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segunda-feira, 18 de março de 2013

Ôpa: San Vicente 2004, Opus Eximium 2008, Alfa-Crux blend 2003, Chianti Capraia Riserva 2003 e Villa di Capezzana 2006!


Nessa semana passada a Confraria do Ciao se reuniu no restaurante Chez Marcel, do amigo Bart. E é claro, rolou comida de primeira e vinhobão! Vamos na ordem da foto...
O primeiro deles foi um replay do amigo JP, o riojano San Vicente 2004. E que replay bem-vindo! Não vou escrever muito sobre esse vinhão, pois já foi oferecido pelo JP em outra oportunidade e já descrito aqui (clique). Nesse um ano e meio que passou, não mudou muito. Vinho estruturado, especiado e com muita presença em boca. É vinho para muitos anos e de uma classe impressionante. Um grande Rioja.
Na sequência, o vinho que levei, o austríaco Opus Eximium Cuvée 21 2008, de Gesellmann. Eu havia provado esse vinho na Mostra Internacional de Vinhos de Campinas (clique) e fiquei impressionado. Aí não teve jeito, peguei uma garrafa. É um vinho feito com as uvas Blaufrankish (a mesma Lemberger - clique aqui para postagem sobre um vinho feito com ela), Sankt Laurent e Zweigelt (que é um cruzamento das duas primeiras). É um vinho biodinâmico e que passa 17 meses em barricas francesas. É  muito aromático, com notas de ameixas frescas, groselha e cassis, em meio a notas de alcaçuz e outras especiarias, como cravo e canela. Em boca, tem bom corpo, é intenso, mineral e com ótima acidez. Um vinhão! Aguentaria ainda muitos anos em garrafa. É importado pela Vinhos da Austria.
E vamos em frente com o vinho levado pelo confrade Rodrigo, o A-Crux blend 2003. Esse deu sequência a outros dois já descritos aqui no blog (2001 e 2002). Vinhaço argentino com alma espanhola, feito pelo grande José Miguel Ortega Fournier. Esse vinho sempre agrada e briga de frente com vinhos que custam o dobro. É feito com Tempranillo, Malbec e Merlot , e no alto de seus 10 anos de vida, estava uma delícia. Mostrava notas de cereja, ameixa, figo, tabaco e café com leite. Em boca é amplo, rico, com ótima acidez e um final muito longo. Às cegas é facilmente confundido com um bom espanhol. Quer agradar um (bom) amigo? Dê uma garrafa desse vinho de presente para ele. Vai acertar em cheio!
E não percamos o fôlego... Continuemos com o vinho levado pelo Caião, o Chianti Clássico Riserva Capraia 2003. Esse também foi replay, pois o Caião já havia levado uma garrafa desse vinho tempos atrás (clique aqui). É um 100% Sangiovese, com notas de ameixa e cereja em meio a tabaco e couro. Não mudou muito nesse pouco mais de um ano que passou. Talvez tenha ganho um pouquinho mais de notas de tabaco e couro. Em boca, ótima acidez e bom final. Um Chianti Clássico Riserva muito bom e que já repousou o suficiente para ficar macio.
E para finalizar, um outro italiano, levado pelo amigo Paulão, o Villa di Capezzana 2006. É o vinho emblemático da Tenuta di Capezzana, que fica em Carmignano. Já postei aqui no blog sobre o ótimo Barco Reale 2008 e logo postarei sobre o grande Ghaie de la Furba (também levado pelo Paulão). Bem, mas voltando ao Villa di Capezzana 2006, é um vinho feito com 80% Sangiovese e 20% Cabernet Sauvignon. Passa 14 meses em barricas de carvalho de 350 litros. Ao nariz, mostra notas de amoras, cerejas pretas e florais (violetas), em meio a leve tostado e notas minerais. Em boca, repetia o nariz e mostrava ótima acidez, mineralidade e taninos corretos, mas que devem melhorar com o tempo. Mais um ótimo vinho da Tenuta de Capezzana. Quem não conhece os vinhos dessa vinícola, deve experimentar, pois são particulares.
Bem, tudo isso, acompanhou belos pratos feitos pelo Chef Bart. Coloco algumas fotos a seguir.
Tartare
Bruschetta de Pecorino com Figo, Presunto Parma e Mel
Filet com molho cremoso de espinafre
Alcatra com molho de cerveja preta e chocolate

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

No bota-fora do Paulão, só teve vinhobão: Castello di Brolio 06, Barbaresco Dessilani 03, Muga Selección Especial 05, Chianti Clássico Riserva Capraia 03, Quinta de Foz de Arouce VVSM 05 e Má Partilha 08


