terça-feira, 15 de novembro de 2011

TOP 100 WINE SPECTATOR 2011: CONHEÇA DO QUINTO AO SEGUNDO! FALTA SÓ O NUMBER ONE!

Acabou de sair mais 4 vinhos dos TOP 10 da WS em 2011. Agora só falta o número 1! E a lista final dos TOP 100.
Vejam abaixo os agraciados. Aparecem dois americanos, e um Vouvray do Loire (que legal!). Veja também o Brunellão 2006, de Campogiovanni, que eu suspeitava estar bem na fita. Merecido! Brunello é Brunello!!! Tomara que você já possua algum destes grandes vinhos em sua adega...


5 - Dehlinger Pinot Noir Russian River Valley 2008 95 pts

4 - Campogiovanni Brunello di Montalcino 2006 96 pts

3 - Domaine Huët Vouvray Moelleux Clos du Bourg Première Trie 2009 96 pts

2 - Hall Cabernet Sauvignon Napa Valley Kathryn Hall 2008 96 pts


Amanhã sai o número 1. Vamos aguardar!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

REVELADOS OS PRIMEIROS VINHOS DOS TOP 100 DA WINE SPECTATOR!!! COMEÇOU A REGRESSIVA!

Quentinho para os amigos! Acabou de sair os vinhos que ficaram de décimo a sexto lugar na lista dos TOP 100 2011 da Wine Spectator. E como eu previa, e desejava, o Rhone está bem representado! E o português Vallado, como também sugeri em minha postagem anterior, está representado com justiça pelo Touriga Nacional 2008 (que guardo bonitinho em minha adega...). Bem, até o momento, para meu deleite, o velho mundo está na frente, pois só apareceu um americano (6th).

Bem, vai abaixo a relação:
          
10 - Château de St.-Cosme Gigondas Valbelle 09 - 94 pts


 9 - Alain Graillot - Crozes-Hermitage La Guiraude 09 - 94 pts


 8 - Domenico Clerico Barolo Ciabot Mentin Ginestra 06 -96 pts


 7 - Quinta do Vallado Touriga Nacional Douro 08 - 95 pts


 6 - Baer Ursa Columbia Valley 08 - 95 pts


Amanhã divulgo de 5-2 e na quarta, o Number One!

domingo, 13 de novembro de 2011

E vem aí a lista dos TOP 100 da Wine Spectator

Será o grande Noemía
finalmente reconhecido?
Nos próximos dias a Wine Spectator começará a divulgar, aos poucos, os TOP 10 de 2011. Tempos depois, divulgará a lista completa. Todo ano gosto de brincar e arriscar uns palpites para os TOP 100. Infelizmente, este ano estou com pouco tempo e não poderei dar meus chutes com mais vontade, e ficarei mais na expectativa. No entanto, devo supor a presença forte dos vinhos americanos, que aumenta a cada ano. Dois deles acho que estarão presentes: O Carlisle Syrah Sonoma County 2009 e o Robert Mondavi Cabernet Sauvignon Oakville 2008. Da França, acho que a lista conterá exemplares de Chateauneufs do ano de 2009, que estão fazendo sucesso. Aliás, acho que o Rhone todo estará bem repreesentado (ou pelo menos, deveria...).
Da Espanha, acho que o belo, e de bom preço, Pétalos de Bierzo 2009 estará presente.
De Portugal, arriscarei o bom e bem barato Duorum Tons 2009, por que Meão, Vallado e companhia são sempre concorrentes fortes.
Da Itália, os Brunellos 2006 devem vir em peso, e aí fica dificil arriscar um nome entre tantos bons. A briga deverá ser feia entre Campogiovanni, La Serena, Casanova di Neri etc. No entanto, eu ficaria muito feliz se o grande Biondi-Santi tivesse seu reconhecimento. Mas acho dificil, pelo preço mais alto. Entre os vinhos mais baratos, pode ser que o Argiano Non Confunditor 2009 apareça.
A Austrália sempre tem seus vinhos na lista. Eu ficaria feliz, no entanto, que a Africa do Sul tivesse alguns representantes, como o Paul Sauer 2008.
Acho que este ano a Argentina estará mais representada que o Chile. Bem, a familia Catena sempre tem seu lugarzinho garantido, mas este ano acredito que a Bodega Noemía vai ser aclamada. O ótimo J.Alberto talvez esteja presente, mas o grande Noemía, top da vinícola, pode ser grande destaque. E eu torcerei para isso!
Bem, vamos ver no que dá...

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A Confraria do Ciao não brinca: Cos d'Estournel, Castillo Ygay, Chateau d'Armailhac, Ormes de Pez e Braccale

