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domingo, 9 de março de 2014

Que noite na Confraria!!! Carmín de Peumo 2008, Migliara 2006, Mouchão Colheitas Antigas 2003, Poesia 2002, A-Crux Blend 2006, Santa Rita Triple C 2008, Chateau de la Mulonnière 2004 e Baron de Magaña 2007! Uau!

O aniversário de nosso amigo Thiago foi comemorado em grande estilo. Levamos vários vinhos embrulhados, para brincar um pouco com a turma, que sempre está afiada.
 O primeiro a ser aberto foi levado por este que vos escreve, e era o argentino Poesia 2002 (foto acima). Ele já apareceu aqui no blog em duas ocasiões (clique aqui). Uma vez levado por este que vos escreve e outra pelo Caião. É um vinhão das Bodegas Poesia, feito com Malbec (60%) e Cabernet Sauvignon (40%). Vinho de safra histórica na Argentina, mostrava, depois de 12 anos, muita vida. Aromos de cereja se mesclavam a cassis e notas especiadas. Um toque licoroso lhe dava um charme. Uma delícia. O Caião, sugeriu ser um Tempranillo, o que não ficou longe, pois os cortes argentinos com Malbec, depois de evoluídos, lembram bem vinhos espanhóis. Outros amigos, sugeriram um Bordeaux, pela elegância. O fato é que o vinho estava ótimo, repleto de elegância. Acho que é o último da turma. Sobrou um 2004 em minha adega. Logo veremos como está.
O Paolão então chegou com um vinho do Vale do Loire, feito com Chenin Blanc, o Chateau de la Mulonnière Savennières 2004. Sua cor dourada, com toque âmbar, já denunciava seus 10 anos. O nariz também, que mostrava notas amendoadas, de mel, gengibre, compota de abacaxi e damasco. Em boca, repetia o nariz, mostrava leve amanteigado e boa acidez para a sua idade. Bom vinho, já senhorío, descendo a Rebouças em direção ao Jóquei Clube, mas ainda apreciável. Sería par perfeito para um camarão ou lagosta. Importado pela Vinci.
O Joãozinho, que está se especializando em levar coisa boa (rs), levou um ótimo A-Cruz Blend 2006, de O.Fournier. Aqui fica até fácil de falar. Não tem erro! Safra boa e vinho que sempre agrada. Seus irmãos de 2001, 2002 e 2003 já pintaram por aqui. Este 2006 subiu mais uns degrauzinhos na escada. E a qualidade, continua a mesma. Vinho de grande riqueza e elegância. Um vinho argentino com acento espanho. É feito com 75% Tempranillo e 25% Malbec, e passa 20 meses em barricas novas de carvalho francês (80%) e americano (20%). Ao nariz, notas de cereja preta, ameixa seca, tabaco e toffee. Em boca, repete o nariz e mostra toda a sedosidade dos vinhos de José Manuel Ortega Fournier. Mais um vinhão da linha. Como sempre digo: Quer agradar um amigo? Dê-lhe um desses! Valeu Joãozinho!
