domingo, 26 de março de 2017

Jantar na Mercearia 3M, com vinhos da Qualimpor: Esporão Reserva branco 2015, Esporão Reserva tinto 2013, Quinta dos Murças 2010 e outros...

Nesse último sábado fui a um jantar na Mercearia 3M, organizado pelo Idinir, equipe e importadora Qualimpor. Tudo estava ótimo, a companhia, comida e vinhos. Estes últimos foram apresentados pelo Antonio Bravo, da Esporão, que fez uma bela exposição, não apenas dos vinhos, mas de história. 
Nos vinhos, alguns bons de entrada, da linha Pé Tinto (o branco foi meu preferido - leve e fácil de beber) e o best buy Monte Velho (também o branco me chamou mais a atenção, pela boa mineralidade). Subindo um bom degrau, um ótimo Esporão Reserva Branco 2015. Este é sempre uma compra garantida. Vinho com muita presença, fresco, cítrico, mineral e levemente cremoso. Companhia certa para um bom peixe e ótima introdução para o Private. É difícil de ser batido em sua faixa de preço.
Seu irmão Esporão Reserva tinto 2013, o da foto, também fez bonito. Outro que não pode faltar na adega de bebedores de bom gosto. Denso, fruta madura, ameixa, defumado, cacau e baunilha. Já pode ser bebido agora, tranquilamente, mas o tempo deve dar uma amansada na baunilha, que ainda está saliente. Se for beber agora, uma boa decantação é recomendada. Ótimo vinho, como sempre.
Passando para os durienses, um ótimo Assobio 2014. Este eu bebo desde o seu lançamento, e ele está mantendo a qualidade. Este 2014 me chamou a atenção pelo bom frescor e mineralidade. Tem notas de framboesa, especiarias e chocolate. Em boca é fresco, mineral, taninos finos e final especiado. Foi o que melhor harmonizou com o filet com molho mostarda. Muito bom! Confesso que gostei ainda mais que o badalado 2011, que ganhou 94 pontos da Wine Enthusiast e ficou em quarto lugar entre os 100 da lista de melhores compras de 2014.
E para finalizar, um ótimo Quinta dos Murças 2010. Já havia bebido o 2008 bom tempo atrás, que apesar da riqueza e complexidade, na época pedia tempo para amaciar. Este 2010, com 7 anos, ainda está crescendo. Vinho com aromas de amoras silvestres, chocolate amargo, azeitona preta, leve tabaco e especiarias. Em boca, ótima acidez e taninos firmes. O final é longo e mineral. Um ótimo duriense, típico, que deve ganhar ainda com adega, mas já pode ser bebido agora.  

Evento muito agradável! Ao final, vinhos com desconto e parte do valor do convite (que já era bem justo) ainda podia ser abatido de compras. 


domingo, 19 de março de 2017

Noite boa no Paolão, com vinho bão: Pascal Jolivet Exception 2004, Shea Wine Cellars 2011 e Beronia Reserva 2012

O Paolão nos convidou para uns vinhos em sua casa e lá mandamos coisa boa. Abaixo as fotos dos danados:

Oferta do Paolão: Pascal Jolivet Exception 2004. Um belo Sancerre feito por produtor reconhecido no Loire. É produzido com uvas de 3 diferentes vinhedos especiais. As uvas são misturadas e fermentadas juntas em tanques de inox, com suas próprias leveduras. É a mais pura expressão da Sauvignon Blanc! Cor belíssima, jovial para um vinho de 13 anos. Aromas de pera e frutas cítricas, em um belo fundo mineral. Em boca, ótima fruta, frescor e mineralidade. Um belo Sancerre, do andar de cima. Lição de como deve ser um belo Sauvignon Blanc.Isso aí, Paolão!