Ontem tivemos mais uma daquelas belas reuniões da Confraria do Ciao, regada, obviamente a belos vinhos. Bem, eu nem precisaria comentar sobre os vinhos do título, mas o farei, brevemente. Primeiramente, devo citar a belíssima coincidência ocorrida entre o amigo Rodrigo e eu. Na comemoração de um ano do blog Vinhobão o Rodrigo levou um belíssimo Cos d'Estournel 2002 e eu, um Castillo Ygay Gran Reserva Especial 2001 (clique aqui para ler a postagem). Ontem, eu decidi levar um Cos d'Estournel 2004 e para minha surpresa, chega o amigo Rodrigo com uma belíssima botella de um Castillo Ygay Gran Reserva Especial 2004. Que maravilha de coincidência! Estes dois vinhos dispensam apresentações. No entanto, comparando com aqueles apreciados anteriormente, mostraram diferenças marcantes. O Ygay 2004 está obviamente mais vivão que o 2001 e mostra mais tostado e potência. Da mesma forma, o Cos d'Estournel 2004 também se mostrou mais potente e tostado que o 2002, que estava mais pronto. O Ygay 2004 já está pronto para beber, mas sem dúvida aguentaria bons anos pela frente. Um vinhaço! Não é à toa que é considerado um dos melhores de Rioja. Valeu Rodrigão! O Cos ainda tem muitos e muitos anos pela frente, mas já está explosivo agora. Os confrades ficaram comparando os dois vinhos, a meu ver, incomparáveis. A única coisa que se pode dizer é que são grandes vinhos. O Ygay, como um grande vinho espanhol, agrada sempre e não tem erro. É aposta certa de prazer. O Cos já é mais temperamental e complexo, e exige compreensão, mesmo por que, este ainda é um bebê. A outra garrafa que tenho ficará guardada por bons anos e deverá ficar soberba. 
O amigo Paulão levou um grande vinho, o Chateau d'Armailhac 2006. Outro bebê! O Chateau d'Armailhac é de propriedade de Mouton-Rothschild e é um Gran Cru Classé (5ème) de Pauillac. É um blend de 64% Cabernet Sauvignon e o restante de Merlot e Cabernet Franc. É um vinho de médio corpo, com notas deliciosas de framboesa e groselha mescladas a notas de cânfora e café. Tudo muito sutil, nada de exageros. Um vinho mais pronto para beber que o Cos e obviamente, de estilo muito distinto, sendo menos potente. Uma delícia! Agradabilissimo! Não precisaria dizer, mas qualquer um destes anteriores carecem bom tempo em decanter.
O JP levou um Chateau Les Ormes de Pez 1994. O vinho é um Cru Burgeois de Saint-Estèphe, sendo considerado um dos melhores na faixa. Já comentei sobre um 2004 aqui no blog. Este 1994 já estava em seu ápice. Mostrava ao nariz, além da fruta,  notas marcantes de couro e estrebaria. Um bom e agradável vinho, mostrando que bordeaux mais "velhinho" agrada mesmo.
O Tonzinho levou um vinho que para mim foi uma grande surpresa. Era um Braccale 2008, de Jácopo Biondi-Santi. O vinho é produzido em Maremma e é um corte de 80% Sangiovese e 20% Merlot. Uma delícia ao nariz, com notas suaves de cereja, chá e funghi secchi. Em boca, muito redondo e com excelente acidez. Os taninos, obviamente, ainda estão presentes e em alguns anos devem melhorar bastante. Mas o vinho estava perfeito com a comida. Um belíssimo custo benefício! O vinho é importado pela Mistral. É compra certa. Recomendo mesmo!
Precisa dizer que a noite estava mais uma vez maravilhosa?

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A-Crux Blend 2002 - Mais uma beleza de vinho de Fournier!

Nessa última semana a reunião da confraria estava esvaziada. Apenas estavam presentes o Fernandinho, João Paulo e este que vos escreve. Bem, mas nos divertimos muito, como sempre. E os colegas confrades haverão de admitir que o centro da diversão foi um vinho levado por mim, o argentino A-Crux blend 2002, da vinícola O.Fournier. Eu, particularmente, adoro os vinhos desta vinícola, sejam eles produzidos na Espanha, Chile ou Argentina. Já comentei aqui sobre o A-Crux Malbec, que considero um dos melhores feitos com esta cepa na Argentina.
Este A-Crux 2002 eu trouxe da Argentina, mais precisamente da Vinoteca Don Jorge, de Puerto Iguazu, onde se pode encontrar belos vinhos argentinos, inclusive uma linha de vinhos de belos anos, como aqueles de 2002. O vinho é um corte de 60% Tempranillo, 35% Malbec e 5% Merlot, que estagia em carvalho francês e americano. Ao nariz, já mostrava a presença da Tempranillo, com notas de cereja e leve tabaco, e da Malbec, com notas de figo e ameixa. A Merlot lhe aportava um toquezinho especiado. Tudo isso,  integrado à madeira levemente doce. Em boca, repetia o nariz e possuía taninos sedosos, redondos. O vinho tinha ótima acidez e também mineralidade. Apesar de ser um 2002, mostrava grande jovialidade! Ainda aguentaria tranquilamente alguns anos na adega, mas não lhe demos esta chance, felizmente! O vinho agradou a todos, mas vi no JP a empolgação de quem aprovou com distinção. É realmente um grande vinho. Um Argentino com alma espanhola. Este sim justifica o fato de ter levado 93 pontos da WS e ficado entre os top 100 de 2006, sendo eleito também o melhor vinho do novo mundo pela revista inglesa Decanter.
A propósito, os vinhos O.Fournier são importados pela Vinci.
Bem, os vinhos oferecidos pelo Fernandinho e JP não vou citar, pois não agradaram. Vou deixar aqui apenas a bela impressão do A-Crux...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Georges Vernay Saint-Joseph 2007 - Raça e longo final!

