quarta-feira, 30 de março de 2011

Notas de Guarda 2002

Bem, o ciclo "4 Estações" da vinícola chilena Santa Helena já é bem conhecido no Brasil. Começa com o batido Selección del Directório, passa pelo mais potente Vernus, pelo Notas de Guarda e finaliza com o DON (De Origen Noble). Todos eles têm uma característica em comum: Madeira em excesso! Até o DON peca neste aspecto. O Notas de Guarda já bebi várias vezes e ele nunca me convenceu. Dois anos atrás, levei uma garrafa do 2002 à casa de meu cunhado Carlos, em Jaú, para ele experimentar. Deixamos horas no decanter para poder tomar o danado, que não agradou. Neste último final de semana dei mais uma chance para ele me convencer. Ledo engano! Esta garrafa do Notas de Guarda 2002, que deixei bem adegado para envelhecer um pouquinho, manteve a mesma característica das anteriores. No nariz já mostrava o álcool e a madeira se sobressaindo. Há notas tostadas, chocolate e mentoladas. A fruta, principalmente o cassis, é encoberta pelo excesso de madeira. O vinho é tudo que novo-mundista adora, ou seja, potencia exagerada. Para mim, não dá! E o pior foi que o bebi no dia seguinte que bebi o Casa Ferreirinha 1997, que é elegância pura. Foi botar a pá de cal. Nunca mais ele me pega, afinal, não sou cupim! Dizem que ele será substituido pelo Parras Viejas. No entanto, espero que não substituam apenas o nome, e sim o conceito.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Gaudium 1994 - Gran Vino de Marques de Cáceres - Vinhobão!


Como o amigo Paulão levou o Casa Ferreirinha Reserva Especial 1997, tive também que levar um "Senhor de Respeito". Assim, levei um Gaudium 1994, de Marques de Cáceres. Esta vinicola Riojana foi fundada no final dos anos 60, por Enrique Forner, cuja familia possuia em Bordeaux o Gran Cru Classé Chateau Camensac. A Marques de Cáceres contou com a colaboração do Professor Emile Peynaud, que já colaborava com a familia em Bordeaux. Além de bons brancos e um rosado, a Marques de Cáceres produz 5 tintos: Crianza, Reserva (já levado pelo Paulão na confraria - ver comentário), Gran Reserva, Gaudium e o top MC. O Gaudium é feito com uvas de vinhas velhas, 95% Tempranillo e 5% Graciano. Atualmente recebe a assessoria do onipresente Michel Rolland, mas acredito que este 1994 ainda não contava com ela. O vinho tinha cor rubi já tendendo ao atijolado. Aliás, tem gente que pensa que vinho atijolado é vinho passado. Engano! É cor de vinhos maduros, evoluídos. Os Riojas costumam adquirir esta cor quando têm bons anos de adega. Ao nariz, notas deliciosa de tabaco, couro, marrasquino, café, caramelo, enfim, muita riqueza. Na boca estava redondo, sedoso, com taninos muito finos. Uma delícia de vinho que agradou a todos. Bem, quem tem tempo de taça sabe que não há nada como um bom vinho evoluido.

Casa Ferreirinha Reserva Especial 1997 - Vinhobão demais!


