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segunda-feira, 26 de março de 2018

Noite Italianíssima: Brunello di Montalcino Casanova di Neri Cerretalto 2004, Brancaia Il Blu 2007, Barolo Il Zoccolaio Ravera 2005, Brunello di Montalcino Pian delle Vigne 2001 e Barolo Vietti Castiglione 2004

Dêem uma olhada na foto abaixo. Essa noite não foi brincadeira. E teve história. O JP sugeriu à turma adiantar nossa reunião para uma quarta, em vez de quinta. Eu iria acompanhá-lo, visto que também tinha impedimento na quinta. No entanto, todos foram, menos o Caio, que não podia ir na quarta e ficou cuspindo fogo. Magoou, tadinho... Também, perder os vinhos abaixo é para deixar qualquer um uma arara.
Noite de vinhos italianos na confraria. Tem um "abelhudo" no meio dos italianões. Coincidentemente, dois confrades levaram o mesmo vinho (ver as duas garrafas iguais do Barolão, à direita).

O Paulinho pegou pesadíssimo, levando um Brunello di Montalcino Casanova di Neri  Cerretalto 2004. Lembro que ele me enviou uma mensagem com uma foto, pedindo que eu escolhesse o vinho para ele levar. E não foi fácil escolher, pois eram todos grandes vinhos. Mas fiz uma bela escolha...rs. O Cerretalto, top da vinícola Toscana, coleciona altas notas da crítica especializada, inclusive, várias notas 100! Este 2004, por exemplo, levou 99 do Mr. Parker e 98 pontos da Wine Spectator. O vinho é grandioso! Aromas de cerejas, amoras, chá, tabaco e tostado. Em boca, belíssima acidez e taninos imponentes. Vinho cheio de camadas! Rico e cheio de classe, harmonioso, untuoso e ao mesmo tempo, muito elegante. O final, interminável, com notas minerais e achocolatadas... Vinhaço! Valeu, Paul!
Eu levei um Brancaia Il Blu 2007, que também fez (muito) bonito na noite. Gosto muito dos vinhos deste produtor. O Il Blu é um vinho top da vinícola. Este 2007 foi feito com Sangiovese (50%), Merlot (45%) e Cabernet Sauvignon. A maturação realizada por 20 meses em barricas. Se eu puder resumir este vinhos em poucas palavras, eu diria "maciez e elegância"! Incrível a sua harmonia. Ao nariz mostrava notas de cereja e amoras, em meio a especiarias, tabaco e chocolate. Em boca, bela acidez e taninos super sedosos! Elegância pura! E excelente complexidade... O final era longo e com notas achocolatadas. Uma delícia! Lembro-me que o Rodrigo gostou muito do danado (e eu também!). O Gambero Rosso lhe mandou 3 Bicchieri, o Duemilavini 5 cachos, Mr. Parker e WS 94 pontos e o Luca Maroni, que costuma distribuir notas perto de 100 pontos para muitos vinhos italianos, lhe outorgou pobres 85 pontos! Ou ele estava resfriado no dia, ou pegou uma garrafa ruim. Só pode...rs.
Tonzinho e Rodrigo chegaram, coincidentemente, com vinhos iguais! E não era um vinho comum. Poucas vezes aconteceu isso em nossa confraria, ainda mais com um vinho que não é facilmente encontrado no mercado. Bem, mandamos ver na garrafa do Rodrigo e o Tonzinho guardou o dele para um aniversário meu, que o bebi tranquilamente durante uma semana, apreciando uma taça por dia. E ficando muito feliz... Era um Barolo Il Zoccolaio Ravera 2005. Il Zoccolaio é o nome de um vilarejo que fica dentro de Bricco de Barolo. A vinícola possui 23 hectares de vinhedos, sendo 11 de Nebbiolo. Este Barolo, do Cru Ravera, é afinado por 36 meses em cascos de carvalho. É um Barolo de cor mais escura e estilo mais moderno. Tinha aromas de fruta madura, uva passa, tabaco e especiarias, em um fundo de chocolate amargo. Em boca era maduro, concentrado, em um estilo moderno e mais pronto para beber. A fruta madura, concentrada, dava o tom. Os taninos eram maduros, já redondos, e o final muito longo e com notas de chocolate amargo. É um estilo distinto de Barolo, menos mineral e sem aquelas notas de florais, mas que me agradou bastante. Muito gostoso!
E para uma comparação didática com o Barolo anterior, mas sem saber, claro, o Paolão levou este Barolo Vietti Castiglione 2004. Este, já fica no time dos Barolo tradicionais. Cor mais clara e aromas de pétalas de rosas, amoras e terrosas. Em boca, ótima acidez, mineralidade e taninos finos. Final longo e especiado. Um outro estilo de Barolo, mais fiel às tradições. Pede comida! Não foi o melhor Vietti Castiglione que bebi, mas estava muito bom.
E o JP fechou a noite com um Brunello da família Antinori, e de uma grande safra: Brunello di Montalcino Pian delle Vigne 2001. Aromas de cereja, tabaco, chá e especiarias. Em boca, boa acidez e taninos finos. Apesar de bom, eu esperava mais deste Brunello, ainda mais considerando a safra. Eu achei o danado linear, unidimensional. Depois, lendo algumas opiniões sobre ele, vi impressões coincidentes. E nesta noite, ele teve um adversário peso-pesado, mostrado acima.
Bem, como podem ver, não falei sobre um vinho da primeira foto. Na verdade, foi de propósito. Era um vinho australiano levado pelo Thiago. Como a noite era italiana, e o vinho não agradou muito, resolvi deixar o danado de lado...rs. 






quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Só vinhões em festa no JP: Vega Sicilia Único 1999, Brancaia IL Blu 2010, Chryseia 2012, Côte Rôtie Duclaux La Germine 2010, Don Maximiano 2009, Incógnito 2011, La Rioja Alta GR 904 2004, Quinta Vale D. Maria 2010, Vallado Reserva 2008 e um Royal Tokaji para arrematar!

Já faz um tempinho que rolou esta festa na casa do JP, mas sempre é tempo para relatar os vinhos que rolaram. E não foram quaisquer vinhos. Só vinhaços! O anfitrião, que adora um Vega Sicilia (e nós também, claro...), mandou ver em um Vega Sicilia Único 1999. Este já pintou aqui no blog tempos atrás (clique aqui). Um vinhaço, como sempre. Aromas de cereja preta, leve baunilha, curry e terrosos. Em boca, elegância típica de um Vega, intensidade na medida, taninos sedosos e final interminável. Uma maravilha! Continue assim, JP! No centro da foto maior, no meio de outros dois grandes.


Descreverei aqueles que estão apenas na foto maior, e abaixo, aqueles que têm fotos individuais. Não me lembro quem levou o Don Maximiano 2009, que já pintou aqui no blog duas vezes (clique aqui) e dispensa comentários. O Paolão levou o Quinta do Vallado Reserva 2008, que estava uma beleza! Aromas de framboesa e kirsch, em meio a chocolate e café. Em boca, muito elegante e macio, com tudo em cima. Os taninos redondinhos e o final longo e com notas de café. Uma beleza! Sou fã do Vallado Reserva.
Também não lembro quem levou o Quinta do Vale D. Maria 2010. Bebemos algumas vezes este vinho, que sempre agrada. Vinho de cor escura e aromas de amoras e framboesas em compota, chocolate amargo, café amargo e notas minerais. Em boca, intenso, denso, com taninos finos e fundo mineral. Este é outro que sempre agrada a turma da confraria. 

Chryseia 2012 levado pelo Tonzinho. Surpreendeu-me este vinho pelo frescor e mineralidade. Aromas de amoras, cacau e minerais. Em boca, intenso mas com ótima acidez, que lhe aportava frescor. Os taninos firmes ainda pedem tempo, mas são de grande qualidade. O final era longo e mineral, com notas de cacau. Um vinhão, de uma safra sombra da 2011, mas que gerou um Chryseia de estirpe. Gostei bastante!

O Joãozinho levou um que eu havia recomendado que comprasse em uma viagem sua. Um ótimo Brancaia Il Blu 2010. Vinho de grande produtor e de bela safra. Sangiovese 50%, Merlot 45% e Cabernet Sauvignon. Aromas de cereja, kirsch, alcaçuz e notas amadeiradas. Em boca, fruta viva, ótima acidez e picância. Os taninos ainda estavam jovens e demandavam tempo. Vinho  ótimo, mas para envelhecer.

Este Benjamin e David Duclaux Côte-Rôtie La Germine 2010 foi levado por este que vos escreve, em homenagem ao JP, que gosta de Côte-Rôtie (alguém não gosta? rs). Um belo vinho, com aromas florais e de frutas silvestres, em meio a um toque apimentado e notas minerais. Em boca, repete o nariz e mostra bela acidez e mineralidade. O final é longo e especiado. Uma delícia, da grande safra de 2010. Ganhou justos 93 pontos da Wine Spectator.