Nesta última semana o JP me ofertou uma garrafa de um belo Syrah do norte do Rhone, produzido pelo Domaine Georges Vernay. O vinho era um Georges Vernay Saint-Joseph 2007. A extensa denominação de Saint-Joseph se localiza a oeste do rio Rhone, em sua porção norte, e se estende de Cornas a Condrieu. As vezes é dificil distinguir os vinhos desta denominação daqueles do Rhone-Sul, no entanto, principalmente aqueles mais ao norte, costumam ser distintos. Este Georges Vernay Saint-Joseph 2007 é produzido a partir de uvas plantadas em apenas 1,5 hectares da porção ao norte da apelação. É um 100% Syrah que mostrava ao nariz notas potentes de amora silvestre madura, bastante densas, mescladas a notas minerais fortes e aromas de violetas. Em boca era potente, raçudo, com longo final. Os taninos ainda devem arredondar com o tempo, mas o vinho já pode ser apreciado agora sem problemas. Ótimo para acompanhar carne assada. Eu gostei muito, pois gosto bastante dos Syrah minerais. Este estava perfeito! Valeu JP!

domingo, 6 de novembro de 2011

Acinipo 2003 - Un beso delicado hecho en vino!

O título da postagem é poético, mas não é meu. Eu emprestei a frase da gentil Alba Aponte, da loja Al Sur de Granada, Espanha, que definiu desta maneira o vinho Acinipo, de Federico Schatz. E devo adiantar que ela tem toda a razão. 
Federico Schatz é descendente de uma família alemã envolvida com a produção de vinhos desde o século dezessete. O vinhateiro produz em Ronda, Málaga, vinhos ecológicos/biodinâmicos em sua propriedade de apenas 3 hectares, a qual foi a primeira a ter o certificado de produção orgânica. 
O vinho Acinipo tem este nome devido à cidade ancestral de Acinipo, que fica alí perto, criada pelos legionários romanos há mais de 2 mil anos. Alguns monumentos que restaram da cidade ainda são atrações turísticas na região. Aliás, Acinipo significa "terra do vinho". O vinho Acinipo é produzido por Federico Schatz utilizando a uva Lemberger, que como outras, tem sua origem discutida, mas acredita-se que seja Austríaca. Hoje, a uva é plantada na Áustria, Alemanha, estado de Washington (EUA) e obviamente, nos 3 hectares de F. Schatz, onde divide espaço com a Pinot Noir, Petit Verdot, Chardonnay e Muskattrolinger. A uva Lembeger pode produzir vinhos concentrados e potentes, e também mais leves e refinados, que é o caso deste Acinipo 2003. O vinho envelheceu 16 meses "sur lie" em barricas novas de carvalho francês e eslavonio. Possui uma cor belíssima, rubi claro e um nariz com notas de groselha e cereja. Em boca, demorou a abrir um pouco e no começo se mostrava seco e levemente herbáceo. No entanto, após aeração (necessário para este tipo de vinho) ele se abriu e mostrou notas elegantes de frutas, café e leve cacau, tudo na medida certa e bem integrado com a madeira. O vinho tinha uma acidez vibrante e taninos secos, mas muito finos. O final, era longo e prazeroso. Uma delícia! Excelente! Foi unanimidade! Uma belíssima surpresa e apropriada para quem está a fim de sair das mesmices. Depois de bebê-lo entendi a definição da Alba, e agradeço muito sua recomendação. Aliás, estes dias vi que a Casa do Porto  comercializa este e outros vinhos de F. Schatz, o que foi uma grata surpresa. Pode comprar sem medo de ser feliz!!! Para minha felicidade, esta, e outras garrafas de vinhos espanhóis "fora do circuito", me foram trazidas pelo amigo Marcelo "Vascaíno", direto de Granada. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Os vinhos naturais espanhóis: Vinhos vivos e sem maquiagem!


Visitando o Restaurante Ruta del Azafran, em Granada, pude apreciar pela primeira vez os vinhos naturais espanhóis. Na ocasião, apreciei os vinhos da Bodega Barranco Oscuro, que muito me encantaram. O Rubaiyat, feito com a Syrah, é uma explosão de aromas, grande presença em boca e excelente mineralidade (veja aqui a postagem sobre o vinho). 
Recentemente entrei em contato com uma loja em Granada que vende os vinhos da Barranco Oscuro e também de outras bodegas que produzem vinhos naturais. E assim, pude ir conhecendo um pouco mais destes vinhos e do caminho que alguns produtores espanhóis estão seguindo.

Mas o que é um vinho natural?

A Associação de Produtores de Vinhos Naturais da Espanha define, em sua página, como sendo aqueles vinhos feitos com uva natural, sem adicionar ou tirar nada desta uva. O resultado é um fiel reflexo da terra de onde nasce o vinho.


A Associação prega alguns princípios para seus associados, os quais estão presentes em sua página e que adaptei e coloco a seguir:


1. Cultivo com respeito ao meio ambiente


Pratica-se agricultura ecológica ou biodinâmica, ou simplesmente são seguidos métodos ancestrais, com a utilização de produtos naturais e respeito aos ciclos naturais. Os tratamentos utilizando enxofre ou sulfato de cobre são permitidos, mas devem se limitar ao imprescindível. Geralmente são tratamentos feitos no início da produção, não no final. NÃO SE USAM PRODUTOS QUÍMICOS, HERBICIDAS, PRAGUICIDAS, FUNGICIDAS SISTÊMICOS NEM ORGANISMOS MANIPULADOS GENETICAMENTE.



2. Compromisso com o ambiente natural

Além de usar uma agricultura respeitosa, deve-se manter um comportamento coerente na hora de canalizar recursos como a energia, o trabalho e a água. Os vinhos devem ser engarrafados em garrafas de vidro e devem ser utilizadas rolhas naturais. Deve-se praticar uma agricultura sustentável, gerando um mínimo de resíduos e, aqueles gerados, devem ser manejados de maneira adequada.

