Tempos atrás postei aqui no VB sobre um Pinot Noir americano, do Oregon, que gostei muito. O vinho era feito com uvas orgânicas e seguindo os preceitos da biodinâmica, pela vinícola Cooper Mountain (clique aqui). Dessa vez, apreciei um outro da mesma vinícola, também orgânico, mas abaixo na hierarquia. Confesso que estava temeroso quanto à integridade desse Cooper Hill Pinot Noir 2004. Não tinha muita certeza quanto à qualidade de seu armazenamento na loja que o adquiri e, além disso, tratava-se de um vinho mais simples que o Five Elements, e portanto, que não deve suportar tanta guarda. Inclusive, em seu contra-rótulo está escrito que era um vinho para ser apreciado logo. Bem, mas como diz meu Pai, quem tem medo não sai de casa. Comprei o danado por um belo preço e mandei ver nesse final de semana. E que ótima surpresa! Não sei se o fato de ter apreciado um PN chileno mais potente no dia anterior me influenciou, mas esse estava do jeito que eu gosto: Leve, pouco álcool (12,5%) e transbordando sous-bois. O vinho tinha cor mais clara e aromas de frutas silvestres em meio a sous-bois, e com o tempo, alcaçuz. Em boca, era leve, seco, com ótima acidez e um fundinho lembrando folhas secas, um pouco amargo que, ao contrário de incomodar, dava um charme especial. Um vinho muito agradável, nada enjoativo e que confirma mais uma vez a qualidade dos vinhos feitos no Oregon.
segunda-feira, 11 de março de 2013
domingo, 10 de março de 2013
Herú Pinot Noir 2009 e Terredora Aglianico 2008
Nessa última sexta-feira passamos na Mercearia 3M para rever os amigos e é claro, beber uns vinhões. Dois foram abertos. O primeiro deles, um que queria conhecer há algum tempo, o Herú Pinot Noir 2009, da Ventisquero. O vinho feito com PN de Casablanca e possui uma cor mais escura que os PN tradicionais. Passa 14 meses em barricas francesas (no 2008 35% de primeiro uso, 35% segundo e 30% terceiro - No Descorchados Patricio Tápia cita que na safra de 2009 as de primeiro uso foram diminuidas para 20%). Ao nariz, apresenta-se como um tipico Pinot chileno. Notas de morango, framboesa e cereja se mesclam a baunilha e um toque de chá. Em boca mostra bom corpo e boa acidez, com um fundinho herbáceo, até um pouco amargo, que equilibra sua doçura. É um vinho que se diferencia nesse aspecto. Ficou melhor bebido a temperaturas mais baixas. Acredito que deve melhorar muito em 2-3 anos. Agora, eu acho que não justifica o seu preço. Mas vamos dar-lhe tempo... A vinícola menciona que tem guarda de até 8 anos. Outra coisa: Um bom Pinot deve ser bebido em taças apropriadas, sem correria e, de preferência com uma comida adeguada (não petiscos, como fizemos). Assim, a nossa percepção sem dúvida pode ter sido prejudicada. A garrafa que tenho do 2010 vou guardar mais tempo e beberei como manda o figurino. A propósito, o nome Herú vem de uma lenda de um duende de gorro vermelho que protege as melhores uvas.
Do Herú, partimos para um italiano, do sul da bota, mais precisamente da Campania, o Terredora Aglianico 2008. A Aglianico, uva de origem grega, compete com a Nerello Mascalese pelo posto de uva mais importante do sul da itália. A vinícola Terredora tem ganhado destaque nos últimos anos, principalmente com a produção de ótimos brancos feitos com a Fiano de Avellino. Esse Aglianico é um vinho que apresenta sua nacionalidade na cor e aromas bem vivos. Notas de frutas silvestres se mesclavam a notas de verniz e especiarias, com destaque para a Sálvia. Em boca, mostra ótima acidez, vivacidade e taninos firmes. A Sálvia apareceu mais ainda e confesso que me incomodou um pouco. O vinho é um pouco rústico e certamente melhoraria com comida (italiana, claro). Mais uma vez: Do jeito que foi bebido, em uma tarde quente, com petiscos, não emplacou. E não é vinho para iniciantes, que podem estranhar.
Isso aí, pessoal!
sexta-feira, 8 de março de 2013
Ciao: Barolo Gaja Gromis 2000, Erasmo 2007 e Luca Malbec 2007!
Estou atrasado com mais essa postagem... Mas vamos lá... Mais uma noite de belos vinhos na Confraria do Ciao. A noite estava meio esvaziada, mas os que foram levaram ótimas garrafas.
