quarta-feira, 24 de julho de 2013

Pesquera Crianza 2000, Trapiche Domingo Sarmiento 2007, Robert Mondavi Napa Valley CS 2006 e Lindaflor 2006!



Outra postagem que estava mofando aqui na lista de rascunhos... Mais uma referente a uma boa reunião da Confraria do Ciao.
Naquela noite, o Caião levou um Pesquera Crianza 2000. Como o cara gosta dos vinhos dessa vinícola! rs. Bem, que continue assim. Esse 2000 já estava bem evoluído, com halo de evolução e aromas de couro, tabaco e menta, em meio à cereja madura. Em boca estava muito sedoso, com taninos perfeitamente arredondados pelo tempo. Não sei se o Caio adquiriu no mesmo local que comprou o Pesquera Reserva 2003, comentado aqui no blog (clique aqui), mas este Crianza estava em melhor estado que o seu irmão maior. Embora já no ápice, mostrou toda a qualidade de um bom Pesquera. 
Eu levei um Trapiche Single Vineyards Viña Doming Sarmiento 2007. Já é a terceira garrafa desse vinho que bebemos. Em uma das ocasiões, foi levado pelo Caio (clique aqui). Nem preciso comentar muito sobre ele. É um vinhão! Notas de framboesa e figo se mesclam a chocolate ao leite em um vinho muito sedoso, amplo, com boa acidez e nada, nada, enjoativo. Um Malbec de primeiríssima. Compra certa.
O JP levou outro vinhão, de grande pedigree, o americano Robert Mondavi Napa Valley Cabernet Sauvignon 2006. Não confundir com aquela linha Private Selection (que acho horrorosa). Este é outro comprimento de onda. É um vinho muito sedoso, elegante, com notas de cassis, chocolate, anis e grafite. Muito gostoso, mesmo! Embora o rótulo marque apenas Cabernet Sauvignon, ela participa com 85% e divide o corte com pitadas de Cabernet Franc, Merlot, Petit Verdot e Malbec. Ele já foi vendido por quase o dobro do que é encontrado na importadora atual ( safra 2009, Interfood - Todovino). Coisa difícil de acontecer (baixar o preço). O preço atual, considerando o custo Brasil, é justo. Um vinho a ser experimentado. Difícil achar um chileno na mesma faixa com a mesma elegância.
E para fechar a noite, o nosso confrade Rodrigo ofertou uma figurinha carimbada aqui no blog: Lindaflor 2006. Não vou (e nem preciso) comentar sobre esse vinhão. É só acessar aqui
Isso aí, pessoal! Acho que é a última postagem atrasada.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Cedro do Noval 2007 e Condado de Haza Reserva 2000

O JP nos convidou para apreciar uns petiscos em sua casa em companhia de uns vinhos. Fomos o Caio e eu.
Eu levei um Cedro do Noval 2007, duriense da casa produtora de um dos melhores vinhos do Porto. Eu já havia provado este vinho tempos atrás em uma degustação da Grand Cru, e gostado dele. Mas queria bebê-lo com calma, sentindo sua evolução. O vinho é feito com Touriga Nacional (30%), Touriga Franca (25%), Tinto Cão (10%) e Syrah (35%). A inclusão desta última tornou o vinho mais frutado, segundo a vinícola. Além disso, faz com que o vinho receba a indicação geográfica "Terras Durienses", em vez de DOC Douro. A maturação é feita por 18 meses em barricas de carvalho francês. Ao nariz, mostra os efeitos dessa maturação: A madeira aparece, e para combinar com o nome, em notas de cedro. Mas depois de um tempo aberto ela fica perfeitamente integrada. A fruta se mostra em notas de cereja preta e amoras, em meio a notas de azeitona preta, chocolate amargo, herbáceas e de grafite. Em boca, repete o nariz, mostra boa acidez e taninos muito corretos. O retrogosto é mineral e levemente herbáceo. É do tipo que eu gosto. Não tem exagero de frutas e nem de madeira. É amplo e equilibrado. Lembrou-me as características do Duas Quintas Reserva, pelo menos os antigos. É vinho para bater de frente com Meandro e colegas, no preço e na qualidade. Muito bom! Recomendo. É importado pela Grand Cru. 
Depois de apreciarmos até as últimas gostas do Cedro, o JP resolveu abrir um Condado de Haza Reserva 2000O vinho passa 22 meses em barricas de carvalho americano e 12 meses em garrafa antes de ser comercializado. Embora ele mostre a qualidade típica de um do grupo Pesquera, parecia já estar cansado, na descendente. Os aromas terciários já dominavam em meio à cereja (bem) madura e cravo. Em boca era carente de acidez e mostrava dulçor. Não que estivesse ruim, mas para mim, alguns anos atrás devia estar bem melhor. Há algum tempo apreciamos um primo seu, o Pesquera Reserva 2003, que estava parecido (clique aqui)Eu tenho uma suspeita quanto a esses vinhos do grupo Pesquera recentemente ofertados pelo JP e Caio. Se não me engano, eles compraram na mesma loja, em um mesmo país estrangeiro, de clima bastante quente. Acho que tem algum problema de acondicionamento nesse caso. Ou então, é uma característica dos Pesqueras não serem longevos. Estou mais inclinado à primeira opção. 
Isso aí, pessoal! Valeu JP!
Essas azeitonas Azapas estavam tão bonitas e saborosas, que não pude deixar de colocar uma foto...rs

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Palácios Redondo La Montesa Crianza 2009: Rioja ainda jovem, mas...

