sexta-feira, 15 de julho de 2011

El Vinculo 2005, Promis 2007, DEI Sancta Catharina 2001, San Vicente 2004 e a volta triunfante do EPU!!!

Nessa última quarta-feira tivemos uma reunião especial da Confraria do Ciao, na casa do amigo João Paulo (JP). A noite foi regada a grandes vinhos e comida de primeira, com carnes na brasa de primeiríssima. O vinho de entrada foi levado pelo amigo Paulão. Foi um espanhol de La Mancha, o El Vinculo 2005, feito pelo grande Alejandro Fernandes, criador dos grandes Pesquera. O vinho é feito com 100% tempranillo de vinhedos antigos, e matura 18 meses em barricas de carvalho. Ao nariz tinha notas de cereja e casca de laranja, lembrando até um Rioja. A madeira aparece bastante, com notas de cedro. Em boca tem bom corpo e a acidez aparece bem, assim como toques herbáceos e os taninos, que são bem secos. Isso fez com que o vinho acompanhasse muito bem as carnes mais gordurosas. No entanto, os taninos secos e o toque herbáceo são meio salientes. Sem comida o vinho pega nestes aspectos.
Seguimos com um vinho levado pelo Caião, um belo Promis 2007, de Ca'marcanda, do mestre Angelo Gaja. É um vinho feito com Merlot (55%), Syrah (35%) e Sangiovese (10%), vinificadas separadamente.
Adorei! Como citado no site da Mistral, ele parece pular da taça. O vinho é superaromático, mas sem ser enjoativo. As notas de amora se mesclam a leve toque de chocolate e notas florais, de violetas. Em boca é uma delícia. Super sedoso e com taninos aveludados. Acredito que tudo isso é proporcionado pelos 18 meses em barricas usadas, que lhe aporta muita elegância. É do estilo que eu gosto bastante.
Eu levei um supertoscano da vinícola DEI. É o top da vinícola, o DEI Sancta Catharina 2001. É uma raridade que dificilmente pode ser encontrada (infelizmente...). Este 2001 foi um dos mais bem avaliados (recentemente o 2007 também foi muitíssimo elogiado). É um vinho feito com Sangiovese, Syrah e Cabernet Sauvignon. Ao nariz mostra belos aromas florais, cereja, chocolate amargo e alcaçuz. Em boca, muito amplo e com taninos muito sedosos. O final é muito longo e agradável. Uma beleza! Bem, eu sou suspeito para dizer isso, pois além de ter levado o vinho, sou fã declarado dos vinhos italianos. Mas acredito que era um vinho para apreciar mais devagar, com tempo, curtindo sua evolução.
E após abrir este vinho, chegou nosso amigo Tom com um vinho embrulhado (e já dizendo que seria o vinho da noite... rs). E o vinho realmente foi sucesso com todos, inclusive com este aqui que vos escreve! O nariz era muito elegante, com notas iniciais de caramelo, ameixa e chocolate. Com o tempo foram aparecendo também notas de figo e cassis. Estava dificil acertar a procedência, mas era consenso que se tratava de um belo vinho. Em boca era muito sedoso, amplo e levemente doce. O JP foi o que mais se aproximou, já no finalzinho, sugerindo um chileno. E era! Sabe qual? O EPU 2007! Pois é, aquele que gerou uma polêmica saudável aqui no blog, quando postei sobre o 2001. E ele virou o jogo, tenho que assumir (com gosto!). Realmente estava muito bom. Tem estilo internacional, poderia ser um pouquinho menos doce (para o meu gosto), mas é muito gostoso. Agora entendo o amigo Rodrigo Mazzei, do blog Vinhos e Viagens, que elogiou o EPU aqui no blog.
E o amigo JP não fez por menos: Nos brindou com o excelente riojano Señorio de San Vicente 2004. Um espetáculo de vinho. Tempos atrás apreciamos um da safra 1999, delicioso [clique aqui]. Este 2004 também estava uma maravilha. Aromas de cereja seca, café e tabaco, além de leve caramelo. Em boca, repetia o nariz e era amplo, intenso, com taninos sedosos e um final longo e delicioso. Vai evoluir que é uma beleza nos próximos anos. Um vinhaço! Valeu JP!
E para finalizar, um vinho doce sul-africano muito bom, de excelente custo-benefício, o Nederburg Noble 2009. É um vinho feito com as uvas Chenin Blanc, Weisser Riesling, Muscat de Frontignan e se não me engano, 1% de Semillon, todas botritizadas. Os aromas são ricos, com notas de mel, damasco e doce de abacaxi. Em boca, muito gostoso e como uma bela acidez que não o deixa enjoativo. Estava perfeito com o Creme Brullé.

2 comentários:

  1. Fico feliz que vc deu uma segunda chance ao EPU. Aquela garrafa devia estar com um problema. Estou escrevendo um post 9sobre críticos de vinhos), numa passagem escrevi o seguinte:

    Uma máxima sempre lembrada de Hugh Johnson é a de que “Não há grandes vinhos, apenas grandes garrafas de vinho”, pois o especialista não despreza a possibilidade de variação entre garrafas da mesma caixa (até porque uma, dentre doze, estatisticamente, apresentará alguma característica defeituosa, ainda que o vício possa ser simples ou bem grave, como é o caso do bouchonné).

    O EPU foi mais uma prova do acima dito. Abraços e parabéns pela fantástica degustação e ótimo blog.
    Rodrigo Mazzei

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  2. Caríssimo Rodrigo!
    Obrigado pelos gentis comentários e elogios. Você citou um dos meus críticos de vinhos favoritos. E parece mesmo que as "garrafas premiadas" são mais comuns que a gente pensa. E como você disse, o EPU foi mais uma prova disso. Ainda bem que surgiu logo uma chance de apreciar uma ótima garrafa e mudar de opinião!
    Um grande abraço e seja sempre bem-vindo!!!
    Flavio

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