Nesta última quinta fizemos o bota-fora do confrade Paulão, que sai de viagem à França na próxima semana, coitado... Bem, como era de se esperar, ele levou uma preciosidade, o italiano Castello di Brolio 2006, de Barone Ricasoli. Apreciamos este vinho em nossa especial de final de ano em 2010 (clique aqui). É uma maravilha! Não é a toa que ficou em quinto lugar do mundo na lista dos Top 100 2010 da WineSpectator. Vale cada pontinho (dos 96, rs). Aliás, o 2004 também é excelente (clique aqui). A diferença é que o 2006 é mais moderno, mais internacional, mas nem por isso deixa de ser um grande vinho (neste aspecto, confesso que prefiro o 2004). Neste 2006, as notas de baunilha já diminuiram um pouco em relação aquelas garrafas que apreciamos no ano passado, mas ainda estão presentes em meio a notas de amoras bem maduras e alcaçuz. Em boca é amplo, denso, com taninos finíssimos e final longuíssimo. Uma beleza de vinho Paulão!
O amigo João Paulo levou o Barbaresco Dessilani 2003. O vinho estava fechado no início. Notas de ervas e funghi secchi bastante presentes, mas pouca fruta. Depois de um bom tempo respirando surgiram notas de frutas, leve ameixa fresca, morango, mas poucas notas florais típicas da Nebbiolo. Em boca era de leve para médio corpo, com boa acidez e taninos se arredondando. O vinho ficou gostoso depois de bom tempo aberto, com mais harmonia e boa mineralidade. O problema é o seguinte: Barbaresco, Barolo, Brunello e companhia, têm que ser apreciados com muita calma, e com comida! Se não for assim, perdem potencial.
Eu levei embrulhado um Muga Selección Especial 2005. É um riojano muito elogiado pela crítica. Uma característica especial dele é o corte de 70% Tempranillo, 20% Garnacha e 10% Graciano e Manzuelo. A Garnacha entra na composição e dá a ele características especiais, principalmente mais acidez e mineralidade. Aliás, só o Fernandinho acertou a nacionalidade. O Caio até que acertou as notas de cereja, típicas, mas errou o chute. Acho que a Garnacha enganou a turma. O vinho tinha as notas típicas de cereja, tabaco, um pouco de ameixa, alcaçuz e notas cítricas. Em boca parecia ainda jovem, com uma acidez vibrante. O JP achou fechado. Talvez sim, para um Rioja. Mas acho ele causou um certo estranhamento ao pessoal pela acidez vibrante. Por isso, faltou-lhe também a companhia da comida. No entanto, é inegavelmente um belo vinho, e gostei dele.
Seguimos com um Chianti Clássico Riserva 2003, da Tenuta di Capraia, levado pelo Caio. É um 100% Sangiovese , feito com videiras de baixo rendimento. O vinho tinha um bom nariz, com notas de ameixa fresca e leve tostado. Senti falta da cereja, notas florais e de chá da Sangiovese. Mas é um vinho gostoso, rico, de médio corpo e com taninos redondos. Obviamente, tinha acidez típica de um bom italiano e carecia de comida para acompanhá-lo. Mais um que precisava ter respirado mais.
Nosso amigo Tom levou um vinho que me encantou, um Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria 2005. O vinho é um regional das Beiras, feito quase que exclusivamente com a difícil casta Baga (ele tem também uma pitadinha de Touriga Nacional), a partir de vinhas velhas plantadas em apenas 3 hectares. A propósito, o grande João Portugal Ramos é genro do Conde e Condessa de Foz de Arouce, proprietários. Dá para imaginar então que tem seu "dedinho" nos vinhos (informação retirada do site Petichef). O enólogo responsável é o engenheiro João Perry Vidal, colaborador da equipe de JPR. Bem, mas vamos ao vinho. Ao nariz, notas de cereja foram se mostrando junto com notas de chocolate meio amargo, grafite e tabaco. Os aromas foram enriquecendo com o tempo. Em boca mostrava médio corpo e taninos e acidez típicas da casta, mas tudo muito bem integrado. É vinho mineral, gastronômico e com grande potencial de guarda. Imagino que em alguns anos irá adquirir aqueles traços de borgonha, que acontece com bons bagas envelhecidos. Eu adorei o vinho! Para mim, foi a surpresa da noite.
E por último, apreciamos o Má Partilha 2008, da Quinta da Bacalhôa, levado pelo amigo Rodrigo. O vinho é feito com 100% Merlot e matura por 16 meses em barricas de carvalho Allier. Ao nariz notas especiadas, de pimenta-do-reino, mescladas a notas de amora e ameixa compotadas e chocolate. Em boca, taninos ainda por arredondar, mas já elegantes, e bom final. Lembrou-me um bom Cuvée Alexandre Merlot.
Minha conclusão geral da noite é que todos os vinhos eram muito bons, mas precisavam ter respirado mais e terem sido apreciados com comida. Apenas os últimos o foram. Eu sou daqueles que pensam que vinho tem que ser com comida, senão prejudica sua avaliação. Por outro lado, apesar do Rosbife com molho do Troigros e bolinhas de batata estar maravilhoso, penso que os vinhos eram adequados para pratos italianos típicos, como cabrito, risotos e massas com molho vermelho.
Bem, a despedida do Paulão, que nos deixará por algumas semanas, foi excelente! Espero que ele se lembre da gente lá na França e pague algum excesso de peso na volta.

A família reunida...