Acho que este vinho deve ser o riojano mais novo que bebi. Geralmente os aprecio com uns bons anos nas costas. Mas foi bem legal apreciar um mais novinho e sentir a pegada de um Rioja com apenas 4 anos de vida. Bem, a bodega é tradicional e tem novamente como enólogo o grande Álvaro Palácios. Agora, seu nome é Palácios Redondo, em vez de Herencia Redondo. O legal do vinho é que não é um puro Tempranillo, ou tem ela majoritária com pitadas de outras castas. Na verdade, esse La Montesa Crianza 2009 é um corte  de Garnacha (65%), Tempranillo (30%)  e Mazuelo (5%). Duas observações: 1) O corte desse vinho varia a cada ano e 2) Álvaro Palácios trabalha a Garnacha como ninguém. Esse Crianza 2009 estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês e americano (20% novas). O vinho mostra notas de cereja preta, ameixas, casca de laranja e uma boa presença de alcaçuz e tomilho, em meio a um tostado muito acertado. Em boca é amplo, mineral, com boa acidez e taninos presentes (claro, o vinho é novo...rs). Também não preciso dizer que a madeira aparece, em se tratando de um Rioja. O destaque é o alcaçuz, muito bem integrado com a fruta, além de outras especiarias, como o tomilho e canela. Se for bebê-lo, tenha paciência. Se tungar a primeira taça pensará na hora: Abri na hora errada! Mesmo por que, o álcool aparece um pouco no começo. Mas se fizer o serviço correto, deixando 1-2 horas no decanter, vai beber um vinho muito bom. Outra coisa: É vinho que ganha muito com comida. Meu cunhado Bu e eu o apreciamos com uma boa massa e carne grelhada, e foi muito bem. E sabem o que é melhor? A garrafa foi um brinde de uma loja nos EUA que, por atrasar uma entrega de uma compra que fiz lá, via minha cunhada, devolveu o dinheiro do frete e ainda deu a botella de presente para compensar. Igualzinho aqui, não? rsrs... Bem, não vou ser injusto: Uma vez nossa confraria fez uma compra de final de ano na Mistral e a entrega atrasou (por problemas com a transportadora). Reclamamos e a importadora mandou um Alión de brinde. Bom, né?
No Brasil, o vinho é vendido pela Vinci, que comercializa ainda a safra 2008. Eu quero beber esse vinho novamente, pois me agradou bastante.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Apaltagua Signature 2010, Pétalos de Bierzo 2008 e Val de Flores 2006: Boa noite na confraria!

