domingo, 14 de setembro de 2014

3 Top Italians: Brunello di Montalcino Castelgiocondo 1997, Brunello di Montalcino Siro Pacenti PS 2007 e Terra di Lavoro 2006!

Em jantar na casa de nosso amigo André apreciamos três vinhaços italianos, acompanhados de um "Capitão" de Angus e uma Costela ao Bafo, do mesmo bicho. Companhias perfeitas.
Um dos vinhos foi um grande Brunello di Montalcino Castelgiocondo 1997, de Marchesi di Frescobaldi*. Brunello da grandiosa safra de 1997, cujos vinhos causam suspiros em apreciadores de vinhos italianos. E nos seus 17 anos esbanjava força. A rolha, grandona, estava perfeita, só um pouquinho molhada até sua metade. O vinho era, obviamente, o mais pronto da noite, visto que os outros dois italianões eram das "jovens" safras de 2006 e 2007. O Castelgiocondo tinha cor rubi e aromas muito ricos de amoras maduras, cerejas, cogumelos secos, tabaco, de carne e especiarias. Em boca, repetia o nariz e destacava-se pela grande sedosidade. Os taninos já estavam devidamente arredondados pelo tempo, e o final era longuíssimo, especiado e terroso. Uma delícia de Brunello! Em sua completa forma e é claro, ainda capaz de enfrentar uns anos em adega. Mas esse já foi, e desceu bem redondo. Belíssimo!
O outro Brunello é de um produtor que gosto muito: Siro Pacenti! Era um Brunello di Montalcino Siro Pacenti PS 2007. É um produtor que alia tradição e modernidade. Seus vinhos são riquíssimos e com grande capacidade de envelhecimento. Eu bebi os de 98, 99 e 2000, todos impecáveis e inesquecíveis. Obviamente, este 2007 está um bebê, e quem for beber deve decantar por longas horas. A fruta ainda reina, com notas de cerejas maduras e framboesas, em meio a tabaco e chá. Depois de um tempo foram surgindo notas mentoladas bem legais. Em boca, estava nervoso, principalmente no começo, mas depois foi ficando mais amigável. A acidez é vibrante e os taninos são jovens, implorando por alguns anos em adega. O final é longo e frutado. Outro vinhaço! Mas novo, novo... Em uns 3-5 anos ele vai explodir. Quem tiver uma garrafa dele na adega, resista um pouquinho.
E o último, na descrição, não na colocação, era um Terra di Lavoro 2006, da denominação Roccamonfina, elaborado pela Fattoria Gallardi. Aqui o negócio pega! Pensei que o vinho fosse ficar atrás dos outros dois, mas nada! É um vinhaço! Vinho da Campania, feito com 80% Aglianico e 20% Piedirosso, de vinhedos plantados nas encostas do vulcão Roccamonfina. É vinho sempre (muito) elogiado pela crítica. E é especial. Na verdade, eu diria, exótico. Sua cor é escura, retinta, intransponível, e os aromas são incríveis. Saltam da taça aromas de geléia de amora, herbáceas, de alcatrão, defumadas e minerais. Com o tempo as notas herbáceas e defumadas foram dando lugar a chocolate e alcaçuz. Em boca é explosivo, mas ao mesmo tempo elegante. Muito denso e cheio de camadas. O final é interminável. Se você gosta de vinhos potentes, explosivos, é este seu vinho. Se você não aprecia tanto, gosta de vinhos mais leves, menos parrudos, precisa experimentar este para sentir sua intensidade. Realmente surpreende. Mas uma coisa: Precisa decantar, muito! No começo é nervoso, um toro. Mas depois de um tempo... Que vinho! Para este 2006 precisaria de umas 3-4 horas. Imagino que 2010 que está no mercado precise anos de adega ou horas de decanter. Recomendadíssimo! 
Grande noite! Daquelas de ficar na lembrança...

* Não vou falar do polêmico Brunellogate, ocorrido em 2003. Todo mundo já conhece a história... E não cabe no caso deste 1997.




sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Vinhões na cozinha do Tom: Tondonia Reserva branco 1999, Chateauneuf du Pape La Nerthe 2009 e outros...

