Mostrando postagens com marcador Vega Sicilia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vega Sicilia. Mostrar todas as postagens

domingo, 10 de agosto de 2014

No aniversário do JP: Vega Sicilia Único 1998, Valbuena 2006, Clos Mogador 2007 e muito mais!

Outro artigo atrasado... Desta vez, do aniversário do nosso querido amigo JP. Mas vamos lá...
O negócio não foi brincadeira! O JP pegou pesado e chegou com um Vega Sicilia Único 1998 debaixo do braço. Não sei porque, mas o cara adora este vinho...rs. E nós agradecemos! Falar o que de um vinho desses? Quando vejo gente chamando de ícone vinhos de qualidade duvidosa, fico pensando com os meus botões sobre como chamariam um Vega Sicilia. Este 1998 estava uma delícia. Vinho com aromas de cerejas, ameixa, tabaco, café, terrosos e um fundinho de cedro. Em boca mostrava grande riqueza e elegância, típico dos vinhos desta bodega. Os taninos era sedosos e o final interminável, com notas especiadas e terrosas. Se transformava com o tempo em taça. Vinhaço, claro! Isso aí, JP! Matou a pau. 
E nosso amigo Rodrigo fez um desafio ao JP, que com esta, já cumpriu duas vezes (veja aqui): Toda vez que o JP levar um Vega, ele levará um Valbuena, seu irmão "menor"! Que beleza! Ficamos tristes com o desafio, mas fazer o que? E desta vez o Rodrigo levou um Valbuena 2006. O vinho tinha características muito parecidas com a de seu irmão "maior" de 1998, mas com mais jovialidade. As notas terrosas do Vega não eram tão sentidas no Valbuena, que tinha mais frescor e mineralidade. Um vinhaço, que fica alí, pertinho de seu irmão maior. Valeu, Doc! Aguardamos o próximo desafio! rs. A propósito, os vinhos da Vega Sicilia eram importados pela Mistral, mas parece que agora migrarão para a Grand Cru.
E para continuar nos espanhóis, eu levei um Clos Mogador 2007, vinho top de René Barbier, o mago do Priorato. René é descendente de uma família de viticultores franceses que produzem vinhos desde 1200. Tive a oportunidade de conversar algumas vezes com ele em Encontros Mistral. É um cara sensacional, muito gentil e entusiasmado com seus vinhos. Este Clos Mogador 2007 é feito com uvas de baixo rendimento, sendo Garnacha 40%, Cariñena 22%, Cabernet Sauvignon 20% e Syrah 18%. A maturação é feita em barricas de carvalho de 300 litros (70% novas) por 18 meses. Eu abri o danado em casa e deixei 2 horas decantando antes de levar ao restaurante. E na hora, já senti seu poder. Os aromas invadiram a adega e ficaram lá por tempos. Notas florais, de cassis e framboesa, em meio à baunilha e outras especiarias, como cravo e canela. Com o tempo surgiram notas de chocolate amargo. Em boca era potente, balsâmico, com muito frescor e taninos presentes, mas muito corretos e que davam muita estrutura ao vinho. O final era daqueles intermináveis. Vinhão que teria ainda muitos anos pela frente. É importado pela Mistral
Bem, eu vou passar reto pelo vinho levado pelo nosso querido Tom. Era um que a DOCG de Barolo deveria processar por usar o seu nome. Sorry, Tonzinho, mas o tal de La Marchesina não pode ser chamado de Barolo. Aliás, nem de vinho...rs. Como não foi você quem fez, posso malhar (como diria nosso amigo Fernandinho...rs). Mas semanas depois, o Tonzinho apareceu com um Flaccianello 2006, que nos fez esquecer fácil este Marchesina...rs.
O Caião, que está cada vez mais fã de italianos, levou um Rosso di Montalcino Siro Pacenti 2010. Eu "cansei" de beber Rosso 2001 do produtor, comprado em saudosos botas-foras da Mistral. É um ótimo Rosso que briga com muitos Brunellos da praça (inclusive no preço...rs). Este 2010 é bastante frutado, com notas de cerejas e ameixas, em meio a tabaco, baunilha e cravo. Em boca é fresco e bem frutado, com final abaunilhado. Uma delícia! Muito jovial! Importado pela World Wine.
E finalizo com o vinho que na verdade começou a noite, pois era um branco de estirpe levado por nosso amigo Paolão. Era o californiano Paul Hobbs Chardonnay Russian River Valley 2010. Este vinho é um Chardonnay top do produtor e é fermentado em barricas com leveduras indígenas. A maturação é por 12 meses, sur lies, com battonages, em barricas 52% novas. Não é submetido a clareamento nem filtração. O vinho tinha cor amarelo dourada, bem brilhante, e com aromas riquíssimos, de flores, melão príncipe, mexerica, baunilha e mel. Em boca, repetia o nariz, era mineral e com final longo e frutado. Uma beleza de vinho! Chardonnay riquíssimo. Importado pela Mistral. 
Bem, e foi isso. O aniversário do JP é sempre muito bem comemorado! Merece!
Vejam abaixo a comprovação que decantei direitinho o Mogador...rs



quarta-feira, 10 de abril de 2013

Um Capellania 2003 abre as honras para um Alión 2004: Que beleza!

