segunda-feira, 2 de julho de 2018

Gran Enemigo Single Vineyard Gualtallary Cabernet Franc 2013: 91, 95, ou 100 pontos?

Desde a primeira vez que bebi o Gran Enemigo Cabernet Franc eu fiquei muito bem impressionado e o considerei um dos melhores vinhos argentinos. O meu gosto pela casta deve ter ajudado. Mas o vinho realmente é grande. O 2012, muito badalado, bebi duas vezes, e na segunda gostei mais que na primeira. É um vinho potente, concentrado, CF ao estilo Bordeaux, não Vale do Loire. Ele precisa de tempo respirando antes de ser apreciado. É vinho para curtir adega, sem dúvida. O 2012 ganhou 98 pontos da Wine Advocate e 89 da Wine Spectator. Que diferença enorme de opiniões! Este Gran Enemigo Single Vineyard Gualtallary Cabernet Franc 2013 acabou de ganhar 100 pontos da Wine Advocate, depois de ter arrebatado 99 de James Suckling. Dando uma olhadinha, vi que levou também 91 da Wine Enthusiast. Há alguma confusão no site da WE, pois eles dão 94 para um que é feito com Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon, que parece ser aquele blend que tinha ainda a Petit Verdot e Malbec. A revista Vinous lhe outorgou 93 pontos e a Decanter 95. Notas bem diferentes, não? Com quem você fica? O fato é que faturar 100 pontos, seja de quem for, não é para qualquer um e merece ser celebrado. E eu fico feliz por ser um Cabernet Franc argentino, que há tempos tem sido minha uva preferida de lá. O problema é que agora vai todo mundo sair atrás dele para beber um vinho de "100 pontos" Parker, e o preço vai aumentar.







sábado, 30 de junho de 2018

Chocapalha Reserva 2007: Longevo!

Chocapalha Reserva 2007: Já pintou por aqui algumas vezes.  Replay só para confirmar que, com 11 anos de idade, continua tinindo! Ainda aguenta muito na adega. Belo vinho, longevo, de grande safra e produtora (Sandra Tavares da Silva) de primeira linha.



quarta-feira, 27 de junho de 2018

Canastra Real do João Faria: Na Venda do Mineiro em Passos

Semana passada fui a Passos visitar minha querida família e dei uma passada no Venda do Mineiro, do Geraldo, onde podem ser encontrados vários produtos de nossa querida Minas Gerais, incluindo queijos da Canastra, Serro etc. O local é muito legal, bonito, e dá para tomar boas cervejas, cachaça etc, acompanhadas, claro, de um bom torresmo e outros comidas "light". Peguei alguns queijos e, dentre eles, um pedaço do Canastra Real do João Faria, que tempos atrás pintou no Globo Repórter. Vejam a foto do danado e a comparação com um queijo tamanho padrão, de um kilo. O danado tem por volta de 6-7 kilos e parece bastante com um Canastra Real que apreciei tempos atrás (clique aqui), e é bem diferente do Canastra Real do Capim Canastra (bem mais maturado). A aparência e textura lembram muito um Emmental, mas o sabor é mais pronunciado. Queijo de cor amarela, bem gorduroso, macio e muito saboroso. Bom para vinho e cerveja mais estruturada. Uma Eisenbahn Strong Golden Ale iria bem. Aliás, esta cerveja é uma ótima opção brasileira, com bom preço. Gosto dela.
Vejam o tamanho do bichão. Ao lado, um Canastra do Luciano, para comparação do tamanho.


Massa amarela, furos lembrando um Emmental.

Venda do Mineiro: Se for a Passos, visite. Vejam as belas cachaças na prateleira.





terça-feira, 26 de junho de 2018

Santa Rita Medalla Real Syrah 2008: 10 Anos e perfeitinho!