O Tonzinho, disse que levaria um Quinta da Bacalhoa 2010, que eu queria experimentar. No entanto, após falar ao telefone com o JP, resolveu passar em sua casa e mudou de idéia, levando um grande Barolo Gaja Gromis 2000. Matou a pau! Dianteira certeira! Bem, sou suspeito, mas não teve jeito: Barolão no peito!
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| O Rei da Noite!!! Sem apelação! |
O produtor, não precisa palavras, Angelo Gaja é quem produz alguns dos melhores, e mais caros, Barolos no mundo. Aliás, é considerado o melhor produtor da Itália. Mas nesse aspecto, tenho minhas ressalvas. Esse Barolo Gromis é de um ano que rendeu grandes Barolos e estava soberbo. Era uma mistura de Barolo tortoniano com helveciano, aliando o equilíbro típico de Gaja com a potência. Maturou 12 meses em barricas francesas e mais 12 em grandes cascos de carvalho francês. Vinho encorpado, tânico (como deve ser), notas de fruta maduras, pétalas de rosas, funghi, alcaçuz e tabaco. O final era longo e muito prazeiroso. Uma beleza! Valeu Tonzinho!
O confrade Rodrigo nos brindou com um vinho que gosto muito, mas que ainda não havia provado dessa safra, o Erasmo 2007. O 2006 já apareceu algumas vezes aqui no blog (clique aqui). Esse 2007, como os anteriores, é um típico corte bordalês (Cabernet Sauvignon 70%, Merlot 20% e Cabernet Franc 10%). Também foi destaque no Descorchados 2012, com 95 pontos. Ao nariz, notas de groselha, cassis e especiadas de cravo e alcaçuz. Em boca, repete o nariz e mostra-se mais seco que o 2006, com um leve fundo herbáceo. Eu gostei dele, mas confesso que preferi o do ano anterior. Quero colocá-lo frente a frente com o 2006 para conferir. Os 95 pontos do Descorchados talvez sejam um pouco exagerado, mas é um vinho correto como sempre e para mim, difícil de ser batido em sua faixa de preço (estava a 72 pilas para sócios do Club Wine). Agradou a todos. Acredito que deve melhorar bastante com um tempo de adega.
E para finalizar, um vinho levado pelo JP e que é sempre sucesso na mídia falada, escrita e cochichada, o Luca Malbec 2007. Inclusive, foi top 100 da WS em 2008, com 93 pontos. O vinho de Laura Catena é muito bem feito. Sem arestas. Malbec típico, com notas de figo, mirtilo, alcaçuz, anis e café. Em boca, destaque para a sua sedosidade e taninos finíssimos. Mesmo eu já tendo dito que estou enjoado de Malbec puro, não dá para deixar de elogiar a qualidade desse, que é impecável.
Isso aí, pessoal! Mas uma bela noite na Confraria do Ciao!
quarta-feira, 6 de março de 2013
Briga de Brunellos di Montalcino irmãos: IL Poggione Riserva 2005 versus IL Poggione 2006!
Bem, a postagem trata de uma comparação entre dois Brunellos di Montalcino, que têm em comum apenas o produtor, a centenária Tenuta Il Poggione. No entanto, as semelhanças ficam por aí. O Brunello di Montalcino IL Poggione Riserva 2005 é feito com uvas de um vinhedo especial, o IL Paganelli, plantado em 1964 (essa data me lembra algo...rs). O vinho passa 4 anos em barricas francesas de 300-500 litros e vem de uma safra que ficou na sombra da belíssima safra de 2006 na Itália. Obviamente, é grande, untuoso, denso, mas mostrou algo que me incomodou um pouco: Excesso de tostado! Não gosto de nada exagerado, e isso me marcou. Ele mostra aromas de couro, café, tabaco, alcaçuz e... tostado! A fruta fica escondida em meio a tudo isso, e não sei se o tempo lhe abrirá as portas. Em boca, repete o nariz, mostra ótima acidez e taninos presentes (claro) mas já corretos. O final é longo, como esperado para um bom Brunello, mas estava lá o tostado. Será que demos azar com a garrafa? Não sei. Olha, mas isso não quer dizer que o vinho estava ruim... Longe disso! Eu só queria mais equilibrio, com a fruta subindo um degrauzinho...rs.