Em visita à cozinha do Tom, que pelo jeito reabriu de vez, bebemos belos vinhos. Os trabalhos foram abertos pelo JP, que levou um ótimo Tondonia Reserva branco 1999. Bem, este vinho já pintou por aqui e é um queridinho dos confrades, que não são bobos nem nada...rs. Tradição riojana pura! Assim como a outra garrafa, estava belíssimo, com aqueles toques amendoados e de jerez. Este me parecia mais vibrante que o da outra garrafa. Uma beleza! Tondonia dispensa comentários. 
Daí, fomos para os tintos, que descreverei rapidamente e não necessariamente na ordem da foto abaixo. 
O Tonzinho ofertou um Trapiche Manos 2006. O vinho, de grande ano, é top da vinícola, que faz vinhos que agradam os confrades. Este Manos é um 100% Malbec, maturado por 18 meses em barricas e 24 em garrafa antes de ir ao mercado. Tem cor escura e é denso, com aromas de ameixas, cassis e balsâmicos. Em boca, repete o nariz, mostra novamente o lado balsâmico, boa acidez e taninos nervosos. É dificil imaginar que tenha 8 aninhos. Aliás, nervoso também é o preço do danado. É um bom vinho, com ótima estrutura e intensidade. Mas para mim, seu preço no Brasil é salgado demais.
Eu levei um Gil Luna Reserva Especial 2005. O vinho é um espanhol da região do Toro, que faz vinhos que me agradam pela intensidade. Este, não fugia à regra: Intenso, fruta madura, até licoroso, e um fundo balsâmico. Ao ser aberto mostrava-se nervoso e com álcool um pouco saliente. Com o tempo foi se equilibrando e ficando bem melhor. Exige decanter. Gostei do vinho. Mas tenho uma ressalva: O comprei em uma promoção da importadora, por um preço que achei bom para a qualidade do vinho. O preço normal é caro.
O Caião levou um vinhão! Era um Chateauneuf du Pape Chateau La Nerthe 2009. O ano foi bom no Rhône e o produtor é tradicional. Seus brancos são ótimos e os tintos também. Este 2009, apesar de novo, mostrava uma sedosidade impressionante. A fruta ainda é destaque, com notas de framboesas e cerejas em compota em meio a um fundo especiado, incluindo baunilha. O vinho é intenso, frutado e com taninos muito sedosos. O final é longo e especiado. Uma delícia! Destaque na tarde. 
O Paulinho levou um ótimo e conhecido Merlot português, o Má Partilha 2001. Eu fiquei curioso porque queria saber como o irmão do longevo Quinta da Bacalhôa se comportou nesses 13 anos. E olha, comportou-se muito bem! Fiquei espantado com a bela cor rubi e com os aromas elegantes que mesclavam framboesa, couro, tabaco, cravo e canela. Em boca era redondo, devidamente amaciado pelo tempo, com um toque terroso e herbáceo. Uma delícia! Acho que está em seu máximo, mas para quem gosta de vinhos evoluídos, uma ótima pedida. Aliás, os Má Partilha novos costumam pegar. Este não, estava macio. Gostei mesmo!
E não contente, o Paulinho levou ainda um Muga Reserva 2008. Esse é presença constante em nossa confraria. Este 2008 mostra bastante fruta, com destaque para cereja seca e groselha, em meio a especiarias e um toque cítrico. Em boca, destaque para a fruta e um fundinho herbáceo. Está bom agora, mas como um bom Rioja, deve melhorar com mais um tempinho de adega. Aposta certa, sempre. 
Bem, e tudo isso acompanhou muito bem os assados do Tonzinho. Vejam esta costela de Black Angus que o cara fez... Totalmente light!!! rsrs...


Os tristonhos...



quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Portugal Road Show 2014 em Ribeirão Preto: Breves notas

Na semana passada Caião e eu fomos a querida Ribeirão Preto participar de uma degustação de vinhos portugueses. O evento era pequeno, para pouca gente (o que é bom) e tinha coisa boa. 
Dos brancos, gostei do Quinta da Romaneira branco 2012, feito com Malvasia fina e Gouveio, e que mostrou um amendoado gostoso, mineralidade e acidez correta. Os tintos da mesma vinícola dispensam maiores comentários. Mas vale mencionar o Sino da Romaneira 2009, que é muito rico e destaque em sua faixa. O Porto 10 Anos deles também é muito sedoso. O Rosé, é um dos rosés portugueses que mais gosto.
Não preciso falar de Bacalhôa, pois sempre agradam. O Quinta da Bacalhôa 2011 estava ótimo, como já comentado aqui.
Os vinhos da Aliança foram apresentados pelo simpático Mario Neves, com quem bati longo papo e que estava esse ano no Encontro Mistral com os vinhos da Quinta do Carmo. Os vinhos da Aliança tem ótima qualidade pelo preço. Meu destaque foi o rico e sedoso Dão Reserva 2011, corte 50/50 de Aragonez e Touriga Nacional (se não me engano...). Aliás, para mim, foi o destaque do evento, pela qualidade e preço que o torna imbatível em sua faixa. Mas é bom também o mais caro (mas nem tanto) Quinta dos Quatro Ventos 2010.
Gostei também do Herdade das Albernoas Reserva 2011 e Herdade Paço do Conde Reserva 2009, ambos de bom corpo e ótima estrutura. 
Outro vinho que fala grosso pelo preço, importado pela Casa Flora, é o Quinta do Valdoeiro Bairrada 2007. O vinho tem Syrah, Cabernet Sauvignon, Merlot e Baga no corte e é nervoso, com toques apimentados e ótima fruta. Os Quinta do Valdoeiro costumam sempre entregar boa qualidade pelo preço, e este não fugiu à regra. 
Gostei também dos vinhos da Herdade das Comportas, com destaque para o Parus 2011, elaborado majoritariamente com Alicante Bouschet e pitadas de Aragonez e Touriga Nacional. O vinho tem um nariz exótico, com notas de castanha portuguesa cozida, balsâmicas e fruta em compota. Em boca é amplo e balsâmico. Tem ainda uns anos pela frente para se ajustar, mas mostra grande potencial. Gostei. Como mostrado no cartaz, estão à procura de importador...
Bem, disse que seria breve, não? Fui...rs.

domingo, 7 de setembro de 2014

Só vinhões: Brunello di Montalcino Argiano 2004, I Sodi di San Niccoló 2007, Mastroberardino Aglianico 2010, Bioma Niepoort 2010, Paulo Laureano Tradições Antiguas 2011, Viña Ardanza Reserva 2005 e Chateau Guiraud 2009, para arrematar!

