terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Georges Vernay Condrieu Coteau de Vernon 2006: Sensacional!

Esta postagem será curta. Isso por que na postagem anterior já tratei do irmão deste Georges Vernay Condrieu Coteau de Vernon 2006, ou seja, o da safra imediatamente posterior (clique aqui). E não contente em apreciar o belíssimo 2007, ou melhor, por ter ficado impressionado com ele, resolvi abrir esta garrafa do 2006 para apreciar com meu amigo JP. E se o 2007 estava uma maravilha, este 2006 estava sensacional. Ele foi considerado até melhor que o seu sucessor, e mostrava-se ainda mais opulento. Impressionante seus aromas de frutas, como o pêssego amarelo, em meio a aromas florais, amêndoas e mel. Seus aromas saltavam da taça. Em boca era intenso e cremoso, e seu gosto do vinho ainda está na minha mente. Inesquecível. Sem dúvida alguma, um dos melhores brancos que bebi e o melhor em 2013. Super vinho! Digno da última postagem de 2013.

Ps. Só para referência, a WS lhe outorgou 97 pontos, com elogios rasgados para o que designaram "um verdadeiramente raro Viognier".


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Em nossa reunião de final de ano, só cachorro grande: Champagne Perrier-Jouet Cuvée Belle Epoque 2004, Georges Vernay Condrieu Coteau de Vernon 2007, Gevrey-Chambertin 1er Cru Denis Mortet 2005, Valbuena 5 Año 2008, Brunello Cappana Riserva 2007, Pintas 2009 e um Ben Rye 2006 para arrematar!