Nessa última quinta-feira o amigo Paulo me ligou dizendo que levaria um "Senhor de Respeito" na confraria. E não deixou por menos: Levou um Casa Ferreirinha Reserva Especial 1997! Que beleza! Irmão do Barca-Velha, este Reserva Especial esbanjou complexidade, e para mim, estava melhor que o Barca-Velha 2000 que bebemos no final de ano (veja comentários). O que mais me impressionou no vinho foi a sua elegância. Tudo nele é equilibrado. Não sobra uma aresta sequer. Que exemplo para os novo-mundistas! Nada de exagero de madeira, de fruta ou de álcool. O Paulão abriu mais cedo, como sugere o produtor. Bebemos depois de bom tempo aberto (e poderia ter ficado mais). Ao nariz já mostrou sua elegância. Notas de tabaco (segundo o Paulão, apreciador de charutos, era de caixa de charutos), alcaçuz, amora, kirsch e com o tempo chocolate com leite e melaço leve. Vinho cheio de camadas. Para tomar devagar, curtindo. Em boca repetia o nariz e mostrava-se sedoso, com taninos finíssimos e sem uma arestinha sequer. O final é longo e delicioso. O vinho de 14 anos esbanjava jovialidade e nem precipitado tinha, inclusive, sua cor era de vinho jovem. Já li em alguns blogs opinões controversas sobre este vinho. Alguns, dizendo que esperavam mais, outros, falando mil maravilhas. Eu prefiro pensar que os primeiros deram azar e pegaram uma garrafa ruim, ou em algum momento mal-acondicionada, ou que não deixaram respirar o suficiente. Fico com aqueles que acharam o vinho uma maravilha, principalmente pela enorme elegância. Pode repetir Paulão!!!

domingo, 27 de março de 2011

Mendel Unus 2004

O amigo João Paulo não deixou barato na última quinta-feira. Levou um argentino de grife, o Mendel Unus 2004. Este vinho é um corte de Malbec (70%) e Cabernet Sauvignon (30%). Passa 17 meses em barricas de carvalho francês. É obra do competente Roberto de La Mota. O vinho é complexo e muito equilibrado. Ao nariz apresenta notas de ameixa, figo, cereja preta e alcaçuz. Com o tempo pode-se notar aromas de cassis e amoras. A madeira lhe aporta chocolate e um leve tostado. Na boca é redondo, macio e amplo. A acidez é correta e os taninos bem sedosos. Vinho de classe, bem rico e que pode ser bebido sozinho ou acompanhar um cordeiro que é uma beleza.

Angelica Zapata Cabernet Franc 2005

Eu gosto muito dos Cabernet Franc da linha Angelica Zapata. O primeiro que experimentei foi um 2002, que bebi há alguns anos trazido por uma amiga argentina, pois o vinho era comercializado apenas no mercado argentino. Recentemente a Mistral começou a trazê-lo para o Brasil. Nessa semana apreciamos um Angelica Zapata Cabernet Franc 2005, que manteve a tradição.  É produzido com uvas de vinhedos de altitude (La Pirámide e Altamira), de rendimentos limitados. Matura 18 meses em barrica de carvalho sendo 85% francesa (50% novas) e 15% americana (25% novas). É um vinho bem elegante e com tudo na medida certa. A fruta está muito bem integrada com a madeira, que lhe aporta notas tostadas e de baunilha. Notas de groselha e pimenta preta, essa última típica da Cabernet Franc. Um vinho redondo e de excelente custo-benefício. Compra certa! A propósito, já pode ser bebido, mas a Cabernet Franc costuma premiar quem tem paciência. O enólogo da Catena dá 15 anos de guarda para este vinho. 

sábado, 26 de março de 2011

Chateau Rousseau de Sipian 2004

Meu aluno de doutorado Fernando, "The Climber", trouxe-me da Inglaterra, de presente, um Chateau Rousseau de Sipian 2004. Bebemos juntos e na companhia do amigo Luciano Puzer. Este vinho é um Cru Bourgeois de uma pequena propriedade do Médoc. No entanto, o castelo é lindíssimo (leia mais em http://www.vin-du-medoc.fr/index.php ). O vinhedos ficam em uma área de apenas 9 hectares. O Chateau se modernizou e as videiras foram replantadas em 1980, e praticamente a metade é Cabernet Sauvignon e a outra metade Merlot (e um pouquinho de Petit Verdot). Atualmente apenas dois tintos são produzidos, o Gran Vin Rousseau de Sipian e o segundo vinho Tourelles de Sipian.  Este Gran Vin que bebemos é um corte de 48% Cabernet Sauvignon, 48% Merlot e 2% Petit Verdot. Ele tem uma cor rubi escura e aromas iniciais de pimenta verde. Logo a fruta vai aparecendo, com notas de framboesa e amora, envolvidas pelo alcaçuz. A madeira lhe aporta um defumado bem gostoso. Em boca é de médio corpo e mostra taninos bem sedosos. Um vinho muito gostoso, bem acabado e elegante. Obrigado Fernandão!

quarta-feira, 23 de março de 2011

Capatosta - Morellino di Scansano de Poggio Argentiera - Vale a pena!