Na reunião da confraria de ontem, quinta-feira, matamos bons vinhos.
Eu levei um Apaltagua Signature 2010. Havia lido no blog de meu amigo Luiz Cola uma postagem sobre um painel de Cabernet Sauvignon do Maipo, feito pela revista inglesa Decanter, no qual esse vinho tinha figurado com o outstanding, ou seja, grande destaque, com 18.5 pontos em 20 (95+ pontos na escala até 100) entre 66 vinhos avaliados. Só para alimentar a discussão, Almaviva 2009, Don Melchor 2008 e outros famosos, ficaram bem atrás. Bem, mas deixando as polêmicas, a Viña Apaltagua iniciou suas atividades em 1995 e pratica a agricultura sustentável. O Signature é um vinho top de gama, feito com 100% Cabernet Sauvignon, e que tem como enólogo consultor o grande Alvaro Espinosa (o rei dos vinhos biodinâmicos no Chile). Depois da fermentação maloláctica o vinho matura por 12 meses em barricas de carvalho, sendo transferido para tanques de inox por 5 meses antes do engarrafamento. É um vinho que, embora tenha o pedigree chileno, não tem aquele exagero de pimentão tão comum nos Cabernets chilenos. A fruta reina, com notas de cereza, amora e cassis, em meio a toques de baunilha e chocolate. Em boca é muito equilibrado, sem excessos, com acidez correta e taninos macios. Foi muito bem com a comida. Todos gostamos muito dele. Mas importante: Decantei por 1h30 min e ainda ficou aberto bom tempo no Ciao Bello até que o pessoal chegasse. Ou seja, precisa respirar. E deve ganhar com um tempinho de adega. Se ele tem cacife para bater Almaviva, Casa Real, Carmen Gold Reserve, dentre outros, já não sei. Mas que é bom, é... E pelo preço que paguei, uma beleza! Mesmo no preço cheio, vale. Nota: O vinho foi gentilmente comprado lá no Sul por meu amigo Vitor, do Louco por Vinhos, que fez uma via sacra para comprá-lo e enviar para São Carlos. Valeu Vitor!
O segundo vinho foi levado por nosso confrade Paolão. Foi um Pétalos de Bierzo 2008. O vinho, biodinâmico, é feito com a uva Mencía (Jaen, em Portugal), pelo genial Álvaro Palácios. É um vinho sempre elogiado pela crítica. Esse 2008 apresentava notas florais, minerais, de amoras e azeitonas pretas (lembrava aquelas chilenonas de cor meio roxa, sei lá...rs). Em boca era mineral e tinha uma excelente acidez. Deixava um final de boca levemente herbáceo. Um vinho gastronômico por natureza. Muito bom! Para quem quer fugir do eixo Ribera del Duero e Rioja. 
E eis que chega nosso amigo Cássio, visita ilustre na confraria, trazendo um belo Val de Flores 2006. Esse é replay aqui no blog (clique aqui), mas replay muito bem-vindo...rs. Ainda mais, por que faz um ano que bebemos o último exemplar e nesse um ano que se passou, ele já abriu mais um pouco. É um Malbec com notas de figo, amora e ameixa, em meio a chocolate e leve alcaçuz. Em boca é amplo, untuoso, mas sem perder a elegância. A acidez compensa o dulçor da Malbec, que não se faz sentir de forma tão pujante como na grande maioria dos vinhos feitos com esta casta. Um grande vinho, de uma grande safra. Com 9 anos, parece um jovenzinho. Quem tiver um desses na adega, pode ficar tranquilo, pois aguenta ainda muito. Valeu, Cássio!
Bem, e o Caião disse que eu não poderia de mencionar o troféu Rabo Amarelo da noite, levado por nosso amigo Tom. O Tonzinho levou um Graffigna G Centenário Cabernet Sauvignon 2010 que deixou a desejar. Como o pessoal disse "até tinha um narizinho", mas em boca, era ralo. E não é porque tomamos vinhos mais potentes antes, é porque era bem leve mesmo. Faltou pegada.
Isso aí, pessoal! Para quem estava reclamando que eu estava demorando com as postagens, essa foi rápida, hein?

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Zuccardi Malamado Malbec: Aqui o doce agrada!

Em jantar recente no Restaurante Barone, harmonizado com vinhos da importadora Ravin, apreciei um que me chamou a atenção e que resolvi citar de forma breve aqui no blog: Zuccardi Malamado Malbec. O vinho, fortificado, é feito ao estilo dos vinhos do Porto, e passa 24 meses em barricas de carvalho francês. A Malbec se manifesta com notas de uvas passas e ameixas secas, em meio a frutas secas e especiarias. O dulçor é equilibrado com boa acidez, e o vinho é muito sedoso. É acompanhamento perfeito para sobremesas com chocolate (foi muito bem com o Trio de Brigadeiros Gourmet - foto). Se você gosta de vinhos de sobremesa, experimente. São disponíveis aquelas garrafinhas de 187 ml, que são práticas.
Ps. A foto do vinho foi retirada do site da importadora.
Brigadeiros deliciosos!

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Wences 1998 e Quinta de Pancas Reserva 2001: Dois ibéricos com boa idade, e excelente qualidade!

E lá vai mais uma postagem atrasada...rs. Desta vez, sobre dois vinhos apreciados na companhia dos amigos Akira e Carlão. O Akira levou o espanhol Wences 1998, vinho top das Bodegas Vega Saúco. O vinho é da região de Toro, que tem se destacado nos últimos anos por gerar repetidamente, grandes safras. Ele leva o nome do fundador da Bodega, Sr. Wences Gil, é feito com Tempranillo (80%) e castas nativas (finca experimental "La Cascajera" - 20%). Maturou 22 meses em barricas de carvalho americano e francês (pequena porcentagem). Ao nariz mostrava notas de fruta madura, com destaque para a cereja preta e ameixa, em meio a notas especiadas (alcaçuz e cravo), além de tabaco e couro. Em boca, muita maciez aportada pela idade, acidez ainda presente, taninos sedosíssimos e final longo, levemente tostado. Um Toro domado pelo tempo. Belíssimo vinho, com muita categoria. Um prêmio para apreciadores pacientes.
E ao seu lado, um outro ibérico, agora lusitano, levado por este que vos escreve, o Quinta de Pancas Reserva 2001. Mais um vinho devidamente amaciado pelos anos. O vinho, da região de Estremadura (atual Lisboa) foi feito com Cabernet Sauvignon, Aragonês, Syrah e Touriga Nacional e maturou 10 meses em barricas de carvalho francês (80%) e americano (20%). O nariz mostrava frutas maduras, com destaque para o cassis e cereja, em meio a tabaco e chocolate. Em boca, muito redondo, com taninos muito macios e final duradouro. Outro vinho muito elegante e que confirma o potencial de envelhecimento dos vinhos feitos pela Quinta de Pancas. Até hoje, não bebi um vinho dessa vinícola que não tenha me dado prazer.
Isso aí, pessoal! Dois ibéricos mais velhinhos e em perfeitas condições, que nos deram muita alegria.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Noite boa na confraria: Rimauresq 2010, Informal 2010, Colomé 180 Años 2010, El Preciado 2006, Tikal Natural Malbec 2010 e Stellenzicht Pinotage 2009