E seu irmão "menor"? Esse eu, de forma egoísta, mandei ver sozinho, em dois dias bem "bebidos". E o Brunello di Montalcino IL Poggione 2006 me encantou mais. Diferentemente do Riserva, ele passa um ano a menos nas barricas (3 anos). É um vinho aromático, mais fresco, com a Sangiovese manifestando tudo que tem de bom. Notas de cereja preta, couro, caixa de charuto, alcaçuz e de carne. Em boca, explosivo, vibrante, ainda tânico, mas perfeitamente apreciável. Obviamente, melhorará com tempo em adega. Tinha um tostadinho também, mas leve e bem integrado. O final, longo, longo... Uma delícia! Estava ótimo no primeiro dia, e redondinho no segundo. Para mim, ganhou o duelo com seu irmão maior. Na verdade, quem ganhou fui eu, pois sou fã incondicional desses vinhos, que considero verdadeiros cavalos de raça!
A propósito, os vinhos são importados pela Vinho Sul.
A propósito, os vinhos são importados pela Vinho Sul.
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| Essa cor seduz...rs. |
segunda-feira, 4 de março de 2013
Sol de Sol Chardonnay 2009: Que frescor!!!
Tempos atrás apreciei um Sol de Sol Chardonnay 2008, da Viña Aquitânia e, apesar de ter gostado bastante, confesso que esperava mais dele (clique aqui). Na época, o amigo Eugênio até ressaltou que considerava o Sol de Sol melhor que o Maycas del Limarí Quebrada Seca, ao qual eu manifestei preferência. No entanto, acredito que pode ter sido algo particular com aquela garrafa do 2008, pois esse Sol de Sol Chardonnay 2009, que levei há alguns dias para os confrades, estava excelente! Mordi a língua! Ele conseguiu me agradar mais que o Maycas. Destaque total para a sua ótima acidez e mineralidade. Esse conjunto aporta ao vinho um frescor impressionante. No site da vinícola citam que isso é devido à localização do vinhedo plantado em Traiguén, localizado 650 km ao sul de Santiago. Mencionam que as uvas, em sua fase de maturação, recebem calor apropriado e também se beneficiam do clima frio, o que faz com que o vinho conserve a acidez natural e mantenha excelente equilíbrio. A passagem por carvalho francês é breve, faz bem e não deixa marcas. Se você gosta daqueles Chardonnay pesadões, abacaxi puro, muito mel e manteiga, esqueça esse! Aqui o que se destaca é o frescor, a mineralidade. Tudo está muito bem integrado. Uma delícia de vinho, que é difícil ser batido na américa do sul. Bem, agora tem o Aristos Duquesa no mercado... Aquele, que na safra de 2008 arrebatou 20 pontos de 20 possíveis da revista Decanter, que o comparou a Grand Cru borgonhês (veja aqui). Só que se compra 3 Sol de Sol com o que se paga por ele...rs. Será que a diferença vale a pena? Daqui a uns tempos eu postarei a experiência aqui no blog.
Ps. Definitivamente, meus confrades (ainda) têm se mostrado despreparados para bons brancos. Precisam se enveredar mais por estes caminhos, antes que se arrependam...
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Kritt Les Charmes Pinot Blanc 2007 e Terrunyo Sauvignon Blanc 2011
Em tarde quente na nossa querida São Carlos, abri dois brancos para recepcionar o amigo Marcelo Vascaíno, que voltava de sua sofrida peregrinação pela europa e me trazia na mala 3 vinhozinhos meia-boca para este que vos escreve.
O primeiro vinho aberto foi o alsaciano Kritt Les Charmes Pinot Blanc 2007, do tradicional Domaine Mark Kreydenweiss. Kritt é um terroir muito rochoso e rico em ferro. O vinho, feito seguindo os preceitos da biodinâmica, tem cor amarelo ouro, densa e aromas de maçã, doce de casca de laranja da terra e amêndoas. Em boca é sedoso, cremoso e com final especiado. É muito gostoso e foi ficando melhor com o tempo. É vinho para paladares mais experientes. Iniciantes podem torcer o nariz. Eu apenas senti que já está começando a manifestar cansaço.
O segundo vinho ficava no lado oposto. Muito mais fresco e vivo. O Terrunyo Sauvignon Blanc 2011 é mais um que confirma a evolução dos vinhos feitos com essa casta no Chile. O vinho é feito com uvas do vinhedo Los Boldos, que fica na zona mais fria de Casablanca e a apenas 15 km do oceano pacífico. Mais especificamente, as uvas vem do Quartel #5, que é mais costeiro e com solos de argila vermelha e pobre em nutrientes. O vinho tem um estilo diferente do equilibradíssimo Casa Marin Cipreses e do mineralíssimo Laberinto. É um vinho com toques mais cítricos, grama cortada, lima da pérsia, capim-limão, mas sem deixar o lado mineral, com notas de giz. É muito fresco em boca. Um vinho muito bom e que deve vir na mala de quem vai ao Chile, pois lá, tem um ótimo preço. Apesar de muito bom, eu o coloco um pouquinho só abaixo dos outros dois supracitados (Cipreses e Laberinto).