O Caião, também mandou muito bem. Levou embrulhado um Santa Rita Triple C 2008. A maioria matou de cara a procedência chilena, mas o Tonzinho arriscou um pouco mais no corte, dizendo que tinha Carmenêre, Cabernet Sauvignon e algo mais que ele não conseguia pegar. Bem, passou perto. O vinho, como o próprio nome diz, é um corte de três uvas cujos nomes se iniciam com a letra "C": Cabernet Sauvignon, Carmenére e Cabernet Franc. O vinho foi top 100 da WS em 2013, com 93 pontos e com a tarja de highly recommended. E realmente é um ótimo vinho! Notas de amoras e cassis se mesclam a tabaco, chocolate e especiarias. Em boca é amplo, untuoso, sedoso e com final bastante longo e persistente. Para mim, e vários colegas, acima de muitos vinhos badalados chilenos e com preço (embora não baixo) mais convidativo (principalmente na promoção de começo de ano da Grand Cru). Valeu, Caião!
O JP também levou um vinhão embrulhado, cuja garrafa era bem parecida com a do Paulinho. Aí foi feita a confusão. Ao bebê-lo, pensei que era o do Paulinho e fiquei passando para ele, anotado, as minhas impressões. De cara, mandei que era um Syrah de responsa. Ao receber a resposta negativa do Paulinho fiquei muito cabreiro e ainda aguentei as chacotas da turma. Mas nada me tirava da cabeça se tratar de um grandioso Syrah. Bem, era sim! Só que aquela não era a garrafa do Paulinho, e sim, do JP... rsrs. E que Syrah era! Carnudo, nervoso, cheio de corpo mas com frescor e mineralidade. Longe de Syrah australiano. As notas de amora madura eram equilibradas com muita mineralidade e acidez vibrante, que lhe aportavam muito frescor. E o que era? Um grande Migliara 2006, toscano da Tenimenti Luigi D'Alessandro! Este vinho, que recebeu nada menos que 98 pontos da WS, já apareceu aqui no blog várias vezes (clique aqui). Acho que esta é a quarta garrafa que apreciamos. Mas aqui vale aquele negócio, de que cada garrafa é uma garrafa. O vinho nesta contido estava muito mais nervoso que nas outras anteriores. Mais pegado, potente e acenando para muitos anos de vida ainda. Sem dúvida, um dos melhores da noite, e que merecia ter sido decantado. Ainda bem que tenho ainda uma garrafa deste danado, que apreciarei daqui a uns anos. Belíssimo vinho, JP! Valeu!
Bem, mas vamos então ao vinho levado pelo Paulinho. Bem, tirando a confusão engraçada com aquele levado pelo JP, ele foi para mim o vinho mais emocionante da noite. Também embrulhado, a primeira taça foi um mistério. Fruta madura, notas terrosas e tabaco. Mas fechado. Depois de um tempo, que maravilha! Foi se abrindo, mostrando ótima fruta em meio ao balsâmico, especiarias, fumo de corda e tantos outros. Em boca, untuosidade, frescor e final interminável. E o que era? Eu mandei que era um Alentejano, quase mandei Mouchão, mas achei muito fresco, e como o Paulinho disse que era mais velho, a confusão foi feita. Mas era um Mouchão! O Mouchão Colheitas Antigas 2003! Por que o nome? Na verdade, é o mesmo Mouchão 2003, mas na ocasião do engarrafamento, a vinícola guarda em suas adegas, algumas garrafas da preciosidade para ser comercializada 10 anos após a colheita, justamente para mostrar a capacidade de guarda e evolução do vinho. E como isso fica patente! Como evolui o vinho! De jeito nenhum parece ter 10 anos. Um frescor acima da média para um Alentejano e muita vida pela frente. A validação perfeita