Ontem tivemos uma degustação promovida pela Gran Reserva, no restaurante Ciao Bello. Nela experimentamos, além de ótima companhia e comida, vinhos da vinícola italiana Poggio Argentiera. A vinícola fica em Maremma, sul da Toscana. A região é conhecida pelos vinhos Morellino di Scansano. Morellino é o nome da Sangiovese na região. Acredita-se que o nome Morellino venha de Morello (marrom). Scansano é uma pequena comuna de origem medieval. Os vinhos Morellino di Scansano foram elevados a DOCG a partir da safra de 2007. O vinho que chamou bastante a atenção na noite foi o Morellino di Scansano Capatosta 2006. Vinho composto de 95% Sangiovese e 5% Alicante, de cor rubi violáceo intensa e aromas muito gostosos, típicos da Sangiovese (florais, cereja e chá). A madeira aparece bastante e até encobre um pouco a fruta, mas isso não incomoda nem um pouco. Talvez com uma boa decantação e alguns anos de garrafa a fruta surgirá com mais força. Mas o vinho já pode ser bebido agora sem o menor problema. O vinho tem um tostado gostoso, sem exagero, assim como notas suaves de baunilha e côco. É muito redondo e com taninos muito macios. Elegante mesmo! Merecedor dos "tre bicchieri" do Gambero Rosso. Vale a pena conferir.
Apreciamos ainda um branco bastante interessante, o Guazza 2006, feito com as uvas autóctones italianas Ansonica e Vermentino (80 e 20%, respectivamente). O vinho lembra na cor e também palador aqueles feitos com a uva Peverella (ou Malvásia de Vicenza), do brasileiro Era dos Ventos, já comentado aqui no blog. Só que mais claro, sem o toque apimentado e um pouco mais de suavidade. Notas de limão e pêssego, e um toque amendoado, aportado pelos 12 meses em barrica de carvalho francês. Um vinho com boa acidez, que lhe dá bom frescor. Diferente do Era dos Ventos, não aguenta muito na taça, e depois de um tempo se esvai. Mas é um bom vinho, com bom custo-benefício. A ser experimentado.
Outro vinho da noite foi o Principio 2007, feito com a uva Ciliegiolo. Italianos e Espanhóis brigam pela origem da uva, que era utilizada apenas em cortes. Este vinho é feito com ela apenas. No início seus aromas são um pouco agressivos para o meu gosto. Notas de amoras, flores, terrosos e anis. Com o tempo na taça melhora e fica mais redondo e combina muito bem com comida. É um vinho que pede decanter.
Bela noite no Ciao Bello!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Castello di Brolio Chianti Clássico 2004 e Les Pensées de Pallus 2006

No último sábado o amigo Paulão nos brindou com uma belíssima garrafa do Castello di Brolio Chianti Clássico 2004. No final de ano bebemos o Castello di Brolio 2006, já comentado aqui no blog. O 2006, que ficou em quinto na lista dos top 100 da WineSpectator em 2009, com 96 pontos, é mais internacional. O vinho tem mais corpo e a baunilha aparece mais, assim como as pitadas (10% somados) de Cabernet e Merlot. Este 2004 que bebemos é mais italiano, e confesso que me agrada mais. A Sangiovese impera absoluta, com suas notas de tabaco, cereja e chá. Os aromas são deliciosos. Em boca, é elegância pura, correspondendo fielmente aos aromas. Os taninos são finíssimos. Um belíssimo vinho italiano, de corpo e alma. Valeu Paulão!
Bebemos também um Chinon Les Pensées de Pallus 2006, oferecido pelo Fernandinho. Já tinha bebido este vinho outras vezes e ficado impressionado com seu frescor. É Cabernet Franc pura, com o apimentado clássico, notas de framboesa e azeitona. Um vinho excelente comercializado pela Vinci. Já comentei sobre o 2007 aqui no blog (http://vinhobao.blogspot.com/2010/09/reuniao-na-casa-do-joao-paulo-bons.html).

domingo, 13 de março de 2011

Numanthia 2006 - Vinhobão, mas seja paciente...

