! Importado, atualmente, pela World Wine.





segunda-feira, 18 de março de 2019

Noite da Confraria: Rutini Apartado Gran Blend 2014, Quinta de Foz de Arouce 2011, Neyen Limited Edition Syrah 2006, Post Scriptum de Chryseia 2015 e La Tremenda 2014

Aos poucos, liberando o que está engavetado. E não é pouca coisa. Abaixo, foto de vinhos apreciados semanas atrás em reunião da confraria. Todos estavam ótimos! Mas alguns me chamaram mais a atenção. Apesar do Post Scriptum 2015 estar grande, precisa de tempo. O La Tremenda, precisa de um prato denso para se espelhar. no mais, 5 vinhões. 

Rutini Apartado Gran Blend 2014, levado pelo Caião. Acho que é um corte com proporções parecidas de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Malbec e Syrah, e passagem por madeira nova e usada. Um belo vinho, floral e com notas de mirtilo, amoras, pimenta-do-reino e cacau. Em boca, complexo e persistente, com boa acidez e taninos firmes. Final longo e com notas de cacau e picantes. Todas as castas se mostram com ótimo equilíbrio. Um belo blend, que pede tempo em adega para ficar ainda melhor. 
Do lado dele um que já pintou aqui no blog, mas merece mais uma menção, pois melhorou muito em dois anos: Quinta de Foz de Arouce 2011! Vinho de grande safra e que parece melhorar a cada dia. Aromas florais, fruta viva, fresca, e especiarias, com aquele fundinho vegetal da Baga. É feito com esta casta, sinônimo de Bairrada, e Touriga Nacional. Foi unanimidade na noite, agradando a todos. Belo vinho, que lembro ter comprado em uma bela promoção da Decanter. Mais uma vez: Vasco!
O Cassião chegou meio ressabiado, com uma garrafa de Neyen Limited Edition Syrah 2006. Mas a desconfiança durou pouco, pois o vinho estava ótimo! Syrah muito bem feito, equilibrado, com ótimo corpo e sem aquele calor por vezes comum nos Syrah chilenos. Lembrava mais Rhone. Muito macio, com taninos já devidamente arredondados pelo tempo. Está em seu limite e não deve evoluir mais. Mas mostra que bons vinhos chilenos podem ser longevos.
O JP levou o Post Scriptum de Chryseia 2015. Vinho com pedigree! Segundo vinho do grande Chryseia, em grande ano. Blend de Touriga Nacional (53%) e Tinta Roriz. Notas florais, amoras, cereja, cacau, couro e tabaco. Em boca, boa acidez, mineralidade e taninos ainda um pouco nervosos. Bem francês... Precisa de tempo. Deve recompensar quem tiver paciência. 
E para finalizar, um vinho que o Tonzinho levou uma vez na casa do Rodrigo e eu não bebi, e que agora tive a chance: La Tremenda 2014. Monastrell do craque Enrique Mendoza, feito no sul da Espanha, mais precisamente, na bela região de Alicante. Vinho aromático, com notas de cereja preta e ameixas, em meio a um toque tostado e de chocolate amargo. Em boca, certo calor, fruta madura e taninos macios. Mas não tem exageros por vezes visíveis em vinhos feitos com a Monastrell, provavelmente, pela boa acidez que lhe aporta frescor. Bom vinho, que pede uma boa carne para acompanhar. Muito boa qualidade pelo preço. Vasco!











domingo, 17 de março de 2019

Mais um belo branco da terra de Vasco da Gama: Anselmo Mendes Curtimenta Alvarinho 2011!

