domingo, 3 de agosto de 2014

Atrasadão - Confraria nos meus cumpleaños: Só vinho bão, claro! Imperial Gran Reserva 2005, San Martin Corullón 2001 e muitos outros...

As coisas estão corridas e está difícil manter o blog atualizado. E esta postagem está bem atrasada... Mas vamos lá.
Era uma reunião da Confraria para celebrar o meu aniversário. Abrimos a noite com um Champagne Delamotte levado por este que vos escreve. Este já apareceu por aqui e quem não conhece, deve experimentar em vez de ficar bebendo aqueles amarelinhos que ficam nas prateleiras de supermercados. É um Champagne muito bom e que costuma estar nas listas de bota-fora da World Wine no começo do ano. Sempre que posso pego umas garrafas. Bem, e aí começaram os tintos. Descreverei na sequência das fotos.
O primeiro deles é um vinhão levado pelo amigo Rodrigo: Cune Imperial Gran Reserva 2005. Bem, este dispensa apresentações. Seu irmão de 2004, que já pintou por aqui, foi o vinho do ano passado pela WS. Mas não é por isso: É porque é bom mesmo! Um Rioja de primeira linha. Este 2005 está diferente do 2004. Mostra-se mais leve, mais cítrico e até com cor mais clara que seu irmão recentemente afamado. Não mostra o tostado e toques balsâmicos de seu irmão. Apresenta notas de cereja e tabaco, em um fundo  cítrico e mineral. Vinho delicioso! Valeu, Doc!
Ao lado dele, outro vinhaço, também espanhol, mas agora, de Bierzo, o San Martin Corullón 2001. O vinhão, levado pelo Paolão, é obra da vinícola Descendientes de J. Palácios. É o top da vinícola e irmão maior de um conhecido bom valor, o Pétalos de Bierzo. Para se ter uma idéia da grandiosidade deste vinho, apenas 6 barricas foram produzidas, ou seja, menos de 2.000 garrafas. É feito com Mencía de videiras centenárias e baixíssimo rendimento. Lembro-me de ser um dos vinhos preferidos do saudoso Saul Galvão, que comemorava seus aniversários em Jaú com o danado. E Saul sabia das coisas. É um vinho grandioso. E este é ainda de uma safra maravilhosa. Vinho de aromas de frutas maduras em meio a especiarias. Em boca mostra sedosidade e equilibrio impressionantes. Como defino? Maravilhoso! Raridade.
O Joãozinho levou um ótimo Amarone della Valpolicella Giacomo Montresor Fondatore 2009. O produtor tem um grande portfólio de vinhos, não apenas no Vêneto. Produz 4 Amarones, sendo este Fondatore o de entrada da linha. É o que passa menos tempo em barrica e isso se faz sentir no vinho. Ao nariz mostra notas de amoras, funghi, de ervas (sálvia e outras) e chocolate amargo. Em boca, repete o nariz e mostra acidez destacada e taninos corretos. É austero, não tem dulçor exagerado e mostra muita riqueza. Está novo e carente de bons anos de adega, mas já é apreciável. Pede comida com molho forte. Um Amarone distinto.
E à direita do Amarone o vinho levado pelo amigo Paulinho, que é apreciador de ótimos vinhos portugueses. E desta vez ele levou o alentejano Vale de Ancho 2006, que também já pintou aqui no blog (clique). Assim, nem vou comentar muito sobre ele. Só preciso reforçar que é um vinhão! Rico, intenso, mas elegante e muito sedoso. O final é longo e agradabilíssimo. Uma delícia! De primeira.
O Thiago nos brindou com um dos melhores Pinotage que já bebi, o Beyerskloof Diesel Pinotage 2011. É um vinho de produção pequena, que passou 21 meses em barricas de carvalho francês. É intenso, com notas de cereja preta e ameixas, em meio a um tostadinho gostoso, anis e grafite. Em boca destaca-se pela sedosidade e final longo. Realmente, um Pinotage diferenciado. Aqui não é só a garrafa que é imponente, o vinho também.  
O JP levou um Brane-Cantenac 2004. Bem, o ano não ajudou muito e o vinho sentiu. Apesar de bom, ele não empolgou. Tinha notas de cassis, amoras, tabaco e herbáceas. Em boca era seco, taninos macios e final herbáceo. Como disse, é bom, mas linear.
Ah, mas vocês pensam que acabou? Não! Ainda tem o vinhão levado pelo amigo Caio, um ótimo Brunello di Montalcino Col D'Orcia 2006. Já escrevi aqui sobre o 2005. Bem, mas este 2006 está ainda melhor. A safra foi grandiosa e o vinho respondeu. Cor belíssima e notas de cereja madura, groselha, couro, tabaco e alcaçuz. Em boca mostra muita intensidade e taninos presentes (claro), mas já corretos. O final é longuíssimo e delicioso. Está novo? Sim! E com longos anos pela frente. Mas já perfeitamente apreciável. Valeu, Caião!
E para finalizar, o Paulinho ainda ofereceu uma caixa de belos pães de mel acompanhados de um ótimo Porto Taylor's 10 Anos. Combinação perfeita! 
Bem, a noite foi maravilhosa! Gracias, amigos!


4 comentários:

  1. Flávio, como sempre, sua confraria dando show. Ainda mais diante de seu aniversário.

    Olha, o Vale de Ancho é para mim dos melhores vinhos do Alentejo. Em sua faixa de preço, bate fácil Cartuxa Reserva, Grous Reserva, Malhadinha etc. Fica no nível do Mouchão e do Quinta do Mouro, penso.

    Já provei tanto o 2006 (do qual tenho mais duas garrafas) e, lá em Lisboa, um belíssimo 2003. Não tenho dúvidas em dizer que o 2006 ainda tem muita lenha para queimar.

    Vinho que precisa ser mais divulgado.

    Abs.,

    Roberto.

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    1. Oi Roberto,
      Pois é, a turma tem mandado bem. Concordo plenamente com você em relação ao Vale de Ancho. É um grande vinho e pouco difundido. Também acho que fica do lado de Mouchão e Quinta do Mouro. Pena que por aqui é mais difícil encontrá-lo e seu preço fica acima destes dois citados.
      Abraços,
      Flavio

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  2. Grande Flavio!
    Meus cumprimentos pelo teu aniversário, muita saúde!
    E foi em grande estilo. Bom saber das tuas impressões sobre o Col D'Orcia 2006. E dia desses tb faturei meu melhor pinotage, o que não acontece sempre.
    Comprei um Col D'Orcia 2007. O que achas dessa safra para os Brunellos?
    Abraço!

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    1. Grande Alexandre!
      Obrigado, meu amigo! Demorei um pouco com a postagem, mas saiu...rs.
      Eu tive a oportunidade de apreciar alguns Brunellos de 2007 e todos me deixaram feliz. Acredito que este Col D'Orcia 2007 te fará feliz também. Eu achei os 2007 mais leves que os de 2006.
      Abraços,
      Flavio

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