3. O vinicultor é o autor

O autor do vinho controla o vinhedo, é responsável pelos trabalhos realizados e toma as decisões. É indicado que os vinhedos sejam na propriedade e não se pode comprar uvas de vinhedos não controlados. O produtor deve trabalhar diretamente na produção e dedicar parte importante de seu tempo ao trabalho no vinhedo.

4. Autenticidade e singularidade

A uva deve refletir as condições da terra e colheita. Não devem existir elementos que distorçam a expressão da terra e da uva no vinho. É preferível o trabalho manual e artesanal. Se utilizada, a maquinaria não deve alterar as condições naturais da uva, do mosto ou do vinho. NÃO SE FILTRA NEM CLARIFICA O VINHO, PARA CONSERVAR SUAS CARACTERÍTICAS. NÃO SE UTILIZA LEVEDURAS COMERCIAIS nem qualquer outro produto para acelerar ou conduzir a fermentação alcoólica. Não se utilizam bactérias maloláticas para acelerar ou conduzir a fermentação malolática. Não se corrige a acidez (com ácido tartárico, cítrico ou qualquer outra substância) e tampouco se deacidifica. Não se adiciona açúcar (chaptalização) nem álcool. Não se adiciona ácido ascórbico, sórbico ou sorbato de potássio,, antibióticos ou aromas. Não são utilizados pedaços de madeira para aromatizar. Não se utiliza osmose reversa, concentração, criomaceração ou qualquer outra técnica que suponha a desagregação artificial dos componentes do mosto e do vinho. Não se filtra para não se eliminar componentes naturais e benéficos para a evolução natural do vinho.

5. Não se utiliza dióxido de enxofre (SO2)

O SO2 é prejudicial à saúde de quem com ele trabalha, causando irritação e outros males. Para o consumidor, acredita-se ser o causador da famosa dor de cabeça e ressaca pós consumo. Além disso, pode causar problemas para pessoas alérgicas. NÃO SE UTILIZA EM NENHUM MOMENTO. O vinho não deve ter SO2 adicionado. O SO2 total detectado por análises deve corresponder ao que foi gerado pelo próprio vinho no processo de vinificação.

6. Se diz o que se faz e se faz o que se diz

A honestidade e transparência são os valores principais dos produtores dos vinhos naturais. Todo o processo produtivo é informado. As análises químicas dos vinhos deverão estar sempre à disposição de clientes e consumidores, assim como o maior número de informações possível que demonstrem sua autenticidade. NÃO SE PODE OCULTAR INFORMAÇÃO.

7. Compromisso com a associação e associados

Os postulados da associação deverão ser compartilhados e defendidos. Deve haver colaboração entre os associados em todos os aspectos, inclusive técnicos. Os associados devem participar da associação ensinando e aprendendo. A terra deve ser trabalhada segundo as leis da natureza para a obtenção da melhor uva em cada ano. Os associados devem compartilhar experiências e ter o compromisso de melhora constante, defendendo a produção de vinhos naturais. Os sócios não podem participar de atividades que sejam contraditórias com os postulados da associação de produtores de vinhos naturais, seja dentro ou fora do setor do vinho.

Bem, todos os itens são bastante importantes, mas dois deles (4 e 5) são  fundamentais para os produtores de vinhos naturais.

Em próximas postagens colocarei minhas impressões sobre alguns vinhos que um amigo me trouxe de Granada recentemente, da loja Al Sur de Granada, alguns deles naturais, outros ecológicos e biodinâmicos (para saber as diferenças entre eles acesse um artigo da Revista Adega).

sábado, 29 de outubro de 2011

E temos Estrelas do Brasil em São Carlos!

Estrelas do Brasil na Adega Spazio
Nesta última semana o amigo Eugênio, do Decantando a Vida, postou sobre os espumantes Estrelas do Brasil, da Serra Gaúcha. E foram muitos elogios aos espumantes, que tem agradado demais a muitos conhecedores. Pouco tempo depois, Didú Russo postou sobre a vinícola, com elogios rasgados aos seus vinhos e produtores. Bem, para nossa felicidade, temos em São Carlos um local diferenciado que oferece não apenas os produtos da Estrelas do Brasil, mas também de outros produtores brasileiros, como Don Guerino, Pericó, Sanjo, Panceri, Lidio Carraro, Cordilheira de Santana etc. Além de uma linha grande de vinhos importados, muito bem acomodados em uma belíssima adega climatizada. Aliás, nesta última semana a Adega Spazio ofereceu aos seus clientes mais um belo happy hour, com vinhos e petiscos de primeira. Quem não foi, perdeu! E eu, aproveitei para levar para casa umas garrafas do Estrelas do Brasil Brut Champenoise, além do Riesling Itálico e do Brut Rosé de Pinot Noir. O final de ano será Estrelado! 
Estrelas do Brasil Brut champenoise

E no aniversário do Carlão, vinhobão!

