domingo, 31 de maio de 2015

Vinha Grande 2011: Assinatura da Casa Ferreirinha

Os vinhos da Casa Ferreirinha agradam sempre. E nem precisa ir para Reserva Especial ou Barca Velha. O básico Esteva é muito justo, o Quinta da Leda, marcante pela elegância, e os Vinha Grande trazem também a assinatura da marca. O Vinha Grande é feito com 35% Touriga Franca, 30% Tinta Roriz, 30% Touriga Nacional e 5% Tinta Barroca, e matura de 12 a 18 meses em barricas de carvalho francês usadas. Segundo o próprio produtor, ganham com 2-3 anos de garrafa, mas atingem seu ápice entre 5-6 anos (embora possm ser guardados de 10 a 15 em adega). Este Vinha Grande 2011, proveniente da grande safra dos últimos tempos, está novo ainda, mas já dá muito prazer. Está diferente de seus irmãos de anos anteriores. Tem as notas florais típicas, mas estão mais comedidas, assim como a fruta, que começa a se mostrar depois de um tempo. As notas de amoras e mirtilos se integram a notas de cedro, cacau, minerais e de especiarias. Em boca a acidez é vibrante, os taninos firmes e o final longo e com toques picantes e amadeirados.  Os taninos ainda se sobressaem, mas nada que incomode. Duas coisas contribuem muito para a sua apreciação: Comida e um tempinho respirando. Eu gostei muito deste 2011 e vou guardar uma garrafa em adega para abrí-la daqui a uns anos. Com certeza ficará ainda melhor. 

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Brunello di Montalcino Terralsole Riserva 2004, Churchill's Estates Douro 2011 e Tormentas Serena Pinot Noir 2013

Noite de apenas 3 confrades: Tonzinho, JP e eu. Mas os vinhos estavam muito bons. O Tonzinho surgiu com um Brunello di Montalcino Terralsole Riserva 2004. O vinho tem um rótulo prateado, meio estranho, e ninguém conhecia o produtor. Mas em se tratando de um Brunello Riserva, a gente esperou coisa boa. E veio! O produtor é Mario Bollag, filho de um advogado suiço e que tem um histórico de aventuras na vida. Quatro rótulos de seus vinhos vêm de artistas haitianos, de uma época que ele viveu 5 anos por lá. Isso inclui este Brunello di Montalcino Terralsole Riserva 2004. O vinho é maturado em carvalho Allier, e tem um perfil mais moderno. Mas nem por isso deixa de trazer a riqueza de um grande Brunello. No início mostra aromas herbáceos, de folhas secas, a frente da fruta. Mas em pouco tempo vai se soltando e os aromas de cereja emergem em meio a tabaco, funghi, chá e especiarias. Foi mudando muito depois de aberto. Em boca é intenso e bem sedoso, com taninos muito redondos.  O final é muito longo e especiado. Uma beleza de Brunello! Uma grata surpresa. Embora possa ser guardado, já está na hora de beber. Ah, ele apresenta bastante borra. Decante para que ele respire e também para se livrar dela.
Eu levei um Churchill's Estates Douro 2011. Bem, já fazia um tempo que queria experimentar os vinhos de mesa deste famoso produtor de vinhos do porto. Ele é feito com Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. Tem cor bem escura e aromas bem florais e meio à fruta madura (ameixa e amoras), fumo, especiarias e uns toques herbáceos. Em boca é denso e frutado, e as especiarias estão lá. Para implicar: Um pouquinho mais de acidez faria bem. Não é daqueles para se beber muitas taças. É perfeitamente apreciável agora, mas deve ganhar bastante com adega. Impressionante o valor deste vinho lá fora (~17 doletas) pela sua qualidade. Mesmo aqui, seu valor é justo pelo que oferece. Só para ilustração, a WS lhe tascou 93 pontos. É claro que ficou atrás do Brunellão, mas também é muito bom.
E para finalizar, o JP abriu o Tormentas Serena Pinot Noir 2013, do Marco Danielle. O vinho é feito com uvas de Nova Pádua, cultivadas em altitude de 750 m. A produção é pequena, de apenas 673 garrafas. A fermentação é feita com leveduras da própria uva. É um vinho com aromas de cereja e framboesa, em meio a toques terrosos, de canela e noz moscada. Em boca é leve, repete o nariz e é bem equilibrado. Muito gostoso! Já está pronto, mas pode ser guardado.
Isso aí!


domingo, 10 de maio de 2015

Brunello di Montalcino Sasso di Sole 2007

A Sasso di Sole é uma vinícola familiar localizada no nordeste de Montalcino, no parque natural do Vale D'Orcia. O nome significa "pedra ensolarada", e os vinhedos ocupam uma áre de apenas 8 hectares. Este Brunello di Montalcino Sasso di Sole 2007 é um Brunello clássico, no estilo tradicional, com cor rubi, bem bonita, e aromas de cerejas secas, cogumelos, terrosos, couro, mentol, chá e tabaco. Em boca, repete o nariz e é vibrante, com bela acidez e taninos firmes. O final é bem longo, mentolado e com especiarias. Eu não conhecia o Brunello deste produtor, mas gostei bastante. E paguei um preço de dar vergonha no preço que estão cobrando por vinhos sulamericanos. Perfeito para um Noix ou uma Bistecona assada. Mas deixe decantando no mínimo uma duas horas, para o bichão acalmar, porque no começo é nervosão. Aliás, apesar de poder ser bebido agora, tem evolução garantida na adega. Eu abri para celebrar o dia das Mães com a patroa.
Os vinhedos da vinícola

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Dominio de Atauta 2006: Sou fã!

O Carlão abriu uns vinhos prá gente apreciar, às cegas. Um deles não vou comentar, pois não agradou. Mas o outro sim, era coisa de primeira. Eu chutei ser espanhol, mas com uma característica distinta, pois ao nariz lembra Ribera del Duero, mas em boca nem tanto. Foi aí que ele foi buscar a garrafa, dizendo que era um bom espanhol na casa dos 50tinha. Eu fiquei espantado, já querendo saber onde encontrar para encomendar uma caixa. Só que era 50tinha doletas, e comprado fora. Bem, pela qualidade era impossível custar 50tinha aqui...rs. Era um Dominio de Atauta 2006, de Ribera del Duero. É um 100% Tempranillo maturado por 17 meses em barricas de segundo uso, onde maturou o Chateau Angelus. Eu já havia bebido algumas vezes o seu irmão de 2004, e o legal foi ver a "assinatura" do vinho. Este 2006 mantém as características de seu irmão de 2004 (e também do 2005, que provei em uma degustação). No início a fruta é discreta e fica em meio a notas de folhas secas, herbáceas, minerais e de cacau. Mas com o tempo a fruta vai se mostrando e o vinho se modifica bastante, ressaltando a cereja preta e ameixa, em meio ao alcaçuz. Em boca é seco e mostra as notas herbáceas e de cacau. É bastante mineral e os taninos são firmes. A madeira aparece, mas bem integrada. Com o tempo, o vinho vai mostrando mais fruta e especiarias. É um vinho que muda bastante desde quando é aberto até algum tempo decantando. É bem legal acompanhar sua evolução. Portanto, se for apreciá-lo, abra, coloque no decanter, abasteça uma taça e vá se deliciando. Ele confirma o fato de que Ribera del Duero oferece vinhos bem ricos e distintos. Eu gosto muito dos vinhos de lá, e este me agradou bastante. É importado pela Mistral.