segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Assados na cozinha do Tom, com grandes vinhos: Almaviva 2009, Marchesi di Barolo Cannubi 2004, Pago de Capellanes Crianza 2009, Altos Las Hormigas Paraje Altamira 2011, Callejon del Crimen Gran Reserva 2010 e Castelo D'Alba Grande Reserva 2012


Fazia já um tempo que o Tonzinho não esbanjava suas habilidades nas grelhas de sua cozinha... Mas nesse domingo ele mandou ver, e não deixou barato. Carnes maravilhosas de Wagyu, Black Angus e Porco Preto, que escoltaram com maestria os vinhos levados pelo pessoal. 
O primeiro da esquerda foi ofertado pelo Tonzinho, e era um Altos Las Hormigas Paraje Altamira 2011. Bem, se o normal da vinícola já é legal, e o Reserva muito bom, imagine esse de um vinhedo único? O vinho é fermentado por leveduras da própria uva e passa 24 meses em barricas de carvalho francês. Tem aromas de framboesas, carnosos e de cacau. Em boca é sedoso, com boa acidez, taninos finos e final longo e especiado. Uma beleza de Malbec. Não é daqueles doces demais e carregadões de ameixa. Tem longa vida pela frente, ou melhor, teria...rs. Perfeito para as carnes do Tom.
O segundo vinho da foto, levado pelo Thiago, é um conterrâneo do primeiro, mas em um estilo um pouco diferente. É um Callejon del Crimen Gran Reserva 2010. Seus 12 meses de barrica não deixam marcas e o vinho é bem fresco. Tem aromas de framboesa, carne e couro. Em boca é mais seco que os tradicionais Malbecs e mostra ótima acidez e mineralidade. Eu gostei dele, justamente por fugir ao padrão. Vale a pena conhecer.
O terceiro vinho foi levado pelo Caião. Bem, esse dispensa apresentações. Aliás, já foi descrito aqui no blog: Almaviva 2009. Só que agora já está um pouquinho mais evoluído que quando bebemos há pouco mais de um ano. No começo tem nota apimentadas e leve goiaba em meio ao cassis, que com o tempo, domina os aromas, juntamente com chocolate amargo e pimenta-do-reino. Um belo vinho, sempre questionado pelo seu preço, mas que não deixa de ser grande. Está em plena juventude. Pode ser guardado por muitos anos.
Do lado direito do Almaviva, o Marchesi di Barolo Cannubi 2004, levado pelo JP. Esse também já pintou aqui no blog há 3 anos (clique aqui), e dispensa comentários. Embora tenha evoluído, ainda está muito parecido com o que bebi em 2012. Notas de pétalas de rosas, ameixas, alcaçuz, tostado e café. Em boca, bela acidez e taninos maduros. O final, longo e com notas de alcaçuz. Delicioso!
À direita do Barolão, o duriense levado pelo Luiz Fernando: Castello D'Alba Grande Reserva Vinhas Velhas 2012. É bastante diferente de seu irmão de 2011, que era mais floral e mostrava-se mais fechado quando o apreciamos. Esse 2012 está menos floral, com fruta mais madura (framboesa), uva passa e notas achocolatadas. A Touriga Franca dá o tom. Em boca mostrou-se muito macio, sedoso, e com final achocolatado. Estilo bem diferente de seu irmão, e bem mais pronto. Eu gostei dele! 
E para finalizar, o vinho levado por este que vos escreve: Pago de Capellanes Crianza 2009. Esse é um Ribera del Duero que sempre agrada a turma. E este 2009 estava uma beleza. Ao nariz mostra notas florais, de ameixa e alcaçuz, em um fundo cítrico. Em boca é fresco, mineral e com final longo e especiado. Delicioso! Bem dados os 93 pontos da WS e a designação de "highly recommended". Ótimo agora, mas com longa vida pela frente. 
Bem, isso aí. Outra bela tarde na cozinha do Tom, com belas carnes e vinhos de primeira. Ah, e companhia de primeira, claro!
Carnes "light" do Tonzinho...rs.




sábado, 7 de novembro de 2015

Falernia Pinot Noir Reserva 2013, Las Moras Gran Syrah 3 Valleys 2012, Cedro do Noval 2010 e Cortes de Cima Touriga Nacional 2007