Nossa reunião de final de ano da confraria foi daquelas... Fizemos lá no Restaurante Chez Marcel, onde o Chef Bart esbanjou na qualidade e quantidade. Começamos cedo, e as 19h00 já tinha comida na mesa e vinho na taça. A comida, estava divina. Entradas de dar água na boca: Ostras, Camarões, Vieiras, Mariscos, Salmão defumado com crosta de gergelim, Terrine de Coelho, Salada de Brie com mel e presento cru e aí vai. Não sei como ainda conseguimos apreciar os pratos principais. Aliás, eu e alguns colegas ficamos só em um, deixando de lado um belo Coelho... Realmente foi de primeira. Merci beaucoup, Chef Bart! Bem, e para escoltar tudo isso, vinhos grandiosos. E quando digo grandiosos, não exagero. 
Para começar, um Champagne Perrier-Jouet Cuvée Belle Epoque 2004. Aqui o negócio não é só beleza do rótulo. Há tradição e muita qualidade de uma Maison que produz Champagne desde 1811. O vinho era floral, cítrico e com notas de pêssego, pêra e marzipan. Em boca mostrava bela acidez, mineralidade, grande intensidade e cremosidade. Uma beleza! Idéia e execução do Tonzinho. Ah, notem que não falo de perlage. Não ligo prá isso.
Depois deste "champagnão", partimos para o melhor branco que bebi este ano: Georges Vernay Condrieu Coteau de Vernon 2007. Já comentei aqui no blog sobre um irmão "menor" dele aqui no blog (clique). E se já tinha ficado impressionado com o primeiro, agora babei. E não foi só eu o babão. Meus confrades também o elegeram o melhor da noite. E olha que, em meio a tantos vinhões, eleger um é coisa difícil. Mas este estava realmente demais. Ele mostrava tudo que a Viognier pode render no norte do Rhone. O vinhedo Coteau du Vernon, de apenas 2 hectares, fica bem no centro da apelação Condrieu, e de suas vinhas de 60-80 anos de idade a vinícola produz, de forma orgânica, o seu mais concentrado Condrieu. A maturação é feita com as borras, em barricas de carvalho (25% novas) por 12-18 meses, com agitação esporádica. O vinho é de uma riqueza difícil de descrever, tanto ao nariz, quanto em boca. Seus aromas florais e de frutas como o pêssego, se misturam a notas amendoadas e um fundinho de mel. Em boca repetia o nariz e tinha acidez corretíssima e um final interminável. Uma maravilha de branco. Todos ficaram lamentando quando as duas garrafas se evaporaram. Recomendadíssimo! Era importado pela Grand Cru. Não sei se ainda é.
E saímos deste brancão de estirpe para um outra francês, agora da Borgonha, o Gevrey-Chambertin 1er Cru Denis Mortet 2005 (terceiro à direita, na foto acima). Outro produtor dos bons e outro vinho maravilhoso. Olha, eu não mando um "maravilhoso" para qualquer vinho... Tem que mostrar adjetivos. E este, mostrou muitos. A própria vinícola, que produz uma boa gama de vinhos, considera este 1er Cru o mais charmoso de seus vinhos. E apesar de ter longo potencial de guarda, sugerem que pode ser apreciado mais novo. Este, com os seus quase 9 aninhos, estava belíssimo. Suas notas de amoras e cereja preta se mesclavam perfeitamente com notas especiadas (alcaçuz e com o tempo, canela). Em boca era denso, mas elegante ao extremo, e com ótima acidez. O gosto do vinho nunca sumia da boca. Um vinhaço! Outro recomendadíssimo. Importação: Worldwine.
Partimos então para o Pintas 2009, da Wine and Soul (último à direita, foto acima). O duriense é feito sob a batuta do casal Jorge Serôdio Borges e Sandra Tavares da Silva. Eu, particularmente, sou fã dos vinhos do casal e sinto saudades dos bons papos que tinha com o simpático Jorge nos Encontros Mistral, quando seus vinhos ainda eram importados pela empresa. O Pintas 2009 é um vinho muito premiado, e considerado um dos melhores da safra pela crítica portuguesa. É vinho de produção pequena, feito com uvas de vinhas velhas (de quase 80 anos de idade), e pisa a pé. Sua cor é escura, quase impenetrável, e seus aromas florais e de fruta bem madura (mirtilo e cereja preta) se mesclam a kirsch, alcaçuz e cacau. Em boca repete o nariz, é mineral, especiado e muito denso, daqueles de mastigar. É muito elegante e com final muito longo. O pessoal estranhou o vinho e o deixou meio à margem dos outros. Um pecado, claro. É um vinhaço, que implorava comida mais pesada. Nem as entradas, nem os pratos principais faziam frente à sua potência. Eu ainda tenho uma garrafa dele e quero me esbaldar daqui a uns anos. Importação: Adega Alentejana. 
E já que estamos falando em potência, lá vai outro: Brunello de Montalcino Capanna Riserva 2007. Recentemente pintou aqui no blog seu "irmão menor", o "não riserva", levado pelo Caião (clique aqui). Aliás, este também foi providenciado pelo Caião. O vinho matura quatro anos em botti e mais um em garrafa antes de ser comercializado. Obviamente, pela sua idade, estava fechado no início e só se mostrou após umas 2 horas de decanter, com muita riqueza. Ao nariz mostra notas cítricas e de frutas silvestres, em meio a chá, folhas secas e alcaçuz. Em boca repete o nariz e tem uma belíssima acidez, em meio a taninos bem presentes. A madeira é muito bem integrada e o final, longuíssimo. É Brunello tradicional, distinto de muitos levados pelo modismo. O problema aqui é a idade do vinho. Muito novinho! Embora tenha dado alegria, é vinho para muitos e muitos anos. Pelo menos mais uns 3 anos de adega seriam necessários para curtí-lo melhor. Quero beber um mais velhinho destes. Se você tem paciência, compre um deste, ou mesmo um normal, e guarde. Terá um grande vinho para apreciar daqui a uns anos. Importação: Viavini.
O vinho seguinte, em garrafa magnum, dispensa maiores apresentações. Era um Vega Sicilia Valbuena 5o Año 2008. Não encontrei a ficha técnica dele no site da Vega, mas o que é conhecido é o seu envelhecimento por menor tempo que seu irmão maior, e mais Merlot no corte, dominado pela Tempranillo. O vinho tinha notas de cerejas e ameixa, em meio a baunilha, tabaco e couro. Nariz mais fresco, de vinho novo ainda, com bons anos pela frente. Em boca era sedosidade pura, marca da Vega Sicilia, e com ótima acidez. Bem, não preciso escrever mais, o carimbo Vega Sicilia dispensa. Vinhão! Importação: Mistral.
E para finalizar, um belo Passito de Pantelleria de Donnafugata, o Ben Rye 2006. Já bebemos este vinho, que é uma beleza. Notas de passas, doce de casca de laranja da terra (gente mais nova não conhece muito), tabaco, especiarias e outras tantas. Muito rico! Em boca é denso, para poucas taças, e foi par perfeito para o pudim de panetone feito pelo Bart.
Grande noite fechando o ano! Isso aí, confrades!


A turma reunida... Quanto vinho bão!