Ah, querem saber quais foram as botellas que o Marceleto me trouxe de Amsterdã? Vai abaixo a foto...rs. Vale ou não a recepção?
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Vallontano Merlot Reserva 2007: Vinho com gosto de...
...vinho!!!
Confesso que estou em dívida com os tintos da vinícola brasileira Vallontano, a qual produz vinhos sob a batuta do competente e simpático enólogo Luis Henrique Zanini. Bem, seus espumantes, aprecio sempre, e são excelentes. O seu branco Era dos Ventos, em parceria com Álvaro Escher e Pedro Hermeto já apreciei várias garrafas e gosto muito. Mas os tintos, por incrível que pareça, ainda não havia lhes dado a atenção merecida. Mas o dia chegou. Na última compra que fiz na Mistral inclui algumas garrafas de seus tintos, e o primeiro a ser aberto foi esse Vallontano Merlot Reserva 2007. E como fiquei contente! Como citei, é vinho com gosto de vinho! Nada de excessos. O vinho é feito de forma pouco intervencionista, e a madeira é coadjuvante, não atriz principal. São 8 meses bem dosados. Sua cor é bem bonita, rubi bem escuro, com halo de evolução evidente. Ao nariz, muita alegria, frutas silvestres, sous bois e um fundinho de alcaçuz. Em boca, repetia o nariz e mostrava ótimo frescor, aportado pela acidez vibrante. Os taninos estavam presentes, mas já domados pelo tempo. Destaque para o frescor do vinho. Pode ser apreciado em temperaturas mais baixas (no contra-rótulo é recomendado entre 15-17 graus) e pede comida (foi ótimo parceiro para um tradicional Nhoque à Bolonhesa).
É do tipo que eu gosto! Sem dúvida repetirei. Eu comprei a preço promocional na Mistral, mas isso só melhorou a compra, pois seu preço cheio é muito justo. Se você é acostumado com Merlots chilenos carregados em madeira, compotados, sem frescor, experimente esse e depois me fale. Duvido que encontre algo com qualidade parecida na mesma faixa ou até mais caro.
Ótimo vinho!
Ótimo vinho!
Bebi a garrafa n. 545 de um total de 5.400 produzidas.
O ministério anti-bombas adverte: Pode fazer neófito torcer o nariz!
O ministério anti-bombas adverte: Pode fazer neófito torcer o nariz!
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Kilikanoon Covenant 2004: Mais um Shirazão de responsa!
Tempos atrás postei aqui sobre uma noite de Shiraz, dos grandes* (clique aqui), que incluia um Oracle, da vinícola australiana Kilikanoon. O vinho foi oferta do amigo Akira, que ofertou nada menos que duas garrafas do danado, em ocasiões distintas. Não contente, o Akira também ofertou duas botellas de seu irmão menor, o Kilikanoon Covenant 2004. A primeira oferta foi no aniversário do Carlão, e a segunda, mais recentemente. A família agradece...rs.
A vinícola considera o Covenant o segundo vinho do Oracle. E é um segundo vinho de responsa! Ele é feito com uvas de 5 diferentes vinhedos e a maturação é feita por 24 meses em carvalho francês (70%) e americano (30%), sendo que 30% é novo e o restante de vários usos. É engarrafado sem clarificação ou filtração. Aliás, já contava com um bom depósito lateral na garrafa. O vinho, assim como o Oracle, mas em menor proporção, é explosivo. Seus aromas incluem muita amora madura, azeitonas pretas, tostados, balsâmicos e pimenta. Uma diferença básica em relação ao seu irmão maior: É mais mineral! O que me agradou bastante. Em boca mostra untuosidade, mineralidade, taninos finos e um longo, longo final. Posso confessar uma coisa? Gostei mais dele que do Oracle. Com a vantagem de que custa 2/3 do preço.
Os vinhos da Kilikanoon são importados pela Decanter.
* Nota: Surpreendentemente, a postagem sobre os grandes Shiraz foi uma das menos acessadas no blog... vai entender...rs.
* Nota: Surpreendentemente, a postagem sobre os grandes Shiraz foi uma das menos acessadas no blog... vai entender...rs.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Colomé 180 Años 2010: Malbec de primeira, e nada óbvio!