 
Santa Rita Medalla Real Syrah 2008: Feito com uvas do Valle del Limari. 12 meses em barrica. 10 anos e perfeito, mostrando que vinhos chilenos podem ser longevos (se bem acondicionados), mesmo aqueles que não figuram entre os chamados "Super Premium". Notas de groselha, tabaco, terrosos, especiarias e azeitona preta. O tabaco diminuiu um pouco no dia seguinte e com o vinho um pouco mais frio. Ótima evolução para a sua faixa. Gostei!





sexta-feira, 22 de junho de 2018

Chateauneuf-du-Pape La Vielle Julienne Les Hauts-Lieux 2012

Chateauneuf-du-Pape La Vielle Julienne Les Hauts-Lieux 2012: O Domaine de La Vieille Julienne existe desde 1905, mas só começou a produzir vinhos próprios em 1960. Antes disso, fazia como muitos produtores do Rhone: Vendia uvas para negociants. Sua história está muito bem contada aqui. O Domaine atualmente pratica o cultivo biodinâmico e produz 4 vinhos. Este Cdp La Vielle Julienne Les Hauts-Lieux começou a ser produzido em 2010, e é feito com 70% Grenache, 20% Mourvedre, 5% Counoise e 5% Cinsault, e estão entre as que têm maturação mais tardia na propriedade, devido ao terroir mais frio. A vinificação é feita em tanques de cimento e a maturação em foudres. O vinho tem aromas de casca de ameixa, framboesa, notas minerais, alcaçuz e outras especiarias. Em boca é intenso, mineral, com ótima acidez e taninos firmes. Final longo e com notas de alcaçuz. Vinho com grande estrutura e que destaca pela mineralidade. Apreciável com 6 anos (após decanter), mas recompensará quem tiver paciência. Vinhão!







quarta-feira, 20 de junho de 2018

Vinhões no Paolão: Vértice Brut Rosé, Chateau Doisy-Daene Branco 2015 e Echezeaux Grand Cru Domaine Javouhey 2007

Vértice Brut Rosé: Espumante duriense feito pelas Caves Transmontanas (ver história aqui). O enólogo é o engenheiro Celso Pereira, com a colaboração de Pedro Guedes. Celso é um cara muito simpático e entusiasmado, que tive o prazer de conhecer em uma degustação da Alentejana em Campinas. Ele fala de seus vinhos com um brilho nos olhos que dá gosto. Mas os vinhos são realmente excelentes. E este Vértice Rosé servido pelo Paolão confirmou o fato. Vinho feito com Gouveio, Malvasia fina e Touriga Franca. Cor rosada, clara, e bolhas finas e persistentes. Boca cremosa e fresca, com notas de framboesa e de panificação. Mais seco, como deve ser. Belo espumante! 

Chateau Doisy-Daene Branco 2015, levado por este que vos escreve. 100% Sauvignon Blanc feito pelo gênio Denis Dubourdieu, que infelizmente faleceu em 2016. Matura 8 meses com as lias, com batonnage frequente. O vinho tem linda cor dourada e aromas deliciosos, que iniciam mais cítricos e florais, e logo passam para um evidente pêssego branco, maracujá e toques de ervas frescas. Em boca repete o nariz e mostra-se muito intenso e saboroso. Uma delícia! Se os brancos doces botritizados da vinícola são belíssimos, este não fica atrás. E tem um preço mais que convidativo (pelo menos lá fora). Se você é daqueles que sempre visitam a Total Wine, coloque na cesta!


Echezeaux Grand Cru Domaine S. Javouhey 2007: Não contente, o Paolão foi na adega e trouxe esse Echezeaux debaixo do braço.  Encontrei muito pouco ou quase nada sobre o produtor, então, tenho que falar só sobre o vinho. E ele estava uma beleza! Cor belíssima e aromas de morango, sous bois, cravo, canela e terrosos. Em boca, fruta madura, boa acidez e mineralidade. A taça se esvaziava rapidamente, claro. Uma delícia! Refinado, elegante e cheio de finesse. Dos grandes, obviamente. Valeu, Paolão!





segunda-feira, 18 de junho de 2018

Noite muito boa na confraria: Chateau Nenin 2010, Esporão S Syrah 2012, Bila-Haut Occultum Lapidem 2013, Kompassus Reserva 2011 e Rutini Antologia XLIV 2014