da importância do bom acondicionamento para um vinho. Repito aqui o que disse ao pessoal: O vinho me emocionou! Valeu mesmo, Paulinho! Quero beber de novo. A propósito, o Mouchão é muito conhecido, mas só lembrando que é feito com base na Alicante Bouschet (70%) e Trincadeira (30%), com a tradicional pisa a pé (2 vezes por dia) e maturação em grandes tonéis de 5.000 litros, de carvalho português, macacaúba e mogno. Depois disso, 24 a 26 meses em garrafa antes de ser comercializado. Bem, este Colheitas Antigas fica bem mais tempo em garrafa.
Vamos em frente que ainda tem vinho...rs.
O Tonzinho levou também embrulhado um vinho que na hora vários de nós chutamos ser um corte bordalês. Eu, até pensei ser um Assemblage do Carmelo Patti, mas senti falta de mais especiarias, cor mais cereja e taninos arenosos... Mas era um espanhol, de Navarra! Baron de Magaña 2007. O Tonzinho tirou aquele sarro básico (rs), mas depois, ao ver a ficha técnica do vinho, constatei que ele é feito com Cabernet Sauvignon (35%), Merlot (35%), Tempranillo (20%) e Syrah (10%), com passagem de 14 meses por barricas novas. Tá aí o motivo de nosso chute! Até o Mr. Parker (ou o Jay Miller? rs), que lhe atribui "generosos" 94 pontos, mencionou o lado bordalês. Aliás, este negócio de buscar estilo bordalês fora de Bordeaux não me agrada muito. O pessoal tá perdendo a identidade... Bem, tirando a polêmica, o vinho tinha notas de cassis, cereja, couro e especiarias. Em boca era de médio corpo e bem elegante. Foi o mais simples da noite, mas mostrou-se um bom custo benefício. Vinho bom, correto e de bom preço pela qualidade. A competição era que era dura para ele na noite. Mas não fez feio, não. Eu gostei dele. Mas Tonzinho, olha o troféu, hein! rsrs.
Bem, e para finalizar, o vinho levado pelo aniversariante, também embrulhado. Na hora todo mundo mandou: Carmenére! Não tinha erro. Mas não era um Carmenére qualquer, repleto de pimentão e notas herbáceas. Não, era algo superior, bem superior... Ao nariz, notas de cassis, tabaco, grafite e de especiarias (como a pimenta do reino). Em boca, era untuoso, mas nada exagerado. Não transbordava pimentão. Tinha sim um toquezinho de pimenta do reino ao fundo. O final, especiado e mineral, era longuíssimo. Um vinhão! E sabem o que era? Aquele que é considerado o melhor Carmenére chileno: Carmin de Peumo 2008! O caro e imponente vinho da Concha y Toro tem também 7.5% de Cabernet Sauvignon e 2.5% de Cabernet Franc, e passa 18 meses em barricas novas de carvalho francês. Um vinho feito para ser grande. Eu estava curioso para experimentá-lo. E mesmo para aqueles que não apreciam muito a Carmenére, há que se reconhecer a qualidade que este atingiu. Aliás, foi o que eu disse ao pessoal: O vinho me surpreendeu por mostrar até que ponto um Carmenére pode chegar em termos de sofisticação. Um grande vinho, sem dúvida... O problema? Seu preço... Muito salgado, mesmo lá no Chile. Aqui no Brasil... uff...
Valeu, Thiago! Cumpleaños bien celebrados!