Já mencionei aqui no blog várias vezes que conto nos dedos (de uma mão), os Malbecs que atualmente me agradam. Não aguento mais aqueles Malbecões doces, geleionas, para agradar gosto americano e de neófitos. Mas ainda dá para selecionar coisa boa. Eu gostei de um orgânico, sem sulfito, que experimentei tempos atrás (clique aqui). Também tenho dado preferência aos extremos argentinos: Sul (Patagônia) e Norte (Salta). Nesse sentido, me agradam aqueles da Bodega Noemía e da Colomé, respectivamente. Os da Colomé, apesar de alcoólicos (uma característica da região), fogem do padrão típico dos Malbecs de Mendoza, carregados na geléia, ameixa, baixa acidez, geralmente enjoativos. Esse Colomé 180 Años 2010 foi feito para celebrar, obviamente, os 180 anos da vinícola mais antiga da Argentina. Levei o danado no aniversário do amigo Carlão, que já estava lá com uma tropa formada por um Xisto 2005, Torre Muga 2005 e Don Maximiano 2005 (todos grandes vinhos, já comentados aqui no blog - Ótimos replays, claro...rs). Bem, mas vamos ao Colomé 180 Años... O vinho é biodinâmico, feito com uvas de vinhedos centenários, de altitude (mais de 2.500 m) e com estágio de 12 meses em barricas francesas (50% novas e 50% de vários usos). Ainda está novo, claro. Mas já apreciável. E como! Já na cor, difere dos Malbecs tradicionais. Lembra mais aquela cor de Malbec de Cahors. Eu sou meio ruim com esse negócio de cor, meus amigos sabem...rs (sou daltônico...). Mas é uma cor rubi escura, que depois, associei a seus aromas e paladar: Cranberry! Isso! Tem cor de Cranberry seca, e sabor de Cranberry seca. É um vinho denso, untuoso, com fruta madura, mas sem aquele exagero de geléia. Destaque para a Cranberry e cereja preta madura, que ficam em meio a notas de alcaçuz, grafite e leve floral. Em boca é potente, nervoso mas equilibrado, com ótima acidez e final muito longo. Os taninos são corretíssimos. Uma beleza de vinho. Nada enjoativo. Sempre pede outra taça. E a gente fica triste quando ele acaba. Se você, que já não aguenta os Malbecões, estava sem esperança, experimente um desses. Ficará feliz... Está muito acima da mesmice que reina no mercado... Deve evoluir muito bem em adega. Quero beber um desses daqui a algum tempo.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Laberinto Sauvignon Blanc 2011: Mineral prá valer!
Tempos atrás postei aqui no blog sobre o
Laberinto Cabernet/Merlot 2007, da vinícola Ribera del Lago. A vinícola é um
projeto pessoal do conhecido enólogo Rafael Tirado, e fica ao lado do lago
articial Colbún. O Sauvignon Blanc do produtor eu havia tomado apenas umas tacinhas
em uma degustação, o suficiente apenas para saber que se tratava de um ótimo
vinho e colocá-lo lado a lado com aquele que considero o melhor Sauvignon Blanc
chileno, o Casa Marin Cipreses. Mas agora, pude apreciar uma garrafa inteira
(ou quase, pois a patroa bebeu umas tacinhas...rs) e tirar uma posição mais definitiva sobre ele. E esse Laberinto Sauvignon Blanc Cenizas de Barlovento 2011 estava uma beleza. Seu nome vem do solo com cinzas vulcânicas onde o vinhedo é plantado. Sua cor é palha bem clarinha, levemente esverdeado, mas esconde um vinho nervoso. Ao nariz é intenso e mostra notas cítricas, de aspargo e minerais. Destaque absoluta para essas últimas. Como cita Patrício Tápia, no Descorchados 2012 (que lhe outorgou 94 pontos) o vinho parece ser feito de pedras. Em boca, repete o nariz e mostra uma acidez vibrante, que lava a língua e dá um frescor impressionante ao vinho. A mineralidade está lá, no final longo. Sente-se também a típica grama cortada, mas ela fica na sombra total do lado mineral. Um ótimo vinho, que deve ficar ainda melhor daqui a um ou dois anos. Quero experimentá-lo com ostras...rs. Ficou ótimo com queijo de cabra.
Aos meus leitores: Se ainda não beberam, não deixem de experimentar esse vinho. Eu comprei no Empório Mercantil.
Aos meus leitores: Se ainda não beberam, não deixem de experimentar esse vinho. Eu comprei no Empório Mercantil.
Comentário final: Eu adorei o vinho, mas confesso que o Casa Marin Cipreses tem um toque floral e frugal que, somados à sua mineralidade, fazem com que ele me agrade um pouquinho mais. Mas a briga é boa!