Não se pode falar de Vinho Verde sem falar de Anselmo Mendes. Ele é um craque e a sua lista de vinhos verdes é realmente de tirar o chapéu. Eu provei o Curtimenta pela primeira vez há alguns anos, em uma degustação da importadora Decanter. O estande do Sr. Anselmo Mendes foi o primeiro que visitei, em busca de brancos de muita qualidade, para começar a noite. E entre os belos brancos do Sr. Anselmo, provei o 100% Alvarinho Curtimenta, que me deixou impressionado. De cara, o vinho mostrava que era vinho para durar muitos anos, e a fermentação com as cascas lhe aportava muita complexidade. O coloquei na lista daqueles que apreciaria com tranquilidade um dia. E este Anselmo Mendes Curtimenta Alvarinho 2011, de safra histórica e com 8 anos, foi a "vítima" nessa semana. O vinho passa 9 meses em madeira, com batonnage semanal. Sua cor é palha, bem bonita, e os aromas remetem a limão siciliano, maçã verde e especiarias. A fruta é um pouco tímida no começo, mas com o tempo, vai dando as caras, principalmente quando a temperatura do vinho foi ficando mais alta. Em boca, o danado é mineral e com acidez vibrante, que lhe aporta muito frescor. Notas de maçã e ervas frescas. Uma beleza de Alvarinho, como só o Sr. Anselmo Mendes sabe fazer. E sem o menor sinal de cansaço! Vinhão! 










sexta-feira, 15 de março de 2019

Banalizando o vinho?

Eu gosto de beber vinho com tranquilidade e sabendo o que estou apreciando. Tirando os vinhos correntes, que podem ser apreciados sem grandes formalidades, alguns merecem "mais respeito". Isso não quer dizer burocratizar o vinho, e sim, valorizá-lo. Li recentemente um artigo do Adolfo Lona, enólogo argentino, mas que vive no Brasil há muito tempo, que concordei bastante. Além da presença de amigos para compartilhar, o vinho merece cuidados ao ser apreciado, que incluem a temperatura do serviço, taças apropriadas, abertura prévia (para grande parte deles) etc. E eu penso que os apreciadores devem procurar saber o que estão bebendo, e não fazê-lo apenas pelo simples prazer de beber. Se isso não é feito, o momento acaba por ser banalizado. Eu, particularmente, tenho notado que em minha confraria estamos banalizando os vinhos. Antes, bebíamos bons vinhos semanalmente e, de dois em dois meses, programávamos um jantar especial com vinhos melhores, denominando a reunião como sendo "especial". Com o tempo, fomos fazendo estas reuniões com maior frequência e elas se misturaram às reuniões ditas "normais". Assim, começamos a apreciar mais frequentemente vinhos que deveríamos apreciar mais raramente. Foi ficando difícil então fazer um discernimento entre eles. E vinhos que antes entravam em reuniões "especiais", foram ficando cada vez mais comuns em todas as reuniões. Exemplos são o Esporão Reserva, Quinta da Bacalhôa, Quinta do Crasto Vinhas Velhas, Esporão Private Selection, Castillo Ygay Gran Reserva Especial (até ele!), La Rioja Alta 904, Imperial Gran Reserva, etc. Esses, quando levados, sempre despertavam comentários elogiosos por parte dos confrades - Atualmente, não. E ainda tem os Barolos, Brunellos e Chateauneufs, que surgem frequentemente nas reuniões. E como há um grande número desses vinhos invadindo o país, de produtores às vezes não muito conhecidos (e alguns não muito bons), acaba que alguns não agradam, e os bons, quando levados, são injustiçados. Alguém pode imaginar que eu estou reclamando de beber vinho bão. Mas não é isso. É só um momento de reflexão.









quinta-feira, 14 de março de 2019

Amayna Chardonnay 2010, Domaine de Latroun Rose, Luis Cañas Reserva Selección de la Família 2008, Valduero Reserva 2008 e Castell de Falset 2004

Faz tempo que bebemos esses vinhos. Mas para não perde-los, vai a descrição breve.

Domaine de Latroun Rosé: levado pelo Tonzinho. Vinho Rosé Israelense, de vinícola perto de Tel aviv, na qual monges trapistas produzem vinhos desde 1890, com clara influência francesa. Um bom Rosé, seco e floral, que vale pela curiosidade de experimentar um vinho da procedência. 

Amayna Chardonnay 2010, levado pelo Rodrigo. Chard chileno típico, A madeira um pouco acima para meu gosto. Para acompanhar peixe gorduroso. Depois do Rosé Israelense, um Luis Cañas Reserva Selección de la Família 2008, levado pelo Caião. Riojano com muita fruta, cereja, framboesa, em meio a especiarias doces, cravo e alcaçuz. Estilo mais moderno. Sedoso e muito agradável. Do lado dele, um belo Ribera del Duero: Valduero Reserva 2007, levado pelo JP. Este vinho é excelente! Sempre agrada. Aromas ricos, madeira bem dosada e complexidade. Taninos redondos e ótima persistência. Tudo de bom! E para fechar, um Castell de Falset 2004 levado por este que vos escreve. Este também não tem erro. Um ótimo exemplar de Montsant, com fruta madura, toques balsâmicos, tabaco e especiarias. Sempre colocava este vinho na cesta em promoções da World Wine, e nunca me decepcionava. 






quarta-feira, 13 de março de 2019

Altamura Cabernet Sauvignon 2007: Um grande vinho Californiano!