Outra postagem atrasada (e bem atrasada...rs). Mas não poderia esquecer, pois foi mais uma noite boa na confraria. Os trabalhos começaram com um Rosé de Provence que levei, o Rimauresq Cru Classé 2010. O vinho é feito com Grenache 50%, Cinsault 30%, Syrah 8%, Mourvèdre 7% e Tibouren 5%. É um vinho fresco, mineral, leve e com notas de framboesa e morango. Tem toda a sutileza e frescor de um rosé da Provença. Estava ótimo! Pedia uns petiscos de camarão ou até mesmo a casquinha de siri feitas no Ciao Bello para acompanhar. Mas nenhum problema em ser apreciado solo.
Depois do rosé, partimos para um espumante bem legal de Luis Pato, que também é rosé, o Informal Rosado Bruto 2010. O nome é bem justificado: Não há rolha, e sim, uma tampinha metálica (foto à direita), o que deixa o vinho informal. Ele é feito com uvas Baga do famoso vinhedo Vinha Pan. É um vinho com ótimos aromas de framboesa e panificação. Em boca é bem seco e mineral. Um belo espumante, muito versátil.
Entramos então nos tintos. O primeiro é um replay, e que replay levado pelo Caião: Colomé 180 Años 2010. Um Malbec de primeiríssima, já comentado aqui no blog (clique aqui). Nem gastarei muitas linhas com ele. A única coisa que tenho a dizer sobre esse vinhaço é que este exemplar parecia mais aberto que o outro que apreciamos tempos atrás. E estava uma beleza! Malbec fora daquele padrão doce e enjoativo. Primeira linha.
Paolão para Vitor: -É meu! rsrs.
A continuidade foi um outro sulamericano, agora do vizinho Uruguai. O Paolão levou um El Preciado 1er Gran Reserva 2006, que pegou no bota-fora da World Wine no começo do ano. O amigo Vitor, do Louco por Vinhos, estava louco por um desses, mas o Paolão pegou a última garrafa em São Paulo. E se deu bem. Ou melhor, nós nos demos bem. O vinho é produzido pelas Bodegas Castillo Viejo, e seu nome é em referência a um navio afundado por piratas no Rio da Prata, no século 18, e de onde até hoje se retiram tesouros. O vinho é feito com Cabernet Franc 44%, Tannat 28%,  Cabernet Sauvignon 18% e Merlot 10%, e 85% dele matura 15 meses em barricas francesas e americanas novas (70 e 30%, respectivamente). Apenas 5.000 garrafas foram produzidas. A qualidade do vinho começa no teor alcoólico, de apenas 12,5%, o que acho ótimo. Ao nariz, o vinho mostra notas de frutas passificadas, com destaque para o cassis e framboesa, em meio a café, animais, aromas terrosos, chocolate e especiarias, como canela e alcaçuz. Em boca, repete o nariz, mostra boa acidez e taninos muito sedosos. É um vinho muito elegante e que lembra um bom Chateauneuf du Pape. Um belo vinho, que quero beber novamente. O meu amigo Vitor perdeu...rs.
O Tonzinho levou um Tikal Natural Malbec 2010. Vinho feito por Ernesto Catena utilizando uvas de agricultura orgânica. Para mim, muito doce. Ao nariz, mostrava bons aromas de ameixa madura, alcaçuz e  outras especiarias, mas o doce já se mostrava. Em boca, bem redondo, acertado, mas muito doce para o meu gosto. O rótulo é muito bonito mesmo, mas paro por aqui.
E como a turma ainda não estava satisfeita, resolveram abrir um sulafricano, o Stellenzicht Golden Triangle Pinotage 2010. Outro que não gostei. Os aromas tostados estavam acima do meu limiar. É vinho para novo-mundista de carteirinha. Muita extração, fruta madura, tostadão e baunilha. Eu achei enjoativo e não encararia outra garrafa.
Bem, é isso aí... Vai abaixo a foto da turma reunida.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