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Syrah em triplicata (e dos grandes): Kilikanoon Oracle 2005, Torbreck Descendant 2005 e Migliara 2006!

Semanas atrás (ainda em 2012) os amigos Akira, Carlão e eu decidimos fazer uma noite de grandes Syrah. E levamos a sério, claro. 
O Akira, levou (pela segunda vez - Logo posto a outra) um grande Kilikanoon Oracle 2005, de Clare Valley. É vinho de alta gama da vinícola australiana, cujos vinhos são importados pela Decanter. Eu havia bebido uma taça dele em um Decanter Wine Show tempos atrás e ficado impressionado. 
O Carlão, abriu um australiano de Barrosa, o Torbreck Descendant 2005, vinho feito com clones do melhor e mais antigo vinhedo (RunRing) da  vinícola, e que é feito ao estilo do Rhône (co-fermentação com a Viognier). A maturação é feita nas barricas usadas para o RunRing.
Eu, levei um italiano (isso mesmo! Fazem grandes Syrah na Itália também!), do produtor Luigi D'Alessandro, e elaborado por Luca Currado (Vietti) e Christine Vernay, do Rhône: O Migliara 2006. É o vinho top da vinícola, localizada na região de Cortona, Toscana.
Três Syrah de estilos bem diferentes.
O Oracle era o mais potente deles, denso, untuoso, de encher a boca, de mastigar. Mostrava notas de frutas maduras, ameixa em compota, balsâmicas, caramelo, café, tostado e alcaçuz. Seu final é interminável. No entanto, não mudou muito durante o tempo que ficou aberto. É daqueles que já mostram tudo que tem logo de cara. Vinho explosivo! Característica principal: Muita fruta madura e tostado.
O Torbreck, no início, não mostrou muito a que veio. Apesar de dividir com seu irmão de Clare Valley o cerne dos Syrah Australianos, ele era mais discreto. Com o tempo, foi se mostrando e foram aparecendo notas florais, provalmente influência da Viognier e especiadas, muitas delas. Se tiver que destacar algo especial no vinho fico com seu lado camaleão, pois mudou muito durante a noite, e especiado, com notas de anis, pimenta e alcaçuz. Um belíssimo vinho, que precisa descansar em decanter para mostrar sua potencialidade. Se o felizardo bebê-lo logo ao abrir pode ficar decepcionado, mas se tiver paciência, será recompensado.
O Migliara 2006 (que recebeu nada menos que 98 pontos da Wine Spectator), é completamente diferente dos dois primeiros. A grande diferença: Mineralidade! E isso eu gosto muito. Vinho mineral é comigo mesmo. E esse, já comentado aqui no blog algumas vezes (clique aqui), a esbanja. Não é vinho explosivo, potente, e sim, mais fresco, com notas de amoras silvestes, anis, pimenta e minerais. Em boca mostrava ótima acidez e lá estava a mineralidade. Perto dos outros, fica um pouco sufocado, visto que não tem a potencia deles, mas faz mais minha cabeça. Um super Syrah italiano! O duro é achar uma garrafa dessas. A propósito, devo esclarecer os rabiscos no rótulo. Eu havia deixado a garrafa com o Fernandinho, na adega do Ciao Bello. Pedi então que ele tomasse cuidado para que suas colaboradoras não vendessem o danado pensando que era um Syrazinho meia-boca qualquer. Elas então resolveram identificar bem a garrafa. E ficou assim...rsrs.
Isso aí, degustação perfeita!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Confraria do Ciao: Malartic-Lagravière, Tondonia, Tara-Pakay, Alión, Migliara, Dulcamara, Sastre e Lindaflor