Reunião da confraria regada a dois vinhos sulamericanos e dois portugueses. Todos bons!
O primeiro foi o Falernia Pinot Noir Reserva 2013, levado por este que vos escreve. O vinho ganhou troféu internacional no Decanter World Wine Awards (DWWA) 2014 como o melhor Pinot Noir do mundo abaixo de 15 libras. O vinho também foi destaque absoluto no Chile Wine Awards 2014, realizado em São Paulo. E esta é apenas a sua segunda safra. As uvas vem de um vinhedo chamado Titon, plantado a 20 km do Pacífico. Apenas 30% dele é maturado em barricas de carvalho. Ao nariz mostra notas de morango e cereja, em meio a especiarias e toques terrosos. Em boca é de corpo médio, mostra boa acidez e mineralidade. O tempo em taça lhe faz muito bem. Eu decantaria por um tempo para ele revelar suas qualidades. É um Pinot Noir Chileno, que pode ser reconhecido como tal, mas possui tendências velho-mundistas, como aliás, têm os vinhos da Falernia que conheço. Gostei muito! Vale a pena experimentar. Comprei na Winemeup, onde aliás, pode-se encontrar os ótimos vinhos da Quinta das Bágeiras.
O segundo vinho da foto foi levado pelo JP, e trata-se de um Las Moras Gran Syrah 3 Valleys 2012. Eu estava curioso para apreciar vinhos mais elaborados desta vinícola, visto que um bem simples que bebemos tempos atrás, já mostrava qualidade. Este Syrah é um vinho feito com uvas de 3 vales onde a vinícola Las Moras produz seus vinhos: Tulum, Pedernal e Zonda. O vinho passa 17 meses em barricas novas de carvalho francês e americano.  No começo, o vinho exalava um pouquinho de álcool, mas em pouco tempo isso se ajustou e podia-se notar aromas de amoras maduras, vegetais, chocolate, alcaçuz e especiarias. Em boca era intenso, denso, mas com boa acidez que lhe dava frescor. Apesar de jovem, mostrava taninos redondos. O final era longo, levemente vegetal e com notas de alcaçuz. Tem longa vida pela frente. Um ótimo Syrah, comprovando a vocação da vinícola para elaborar bons vinhos com esta casta.
O terceiro da foto é um Cedro do Noval 2010, levado pelo Caião. Esse é um vinho que sempre agrada. O vinho mostrava notas de amoras em meio a azeitona preta, alcaçuz e um fundinho de café. Em boca, repetia o nariz e mostrava-se mais maduro que seus irmãos de anos anteriores. Eu também achei menos mineral que eles. E essa é uma característica que gosto muito no Cedro. Apesar de bom, acho que ficou devendo um pouco neste quesito.
E para finalizar, um Cortes de Cima Touriga Nacional 2007, levado pelo rei dos portugueses, nosso confrade Paulinho. No início, mostrava-se um pouquinho alcoólico, mas depois, esbanjou aromas de cereja, ameixa, tabaco e especiarias. Em boca, mostrava ótimo conjunto, com acidez adequada e taninos devidamente arredondados pelo tempo. Já está entrando naquela fase que lembra um bom porto. Eu gosto quando está assim. Mas ele já está no seu ápice. Está ótimo agora e não tem mais o que evoluir. Se tiver um deles na adega, abra logo e mande ver, que será prazer garantido.
Isso aí! 

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O lançamento Crasto Superior Syrah 2013 se destaca em degustação da Mercearia 3M em São Carlos

Na semana passada aconteceu mais um evento da Mercearia 3M em São Carlos, com vinhos da Importadora Qualimpor. O evento contou com a presença de Tomás Roquette, um dos proprietários da Quinta do Crasto, que apresentou vinhos de novas safras, incluindo o ótimo lançamento Crasto Superior Syrah 2013. Esse é novidade, e está em sua primeira safra. É talhado aos molde dos Côte-Rôtie, com fermentação simultânea da Syrah com uma pitadinha de Viogner (no caso, 3%). A maturação ocorre em barricas novas de carvalho francês, por 16 meses. Apesar de novo, este Syrah mostra que veio para fazer sucesso. Ao nariz mostra notas florais, de amoras, chocolate amargo e especiarias. Em boca, repete o nariz, mostra boa acidez e taninos firmes, que deverão se amaciar com algum tempo de adega. O final é longo e com notas de cacau. Ótimo vinho, que deve evoluir bem em adega. Se for beber agora, abuse do decanter que o bichão vai ficar redondinho. Mais um belo vinho da Quinta do Crasto.
Ainda no estande da Quinta do Crasto, servidos pelo próprio Tomás Roquette, bebemos outros vinhos, alguns que já pintaram por aqui, como o Roquette e Cazes 2012 e o Crasto Vinhas Velhas 2012. Também ótimos estavam o Crasto Douro 2014, com o frescor de sempre, e pedindo um tempo para ficar ainda melhor, o Crasto Superior 2013 tinto e o fresco e cítrico Crasto Superior Branco 2014. 
Tomás Roquette e seus vinhos