3 Amigos, 3 Vinhaços: Les Terrasses 2010, Quinta da Romaneira 2007 e Valduero 6 Años 2004!

Em uma noite bem esvaziada da Confraria, sentamos Paolão, JP e eu para beber grandes vinhos. E sem combinar, foram os 3 ibéricos, com 3 anos de diferença entre as safras. Era a noite dos 3!
O Paolão levou um do grande Álvaro Palácios, o Les Terrases 2010. O vinho, do Priorato, é feito com Garnacha, Cariñena e Cabernet Sauvignon de vinhedos com pequeno rendimento (o que é comum na área - e contribui para os altos preços dos vinhos). A maturação é feita por 12 meses em barricas de carvalho francês.  É um vinho bem aromático, com notas florais e de fruta madura (amora e cassis) em meio a notas balsâmicas, alcaçuz, chocolate e um fundinho de baunilha. Em boca é mineral, intenso e com ótima acidez. Deixa um final de boca com notas balsâmicas e de couro. Ainda que o vinho seja jovem, os taninos já estão muito corretos. No entanto, devem ficar redondinhos com uns aninhos de adega. É um ótimo vinho, que mostra o potencial do Priorato e as mãos do grande enólogo Alvaro Palácios. Isso aí, Paolão!
Eu levei um Quinta da Romaneira 2007. A vinícola duriense parece que foi adquirida recentemente por um empresário sulamericano que adora os vinhos do Douro e que permanece incógnito. Segundo dizem, o negócio passou de 20 milhões de Euros. A Quinta da Romaneira, além dos vinhedos e adegas, tem um hotel belíssimo (e caro...rs). A enologia é comandada pela mesma equipe responsável da Quinta do Noval, ou seja, tem pedigree. Os seus vinhos não são muito badalados, mas são considerados entre os melhores do Douro, principalmente a partir de 2004, quando a vinícola foi reestruturada. Tanto que a partir desse ano, todos seus vinhos ganharam destaque na crítica, principalmente aqueles de rótulo preto (recentemente mudado na safra de 2008, e agora chamado Reserva). Só para ter uma idéia, esse Quinta da Romaneira 2007 teve 94 pontos da WS. Para efeito de comparação, seu "conterrâneo" (e um pouco mais caro) Vale Meão, teve 95 pontos da mesma safra. Mas posso ser sincero? Eu gostei mais do Romaneira. O vinho tem um frutado muito interessante, que foi seu destaque. Apesar da fruta ser concentrada, não é super madura. É uma concentração de frutas silvestres deliciosa, em meio a notas florais, minerais e de alcaçuz muito acertadas. Tudo é correto no vinho, que é feito com Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinto Cão. Com o tempo em taça ele vai mudando e liberando novos aromas de especiarias indianas. Uma delícia, que se repete em boca. É um vinho intenso, mas sem exageros, com acidez e taninos corretíssimos. Integração perfeita. Eu corri atrás e consegui pegar mais umas garrafas na Grand Cru, que infelizmente, não os importa mais. Só consegui o 2005, que não fica atrás. Parece que agora os Romaneiras são importados pela Portuscale. Ainda bem que ainda vêm para o Brasil.
E para fechar, com chave de ouro, o vinho levado pelo nosso confrade JP. Já vou adiantando, foi um dos melhores espanhóis que bebi esse ano. E olha que já rolou Valbuena, Vega, Ygay, TSM etc... Mas realmente esse vinho chamou a atenção. Era um Valduero 6 Años 2004. Aquí, tudo ajuda: A vinícola é top e a safra, idem. Dizem que esse vinho é feito para competir com o Valbuena, da Vega Sicilia. E olha, bate de frente tranquilo. Mas devemos saber apreciá-lo. No começo, surge como mais um ótimo vinho espanhol. Mas depois, com algum tempo de garrafa aberta, ganha uma riqueza impressionante. Foi como se tivéssemos bebido 3 vinhos diferentes: Um no começo, outro no meio da noite e outro no final. O vinho é feito com 100% Tempranillo de vinhedos selecionados. Matura 3 anos em barricas de carvalho de 4 origens distintas (francês, americano e duas outras européias) e mais 36 em garrafa antes de ser comercializado. Ou seja, quase 6 anos de maturação, daí o nome. Ao nariz o vinho é riquíssimo. A cereja preta dá o tom, em meio a notas de toffee e madeira muito bem integrada. Com o tempo, vão surgindo notas de alcaçuz e especiarias como a canela e noz-moscada. Em boca é amplo, intenso, com ótima acidez e taninos sedosíssimos. O final é interminável. Uma beleza! É vinho de uma complexidade ímpar, mas que para ser sentida, ele tem que ser apreciado devagar. Se abrir para uma turma grande, colocar uns 100 ml por taça e a turma tungar, não passará de um vinho espanhol muito bom. Se apreciar corretamente, curtindo sua evolução, verá o quão grandioso ele é. Ao final da noite, sobrou um pouquinho de cada vinho, e foi uma briga para ver quem levava o fundinho dele prá casa... Bem, não teve jeito: Resolvemos beber tudo! rsrs. Valeu JP!
Pelo conjunto da obra, foi uma das melhores noites do ano.
A turma reunida

terça-feira, 9 de julho de 2013

Tony's Visit in July: Four Vines Chardonnay 2010, H3 Horse Heaven Hills 2010, Klinker Brick Syrah 2010 e Varramista 2006!