Nesta última reunião da Confraria do Ciao o negócio pegou! A lista de vinhos foi de primeiríssima. Começamos com um Chateau Malartic-Gravelière 2000, de Pessac-Leognan, levado pelo confrade João Paulo. Um belo vinho. Para mim, um dos melhores da noite. O vinho é feito com proporções praticamente idênticas de Cabernet Sauvignon e Merlot (totalizando 90%), 8% Cabernet Franc e 2% Petit Verdot. Nas safras recentes a Cabernet Sauvignon é privilegiada, ao passo que nas anteriores a 2002 era a merlot (como nesse do ano 2000, aliás, um grande ano). Vinho de cor densa, nariz a frutas maduras (amoras e framboesas), tabaco, especiarias (canela) e alcaçuz. Em boca é um vinho amplo, intenso e com taninos já redondos e sedosos. O final é bastante longo. Uma delícia!
Em seguida, um vinho que levei e que foi adorado por todos: Tondonia Reserva 2000. Bem, eu adoro os vinhos de Lopez Herédia, que são a manifestação plena da tradição riojana. Vinhos que não seguem modismos, puros e deliciosos. Este reserva 2000 tinha cor rubi bem bonita, aromas de cereja, romã, leve casca de laranja, chá, tabaco e couro. Redondo na boca, com bela acidez e taninos bem integrados. Foi sucesso absoluto!
O Tom nos brindou com dois belíssimos vinhos, o Lindaflor 2002 (já comentado aqui no blog), que sempre é sucesso, uma delícia de malbec. Entre os melhores malbecs argentinos; e um Tara-Pakay 2007. Este último é um vinho top da Chilena Tarapacá. Corte de Cabernet Sauvignon (67%) e Syrah (33%). Vinho potente, encorpado, rico, intenso, de mastigar. Muito complexo. Notas de amora, mirtilo, café expresso, chocolate com leite, baunilha, defumado, especiarias (canela e noz-moscada)  e leve mentolado. Em boca extremamente amplo, intenso, com tudo no lugar. O final era interminável. Que beleza de vinho! Sem dúvida entre os melhores chilenos. De botar muitos bordeaux debaixo no chinelo. Vale a pena experimentar. A Wine o comercializa.
E voltando aos espanhóis, passamos para Ribeira del Duero, com um grande Alión 2006, levado pelo amigo Marcelo Margarido. Bem, Alión dispensa apresentações. Feito pelas Bodegas Vega Sicilia, mas em estilo mais moderno, este vinho é sucesso entre enófilos. Este 2006 estava muito bom, com notas de figo, chocolate e balsâmicas. Em boca é potente, amplo, e o final é longo. No entanto, acho que está muito novo. É vinho para se beber com 10 anos de idade. Aliás, tive a mesma impressão quando bebi o 2004. E alí do seu lado esquerdo, na foto, o vinho levado pelo Fernandinho, um Viña Sastre Crianza 2002. Este sim estava na hora de beber. Já havia apreciado outras garrafas desta mesma safra, e sempre me alegraram. Esta vinícola, também de Ribeira del Duero, faz vinhos muito bons. Seu vinho de entrada, o Sastre Roble, já é uma delícia. Este Crianza 2002 estava muito bom, com notas de fruta (cereja) envolta em bala toffee. Uma delícia!
Bem, indo agora para a bota, bebemos dois italianos de peso. O primeiro, foi levado pelo amigo Caio, e é um vinho feito pela I Giusti e Zanza, na Toscana. O Dulcamara 2006 tem, no entanto, um corte bordalês, com Cabernet Sauvignon, Merlot e um pouco de Petit Verdot. Ao nariz, notas florais, cassis e baunilha. Em boca tem boa acidez, como um bom italiano, e seus taninos são presentes, mas bem integrados. Um vinho muito gostoso e gastronômico por natureza. Eu acho que também está novo e que, com alguns anos de adega, ficará uma delícia. Em São Carlos pode ser encontrado na Mercearia 3M, do amigo Idinir.
E para finalizar, bebemos um outro italiano, levado pelo amigo Rodrigo. Tratava-se de um Syrah feito por Luigi D'Alessandro na Toscana, o Migliara 2006 (esquerda na foto). É um vinho maravilhoso, que arrebatou nada menos que 98 pontos da WineSpectator. Bebemos este vinho no final do ano passado, e comentei aqui no blog. Mas vale a pena citar novamente. Notas florais, de amora, pouco chocolate (geralmente muito presente nos syrah do novo mundo) e boa mineralidade. Em boca, muita sedosidade e elegância. Uma delícia! De novo, o amigo João Paulo e eu foram os que mais gostaram. Os vinhos Luigi D'Alessandro são comercializados pela Mistral.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Premium de Final de Ano! Barca Velha 2000, Castello di Brolio 2006, Clos Apalta 2007, Côte-Rotie Guigal 2004, Migliara 2006, Matallana 2004, Rieussec 2005 e Quarts de Chaume 2003


