Eu gosto muito da De Martino, que faz bons vinhos e o preço (ainda) não está estratosférico, como ocorre com grande parte dos chilenos.
A vinícola foi fundada um pouco antes da segunda guerra mundial, pelo italiano Pietro De Martino Pascualone, no Valle del Maipo. Ela se orgulha de ter sido a primeira chilena a exportar uma garrafa de vinho feito com a casta Carmenére, hoje tão difundida. Aliás, para quem gosta, seus Carmenére são muito bons (assim como também seu Chardonnay Quebrada Seca, Syrah Granito e tantos outros).
Dias atrás abri uma botella do De Martino Gran Familia Cabernet Sauvignon 2004. Esta linha já faturou por duas vezes o título de melhor vinho premium pelo Guia de Vinhos do Chile (safras 2001 e 2002). Eu tinha curiosidade para conhecê-lo, visto a qualidade de outros vinhos da vinícola. E minhas expectativas foram mais que atendidas! O vinho, produzido sob a batuta do competente enólogo Marcelo Retamal, é feito majoritariamente com Cabernet Sauvignon, mas tem pitadas de Malbec e Carmenére. A maturação é feita em barricas novas de carvalho francês por 18 meses. Ao nariz, é muito rico, com notas de cereja preta, amoras maduras, tabaco, café, baunilha e alcaçuz. Ao fundo, um tostado que não peca pelo excesso. Em boca, muito intenso, com taninos fortes mas sedosos. Um belo vinho que merece ser conhecido. Li recentemente uma postagem do colega Luiz Cola, do Vinhos e Mais Vinhos, sobre o 2002, e concordo plenamente com seus comentários. O amigo Luiz cita que não entende como um vinho que custa a metade do preço de outros premium chilenos, e que já ocupou por duas vezes o titulo de melhor vinho, ainda venha pouco à mente do público quando vai escolher um bom vinho chileno. E ele tem toda razão! O vinho é muito bom e pouco badalado. Mas sabe o que eu acho disso? Bom demais, pois aí o preço não vai lá prá cima, como de outros tantos.
Vinho recomendado! A propósito, os vinhos De Martino são importados pela Decanter.