Frank e Karen Altamura estabeleceram a vinícola Altamura em 1985. Frank trabalhou por 5 anos na famosa Caymus. Além do Cabernet Sauvignon eles produzem dois tintos feitos com as conhecidas castas italianas Sangiovese (que dizem ser muito bom) e Negroamaro, além de um branco com a Sauvignon Blanc. Os vinhos produzidos pela vinícola têm arrebatado muitos prêmios. Este Altamura Cabernet Sauvignon 2007, por exemplo faturou o posto de #5 na lista dos Top 100 da Wine Spectator em 2010, com 96 pontos. Mr. Parker também gosta dos vinhos deles, tendo atribuido 95 pontos para este CS da postagem. Ele diz também que o feito com Sangiovese é um dos melhores feitos com esta casta na Califórnia. Este Altamura CS 2007 estava já há um bom tempo em minha adega, e ontem resolvi descorchá-lo. O vinho tem cor escura e aromas densos de cassis, ameixa, alcaçuz, leve tabaco e aniz. Com o tempo, um mentolado bem gostoso foi surgindo. Em boca, mostrava bom frescor, toques terrosos e taninos já bem redondos. O final era bem longo, especiado e com notas herbáceas. Os 30 meses em barricas de carvalho (70% novas) se fazem mostrar, mas a madeira é bem integrada e não incomoda. Um grande Cabernet Sauvignon Californiano!









domingo, 10 de março de 2019

Aniversário do Thiago: Quinta da Leda 2014, Brunello di Montalcino Rennina 1999, Pera-Velha Grande Reserva 2012, Pera-Grave Reserva 2014, Cos d'Estournel 2004, Quinta do Vesúvio 2014 e Quinta do Carmo Reserva 2012