Noite fria em São Carlos e turma inspirada. Só vinhões!
Eu levei um Brunello di Montalcino Argiano 2004, que deixamos no decanter enquanto apreciávamos os outros belos vinhos levados pelos confrades. O Brunellão, de grande safra, foi se abrindo e mostrando ótima fruta, cereja madura e amoras, em meio a chá, tabaco e couro. Com o tempo, foi liberando uma notinha mentolada bem legal. Em boca mostrava que os 10 anos já estão fazendo efeito, pois os taninos já estão sedosos. A acidez era ótima e o final muito longo. Uma beleza! A turma gostou, claro.
O JP levou outro vinhaço, riquíssimo: I Sodi di San Niccoló 2007. É um vinho de Castellare di Castellina, feito na região de Chianti com 85% Sangioveto (clone de Sangiovese) e 15% Malvasia Nera. Costuma maturar 15-30 meses em barricas de carvalho 2/3 novas. É o vinho emblemático da vinícola e sempre fatura altas notas da crítica. Este 2007, por exemplo, faturou 95 de Mr. Parker e 3 Bicchieri do Gambero Rosso. Mas notas à parte, é um vinho grandioso. Foi se abrindo durante a noite e mostrando grande riqueza. Tem notas de cereja, ameixas, terrosas e de alcaçuz. É amplo e intenso em boca, com acidez italiana e taninos sedosos. O final é longo e especiado, com notas de alcaçuz e sálvia. Uma beleza de vinho! Sem dúvida teria muitos anos pela frente, com grande evolução. Mas esse já foi...rs. Em noite de tantos vinhões é até injustiça escolher um, mas para mim, foi o melhor da noite, juntamente com o Sauternes descrito logo à frente. Valeu, JP! Vinho importado pela Vinci.
Ainda nos italianos, o Thiago levou um que demanda gosto por vinhos da bota. Paladares afeiçoados por vinhos redondos e aveludados, podem estranhar o nervo e rusticidade do Mastroberardino Aglianico 2010. Vinho da Campania, com aromas de ameixas e cerejas, em meio a notas herbáceas e alcaçuz. Em boca, repete o nariz e mostra rusticidade e nervo. Os taninos são presentes e a acidez, típica italiana. O final é herbáceo. É vinho que deveria ser bebido daqui a uns 2-3 anos e que pede comida. Eu gosto do estilo. É importado pela Mistral.
O Joãozinho, que está se especializando em levar bons vinhos, levou o duriense Bioma 2010, de Dirk Niepoort. Bem, o produtor dificilmente erra. Em 2010 foi a primeira safra deste vinho, que é feito com uvas de vinhas mais jovens cultivadas seguindo os preceitos da viticultura biológica. A maturação é feita em grandes tonéis (2000-5000 litros) de madeira recuperada de tonéis de vinhos do porto. A intenção é ter menos influência da madeira. Procurou-se também utilizar pouca intervenção durante a vinificação. Logo ao ser aberto o vinho mostrou as características dos vinhos de Nierpoort, com frutas silvestres saltando da taça, em meio a ervas e notas florais e minerais. Em boca, mostrava frescor e mineralidade, com final frutado. Com o tempo, foi ficando redondo e a fruta foi se acomodando, deixando um vinho equilibrado e muito saboroso. Outra bela obra de Dirk Niepoort, a um preço mais palatável que seus ícones. Experimente! É importado pela Mistral.
O Tonzinho levou um vinho cujo exemplar de 2010 eu já apreciei. Era um Paulo Laureano Tradições Antiguas 2011, na talha. É um vinho feito seguindo tradições romanas de 2.000 atrás. O desengace foi feito utilizando ripasso, que é um instrumento de madeira que desengaça e esmaga as uvas manualmente. A fermentação é feita em ânforas de barro e o vinho é clarificado naturalmente, por decantação. Depois disso, descansa em inox para afinamento e é engarrafado. Apenas 2.400 garrafas e 600 talhas foram produzidas. O vinho é aromático, com notas de frutas silvestres e terrosas. Em boca é de médio corpo, muito macio e equilibrado. Eu achei mais denso do que aquele de 2010 que apreciei, que era mais festivo. É um vinho muito bom e para ser apreciado jovem, não para guarda. O produtor recomenda 18 meses após o engarrafamento. Ou seja, o 2011 está na hora de ser abatido.
Ainda na península ibérica, passamos para o vinho levado pelo Caio, um belo Viña Ardanza Reserva 2005. O vinho, da vinícola La Rioja Alta, é feito com 80% Tempranillo e 20% Garnacha e matura 4 anos em barricas. Lembrou-me um Luis Cañas Selección de la Familia, também levado pelo Caião tempos atrás (logo vem a postagem). Este Ardanza prima pela fruta madura, com notas marcantes de cereja e framboesa, em meio a couro, tabaco e cravo. Em boca é amplo, frutado e com taninos muito corretos. Tem um fundo balsâmico bem legal. Uma beleza de vinho! Gostei bastante. É importado pela Zahil. Nota pós-postagem: Ficou na lista dos Top 100 da WS em 2014 (#34).
E para finalizar, nosso amigo Rodrigo chega com um Chateau Guiraud 2009 para acompanhar a sobremesa. É um Sauternes fantástico! Riquíssimo ao nariz, com notas amendoadas, mamão, abacaxi em compota e mel. Em boca era cremoso, delicioso, com ótima acidez equilibrando o dulçor. Um néctar! Este de 2009 faturou 96 pontos da Wine Spectator e foi quinto na lista dos top 100 de 2012. A nota é esta e pronto, mas para classificação, conta a disponibilidade no mercado americano e o seu preço, que é muito justo. Se você costuma visitar a terra do Tio Sam e gosta de grandes vinhos, não pode deixar de colocar algumas garrafas de Guiraud na mala. Duvido que não fique impressionado. Mas se quer mesmo é gastar uma fábula com Chateau D'Yquem, pelo nome, fique à vontade.
Isso aí, pessoal! Mas uma grande noite.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Mas Donis Barricas Old Vines 2012: 94 pontos???