Levado por mim, a pedido do Paolão, que queria um Pinot Noir do Oregon: Shea Wine Cellars 2011. Eu queria ver a evolução deste depois da última vez que bebi (clique aqui). Está indo muito bem, ganhando complexidade, com a fruta sendo equilibrada com toques de tabaco e terrosos. A baunilha deu uma acalmada... Belo vinho!

Beronia Reserva 2012, levado pelo JP. Este nunca decepciona (o vinho, não o JP...rs). Sempre mostra-se uma excelente compra, principalmente se feita no exterior. Tem aromas de cereja preta, tostados, leve tabaco e madeira doce. Em boca, repete o nariz e mostra um final amadeirado, levemente adocicado. Bom vinho, como sempre, mas achei um pouco mais doce que seus antecessores. Mas nada que incomode e deprecie o vinho.

Quinta do Portal Grande Reserva 2009

A Quinta do Portal gaba-se por ser a primeira vinícola duriense a rotular um vinho como Grande Reserva, o que foi aplicado em sua safra de 1996. Este Quinta do Portal Grande Reserva 2009 foi feito com Touriga Nacional (60%), Tinta Roriz (30) e Touriga Franca (10%), e maturou 12 meses em cascos novos de carvalho francês. O floral da Touriga Nacional já está devidamente amaciado pelo tempo, sem exageros, e a fruta madura reina, com notas de cereja preta e ameixa, com um fundo tostado. Em boca é muito macio, boa persistência, acidez média e taninos muito redondos. Um belo vinho do Douro, sem exageros e muito elegante. Embora digam que sua guarda é de mais de 12 anos, acho que não ganhará mais com adega. Seu irmão de 2011 foi muito premiado, inclusive, ganhando como melhor vinho no concurso de vinhos de Portugal em 2016. 




segunda-feira, 13 de março de 2017

Marquesa de Alorna Grande Reserva 2011, Dominique Laurent Cuvée n. 1 2011, Amayna Pinot Noir 2011, Pulenta VIII Chardonnay 2015, De Lucca Marsanne Reserve 2013 e Chateau D'Esclans Rosé 2013

Bons vinhos na reunião da confraria. Vejam a turma abaixo.


De Lucca Marsanne Reserve 2013: Levado por mim. 50% do vinho passa 2 meses em madeira. Branco de bela cor citrina, aromas de damasco, florais e minerais. Em boca, seco, ótima acidez e mineralidade. O Caião preferiu o Chardonnay Pulenta, pois achou este Marsanne muito "macho". Eu achei muito bom o vinho, principalmente por ser mais seco.

Levado pelo Joãozinho, este Pulenta VIII Chardonnay 2015 estava bem agradável. Cor clara, aromas florais, pera, abacaxi e toques minerais. Em boca, repetia o nariz e mostrava bom frescor. Só queria que fosse mais seco.

Chateau D'Esclans 2013, um Rosé de Provence levado pelo Thiago. Famosa cor de casca de cebola, aromas de morango e framboesa. Em boca, um pouco mais de peso que eu espero para um rosé da provence. Leve amargor ao final. Faltou-lhe um pouco mais de frescor. 

Amayna Pinot Noir 2011, chileno levado pelo Rodrigo. Eu achei bem melhor que o 2010 que bebemos recentemente. Sempre critico os Amayna PN por excesso de goiaba, seja no aroma, seja em boca. Este estava mais equilibrado. A mirtacea estava lá, mas bem mais comedida. O vinho tinha notas tostadas da madeira e aromas de cereja preta, com a goiaba alí, acompanhando... Em boca, bem sedoso, toques minerais e taninos finos. Gostoso. Só que tinha um Borgonha ao lado...