Rose e Chef Bart - Responsáveis pelo belo cardápio da noite



domingo, 29 de dezembro de 2013

Os vinhos que mais gostei em 2013

Em 2013 bebemos muito vinhobão! Eu não costumo ranquear vinhos, mas este ano resolvi fazer uma pequena lista, baseada naqueles vinhos que bebi este ano, que mostrasse os que mais gostei. Não são necessariamente os mais caros, e sim, os que no conjunto, me deixaram feliz. E se for mais barato, melhor ainda...rs. Evitarei colocar na lista vinhos que bebi em degustações e megadegustações. Os poucos da lista, que foram apenas provados nestes eventos, serão indicados por asteriscos.
Obviamente, muitos vinhos bons ficarão de fora, mas não tem jeito. 
Alertando: Esta lista é uma brincadeira. Nada de avaliações profissionais, etc. É apenas para me divertir. O nome é linkado à postagem, para quem quiser ler mais sobre o vinho e ocasião na qual bebi. Não há uma ordem. Apenas separei por nacionalidade para facilitar. Amanhã, dia 30/12/2013, farei a minha última postagem do ano, com os vinhos que bebemos em nossa especial de final de ano da Confraria do Ciao, e no primeiro dia de 2014 postarei qual o branco e o tinto que mais me emocionaram em 2013.

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Lista de vinhos que mais gostei em 2013


EUA

Chateau Saint Michelle Merlot 2007 
Rex Hill Pinot Noir Willamette Valley 2010

Austrália

Torbreck Descendant 2005
Kilikanoon Oracle 2005
Peter Lehmann Stonewell 2001
Grosset Piccadilly Chardonnay 2006

Áustria

Opus Eximium Cuvée 21  2008

Itália

Sassicaia 2006
Migliara 2006
Flaccianello 2007*
Flaccianello 2006
Giramonte 2006
Barolo Gaja Gromis 2000
Barbaresco Pio Cesare Il Bricco 2007
Barbaresco Gallina La Spinetta 2007*
Capezzana Ghiaie della Furba 2003
Brunello di Montalcino Vasco Sasseti 2005
Il Bosco Syrah 2004
Brunello di Montalcino Capanna 2007


Espanha

Vega Sicilia Único 1995
Valbuena 2005
Carmelo Rodero TSM 2005 
Valduero 6 Años 2004
Torre Muga 2006*
Tondonia (qualquer um deles...rs) - Exemplo aqui*
Imperial Gran Reserva 2001* 
Imperial Gran Reserva 2004 (o melhor dos Top 100 da Wine Spectator)
Hacienda Monastério 2008
Emilio Moro 2005

Hungria

Tokaji Aszu Oremus 5 Puttonyos 2003

Portugal

Quinta do Vesúvio 2007
Ferreirinha Reserva Especial 2003
Vale do Ancho 2006
Batuta 2009
Quinta da Bacalhôa 2010
Taylor's Vintage 2007*
Taylor's Vintage 2011*
Quinta da Fronteira Reserva 2008
Dão Porta dos Cavaleiros Reserva 1975
Esporão Private Selection Branco 2012*
Quinta da Romaneira 2007

França

Mazis-Chambertin Dominique Laurent 1997
Chateau Suduiraut Sauternes 1988
Clos Floridene 2009
Chateau Haut-Bages Libéral 2000
Chateauneuf du Pape Les Cailloux 2008 
Georges Vernay Condrieu Coteau de Vernom 2007 
Georges Vernay Condrieu Coteau de Vernom 2006 
Grevey-Chambertin 1er Cru Denis Mortet 2005

Brasil

Vallontano Cabernet Sauvignon Reserva 2005
Vallontano Merlot Reserva 2007
Tormentas Cabernet Franc 2010

Chile

Altazor de Undurraga 2005
Chacai 2009
Sol de Sol Chardonnay 2009
Casa Marin Sauvignon Blanc Cipreses Vineyard 2009
O.Fournier Blend 2008*

Argentina

Colomé 180 Años 2010
Colomé Auténtico 2011


Nova Zelândia

Schubert Block B Pinot Noir 2008


África do Sul

Paul Sauer 2008


Uruguai

El Preciado 2006




sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Esporão Private Selection Branco 2012: Que vinhão!