O Carlão resolveu servir umas taças às cegas para apreciarmos e tentar identificar a procedência. O vinho me lembrava, em aromas e boca, alguns de Toledo e Valdepeñas, Espanha. Tinha um jeitão meio rústico. Em boca, na primeira golada, passou reto, mostrando-se muito fechado. A fruta estava ausente. Foi aí que o Carlão resolver mostrar que era um Mas Donis Barricas Old Vines 2012, da Celler de Capçanes, Monsant, Espanha. Este vinho faturou 94 pontos de Mr. RP e muitos elogios no mundo virtual. Principalmente pela sua relação preço/qualidade (no Brasil custa entre 70-80 Reais). Eu tinha curiosidade para conhecê-lo. Mas a decepção foi clara, pelo menos naquele instante. Depois de um tempo aberto as coisas foram melhorando. Ao nariz era melhor, mostrando notas florais, de pétalas de rosas, ameixa, notas balsâmicas, licorosas e minerais. Em boca ficou reticente por muito tempo, até que depois de umas 2 horas começou a se abrir e melhorar. Durante este tempo mostrou-se seco (o que me agrada), pouca fruta e até mesmo rusticidade. No final é que melhorou, se abrindo mais e mostrando qualidades. Foi tendendo a acompanhar o nariz e mostrava um lado picante, balsâmico e mineral. É vinho com boa estrutura e que deve ganhar com adega. Agora, está difícil. Se a pessoa beber uma taça logo ao abrir ficará decepcionada e perguntará: "De onde vieram estes 94 pontos?". Aliás de qualquer forma, mesmo depois da melhora, eu lhe outorgaria no máximo uns 89... Mas como não sou pontuador, prefiro dizer que achei um exagero. E muita gente diz que o preço é levado em consideração na pontuação, o que acho um absurdo! Afinal, as análises técnicas de um vinho são feitas baseadas em critérios bem estabelecidos e devem valer para vinhos de qualquer preço. Não se pode ter vinho de 94 pontos na faixa de 70 Reais, vinho de 94 pontos na faixa de 150 etc. Leva-se em conta o preço quando se estabelece uma lista, como a dos Top 100 da Wine Spectator. Aí sim, o preço conta, assim como disponibilidade em mercado etc. Senão, todo o ano a lista seria forrada, obviamente, de vinhos com 99 e 100 pontos.  De qualquer forma, sobre este Mas Donis em particular, tenho a seguinte opinião: Precisa de tempo, e se for beber agora, duas horas de decanter, no mínimo; É vinho para paladares acostumados com Priorato e redondeza; Não tem aquele lado "aveludado" que vi algumas pessoas relatando.... Pelo contrário, o achei até um pouco rústico; É gastronômico por natureza - Sozinho ele pega um pouco, mas com comida melhora muito; Vale o preço cobrado; Pode ser que surpreenda com o tempo e queime minha língua em alguns anos - Eu torço para que isso aconteça! Eu queria muito saber se algum leitor já experimentou o vinho e o que achou dele. 

Ps. É feito com Garnacha (85%) e Syrah (15%), de vinhas velhas, e passa 9 meses em barricas de carvalho americano e francês. 

domingo, 31 de agosto de 2014

Tormentas Barbera Garagem 2012

Hoje, domingão, resolvi abrir este Tormentas Barbera Garagem 2012 para acompanhar a lasanha da patroa. O vinho é feito com uvas de Caçapava do Sul, e como muitos vinhos do Marco Danielle, sem adição de SO2. Assim, o baixo SO2 total (14 mg/L) detectado após o engarrafamento é oriundo da própria fermentação. O vinho é engarrafado sem filtragem e colagem e passa 9 meses em barricas de carvalho americano. O vinho tem aromas florais, animais e de frutas como framboesas e morango, em meio a alcaçuz e canela. Em boca mostra bom frescor, nervo e notas terrosas e de especiarias. Os taninos são corretos para um vinho tão novo. Tem um final terroso e especiado. Dá para beber solo, mas melhora muito com comida. Acho que depois do Pinot Noir, deve ser o vinho que mais agradará do portfólio do Marco. Muito bom! Não esqueça de colocar em decanter e dar aquelas boas chacoalhadas antes de beber.

sábado, 30 de agosto de 2014

Julian Reynolds Alicante Bouschet 2006: Alentejo na veia!

Acompanhei o Caião e family em um almoço no restaurante do Duarte, aqui na universidade. A comida é portuguesa, e de ótima qualidade. E para acompanhá-la levei um Julian Reynolds Alicante Bouschet 2006. O vinho passa 18 meses em barricas de carvalho Seguin Moreau e 1 ano em garrafa antes de ir para as prateleiras. Tem cor granada escura e aromas de cereja madura, até licorosa, como licor de Ginja, em meio a chocolate e um fundinho de café e especiarias. Em boca, repete o nariz, tem ótimo corpo e mostra taninos maduros e muita sedosidade. Vinho típico alentejano, de categoria. Lembra Mouchão, mas é um pouquinho mais maduro. Todos os Reynolds que bebi até hoje me agradaram. São comercializados pela Wine. Se você é apreciador de vinhos portugueses, pode mandar ver. Nem preciso dizer que acompanhou muito bem a comida portuguesa do Duarte, né?
Caião e eu mandando ver no Julian Reynolds Alicante Bouschet!