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Ciao: Luigi Bosca Finca los Nobles Cabernet-Bouchet 1995, Casal de Loivos 2008, Chacai 2009, Focus Merlot 2006 e Barbaresco Batasiolo 2008
O título da postagem leva a palavra "Ciao" porque indica vinhos bebidos nas reuniões de quintas-feiras da nossa Confraria do Ciao. E nessa última quinta-feira apreciamos mais uma vez belos vinhos.
O primeiro deles, levado pelo amigo Paolão, e que consideramos o vinho mais classudo da noite, foi o Luigi Bosca Finca Los Nobles Cabernet-Bouchet 1995. É a segunda vez que o Paolão leva uma garrafa dessas para apreciarmos, o que fizemos com muito prazer, claro. Não gastarei muito com sua descrição, que pode ser vista aqui. Só esclarecendo: As uvas são de videiras de mais de noventa anos, de altitude, cultivadas juntas (Field Blend) e a Bouchet não é a nossa conhecida Alicante Bouschet. É um vinhaço em sua maioridade! Dezoito anos e inteiraço! Valeu Paolão! Comentário final: Raridade.
O primeiro deles, levado pelo amigo Paolão, e que consideramos o vinho mais classudo da noite, foi o Luigi Bosca Finca Los Nobles Cabernet-Bouchet 1995. É a segunda vez que o Paolão leva uma garrafa dessas para apreciarmos, o que fizemos com muito prazer, claro. Não gastarei muito com sua descrição, que pode ser vista aqui. Só esclarecendo: As uvas são de videiras de mais de noventa anos, de altitude, cultivadas juntas (Field Blend) e a Bouchet não é a nossa conhecida Alicante Bouschet. É um vinhaço em sua maioridade! Dezoito anos e inteiraço! Valeu Paolão! Comentário final: Raridade.
O Caião levou um que eu estava querendo conhecer, de seu "primo" Cristiano Van Zeller, o Casa de Casal de Loivos 2008. O vinho é feito com um blend de mais de 20 castas, mas com predominância de Tinta Roriz e Touriga Franca. Aqui, destaque para o lado especiado, picante e ótima acidez. O vinho não mostra dulçor e a fruta é mesclada a notas de especiarias, minerais, azeitona preta e chocolate meio-amargo. Os taninos são presentes, do jeito que eu gosto, e indicam um vinho com longa vida pela frente. Um ótimo vinho, que causou certa estranheza a alguns confrades, talvez por ter um estilo próprio e diferente de muitos durienses. Eu gostei bastante. Comentário final: Acho caro o seu preço normal. No preço promocional cobrado tempos atrás, foi uma bagatela.
Seguindo na foto, eu levei um Chacai 2009, chileno produzido por William Févre. O vinho é feito majoritariamente com Cabernet Sauvignon, mas com uma pitada (10%) de Cabernet Franc. Esse vinho foi muito elogiado no Descorchados 2012, que lhe tascou 93 pontos. Recentemente, também ficou bem na fita em uma degustação às cegas frente a grandes Cabernets chilenos e americanos (clique aqui). Chegou às minhas mãos por gentileza do amigo Vitor. Bem, mais um vinho diferente. Ao nariz, logo ao ser aberto, mostrava-se floral e com notas de cassis e especiadas. Não tem exagero de eucalipto ou menta. Com o tempo, as notas de especiarias foram ganhando destaque total, principalmente em boca. O JP até suspeitou ter uma pitada de Carménère. A mim, lembrava um Neyen de Apalta ou os vinhos da Quebrada de Macul. Notas de curry, apimentadas e sálvia brilhavam em meio a um fundo terroso. Acidez correta e taninos redondos. Eu gostei muito do vinho. Foge ao padrão tradicional e pode decepcionar quem espera um chilenão típico. Perfeitamente apreciável agora, mas vou guardar minha outra garrafa uns tempos para ver sua evolução. Comentário final: Vale o preço cobrado e no preço que consegui, foi pechincha total!
O JP levou um ótimo Zuc di Volpe Focus Merlot 2006. O vinho é produzido pela vinícola Volpe Pasini, localizada em Friuli, norte da Itália. Acho que o JP o adquiriu no último bota-fora da World Wine. Fazendo um trocadilho, é um um vinho bem focado, com notas de framboesa, alcaçuz, café e leve mentolado. Em boca mostra muito equilibrio e taninos bem sedosos. Lembrava muito Merlot de Bordeaux. Muito bom! Comentário final: Assim como o Loivos, seu preço é salgado.
