quinta-feira, 9 de maio de 2013

Vale de Ancho Reserva 2006: Grande vinho Português!

Dias atrás, enquanto eu fazia a parada obrigatória no Barreirense após participar de uma banca em Campinas, recebi uma ligação do amigo Paolão. O confrade estava sozinho no Ciao Bello e me convocava para um jantar acompanhado, claro, de um vinhão. Não pude deixar de atender o seu convite e chegando em São Carlos fui direto para lá, apreciar um vinho top da Herdade do Menir (mais conhecido com Couteiro-Mor). O vinho era um Vale de Ancho Reserva 2006. Esse alentejano é feito com Aragonês e Alicante Bouschet e passa 8 meses em barricas novas de carvalho francês. O vinho tem uma belíssima cor e é muito aromático, com notas de amoras maduras, cereja preta, tabaco, alcaçuz, couro e aniz. Em boca é denso, daqueles de mastigar, mas muito elegante e nada de ser enjoativo. Pelo contrário, a cada taça queríamos outra. Foi uma tristeza quando acabou. Os taninos e acidez eram corretíssimos, e o final, daqueles intermináveis. Um vinho delicioso, que deve ser bebido devagar, de preferência acompanhado de comida portuguesa. Eu gostei muito dele. Valeu Paolão! Aliás, o blog tem estado recheado de bons portugueses recentemente. E vem mais por aí...
Os vinhos da Couteiro-Mor são importados pela Adega Alentejana. Se achar, compre sem medo e aprecie um belíssimo vinho, curtindo sua evolução na taça. O preço é salgado, mas em questão de qualidade, não dá chances para a maioria dos chilenos e argentinos na mesma faixa.

Nota: A bela foto do rótulo é do livro de horas de D. Manuel I, do século XVI, e é de setembro, quando ocorre a vendímia, retratada na foto. O livro de horas era muito comum na idade média, e geralmente trazia orações e Salmos para serem lidos durante o dia, assim como outras anotações. Eram famosos pelas belas ilustrações.

18 comentários:

  1. Flávio,

    Sempre tive curiosidade sobre este vinho justamente por seu rótulo, tão bonito.

    Até hoje nunca bebi, e não o tenho visto mais.

    abraços,

    Alexandre/DF

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    1. Oi Alexandre,
      Realmente é um rótulo muito bonito. E o vinho, excelente! Acho que meu amigo conseguiu na Adega Alentejana. Vou perguntar a ele quando e onde comprou e te digo.
      Abraços,
      Flavio

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    2. Flavio tenho esse rótulo 11 974 707 437

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    3. Anotado, Fabio! Obrigado!

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  2. Caro Flavio Henrique,

    Há tempos venho acompanhando, com entusiasmo, seu blog. Acima de tudo, você é bem didático em suas explanações sobre os diversos vinhos experimentados. Para mim - um pleno novato no universo dos vinhos - é algo muito bom. Pelo pouco que li de seus comentário, percebo que, sem exclusão dos italianos, franceses e espanhóis, você tem uma queda pelos portugueses. Sem querer comparar - algo impossível - nossas experiências, digo-lhe que tenho a mesma impressão. Os portugueses, além e antes de tudo, são muito bons no custo benefício. Particularmente, ademais, nunca experimentei um português verdadeiramente imbebível, nem mesmo os mais simples, como o Periquita, o Porca de Murça e o Alabastro. Tive, recentemente, esse problema com dois chilenos: Baron Phillipe de Rothschild, Carmenere, e Miguel Torres, Gran Reserva, também Carmenere. Pareciam verdadeiros sucos de pimentão (confesso que já tenho certo preconceito com a Carmenere).

    Nessa estaria de vinhos lusitanos, gostaria que, se possível, você me respondesse as seguintes questões, todas elas têm a ver com o gosto pessoal: a) a seu ver, em geral, contando tanto os mais simples quanto os mais complexos, quem é melhor: Douro ou Alentejo? b) de um e de outro, quais são seus produtores preferidos?

    Agradecendo-lhe desde já,

    Atenciosamente,

    Roberto Campos.