Nosso amigo Tony resolveu mudar a data de sua viagem anual para o Brasil, e nesse ano, veio em Julho. E como sempre, trouxe alguns vinhos americanos, de bom custo, para experimentarmos. 
A noite começou com um Four Vines Naked Chardonnay 2010. A foto está meio escura (como as outras a seguir), mas o vinho não estava... É um Chardonnay  sem passagem por madeira, fermentado em tanques de inox, para manter o frescor. E o intuíto foi alcançado. É diferente de muitos Chardonnays americanos, pois não é carregado em mel-manteiga-baunilha, como diria meu amigo Vitor, do Louco por Vinhos. Tem cor amarelo claro, com toques esverdeados. Ao nariz, mostra notas de cítricas, de grapefruit e limão, e com leve pessego ao fundo. Em boca repete o nariz, tem boa acidez e mostra um fundinho de baunilha, bem leve, que de nada lembra os excessos da dita cuja em muitos vinhos americanos. É um vinho leve, fresco, que vai bem solo e acompanharia bem um peixe. Gostei dele.
Depois do Chardonnay, passamos para H3 Horse Heaven Hills Les Cheveaux 2010, da Columbia Crest. Bem, o nome "Les Cheveaux" vem do francês "os cavalos", em referência aos cavalos selvagens que habitavam a região. O corte não era mencionado na garrafa, e fizemos uma brincadeira. Cada um escreveu em um guardanapo a sua opinião, e o Tony guardou para depois averiguar. Eu chutei Merlot majoritária, com uma pitada de Syrah. Não vou falar do chute dos meus confrades, que erraram feio, claro...rs. Acabei de verificar o corte no site da vinicola: 80% Merlot, 13% Cabernet Sauvignon e 7% Syrah. Passei perto...rs. O vinho matura 18 meses em barricas de carvalho francês (33% novas). O vinho mostra seu lado novo mundo logo de cara. Tem muitas notas de fruta madura, côco queimado, baunilha, alcaçuz e chocolate. Tudo para satisfazer o paladar americano. Parece muita coisa, né? Mas é isso mesmo. É um vinho rico, possuidor de todas as características que agradam novo-mundistas de carteirinha. Em boca repete o nariz e mostra taninos doces. É muito redondo. Com o tempo vai perdendo um pouco o exagero de baunilha e côco queimado, mas não perde essas características. É bem trabalhado? Sim. Mas não faz meu estilo. No entanto, deve agradar muita gente. A WS lhe tascou 90 pontinhos.
Ele foi seguido por um Klinker Brick Syrah 2010, californiano da apelação Lodi. E ao abrir, lá vem a baunilhona de novo, pesado. Mas com o tempo, foi sumindo e dando espaço para a fruta (ameixa e amora), tabaco, chocolate e alcaçuz. Foi melhorando muito com o tempo. A surpresa ficou para a boca. Eu esperava que ele repetisse as notas doces mostradas ao nariz, mas não. A fruta e especiarias dão o toque, e o vinho deixa um retrogosto amargo interessante, que lhe dá um charme especial. Com o tempo foi ficando ainda melhor, pois o nariz foi ficando menos doce e o paladar melhorando cada vez mais, com o surgimento de umas notas minerais. É um vinho para se abrir com antecedência ou então, deixar na adega. Se com o tempo a baunilha  der uma sumida, o vinho vai ganhar muito. Apesar de ainda carregar as características novo-mundistas (mais ao nariz, que na boca, e no início), gostei dele, principalmente depois de uma hora. A WS também lhe tascou 91 pontinhos. Bem, eu também achei melhor que o H3.
E para finalizar, saímos dos EUA e migramos para a Bota. O JP levou um toscano, o Varramista 2006. Foi difícil saber de que uva se tratava. Só depois vimos que era um 100% Syrah. Foi trazido por nosso amigo Marga, em viagem recente à Itália. O vinho é feito na propriedade onde ele ficou. Não é vinho badalado. Passa 15 meses em barricas francesas novas e mais 2 anos em garrafa antes de ser comercializado. Ao nariz, lembra um Chateauneuf. Mostra notas de ameixas, cassis, carne e sálvia (bem evidente), em meio a alcaçuz e outras especiarias. Em boca, repete o nariz, mostra boa acidez e taninos levemente terrosos. É um vinho que fica na outra extremidade dos tintos mencionados anteriormente. Aqui, o velho mundo se manifesta. Eu gostei (muito) dele. Vinho especiado e fresco. Bom mesmo! Foi legal a comparação com o Klinker Syrah.
Bem, foi isso. O nosso amigo Tony disse que só saberia se eu tinha gostado dos vinhos após a postagem. Sintetizando: Gostei do Chardonnay, pelo lado cítrico e frescor; do Klinker Syrah, pelas especiarias e amargor final interessante, e do Varramista (aquí sou suspeito...rs). Mas o melhor de tudo, claro, foi dividir a mesa com meus queridos amigos. Uma visita anual é pouco, amigo Tony! Gracias! Ou melhor, TKU!