E para finalizar, o Tonzinho chegou com um Barbaresco Batasiolo 2008. O vinho mostrava-se muito tânico. Tinha obviamente as notas florais típicas, de frutas vermelhas e um fundinho especiado. Mas os taninos pegavam. Aqui, dois problemas: A idade e a abertura e apreciação logo em seguida. Não dá para fazer isso com Barbaresco e Barolo. Comentário final: Eu achei um pouco ralinho.
Isso aí, pessoal!
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Brioso 2002, de Susana Balbo
Mais um bom vinho argentino da grande safra de 2002, feito com Cabernet Sauvignon (47%), Malbec (38%), Petit Verdot (10%) e Cabernet Franc (5%). Atualmente, tenho dado preferência aos vinhos argentinos feitos com outras uvas, além da batida Malbec, e para os cortes nos quais ela figura como coadjuvante. Esse Brioso é uma boa pedida. Não consegui saber quanto tempo passou em barricas, e de qual tipo. Os atuais passam 14 meses em barricas francesas novas. Foi engarrafado sem filtração. Ao nariz, mostra notas de licor de cassis, cereja, alcatrão, tostadas e couro. Em boca repete o nariz e mostra-se bem redondo, licoroso, com taninos já perfeitamente domados pelo tempo e boa acidez. O final é longo e com notas terrosas e de carne. Tudo muito correto no vinho, que já está no seu ápice e acredito que agora vai começar a descer a ladeira. Bebi um mais jovem recentemente (que logo postarei) e o estilo se manteve, embora esse 2002 traga a concentração típica da safra. Pelo que vi de seu preço recente, é uma compra muito boa.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Altazor de Undurraga 2005: Mucho gusto, soy chileno!
Estava já há algum tempo para abrir esse Altazor 2005, vinho top da vinícola chilena Undurraga. O nome do vinho é uma homenagem ao poema Altazor, do poeta chileno Vicente Huidobro. Esse, da grande safra de 2005, foi o último feito apenas com Cabernet Sauvignon. Aliás, tem uma pitadinha de Carménère, que aparece nas primeiras cafungadas. Depois desse ano, o vinho passou para a batuta de Álvaro Espinosa, que mudou bastante sua composição, aumentando a participação da Carménère e incluindo pitadas de Syrah, Carignan e Petit Verdot. A sua imponência começa pela garrafa, que infelizmente foi mudada a partir de 2005. É uma bela garrafa com ombros largos, parecida com aquela do seu conterrâneo Clos Apalta, e com um rótulo dourado muito bonito. Mas o melhor veio após o descorche. Quando o verti na taça mostrou-se muito aromático, com notas de cassis, cedro, leve eucalipto, especiarias e um fundinho terroso (mais evidente com tempo em taça). O vinho mostrava-se nervoso no início, mas com o tempo foi se equilibrando. Em boca, era intenso, com ótima acidez e taninos maduros e firmes. O final era longo e levemente terroso. Vinho com pegada, nervoso, quente, mas sem excesso de extração. Uma beleza! Chileno de corpo e alma e que justifica o título da postagem. Uma pena que comprei apenas uma garrafa dele. Queria muito apreciá-lo daqui a uns 2-3 anos, pois seu potencial de guarda é muito bom. Nem parecia um chileno de 8 anos, pois estava muito vivo. O JP o comparou a um Dom Maximiano. Eu concordo que não perde nem um pouquinho. A mim, lembrou-me bastante o estilo do Peñalolen Tez. Bem, ambos são cachorros grandes...rs. Agora estou curioso para saber como ficou após a mudança implementada por Álvaro Espinosa. Mas em se tratando desse grande enólogo, a qualidade deve ter sido no mínimo mantida. A propósito, os Undurraga são importados pela Abflug e podem ser encontrados também na Buywine.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Carménère Brasileiro? Aurora Pequenas Partilhas Carménère 2009: Boa surpresa!
Tempos atrás o amigo Rodrigo, do excelente Vinhos e Viagens, disse que postaría sobre uma degustação de Carménères, que incluia um exemplar brasileiro. Fiquei curioso, porque não havia, até aquele momento, ouvido falar de vinhos feitos com essa casta no Brasil. O Rodrigo ainda não publicou o resultado da degustação, mas na semana passada, de passagem por um supermercado de Ribeirão Preto, vi o danado do Carménère na gôndola: Aurora Pequenas Partilhas Carménère 2009. Não tive dúvidas: Esqueci um pouquinho o negócio das salvaguardas e por pouco mais de 30 pilas levei o danado para casa. E nesse final de semana o apreciei. Que boa surpresa! O vinho, que tem cor rubi clara bonita, mostra aromas típicos da casta: Notas de pimentão, frutas vermelhas e um fundo herbáceo e especiado. Em boca, repete o nariz e é vivo, alegre, com boa acidez. O vinho pede comida (tem gente que fica bravo quando se utiliza o termo "gastronômico"...rsrs). Não tem excesso de extração, comum em muitos Carménères chilenos. Vi alguns comentários na rede que ressaltavam um certo dulçor final, mas não notei. Aliás, achei o vinho mais seco que a maioria dos seus primos (bem mais famosos) chilenos. Parece que ele passa por madeira, mas apenas 6 meses. Ela não deixa marcas.