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    1. Caríssimo Roberto,
      Fiquei muito feliz ao ler o seu gentil comentário! Muito obrigado!!! Fico muito contente que acompanhe o blog e goste das postagens. Espero que continue. Primeiramente, permita-me dizer que, pelo seu comentário, já não é um novato no mundo do vinho há um bom tempo! Você faz considerações muito pertinentes. E nesse vasto mundo do vinho, nós somos eternos aprendizes (ainda bem!).
      Quanto à minha queda pelos vinhos portugueses, você acertou em cheio. Como você bem comentou, eles são muito bons no quesito custo benefício. Realmente, mesmo os mais simples, são justos. Coisa difícil de se encontrar em vinhos de outras nacionalidades. Os espanhóis, por exemplo, começam a ficar bons a partir de determinado preço. Você citou também os chilenos feitos com a Carmenére. Divido com você a mesma opinião. Grande parte deles decepciona pelo excesso de pimentão e extração. Eu também tenho adquirido um certo preconceito contra essa uva, que considero boa em cortes. Sozinha, pode facilmente decepcionar. E aqueles melhores, estão ficando muito caros. Do Chile, prefiro os Syrahs, principalmente aqueles mais minerais e com menos extração.
      Agora tentarei responder as suas perguntas, já adiantando, que não será fácil...rs. Eu gosto de vinhos durienses e alentejanos. No entanto, considerando a sua questão, que inclui os vinhos mais simples até os mais complexos, acho que o Douro me agrada mais. Tenho investido mais no Alentejo, mas acho que seus vinhos ficam melhores em uma faixa de preço um pouco superior àquela dos durienses. Mas espero conhecê-los mais e quem sabe não mudo de idéia?
      Em relação à sua segunda pergunta, tentarei eleger alguns produtores que gosto muito das duas regiões. Do Douro, adoro a elegância dos vinhos da Casa Ferreirinha, a regularidade e riqueza dos vinhos da Quinta do Crasto (bons em todas as faixas), os vinhos do simpático e competente Domingos Alves de Souza e o frescor e elegância dos Niepoort (Redoma). Do Alentejo gosto muito daqueles da Herdade do Mouchão, Herdade dos Grous, Altas Quintas, Dona Maria (Júlio Bastos) e dos vinhos do grande João Portugal Ramos (o seu Marquês de Borba Reserva é um dos meus preferidos).
      Bem, são só alguns exemplos de uma lista grande de ótimos vinhos produzidos nessas regiões. Eu gosto também dos vinhos da Bairrada e Dão (quero conhecer mais os brancos dessa região).
      Um grande abraço e seja sempre bem-vindo!
      Flavio

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    2. Caro Flavio, muito obrigado pela resposta. Dos portugueses que você mencionou, provei Niepoort (Redoma), Quinta do Crasto (do Flor do Crasto até o Reserva), Mouchão (por ora, só o Dom Rafael, que, embora seja o de partida, muito me agradou). Todos me agradaram muito. O Redoma é sensacional, o mesmo digo do Crasto Reserva Vinhas Velhas. Tenho dois Herdade do Mouchão 2006 na adega. Gosto muito também do Esporão (por ora só experimentei o reserva, mas tenho dois Private Selection - não entendo porque os portugueses, tão defensores da pureza de sua língua, retiraram o nome Garrafeira. Adiro a sua crítica quanto a isso-, um 2007 e outro 2008).

      Estou bem ansioso para começar a experimentar vinhos do Dão e Bairrada. Devo começar pelo Quinta do Cabriz e o mais simples de Luís Pato.

      Tenho uma dúvida quanto ao Quinta do Crasto Reserva, muito falado por você aqui: a Wine está vendendo o chamado Etiqueta Negra, por R$ 140,00 para os sócios (um bom preço, se você considerar que eles não cobram o frete. Para quem mora em Recife, como eu, isso é muito importante). Procurei sobre ele no próprio site da vinícola e não vi qualquer menção a ele. Sabes dizer se se trata de uma série especial? Se há alguma diferença entre ele e o "comum"?