Nesta última sexta-feira o amigo Carlos André completou primaveras, e ofereceu uma recepção com vinhos aos seus amigos. Para divertir, alguns deles em decanter, "escondidos". Tive que acertar na bucha o Notas de Guarda Cabernet Sauvignon, que já comentei aqui e já disse não ser muito fã. Mas esse 2003 estava bem diferente do 2002 que apreciei anteriormente. Está ainda bem vivão pela idade, mas a madeira está mais bem integrada. Mas com a potencia de sempre. 
Um outro vinho em decanter, não difícil de acertar a procedência, era um Santa Rita Medalla Real 2007. Vinho potente, com madeira presente, mas com boas notas de cassis e chocolate amargo. Bom vinho! Do lado dele, outro encoberto, muito gostoso e com notas de figo, cassis e chocolate. Muito equilibrado e que ficava um degrau acima dos outros. Também estava na cara que era um chileno, e era um Tarapacá Reserva Privada 2005. Muito bom vinho! Elegante, macio e com ótimo final. Para mim, um dos melhores da turma. Mas ainda estava por vir um que me chamou mais a atenção. De cara mostrava que não era sulamericano, e que não era um vinho dos mais comuns. Depois de discutir um pouco com o Akira chutamos ser o Chateau Kefraya e matamos! Era o danado, do ano de 2002. Eu já comentei aqui no blog sobre o 2007 (clique aqui). Este 2002 também estava uma beleza, e mostrava a capacidade de envelhecimento deste belo vinho libanês. É um  corte de Cabernet Sauvignon (majoritária), Grenache, Cinsault, Carignan e Mourvèdre. Vinho muito rico, com notas de cassis, groselha, melaço, mescladas a notas especiadas, de cravo e canela, além de couro e tabaco. Em boca, repetia o nariz, tinha boa acidez e taninos bastante finos. Para mim foi o melhor da noite.
Mas ainda tinha um belo chileno, o Undurraga Founder's Collection 2005, um Cabernet Sauvignon 100% elaborado com uvas de vinhedos selecionados. Vinho aromático, com boa fruta, notas mentoladas e de tabaco. Em boca, muito equilibrado e macio. Muito gostoso!
Bem, e teve ainda um Max Reserva Cabernet Sauvignon 2005, que já havia evaporado quando cheguei, mas que em se tratando de um Errazuriz, devia estar bom.
É isso ai! Parabéns Carlão!!!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Two Hands Bella's Garden 2009, Brunello Casanova di Neri 2006, Ghemme 2003 e Achaval Ferrer Malbec 2010 - Tudo isso mais os assados do Tom! Que maravilha!

Que turminha, hein?
E nesse último domingo chuvoso, com temperatura amena, o Tom nos brindou com mais um daqueles seus superassados na sua super-cozinha. Aliás, como o cara domina bem a arte de assar uma boa carne! Lembra-me muito aquelas que eu apreciava no Bassi, em São Paulo. Não só por que o Tom utiliza as carnes do Bassi, mas por que ele as trata com muito carinho. E suas carnes merecem grandes vinhos. Eu cheguei atrasado e já haviam mandado um novíssimo Achaval Ferrer Malbec 2010, que obviamente não comentarei. Mas em se tratando de um Achaval, devia estar bom...
No entanto, cheguei em tempo de pegar o segundo vinho, levado pelo Caião, que já apreciamos na confraria. Era um Ghemme 2003, italiano da Cantina Dessilani. Claro que o vinho estava muito parecido com aquele que apreciamos semanas atrás, mas desta vez pudemos apreciá-lo mais calmamente, e isso nos permitiu observar como ele evolui bem na taça. Uma beleza! Gostei mais que da primeira vez. Vinho muito complexo, com notas de framboesa, amora e chá. Com o tempo foi se modificando, apresentando notas de cereja, terrosas e de tabaco. Muito bom mesmo!
E sabendo que o Tonzinho estava reservando um daqueles "poderosos" para o final, levei um que eu previa ser ótima companhia para as carnes: Um Brunello de Montalcino Casanova di Neri 2006. Pois é, novinho, novinho, mas já delicioso. O nariz estava riquíssimo, com notas deliciosas de cereja, ameixa e chá. Em boca, amplo, profundo, e obviamente, com taninos presentes e que levarão bons anos para se arredondarem, mas que estavam perfeitos para as carnes. Um vinhaço da grande safra de 2006 na Itália. Bem, Brunello é Brunello... E este produtor é de primeiríssima! A outra garrafa que tenho ficará calmamente guardada na adega, para se mostrar daqui a alguns anos.
E o Tom então resolveu sacar da adega um belíssimo australiano da vinícola Two Hands. Essa vinícola, fundada em 1999,  é colecionadora de prêmios e é figura constante nos top 100 da WS. O vinho ofertado pelo amigo Tom foi o Two Hands Bella's Garden 2009. O nome do vinho é uma homenagem à filha de um dos sócios da vinícola. É um dos vinhos tops da vinícola, elaborado com uvas de vinhedos selecionados de Barrosa Valley. O vinho estagia 18 meses em barricas francesas ~20% novas. É um vinho poderoso, denso, suntuoso! Sua cor, quase intransponível, já denuncia sua concentração. Ao nariz, uma explosão de frutas maduras e em compota, com destaque para groselha, ameixa e amora. A fruta era mesclada a notas de canela, azeitona preta, chocolate e chá preto. Em boca, potencia pura, mas com muita elegância. Daqueles vinhos de mastigar, mas com mineralidade e acidez que compensavam a fruta bastante presente. O final era longuíssimo! Obviamente, o vinho era ainda uma crianza e os taninos estavam presentes, mas nada que comprometesse sua excelente qualidade. Fico imaginando como estará este vinho daqui a alguns anos. Que beleza, hein Tonzinho!!!! Aliás, o Tom nos ofereceu este ano 3 grandes Shiraz: Tanagra, Pangea e este Two Hands. Uau! Terei que retribuir... Talvez com um Il Bosco, ou um St. Henri... Who knows? 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Excursão ao novo mundo na casa do amigo Carlos André