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Grande Degustação de Vinhos de Portugal 2014: Eu vou!

Como fã de vinhos portugueses, eu não poderia perder este evento. A Grande degustação de vinhos de Portugal já ocorreu em São Paulo e continua em Setembro em outras cidades importantes do Brasil. As próximas cidades que receberão o evento, considerado o maior evento de vinhos de Portugal no Brasil, serão Curitiba, Ribeirão Preto e Vitória. O evento é gratuito e imperdível para quem aprecia os ótimos vinhos lusitanos. Veja nos flyers a seguir mais informações, inclusive as empresas participantes. Eu estarei naquele que ocorrerá na minha querida Ribeirão Preto, no próximo dia 03! 


sábado, 16 de agosto de 2014

Premium de meio de ano da Confraria do Ciao: Adegas sem chaves!

Nosso confrade Paulinho disse uma coisa muito importante dias atrás: "Com todos os acontecimentos recentes, minha adega não tem mais chaves"! Perfeito! Esse negócio de ficar adorando vinhos fechados e dentro da adega, tem que acabar. E nessa última sexta-feira foi a prova disso. O Tonzinho nos chamou para uns assados na sua cozinha. Caramba! Fazia tempo que os confrades não se reuniam lá... Muito tempo. E a sugestão era levar vinho top. Dito e feito! Todos sairam de suas casas dispostos a aproveitar belas horas entre grandes amigos, apreciando os assados do Tonzinho e grandes vinhos, claro. 
Eu precisava me redimir de uns vinhos que não agradaram muito a turma, e o fiz de maneira inquestionável (acho...rs). Levei um Vega Sicilia Único 1996. Falar o que deste vinho? O danado estava uma beleza, com aqueles aromas de especiarias, lembrando curry, em meio a fruta na medida. Com o tempo, foi ficando melhor, claro. Mas nem deu muito tempo, a turma mandou ver logo. O Vega sempre deixa aquele gosto de quero mais...rs. Vinhaço! Para grandes datas.
O Tonzinho, quando me viu chegando com o Vega, foi na adega e tirou um Cos d'Estournel 2007. Outra beleza! Ah, está novo? Sim, claro... Mas não estamos nem aí. Mandamos ver. E olha, foi até providencial, pois a rolha estava molhada e já saindo um pouco de vinho por cima. Acredito que poderia até ser arriscado mantê-lo mais tempo na adega. Ou seja, fizemos uma grande ação para o Tonzinho...rsrs. No começo parecia que tinhamos feito uma grande besteira, pois o vinho estava reticente em mostrar suas qualidades. Mas em pouco tempo a coisa mudou. O danado se abriu e, apesar de novo, estava com taninos muito corretos. Os aromas de fruta se misturavam a notas de funghi secchi. Outro vinhaço!
O Caião chegou com um Tondonia Reserva 2002. Esse também dispensa comentários. Os Tondonia são presença constante em nossas reuniões e não há um confrade que não os admire. Amigos de ótimo gosto! Para este Reserva 2002 foram seis anos de barrica e como sempre, tradição pura na elaboração. Seus ótimos 12,5% de álcool mostram o caminho oposto às bombas. Cor clara, belíssima, aromas de especiarias e cereja seca davam ao vinho o charme peculiar de um Tondonia. Vinho para apreciadores de gostam de coisa boa. Tondonia é Tondonia!
O nosso amigo Paulinho chegou com duas garrafas. Disse que era para compensar os que havíamos levado... Bondade dele. Um era simplesmente o Almaviva que mais chamou a atenção da crítica nos últimos anos: Almaviva 2009. A Wine Spectator lhe outorgou 96 pontinhos... E olha, podem falar o que quiser, reclamar do preço, falar que é muito caro para um vinho chileno etc, etc. Mas o vinho é grande. Uma elegância incrível! Feito com Cabernet Sauvignon, Carmenére, Cabernet Franc e Merlot. Aromas de cassis, cereja preta, caixa de charuto e alcaçuz. Em boca, de grande intensidade, mineralidade, acidez perfeita e taninos finíssimos. O final era longo e especiado. Outra beleza de vinho! 
Outro que o Paulinho levou foi o Chateauneuf du Pape La Fiole du Pape 2008 (foto abaixo). O vinho vem naquelas garrafas tradicionais, tortas, bem legal. Era meio fraquinho de nariz, bem tímido. Em boca idem. Não tinha exageros de frutas, que era discreta, em meio a toques terrosos, chocolate amargo e grafite. Um bom vinho, mas bem atrás do Almaviva.
O Rodrigo levou um Don Maximiano 2009 (foto abaixo). Este vinho sempre agrada. É um que sempre está brigando com Bordeaux em degustações às cegas. Este 2009 é feito majoritariamente com Cabernet Sauvignon, temperado com pequenas quantidades de Carmenére, Cabernet Franc e Petit Verdot.  Tinha notas de frutas maduras, com destaque para framboesas e amoras, em meio alcaçuz e notas da madeira tostada. A mim, pareceu mais maduro e compotado que aqueles de safras anteriores.  
E para finalizar, o JP levou um Tokaji Oremus 5 Puttonyos 2003 (foto abaixo). Este já apareceu por aqui tempos atrás (clique aqui). É outro que sempre agrada. Notas de damasco em meio a gengibre, frutas secas e mel. Delicioso para acompanhar os pêssegos assados com liquor que o Tonzinho mandou ao final.
Que bela reunião, hein confrades? Uma daquelas Premium, que adiantamos do final de ano. Para celebrar a vida e grandes amizades! Que venham muitas dessas!
A turma reunida... E que turma!