Na sexta-feira fui ao Ciao Bello e levei um espanhol de peso, o Numanthia 2006. As bodegas Numanthia ficam na região de Toro, que tem como característica vinhos potentes, longevos e de grande personalidade. A região acumula safras notas 10, portanto, é fácil adquirir bons vinhos de lá. Eu os aprecio muito. O nome da Bodega vem da cidade Numancia, destruída há mais de 2.100 anos pelo império romano nas guerras celti-ibéricas. No contra-rótulo é citado que o nome Numanthia vem deste fato e também dos mais de 100 anos de luta contra a filoxera. Os vinhos desta bodega, que foi comprada recentemente pela gigante Louis Vuitton Moet Hennessy (LVMH), são arrebatores de prêmios e de grandes notas dos mais diferentes criticos. O Numanthia Thermes 2002, que é mais barato que o Numanthia (Numanthia), já ficou em terceiro lugar nos top 100 da WS em 2004 e o 2005 em segundo na lista de 2009, com singelos 96 pontos! Os seus vinhos são feitos a partir de uvas de vinhedos muito antigos, de baixíssimo rendimento. Aliás, vale a pena visitar o site da bodega. A introdução mostra a colheita, e já dá para ver a concentração das uvas (http://www.numanthia.com/#/en/heritage/harvest ). É de dar água na boca. Se sua conexão for lenta, pode falhar de vez em quando. Deixe o filme ir até o fim e repita que ele irá direto. As 3 fotos a seguir são extraídas do site.



Vejam este extrato!


Bem, mas vamos ao vinho. Na verdade, eu abri de curioso que sou (e também por ter outra garrafa do mesmo ano na adega). Isso porque a recomendação da WineSpectator é para beber depois de 2011. Quando é assim, pode-se esperar um vinho fechado. Por outro lado, o amigo Eugênio, do Decantando a Vida, postou no ano passado sua apreciação para um Numanthia 2004, e achou que ainda estava fechado. Bem, mas não resisti e abri. A cor já mostrava as características de bons vinhos do Toro, escura, densa e quase que intransponível.


No entanto, ao levar ao nariz a sensação inicial foi de total decepção. O vinho parecia completamente fechado. Dava prá sentir aromas de chocolate e herbáceos, mas nada mais. Na boca estava duro como um coice de um toro, com pegada agressiva e taninos ainda fortes. Com o tempo o vinho foi se amaciando e abrindo discretamente, mas nada de muito relevante. Obviamente, dava para sentir que era um vinho de primeira, mas um bebê. Guardei então o pouco mais de meia garrafa que sobrou na adega, sem tirar o ar com vacuvin, e fui beber dois dias depois, no domingo. Que grata surpresa! O vinho se transformou! Notas complexas de chocolate amargo, balsâmicas, alcaçuz, herbáceas, cacau e leve baunilha. Com o tempo foram surgindo notas de licor de cereja e melaço. Um vinho cheio de camadas. Na boca é para mastigar, amplo, untuoso e com final longuíssimo. Belíssimo!
Fica aqui então a dica para quem não quer se decepcionar: Se for beber um Numanthia, aplique as mesmas regras de um bom Brunello. Ficará melhor depois de 10 anos de adega e merece decantação extensa, de horas, quem sabe de um dia completo. Ou então, abra a garrafa, tome um pouquinho e deixe aberta para oxigenar, como fazem na Itália. Lá deixam na janela. Quem fala que isso é frescura, experimente. Você pode estar perdendo o melhor que um vinho pode oferecer. Por outro lado, sabe o que me deixa intrigado? Este vinho foi degustado em 15 de junho de 2009 pela WineSpectator, que lhe atribuiu merecidos 93 pontos (em alguns anos quem sabe não mereça 95?). Será que eles têm uma mágica para fazer com que o vinho se abra? Eu sei que não decantam ou deixam longo tempo aberto. Será que se baseiam em safras anteriores e na tradição da bodega? Ou simplesmente dão um chutão de Nelinho? Eu vi também descrições em alguns blogs que me deixaram com a pulga atrás da orelha. Eu prefiro ficar com minha experiência pessoal e com a opinião sempre sincera do amigo Eugênio.
Ah, amigo João Paulo, era para apreciar este vinho que te liguei ontem... Infelizmente você não pode vir...
A propósito, este vinho é comercializado no Brasil pela Peninsula.