Mudando para a Esporão, o João Buchalla me serviu um ótimo Esporão Reserva Branco 2014, com notas de pera, maçã gold, abacaxi em calda e especiarias. Esse nunca falha! Imbatível em sua faixa. Também bebi novamente o Esporão Reserva tinto 2012, ótimo e já comentado aqui, e o Assobio 2012, que seguindo os passos de seu irmão de 2011, está muito bom.
Para finalizar, destaque para o frescor do Cava Segura Viudas Reserva Heredad, que se mostro cítrico e vibrante. Perfeito para bebericar ou acompanhar ostras frescas. Muito bom! 
Isso aí! Mais um ótimo evento organizado pelo Idinir e equipe!

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Roquette e Cazes 2012: Um dos melhores da linha!

Bebemos esse Roquette e Cazes 2012 em companhia de seu produtor, Tomás Roquette, que estava em visita a São Carlos. Bem, todo mundo sabe que o vinho é produto de parceria entre a família Roquette e a família Cazes, de Bordeaux. O vinho é o irmão "menor" do grande Xisto, e é elaborado com 60% Touriga Nacional, 15% Touriga Franca e 25% Tinta Roriz. A maturação ocorre em barricas de carvalho francês (70% novas) por 18 meses. Os enólogos são Daniel Llose (Château Lynch-Bages) e Manuel Lobo (Quinta do Crasto). Ao nariz o vinho mostrava as notas florais da Touriga Nacional, mas sem exageros, fruta madura (amoras e framboesas), chocolate, bolo inglês e um abaunilhado na medida. Lembrou-me o Crasto Vinhas Velhas 2012. Em boca mostrou-se intenso, mas muito elegante, com boa acidez, que lhe aportava frescor, e taninos finos. O final de boca era longo e especiado. Esse é, na minha modesta opinião, o melhor Roquette e Cazes já produzido, e o mais pronto para ser consumido. Deve ganhar com adega, mas já dá grande prazer agora. Ótimo vinho! Como sempre digo, falar bem dos vinhos da Quinta do Crasto é chover no molhado...rs. E de novo, tivemos uma prova disso.
à direita, da frente para o fundo: João Buchalla, Tomás Roquette e João Palhinha.
à esquerda, da frente para o fundo: Evandro, Lëo e Idinir (3M) e eu.



quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Domaine Tissot Arbois Savagnin 2009: Que belo branco!

Gosto dos brancos com presença, mais encorpados... Mas não aqueles exagerados, como os Chardonnay amanteigados, repletos de abacaxi etc. Tem que ter frescor, mineralidade, senão...
Esse Domaine Tissot Arbois Savagnin 2009 é um daqueles que me deixam feliz. É vinho de uma região francesa pouco badalada (Jura) e que deveria ser mais presente nas taças de bons apreciadores. Mas deixemos assim. Afinal, sem badalação os preços se mantêm em um patamar mais justo. Apesar de que esse não é lá dos mais baratos. No entanto, justifica plenamente seu preço, dando um baile em muitos mais caros. É um 100% Savagnin, com estágio de madeira por 3 anos. As uvas são cultivadas sem agrotóxicos e a fermentação é feita por leveduras da própria uva. Apenas 4.000 garrafas são produzidas por safra. É um vinho de uma cor belíssima, amarelo dourado bem forte. Os aromas são muito ricos, com notas de damasco, maçã gold, cardamomo, curry, nozes, leve mel e aquele toque oxidado delicioso ao fundo. Em boca, ótima acidez, que tornava o vinho vibrante e muito fresco, apesar de sua intensidade. O final era muito longo, e com aqueles toques oxidados que davam um charme enorme ao conjunto. Uma delícia de vinho! Se você gosta de Jerez e também dos belos brancos de Lopez de Heredia (Tondonia), tem que beber esse. Dizem que fica muito bom com queijo Comté. Eu não testei, mas quero fazê-lo logo, pois é um vinho que quero apreciar mais vezes. É importado pela Delacroix.