Tempos atrás provei o Esporão Private Selection Branco 2012 e fiquei impressionado com sua qualidade. Na época, o comparei a um bom Chateauneuf du Pape branco. E não estava exagerando. Quem conhece este branco sabe do que estou falando. E para confirmar a qualidade, Tonzinho e eu apreciamos um devagar, com tempo, lá na Mercearia 3M. O JP até apareceu rapidamente e tomou uns goles, mas foi embora logo deixando elogios ao vinho. 
O corte deste garrafeira varia ano a ano, e na verdade, este 2012 nem foi um corte. Vi no site da Esporão que foi feito apenas com Semillon (os 2010 e 2011 tinham também a Antão Vaz). E como ficou bom! O vinho, de bela cor dourada bem límpida, é floral, e os 6 meses de maturação com as borras aportou-lhe um toque bem legal, amendoado, em meio a damasco, baunilha e mel (na medida certa). Em boca é untuoso, mas muito elegante, com tudo no ponto certo. É sedoso e com final muito persistente. Um vinhão, que dificilmente perde a parada para vinhos da mesma faixa. Vai bem sozinho mas deve acompanhar lindamente um prato com camarão. Tá esperando o que para experimentar?

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

EQ Matetic Sauvignon Blanc 2012 e Prova Régia Premium 2012

Nesse final de ano, como estava quente, meu cunhado Bu resolveu abrir uns brancos prá gente. O primeiro foi o chileno EQ Matetic Sauvignon Blanc 2012. O vinho tem sido elogiado e até ganhou 90 pontos da WS (o que não sei se vai contra ou a favor...rs). É vinho cítrico, bem frutado e com um fundinho mineral. Deve agradar muita gente, mas para o meu gosto, podia ser mais mineral, menos doce e com menos maracujá. Não fez minha cabeça. 
O segundo vinho, que aliás é mais barato, é um Arinto da Quinta da Romeira, o Prova Régia Premium 2012. O vinho tem notas frugais, mas sem exagero, com destaque para a maçã e abacaxi, em meio a um fundinho amendoado e mineral. É fresco e sedoso. Para o meu gosto, agradou bem mais que o primeiro. Um vinho que custa menos de 40 pilas para sócios do Clube Wine. Compra certa.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Ogier Gigondas duc de Mayreuil 2009: Não sei...

Comprei este Gigondas duc de Mayreuil 2009, da Ogier, por um bom preço e mandei ver há umas duas semanas. Os Gigondas são considerados boas alternativas para seus irmãos mais caros Chateauneuf du Pape. Este, produzido pela centenária Ogier, e de boa safra, tinha tudo para agradar. Mesmo por que, eu havia provado um 2010 no último Vini Vinci e achado bem legal. O vinho é feito com Grenache (70%), Syrah (20%) e Mourvédre (10%), e matura por 12 meses em grandes foudres de carvalho. Quando o abri achei bem aromático, com notas florais, amoras, alcaçuz e baunilha. Com o tempo, foram sumindo as notas florais e de frutas, que foram dando lugar à cacau, ervas e grafite. Em boca, repetia o nariz e mostrava ótima acidez e taninos marcantes. O engraçado é que no começo ele me agradava mais que após respirar. Geralmente ocorre o contrário. Não sei... Me deixou com muitas dúvidas. Talvez possa melhorar com o tempo, mas que ocorreu na taça me deixou meio intrigado. Não me pegou.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Almoço com o Paolão, e vinhobão: R Punto 2009, Rex Hill Willamette Valley 2010 e Rutherglen Estates Muscat!