Nota pós-postagem: Vejam aqui a degustação do Numanthia 2000.

sábado, 12 de março de 2011

Chryseia 2006 - Grande vinho!

Nessa última quinta na confraria a brincadeira era levar Cabernet Sauvignon barato, até no máximo 50 reais... Neste sentido, dava prá pensar em Montes, Lapostolle, Carmen Reserva, Tarapacá Gran Reserva, Cousiño Macul Antiguas Reservas, o Australiano Diamond, o Sul-Africano Porcupine Ridge, Catena, Tahuantinsuyu, bons brasileiros, como o Vallontano Reserva e assim vai... Mas o Tom esqueceu e apelou: Chegou sorrateiramente com um Chryseia 2006, que nem é cabernet, nem tampouco custa 50 pilas... Mas ficamos felizes demais! O duriense Chryseia é feito por parceria entre o francês Bruno Prats, antigo proprietário do Chateau Cos d'Estournel e a familia Symington, dos deliciosos portos Graham's. A palavra Chryseia significa "de ouro" em grego antigo, ou seja, remete ao Douro. Seu primeiro exemplar foi lançado em 2000, e desde então, figura entre os melhores vinhos portugueses. O vinho é feio majoritariamente com as uvas Touriga Nacional e Touriga Franca, mas tem também pitadas de Tinta Roriz e Tinto Cão. É potencia pura, marcante, untuoso. A madeira é presente, mas não incomoda e lhe aporta muita complexidade. Notas florais, balsâmicas, alcaçuz, chocolate, azeitona preta e frutas vermelha maduras. Na boca é redondo, sedoso, cremoso e com grande presença. Os taninos são finos e devem arredondar nos próximos anos. Vinho na linha do Xisto, para mastigar. Eu fico imaginando como estará com alguns anos de adega. É vinho para longa guarda. Uma beleza Tom! Matou a pau!
O Paulão levou um negócio embrulhado que não dá nem prá definir. Fico com a definição do próprio: É o pior vinho da face da Terra! Mas foi uma brincadeira. Sua maleta portava nosso amigo de sempre Montes Alpha Cabernet Sauvignon 2005. Esse vinho, que custa mais que 50 pilas, é sempre muito bem-vindo. Esse 2005 já foi tomado em outras ocasiões na confraria e ainda é potencia pura, como são os Montes Alpha. Notas de grafite e apimentadas se misturavam à fruta. Na boca estava redondo e muito agradável, como sempre. Aposta sempre certeira.
O amigo JP levou um Septimo Dia Cabernet Sauvignon 2006, da vinicola argentina Séptima. O vinho é simples, mas eu gostei bastante. Não tem exageros e desce muito bem. Nota de cassis, café e leve baunilha. Na boca é levemente doce, equilibrado e com taninos macios. Bom vinho na faixa dos cinquentinha.
Bem, eu levei um vinho que não vale a pena mencionar. Até que no começo estava bom, mas depois de algum tempo simplesmente "sumiu", ficou com gosto de nada. Tô devendo!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Pessac-Leognan de Latour de Martillac 2005 - Second vin