Neste último sábado me juntei aos amigos Akira e Carlos André para um jantar na casa deste último. O jantar foi regado a vinhos, em sua maioria, do novo mundo. O único do velho mundo foi o ótimo Palácio da Bacalhoa 2007, que já nos foi anteriormente ofertado pelo Akira e comentado aqui no blog (clique aqui). Desta vez ele descansou por mais tempo em decanter e pode mostrar ainda mais as suas qualidades. É quase um Bordeaux, que deve ganhar muito com alguns anos em adega. O Carlão e Akira também apreciaram um Notas de Guarda 2002, da chilena Santa Helena, também decantado. Eu declinei. Isso por que confesso não ser fã deste vinho, por achá-lo muito amadeirado. Já comentei sobre ele aqui no blog também (clique aqui). Não é perseguição ao Notas, mas uma questão de gosto. Apesar de gostar de vinhos potentes de vez em quando, ele supera um pouco meu limite para potência, principalmente pela madeira. Mas como eu mencionei, é uma questão de gosto. Conheço diversas pessoas que gostam muito dele.
Eu levei um vinho que já havia apreciado com o pessoal da confraria, o sulafricano Stellenbosch Hills 1707, de 2007 (para minhas impressões, clique aqui). O vinho é bastante frutado e com madeira presente. Exala notas de tabaco doce e chocolate. Um bom vinho, que agradou aos amigos Akira e Carlos.
Os outros dois vinhos apreciados foram duas novidades para mim. O primeiro foi o americano RedTree Petite Sirah 2009. A Petite Sirah é também conhecida como Durif. Aliás, essa é mais uma confusão no mundo do vinho, pois isso só foi identificado nos EUA por exames de DNA. A Petite Sirah (assim mesmo, com "I" não "Y") é um cruzamento entre Peloursin e Syrah.  O vinho em questão era fácil de beber. Em geral, a Petite Sirah gera vinhos mais potentes, este não estava tanto. Ao nariz, notas de frutas compotadas, geléia e baunilha. lembrava até a Bonarda. Em boca era bem resolvido, com taninos redondos e levemente doces. Um bom vinho.
O último vinho foi também um americano, o Leese-Fitch Cabernet Sauvignon 2008. Embora a Cabernet Sauvignon seja majoritária, parece que o vinho tem pitadas de Syrah, Tempranillo, Alicante Bouschet e Petite Sirah . Ao nariz o vinho mostrava inicialmente poucas características da Cabernet Sauvignon. Mas com o tempo foi se abrindo e melhorou bastante. Notas de cassis, groselha e baunilha. Eu achei esta última um pouco exagerada, o que é normal em vinhos dos EUA. Em boca tinha um herbáceo diferente, que contrastava com o doce do nariz. Ficou bem melhor acompanhando o Filé ao Molho Pavarotti do Ciao Bello.

domingo, 23 de outubro de 2011

Caballo Loco, Afincado, Erasmo, Chateau Signac e Cicônia - Mais uma bela rodada da Confraria do Ciao!

Nessa última reunião da Confraria do Ciao não combinamos, mas 3 de nós levamos os vinhos embrulhados. Eu levei um Erasmo 2006, e o JP já decifrou sua origem Chilena. Já comentei sobre este vinho aqui no blog (clique aqui), e por isso serei breve. Ele foi eleito a melhor mescla chilena no Descorchados 2010, e justifica o título. Corte bordalês clássico, é vinho muito elegante, com tudo na medida certa - sem arestas! É comercializado pela Casa do Porto.
O amigo Paulão levou também um embrulhado que decantamos, pois a rolha quebrou, já denunciando um vinho mais antigo. Ao nariz, notas de cereja, couro, tabaco e alcaçuz. Em boca, redondo, com taninos redondos e levemente terrosos. Lembrava um Tempranillo já evoluído. Imaginei também que poderia ser um português com presença de Aragonez. No entanto, para nossa surpresa, era o top da vinícola argentina Terrazas, o Afincado, na sua versão Cabernet Sauvignon. Eu havia apreciado apenas o Malbec da linha, que é muito bom. Mas este Afincado Cabernet Sauvignon 2001 estava uma delícia! Para mim, melhor que o Malbec. Ele, e o Trapiche Medalla 2002 que o Paulão levou tempos atrás, mostram uma tendência de evolução parecida dos Cabs argentinos, lembrando bons espanhóis. Belo vinho!
O outro embrulhado foi levado pelo amigo Tom, que está se especializando em levar grandes vinhos. Bati no naso e já senti o mentolado típico de Cabernet chileno, o que foi também sentido pelo JP. Bebendo mais um pouco o vinho, resolvi arriscar o nome do danado. E foi na bucha! Caballo Loco, da Valdivieso! Só não arrisquei o número, mas suspeitei ser dos mais novos, que mudaram para um estillo um pouco mais encorpado que os mais antigos. Era o Caballo Loco número 10. O Caballo Loco, que tem este nome devido ao apelido do proprietário Jorge Coderch, é produzido desde 1994 e desde lá foram 12 edições. O interessante é que o vinho atual é sempre cortado com 50% do vinho anterior, o que lhe aporta muita complexidade. Saber a mescla exata é difícil, mas ele conta majoritariamente com Cabernet Sauvignon e também Malbec, Carmenére e Merlot. Provavelmente este foi feito com uvas de 2005 e mesclado com a versão anterior (vi no site da Valdivieso que o no. 13 foi feito com uvas de 2008 e anteriores, assim, é só fazer as contas). Este número 10 estava uma maravilha! Era potente, mas elegante. Ao nariz notas de ameixa, café, especiarias e grafite, que se repetiam em boca. Vinho com boa mineralidade e amplo, cheio de camadas. Uma beleza! Os taninos são finos e em alguns anos devem arredondar e dar sedosidade ao vinho. É um vinho de dar inveja a muitos Bordeaux. Quem não conhece tem que experimentar este ultra-premium chileno.
O amigo Rodrigo levou um daqueles vinhos frescos, mais simples, mas muito bom para o dia-a-dia. Era um português, o alentejano Cicônia 2009. É um vinho tranquilo, sem complicações, com notas de frutas vermelhas e leve tabaco. Em boca é leve e fácil de beber. Um bom custo benefício.
O JP levou outro na mesma linha do anterior. Um Chateau Signac 2005, do Rhône. É um corte GSM com pitadas de outras uvas. Ao nariz, notas de frutas silvestres e cítricas. Em boca, era leve e fresco, também fácil de beber e bom para comida. Também é um bom custo benefício, comercializado pela Grand Cru.
Bem, amigos, foi mais uma daquelas noites boas da confraria. Até a próxima.