Dei uma atrasada nessa reunião da confraria, mas cheguei a tempo de beber os vinhos que já estavam abertos. Antes de falar deles, alguns comentários sobre uma conversa que tive com meu confrade Rodrigo, que se manifestou em relação a uma pequena mudança que fiz no blog. Recentemente eu tenho feito postagens mais breves, indo direto ao que achei do vinho e omitindo algumas informações que costumava incluir, como aquelas sobre o produtor, produção etc. O fato é que isso demanda muito tempo e pesquisa, e estou muito atarefado com as coisas do laboratório. Por isso, tenho que dar prioridade. Não é fácil fazer uma postagem longa, detalhada, de uma tacada, sobre 10 vinhos apreciados. Mas na medida do possível, ainda tento colocar algumas informações sobre o produtor, região etc. Mas quando não dá, pelo menos falo do vinho e o que achei dele. Bem, e nesta direção, vamos aos vinhos apreciados na noite. O da primeira foto foi levado pelo Cássio: Chateau Nenin 2010. Vinho do Pomerol, de safra histórica e feito com 82% Merlot e 18% Cabernet Franc. Notas de cassis, alcaçuz, leve café e pimenta-do-reino. Em boca, repete o nariz e mostra taninos finos, já sendo devidamente domados pelo tempo. Ótima presença e persistência. Belo vinho, com finesse. Merecia um descanso para aeração.


Esporão Syrah 2012, levado pelo Rodrigo. Um dos melhores da noite (que aliás, foi muito boa!). Nariz com muita fruta madura, chocolate amargo, café e especiarias. Em boca, concentrado, mas com acidez equilibrando o conjunto. Final longo, frutado e levemente tostado. Madeira presente mas muito bem integrada. Delicioso! De mastigar, mas sem ser enjoativo. Com longa vida!

Kompassus Reserva 2011. Levado por este que vos escreve. Bairradino feito com Baga cortada com Touriga Nacional e Merlot. Foi vinho do ano da Revista Gula em 2014. O vinho parece mais jovem que é, e os 15,5% de álcool não se fazem sentir. Aromas vívidos de frutas silvestres, florais, herbáceos, madeira e leve tostado. Em boca, acidez vibrante, mineralidade, certa picância e taninos firmes. Um ótimo vinho, com muita clareza e que merece decantação para ir mostrando suas qualidades. Ah, e pede comida! A ser revisitado, sem dúvida!

Rutini Antologia XLIV 2014, levado pelo Thiago. Vinhão feito com 80% Merlot, 10 % Cabernet Franc e 10 % Petit Verdot. Ao nariz, notas de framboesa, chocolate amargo, baunilha, pimenta e tostadas. Em boca, sedoso, com boa acidez e taninos redondos. Vinho muito equilibrado e sedoso. Ficou entre os 100 melhores vinhos argentinos eleitos por Tim Atkin em 2017, que lhe atribuiu 96 pontos. Realmente, muito bom! Se eu for em outro Antologia, vou nesse.
Bila-Haut Côtes du Roussillon Occultum Lapidem 2013, levado pelo JP. Vinho sempre ótimo, feito pelo grande Michel Chapoutier no Roussillon. Muito parecido com seu irmão de 2011, que o Paolão ofertou anos atrás. Corte de Grenache, Syrah e Carignan. Aromas florais, de amoras e minerais. Em boca, destaque para o seu frescor e mineralidade. É um vinho que gosto muito, pelo frescor e vivacidade. Garantia de alegria! Se você quer um vinho sem exageros, bem feito, com gosto de vinho, escolha este.
E o Paulinho voltou para casa com um Mouchão 2011, que não foi aberto. Mas espero que logo o faça.