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Peter Lehmann Riesling 2006, Memorias 2009 e Chocapalha Reserva 2007


Nessa sexta-feira passada resolvemos, Akira, Carlão e eu, beber uns vinhos. O Akira entrou com um Peter Lehmann Riesling 2006. O produtor é bom e os Rieslings australianos costumam ter boa qualidade. O vinho, de bela cor amarelo ouro com nuances esverdeadas (Vixe, um daltônico escrevendo isso? rs), tinha aromas de maçã verde, florais, um toquezinho amendoado e aquelas notas de  querosene típica de muitos Rieslings. Em boca repetiu o nariz e deixou um final com notas de mel e amêndoas.  É um vinho meio seco e que acompanharia bem um prato com camarões. É bom, mas não dos meus preferidos. As notas de querosene estavam um pouco salientes para o meu gosto e eu tenho preferência pelos Rieslings mais secos e minerais. Nota: Infelizmente, o grande Peter Lehmann faleceu nesse último mês de junho. Ele já estava aposentado, e a vinícola havia sido vendida para o famoso grupo suíço Hess.

O Carlão levou um Memorias 2006, chileno da vinícola El Principal. O vinho, que é o segundo vinho da vinícola, é feito com 74% Cabernet Sauvignon, 13% Carmenére, 8% Petit Verdot e 5% Cabernet Franc. Passa 15 meses em barricas francesas. Esse denuncia sua nacionalidade já nas primeiras cafungadas. A fruta madura é acompanhada pelas notas herbáceas da Carmenére, que embora participe com apenas 13%, aparece bastante. Em boca repete o nariz, é levemente terroso e, depois de um tempo, mostra notas adocicadas. Não fez minha cabeça, ainda mais considerando o preço. 

Eu levei um Chocapalha Reserva 2007, que já apareceu aqui no blog (clique aqui). Portanto, não comentarei muito sobre ele, que é feito com Touriga Nacional, Tinta Roriz e Syrah. Mas tenho que repetir que é um vinho muito bom, rico, que evolui muito bem em taça e vale cada centavo. Não teve jeito, para o meu gosto, deu uma chinelada no Memorias. Recomendo!

sábado, 6 de julho de 2013

Não perca a Vinum Brasilis 2013!

Se você quer encontrar pessoas legais e apreciar o que há de melhor em relação a vinhos brasileiros, não pode perder a Vinum Brasilis 2013, que ocorrerá em Brasília dias 14 e 15 de Agosto. A feira é tradicional e nela estarão presentes, além de produtores tradicionais, muitos novos e artesanais. É uma oportunidade excelente para conhecer as novidades da viticultura nacional.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Norton Perdriel del Centenário 2007: Sedoso!

E continuo atualizando o blog com postagens que estavam congeladas...rs. Bem, esse Perdriel Del Centenário 2007 nos foi brindado por nosso confrade Rodrigo. Aliás, é a segunda vez que ele leva um desses. O outro foi um 2004, quando o blog ainda não existia. O vinho, feito com Malbec (40%), Cabernet Sauvignon (30%) e Merlot (30%), foi criado para celebrar os 100 anos da  tradicional Bodega Norton. A maturação foi realizada em barricas novas de carvalho francês por 16 meses. O vinho tem aromas de frutas maduras (sem exageros), com destaque para amora e cassis, em meio a alcaçuz, aniz e um tostado na medida. Em boca é amplo, com boa intensidade, acidez correta e taninos muito sedosos. Aliás, a sedosidade é um dos pontos fortes do vinho, que é muito elegante. Tenho notado que ele tem ficado menos doce em suas últimas versões, o que me agrada. É perfeitamente apreciável agora, mas pode envelhecer bem por mais alguns anos. Um blend muito bom da Norton. 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Capezzana Ghiaie Della Furba 2003: Vinho bão!

Bebemos esse Capezzana Ghiaie Della Furba 2003 algum tempo atrás, ofertado pelo amigo Paolão em reunião da confraria. Havia esquecido de postar. E que pecado, pois trata-se de um vinhão. Já postei aqui no blog sobre dois ótimos vinhos da vinícola Tenuta di Capezzana, um Barco Reale 2008 e um Villa di Capezzana 2006. O primeiro, oferece muito pelo preço, e o segundo, é mineral e com grande potencial de guarda. O Capezzana Ghiaie Della Furba é produzido desde 1979 e faz parte do time dos primeiros supertoscanos. Bem, a vinícola é antiga: Seu início data de 804! [Será que sabem fazer vinho? rsrs] . Aliás,  o produtor tem um vinho ícone (de verdade) com esse nome, o mais caro da lista, elaborado com Syrah. O Ghiaie Della Furba é  feito com Cabernet Sauvignon (60%), Merlot (30%) e Syrah (10%) e geralmente passa um ano em barricas de carvalho e dois anos em garrafa antes de ser comercializado. Este 2003 estava uma beleza! Ao nariz, frutas maduras, com destaque para o cassis e cereja preta, em meio a caixa de charuto, café, chocolate e alcaçuz. Em boca, repete o nariz e mostra uma untuosidade incrível. É muito elegante, com acidez típica italiana, fruta na medida certa, madeira perfeitamente integrada e taninos arredondados pelo tempo. Uma beleza de vinho! Para quem gosta de vinho italiano, um néctar. Para quem não gosta, sinto muito... 
Experimente os vinhos desta vinícola. Apesar de sua grande tradição e qualidade, são pouco badalados e quase ausentes na "blogosfera enofílica nacional" (ai, ai, ai... mais um daqueles jargões...argh). Mas os Capezzana eles oferecem muito. O top 804 assusta pelo preço, mas os outros dificilmente perdem para colegas na mesma faixa. Eu ainda preciso experimentar os brancos da vinícola, que dizem ser muito bons.
A propósito, os vinhos da Tenuta di Capezzana são importados pela Mistral.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Pride Merlot 2006: Merlot americano de categoria!