Dominique Laurent Cuvée Numero 1 2011. Este foi legal: Duas garrafas! Uma levada pelo Caião e outra pelo JP. Ambas ótimas! Só um detalhe: As duas rolhas não estavam legais, indicando que o vinho talvez tivesse problemas daqui a um tempo. Mas os vinhos estavam ótimos! O rei da madeira, Dominique Laurent, dosou muito bem a danada neste vinho. Ela aparece, mas está bem integrada com boa fruta e toques minerais. Vinho aromático e muito macio em boca, com final longo e especiado. Quem comprou no Bota-Fora da World Wine, se deu bem. Mas eu beberia logo, com medo de outras rolhas estarem do mesmo jeito.

Marquesa de Alorna Grande Reserva 2011! Vinhão levado pelo Paulinho, o Rei dos Portugueses. Ele, que havia nos brindado com um branco 2012, da mesma linha, levou esta preciosidade. Vinho potente, madeira presente, mas de ótima qualidade, notas de amoras, cacau e grafite. Em boca, acidez vibrante, amplo, denso, mineral e com final longo. Os taninos ainda estão jovens. Um grande vinho que tem que ser acompanhado de uma bela carne gordurosa. Tem muitos anos pela frente. Mais um grande vinho levado pelo Paul. Foi o Rei da noite, sem dúvida. Briga fácil com outros bem mais caros e famosos em Portugal. O branco dele também é excelente. Ah, o azeite também...rs.



Etna Bianco Le Vigne Niche 2011: Excelente branco Siciliano!

Após ler o artigo no blog Bacco e Bocca sobre o Etna Bianco, da Tenuta delle Terre Nere, corri ao site da Mistral para ver se ainda tinha sobrado alguma garrafa. Depois de alguma paciência, consegui comprar, nos últimos lotes, algumas deste Etna Bianco Le Vigne Niche 2011. No entanto, logo depois, em outro artigo, o Bacco relatou que os que havia comprado (se não me engano, da safra 2010), não estavam legais. Alguns de seus leitores também disseram ter comprado o mesmo vinho, e que também não estava legal. Obviamente, fiquei preocupado, mas não desesperado, pois além das diferenças entre garrafas que podem ocorrer (e de acondicionamento, considerando que comprei em São Paulo), há também a diferença na safra. Assim, fiquei torcendo para que as minhas estivessem boas. Abri uma recentemente e para minha felicidade, o vinho estava excelente. Ufa! 
A linha Le Vigne Niche foi iniciada em 2007. O vinho é feito com 100% Carricante, de vinhedos orgânicos de pequenas parcelas (não ultrapassando 3,5 hectares de extensão), plantadas na inclinação norte do Monte Etna, com idade variando entre 25-60 anos e baixo rendimento. A fermentação e maturação são feitas em grandes tonéis de carvalho francês, por 10 meses. A madeira não deixa marcas negativas.
O vinho tem uma bela cor citrina, límpida e brilhante. Os aromas são florais, minerais, fruta lembrando maçã golden e um fundo amendoado e com notas sutis de cera de abelha. Em boca mostra ótimo frescor, mineralidade e complexidade. O final é longo e mineral. O vinho vai mudando em taça, característica de vinho bão. Bem, tem (muito) vinho que muda para pior...rs. Não é o caso. Para mim, o vinho está excelente e tem ainda anos de vida pela frente. É par perfeito para peixe e cia, além de poder ser bebido sozinho, claro.



sábado, 11 de março de 2017

Quinta do Ameal Escolha 2013: Fino!

A Quinta do Ameal fica no norte de Portugal, no Vale da Mina, região do Minho, ou seja, dos vinhos verdes. O proprietário é Pedro Araújo, bisneto de ninguém menos que Adriano Ramos-Pinto. A Quinta é do século XVIII, pequena, belíssima, com jardins de cair o queixo, e investe no enoturismo. Lá trabalha-se apenas com a Loureiro, de forma orgânica e com pouca intervenção. Este Quinta do Ameal Escolha 2013 é feito com uvas de vinhedos de baixa produção (5 ton/hectare) e passa 6 meses em barricas usadas de carvalho francês, de Nevers. Apenas 4.000 garrafas são produzidas, em anos selecionados. A cor é linda, citrina, brilhante, e os aromas são florais, de flor de laranjeira, em um fundo levemente amendoado. Em boca é mineral, fresco, com notas amendoadas e final longo. Para completar as qualidades, tem apenas 11% de álcool. Desce fácil, ganha complexidade em taça e acompanha com maestria pratos com peixes e frutos do mar. Belo branco, refinado e delicioso! O de entrada deles também é muito bom. Até a Wine Advocate, de Mr Parker, que gosta de coisas mais pesadas, já atribuiu 94 pontos ao da safra 2015.