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    3. Caro Roberto,
      Imagino que os Herdade do Mouchão 2006 que tens na adega devem estar belíssimos! São vinhos longevos e provavelmente ainda aguentarão um bom tempo. Boa lembrança a sua sobre o Esporão! O Reserva é sempre certeza de agradar. Como você bem disse, não sei por que os portugueses trocaram o termo "Garrafeira" por "Private Selection". Parece que também é motivo de crítica em Portugal. Mas o vinho, continua ótimo (embora os mais recentes me pareçam mais internacionais...).
      Quanto aos vinhos do Dão, o Cabriz Colheita é muito justo e de bom preço . E o Reserva, que também tem bom preço, é muito bom! Vale mesmo a pena experimentar. Bem, da Bairrada, os de Luis Pato são obrigatórios. Mas eu bebi recentemente alguns vinhos da Quinta de Foz de Arouce que me agradaram muito. Vale a pena experimentar. São vendidos pela Decanter e produzidos com a assessoria de João Portugal Ramos, que é genro do produtor.
      Quanto ao Quinta do Crasto Vinhas Velhas etiqueta negra, também não sei o motivo da diferença. Já me disseram que é o mesmo vinho (o que espero, pois comprei uma garrafa do 2010 na Wine...rs). Mas te prometo tirar essa dúvida na quinta-feira, quando participarei de uma degustação da Qualimpor em São Paulo. Espero ter a resposta para colocar aqui.
      Abraços,
      Flavio
      Ps. Visite o site da Sabores de Portugal (www.saboresdeportugal.com.br). Eles têm ótimos vinhos, alguns com bom preço, e estão enviando por PAC para todo o Brasil.

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  3. Caro Flavio,

    Conheço o site: realmente, muito bom. Fiz excelentes compras, como Crasto Superior por R$ 65,00, Esporão Reserva por R$ 64,50, e Cartuxa Reserva por R$ 135,00. Outro site bom, embora com pouco acervo, é o Bodega Austral. Meu pai - com quem divido várias de minhas compras, comprou lá Cartuxa Reserva por R$ 129,90, e o Colheita por R$ 85,00. Aqui em Recife temos ótimas opções para compra, especialmente os portugueses por conta de Licínio Dias, dono da tradicionalíssima Casa dos Frios e importador de várias marcas lusitanas e espanholas (como a Muga e a Emílio Moro). Além dela, temos franquia da Grand Cru, que pratica preços muito similares - com pequeno acréscimo devido ao frete - do site e representante da Mistral, que, infelizmente, cobra valores bem superiores aos do site. Recentemente, foi aberta uma nova casa: Mercado Barchef, em duas belas unidades. O acervo deles é enorme, contando com vinhos de todos os tipos e preços, incluindo-se lendas como o Opus One, o Vega Sicilia Unico e o Barca Velha.

    Mesmo assim, é sempre bom estarmos de olho nas boas ofertas existentes na internet. Compro bastante pelo Wine, especialmente pelo fato de não ser cobrado frete e os descontos para os sócios tornarem os preços um tanto atrativos.

    Muito boa esta nossa conversa.

    Abraços,

    Roberto.

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    1. Caro Roberto,
      Eu peguei coisas boas no Sabores de Portugal: Chocapalha Reserva, Solar dos Lobos e Esporão. Todos a bons preços. Antes eles tinham problemas para envio, mas agora, estão com boa logística, inclusive para o pagamento no site, via pagseguro. Vocês fizeram boas compras lá, hein! Eu gosto muito do Cartuxa Reserva.
      Obrigado pela dica da Bodega Austral. Vou visitar. Pelo jeito, vocês estão bem servidos aí no Recife. Mas como você disse, é sempre bom ficar de olho em boas ofertas. Nós pagamos caro pelos vinhos no Brasil, e uma barganha é sempre bem-vinda!

      Sem dúvida a conversa tá boa!

      Grande abraço!

      Flavio

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    2. Flavio, naquela promoção de que te falei (a do Scala Coeli, Pintas e Grous Reserva), este vinho está por R$ 149,00. A safra é a mesma do que tomastes, que, como se sabe, não foi das melhores. Sua opinião, todavia, sempre muito abalizada, fez-me pensar em comprar um. Você acha que ele tem um potencial de guarda bom, tipo uns dois anos? Penso em comprá-lo para guardar um pouco.

      Abs.,

      Roberto.

