quinta-feira, 11 de julho de 2013

3 Amigos, 3 Vinhaços: Les Terrasses 2010, Quinta da Romaneira 2007 e Valduero 6 Años 2004!

Em uma noite bem esvaziada da Confraria, sentamos Paolão, JP e eu para beber grandes vinhos. E sem combinar, foram os 3 ibéricos, com 3 anos de diferença entre as safras. Era a noite dos 3!
O Paolão levou um do grande Álvaro Palácios, o Les Terrases 2010. O vinho, do Priorato, é feito com Garnacha, Cariñena e Cabernet Sauvignon de vinhedos com pequeno rendimento (o que é comum na área - e contribui para os altos preços dos vinhos). A maturação é feita por 12 meses em barricas de carvalho francês.  É um vinho bem aromático, com notas florais e de fruta madura (amora e cassis) em meio a notas balsâmicas, alcaçuz, chocolate e um fundinho de baunilha. Em boca é mineral, intenso e com ótima acidez. Deixa um final de boca com notas balsâmicas e de couro. Ainda que o vinho seja jovem, os taninos já estão muito corretos. No entanto, devem ficar redondinhos com uns aninhos de adega. É um ótimo vinho, que mostra o potencial do Priorato e as mãos do grande enólogo Alvaro Palácios. Isso aí, Paolão!
Eu levei um Quinta da Romaneira 2007. A vinícola duriense parece que foi adquirida recentemente por um empresário sulamericano que adora os vinhos do Douro e que permanece incógnito. Segundo dizem, o negócio passou de 20 milhões de Euros. A Quinta da Romaneira, além dos vinhedos e adegas, tem um hotel belíssimo (e caro...rs). A enologia é comandada pela mesma equipe responsável da Quinta do Noval, ou seja, tem pedigree. Os seus vinhos não são muito badalados, mas são considerados entre os melhores do Douro, principalmente a partir de 2004, quando a vinícola foi reestruturada. Tanto que a partir desse ano, todos seus vinhos ganharam destaque na crítica, principalmente aqueles de rótulo preto (recentemente mudado na safra de 2008, e agora chamado Reserva). Só para ter uma idéia, esse Quinta da Romaneira 2007 teve 94 pontos da WS. Para efeito de comparação, seu "conterrâneo" (e um pouco mais caro) Vale Meão, teve 95 pontos da mesma safra. Mas posso ser sincero? Eu gostei mais do Romaneira. O vinho tem um frutado muito interessante, que foi seu destaque. Apesar da fruta ser concentrada, não é super madura. É uma concentração de frutas silvestres deliciosa, em meio a notas florais, minerais e de alcaçuz muito acertadas. Tudo é correto no vinho, que é feito com Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinto Cão. Com o tempo em taça ele vai mudando e liberando novos aromas de especiarias indianas. Uma delícia, que se repete em boca. É um vinho intenso, mas sem exageros, com acidez e taninos corretíssimos. Integração perfeita. Eu corri atrás e consegui pegar mais umas garrafas na Grand Cru, que infelizmente, não os importa mais. Só consegui o 2005, que não fica atrás. Parece que agora os Romaneiras são importados pela Portuscale. Ainda bem que ainda vêm para o Brasil.
E para fechar, com chave de ouro, o vinho levado pelo nosso confrade JP. Já vou adiantando, foi um dos melhores espanhóis que bebi esse ano. E olha que já rolou Valbuena, Vega, Ygay, TSM etc... Mas realmente esse vinho chamou a atenção. Era um Valduero 6 Años 2004. Aquí, tudo ajuda: A vinícola é top e a safra, idem. Dizem que esse vinho é feito para competir com o Valbuena, da Vega Sicilia. E olha, bate de frente tranquilo. Mas devemos saber apreciá-lo. No começo, surge como mais um ótimo vinho espanhol. Mas depois, com algum tempo de garrafa aberta, ganha uma riqueza impressionante. Foi como se tivéssemos bebido 3 vinhos diferentes: Um no começo, outro no meio da noite e outro no final. O vinho é feito com 100% Tempranillo de vinhedos selecionados. Matura 3 anos em barricas de carvalho de 4 origens distintas (francês, americano e duas outras européias) e mais 36 em garrafa antes de ser comercializado. Ou seja, quase 6 anos de maturação, daí o nome. Ao nariz o vinho é riquíssimo. A cereja preta dá o tom, em meio a notas de toffee e madeira muito bem integrada. Com o tempo, vão surgindo notas de alcaçuz e especiarias como a canela e noz-moscada. Em boca é amplo, intenso, com ótima acidez e taninos sedosíssimos. O final é interminável. Uma beleza! É vinho de uma complexidade ímpar, mas que para ser sentida, ele tem que ser apreciado devagar. Se abrir para uma turma grande, colocar uns 100 ml por taça e a turma tungar, não passará de um vinho espanhol muito bom. Se apreciar corretamente, curtindo sua evolução, verá o quão grandioso ele é. Ao final da noite, sobrou um pouquinho de cada vinho, e foi uma briga para ver quem levava o fundinho dele prá casa... Bem, não teve jeito: Resolvemos beber tudo! rsrs. Valeu JP!
Pelo conjunto da obra, foi uma das melhores noites do ano.
A turma reunida

4 comentários:

  1. Matou a pau, Flávio!
    Então, posso aguardar mais um pouco ou devo abrir logo meu Romaneira 2007?
    Abs.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Valeu, Vitor!
      Rapaz, esse trio foi de responsa. Todos ótimos. Que beleza você ter um Romaneira 2007. É um vinho com muita estrutura e sem dúvida aguenta boa guarda. Mas como o que eu mais gostei nele foi a concentração de frutas silvestres, acho que eu beberia logo. Mas fico pensando como ele estaría daqui a uns anos. É um vinhão! Me arrependi de ter pegado só uma garrafa. Mas consegui, depois de uma ginástica, pegar o 2005, que logo abaterei...rs. Talvez aí eu já tenha uma noção da evolução do 2007, apesar das diferenças entre as safras. Mas acho que é impossível você não gostar (muito) desse vinho.
      Abração,
      Flavio

      Excluir
  2. Vou atrás também Flávio, grande noite!

    abraços,

    Alexandre/DF

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Grande Alexandre!
      Realmente a noite foi bem legal. Como estávamos em 3 (paus d'águas...rs), e com 3 garrafas deu prá curtir bastante a evolução dos vinhos. E eles ajudaram muito, claro.
      Abraços,
      Flavio

      Excluir