quarta-feira, 13 de junho de 2018

LabeRinto Cabernet-Merlot 2009

Há 8 anos bebi um Laberinto Cabernet-Merlot 2007 e gostei do vinho, apesar de o achar jovem na época. Agora, abri este LabeRinto Cabernet-Merlot 2009, que com quase 10 anos, mostrou que este vinho é muito longevo. Se não soubesse a idade, lhe daria 4-5 anos. O danado não mostra o menor sinal do tempo. É obra de Rafael Tirado em sua vinícola boutique localizada ao lado do Lago Colbún, pertinho de Talca, cidade onde vive mi hermano Ariel.  O vinho, que é o top de linha do produtor, está muito parecido com seu irmão de 2007. Aromas de cassis, framboesa, notas amadeiradas e, com o tempo, um mentolado gostoso. Em boca, bem fresco, toques da madeira e taninos ainda pegados para a idade. Precisa de decanter. Eu, particularmente, gostei mais dele no dia seguinte. Teria muitos anos ainda pela frente, com tranquilidade. Se for beber agora, se muito descanso, beba acompanhado de um bom bife ancho ou uma picanha gordurosa, para dar trabalho aos taninos do vinho.





segunda-feira, 11 de junho de 2018

Poliphonia Signature 2012, Unânime 2007, Pago La Jara Gago 2009 e Miguel Escorihuela Gascon 2013!

Noite fria na confraria, com ótimos vinhos. A primeira foto é do vinho levado pelo Paulinho, Rei dos Portugueses, e que sempre pega pesado. Ele já nos brindou com safras mais antigas deste belo vinho, mas agora, foi com o Poliphonia Signature 2012. E já adianto que o vinho não deu chances para os outros na noite. Alentejano feito com Alicante Bouschet, Petit Verdot e Syrah, envelhecido em barricas de carvalho Allier com tosta média. Vinho rico em aromas de fruta madura, florais, chocolate amargo e minerais. Em boca, grande presença, frescor, taninos finos e final muito longo e mineral. Um belíssimo alentejano, muito equilibrado e que teria muitos anos pela frente. 
Mas os outros vinhos da noite, mostrados em foto única a seguir, também eram muito bons. 
O primeiro da esquerda para a direita é um MEG Miguel Escorihuela Gascon 2013, levado pelo Tonzinho. É feito com 85% Malbec e o restante de Syrah. Vinho muito aromático, cheio de fruta silvestres, notas florais, especiadas e fundo mineral. Em boca mostra muita vivacidade, acidez equilibrando o dulçor e taninos finos. Final frutado e levemente picante. Implora por um churrasco! É a Malbec nas versões mais modernas, menos doce e com menos ameixa. Bom vinho, para os amantes do estilo.
À direita do MEG, um Pago La Jara Gago 2009, feito pelo grande Telmo Rodriguez na região do Toro. Vinho top do produtor na região, e que passa 18 meses em barricas de diferentes dimensões. foi levado pelo JP. Tem aromas frutados e licorosos, cereja marrasquino, em fundo com chocolate e especiado. Em boca é macio, frutado e com taninos já bem redondos. Apesar de eu gostar muito dos vinhos da região, este não me fez muito a cabeça. Seria a garrafa? Tenho uma delas na adega e quero apreciá-lo em outra ocasião para fazer a contra-prova.
No meio da foto o Poliphonia Signature 2012, já citado acima, e à direita dele um Unânime 2007 que já descrevi aqui no blog. O vinho é feito pela vinícola argentina Santa Ana, e que agora parece ter adotado o nome Mascota. É vinho que ficou em segundo lugar na lista dos Top 50 da Decanter em 2013. É feito com 60% Cabernet Sauvignon, Malbec 25% e Cabernet Franc 15%. Eu queria muito saber seu comportamento com 11 anos de idade e 4 anos depois de te-lo bebido pela primeira vez. E ele se comportou muito bem! Ao ser aberto mostra-se bem seco e com notas de cassis, cacau, de pimenta-do-reino e minerais. As Cabernet dão o tom, embora a Malbec apareça comportada ao fundo. Levei o vinho embrulhado, e o Paulinho e Thiago chegaram bem perto de acertar mais detalhes sobre o vinho. Em boca ele está muito bom, sem nenhum sinal de cansaço. Às cegas lembra fácil um Bordeaux, mas tem sua própria identidade. Gostei muito dele, e devo guardar ainda mais um pouco outra garrafa que tenho. A de 2011 que o amigo Vitor me enviou deve ficar ainda mais tempo na adega.
Sobre o último vinho, o italiano Jaddico da Tenute Rubino, não vou falar, pois não abrimos...rs. Mas o Thiago jurou levar novamente o vinho que, se não me engano, é feito com Negroamaro e uma pitada de Sussumaniello.