Nota: Não é vinho para quem gosta de brancos leves, frutadinhos etc. Ou pode ser, para que esqueçam um pouco esses...rs.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Que tarde foi essa na casa do Paulinho??? Trimbach Riesling 2011, E. Guigal Hermitage Branco 2010, El Enemigo Chardonnay 2011, Bruno Clair Savigny-les-Beaune La Dominode 2010, Incógnito 2009 e Le Dauphin de Guiraud 2004!

Nesse feriado prolongado o confrade Paulinho nos convidou para um almoço na sua casa, no qual o Caião faria sua famosa Paella Caieciana. E foi uma tarde das melhores. Aliás, como sempre são aquelas que passamos com a família do Paul...
Abrimos a tarde com um branco que levei, o Trimbach Riesling 2011, um alsaciano de produtor muito tradicional. É um vinho floral, cítrico, com notas de maçã verde e aquelas minerais típicas da casta (mas sem exageros). Ao fundo, um toque de mel na medida e bem agradável. Em boca, super fresco, com acidez vibrante e muita mineralidade. Perfeito para frutos do mar, de preferência ostras frescas. Uma delícia de Riesling! Dá para beber agora ou guardar com tranquilidade. 

Ainda nos brancos, o Thiago levou um que estava muito curioso para conhecer: El Enemigo Chardonnay 2011. Vinho das Bodegas Aleanna (Alejandro Vigil e Adrianna Catena). É um vinho feito com uvas plantadas a 1.500 metros de altitude e fermentadas em barricas de carvalho francês. O legal é que a barrica é muito bem utilizada, sem deixar marcas profundas. Tem aromas muito finos de pêra e camomila, amendoado e com um fundinho leve de abacaxi e favo de mel. Em boca é muito elegante, sem exageros de nada, com ótimo frescor e mineralidade. Eu esperava um Chardonnay mais pesado, como costuma ser os argentinos, mas não, era elegante e fino. Espero que o mantenham assim. Muito bom!

E para fechar a lista dos brancos, a foto abaixo mostra a garrafa do excelente E.Guigal Hermitage branco 2010, que levei para os confrades conhecerem Este já foi descrito aqui no blog e não precisa falar mais nada. Só que é um vinhaço!
 

E no meio da foto acima (e isolado na foto lateral) está o primeiro tinto da tarde, ofertado pelo anfitrião, Paulinho. Era um Bruno Clair Savigny-Les-Beaune Premier Cru 2010. Outro vinho de primeira grandeza. Ao nariz mostrava notas de cereja e morango, em meio a especiarias e toques terrosos. Depois de um tempo em taça, mostrou toda a sua força. Em boca mostrava acidez vibrante e taninos firmes. Era um vinho fresco e muito mineral, com final longo e especiado. Uma delícia de Borgonha! Ótimo agora e com grande potencial para uns bons anos de adega. 
Não contente, o Paulinho abriu uma de suas especialidades: Vinho português! E não era qualquer um! Simplesmente, um Incógnito 2009, da Cortes de Cima. Também não há muito que falar desse grande Syrah, que também já foi citado aqui no blog. Um vinhaço, fresco, mineral, com excelente fruta e um final interminável. Vinhão top, que teria muitos anos pela frente... Esse, já foi! rs.
E para finalizar, um belo Sauternes: Le Dauphin de Guiraud 2004. Aqui o negócio pega. É o segundo vinho do grande Chateau Guiraud, do qual sou fã incodicional. Atualmente, leva o nome Petit Guiraud. É um vinho feito no mesmo estilo de seu irmão maior, mas para ser bebido mais jovem. Leva 65% Semillon e 35% Sauvignon Blanc. A maturação é feita em barricas por 12 meses. É um vinho mais "comportado" que seu irmão, com aromas mais frescos e menos explosivos. Mas nem por isso, menos encantadores. Mostra notas de damasco, pêssego, pêra, gengibre e nozes. Os aromas de botrytis estão lá, dando charme ao vinho. Em boca mostrava frescor, com ótima acidez equilibrando o dulçor. Uma delícia, que escoltou com muita classe a bela torta de maçã feita pela anfitriã Dani, esposa do Paulinho!
Uma tarde de gala! Grazie mile, Flaquer Family!