sábado, 15 de outubro de 2011

Só grandes vinhos na última reunião da confraria!!! Mais uma de impressionar!

Nesta última reunião da Confraria do Ciao comemoramos o retorno de nossos confrades Paulão e Tom, que estavam viajando com suas famílias. A lista de vinhos foi de babar! Preparem-se...
Mineralidade!
O primeiro a ser descorchado foi o espanhol do Priorato Vall Llach Embruix 2005, levado por este que vos escreve. Eu gosto muito dos vinhos do Priorato, que têm muita personalidade, são concentrados e possuem bela mineralidade. Vall Llach é uma vinícola relativamente nova, criada em 1990. Seus primeiros vinhos foram lançados em 1998 e desde lá, têm acumulado prêmios e elogios da crítica especializada. São apenas 3 vinhos produzidos: Embruix, Idus e o top Vall Llach. O Embruix é feito com uvas de videiras mais jovens e têm uma crianza de 14 meses em barricas francesas levemente tostadas, de segundo e terceiro uso. O corte é 38% Garnacha, 26% Cariñena, 15% Cabernet Sauvignon, 15% Syrah e 6% Merlot. É um vinho muito rico, tanto em aromas quanto em boca. Muita fruta madura (ameixa, cassis e amora) mesclada a notas de chocolate, balsâmicas e de especiarias. Como todo bom Priorato, muita mineralidade! Um belo vinho, que mostrava-se áspero em boca no início, e que precisou de umas 2 horas para amaciar. Mas depois disso, perfeito! E fez uma pareceria maravilhosa com os embutidos ibéricos levados pelo Tom. O amigo Margarido disse ter adorado. Bem, eu sou suspeito, mas também gostei muito. Mas vou deixar a outra garrafa uns bons anos na adega descansando, assim como a de seu irmão maior, Vall Llach. Eles estão novos ainda. Os vinhos Vall Llach são importados pela Expand. Aliás, este exemplar eu adquiri em uma excelente promoção.
Elegância pura!
O Caio levou uma maravilha portuguesa, do Alenquer, o Quinta do Monte D'oiro Reserva 2006. É um vinho que já foi considerado por João Paulo Martins um dos melhores de Portugal. É feito com 95% Syrah e 5% Viogner, fermentadas juntas, ao estilo dos Côte Rotie. Aliás, a vinícola tem parceria com a Maison Chapoutier. Uma beleza de vinho, equilibrado ao extremo. Ao nariz, notas de amora madura, florais e chocolate. Em boca repetia o nariz, com muita finesse. Os taninos estavam redondos e o final longuíssimo. Vinho de primeiríssima! É importado pela Mistral.
Multicamadas!
O nosso amigo Paulão levou um argentino de Zuccardi, já comentado aqui no blog (clique aqui), o Zuccardi Zeta 2007. É um vinhaço! Aliás, o 2006 foi eleito o melhor em uma degustação às cegas somente com tops argentinos, recentemente conduzida por Marcelo Copello e Wines of Argentina. E olha que havia poderosos na peleja, como o Catena Adrianna 2003, Yacochuya 2006, Cobos Bramare Marchiori 2006 e outros. Aliás, todos estes já apreciados e comentados aqui no blog. Esta garrafa do Zeta já se abriu um pouco mais em relação à última que bebemos. O vinho é feito com 68% de Malbec, 18% Cabernet Sauvignon e 14% Tempranillo. É complexo, cheio de camadas. Notas de amora, ameixa, figo e balsâmicas. Em boca é muito amplo, denso e com final longo. Uma beleza de vinho! Perfeito para carne assada! É importado pela Ravin.
O denso!
O confrade Rodrigo levou um outro argentino top, o Val de Flores 2006. O do ano de 2005 já apreciamos por duas vezes e já foi comentado aqui no blog (clique aqui). Este, da bela safra de 2006, estava também delicioso. Aliás, me pareceu ainda melhor que o 2005. Notas de ameixa e figo se mesclavam a notas tostadas e de baunilha. Em boca mostrava potência mas também muita elegância. Os taninos estavam macios e sedosos. Uma delicia que teria muitos anos pela frente! Vou guardar uma garrafa que tenho para apreciar daqui a alguns anos.
A unanimidade!
O amigo Margarido, confrade "flutuante", nos brindou com um grande Lindaflor 2002. O Lindaflor é figura sempre presente na confraria, e já apreciamos algumas garrafas dele (2002 e 2003). Este, da espetacular safra de 2002 na Argentina, estava divino. Nove anos e ainda com muitos pela frente. É vinho potente, denso, mas muito elegante e de uma presença incrível. Notas clássicas de ameixa e figo, mescladas a um tostado gostoso e alcaçuz. Em boca, denso, amplo, aveludado e com final interminável. Uma maravilha de Malbec! A meu ver, sempre entre os melhores Malbecs argentinos.
A modernidade!
E o amigo Tom, retornando de viagem, levou um vinho embrulhado, para tentarmos acertar. O Caio chegou bem perto. Era o argentino Tikal Locura 2006, de Ernesto Catena. Este vinho, tempos atrás, provocou grande agito em um Tour Mistral. É um corte inusitado de Malbec (85%), Bonarda (10%) e Torrontés (5% - fermentada junto com a Malbec). Bem, a Malbec reina, mas a Bonarda dá o ar da graça com fruta compotada e toques florais. Notas densas, até doces, de ameixa, figo, tostado e café com leite. É um vinho potente, novo mundista típico, daqueles para serem mastigados. É equilibrado, muito gostoso e perfeito para acompanhar as belas carnes assadas pelo amigo Tom! Acredito que deve envelhecer muito bem.
"Hors-concurs"!
E o JP? Bem, não deixou por menos: sacou do coldre um estupendo Brunello de Montalcino Altesino 1995! Como comentei com o amigo Rodrigo, grandes Brunellos, de grandes produtores, e com mais de uma década, são "hors-concurs". Esse Altesino estava divino. Não há outra palavra. Denso, com notas de cereja e florais mescladas a notas de tabaco, couro, alcaçuz e terrosas. Em boca, uma explosão! Qualquer elogio é pouco. Que maravilha!!! Para tomar sentado, olhando para o infinito e agradecendo a vida.
A sedosidade!
E como o pessoal ainda não estava satisfeito, busquei na adega um Ribera del Duero dos grandes, um Arzuaga Reserva Especial 2001. Esta bodega, criada no início dos anos 90, é vizinha de nada menos que Vega Sicilia e Pingus. Precisa mais? O empreendimento tem ainda um hotel 5 estrelas com Spa. Seu enólogo, Jorge Monzón, trabalhou no Domaine de la Romanée Conti e Vega Sicilia, de onde foi para a Arzuaga Navarro. Este Reserva Especial é um vinho top da casa, abaixo apenas do Gran Reserva e do raro (e caro) Gran Arzuaga. O vinho é feito com Tempranillo e maturou 24 meses em barricas novas de carvalho frances. É um espetáculo! Ao nariz é riquíssimo, com notas de ameixa, cereja marrasquino, bala toffee, alcaçuz e canela. Em boca, repetia o nariz e tinha uma sedosidade incrível. Para mim, estupendo! Entre os grandes espanhóis.
A raridade!
Bem, e para finalizar, depois destas maravilhas todas que acompanharam as belas carnes assadas pelo Tom, apreciamos um Tokaji Disznoko 5 Puttonyos 1993 com Foie Gras levado pelo JP. Já comentei sobre este mesmo vinho aqui no blog (clique aqui). É um vinho particular, já  com seus 18 anos, com notas de côco deliciosas e perfeito para acompanhar o Foie Gras. Um néctar dos deuses!
Ufa! Chega! Só posso dizer uma coisa sobre esta noite: INESQUECÍVEL!