terça-feira, 12 de agosto de 2014

No dia dos pais, camarõezinhos com Planeta Chardonnay 2009

Faz muito tempo que não bebia um Chardonnay Planeta. A vinícola siciliana faz um ótimo exemplar com esta casta, que sempre ganha elogios da crítica. E no dia dos pais saí com a família e resolvi visitar o Chez Marcel com um Planeta Chardonnay 2009 debaixo do braço. O cardápio era convidativo para este vinho, que acompanhou maravilhosamente a entrada com Vieiras e Camarões gratinados, assim como os "Camarõezinhos" a la Provençale... Fiquei até com medo quando o Bart chegou com os bichões...rs.  Mas fazer o quê? Tive que abatê-los! E o vinho acompanhou à altura. O danado é fermentado e maturado em barricas de carvalho Allier (50% novas) de 225 litros. O vinho tem uma cor dourada belíssima e aromas de pêssegos, leve abacaxi e amêndoas. Em boca, repete o nariz e mostra mineralidade e frescor. As notas amendoadas, bem legais, são destaque. O vinho não tem aqueles exageros amanteigados que tornam muitos Chardonnays enjoativos. É vivo e par perfeito para queijos, peixes e frutos do mar. Uma ótima pedida!

Os "camarõezinhos" do Bart...rs

Cuidado! Essas tais notas podem te fazer passar carão!

Olha, esse negócio de notas é traiçoeiro. O que tem de vinho meia boca com notaça não é brincadeira. Temos que desconfiar muito de notas, medalhinhas e concursos. Estes últimos então, difícil algum que me convença. Depois daquela do Toro Loco, o negócio degringolou. 
No último domingo fiz um papelão imperdoável. Havia comprado um Santa Rita Reserva Syrah 2009 após ler em algum lugar que ele tinha recebido enormes 92 pontos e muitos elogios da Wine Spectator, que inclusive, lhe deu vida até 2020. Muito para um vinho de 50 e poucas pilas. Pensei ter encontrado uma barbada. E não foi só a WS que o elogiou. Ele recebeu elogios de vários blogueiros e sites especializados em vinhos. Por outro lado, teve um cara, acho que inglês, que meteu o sarrafo no danado, mencionando que foi uma das piores coisas que ele já bebeu e perguntando de onde a WS tirou aquela nota. Bem, infelizmente o inglês estava coberto de razão. Levei o vinho para beber com amigos e quase os perco. Há muito tempo não bebia algo tão estranho. Até esperava um Syrah mais quente, extraído, mas nem assim estava. Tinha uns aromas esquisitos, de remédio e um herbáceo estranho, passando por cima da fruta discreta. Em boca, para nossa tristeza, repetia o nariz e deixava um gosto estranho ao final. Não estava estragado. Era o gosto do danado mesmo! Fiquei de escrever este post para me penitenciar com os amigos e também prometer que da próxima vez levo algo bebível. Vejam abaixo o que a WS disse dele. Ou eles, ou nós, bebemos outro vinho. Na verdade, nós não bebemos. Ninguém conseguiu finalizar uma tacinha sequer.

An elegant and complex red, offering rich and concentrated flavors of dark cherry, damson plum, raspberry and chocolate that show a creamy intensity. Presents pepper and allspice notes midpalate, with a finish of huckleberry and flan.


domingo, 10 de agosto de 2014

No aniversário do JP: Vega Sicilia Único 1998, Valbuena 2006, Clos Mogador 2007 e muito mais!