O nosso amigo e confrade Thiago fez aniversário e nos convidou para conhecer sua nova casa. A recepção que ele nos deu, juntamente com sua esposa Karine, foi de gala. Uma noite memorável na bela casa. Além da ótima comida, a lista de vinhos foi de primeiríssima. Nem precisaria descrever muito a foto acima, mas sendo breve, ela começa com um Quinta da Leda 2014 levado pelo Joãozinho. Um belo vinho da Casa Ferreirinha, a qual, dispensa apresentações. Mas vale dizer que este mostra um estilo mais moderno que os outros da casa. Notas de framboesa, baunilha e especiarias doces. Sedoso em boca, com taninos já bem resolvidos para a pouca idade. Um vinhão, que apesar de poder ser guardado, mostra-se bem apreciável agora. Do lado dele um Brunello di Montalcino Pieve Santa Restituta Rennina 1999, levado pelo JP. A vinícola foi adquirida por Gaja em 1994, e este Rennina vem de um vinhedo particular (como o Sugarille). Já bebi o Pieve Santa Restituta, que é feito com um blend de uvas de diferentes vinhedos da vinícola, e que não me surpreendeu muito. Mas este Rennina, com seus 20 anos, estava incrível. Mais ao estilo tradicional, com notas de cereja, chá, especiarias, tabaco e couro novo. Ótima acidez e mineralidade em boca, com taninos muito acertados. Uma delícia de Brunello, na idade certa para ser apreciado. O anfitrião abriu dois vinhos da vinícola Alentejana Quinta São José de Peramanca. Um deles foi o Pera Grave Reserva 2014, feito com Touriga Nacional de Syrah (seu ótimo e elogiado irmão de 2013 tinha também a Alicante Bouschet). Vinho floral e com notas de fruta madura, ameixa e amoras. Em boca, muito volume, bom frescor e final especiado. Vi agora a descrição no site da vinícola e as impressões coincidem. É vinho que ainda deve aguentar bom tempo na adega. Muito bom na sua faixa. Mas o Thiago quis fazer uma (ótima) brincadeira e compará-lo com seu irmão maior, o Pera-Velha Grande Reserva 2012, top da vinícola e que já fica degraus acima. Este 2012 foi feito com Syrah, Alicante Bouschet e Touriga Nacional, sendo que esta última não estava no vinho da safra 2011. Ele lembra o Reserva, mas com mais polidez e finesse. A cor era mais clara e os aromas mais domados, com a fruta envolta em um toque abaunilhado. Demorou um pouco mais a se abrir. Em boca, bom frescor e mais estrutura que seu irmão. Bem sedoso e com muita finesse. Vinho para guardar. Um belo exemplar alentejano! E à direita deste belo vinho, o exemplar que este que vos escreve levou para o jantar: Chateau Cos d'Estournel 2004. Nada como um bom Bordeaux de 15 anos! Já com precipitado, o decantamos para que também se abrisse mais. E o vinho, corte clássico bordalês (CS 74%, Merlot 24% e uma pitadinha de Cabernet Franc), se abriu lindamente, com aromas de cassis, ameixa, alcaçuz, notas terrosas, tabaco e especiarias. Em boca, muito volume, intensidade e taninos generosos. O final era longo e com notas de café e tabaco. Uma delícia de vinho, muito elegante e que ganhou muito em adega. Bebi outro exemplar da mesma safra tempos atrás e este, agora, estava muito melhor. Valeu a pena guardar e mais ainda, apreciar com amigos queridos. Mas ainda não acabou... O penúltimo vinho da foto é um Quinta do Vesúvio 2014, levado pelo Cássio. Outro vinhaço! O vinho é feito majoritariamente com Touriga Nacional e uma parte menor de Touriga Franca, completadas com uma pitadinha de Tinta Amarela. Vinho feito pelo patriarca da família Symington, que me confessou certa vez, em um Encontro Mistral, que tinha grande apreço por ele. E o vinho é realmente grande. Para minha surpresa, bem diferente do 2013, ofertado tempos atrás pelo JP, que estava bem mais fechado e abaunilhado, clamando adega. Este 2014, surpreendentemente, está bem mais apreciável agora. Os aromas remetiam àqueles do Quinta da Leda acima, mas com um toque de cacau e notas minerais a mais. Em boca, ótimo frescor e taninos presentes, mas bem-vindos. Uma beleza de Quinta do Vesúvio!
Ah, o último da foto, o Quinta do Carmos Reserva 2012, levado pelo Caião, infelizmente não foi aberto... Mas sua hora chegará, pois trata-se de um belo vinho!
Grande noite, Thiago e Karine! Grazie mille! 









sexta-feira, 8 de março de 2019

Que trio! Valduero Reserva 2011, Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2012 e Esporão Private Selection tinto 2012!

Noite esvaziada da confraria. Éramos apenas 3: Rodrigo, JP e este que vos escreve. No meio da noite apareceu o Cássio, vindo de Sampa e mostrando que é ponta firme. Só vinhos bons, aliás, excelentes! Um Valduero Reserva 2011, replay do JP, delicioso, como são os vinhos desta vinícola que produz grandes vinhos em Ribera del Duero. Um vinho complexo, com bela fruta, cereja madura, em meio a tabaco, alcaçuz e couro novo. Macio em boca, com frescor e final longo e especiado. Uma delícia! Eu levei o Crasto Vinhas Velhas 2012, que já pintou aqui no blog, mas que agora, está ainda mais redondo. Aromas frutados, framboesa e especiarias doces. Em boca, sedoso, boa acidez e taninos redondos. Tudo muito ajustado. Um grande vinho, sempre! E para completar o trio ibérico, um belíssimo Esporão Private Selection tinto 2012, levado pelo amigo Rodrigo. Que vinhão! Um belo embate com o duriense descrito anteriormente. Vinho frutado, com notas de fruta madura, ameixas e framboesas, em meio a tabaco e notas balsâmicas. Ótima complexidade em boca, com taninos em camadas e final longo. Já com precipitação, inesperada para um vinho relativamente novo. Delicioso também! Noite de primeiríssima, com 3 vinhos ibéricos de muita classe, e no mesmo nível! Pode fechar os olhos, escolher qualquer um deles e ficará feliz!










terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Calyptra Gran Reserva Chardonnay 2009


Faz tempo que comprei este Calyptra Gran Reserva Chardonnay 2009 na Wine. Pensei até que tinha perdido o danado. Mas não. O bichão, com 10 anos, ainda mostrou grande força. É Chardonnay com peso, amadeirado, bom para escoltar uma bela posta de bacalhau. Aromas de abacaxi, mamão, baunilha, madeira e mel. Boa acidez e mineralidade. Apesar das descrições anteriores, ele não é daqueles exagerados e enjoativos. Mas é para quem gosta do estilo mais power. Tenho um 2010 que abrirei para acompanhar um bacalhau.