Esse vinho foi ofertado pelo amigo Carlão, que gosta de Merlots Americanos. Esse Pride Merlot 2006 é feito com uvas de Sonoma e Napa (58 e 42%, respectivamente). Na verdade, tem 89% de Merlot e o restante de Cabernet Sauvignon. É um vinho pragmático. No próprio site da vinícola Pride Mountain dizem que seu objetivo é fazer vinhos que expressem fruta madura, mantendo o balanço e complexidade e que, apesar de poderem evoluir bem em adega por 10-15 anos, devem estar prontos para serem bebidos jovens. Este Pride Merlot 2006 mostrava ao nariz notas de framboesa, cassis, chocolate, café e alcaçuz (bem destacado). Notas de tabaco também estão presentes. Em boca é denso, concentrado e especiado. Os taninos são doces e sedosos e o final bem longo. Um ótimo Merlot, com muita presença em boca. Dá para entender bem a filosofia da vinícola, de fazer um vinho muito denso e agradável. Só não deu para testar se estava approachable quando jovem, pois já estava com seus 7 aninhos. Mas tudo leva a crer que sim. É um Merlot top. Infelizmente, não o encontrei à venda no Brasil.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Matetic Corralillo Winemaker's Blend 2009 e Cune Reserva 2008

A última reunião da confraria estava bem esvaziada. Só o JP, Fernandinho e eu presentes (Caio e Tom chegaram no finalzinho da noite, prá dizer um "oi").
O JP levou um riojano tradicional, o Cune Reserva 2008, da CVNE (Compañia Vinícola del Norte da España). Tempos atrás eu levei na confraria um 2000 (clique aqui), que estava muito bom. Mas esse 2008, não sei se pela relativa juventude, não estava muito legal. O vinho é feito com Tempranillo (85%) e o restante dividido pela Graciano, Mazuelo e Garnacha. A maturação é por 2 anos em barricas de carvalho francês e americano. O vinho tinha notas de cereja, ameixa e cítricas, em meio à madeira. Em boca era seco, com taninos um pouco rebeldes. Tinha um herbáceo um pouco salidente. A madeira estava acima do meu limite. Achei o vinho um pouco ralo e áspero, um tanto rústico. Bem, estou bem à vontade para dizer isso por que o JP também torceu o nariz para ele...rs. Uma das poucas vezes que não gostei de um CVNE. Será que ele melhoraria com alguns anos em adega?
E do lado dele, o vinho que levei, um Matetic Corralillo Winemaker's Blend 2009. A vinícola se localiza no Vale do Santo Antônio, região de dias quentes e noites frias, com influência maritíma. É uma vinícola que pratica a agricultura orgânica e que utiliza os preceitos da biodinâmica. O Winemaker's blend, como o próprio nome diz, é um corte escolhido pelos enólogos da vinícola e que varia a cada ano. Este 2009 é feito com Syrah (63%), e o restante dividido entre Cabernet Franc, Malbec e Merlot (essa minoritária). Cada uva foi fermentada separadamente e a maturação ocorreu também separadamente, por 12 meses e em barricas francesas feitas com madeiras de diferentes florestas, diferentes fabricantes e também com diferentes tostas. O vinho tem ótima fruta e especiarias ao nariz, além de notas de chocolate. Logo ao ser aberto a Cabernet Franc dava o ar da graça, com seu lado apimentado e umas notinhas de azeitona preta. No entanto, com o tempo as notas de alcaçuz e fruta madura foram dominando. É um vinho muito redondo em boca, com ótima acidez e taninos muito sedosos. É muito legal acompanhar a sua evolução em taça. Eu confesso que gostei dele mais no começo, quando era mais nervoso, mas apimentado. Mas era também muito bom depois de respirar. É daqueles que semprem pedem uma nova taça. Na minha opinião, não deu chances para o Cune. O vinho acompanhou muito bem um prato light que pedimos: Rabada com Polenta Gratinada...rs.
A propósito, no site da Wine, onde comprei o vinho, o corte descrito é do 2007, que tinha a Cabernet Franc como majoritária (44%), seguido de Merlot (30%) e Malbec (26%). Eu queria ter experimentado este corte, que me parece muito interessante, pela boa presença da Cabernet Franc, que gosto muito.