sábado, 4 de março de 2017

Esporão 4 Castas 2015, Marques de Riscal Reserva 2011 e Arboleda Syrah 2012

Fomos nessa sexta-feira à tarde beber uns vinhos na Mercearia 3M, de nosso amigo Idinir. Começams com um Esporão 4 Castas 2015, feito com Touriga Nacional, Trincadeira, Syrah e Alicante Bouschet, em proporções iguais. O vinho estagia 6 meses em cubas de betão e barricas de carvalho francês e descansa adicionais 6 meses em garrafa. Tem cor densa, escura, e aromas que se iniciam com o floral da Touriga Nacional e de ameixas e amoras, em meio a notas de cacau e baunilha. Em boca é denso, com ótima acidez, mas ainda está nervoso, com taninos pegados. Precisa de tempo em garrafa ou então, decanter e boa carne gordurosa para acompanhar. Foi unânime entre os amigos que para beber sozinho, tá pegado.
Seguimos com um Marques de Riscal Reserva 2011. Este não tem erro! Riscal nunca decepciona. Se você não quiser gastar muito em um jantar com amigos, e não decepcionar, é só levar um Riscal, Quinta da Bacalhoa ou Esporão Reserva. Este 2011 tem uma cor mais escura que os mais antigos, e aromas de cereja, toffee e cítricos. Em boca, repetia e nariz, mostrava boa acidez, maciez, taninos finos e final amadeirado. Sim, como esperado, a madeira aparece. Mas para um Rioja, nenhuma surpresa. Estava delicioso o vinho. Eu tenho notado uma tendência de modernização do Riscal nas últimas safras. Espero que não exagerem e percam a tradição.
E para finalizar, escolhi um Arboleda Syrah 2012. Vinícola do grupo Errazuriz, e que tem à frente o grande Eduardo Chadwick. Passa 12 em barricas de carvalho. Ao nariz, notas de amoras maduras, chocolate e especiarias. Notamos uma ponta de álcool sobressaindo. Em boca, um pouco quente e com taninos sedosos. Com comida, melhora. Mas seu irmão feito com a Pinot Noir é bem superior. Não surpreendeu a turma, ainda mais pelo preço, similar ao do Riscal. Aliás, o resultado foi que a turma reclamou comigo da escolha e todos levaram garrafas de Riscal para casa, pois ele não deu chances aos outros dois.
Isso aí!

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Quinta de Foz de Arouce Tinto 2011: Muito bom!

Vinho da região de Beiras, este Quinta de Foz de Arouce Tinto 2011 é obra do grande enólogo João Portugal Ramos, que é genro do proprietário da Quinta. O vinho ficou em nono lugar na lista dos top 100 da Wine Enthusiast em 2015, com 93 pontos, o que é um feito para um vinho na sua faixa de preço. Ele é feito com Baga e Touriga Nacional, e passa 6 meses em meias-pipas de carvalho francês de primeiro e segundo usos. Sua cor é grenat, brilhante, e os aromas remetem a ameixas, especiarias e leve resina. Em boca mostra fruta doce, madura, em meio a ótima acidez que lhe aporta frescor e equilibra o conjunto. Os taninos são sedosos e o final com aquele toquezinho vegetal da Baga. É do tipo de vinho que eu gosto, ou seja, com gosto de vinho! Para quem usa o tal do km de vantagens o preço é uma pechincha. Mesmo sem isso, está a um preço bem justo para a sua qualidade na importadora (Decanter).


domingo, 29 de janeiro de 2017

Tilenus Crianza 2005: Tá na hora!