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    3. Amigo Roberto,
      Obrigado pelo crédito à minha opinião. Eu gostei muito do vinho. Mas não sei se é para guardar muito tempo. Para mim, está no ponto. O preço é bom! Eu andei buscando o preço na internet e vi que é mais caro. Se você gosta de um bom alentejano, ficará contente.
      Grande abraço,
      Flavio

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    4. Flavio, valeu mais uma vez. Imaginava que ele teria alguma guarda. Nesse caso, vou pensar. Temo, algo que deve ocorrer, que os preços dos vinhos deem uma disparada pelo aumento do dólar. Daí é sempre bom fazer algum estoque.

      Outra coisa, você fala muito do Duas Quintas Reserva, que já provei e achei excelente. Já tomastes o Reserva Especial? Arriscaria comprar um 2004? Digo isso porque, na mesma promoção, tem um lá por pouco mais de R$ 200,00.

      Abs.,

      Roberto.

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    5. Oi Roberto,
      Eu também estou com o mesmo pensamento sobre o aumento dos preços dos vinhos em virtude do aumento do dólar. Por outro lado, tem gente que diz que os estoques estão altos e que tem vinho sobrando na praça... Bem, é difícil saber. O negócio é se assegurar.
      Quanto ao Duas Quintas Reserva, eu gosto muito mesmo. E quero muito beber o Reserva Especial, que deve ser uma beleza. Ainda não tive o prazer. O lugar mais barato que vi, custa mais de 300. Pelo jeito, essa sua fonte é boa, pois as promoções que me falou são boas. Sem dúvida eu arriscaria um 2004.
      Abraços,
      Flavio

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    6. Flavio, meu caro,

      A Mistral já aumentou seus preços. Felizmente, encomendei o Buçaco semana passada. Do contrário, teria de pagar mais vinte reais por ele hoje.

      A próxima etapa será o aumento pelas lojas e supermercados.

      Esse lugar que compro é muito bom. É o RM Express Trata-se de um supermercado de bairro, mas que tem uma gama muito grande de bebidas, vinhos em especial, e portugueses mais ainda. Estão com vários rótulos em promoção, como os que já te falei. Até mesmo o Pêra Manca (safra 2008), está em promoção, R$ 619,00. Bem, mesmo em promoção o PM é bem caro. kkkk A propósito, já tivestes a oportunidade de prová-lo?

      Comprei o Duas Quintas Reserva Especial, safra 2004. Só havia uma garrafa. Devo dar a ele mais um ano de adega e descorchá-lo.

      Abraço forte do amigo,

      Roberto.

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    7. Caríssimo Roberto,
      Realmente o negócio agora é garimpar. Notei que tudo está subindo, mesmo com as vendas diminuindo. Vai entender... A gente tem que ficar de olho em promoções, como as que você encontrou no RM. Aliás, fizestes uma bela compra quanto ao Duas Quintas Reserva Especial, hein! Com certeza ficará feliz. Depois me fala como era o danado.
      Já bebi um Pera Manca 1997. Infelizmente, apesar de ter me certificado tratar-se de um grande vinho, não compraria novamente uma garrafa dele. Principalmente, por causa do preço. Acho que dá para encontrar coisa melhor com o valor que pedem por ele.
      Grande abraço, meu amigo! E bons vinhos!
      Flavio

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    8. Flavio, realmente, o PM é caríssimo. Pelo preço dele dá para comprar, por exemplo, um Quinta do Mouro Rótulo Dourado e um Mouchão Tonel n. 3-4. Mas o preço dele em Portugal já é bem caro: gira em torno de 150 euros, mais caro do que um Sassicaia e do mesmo preço do Solaia, comprados na Itália. Não creio que o PM seja no nível desses dois.

      Outros que acho absurdamente caros são o Quinta do Crasto Maria Tereza e o Quinta do Crasto Vinha da Ponte.

      Vamos atrás de bons garimpos. kkkkk

      O Sabores de Portugal ainda está com preços bons.

      Abs.

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    9. Caro Roberto,
      Também acho o Maria Tereza e o Vinha da Ponte caros. No entanto, acho que oferecem mais que o Pêra Manca. Não bebi o novo Pêra Manca, pós-Rolland. Não sei como ficou. Preciso beber o Quinta do Mouro Rótulo Dourado, que dizem ser muito bom.
      Abraços,
      Flavio

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