terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Chateau de La Rivière 2009, Julian Reynolds Grande Reserva 2005, Chateauneuf du Pape Ferraton e Fils Le Parvis 2009 e Coelheira 2010


O Carlão nos convidou para uns vinhos em sua casa. E matamos quatro bons exemplares: Dois portugueses e dois franceses. 
Eu levei embrulhado um Julian Reynolds Grande Reserva 2005. Bem, apenas o Carlão aventou a possibilidade de ser um português, até citando o Alentejo. Eu, particularmente, gosto muito dos vinhos da vinícola, que acho uma das apostas mais acertadas da Wine. Este Julian Reynolds é feito com Alicante Bouschet, Trincadeira e Syrah, e passa 24 meses em barricas de carvalho. Tem aromas deliciosos, de ameixas compotadas, chocolate, baunilha e outras especiarias. Em boca é muito redondo, sedoso, com boa acidez e final longo e especiado. Uma beleza de alentejano, com muita riqueza e prazeiroso de beber. No auge de seus 10 anos! Compra certa e ótimo valor.

O Carlão ofertou um Chateauneuf du Pape Ferraton e Fils Le Parvis 2009. A vinícola tem como sócio o grande mestre do Rhone, M. Chapoutier. O vinho é feito majoritariamente com Garnacha (como gosta Chapoutier...), com pitadas de Syrah e Mourvèdre. O Carlão o deixou em decanter, sem revelar sua identidade. Eu chutei a presença da Garnacha e Syrah, mas fiquei em dúvida sobre a procedência. Confesso que o achei meio agressivo no início, com um fundo herbáceo que se sobressaia e me incomodava.  Mas após uma boa decantação, o negócio mudou, para muito melhor. O herbáceo se dissipou, embora ainda se notasse um pouquinho no retrogosto. O vinho então mostrou aromas de ameixas, amoras, chocolate amargo e alcaçuz. Um toque de eucalipto deu charme ao conjunto. É daquele estilo de Chateauneuf que ocupa uma posição intermediária entre os ricos em frutas confitadas e aqueles mais densos, escuros, ricos em tabaco, tostado e alcaçuz. Depois da decantação, eu gostei bastante. Melhor ainda se tivesse sido apreciado com uma boa carne de cordeiro. Se tiver ou for comprar um desses, decante ou guarde em adega por um tempo. A propósito, o vinho é importado pela importadora Enoeventos, de Oscar Daudt. A importadora tem uma nova proposta, com preços bem justos. Vale a pena conferir. 
O Ghidelli escondeu a identidade de seu vinho, para também tentarmos advinhar o que era. Pela cor, aromas e boca, chutei ser um Bordeaux de uns 6-7 anos, da margem direita, com Merlot majoritária. Bem, acho que chutei melhor que a maioria dos jogadores da seleção brasileira na última copa, no jogo contra a Alemanha...rs. Era um Chateau de La Rivière 2009. O Chateau de La Rivière é um dos mais antigos e o maior da denominação Fronsac, que tem o Rio Dorgogne ao sul e fica alí do ladinho do Pomerol e de Saint Emilion. Além da beleza do local, e seus bons vinhos, há umas histórias um tanto quanto fatídicas associadas ao Chateau. Em 1995 ele foi comprado por Jean Leprince, que modernizou a propriedade. No entanto, o cidadão faleceu em 2002 em um acidente de avião próximo ao castelo. A propriedade foi então vendida ao empresário James Gregoire, fabricante de máquinas para colheita de uvas. Gregoire vendeu o Chateau em 2013 para o bilionário chinês Lam Kok. No entanto, um dia após a venda, em dezembro do mesmo ano, Gregoire saiu de helicóptero para mostrar os vinhedos ao comprador. Além dele, estavam no aparelho o comprador, seu filho de 11 anos e um responsável financeiro, que fazia o papel de intérprete. E mais uma fatalidade ocorreu! O aparelho caiu no Rio Dordogne, matando todos os ocupantes. A esposa de Lam parece ter tomado frente ao Chateau, que atualmente funciona também como hotel de luxo. Bem, dizem que há ainda mais mistérios envolvendo os acidentes. Parece que foram encontradas cartas ameaçando proprietários franceses que vendessem suas terras para estrangeiros. Bem, mas histórias fatídicas à parte, vamos ao vinho. Como esperado, o exemplar da bela safra de 2009 tem em seu corte a Merlot como majoritária (89%), Cabernet Franc (8%), Cabernet Sauvignon (2%) e Malbec (1%). Matura 12 meses em barricas de carvalho francês (40% novas). Ao nariz é meio fechado logo ao ser descorchado, mas vai mudando rapidamente na taça e decanter. Mostra aromas de amoras e framboesas, em meio a alcaçuz, café, pimenta e tabaco. É incrível o seu crescimento após decantação. O tabaco agradável vai surgindo e o alcaçuz se intensificando. Em boca tem corpo médio, boa fruta e especiarias. Os taninos já estão redondos e o final é longo e especiado. Um ótimo vinho e de bom preço. Mas atenção: Na primeira taça, logo ao ser aberto, pode passar uma impressão diferente, meio fechada e até leve. Mas depois de decantação... Cresce demais! Ou seja, se você for beber em muita gente, e depressa, não vai curtir o seu melhor. Ah, esqueci de dizer que é feito com a consultoria do onipresente Michel Rolland...rs. Aliás, vale ressaltar que o álcool é um pouco alto (14,5%) para um Bordeaux, apesar de não se destacar.
Ao final, o Endrigo abriu seu vinho, que era um Coelheira 2010, da Quinta do Casal de Coelheira, Tejo. O vinho é feito apenas para exportação e tem um caráter mais moderno. É feito com Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Touriga Franca. Tem aroma bem frutado, com notas de framboesas e ameixas, em meio a especiarias doces e um toque floral não exagerado da Touriga Nacional. Em boca tem uma entrada frutada, doce, mas equilibrada com boa acidez e taninos corretos. É vinho com bom frescor, abaunilhado, fácil de beber e agradar. Para o meu gosto, é um pouco mais doce e frutado do que eu queria. Mas é bem feito e tem os fãs certos para o estilo. 
Isso ai! 

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