quinta-feira, 7 de junho de 2018

La Rioja Alta Gran Reserva 904 2007 e Nederburg Noble Late Harvest 2016: celebrando o aniversário da minha digníssima!

Já faz um tempinho que bebemos esses vinhos para celebrar o aniversário de minha amada, mas tenho que postar para ficar registrado. O tinto do almoço foi um grande La Rioja Alta Gran Reserva 904 2007. Alguns irmãos dele já pintaram aqui no blog, sempre com muitos elogios. Este 2007 já foi apreciado algumas vezes na confraria, sempre arrancando suspiros. No dia que bebemos este, em particular, aconteceu algo legal. Meu amigo e confrade Joãozinho estava no restaurante, em mesa distante da nossa, e enviei uma taça para que ele apreciasse, sem saber. Um minuto se passou e recebi a mensagem no whatsapp: "La Rioja Alta 904"? O cara tá bom...rs. Mas vinho deste naipe a gente guarda mesmo. E este 2007 segue a linha de seus irmãos: Muita classe, elegância, refinamento! Feito com 90% Tempranillo e Graciano, com maturação por mais de 4 anos em carvalho americano. Cor lindíssima, aromas de cereja, cítricos, caixa de charutos, baunilha, canela e madeira velha. Muito rico! Em boca, acidez perfeita, toques de toffee, taninos finíssimos e grande persistência. Uma beleza de vinho! Digno de celebrar o aniversário de minha querida esposa.
E para acompanhar a sobremesa, um ótimo Nederburg Noble Late Harvest 2016. Este é um vinho que entrega bastante pelo seu preço. Bem, já foi mais barato. Mas mesmo no preço atual, é boa compra. Como o próprio nome diz, é feito com uvas botritizadas selecionadas a mão. É um corte de Chenin Blanc (60%), Weisser Riesling (27%) e Muscat (13%). Sua cor é límpida, dourada, e os aromas bem ricos, de damasco, tangerina, mel, baunilha e gengibre. Em boca repete o nariz e destaque-se pela ótima acidez, que equilibra o dulçor. Muito bom vinho! Se você não quer gastar muito com Sauternes ou Tokaji, e apreciar um bom vinho de uvas botritizadas, este sulafricano é uma boa opção!







quarta-feira, 6 de junho de 2018

Catedral Reserva Dão 2013

Catedral Reserva 2013: Outro Dão com bom preço e  boa qualidade. Aliás, duas regiões são "desprezadas" por bebedores de vinho, e não deveriam ser: Bairrada e Dão. Oferecem vinhos de bom preço, com "gosto de vinho" e que fogem da internacionalização. É claro que tem vinhos mais caros no Dão, como aqueles excelentes da Quinta da Falorca, ou tops da Quinta da Pellada, mas no geral, os vinhos tem bom preço e oferecem boa qualidade. Este Catedral é um exemplo. Corte manjado na região, com Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz, com esta última em maior quantidade. Os 6 meses em barricas não deixam marcas. Aromas de frutas maduras, cacau, especiarias e um fundinho vegetal. Em boca, repete o nariz e mostra bom frescor. Vinho justo, para acompanhar comida. 




Montes Alpha Cabernet Sauvignon 2014

Montes Alpha Cabernet Sauvignon 2014: Já gostei mais, mas ainda aprecio...

