Em jantar na casa de nosso amigo André apreciamos três vinhaços italianos, acompanhados de um "Capitão" de Angus e uma Costela ao Bafo, do mesmo bicho. Companhias perfeitas.
Um dos vinhos foi um grande Brunello di Montalcino Castelgiocondo 1997, de Marchesi di Frescobaldi*. Brunello da grandiosa safra de 1997, cujos vinhos causam suspiros em apreciadores de vinhos italianos. E nos seus 17 anos esbanjava força. A rolha, grandona, estava perfeita, só um pouquinho molhada até sua metade. O vinho era, obviamente, o mais pronto da noite, visto que os outros dois italianões eram das "jovens" safras de 2006 e 2007. O Castelgiocondo tinha cor rubi e aromas muito ricos de amoras maduras, cerejas, cogumelos secos, tabaco, de carne e especiarias. Em boca, repetia o nariz e destacava-se pela grande sedosidade. Os taninos já estavam devidamente arredondados pelo tempo, e o final era longuíssimo, especiado e terroso. Uma delícia de Brunello! Em sua completa forma e é claro, ainda capaz de enfrentar uns anos em adega. Mas esse já foi, e desceu bem redondo. Belíssimo!
O outro Brunello é de um produtor que gosto muito: Siro Pacenti! Era um Brunello di Montalcino Siro Pacenti PS 2007. É um produtor que alia tradição e modernidade. Seus vinhos são riquíssimos e com grande capacidade de envelhecimento. Eu bebi os de 98, 99 e 2000, todos impecáveis e inesquecíveis. Obviamente, este 2007 está um bebê, e quem for beber deve decantar por longas horas. A fruta ainda reina, com notas de cerejas maduras e framboesas, em meio a tabaco e chá. Depois de um tempo foram surgindo notas mentoladas bem legais. Em boca, estava nervoso, principalmente no começo, mas depois foi ficando mais amigável. A acidez é vibrante e os taninos são jovens, implorando por alguns anos em adega. O final é longo e frutado. Outro vinhaço! Mas novo, novo... Em uns 3-5 anos ele vai explodir. Quem tiver uma garrafa dele na adega, resista um pouquinho.
E o último, na descrição, não na colocação, era um Terra di Lavoro 2006, da denominação Roccamonfina, elaborado pela Fattoria Gallardi. Aqui o negócio pega! Pensei que o vinho fosse ficar atrás dos outros dois, mas nada! É um vinhaço! Vinho da Campania, feito com 80% Aglianico e 20% Piedirosso, de vinhedos plantados nas encostas do vulcão Roccamonfina. É vinho sempre (muito) elogiado pela crítica. E é especial. Na verdade, eu diria, exótico. Sua cor é escura, retinta, intransponível, e os aromas são incríveis. Saltam da taça aromas de geléia de amora, herbáceas, de alcatrão, defumadas e minerais. Com o tempo as notas herbáceas e defumadas foram dando lugar a chocolate e alcaçuz. Em boca é explosivo, mas ao mesmo tempo elegante. Muito denso e cheio de camadas. O final é interminável. Se você gosta de vinhos potentes, explosivos, é este seu vinho. Se você não aprecia tanto, gosta de vinhos mais leves, menos parrudos, precisa experimentar este para sentir sua intensidade. Realmente surpreende. Mas uma coisa: Precisa decantar, muito! No começo é nervoso, um toro. Mas depois de um tempo... Que vinho! Para este 2006 precisaria de umas 3-4 horas. Imagino que 2010 que está no mercado precise anos de adega ou horas de decanter. Recomendadíssimo!
Grande noite! Daquelas de ficar na lembrança...
* Não vou falar do polêmico Brunellogate, ocorrido em 2003. Todo mundo já conhece a história... E não cabe no caso deste 1997.
* Não vou falar do polêmico Brunellogate, ocorrido em 2003. Todo mundo já conhece a história... E não cabe no caso deste 1997.