Comprei este Pessac-Leognan há algum tempo atrás na Worldwine e só agora resolvi bebe-lo. O primeiro vinho de Latour de Martillac é um vinho que faz sucesso pela boa qualidade e preço acessível. Este segundo vinho é bastante justo pelo preço. Bem, sem dúvida a safra ajudou. Tem uma cor rubi intensa e ricos aromas de cassis e framboesa, que se abrem depois de algum tempo na taça. Depois de algum tempo, surgem também aromas de ameixa, alcaçuz e tabaco. Na boca é redondo e com taninos macios. Um vinho bastante agradável e que superou minhas expectativas.

Canepa Finisimo Sauvignon Blanc 2010

Estes dias bebemos o Canepa Finisimo Cabernet Sauvignon 2008 e ele agradou. Este Sauvignon Blanc 2010 veio junto com ele, no Club Wine de dois meses atrás. Vinho de cor palha, clarinho, clarinho, levemente esverdeado, que no nariz apresentou notas herbáceas e pouca fruta. Em seu contra-rótulo citam notas de pessego branco, que se presentes, são bem sutis. Além disso, o vinho é bastante mineral. Eu gosto de sauvignons mineirais, mas este estava exagerado. Ou seja, falta equilibrio para o vinho. É um vinho refrescante, mas que não compete com outros chilenos mais baratos, como o Leyda Reserva Sauvignon Blanc, já comentado aqui no blog, que custa mais barato e é melhor. Eu bebi acompanhando um Fettuccine al Pesto, prato que combina com Sauvignon Blanc. Ele acompanhou bem, principalmente pelo lado herbáceo. Mas sozinho, o vinho decepciona. Quem sabe não era apenas essa garrafa? Ou minha boca que estava ruim no dia?

Marques de Riscal Reserva 2005, Juan Gil Joven 2007 e Marques de Marialva 2006, na confraria

Bem, depois que bebemos o LAN Gran Reserva 2003 ficou meio dificil para os outros. Mas o Marques de Riscal Reserva 2005 não ficou muito atrás! Esse vinho, assim como Quinta da Bacalhoa, é figurinha carimbada em nossas noites de quinta-feira. Para mim, formam uma dupla de muito respeito e nunca decepcionam. Este 2005, levado pelo Rodrigo, estava muito equilibrado, com aromas muito gostosos de cereja, casca de laranja, tabaco e alcaçuz. Os taninos já estavam bem redondos, e o vinho desceu macio, macio... O Riscal Reserva é sempre certeza de agradar.
O amigo João Paulo levou o espanhol de Jumilla Juan Gil Joven 2007,  irmão menor do Juan Gil já comentado aqui no blog. Este joven foi feito com uvas Monastrell de videiras de 30 anos de idade e permaneceu apenas 4 meses em barrica. Obviamente, é bem mais simples que seu irmão maior. Tinha um bom nariz, com boa fruta e notas balsâmicas menos concentradas que o de 12 meses em barrica. É um bom vinho dentro de sua faixa de preço. Mas não empolga muito. Acho que o JP deve preferir comprar um Vega Sauco.
Já o amigo Tom levou um vinho que surpreendeu pela boa relação custo benefício. Foi um Bairrada da Adega Cooperativa de Castanhede, o Marques de Marialva Reserva 2006, que segundo o Tom, foi comprado em um supermercado. Corajoso o cara! Mas não é que o vinho estava bom!?! Não tinha a rusticidade da Baga e era bem fácil de beber. No nariz, fruta vermelhas e um toque de casca de laranja. Na boca, taninos aparentes mas que não sobressaiam. Fiquei curioso para experimentar os rótulos superiores da marca.