Outro artigo atrasado... Desta vez, do aniversário do nosso querido amigo JP. Mas vamos lá...
O negócio não foi brincadeira! O JP pegou pesado e chegou com um Vega Sicilia Único 1998 debaixo do braço. Não sei porque, mas o cara adora este vinho...rs. E nós agradecemos! Falar o que de um vinho desses? Quando vejo gente chamando de ícone vinhos de qualidade duvidosa, fico pensando com os meus botões sobre como chamariam um Vega Sicilia. Este 1998 estava uma delícia. Vinho com aromas de cerejas, ameixa, tabaco, café, terrosos e um fundinho de cedro. Em boca mostrava grande riqueza e elegância, típico dos vinhos desta bodega. Os taninos era sedosos e o final interminável, com notas especiadas e terrosas. Se transformava com o tempo em taça. Vinhaço, claro! Isso aí, JP! Matou a pau. 
E nosso amigo Rodrigo fez um desafio ao JP, que com esta, já cumpriu duas vezes (veja aqui): Toda vez que o JP levar um Vega, ele levará um Valbuena, seu irmão "menor"! Que beleza! Ficamos tristes com o desafio, mas fazer o que? E desta vez o Rodrigo levou um Valbuena 2006. O vinho tinha características muito parecidas com a de seu irmão "maior" de 1998, mas com mais jovialidade. As notas terrosas do Vega não eram tão sentidas no Valbuena, que tinha mais frescor e mineralidade. Um vinhaço, que fica alí, pertinho de seu irmão maior. Valeu, Doc! Aguardamos o próximo desafio! rs. A propósito, os vinhos da Vega Sicilia eram importados pela Mistral, mas parece que agora migrarão para a Grand Cru.
E para continuar nos espanhóis, eu levei um Clos Mogador 2007, vinho top de René Barbier, o mago do Priorato. René é descendente de uma família de viticultores franceses que produzem vinhos desde 1200. Tive a oportunidade de conversar algumas vezes com ele em Encontros Mistral. É um cara sensacional, muito gentil e entusiasmado com seus vinhos. Este Clos Mogador 2007 é feito com uvas de baixo rendimento, sendo Garnacha 40%, Cariñena 22%, Cabernet Sauvignon 20% e Syrah 18%. A maturação é feita em barricas de carvalho de 300 litros (70% novas) por 18 meses. Eu abri o danado em casa e deixei 2 horas decantando antes de levar ao restaurante. E na hora, já senti seu poder. Os aromas invadiram a adega e ficaram lá por tempos. Notas florais, de cassis e framboesa, em meio à baunilha e outras especiarias, como cravo e canela. Com o tempo surgiram notas de chocolate amargo. Em boca era potente, balsâmico, com muito frescor e taninos presentes, mas muito corretos e que davam muita estrutura ao vinho. O final era daqueles intermináveis. Vinhão que teria ainda muitos anos pela frente. É importado pela Mistral. 
Bem, eu vou passar reto pelo vinho levado pelo nosso querido Tom. Era um que a DOCG de Barolo deveria processar por usar o seu nome. Sorry, Tonzinho, mas o tal de La Marchesina não pode ser chamado de Barolo. Aliás, nem de vinho...rs. Como não foi você quem fez, posso malhar (como diria nosso amigo Fernandinho...rs). Mas semanas depois, o Tonzinho apareceu com um Flaccianello 2006, que nos fez esquecer fácil este Marchesina...rs.
O Caião, que está cada vez mais fã de italianos, levou um Rosso di Montalcino Siro Pacenti 2010. Eu "cansei" de beber Rosso 2001 do produtor, comprado em saudosos botas-foras da Mistral. É um ótimo Rosso que briga com muitos Brunellos da praça (inclusive no preço...rs). Este 2010 é bastante frutado, com notas de cerejas e ameixas, em meio a tabaco, baunilha e cravo. Em boca é fresco e bem frutado, com final abaunilhado. Uma delícia! Muito jovial! Importado pela World Wine.
E finalizo com o vinho que na verdade começou a noite, pois era um branco de estirpe levado por nosso amigo Paolão. Era o californiano Paul Hobbs Chardonnay Russian River Valley 2010. Este vinho é um Chardonnay top do produtor e é fermentado em barricas com leveduras indígenas. A maturação é por 12 meses, sur lies, com battonages, em barricas 52% novas. Não é submetido a clareamento nem filtração. O vinho tinha cor amarelo dourada, bem brilhante, e com aromas riquíssimos, de flores, melão príncipe, mexerica, baunilha e mel. Em boca, repetia o nariz, era mineral e com final longo e frutado. Uma beleza de vinho! Chardonnay riquíssimo. Importado pela Mistral. 
Bem, e foi isso. O aniversário do JP é sempre muito bem comemorado! Merece!
Vejam abaixo a comprovação que decantei direitinho o Mogador...rs



quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Pintas Character 2009: Vinhão!

Abri este Pintas Character 2009 para beber com amigos na casa do JP. Ele é o segundo vinho do grande Pintas, que tem se consagrado com um dos grandes vinhos portugueses. Aliás, o seu irmão Pintas 2009 já pintou aqui no blog (clique aqui). Bem, o vinho é obra do casal Jorge Serôdio Borges e Sandra Tavares da Silva, na vinícola duriense Wine and Soul. Bem, todos já devem conhecer, mas o nome Pintas vem do cão do casal, da raça Pointer. O casal produz também o excelente branco Guru. O Pintas Character é produzido com mais de 20 uvas diferentes, de vinhas velhas, entre elas a Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. A maturação é feita em barricas de carvalho francês 50% novas, por 18 meses. Este 2009 tinha cor escura e aromas riquíssimos de flores, amoras, cerejas pretas, alcaçuz, chocolate e minerais. Em boca é denso, bem intenso, com notas balsâmicas e minerais e final muito longo. Apesar da densidade, é muito equilibrado e mantém o frescor. É um segundo vinho com pinta de primeiro! Muito bom, mesmo!

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Imperial Gran Reserva 2007: Bão demais!


E já que acabou de pintar um Imperial Gran Reserva 2005 aqui no blog, logo depois do premiado 2004, vai um Imperial Gran Reserva 2007 para manter o ritmo. E que ritmo! Estávamos fazendo um Ragú de Cordeiro na casa do JP e o Caião aparece despretencioso, com esta belezinha debaixo do braço. E é claro que foi o protagonista da tarde. Este 2007 está bem no estilo do 2005. Cor mais clara, aromas de cerejas secas, tabaco, cítricos, terrosos e alcaçuz. Em boca repete o nariz e mostra corpo médio, taninos redondos e final especiado e levemente cítrico. Uma delícia! É o tipo de vinho que não tem muito o que falar. É bom, aliás, excelente, e pronto! É claro que não é só o (ex) Rei Juan Carlos que gosta dele. Nós também! Valeu, Caião! A propósito, os vinhos da CVNE são importados pela Vinci.
Caião já mandando ver no molhinho...rs

Depois de umas horinhas ficou uma beleza...

domingo, 3 de agosto de 2014

Atrasadão - Confraria nos meus cumpleaños: Só vinho bão, claro! Imperial Gran Reserva 2005, San Martin Corullón 2001 e muitos outros...