Liguei para o Paolão para perguntar do Pato D'Oiro 2010 que ele havia comprado prá mim. Era uma desculpa para convidá-lo para ir à minha casa comer um Carré de Cordeiro, fresquinho, acompanhado de bons vinhos, é claro. O Paolão aceitou de pronto e junto com sua esposa Regina, me deu o prazer da visita. Chegou em casa com um Erre Punto 2009, ou R Punto, de Remirez de Ganuza. Havíamos provado este belo branco em um Encontro Mistral e ficado impressionados. Bem, e chegou a hora de bebermos boas taças dele. O danado é feito com 70% Viura e 30% Malvasia, e passa um tempo em barrica. O vinho tem notas de pêra, cítricas, nozes e baunilha. É muito sedoso em boca, e com excelente acidez, que lhe aporta frescor. O final de boca é intenso e longo. Vinhão! Jovem, briga fácil com um ótimo Gravonia. Só não sei se encara bem a guarda. Quero beber um desses mais velhinho... 
Seguimos com um Rex Hill Pinot Noir Willamette Valley 2010. Este vinho foi encomenda minha para meu aluno Gustinho trazer dos EUA. É um Pinot Noir do Oregon delicioso, que passa 10 meses em barricas de carvalho francês. Vinho com aromas de cerejas e framboesas, em meio a notas florais, alcaçuz e tabaco. Com o tempo, vai surgindo um aroma de canela bem gostoso. Ótimo ao nariz e ótimo em boca, onde mostrava intensidade e acidez corretíssima. Sedoso e com tudo no lugar. Muito bem feito. Vinho para aguentar ainda muitos anos, mas que estava ótimo agora. Outro belo exemplar do Oregon, que sempre fornece belos Pinots. Par perfeito para o carré.
E para finalizar, e acompanhar um belíssimo Cheese Cake de frutas vermelhas do Glace Art, fresquinho, finalizado na hora, um ótimo vinho de sobremesa australiano, o Rutherglen Estate Muscat. Um vinho de cor escura, já domado pelo tempo, e riquíssimo! Mesmo sendo um vinho doce, pensava que já estivesse ido embora, pois comprei de um loja que o tinha já há muito tempo na prateleira e eu o guardei por um bom tempo na adega. Como já nasce com 8 anos, esta garrafa é para mais de duas décadas. Tinha até um bom precipitado em toda a parte interna da garrafa. Mas que vinhão... Notas de caramelo, côco, toffee, uva passa, baunilha e frutas secas. Em boca era intenso, com final longuíssimo. Uma beleza! Companhia perfeita para o Cheese Cake. Fez sucesso. Se achar, compre. 
Três vinhos excelentes para um almoço com amigos. Que mais é preciso?

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Vinhões na confraria: Brunello di Montalcino Capanna 2007, Chateauneuf du Pape Les Cailloux 2008, Muga Reserva 2007, Trapiche Gran Medalla Malbec 2010 e Dolcetto Dogliani Luigi Einaudi 2010

Postagem (atrasada) sobre reunião da confraria, no Chez Marcel, com ótimos vinhos.
O Caio levou o vinho que considerei o melhor da noite. Era um Brunello di Montalcino Capanna 2007. O vinho, logo ao ser aberto, era tímido, mas com o tempo, foi se mostrando em notas florais muito expressivas em meio a framboesa, funghi secchi, tabaco, notas terrosas e ervas secas. Tinha também notas especiadas, de canela e uma que no começo eu tive dificuldades em identificar, lembrando salsão. Uma complexidade muito grande. Era muito fresco, limpo, bem diferente da tendência dos Brunellos atuais, que primam pela potência e concentração, tipo blockbuster. Não, este era bem distinto. Vale a pena conhecer. Felizmente já tem importador no Brasil (Viavini). Mas para quem tem um desses ou vai comprar: Se for paciente, guarde em adega por uns anos e terá um vinhão daqui a uns tempos. Se não tiver tanta paciência, decante umas 2-3 horas.
Nosso confrade Rodrigo levou um Chateauneuf Les Cailloux 2008, de Lucién et André Brunel. Anos atrás ele nos brindou com muitas garrafas do 2005 e um grande Cuvée Centenaire 2001 (se não me engano). Este Les Cailloux 2008 não fugiu à qualidade. O vinho tinha aromas de fruta madura, com destaque para a framboesa, em meio a notas de chocolate e alcaçuz. Em boca repetia o nariz, era mineral e mostrava muita sedosidade. Uma delícia! Foi o único que fez frente ao Capanna.
O João, irmão do Rodrigo, levou um Trapiche Gran Medalla Malbec 2010. Já mencionei aqui no blog que gosto dos Trapiche, e este não foi diferente. Este Gran Medalla segue uma linha diferente, menos doce, o que me agrada. É um vinho com mais clareza, mais fresco, com fruta não tão madura (destaque para cereja preta). Nota-se também o café e especiarias. O vinho é mineral, a acidez é correta e os taninos firmes. Mais um bom vinho da Trapiche. Agradou a todos.
O JP levou um vinho já comentado aqui no blog em duas oportunidades (1 e 2), o Muga Reserva 2007. Assim, nem preciso comentar, apenas atestar a sempre boa qualidade deste vinho. Pode comprar sem mêdo.
Bem, e para finalizar, o vinho que eu levei. Era o mais simples da noite. Mas não fez feio...rs. Era um Dolcetto Dogliani Luigi Einaudi 2010. O produtor é tradicional no Piemonte e a comuna de Dogliani é conhecida por ser um excelente berço para a casta Dolcetto. O vinho é fermentado e maturado em inox, não passando portanto, por madeira. Tem notas de amoras e framboesas em meio a alcaçuz e chocolate amargo. Em boca é bem fresco, festivo, com muito boa acidez. É bem sedoso e fácil de beber. Dá para apreciá-lo solo e é claro, com uma boa comida italiana. Comprei a um ótimo preço e vale cada centavo. 
Isso aí, pessoal!

