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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Lembranças da Confraria na casa do JP: Imperial Gran Reserva, Tondonia Reserva Branco, Gaja Sperss, Chateau Lafite, Alion, Chateau Rieussec e Tokaji Oremus 6 Puttonyos

Caio, JP, eu, Tonzinho, Cláudio, Rodrigo, Paolão e Fernandinho
Que saudades! Antes do blog existir nós tivemos muitas e muitas reuniões da Confraria do Ciao. Algumas delas, as chamadas especiais, eram na casa do JP. E esta, em particular, para comemorar o final do ano de 2009, foi espetacular. Prá começar, teve até filminho do Claude Troisgros enviado por ele e trazido pelo Cláudio (que também trouxe uma receita de um Boeuf Bourguignon do próprio, e executou prá gente - Uma beleza!). E os vinhos? Ah, os vinhos... Se esta não foi a melhor reunião da confraria, foi uma das melhores, sem sombra de dúvida. É só olhar a foto dos vinhos apreciados.
Bem, a foto seguinte mostra os vinhos em mais detalhes. Só cachorro grande. 


Da esquerda para a direita, Imperial Gran Reserva 1998, da CVNE. Uma beleza de vinho, escolhido na época por este que vos escreve para brigar com o Chateau Lafite 2002 escolhido pelo Tonzinho e JP. Olha, o Imperial deu o show. Sua untuosidade e sedosidade encantou a todos. E digo mais, brigou mesmo com o Lafite. À direita do Imperial, outro espanhol de produtor tradicional de Rioja (também sugestão deste que vos escreve). Este Tondonia Reserva Branco 1990 estava uma beleza. Aquelas notas amendoadas e levemente oxidadas (que desavisados pensam ser defeito) fizeram sucesso. Ah, e eu, com minha memória de elefante, lembro bem que alguns da turma (que na época ainda não conhecia os vinhos de Lopez de Heredia), não mostraram muito entusiasmo. Pois é... morderam a língua...rsrs. Chegamos então em outra sugestão minha, uma magnum do Gaja Sperss 2001. Falar o que de um Nebbiolo (com uma pitadinha de Barbera) do grande Angelo Gaja? E ainda da grandiosa safra de 2001... Maravilha engarrafada! O pecado aqui foi o pouco tempo de decantação. Além disso, vou dizer uma coisa: Era vinho para ser bebido solo, com um pernil de cabrito, um risotinho al funghi e devagar, curtindo. 
Bem, à direita do Gaja o Chateau Lafite 2002 sugerido pelo Tonzinho e JP. Esse também tem pouco o que falar. Potência e sedosidade a toda prova. O problema era a idade. Abrir um bordozão destem com apenas 7 anos é uma dó. Agora seria outra coisa. Bem, mas não ficamos tristes, não...rsrs.
Do ladinho do Lafite um Alion 2004 que já apareceu aqui no blog em outra oportunidade (mais recente, aliás). O vinho na época tinha 5 aninhos e estava pegado, concentrado, nervoso. Tomado no ano passado o do mesmo ano, foi outra coisa. É vinho para beber com bons anos de garrafa. Uma beleza com o carimbo Vega Sicilia. 
E para a sobremesa, dois belos exemplares. O primeiro, para deleite da turma, foi um grande Tokaji Oremus 6 Puttonyos 2000. Mais um com o carimbo Vega Sicilia e com a finesse característica. Quando abri, lembro-me que a rolha estava molhada, até já saindo vinho por cima. Fiquei com receio, mas depois... Quando sorvemos o danado nas taças, foi aquela exclamação geral: Vinhaço!!! Um néctar dos deuses! Inesquecível. Digo sem nenhuma sombra de dúvida que foi um dos melhores vinhos de sobremesa que bebemos, rivalizando fácil com Chateau D'Yquem. Ah, e já que passei para um Sauternes, teve um também na noite. e não era dos fracos: Chateau Rieussec 2005. As notas de damasco do vinho ainda estão na minha lembrança. Vinho cremoso, delicioso, de primeira.
Bem, pessoal. Foi isso. Resolvi escrever sobre esta noite por sugestão dos confrades, que têm saudades daquela noite espetacular. Como na época eu ainda não tinha o blog, não dava para dividir com ninguém o prazer que tivemos. Tá aí, confrades! Para lembrar... Logo escreverei sobre um aniversário do JP, também antigo, com ótimos vinhos servidos às cegas.


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Um Capellania 2003 abre as honras para um Alión 2004: Que beleza!

JP e eu fomos jantar com o Fernandinho, que estava meio carente (rs) e resolvemos levar espanhóis, já que ele gosta. Bem, nós também...rs. O JP levou o riojano Capellania Reserva 2003, branco da Marques de Murrieta. Já postei aqui sobre o 2006. É um vinho muito bom, feito com 100% Viura. Ele passa 18 meses em barricas de carvalho americano e francês, de 225 litros. Deve ser consumido em temperaturas mais altas que o usual para brancos. O recomendado é 14-15 graus. Também é indicada a decantação por cerca de 30 minutos. Quem está acostumado com brancos mais comuns deve estranhar essas recomendações, mas é assim que se obtém o melhor desses brancos. 
Ao verter na taça, o vinho mostrou aqueles toques amendoados típicos de espanhóis feitos com a Viura e com uma certa idade. Ao tomar os primeiros goles, até pensei que já estivesse ficando cansado, mas nada... Com o tempo foi abrindo novos aromas, cítricos, de mexerica e alguns florais. Isso se repetia em boca, onde mostrava-se muito sedoso. Uma delícia de vinho, que combinou perfeitamente com o Congrio Dourado ao molho de camarões que o o Fernandinho nos ofertou. 
Bem, e isso foi a introdução para um outro espanhol, agora um tinto com o carimbo da grande Vega Sicilia. Este Alión 2004, levado por esse que vos escreve, estava de se tirar o chapéu. O vinho é feito com 100% Tempranillo de vinhedos com cerca de 30 anos de idade. Após a fermentação, em tanques de inox, finalizada em 2005, o vinho passou 15 meses em barricas novas de carvalho francês. Depois disso, foi engarrafado e ficou descansando até sua liberação para comércio em 2008. Ao nariz, mostra notas de cereja preta, balsâmicas, especiarias, tabaco e minerais. Com o tempo, foram se apresentado notas florais muito gostosas, que me impressionaram. O vinho era perfumado, que indicava seu frescor já ao nariz. Em boca, repetia o nariz e apesar de intenso, mostrava um frescor impressionante aportado pela acidez perfeita. Os taninos já estão redondos e o final era longo, longo. É daqueles que quando acaba a gente fica triste. Eu havia apreciado um desses uns 3 anos atrás, mas na época, estava ainda nervoso. Agora, está uma beleza! E ainda teria uns bons anos pela frente. Mas esse já foi...rs.
Que noite! Ao despedir, senti nos olhos do Fernandinho que a carência tinha ido embora, e que ficava apenas a lembrança de um belo jantar entre amigos, mais uma vez escoltado por belíssimos vinhos.