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sábado, 16 de agosto de 2014

Premium de meio de ano da Confraria do Ciao: Adegas sem chaves!

Nosso confrade Paulinho disse uma coisa muito importante dias atrás: "Com todos os acontecimentos recentes, minha adega não tem mais chaves"! Perfeito! Esse negócio de ficar adorando vinhos fechados e dentro da adega, tem que acabar. E nessa última sexta-feira foi a prova disso. O Tonzinho nos chamou para uns assados na sua cozinha. Caramba! Fazia tempo que os confrades não se reuniam lá... Muito tempo. E a sugestão era levar vinho top. Dito e feito! Todos sairam de suas casas dispostos a aproveitar belas horas entre grandes amigos, apreciando os assados do Tonzinho e grandes vinhos, claro. 
Eu precisava me redimir de uns vinhos que não agradaram muito a turma, e o fiz de maneira inquestionável (acho...rs). Levei um Vega Sicilia Único 1996. Falar o que deste vinho? O danado estava uma beleza, com aqueles aromas de especiarias, lembrando curry, em meio a fruta na medida. Com o tempo, foi ficando melhor, claro. Mas nem deu muito tempo, a turma mandou ver logo. O Vega sempre deixa aquele gosto de quero mais...rs. Vinhaço! Para grandes datas.
O Tonzinho, quando me viu chegando com o Vega, foi na adega e tirou um Cos d'Estournel 2007. Outra beleza! Ah, está novo? Sim, claro... Mas não estamos nem aí. Mandamos ver. E olha, foi até providencial, pois a rolha estava molhada e já saindo um pouco de vinho por cima. Acredito que poderia até ser arriscado mantê-lo mais tempo na adega. Ou seja, fizemos uma grande ação para o Tonzinho...rsrs. No começo parecia que tinhamos feito uma grande besteira, pois o vinho estava reticente em mostrar suas qualidades. Mas em pouco tempo a coisa mudou. O danado se abriu e, apesar de novo, estava com taninos muito corretos. Os aromas de fruta se misturavam a notas de funghi secchi. Outro vinhaço!
O Caião chegou com um Tondonia Reserva 2002. Esse também dispensa comentários. Os Tondonia são presença constante em nossas reuniões e não há um confrade que não os admire. Amigos de ótimo gosto! Para este Reserva 2002 foram seis anos de barrica e como sempre, tradição pura na elaboração. Seus ótimos 12,5% de álcool mostram o caminho oposto às bombas. Cor clara, belíssima, aromas de especiarias e cereja seca davam ao vinho o charme peculiar de um Tondonia. Vinho para apreciadores de gostam de coisa boa. Tondonia é Tondonia!
O nosso amigo Paulinho chegou com duas garrafas. Disse que era para compensar os que havíamos levado... Bondade dele. Um era simplesmente o Almaviva que mais chamou a atenção da crítica nos últimos anos: Almaviva 2009. A Wine Spectator lhe outorgou 96 pontinhos... E olha, podem falar o que quiser, reclamar do preço, falar que é muito caro para um vinho chileno etc, etc. Mas o vinho é grande. Uma elegância incrível! Feito com Cabernet Sauvignon, Carmenére, Cabernet Franc e Merlot. Aromas de cassis, cereja preta, caixa de charuto e alcaçuz. Em boca, de grande intensidade, mineralidade, acidez perfeita e taninos finíssimos. O final era longo e especiado. Outra beleza de vinho! 
Outro que o Paulinho levou foi o Chateauneuf du Pape La Fiole du Pape 2008 (foto abaixo). O vinho vem naquelas garrafas tradicionais, tortas, bem legal. Era meio fraquinho de nariz, bem tímido. Em boca idem. Não tinha exageros de frutas, que era discreta, em meio a toques terrosos, chocolate amargo e grafite. Um bom vinho, mas bem atrás do Almaviva.
O Rodrigo levou um Don Maximiano 2009 (foto abaixo). Este vinho sempre agrada. É um que sempre está brigando com Bordeaux em degustações às cegas. Este 2009 é feito majoritariamente com Cabernet Sauvignon, temperado com pequenas quantidades de Carmenére, Cabernet Franc e Petit Verdot.  Tinha notas de frutas maduras, com destaque para framboesas e amoras, em meio alcaçuz e notas da madeira tostada. A mim, pareceu mais maduro e compotado que aqueles de safras anteriores.  
E para finalizar, o JP levou um Tokaji Oremus 5 Puttonyos 2003 (foto abaixo). Este já apareceu por aqui tempos atrás (clique aqui). É outro que sempre agrada. Notas de damasco em meio a gengibre, frutas secas e mel. Delicioso para acompanhar os pêssegos assados com liquor que o Tonzinho mandou ao final.
Que bela reunião, hein confrades? Uma daquelas Premium, que adiantamos do final de ano. Para celebrar a vida e grandes amizades! Que venham muitas dessas!
A turma reunida... E que turma!


segunda-feira, 27 de maio de 2013

Aniversário do JP na Confraria: Vega Sicilia Único 1995, Valbuena 2005, Barolo Seghesio La Villa 2004, Mirto 2006, Tokaji Oremus 5 Puttonyos 2003 e Bacalhôa Moscatel Roxo 1999!