Torta de maçã feita pela Dani: Crocante e caramelada, par perfeito para o Guiraud.

Caião elaborando sua famosa Paella



segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Quinta do Carmo 2012: Bão tamém!

Outro vinho que me agrada bastante. Esse Quinta do Carmo 2012 não tem uma descrição do corte no site da Bacalhoa, mas na Revista de Vinhos falam em Alicante Bouschet, Trincadeira e Cabernet Sauvignon, o que difere do 2011, que tem ainda a Aragonez, que inclusive, está em quantidade um pouquinho maior que a Alicante Bouschet. O vinho passa 12 meses em barricas de carvalho francês. Típico alentejano, com fruta madura, toques balsâmicos, fumo de corda e notas vegetais. Em boca mostra ótima acidez, taninos firmes e mineralidade. Ótima persistência e final vegetal. Perfeitamente bebível agora, mas com algum tempo de guarda deve ficar ainda melhor. Eu vou guardar minha garrafa, pois essa também me foi ofertada pelo meu cunhado Bú, de Jaú, que é fã desse vinho. E com razão... Compra certa! Mas poderia ter um preço mais justo aqui no Brasil, pois custa 12 Euros em Portugal e aqui...


domingo, 1 de novembro de 2015

Duas Quintas Reserva 2009: Muito bom!

Desse vinho, sou fã de carteirinha! Procuro apreciar em todas as safras. E esse Duas Quintas Reserva 2009 não fugiu à qualidade da linha produzida pela Ramos Pinto. É feito com uvas selecionadas da Quinta da Ervamoira e da Quinta dos Bons Ares. As castas (Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca) são vinificadas vinha por vinha e casta por casta, para depois elaboração do blend. O vinho matura em pipas de carvalho ovo por 18 meses e envelhece um ano em garrafa antes de sair ao mercado. Quem conhece o Duas Quintas Reserva sabe de suas características. É denso, sem ser enjoativo, e a mineralidade é patente. Sua cor é escura, densa, como de um café forte. Tem aromas de ameixas secas, amoras, alcatrão, pó de café, azeitonas pretas e especiarias. Muito rico! Em boca, repete o nariz e mostra taninos redondos e levemente terrosos. A persistência é longa e o final com notas de alcatrão e especiarias. Não é vinho para quem espera explosão de frutas. É para quem busca algo além disso. E ele tem. Eu acho um vinhaço! Continuarei apreciando safra a safra. Essa garrafa foi aberta e ofertada por meu cunhado Bú, em Jaú!


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Valduero Crianza 2010, Quinta da Bacalhoa 2012 e Villa Antinori 2012: Ótimo trio!

A confraria se reuniu em pouco nessa última quinta. Vários deram o calote. Perderam...
Eu levei um Valduero Crianza 2010, das bodegas homônimas. Esse é queridinho da confraria. Os vinhos Valduero são ótimos, desde o Crianza até os tops Gran Reserva e 12 Años. Todos achamos um dos melhores em termos de Crianza, juntamente com o Pesquera, Pago de Carraovejas e Sastre. É sempre certeza de agradar. É um Ribera del Duero 100% Tempranillo, com crianza em barricas francesas e americanas. O nariz é marcado por cereja preta, alcaçuz, tostado e especiarias (noz moscada e cravo). Com o tempo, foi surgindo um mentolado muito gostoso. Em boca, repetia o nariz, tinha um toque cítrico, mostrava ótima acidez e taninos finos. O final era longo e balsâmico. É um vinho que evolui muito bem na taça. Aliás, é uma característica dos Valduero. Uma delícia!
O Thiago levou um Quinta da Bacalhoa 2012. Esse é outro vinho que nunca pode faltar na adega de bebedores de bom gosto...rs. Cabernet Sauvignon Português de muita classe. Mostrava ótima fruta ao nariz, com notas de licor de cassis e amoras, em meio a pimenta do reino. Em boca é denso, com boa fruta e uma picância que dá imponência ao vinho. O final é bastante longo e com um toque apimentado. Os taninos ainda devem se resolver com adega, mas nada que incomode agora. A madeira aparece, mas é muito bem integrada. É um vinho que pode ser bebido agora, e está mais pronto que seu irmão de 2011, mas os pacientes serão muito bem recompensados. Outro belo Quinta da Bacalhoa!
E para finalizar, o vinho levado pelo JP: Villa Antinori 2012. É um Sangiovese cortado com Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah. Ao nariz mostra notas de cereja, tabaco e especiarias. Em boca mostra boa fruta e toques de chocolate amargo. A acidez é ótima e os taninos firmes. É mais seco que alguns de outras safras que bebi. Levemente austero agora, e pedindo tempo para dar uma amaciada. Pede comida! Bom vinho agora, mas deve ganhar com adega. Aliás, os que bebi da linha, eram mais antigos, e estavam muito redondos e complexos.
Isso aí!

