E na mesma noite que apreciamos o Pichon Baron 1995, bebemos também outros vinhos. Bem, já vou adiantando: os portugueses levaram a noite frente a dois espanhóis e um italiano.

O primeiro é um que queria experimentar, que é o Quinta da Bacalhôa 2010. Já apreciei Bacalhoas de muitos anos, e mais recentemente, os 2008 e 2009. É um vinho certeiro, longevo e que melhora com os anos. Novo, costuma ter a madeira destacada. Mas esse 2010 foi uma grata surpresa por mostrar tudo já no devido lugar. A madeira não sobrepujava a fruta. As notas de cerejas e frutas silvestres se mesclavam a notas minerais e um fundinho de alcaçuz doce. Uma delícia de vinho! Já prontinho, mas que deve dar alegria por muitos anos. Quero beber novamente, sem dúvida! Ah, a WS lhe deu apenas 85 pontinhos. Sabem por que? Porque não tem excesso de extração, nem madeira aparente. E tampouco é pesado, meladão. A propósito, a WS não gosta de Bacalhôa: O vinho melhor pontuado lá obteve 89 pontos! Tá legal, vai... Estão de brincadeira... O vinho foi levado pelo João, irmão do confrade Rodrigo, que já fez bonito em sua primeira visita à confraria.

E já que estamos na família, continuo com o vinho levado pelo amigo Rodrigo. Foi o riojano Conde de Valdemar Reserva 2006. O vinho é feito majoritariamente com Tempranillo e uma pitadinha de Mazuello. Passa 18 meses em barricas de carvalho francês e americano. Ao nariz mostra notas de amoras e cerejas, com um fundo de chocolate amargo e minerais. Em boca faltou-lhe pegada. O Rodrigo mesmo disse que o vinho estava "frágil"... Foi uma maneira gentil de dizer que o vinho estava ralo. Acho que a safra fraca se manifestou aqui. Uma pena.

Eu levei um Quinta de Pancas Reserva 2009, que já havia apreciado anteriormente e esquecido de postar. É um vinho da Companhia das Quintas, da denominação Lisboa (ex-Extremadura). É feito com Merlot, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, e passa 20 meses em barricas de carvalho francês. É um vinho denso, concentrado e com riqueza ao nariz e em boca. A fruta é madura, com destaque para a cereja preta e ameixa. Estão presentes também notas tostadas e especiadas, em meio a café e chocolate. Em boca tem boa acidez, que lhe aporta frescor, e taninos muito corretos. A madeira aparece, mas não incomoda e deve se integrar ainda mais com alguns anos em adega. Os vinhos da Quinta de Pancas me agradam sempre, e costumam ter bom preço pela qualidade. São vinhos longevos e que recompensam enófilos pacientes.
O Caião levou um italiano de bom produtor (Luigi Coppo). Era um Barbera D'Asti L'Avvocatta 2008. Ao bater o naso e dar as primeiras goladas já imaginei que não passasse por madeira. Mas depois vi que não passa por madeira nova, mas estagia 6-8 meses em grande botti de carvalho. Tem notas de cerejas e especiarias, e é leve em boca, com taninos muito sedosos. É fácil de beber e agradável - descompromissado. Sua rolhinha pequena e de cortiça prensada denunciam sua simplicidade. Seu irmão Camp du Rouss é um pouquinho mais caro, mas carrega mais complexidade.

E para finalizar, a decepção da noite: Viña Sastre Roble 2004. O roble é o vinho de entrada da vinícola de Ribera del Duero. Olha, gosto muito dos vinhos dessa bodega, mas esse foi uma decepção. Estava sem vida, cozido, sem graça. Parecia que o JP o tinha deixado na caçamba da camionete umas duas tardes quentes antes de levar. Eu disse ao JP que não perdoaria...rs. E nem vou mencionar aqui a nota boa que o próprio lhe deu no famigerado Vivino...rs. Bem, mas o JP tem saldo positivo, pois quem leva Vega Sicilia tem direito a dar umas vaciladas... Mas não abusa, hein!
Isso aí, pessoal! Vou parar por aqui por que hoje estou pegando pesado demais...rs.