As coisas estão corridas e está difícil manter o blog atualizado. E esta postagem está bem atrasada... Mas vamos lá.
Era uma reunião da Confraria para celebrar o meu aniversário. Abrimos a noite com um Champagne Delamotte levado por este que vos escreve. Este já apareceu por aqui e quem não conhece, deve experimentar em vez de ficar bebendo aqueles amarelinhos que ficam nas prateleiras de supermercados. É um Champagne muito bom e que costuma estar nas listas de bota-fora da World Wine no começo do ano. Sempre que posso pego umas garrafas. Bem, e aí começaram os tintos. Descreverei na sequência das fotos.
O primeiro deles é um vinhão levado pelo amigo Rodrigo: Cune Imperial Gran Reserva 2005. Bem, este dispensa apresentações. Seu irmão de 2004, que já pintou por aqui, foi o vinho do ano passado pela WS. Mas não é por isso: É porque é bom mesmo! Um Rioja de primeira linha. Este 2005 está diferente do 2004. Mostra-se mais leve, mais cítrico e até com cor mais clara que seu irmão recentemente afamado. Não mostra o tostado e toques balsâmicos de seu irmão. Apresenta notas de cereja e tabaco, em um fundo  cítrico e mineral. Vinho delicioso! Valeu, Doc!
Ao lado dele, outro vinhaço, também espanhol, mas agora, de Bierzo, o San Martin Corullón 2001. O vinhão, levado pelo Paolão, é obra da vinícola Descendientes de J. Palácios. É o top da vinícola e irmão maior de um conhecido bom valor, o Pétalos de Bierzo. Para se ter uma idéia da grandiosidade deste vinho, apenas 6 barricas foram produzidas, ou seja, menos de 2.000 garrafas. É feito com Mencía de videiras centenárias e baixíssimo rendimento (14 Hl/hectare). Lembro-me de ser um dos vinhos preferidos do saudoso Saul Galvão, que comemorava seus aniversários em Jaú com o danado. E Saul sabia das coisas. É um vinho grandioso. E este é ainda de uma safra maravilhosa (a minha preferida na Espanha). Vinho de aromas de frutas maduras em meio a especiarias, cacau, caixa de charuto e grafite. Em boca, textura incrível, sedosidade, acidez perfeita, taninos finíssimos! Uma elegância ímpar! Como defino? Maravilhoso! Raridade. Valeu, Paolão!
O Joãozinho levou um ótimo Amarone della Valpolicella Giacomo Montresor Fondatore 2009. O produtor tem um grande portfólio de vinhos, não apenas no Vêneto. Produz 4 Amarones, sendo este Fondatore o de entrada da linha. É o que passa menos tempo em barrica e isso se faz sentir no vinho. Ao nariz mostra notas de amoras, funghi, de ervas (sálvia e outras) e chocolate amargo. Em boca, repete o nariz e mostra acidez destacada e taninos corretos. É austero, não tem dulçor exagerado e mostra muita riqueza. Está novo e carente de bons anos de adega, mas já é apreciável. Pede comida com molho forte. Um Amarone distinto.
E à direita do Amarone o vinho levado pelo amigo Paulinho, que é apreciador de ótimos vinhos portugueses. E desta vez ele levou o alentejano Vale de Ancho 2006, que também já pintou aqui no blog (clique). Assim, nem vou comentar muito sobre ele. Só preciso reforçar que é um vinhão! Rico, intenso, mas elegante e muito sedoso. O final é longo e agradabilíssimo. Uma delícia! De primeira.
O Thiago nos brindou com um dos melhores Pinotage que já bebi, o Beyerskloof Diesel Pinotage 2011. É um vinho de produção pequena, que passou 21 meses em barricas de carvalho francês. É intenso, com notas de cereja preta e ameixas, em meio a um tostadinho gostoso, anis e grafite. Em boca destaca-se pela sedosidade e final longo. Realmente, um Pinotage diferenciado. Aqui não é só a garrafa que é imponente, o vinho também.  
O JP levou um Brane-Cantenac 2004. Bem, o ano não ajudou muito e o vinho sentiu. Apesar de bom, ele não empolgou. Tinha notas de cassis, amoras, tabaco e herbáceas. Em boca era seco, taninos macios e final herbáceo. Como disse, é bom, mas linear.
Ah, mas vocês pensam que acabou? Não! Ainda tem o vinhão levado pelo amigo Caio, um ótimo Brunello di Montalcino Col D'Orcia 2006. Já escrevi aqui sobre o 2005. Bem, mas este 2006 está ainda melhor. A safra foi grandiosa e o vinho respondeu. Cor belíssima e notas de cereja madura, groselha, couro, tabaco e alcaçuz. Em boca mostra muita intensidade e taninos presentes (claro), mas já corretos. O final é longuíssimo e delicioso. Está novo? Sim! E com longos anos pela frente. Mas já perfeitamente apreciável. Valeu, Caião!
E para finalizar, o Paulinho ainda ofereceu uma caixa de belos pães de mel acompanhados de um ótimo Porto Taylor's 10 Anos. Combinação perfeita! 
Bem, a noite foi maravilhosa! Gracias, amigos!