Nessa última reunião da Confraria do Ciao comemoramos o aniversário do amigo JP. E é claro, foi em grande estilo. Já que no meu eu levei um Sassicaia, o JP pegou pesado e chutou o balde: Vega Sicilia Único 1995


Fazer qualquer comentário sobre esse vinho é quase que desperdiçar palavras. Mas para não dizer que não falei das flores: O vinho é feito com 85% Tempranillo e 15% Cabernet Sauvignon, de vinhedos antigos. Matura 22 meses em barricas novas de carvalho francês, 28 em barricas usadas e 24 meses em tinas de madeira de grande capacidade. Ou seja, mais de 6 anos maturando, além de um tempo em garrafa antes de ser comercializado. Ao nariz mostra muita complexidade, com notas de cereja preta e ameixa em compota, em meio a notas balsâmicas, leve mentolado, incenso, especiarias indianas (noz moscada e curry) e chocolate. Parece exagero, né? Só com um desses na frente, descansando um tempo na taça, para saber que ele é tudo isso mesmo. Em boca, repete o nariz e mostra intensidade máxima, mas com elegância impecável. Tudo, tudo, no lugar: Acidez, taninos, álcool, madeira, tudo perfeitamente integrado. Uma maravilha!!! Esse é um mito. Sem nenhum exagero posso tecer-lhe adjetivos como sensacional e estupendo! O JP matou a pau e colocou a turma em uma tremenda saia-justa para os próximos aniversários...rs. Parabéns, meu amigo.
E como se não bastasse, chega o amigo Rodrigo com um irmão do Vega: O Valbuena 2005. Que combinação! O Rodrigo não poderia ter tido idéia melhor. Tivemos a oportunidade de sentir a diferença entre os dois, que são grandes. E aqui, nada do Valbuena ser sobrepujado de forma implacável pelo seu irmão maior. Os vinhos são distintos. O Valbuena é feito com uvas de vinhedos mais jovens. A Tempranillo é majoritária, mas leva pitadas de Merlot (+) e Malbec (ou Cabernet Sauvignon, dependendo da safra). A maturação é feita em tempo menor que o Único, e é utilizada também barrica americana. O vinho também é grandioso. Ao nariz é mais frutado, com notas de cereja e ameixa em meio a especiarias. Em boca possui acidez vibrante, que lhe aporta muito frescor. É também mais tânico que seu irmão "maior". Tem ótima pegada e um final longuíssimo. Um vinhaço! É certo que os dez anos de diferença em relação ao Único apreciado, e as próprias características de cada um, deixam diferenças claras. No entanto, o "carimbo" Vega Sicilia aparece em ambos: Elegância e sedosidade! Que maravilha! Mandou bem demais, Rodrigo!
Eu levei um Barolo Seghesio Vignetto La Villa 2004. É a segunda garrafa que abro desse danado. A primeira apreciei sozinho, de forma "egoísta"...rs (clique aqui). Abri com umas 3 horas de antecedência, decantei e levei para o Ciao. Lá, ainda estava nervoso, e deixamos mais um tempo em decanter. Não vou comentar muito sobre ele. É só acessar a postagem acima. É vinho muscular, na linha dos Barolos mais potentes, com notas de cerejas pretas, ameixas, alcaçuz, café, funghi secchi e pétalas de rosas. Em boca é tânico, como deve ser um bom Barolo, mas com taninos redondos. Bem, eu sou suspeito para dar meu parecer sobre esse vinho, por ser Barolista de carteirinha, e por ter levado, claro. Só digo uma coisa: É bão!
O Tonzinho levou um Rioja, das Bodegas Ramon Bilbao, o Mirto 2006. As Bodegas ficam em Haro, coração de Rioja, e completam 90 anos no próximo ano. O Mirto é seu vinho top, e é feito com 100% Tempranillo. A maturação é de 2 anos em barricas de carvalho francês (Allier). O engarrafamento é feito sem clarificação ou filtração. É um vinho com aromas de cassis, cereja, tabaco e chocolate. A madeira também aparece, com notas cedro. Em boca repete o nariz e destaca-se pelo frescor, aportado por uma acidez vibrante. O final é longo e persistente. É vinho que pede comida. Seus 7 anos ainda não se fazem sentir. É um vinho de categoria, no estilo mais moderno, e que poderia ser guardado ainda por muitos anos. Surpreende pela qualidade obtida na safra, que ficou na sombra das grandes 2004 e 2005. 
Bem, de tintos foram esses... Mas como a noite ainda era uma criança, abrimos dois belos vinhos de sobremesa. O primeiro deles foi levado pelo amigo Caio, e era outro com o carimbo Vega Sicilia: Tokaji Oremus 5 Puttonyos 2003. Não repetirei aqui a velha história dos Puttonyos. Quem quiser relembrar clique aqui.  Esse levado pelo Caião, com seus 10 aninhos, estava delicioso! Ao nariz mostrava de início toques de folhas secas, amassadas, em meio a gengibre e frutas secas. Em boca, notas de damasco e gengibre se mesclavam as notas oriundas da botritização (que não sei explicar como são, só sentir...). Um vinho longo e delicioso! 
E como a turma ainda tinha gás, o JP abriu um delicioso Bacalhôa Moscatel Roxo 1999. O vinho é feito com 100% Moscatel Roxo e matura 8 anos em barricas de carvalho de 200 litros, utilizadas para Wisky. É delicioso! Vinho muito rico, com notas florais, de flor de laranjeira, frutas secas, mel e marmelo. Em boca é amplo e com acidez que equilibra o dulçor. Um ótimo vinho!
Bem, pessoal, é isso aí! O aniversário do JP foi comemorado em altíssimo nível, como merece! O próximo aniversariante, tá  no aço!