Comprei este Tilenus Crianza 2005 em uma ótima promoção da Domus Vini. O vinho, das Bodegas Estefania (grupo MGWines), é produzido com a emblemática Mencía, de Bierzo. O nome do vinho é em referência ao deus Celta da guerra, Teleno (equivalente ao romano Marte). Passa 14 meses em barricas e o enólogo é o conhecido Raúl Pérez (Castro Ventosa). Este Tilenus 2005 já estava com a rolha seca, tendo se rompido ao ser retirada. Mas o vinho estava muito bom. Ao nariz mostrava notas de frutas maduras, cereja e framboesa, em meio a tabaco, cacau e couro. Em boca, fruta madura, boa acidez e taninos doces, já bem arredondados pelo tempo. O final tinha um toque de couro e especiarias. Um vinho muito agradável, que está no seu máximo, e a meu ver, deve começar a descer a ladeira. Pelo menos é como se mostrou esta garrafa. Assim, se tiver um, mande ver.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Laberinto Pinot Noir 2013: Muito bom!

Já escrevi algumas vezes aqui que sou meio chato em relação a Pinot Noir chileno. Toda vez que abro um, sempre fico com receio de encarar um Pinot Noir extraído, álcool exagerado etc. Mas já tive boas e positivas surpresas com alguns deles, como o Arboleda, Garcia-Schwaderer, Falernia etc. Conhecendo os vinhos da vinícola Ribera del Lago (Laberinto), que produz um ótimo corte Cabernet/Merlot (clique aqui) e Sauvignon Blanc (clique), eu fui com fé neste Laberinto Pinot Noir 2013. O vinho é produzido pelo enólogo Rafael Tirado, com uvas de videiras plantadas ao lado do Lago Colbun, no Vale do Maule. Fica bem pertinho de Talca, cidade de mi hermano Ariel. Aliás, quando estive lá passamos ao lado do lago em caminho aos Andes. Arrependi-me de não ter visitado a vinícola. Na próxima vez, irei lá, sem dúvida. Na ficha técnica do vinho, no site do produtor, está escrito que este Pinot Noir passa 12 meses em barricas francesas e 12 em garrafa antes de ser comercializado. Fiquei na dúvida se as barricas são usadas, se parte delas são novas, ou se apenas parte dele é maturado. O fato é que a madeira não deixa marcas. Ao nariz o vinho mostra notas de cerejas e morangos, em meio a notas minerais. Em boca é leve, refinado, com ótimo frescor e mineralidade. Nada de exageros, superextração etc. Um ótimo Pinot Noir, que evapora logo da taça e pede outra. O Luiz Cola também gostou dele. 



terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Gran Enemigo Single Vineyard Gualtallary 2012: Minhas impressões sobre o melhor vinho argentino, segundo a Wine Advocate!

