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terça-feira, 8 de abril de 2014

O Vinhobão voltou!!! E com tudo: Incógnito 2008, Flaccianello 2009, La Cumbre 2007, Brunello La Colombina 2007 e muito mais!

Caros leitores: Nessas últimas semanas descansei um pouco, pensei, pensei, e voltei. Muitos amigos pediram a volta, e recentemente, uma noite da confraria na casa de nosso amigo Paulo Flaquer, me fez tomar a decisão final. A noite foi decisiva. O Paulinho nos recebeu em sua casa com tanto carinho e fidalguia, que me impulsionou a retomar o blog. A comida estava ótima. Além dos petiscos e queijos oferecidos pelo Paulinho, o Caião e o Tom foram os responsáveis pelos (excelentes) assados.
Bem, e cada um levou um vinhão, claro. Começo por onde? Acho que pelo vinho do anfitrião. E não era um vinho, era "o vinho": Incógnito 2008, top da vinícola portuguesa Cortes de Cima. O nome do vinho vem daquela história já batida, do tempo em que a Syrah não era permitida no Alentejo. Em 1991, a vinícola foi a primeira a plantar a uva, e colocou o nome Incógnito no primeiro vinho engarrafado em 1998 para não revelar o nome da casta (embora todo mundo provavelmente soubesse). O vinho passa apenas 6 meses em barricas de carvalho francês, e a madeira não sobrepuja a fruta. Ao nariz mostra notas de amoras silvestres, cacau, charuto e alcaçuz. Em boca, mostra frescor, intensidade e taninos corretíssimos. Possui grande clareza e nada de excesso de extração. Um vinho excelente! Para ser apreciado em todas as safras. Aliás, ele só é produzido nas grandes. Valeu, Paulinho!
Em seguida, o vinho levado pelo JP, que também pegou pesado: Flaccianello 2009! Este não tem muito o que falar. Só lembrando que o 2006 foi o vinho que escolhi como o que mais me agradou no ano passado. Este 2009 não ficava atrás. Um grande Sangiovese, com aromas de cereja preta, cassis, tostado, alcaçuz e notas minerais. Em boca, era explosivo, intenso, carnudo, com taninos finos e final interminável. Um gole mais generoso e ele mostrava seu lado explosivo na boca. Um grande vinho da Fontodi. Não que precise, mas só para citar, ele foi (de novo) top 100 da WS, com 96 pontinhos. Mas não é isso que o faz um vinhaço. Grande vinho, JP!
O Caião também exagerou. Levou um La Cumbre 2007, Syrazão de primeiríssima da Errazuriz. Outro vinho de primeira grandeza. Fermentado com leveduras da própria uva e maturado por 18 meses em barricas novas de carvalho francês. Ao nariz mostra aromas de amoras, cereja preta, alcaçuz, chocolate amargo e um apimentadinho gostoso no fundo. Com o tempo, notas de tabaco foram surgindo, dando charme ao conjunto. Em boca, era denso, untuoso, repleto de sabores e com boa mineralidade. Um vinhaço! Sem dúvida um dos melhores Syrah chilenos que apreciei. Vinho de ponta! Isso aí, Caião!
E vamos em frente... Passo para o que eu levei, depois de decantar por 10 horas: Brunello di Montalcino La Colombina 2007. Este vinho ficou em primeiro lugar em um painel de Brunellos da revista Decanter, com 95 pontos. E estava muito bom! Sangiovese em seu esplendor. Notas de cereja preta, chá, alcaçuz, tabaco e couro. Em boca, incrivelmente sedoso para um Brunello de 2007, mas não deixando de mostrar excelente acidez e taninos... de Brunello! O tempo em decanter lhe fez muito bem, claro. Mas mesmo assim, surpreendeu. Esperava algo mais pegado. Quando abri, obviamente, tirei um pouquinho para experimentar. E estava nervoso. Mas o tempo de decantação mostrou o quanto é importante isso para um Brunello. Vinhão!
O Tonzinho levou um Campo Viejo Gran Reserva 2005, Rioja da jovem vinícola fundada em 2001. O vinho passa dois anos em barricas e 3 em garrafa antes de sair ao mercado. Tem aromas de cereja, alcaçuz e tabaco. Com o tempo, foram aparecendo aromas de couro, que foram cada vez mais se destacando e até mesmo sobrepujando os demais. É para beber pouco tempo depois de aberto. Em boca possuía corpo leve para médio e taninos levemente arenosos. Um vinho muito bom, mas que, como mencionei, não tem como amiga a aeração.
O Rodrigo, levou um replay, o sedoso Perdriel del Centenário 2007, corte de Malbec, Cabernet Sauvignon e Merlot, da Norton. Assim, não gastarei mais linhas com ele, e remeto à postagem antiga (acima). Vale citar sua sedosidade e boa evolução.
O Joãozinho levou um de uma linha que gosto muito, que é a Single Vineyard da Trapiche. No caso, era um Trapiche Viña Jorge Miralles 2008. Vinho com aromas de figo e ameixa, em meio a um tostadinho gostoso e toffee. Em boca, mostrava boa acidez e muita sedosidade, característica da linha. Um ótimo Malbec. Dos melhores e mais confiáveis da Argentina. Certeza de agradar.
E para finalizar, o Paulinho trouxe uma "baciada", quero dizer, um recipiente belíssimo, em forma de taça, repleto de pães de mel, maravilhosos, acompanhados de um Porto Ferreira LBV 2008, escuro, intenso, com notas de mirtilo e chocolate amargo. Delicioso! Que beleza! Foi difícil não repetir várias taças acompanhadas dos deliciosos pães de mel. Combinação perfeita.
Obrigado Paulinho! A noite foi memorável e responsável pela volta do Vinhobão!