Opa! Coisa grande: Incógnito 2011! Adivinhem quem levou? Isso mesmo, Paul, o Rei dos Portugueses! Um vinhaço, cheio de vida, aromas envolventes de amoras, florais, cacau e especiarias. Em boca uma explosão de frutas e frescor. Final longo, com notas picantes e taninos ainda por arredondar. Syrah que ainda está nervoso. Eu beberia com 10 anos de idade. Mas obviamente, já dá enorme prazer agora. A Wine Spectator lhe deu apenas 88 pontos. Pois é, incongruências.

La Rioja Alta Gran Reserva 904 2004: Que maravilha! Este é um querido da confraria. Mas não é por menos. Ele é sempre delicioso, em qualquer safra. E quando a safra é excepcional, fica ainda mais evidente sua grande qualidade. Este 2004 está uma beleza. Aromas de cereja, caixa de charuto, casca de laranja, baunilha e outras especiarias. Em boca, belíssima acidez cítrica e taninos sedosos. Elegante e muito persistente. Grande vinho! Tenho ainda que postar sobre o 2005 e 2007...
Ah, para arrematar a festa, ainda apreciados duas garrafinhas de Royal Tokaji 5 Puttonyos 2009 e um Taylor's Porto 10 anos, por que ninguém é de ferro. 




quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Grand Cru Tasting em Campinas! A Confraria do Ciao foi e gostou!

A Confraria do Ciao foi em peso ao Grand Cru Tasting em Campinas. Só faltaram o Caio e Fernandinho, acostumados a dar furos... O evento ocorreu na própria loja da Grand Cru Campinas, e foi muito bem organizado. É claro que sempre tem aquelas pessoas que conhecem pouco de etiqueta de degustação, como evitar ir direto ao melhor vinho do produtor, usar perfume etc. Mas isso é normal. 
Achei legal as estações temáticas, como a de Pinot Noir, espumantes, brancos e outras,  nas quais havia exemplares de diversas regiões do vinicolas do mundo, para comparação. Isso é interessante. 
O destaque absoluto foi para a vertical do supertoscano Il Blu, top da vinícola italiana Brancaia. Um show!
Algumas garrafas dos maravilhosos Il Blu
Estavam disponíveis vinhos das safras de 1994, 1996, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2005, 2007 e 2008. Bem, faltaram o 2006 e o belíssimo 2004, o mais pontuado de todos eles. Mas e dai? Estava maravilhosa a vertical! Todos vinhos excelentes, mas eu destaco o 1996, 1999 e o mais novinho 2007. Só esta vertical já valeria nossa viagem à Campinas, mas teve mais. 

Representante da Viticcio e o maravilhoso Viticcio Chianti Clássico Riserva 2007

Como sou fã de italianos, não posso deixar de citar o Barbaresco del Produttori del Barbaresco e o delicioso Viticcio Chianti Clássico Riserva 2007 (número 40 na lista dos top 100 da WS). O Este último foi um dos meus preferidos no evento. Tive que apreciá-lo algumas vezes. A propósito, o Chianti Clássico 2008, não reserva, também estava excelente. 
No campo dos brancos, gostei muito do Chateauneuf du Pape La Nerthe 2008, que é bastante rico e fresco.
Os portugueses estavam bem representados pela Quinta do Noval e Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo. Gostei bastante dos vinhos destes dois produtores. Da Quinta do Noval, além do Porto 10 Anos (claro), gostei do Cedro, e da Quinta Nossa Senhora do Carmo, preferi o Reserva ao Gran Reserva. Aliás, já havia apreciado o Reserva 2007  algum tempo atrás, oferecido pelo amigo JP. Migrando agora para a América do Sul, gostei dos sempre justos Medalla Real (Syrah e Cabernet) da Santa Rita e fiquei um pouco decepcionado com o Casa Real, top da empresa, do qual esperava mais. Adorei o Sideral e Altair, vinhos muito elegantes.
 