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Dois Brunellões de uma safra memorável: Brunello di Montalcino Castello di Banfi 1997 e Brunello di Montalcino Gianni Brunelli 1997

Tempos atrás nosso amigo Akira resolveu abrir dois Brunellões de respeito para celebrar o aniversário do André. E não era qualquer coisa. Elegeu logo dois da memorável safra de 1997. Coisa rara... 
O primeiro deles era um Brunello di Montalcino Castello di Banfi 1997. Confesso que tenho lá minhas restrições aos Brunellos Banfi. O motivo é simples: Muitos que eu bebi parecem ser feitos para o paladar americano. E estava então curioso para beber este da safra de 1997. E não é que o danado me deixou muito feliz? Pois é... Eu esperava algo mais internacional e pintou um vinho no estilo tradicional, cheio de camadas e com aquelas notas de cereja seca, chá, tabaco e couro, em um fundo balsâmico muito legal. Em boca tinha aquela acidez marcante, taninos arredondados pelo tempo, mas lá, presentes, e um final muito longo e cítrico. Um belo Brunello. 
O outro era um Brunello di Montalcino Gianni Brunelli 1997. Bem, aqui tem Brunello até no nome...rs. Este era mais frutado e floral que o primeiro, e mais seco. Notas de cereja preta se mesclavam a alcaçuz e tabaco. Em boca, mostrava ótima acidez. toques terrosos e taninos mais comportados que aqueles do Banfi. Ótima persistência e excelente evolução na sua maioridade. Vinhão! Nada como um Brunellão devidamente amaciado pelo tempo...
Due grandi bottiglie!




domingo, 25 de outubro de 2015

Honório Rubio Lias Finas 2011: Fresco e mineral!

A família Rubio-Villar possui 15 hectares de vinhos no município de Cordovin, Rioja. Controla aínda outros 50 hectares de vinhedos na região. A bodega teve origem em 1930, e desde lá, tem sofrido ampliações, sendo a última em 2002. Três marcas de vinho são produzidas: Tremendus, Pasus e Honório Rubio. Segundo a vinícola, a linha Honório Rubio é de vinhos mais clássicos, finos e frescos. E é o que se vê nesse Honório Rubio Lias Finas 2011. É um vinho de produção pequena (apenas 2.600 garrafas), feito com 100% Viura e que passou 16 meses em contato com as lias (incluindo 6 meses em barricas de carvalho). Tem uma cor bonita, amarelo claro com tons esverdeados, e aromas de pêssego branco, abacaxi, cítricos, erva-doce e minerais. Em boca, tem boa complexidade, é seco, com ótima acidez e mineralidade. É bastante persistente. Perfeito para ostras, ou então, peixe com molho cítrico ou com ervas. Não brigou com o bacalhau que escolhemos, mas também, não fez aquele casamento perfeito. Achei ótima compra. Gostei dele agora, mas quero apreciar uma garrafa daqui a uns 2-3 anos, pois ele tem potencial para ser guardado e deve ficar ainda melhor. É um produtor a ser observado. Fiquei curioso para experimentar seus outros vinhos. Comprei na Wine.

domingo, 27 de setembro de 2015

Quinta do Vallado Branco Reserva 2011: Grande Safra, grande produtor, grande vinho!