Chateau de Nages JT 2010: Seco e mineral


Costiéres de Nîmes fica bem no Sul do Rhone, próximo ao local onde o Rio Rhone encontra o Mar Mediterrâneo. A AOC fica entre a cidade de Nîmes e o delta (Camargue) do Rio Rhone. Antes ela era parte de Languedoc, mas depois passou a fazer parte do Rhone. O Chateau de Nîmes é um produtor antigo e que pratica a agricultura orgânica. O Chateau de Nages JT 2010 tem o nome em homenagem ao patriarca da família, Joseph Torres. Neste 2010 a Syrah contribuiu com 95% do vinho e a Mourvèdre com o restante. O mosto é fermentado por leveduras nativas e apenas metade do vinho matura em madeira por 12 meses enquanto a outra, em tanques de cimento. É um vinho de cor escura e aromas de amoras, flores e pimentas. Em boca é seco, mineral, com corpo médio e ótima acidez. Os taninos são presentes mas já bem resolvidos. É um vinho sem exageros de extração, com bom frescor e com aptidão gastronômica. É do tipo que eu gosto. Mas acho que não é do tipo que os novomundistas apreciam. Comprei há alguns anos no Hipermercado Supernosso, de BH, onde pode-se encontrar bons vinhos a bons preços. Não vi mais o vinho dando sopa por aí.




domingo, 17 de fevereiro de 2019

Abadia Retuerta Pago Negralada 2009: Uma beleza!

Já havia um tempo que este Abadia Retuerta Pago Negralada 2009 estava em minha adega, descansando a espera de um bom momento para ser descorchado. Eu queria oferecê-lo ao amigo JP, que gosta muito dos vinhos da Abadia Retuerta. Lembro muito bem quando ele, logo no começo da confraria, comprou uma caixa do Abadia Retuerta Selección Especial 2004, que nos deu muito prazer. O Selección Especial fica acima do Rívola, que é um vinho que é o vinho da entrada da vinícola de Saron del Duero. O Rívola já é bom, mas o Selección, um excelente custo-benefício, principalmente, se comprado na Espanha, onde pode ser encontrado no El Corte Inglés por 18-20 Euros. Mas o Pago Negralada é outro comprimento de onda. É um 100% Tempranillo de um vinhedo especial da vinícola. A garrafa já é imponente, mas o que está dentro dela, mais ainda. Vinho denso, elegante, rico em aromas de fruta madura, alcaçuz e ervas finas. Acidez correta, mineralidade e taninos maduros e em camadas. Final longo e prazeiroso. Lembra o estilo do Aalto (o de entrada, não o PS), mas ainda com mais elegância e estrutura. Um vinhaço, cujas características estão bem descritas em seu contra-rótulo, dispensando muitos comentários. Espero que o JP tenha gostado. Eu, adorei o danado!







sábado, 16 de fevereiro de 2019

Adolfo Lona Nature Pas Dosé: Muito bom!

Há um bom tempo não encontro os espumantes de Adolfo Lona em São Carlos. Uma pena. Costumava comprá-los na Mercearia 3M, que já não os vende. Este Adolfo Lona Nature Pas Dosé comprei em uma loja do mercado de Pinheiros, em São Paulo. É um assemblage de Chardonnay, Pinot Noir e Merlot vinificada em branco, que segundo o próprio site do Adolfo Lona, contribui para diminuir um pouco a acidez do vinho e torná-lo mais amável. O termo "Nature" significa que o vinho não recebeu açúcar, na forma de licor de expedição, após a segunda fermentação. Na França os espumantes feitos desta forma são chamados "pas dosé". O vinho tem cor amarelo palha e borbulhas finas e abundantes. Ao nariz mostra notas de frutas, que não identiquei muito bem (talvez mamão e frutas cítricas), panificação e mel. Em boca, ótima acidez, vibrante, e toques de gengibre e cítricos. Um ótimo espumante, complexo, equilibrado e bem acima da média. Muito bom para acompanhar comida, mas também, para beber solo. Se você quer beber bons espumantes brasileiros, os de Adolfo Lona são sempre escolhas certeiras.




quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Bela noite: Quinta do Crasto Touriga Nacional 2005, Pulenta La Zulema 2012, Imperial Reserva 2014, Vallado Reserva 2012 e Chateau Guiraud 2011

Na primeira noite da confraria em 2019 eu levei um vinho embrulhado para brincar com a turma. Era para ser uma noite só de vinhos especiais, e foi. E esse que levei foi unanimidade: Bão demais! Mas de todos os confrades, só o Paulinho, Rei dos Portugueses, chutou ser um vinho português do ano de 2005! Tá no sangue do cara, que logo ao sentir o bouquet do vinho já disse ter adorado. Paul fiel à tradição, e sabedor das coisas! Os outros confrades erraram feio a nacionalidade etc. Estão com seus paladares destreinados...rs. Bem, mas o vinho que levei era um Quinta do Crasto Touriga Nacional 2005. Comprei este vinho logo que a loja virtual Wine foi criada! Fizeram uma bela promoção em todo o site para quem indicasse 5 amigos. Comprei muitos vinhos Crasto. Na época, meus confrades ficaram desconfiados, pois era uma loja nova, o site ainda era "meia-boca", tivemos problemas na hora de fechar as compras etc. Assim, só Tonzinho e eu compramos, e nos demos bem. Em 2 dias estavam em casa as caixas pretas da Wine, com belos exemplares de vinhos da Crasto! Isso foi em 2009! O vinho ficou muito bem guardado em minha adega nesses 10 anos e foi o último dos moicanos a ser aberto. E que maravilha estava! Nenhum sinal de cansaço, nem na cor, nem no sabor. Aromas de cereja preta, kirsch, chocolate amargo, madeira no ponto, leve defumado e especiarias. Em boca, repetia o nariz e mostrava ótimo frescor e taninos devidamente arredondados pelo tempo, mas presentes. O final era longo e especiado, com notas amadeiradas na medida. Vinho muito equilibrado, sem exagero algum, e que pedia sempre mais na taça. Uma delícia! Ocupou o primeiro lugar no pódio dos tintos, sem discussão.
Mas a sua posição ficou ainda mais valorizada pelos vinhos que os confrades levaram, mostrados na foto abaixo.