As feras reunidas!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

T.H. Undurraga Sauvignon Blanc 2009, Stellenbosch 1707 2007 e Chianti Clássico Don Tommaso 2003

Voltei! Estava há alguns dias sem postar, mas já estou de volta para relatar sobre 3 ótimos vinhos que apreciamos ontem na confraria. Aliás, que ainda está desfalcada dos amigos Tom e Paulão, em viagem. O primeiro apreciado foi um branco chileno que levei, o T.H Undurraga Sauvignon Blanc 2009. É um vinho da vinícola Undurraga, feito com uvas de um pequeno vinhedo de pouco mais que dois hectares em Lo Abarca, Santo Antonio. O T.H. vem de Terroir Hunter (caçador de terroir). Apenas 555 caixas foram produzidas. O vinho é muito fresco, muito mineral e com aromas de lima e pêssego. Em boca é vivo e com acidez vibrante. Um belo vinho, para ser bebido sozinho ou acompanhando peixes e frutos do mar. É comercializado pela Wine.
O amigo Caio nos brindou com o sul-africano Stellenbosch Hills 1707. A linha 1707 é uma linha especial da vinícola, lançada apenas em ótimas safras. O vinho em questão é feito com as uvas  Shiraz, Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot, tendo sido maturado por 24 meses em barricas novas de carvalho francês. O nariz é rico em frutas maduras, chocolate, café e tabaco doce. A madeira é bastante presente. Em boca é intenso, redondo e com taninos doces. É um bom vinho, novo mundo típico. Acredito que seria um bom acompanhamento para um churrasco.
O amigo João Paulo (JP) levou um bom Chianti Clássico da Fattoria Le Corti, o Don Tommaso 2003. O vinho é feito com Sangiovese (85%) e Merlot (15%), e descansou por cerca de 15 meses em barricas de carvalho francesas 70% novas e 30% de segundo uso. Os 8 anos já aparecem. Ao nariz, notas de cereja, ameixa, chá-preto, canela, tabaco e couro. Em boca é redondo, com boa acidez e bom final. A Sangiovese reina, e a Merlot dá uma amaciada. Estava muito bom! Só o preço por aqui que é meio salgado...
Isso ai!