Quinta do Vallado é sinônimo de grandes vinhos. Sou fã fiel de seus Reservas e Touriga Nacional. Mas o Quinta do Vallado Branco Reserva 2011 foi o primeiro branco reserva do produtor que apreciei. E ele não deixou por menos. Seguiu os passos dos belos tintos e mostrou grande qualidade.
O vinho é feito com Rabigato, Gouveio, Viosinho e Arinto, fermentadas em barricas de 225 litros de carvalho francês (Allier, Vosges e Nevers), 40% novas e o restante de um ano. Depois da fermentação o vinho permanece por 10 meses nas mesmas barricas, com batonnage periódico. O vinho possui bela cor citrina e aromas muito ricos. É floral e mostra notas de pera, maçã e abacaxi, além de mel, amendoas e anis. Em boca repete o nariz, é muito elegante e mostra ótima acidez e mineralidade. O final é longo e com toque amanteigado bem sutil, que não enjoa. Um ótimo branco, muito estiloso, e que teria ainda muitos anos pela frente. Mais uma bela obra de Francisco Olazabal. Se encontrar, não hesite.


terça-feira, 22 de setembro de 2015

Quinta do Saes Reserva Encruzado 2010: Branco fino e fresco da Quinta da Pellada!

Meu amigo Paolão divide comigo o gosto pelos vinhos do Dão. Tanto tintos, quanto brancos. E se for um produzido pelo grande Álvaro Castro, melhor ainda. É o caso deste Quinta do Saes Reserva Encruzado 2010, aberto pelo amigo Paolão para acompanhar um belo Bacalhau a Gomes de Sá. Embora o nome sugira que o vinho seja um varietal Encruzado, ele é feito com 80% Encruzado e 20% Cercial, com fermentação lenta (2 meses) em pequenos tanques de inox e batonnage por 3 meses. É um vinho de bela cor citrina e aromas de frutas tropicais envoltas em grande mineralidade. Em boca esbanja frescor e mineralidade, com secura que sempre pede uma taça a mais. Alia corpo e finesse, sendo intenso e sem exageros. É um ótimo branco, pronto a escoltar pratos de bacalhau e frutos do mar.  Ah, e é vinho que se pode guardar. Este está em sua juventude. Outra ótima comprovação da qualidade dos vinhos do Dão, também em questão de brancos.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Boa noite na confraria: Campolargo Vinha da Costa 2003, Terrunyo Cabernet Sauvignon 2011, Tito Zuccardi 2011, Numina Cabernet franc 2013 e Mocali Rosso di Montalcino 2012

