O Carlão resolveu servir, às cegas, 3 vinhões de sua adega que tivessem idades parecidas e preços similares no exterior. Os três, do título da postagem, custam mais ou menos a mesma coisa lá fora (só o Brunello é um pouco mais caro). De começo, claro, sabíamos que eram vinhos de qualidade. O único que eu ainda não havia bebido era o Brunello Banfi Poggio alle Mura 2004. De cara, todos concordaram que o decanter que trazia o Don Melchor 2006 tinha o vinho mais pronto para beber. E olha, não deu para matar a procedência. A suspeita de ser um Bordeaux surgiu entre os bebuns. Estava redondinho, sedoso, sem arestas. Prontinho, prontinho... Mas para mim, ele ficava um degrau abaixo dos outros dois vinhos, também devidamente decantados por 2 horas.
Logo que provei o conteúdo do decanter que continha o Castillo Ygay Gran Reserva 2004 me surpreendi com a fruta concentrada, bastante ameixa, em meio a tostado e chocolate. Até pensei se tratar de um australiano, nacionalidade que o Carlão aprecia bastante. Mas como lembrado pelo Akira, ele tinha um toque cítrico que fugia ao padrão australiano. Este foi difícil. E olha que já havia bebido este mesmo 2004 em duas ocasiões (clique aqui). Mas das outras vezes, foi aberto e vertido na taça, sem decantação prévia. Isso pode ter feito diferença. O fato é que nesta garrafa senti excesso de fruta e extração. Recentemente, lendo uma postagem do colega Silvestre Tavares, do Vivendo a Vida, vi que ele teve impressões similares em respeito ao mesmo vinho. Obviamente, é um vinhão. Mas eu gostei mais das outras duas vezes que bebi. Bem, cada garrafa é uma garrafa. No entanto, para mim fica patente uma coisa: O 2001 foi o melhor Ygay que já bebi (clique aqui). Dá um baile no 2004.
E a terceira garrafa? A terceira trazia o vinho que mais me chamou a atenção ao nariz (e também, a mais polêmica). Era o Brunello di Montalcino Banfi Poggio alle Mura 2004. Ninguém acertou se tratar de um Brunello! Parece incrível, mas foi assim. O vinho tinha aromas complexos, florais, de framboesa e cassis, em meio a especiarias. Sem inspiração, mas encantado com a riqueza do vinho, eu disse que ele me lembrava aromas de um Viñedo Chadwick que havia bebido tempos atrás. Como? Senti aromas de Cabernet Sauvignon em um 100% Sangiovese??? No entanto, mesmo com esta ressalva, ele foi, para mim, o melhor vinho da noite. Aromático, complexo, intenso em boca, acidez vibrante e final longuíssimo. Um vinhão! Bem, os 3 eram... Briga de cachorro grande.
Boa experiência, Carlão!