Entrada da cozinha do Tom, e o próprio se aquecendo no Pinball
 Como em todo final de ano, pela terceira vez, a Confraria do Ciao se reune para um grande jantar regado a grandes vinhos. Desta vez foi na casa do Tom, em uma bela mesa ao ar livre, em meio a grandes árvores. De entrada o Tom nos presenteou com Barquetes de Haddock... Uma delicia! Depois tivemos os Pernis de Cabrito que assei lentamente, por 8 horas, que sem modéstia alguma estavam muito bons; o Porquinho de Leite do Tom, também feito com o esmero de sempre e os Galetos defumados chegados na brasa. Hummmmm.... Tudo muito bom! Para a sobremesa fiz meu aclamado Creme Brullé, par acompanhar os brancos que citarei depois de falar dos tintos. Eu havia dito que nem comentaria sobre os vinhos, apenas citaria seus nomes, mas tenho que falar um pouquinho, pois não resisto.
A lista não foi fraca: Castello di Brolio 2006 - Uma maravilha do Barone Ricasoli que ficou em quinto lugar na lista dos melhores do mundo em 2009 da Wine Spectator, com 96 merecidos pontos. Um vinhaço, com notas de amora, alcaçuz e baunilha. Encorpado, superequilibrado, com taninos finíssimos e final longo. Eu sou suspeito, pois sou fã incondicional dos Italianos, mas este Chianti Clássico estava demais, e duas garrafas foram pouco. Foi a abertura da noite...
Continuamos com um que o Fernandinho adorou: Clos Apalta 2007. Vinho da Casa Lapostolle, a mais francesa no Chile, que ganhou 93 pontinhos da WS nestas safra. Só lembrando, o 2005 foi o primeirão dois anos atrás, feito inédito para um Chileno. É um vinho de primeira, raçudo mas sedoso. Fruta na medida certa (cassis e ameixa). Notas de cacau, baunilha e tabaco. O apimentado no final, aportado pela Carmenére é uma delícia. A Petit Verdot lhe dá taninos que ainda precisam de tempo para ficarem mais redondos. Apesar de já estar uma maravilha, achei uma criança. Deve ganhar muito com alguns anos na adega.
Em seguida veio o vinho que para mim foi o destaque da noite, o Migliara 2006 da Italiana Luigi D'Alessandro. Esta vinicola é especialista em Syrah, e é considerada por muitos a que melhor trabalha esta casta na Itália, no nível dos melhores Hermitages. Eu achei este vinho um grande injustiçado na lista dos Top 100 deste ano. Teve 98 pontos da WS e nem apareceu na lista. Uma maravilha de vinho. Bastante mineral e longe dos Syrah frutados e enjoativos do novo mundo. Notas florais e deliciosas de amora, framboesa, anis e pimenta preta. Taninos super finos e um final interminável. Ainda bem que ainda tenho uma garrafa dele, pois deve envelhecer maravilhosamente. João Paulo, Paulao e eu adoramos.
Na mesma linha, mas agora partindo para o Rhone, apreciamos um E. Guigal Côte Rotie 2004. Um belo vinho de um produtor grande destaque no Rhone.  Vinho floral e com boa fruta (groselha e cereja), em meio a alcaçuz. Também aparecem as notas características de carne e azeitona. Um vinho delicioso, claro. E a noite continuava...
Veio então um espanhol, do onipresente e competente Telmo Rodriguez, o  "enfante terrible". O vinho escolhido foi Ribeira del Duero, o Matallana 2004. Apesar de estar muito gostoso, notas de couro, caramelo e fruta na medida, deixou um pouco a desejar. Confesso que esperava mais para um vinho de Telmo Rodriguez, ainda mais pelo precinho salgado... Os vinhos que ele faz a região de Toro são melhores, sem dúvida.
Bem, para fechar tem uma Magnum de um ícone: Barca Velha 2000!  Vinho clássico português, da Casa Ferreirinha, e responsável por colocar o Douro na posição de destaque que hoje ocupa. O vinho só é lançado em safras excelentes e até hoje, desde o primeiro em 1952, não chegaram  a vinte. Este ficou 3 horas no decanter, quietinho, abrindo toda sua potencialidade. Por incrível que pareça, não tinha nada de precipitado. Não preciso nem dizer que é um belíssimo vinho. Rico, complexo e para ficar na memória. De encher a boca. Mas vou gerar a ira de meus confrades agora: Confeso que prefiro o Quinta do Vale Meão! Para mim é mais rico e o preço é bem melhor. Além disso, é feito com uvas de vinhas utilizadas pelo Barca Velha.

Eu acaricando a magnum do danado...


Paulo e Fernandinho
Colocando o Barca no decanter, sob os olhares do Caio

Caio, João Paulo, Tom e Margarido, em frente ao porquinho

O amigo Rodrigo se deleitando...
Para fechar a noite, e acompanhando o Creme Brullé e queijo azul, tomamos um Quarts de Chaume 2003 de Baumard. Este produtor doVale do Loire faz vinhos brancos de cair o queixo, com a Chenin Blanc. Este, que teve 96 pontos da WS, é amendoado, com notas de mel e pessego. Tem excelente acidez e mineralidade que compensam o doce. Para competir com ele bebemos um Chateau Rieussec 2005, de Sauternes. Uma maravilha que justifica os 96 pontos da WS. Vinho pleno, com notas firmes de damasco e mel. Equilibrio perfeito e final interminável. Todos o adoraram.


O que dizer mais da noite? Comida maravilhosa, vinhos espetaculares e amigos sensacionais. Não tem palavras.
Tom, Fernandinho, Caio, Paolao, Rodrigo, João Paulo e Margarido: Obrigado pela noite e por mais um ano!