Peraí! Não vai pensando que é um "hiper super premium Gran Reserva Especial". É um vinho gostoso, de bom preço e boa opção para o dia-a-dia. Vale a pena experimentar.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Pinot Noir L'Île de Beauté François Labet 2011: O que achei do Vinho do Ano da Prazeres da Mesa
Recebi a notícia de que um Pinot Noir de menos de 60 pilas havia sido eleito o vinho do ano pela revista Prazeres da Mesa. Bem, Pinot Noir bom e barato? Difícil, hein? Adquiri umas garrafas e levei a primeira delas em uma reunião da Confraria do Ciao. Foi uma prova de fogo para o vinho, pois a turma não é fácil. Para complicar, na mesma noite a turma levou vinhos de peso (para variar...), que incluiam um belo italiano, um corte argentino e um Shirazão português de responsa (será tema de outra postagem). Bem, mas o vinho passou pela prova de fogo. A primeira delas: O Fernandinho gostou! Primeiro ponto positivo, pois o Fernandinho não gosta de Pinot Noir (dá para acreditar?).
Bem, mas vamos a ele. O Pinot Noir L'Île de Beuté François Labet 2011 é vinificado na Borgonha, pelo tradicional Domaine Pierre Labet, mas com uvas oriundas de um vinhedo de solo granítico na Ilha de Córsega. A maceração pré-fermentativa é feita com os cachos inteiros e a fermentação parece ser realizada com as leveduras presentes na própria uva. Depois de duas semanas o vinho é trasfegado para barricas de madeira (segundo o site da Decanter, de segundo uso, por 12 meses) e engarrafado sem filtração. O vinho, de ótimos 12% de álcool, é fresco, vivo, aromático, fácil de beber. Ao nariz mostra frutas silvestres e especiarias. Em boca é leve, festivo, com ótima acidez e mineralidade. Vinho alegre e, como citado no próprio catálogo da Decanter (sua importadora), fica acima de boa parte dos borgonhas genéricos encontrados por aí. Eu gostei. Se tem cacife para para ser o vinho do ano, já não sei e isso não me importa muito. Provavelmente o fator preço foi levado em consideração. É claro que não se pode apreciar um Pinot Noir francês de 57 pilas pensando que vai arrebentar. Não é essa a proposta. Não espere algo próximo de um borgonhão, e sim, um vinho bem feito e de bom preço. Pegue o seu, experimente e depois me diga o que achou. Eu o adquiri no Empório Basílico, da vizinha Araraquara (alí, na belíssima rua 5).
Bem, mas vamos a ele. O Pinot Noir L'Île de Beuté François Labet 2011 é vinificado na Borgonha, pelo tradicional Domaine Pierre Labet, mas com uvas oriundas de um vinhedo de solo granítico na Ilha de Córsega. A maceração pré-fermentativa é feita com os cachos inteiros e a fermentação parece ser realizada com as leveduras presentes na própria uva. Depois de duas semanas o vinho é trasfegado para barricas de madeira (segundo o site da Decanter, de segundo uso, por 12 meses) e engarrafado sem filtração. O vinho, de ótimos 12% de álcool, é fresco, vivo, aromático, fácil de beber. Ao nariz mostra frutas silvestres e especiarias. Em boca é leve, festivo, com ótima acidez e mineralidade. Vinho alegre e, como citado no próprio catálogo da Decanter (sua importadora), fica acima de boa parte dos borgonhas genéricos encontrados por aí. Eu gostei. Se tem cacife para para ser o vinho do ano, já não sei e isso não me importa muito. Provavelmente o fator preço foi levado em consideração. É claro que não se pode apreciar um Pinot Noir francês de 57 pilas pensando que vai arrebentar. Não é essa a proposta. Não espere algo próximo de um borgonhão, e sim, um vinho bem feito e de bom preço. Pegue o seu, experimente e depois me diga o que achou. Eu o adquiri no Empório Basílico, da vizinha Araraquara (alí, na belíssima rua 5).
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