JP e eu fomos jantar com o Fernandinho, que estava meio carente (rs) e resolvemos levar espanhóis, já que ele gosta. Bem, nós também...rs. O JP levou o riojano Capellania Reserva 2003, branco da Marques de Murrieta. Já postei aqui sobre o 2006. É um vinho muito bom, feito com 100% Viura. Ele passa 18 meses em barricas de carvalho americano e francês, de 225 litros. Deve ser consumido em temperaturas mais altas que o usual para brancos. O recomendado é 14-15 graus. Também é indicada a decantação por cerca de 30 minutos. Quem está acostumado com brancos mais comuns deve estranhar essas recomendações, mas é assim que se obtém o melhor desses brancos. 
Ao verter na taça, o vinho mostrou aqueles toques amendoados típicos de espanhóis feitos com a Viura e com uma certa idade. Ao tomar os primeiros goles, até pensei que já estivesse ficando cansado, mas nada... Com o tempo foi abrindo novos aromas, cítricos, de mexerica e alguns florais. Isso se repetia em boca, onde mostrava-se muito sedoso. Uma delícia de vinho, que combinou perfeitamente com o Congrio Dourado ao molho de camarões que o o Fernandinho nos ofertou. 
Bem, e isso foi a introdução para um outro espanhol, agora um tinto com o carimbo da grande Vega Sicilia. Este Alión 2004, levado por esse que vos escreve, estava de se tirar o chapéu. O vinho é feito com 100% Tempranillo de vinhedos com cerca de 30 anos de idade. Após a fermentação, em tanques de inox, finalizada em 2005, o vinho passou 15 meses em barricas novas de carvalho francês. Depois disso, foi engarrafado e ficou descansando até sua liberação para comércio em 2008. Ao nariz, mostra notas de cereja preta, balsâmicas, especiarias, tabaco e minerais. Com o tempo, foram se apresentado notas florais muito gostosas, que me impressionaram. O vinho era perfumado, que indicava seu frescor já ao nariz. Em boca, repetia o nariz e apesar de intenso, mostrava um frescor impressionante aportado pela acidez perfeita. Os taninos já estão redondos e o final era longo, longo. É daqueles que quando acaba a gente fica triste. Eu havia apreciado um desses uns 3 anos atrás, mas na época, estava ainda nervoso. Agora, está uma beleza! E ainda teria uns bons anos pela frente. Mas esse já foi...rs.
Que noite! Ao despedir, senti nos olhos do Fernandinho que a carência tinha ido embora, e que ficava apenas a lembrança de um belo jantar entre amigos, mais uma vez escoltado por belíssimos vinhos.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Saul Galvão e os almoços em Jaú

Eu adorava ler os artigos de Saul Galvão na revista Gula. Na famosa seção "Confesso que bebi", Saul sempre apresentava histórias gostosas, contadas de maneira simples e de abrir o apetite (e a sede). Quando chegava a revista em casa eu ia direto no meio dela, onde ficava sua coluna. Nas edições seguintes ao seu aniversário, em abril, ele sempre se referia à comemoração em Jaú, na casa de sua querida Mãe, a Dona Sila, e seus parentes. Saul amava a sua família, e sempre dizia que as três melhores cidades do mundo eram Jaú, São Paulo e Paris. Nos seus almoços de aniversário ele sempre citava a presença dos pequenos pastéis (carne e queijo) e o pernil de porco assado com a pele, além do cuscuz de frango, que segundo ele, era uma velha receita da família. O Saul gostava do pernil de porco por que ele engloba vários cortes, de carnes brancas e secas, mais delicadas, até outras mais escuras, gordurosas e de sabor marcante. Para acompanhar o pernil Saul dizia que tinha que ser vinho de classe. Um deles foi o Vega Sicilia Valbuena 5o ano 1998, que evocava cacau e bala de café. Eu tive o prazer de levar um desses para apreciar com meu amigo Fernando Tinton no Ciao Bello. Realmente uma maravilha. Também cita em um dos almoços o Seña 2001, que julgou o melhor Seña que bebeu, com toques de eucalipto da Cabernet Sauvignon chilena e muita elegância e concentração. E aí vai... Como diria o Saul, o negócio é viver bem!