Só estávamos em cinco nessa última reunião da confraria. Mas aproveitamos a noite chuvosa e fria para mandar ver em bons vinhos. 
O primeiro deles, e para mim, o destaque da noite, foi um Campolargo Vinha da Costa 2003, Bairradino levado pelo Paolão. O vinho é feito com Merlot (60%), Syrah (20%) e Tinta Roriz (20%), com estágio de 12 meses em barricas novas de carvalho francês. Com 12 anos de idade, o vinho mostrava uma bela cor rubi escura e halo de evolução. Ao nariz, não mostrava a idade. Tinha aromas florais, notas de cereja preta e amoras, em meio a um toque balsâmico que dava um charme muito legal. Em boca mostrava ótima acidez, intensidade e taninos já arredondados pelo tempo. O vinho era fresco, vivo, o que fazia com que buscássemos sempre outra taça. O final era longo e com um toque herbáceo na medida (um toque de sálvia). Não parecia ter 12 anos. Paolão, Joãozinho e eu o consideramos o melhor da noite. O JP e o Caio já não dividiram a mesma opinião.
O Caião levou um que queria beber: Terrunyo Cabernet Sauvignon 2011. Eu gosto da linha Terrunyo, que oferece ótima qualidade (a um preço que já foi bem melhor, principalmente no Chile, onde subiu bastante ultimamente). Este 2011 teve elogios rasgados da revista inglesa Decanter, que lhe considerou "outstanding"e o colocou a frente em um painel de Cabernet chilenos que incluiam vinhos bem mais caros. A revista lhe atribuiu 19 pontos em 20 (96 em 100), concluindo que seu preço é ridículo (média de 20 libras na Inglaterra). O legal deste vinho é a regularidade e a fidelidade ao Terroir de Pirque. Bebi outros vinhos da região e as características são muito parecidas. Ao nariz mostra notas de pimenta do reino, uma pitada de goiaba (sem exageros), amoras, cassis e mentol (na medida) em meio a chocolate amargo e grafite. Em boca, repete o nariz e destaca-se pela mineralidade, frescor e taninos finos. O final é longo e mineral. Não tem exageros e mostra grande potencial de guarda. É um vinho que quero beber daqui a uns anos para sentir sua evolução. Realmente, um belo exemplar de Terrunyo. Aprovadíssimo!
O Joãozinho levou um vinho top da vinícola argentina Zuccardi. Era um Tito Zuccardi 2011, vinho que fica alí bem pertinho da faixa do ótimo Zeta. Sebastian Zuccardi relata que é feito em homenagem ao seu avô, Alberto Zuccardi, conhecido como "Tito". Este 2011 é feito com Malbec (70%), Cabernet Sauvignon (17%) e Ancellotta (13%), plantadas em La Consulta. A novidade é a inclusão de uma casta não tão tradicional no corte, que é a Ancellotta. O vinho estagia 12 meses em barricas novas de carvalho francês. Ao nariz mostra notas de ameixa, amoras e cerejas, em meio a um chocolate e leve pimenta. Em boca, repete o nariz, é intenso e mostra boa acidez e taninos sedosos. O final é frutado, com alcaçuz e leve apimentado. É um vinho bem redondo e com pedigree argentino. Pede uma boa carne! Gostei dele, embora prefira seu irmão Zeta. 
O JP levou um Numina Cabernet Franc 2013, que já comentei aqui. É um ótimo vinho, com nariz frutado, mineral e boca muito bem equilibrada. Foi considerado um dos melhores vinhos feitos com esta casta na Argentina, onde, aliás, a CF tem se dado muito bem. Deve ganhar com anos em adega. Eu já tenho minhas garrafas descansando para provar sua evolução nos anos que virão. Experimente!
E para finalizar, o vinho que levei embrulhado para a turma advinhar. Bem, se deram mal nas tentativas... Era um Mocali Rosso di Montalcino 2012. O vinho foi considerado um dos melhores Rossos da safra. Sua cor é clara, típica da Sangiovese que não foi "mexida". Os aromas são bem florais no início, mas mudam um pouco com o tempo. Mostra notas de cereja e framboesa (que surge depois de bom tempo aberto), cítricas, chá e terrosas. Em boca é nervosinho no começo, mas vai ficando mais macio com o tempo. A acidez é ótima e os taninos estão presentes, indicando que o vinho tem boa vida pela frente. É um vinho com clareza e frescor, no estilo mais tradicional. Gastronômico por natureza. Eu gostei bastante dele, principalmente pelo preço que paguei na Casa do Vinho, de BH. Eu sou daqueles que preferem um bom Rosso a um Brunello meia boca... Quero experimentar o Brunello da vinícola.
Isso aí, pessoal!





domingo, 6 de setembro de 2015

Quinta do Carmo 2011

Este Quinta do Carmo 2011 foi aberto por meu cunhado Bu, nesse final de semana em Jaú. Tem dois vinhos que ele gosta muito: Quinta da Bacalhoa e Quinta do Carmo. Bom gosto... E este Quinta do Carmo, da bela safra de 2011, estava muito bom. O vinho é feito com Aragonez, Trincadeira, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon, e passa um ano em barrica. Os aromas de cereja madura e ameixa se mesclam a alcaçuz, toques vegetais, azeitona preta e um tostado na medida. Em boca repete o nariz e mostra um calor alcoólico que para meu gosto, poderia ser mais discreto, mas que não compromete. É algo que talvez pudesse ser resolvido com decantação. Os taninos, apesar da juventude, são redondos, e o final é longo, frutado e com toques de alcaçuz. Muito bom vinho, com boa estrutura e que merece uns dois anos de adega para dar uma amaciada. Aliás, é um dos Quinta do Carmo com mais peso dos últimos anos. Tem estrutura para aguentar um bom tempo de guarda. Para acompanhá-lo, nada de pratos leves (tampouco bacalhau...): Faça uma boa carne. É daqueles que têm que entrar na cesta do Duty free nas voltas de viagens... Mesmo com o dólar nas alturas... rs.