Dias atrás bebemos este Gran Enemigo Single Vineyard Gualtallary 2012, obra do grande Alejandro Vigil e Adrianna Catena. Recentemente este vinho ficou em primeiro lugar em uma lista dos melhores vinhos argentinos pela Wine Advocate, com nada menos que 98 pontos! Seu irmão de 2011 havia obtido a mesma pontuação anteriormente. 
O vinho é feito com 85% Cabernet Franc, uva que gosto demais, e 15% Malbec. As uvas provêm de vinhedos de alta densidade e a produção é pequena (menos de 3.000 garrafas). Segundo o próprio Alejandro, ele e Adrianna Catena fizeram o vinho ao estilo bordalês, em que a Cabernet Franc é cortada com outras variedades da região. Quanto ao vinho, sua cor é escura, densa, intransponível, e os aromas, típicos da casta, com notas de amoras em compota, azeitona preta, pimenta do reino e chocolate amargo. Em boca é explosivo, muito denso, com longo final e taninos ainda jovens. Um vinho novo, que a meu ver, precisa de tempo. Aliás, Cabernet Franc costuma premiar quem tem paciência... Concordo mesmo que seja um Cabernet Franc ao estilo bordalês, e não Loire. Só por curiosidade, há uma discrepância grande entre a avaliação da Wine Advocate e a Wine Spectator. A primeira, como citei, lhe tascou 98 pontos e elogios rasgados. A segunda foi (bem) mais comedida, invertendo os números e lhe atribuindo 89 pontos. Olha, quem sou eu para me meter nesse negócio de pontos, mas eu acho que as duas revistas poderiam entrar em um acordo...rs. Particularmente, eu gostei mais do 2010. Talvez por tê-lo bebido um pouco menos jovem, sei lá... Questão de gosto. Nesse 2012, eu só queria sentir uma pitada a mais de acidez. Mas o vinho é grande!



segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Philippe Pacalet Grevrey-Chambertin 2011, Pintas 2012 e EPU 2010

Três vinhos de responsa na foto. O primeiro deles, da esquerda para a direita, é um EPU de Almaviva 2010, já comentado aqui no blog (clique aqui). Da época que bebi, começo de 2014, para cá, ele mudou um bocadinho. Acho que ficou com ares mais de frutas maduras, taninos doces, coisa assim. Mas continua bom (embora não seja o vinho que eu coloque na cesta). Eu preferi quando ele estava com 4 anos, por mostrar mais frescor.
O segundo da foto, o borgonhês biodinâmico Philippe Pacalet Gevrey-Chambertin 2011. Vinho com pouco álcool (12,3%), leve, com aromas florais e evidentes de jaboticaba, em fundo terroso e especiado. Em boca, sutil, leve, boa acidez e taninos redondos. Um ótimo vinho do craque Pacalet. Mas confesso que as notas de jaboticaba causaram uma certa estranheza nos presentes. 
E para finalizar, um Pintas 2012, do casal Sandra Tavares da Silva e Jorge Serôdio Borges. Feito com uvas de vinhas de mais de 80 anos, contendo mais de 20 castas, entre elas a Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinto Cão, Tinta Barroca e Rufete. Pisa a pé em lagares de granito. A densidade aparece já na cor, escura, intransponível. Ao nariz, fruta madura, amoras em compota e cereja preta, em meio a cacau, grafite e especiarias. Em boca era intenso, muscular, mineral, com ótima acidez e taninos ainda por se arredondar. Um vinho poderoso, de grande presença, e para durar muitos e muitos anos. Bebê-lo agora foi, claro, uma grande experiência. Mas ele merecia uns bons anos na adega para se acalmar. Grande vinho! Se tiver um, guarde.
Isso aí!


Amarone della Valpolicella I Filari del Pigno 2011: Gostei!

Bebemos este Amarone della Valpolicella I Filari del Pigno 2011, da Azienda Agricola Brigaldara, semanas atrás. Não encontrei muitas informações sobre ele no site da vinícola. Só sei que é feito com as uvas Corvina, Corvinone e Rondinella. Eu não sou lá muito fã de Amarone, principalmente por que alguns são muito pesados para o meu paladar. Mas este tinha características que me agradaram muito. Sua cor era granada, bem bonita, brilhante. Ao nariz, mostrava notas de cereja preta, baunilha, menta e minerais. Em boca, clareza e destaque para a ótima acidez, que lhe aportava frescor e fazia com que pedíssemos uma nova taça. Os bons taninos completavam o conjunto. Vinho de ótima persistência, com final mineral e com aquele toque amaro característico.  Engraçado que me remetia a bons vinhos do Priorato, principalmente pela acidez e mineralidade. Gostei dele!