sábado, 7 de dezembro de 2013

Boas considerações do Gerosa

Li uma postagem legal do Beto Gerosa (clique aqui), da qual pincei um pedacinho, a seguir:

"Há genéricas e preconceituosas maneiras de tratar o vinho nacional:

  • Vinho nacional é caro.
  • Vinho nacional é ruim.
  • Beber vinho nacional é brega.
Há também tendenciosas e paternalistas maneiras de tratar o vinho nacional:
  • Vinho nacional não deve nada a nenhuma região do mundo.
  • Espumante nacional é melhor que champanhe francês.
  • O merlot nacional é o melhor do mundo.
  • Vinho nacional só é caro por conta dos impostos.
E há aquela que a meu ver é a melhor maneira de tratar o vinho nacional: como vinho. Ponto. Ele pode ser bom, ruim, caro, barato, diferente, bem feito, horrível e até o melhor do que um vinho de outro país (melhor do mundo fica um pouco difícil, pois a concorrência é dura), mas ele não tem defeitos nem qualidades apenas por sua origem"


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Cune Imperial Gran Reserva 2004: O que achei do primeirão da lista dos Top 100 da Wine Spectator

Sou suspeito quando comento sobre os vinhos da CVNE (Compañia Vinícola del Norte da España). Gosto muito deles. São raras as vezes nas quais não fiquei contente quando apreciei um de seus vinhos. E quando o negócio é o Imperial Gran Reserva, fica ainda mais difícil não gostar. Adorei o 1998 e gostei muito quando provei os de 1999 e 2001. E recentemente, fiquei muito feliz com o fato do Cune Imperial Gran Reserva 2004 ter faturado o primeiro lugar na lista dos Top 100 da Wine Spectator. Sempre achei que os espanhóis são injustiçados pela revista. Bem, é claro que sei que o fato dele ter faturado o primeiro lugar não quer dizer que seja o melhor vinho do mundo. É o melhor do ano para a revista, dentro de seus critérios, que incluem, além da qualidade, o preço, a disponibilidade no mercado americano e o tal do X-Factor, que utilizam para expressar a excitação (?) causada pelo vinho. E sem dúvida alguma, dentre os mais de 20.000 vinhos avaliados, é um grande (e merecido) feito para a CVNE ter o Imperial Gran Reserva 2004 como primeiro. 
Mas vamos ao vinho. Ele é feito com Tempranillo (85%), Graciano (10%) e Mazuelo (5%). A fermentação é realizada por leveduras nativas e a crianza é feita em barricas de carvalho americano (70%) e francês (30%), por 3 anos.  A clarificação é pelo modo tradicional em Rioja, utilizando clara de ovos. O vinho tem cor mais escura que a maioria dos Riojas. Ao nariz, mostra notas de ameixas, cereja preta, alcaçuz, tabaco e baunilha, em meio a um tostado gostoso e notas balsâmicas. Em boca, repete o nariz, é mineral e mostra ótima acidez. Aquele toque de casca de laranja se faz presente. É um vinho cheio, untuoso, intenso e com um final muito longo e especiado. Os taninos são firmes e devem ficar ainda mais redondos com os anos. É vinho com austeridade e elegância. Uma beleza engarrafada! Apesar de já ter um leve precipitado, parece novo e aponta para uma longa vida. Quero beber outra garrafa deste danado daqui a uns anos para sentir a sua evolução, que deve ser muito boa. Não farei nem responderei a pergunta: -É bom mesmo para ser o primeiro da lista? Só digo o seguinte: Independente de lista, dos 95 pontos que ele ganhou, de ser o preferido do Rei etc, é um vinho que sempre quero ter na adega. Vinhaço!
A propósito, se ele já era bom, ficou melhor ainda, pois foi apreciado com meu grande amigo Márcio, que me deu a honra da visita nesse domingo. Vinho bão, bebido com um grande amigo, fica bão demais! E o danado escoltou magistralmente um pernil de leitoa caipira que assei por longas horas no fogão à lenha, devidamente pururucado (na manha, sem uso de óleo quente etc), fatiado, banhado na manteiga de sálvia e acompanhado de purê de maçã. E ainda tinha uma picanha de javali para arrematar...rs. Eu gosto muito de Rioja com carne de porco.