O Quinta do Vallado Reserva 2012 foi levado pelo Paulinho, Rei dos Portugueses. Esse não falha. Vinho feito com vinhas velhas, com nariz e que traz nas costas a responsabilidade de manter a qualidade de seu irmão de 2011, que está belíssimo. Mas este 2012 também está ótimo. Um pouco menos tenso que anteriores, mais fácil de beber, eu diria. Aromas de amoras e cereja preta, em meio a alcaçuz e especiarias doces. Em boca, redondo, sedoso, com taninos já bem resolvidos. Final longo e com toques achocolatados. Eu achei que o bebemos um pouco acima da temperatura, mas tudo bem. Sempre um grande vinho! 
À direita dele, na foto, o Imperial Reserva 2014 levado pelo Caião. Esse também não falha. Novo ainda, mas já bem bebível. Aromas de cereja, cravo, cedro e baunilha. Em boca, entrada levemente doce, mais que o normal para este vinho, e taninos já domados. Surpreende já estar aberto com esta idade. Senti falta do toque cítrico. Mas muito bom também!
Vizinho do Imperial na foto, o Anthonij Rupert Merlot 2008, levado pelo Thiagão. A vinícola sulafricana Anthonij Rupert iniciou suas atividades em 2001 e produz diferentes linhas de vinhos. Anthonij Rupert é a linha emblemática da vinícola, com 7 vinhos, sendo 2 blends e 5 varietais, entre os quais está o Anthonij Rupert Merlot. O Thiagão disse iria nos surpreender. Bem, na semana passada ele nos "surpreendeu", e ficamos preocupados com a nova surpresa...rs. O fato é que a surpresa ficou pelo fato de um vinho já perto dos 11 anos estar tão tânico. Ao nariz, a fruta ficava um pouco encoberta por notas de cacau, especiarias e madeira. Em boca, o problema foi os taninos em excesso e ainda muito vivos. Eu gosto de taninos, mas neste vinho estavam acima do ponto, para o meu gosto. No site da vinícola sugerem guarda de 8-10 anos para o vinho. Fico aqui pensando quando estaria pronto esse que bebemos. Ah, o Thiago também levou o vinho embrulhado, e ninguém passou ao menos perto do que se tratava. 
O penúltimo vinho, um Pulenta Blend Finca La Zulema 2012, foi levado pelo JP. Um belo vinho! É feito com Malbec, Cabernet Sauvignon e, minoritariamente, Merlot. Esse tem longa vida pela frente, mas para quem gosta de vinho com nervo, pode abater agora sem medo de ser feliz. Se for ao lado de uma picanha ou um um ojo de bife, melhor ainda. O vinho tem aromas de ameixa e cereja preta, em meio a especiarias e ervas frescas. Em boca mostrou ótima intensidade e complexidade, sem exagero de dulçor típico da Malbec, que foi bem cortada com as outras castas. Também, nenhum exagero de pimenta-do-reino, apesar de uma picância bem-vinda estar presente. Os taninos eram firmes e o final longo e com notas especiadas e minerais. Um ótimo vinho, que mostra clareza, frescor e muita complexidade. Para beber agora ou guardar. Esse já foi! Muito bom.
E para finalizar, o Joãozinho pegou pesado com um excelente Chateau Guiraud 2011! O vinho foi top 100 da WS em 2014 (#12), com portentosos 97 pontos! O James (99-100 pontos) Suckling lhe deu 99 e a Wine Enthusiast 95. Vinho muito elogiado, sempre. Mas tirando a questão das notas, o vinho é uma beleza. Botrytis na veia! Dulçor médio e bela acidez. Notas de damasco, gengibre, abacaxi, mel e amêndoas. Em boca, frescor, notas cítricas e final interminável. Esse vinho é o que há! Sou fã número 1! Tentarei guardar a garrafa que tenho por mais uns anos, pois deve evoluir lindamente. Top! Para fechar a noite com muita classe. Isso aí, Little!

Ps. O vinhos da Crasto são importados pela Qualimpor e em São Carlos, encontrados na Mercearia 3M; O Vallado pode ser encontrado em diferentes locais (Via Vini, Vino Mundi, Vendivinhos etc); O sulafricano nunca vi no Brasil; Imperial é importado pela Vinci; Pulenta, pela Grand Cru, mas este La Zulema só vi na Bebida on line e o Chateau Guiraud é importado pela Mistral, mas também pode ser encontrado em outras fontes (Belle Cave, Grand Vin, Wine Brasil e Zahil).



segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Quinta do Ameal Escolha 2011: Precioso!

Pedro Araújo, bisneto de Adriano Ramos-Pinto e proprietário da Quinta do Ameal, deve se orgulhar muito de seus vinhos produzidos na região dos vinhos verdes, no Minho. Para mim, seus vinhos brancos ocupam o andar de cima, não apenas na região, mas em todo o Portugal. E este Quinta do Ameal Escolha 2011 não me deixa mentir. Eu, que já havia bebido o 2013 e ficado encantado com ele, fiquei ainda mais com este, da bela safra de 2011, que mostrou uma bela evolução nesses 8 anos. O vinho, 100% Loureiro de vinhas de baixa produção, com passagem por 6 meses em barricas de Nevers, possui cor citrina, brilhante bonita, e aromas deliciosos de flor de laranjeira, uvaia, maçã e amendoados, em um fundo mineral muito cativante. Em boca, repete o nariz e mostra ótimo frescor, cremosidade e mineralidade. É um vinho que melhora em taça e pode ser decantado. Não morre de um dia para o outro. E tudo isso, com apenas 11,5% de álcool. Desce fácil. É sútil, delicado e cativante, sem deixar de ser imponente. Delicioso! Se você gosta de um bom vinho branco, está acostumado com aqueles vinhos verdes levinhos, e ainda não conhece este, está perdendo tempo! Este é outro comprimento de onda!