Hautes Cotes de Nuits 2006 - David Duband

Ontem resolvi abrir um borgonha que havia adquirido no último bota-fora da Vinci. Confesso que o único vinho deste produtor que me impressionou positivamente foi um Nuits St Georges 2005, que comentei aqui no blog. Os outros me decepcionaram. Este Hautes Cotes de Nuits 2006 não me agradou muito. No nariz é até gostoso, com notas de cereja, leve morango e tostado. Mas na boca não entusiasma, e deixa um leve amargor final que incomoda. É um vinho que perde fácil para borgonhas genéricos do Drouhin, Champy ou Olivier Guyot (este último, aliás, faz ótimos borgonhas sem uso de defensivos agrícolas e até mesmo sem utilizar tratores para arar a terra).

quarta-feira, 9 de março de 2011

LAN Gran Reserva 2003 - Belo Rioja

As bodegas LAN foram fundadas em 1972, e o nome é composto pelas iniciais das três províncias que pertencem a denominação de origem Rioja: Logroño (hoje La Rioja), Álava e Navarra. As bodegas estão situadas no coração de Rioja Alta. Desde seus vinhos mais simples já mostra grande qualidade. O LAN Reserva 2004, já comentado aqui no blog, e que pode ser encontrado em supermercados na Espanha por 10 Euros, já figurou entre os top 100 da WineSpectator. Este LAN Gran Reserva 2003 fica um degrau acima, e foi produzido com uvas de vinhedos antigos, sendo composto por 85% Tempranillo, 10% Mazuelo e 5% Garnacha. Foi mantido em barricas de carvalho francês e americano por no mínimo 24 meses, seguido de 36 meses de afinamento na garrafa. Na taça mostrou uma cor vermelha intensa e aromas de frutas como o cassis e ameixa, além de notas de tabaco e cedro. Os taninos estavam redondos, embora levemente arenosos. É vinho muito equilibrado e que pode ser tomado sozinho, mas que deve crescer com um bom prato de carne.  Fez sucesso com a turma, o que tem sido dificil atualmente... Até o Fernandinho gostou, dizendo que foi marcante... rsrs... Os vinhos das Bodegas LAN podem ser encontrados na Boutique do Vinho.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Concha y Toro compra empresa Californiana em transação de US$238 mi

Em artigo publicado ontem por Tim Fish, na Wine Spectator, é anunciada a compra da empresa californiana Fetzer pela chilena Concha y Toro. O acordo inclui a Fetzer e as marcas filiadas Bonterra, Little Black Dress, Jekel, Five Rivers e Bel Arbor, que produzem anualmente cerca de três milhões de caixas e US $ 156 milhões em vendas líquidas combinadas. Também estão incluídos no acordo 1.060 hectares de vinhedos no condado de Mendocino, uma unidade de engarrafamento, bem como grandes instalações de vinificação em Hopland e Paso Robles. O CEO da Concha y Toro, Eduardo Guilisasti, considerou a transação a maior aquisição na história da empresa, e cita que ela deve abrir novas oportunidades de crescimento não apenas no mercado americano, mas também em nível mundial.
Embora outras empresas tivessem interesse na compra, a  Concha y Toro teve preferência  por três razões: o preço pago de US$ 238 milhões;  a empresa compartilha com a Fetzer a visão de desenvolvimento sustentável e produção de vinhos orgânicos e por fim, está disposta a manter a maioria dos trabalhadores afetados pela venda.  Fundada em 1968, a Fetzer (até onde eu saiba) não produz vinhos Premium, mas tem sido uma marca líder em produtos de preços razoáveis e de boa qualidade, que vão de US $ 8 a US $ 15. Seu rótulo Bonterra é um destaque no mercado dos vinhos orgânicos. Bem, vamos esperar o que virá por aí. Além da óbvia internacionalização, esperamos que o caminho orgânico e a competência da Concha y Toro possam render bons produtos em uma terra já conhecida pelos bons caldos.  Eu fico muito feliz que uma empresa latino-americana se expanda e entre em um mercado altamente competitivo como o americano.
Nota: A transação deve ser analisada por agências regulatórias, mas espera-se que esteja concretizada em abril.