Cabriz Reserva 2012: Estava com saudades

Cabriz Reserva 2012: Estava com saudades deste vinho. Bebi muito do 2005, quando era importado pela Expand. Seu irmão menor, Colheita, sempre é premiado e é uma ótima compra pelo preço. Mas este Reserva fica um degrau acima. Vinho feito com Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz. Aromas florais, amoras e cerejas, em meio a tabaco, couro e defumado. Em boca é fresco e com taninos arenosos. Equilibrado e com final médio e especiado. Para fãs do Dão. Gosto muito dele! Bom preço, em se tratando de Brasil.





segunda-feira, 4 de junho de 2018

Embate entre Tinta Roriz e Tinta do Toro: Crasto Tinta Roriz 2003 versus Numanthia 2003!

Pela segunda vez tive o prazer de receber em São Carlos meu amigo Roberto, de Pernambuco, leitor assíduo aqui do blog e apreciar de grandes vinhos. Dessa vez, ele veio acompanhado de seus pais, que alegraram ainda mais o jantar regado a belas botellas. O Roberto sugeriu fazermos um embate entre um português feito com a Tinta Roriz (Aragonez), que ele traria, e um vinho espanhol feito com a mesma uva, mas que ganha outros nomes na Espanha (Tempranillo, Tinta do Toro, Ull de lebre, Cencibel, Tinta del País, etc). 
O Roberto trouxe um Quinta do Crasto Tinta Roriz 2003. Vinho de grande produtor, cujo exemplar de 2012 já pintou aqui no blog. O vinho, de safra quente em Portugal, e que rendeu vinhos mais maduros e potentes, tinha aromas que indicavam já ter atingido o platô. Aromas de cereja madura, tabaco, couro e especiarias. Em boca, muito volume e equilibrio, com taninos já devidamente arredondados pelo tempo. Senti que já estava perdendo força. Mas isso, não quer dizer não se tratar de um grande vinho. Acho que só tinha que ter sido abatido um pouquinho antes.
Eu levei um Numanthia 2003, 100% Tempranillo da região do Toro, Espanha. Este vinho sempre arrebata grandes notas da crítica, e este 2003 foi um dos mais bem avaliados do produtor. Numanthia é vinho de mastigar. Intenso, denso, soco no queixo com luva de veludo. Os anos parecem nunca afetá-los, e este 2003 estava uma beleza. Aromas de cereja preta, alcaçuz, chocolate amargo, balsâmico e leve couro. Em boca era intenso, com acidez marcante e taninos firmes. Leve toque licoroso que parece ser padrão do vinho. O final, interminável. Um grande vinho! E a despeito da qualidade do Crasto Tinta Roriz, seu primo espanhol mostrou mais vivacidade. Para mim, acabou vencendo o embate. Talvez se o Crasto estivesse mais jovem, a briga fosse mais parelha. 
Mas não contente, o Roberto trouxe também um vinhaço para fechar o jantar: Pintas Porto Vintage 2009. Aqui também trata-se de cachorro grande. E por falar em cachorro grande, vem das pintas do cachorro do casal de enólogos Jorge Serôdio Borges e Sandra Tavares da Silva, o nome do vinho. O vinho é feito com uvas de vinhedos de mais de  80 anos de idade, com mais de 30 variedades. Passa 19 meses em tonéis e a produção é pequena, de apenas 4.000 garrafas de 750 mL e 500 de 375 mL. Vinho de cor escura, intransponível, e aromas de amoras, cereja preta, cacau, herbáceas e minerais. Em boca mostrou grande nervo, acidez vibrante, notas de cacau, herbáceas e minerais. O final, interminável. Vinho grandioso, ainda jovem para um Vintage. Os anos lhe farão muito bem. 
Ah, e esqueci de dizer que a noite começou com um Sauvignon Blanc borgonhês: Clotilde Davenne Saint-Abris Sauvignon 2015. Aromas florais e de grapefruit, em fundo mineral. Em boca, boa acidez e mineralidade. Lembra Sauvignon do Loire, mas tem um toque particular. Uma boa experiência. É importado pela Delacroix, que tem coisas muito interessantes em seu portifólio. 
Bem, nem preciso dizer que o jantar foi uma beleza. Boa companhia e vinhos de primeira! Valeu, Roberto!

Contra-rótulo do Numanthia, onde é indicada sua safra (que não aparece na parte da frente.