Representante da Tabali com o denso e saboroso Payen
Os Syrah chilenos se destacaram. A Matetic mostrou dois bons exemplares deles (com boa mineralidade), assim como a Tabalí, que tem um estilo bem mais denso e maduro. O Tabalí Payen 2007 foi sucesso no evento. É um vinho de mastigar, muito denso (até um pouco demais para o meu gosto), mas com mineralidade e muitíssímo saboroso. Em alguns anos deve ficar maravilhoso. Bem, dos Argentinos, não posso deixar de citar o Pulenta XI 2007, que é para mim um dos melhores Cabernet Franc da Argentina e um projeto novo do grupo Clos de los Siete, o Diamandes, que tem o bom Perlita (Malbec e Syrah), sem madeira e bem vivo, e o Diamandes de Uco Gran Reserva Malbec, que é bastante denso e com um belo final. 
Bem, teve mais, mas vou parar por aqui. O evento foi muito legal, bem organizado, com bons vinhos (servidos em boa quantidade, até com repetição) e boa comida. Além disso, o pessoal da Grand Cru Campinas foi muito atencioso. Parabéns!


sexta-feira, 6 de abril de 2018

Brancaia Chianti Clássico Riserva 2009: Redondinho!

Os vinhos da Casa Brancaia são muito bem feitos, desde os mais simples, como o TRE. Este Brancaia Chianti Clássico Riserva 2009 fica uns degraus acima, já apresentando os vinhos tops da vinícola, como o Ilatraia e Il Blu. Ele é feito com Sangiovese (80%) e Merlot, que lhe aporta muita maciez. O vinho matura por 16 meses em barricas de carvalho, sendo metade em barricas novas e a outra metade, em barricas usadas. Isso contribui para que a madeira não deixe tantas marcas e a fruta se manifeste. Ao nariz o vinho mostra notas de cereja preta e cassis, em meio a alcaçuz, tabaco e chocolate. Em boca mostrou-se muito macio, sedoso, com taninos devidamente arredondados pelo tempo. A boa acidez equilibrava o conjunto, tornando o vinho muito agradável. O final é médio e achocolatado. Muito bom vinho, que faturou merecidos 91 pontos da WS e 92 da Wine Enthusiast. Já está prontinho para beber e não acredito que evoluirá mais em garrafa. 






segunda-feira, 13 de julho de 2015

Brancaia TRE 2011, Undurraga Founder's Collection Cabernet Sauvignon 2009 e Mas Oller Pur 2010

O Brancaia TRE 2011 é um toscano feito com Sangiovese (majoritária), Merlot e Cabernet Sauvignon. Por ser feito com as 3 uvas, e de 3 locais diferentes, recebe o nome "Tre". Tempos atrás bebemos várias garrafas do 2007, que foi número 10 dos top 100 da WS em 2009. E na verdade, apesar de bom, não era para tanto. E este 2011 recentemente faturou 95 pontos e muitos elogios da revista Decanter. Outro exagero. Às cegas, nem arrisquei chutar do que se tratava. É um vinho menos extraído que seu irmão de 2007, o que achei legal. Tem aromas de cereja, chocolate amargo e herbáceos. Em boca é mais seco que seu irmão de 2007, tem boa acidez, taninos secos e final herbáceo. Confesso que o herbáceo dele me incomodou um pouco, mas nada que o condenasse. Não é um vinho para beber solo, e sim, com boa comida. Tem aptidão gastronômica. Agora, 95 pontos? Nem pensar! Só se beberam enganados o seu irmão Il Blu...rs. 
O vizinho dele, à direita, também servido às cegas, denunciou sua origem chilena, mas de forma discreta. Nada de exageros de pimentão, goiaba, eucalipto ou algo similar. Na verdade, tinha uns aromas de ameixa, chocolate e café que lembravam um Syrah. Mas tinha algo mais. Chutei ser um corte. Mas depois foi revelado que era um Undurraga Founder's Collection Cabernet Sauvignon 2009. Cabernet chileno diferente, com aromas elegantes, corpo médio e boca aveludada. Um pouco maduro, mas gostei dele. O engraçado é que depois vi um comentário de um outro apreciador que fazia a mesma pergunta: "Seria um Syrah?". 
E fechando a foto, o terceiro vinho, também servido às cegas pelo Carlão. Aqui não deu para chutar nada. Tinha aromas um pouco estranhos, de extrato de tomate, daqueles de lata, que depois de bastante tempo em decanter foram amansando, mas não sumiram. Fruta nega, toques vegetais e animais completavam o conjunto. Era um Mas Oller Pur Empordà 2010, da região nordeste da Espanha, já quase na divisa com o sul da França. É feito com Syrah, Garnacha e Cabernet Sauvignon. O Akira achou que estava com algum defeito. Eu já não sei. Precisaria apreciar outra garrafa para ver se difere desta. Lembrei de uma tirinha do Millôr Fernandes, na qual um cidadão dizia "Nós que nunca vivemos em uma democracia, e se for isso mesmo???". Ou seja, e se o vinho for assim mesmo? O fato é que andou sendo elogiado por aí... Esta garrafa, não fez sucesso.