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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Wences 1998 e Quinta de Pancas Reserva 2001: Dois ibéricos com boa idade, e excelente qualidade!

E lá vai mais uma postagem atrasada...rs. Desta vez, sobre dois vinhos apreciados na companhia dos amigos Akira e Carlão. O Akira levou o espanhol Wences 1998, vinho top das Bodegas Vega Saúco. O vinho é da região de Toro, que tem se destacado nos últimos anos por gerar repetidamente, grandes safras. Ele leva o nome do fundador da Bodega, Sr. Wences Gil, é feito com Tempranillo (80%) e castas nativas (finca experimental "La Cascajera" - 20%). Maturou 22 meses em barricas de carvalho americano e francês (pequena porcentagem). Ao nariz mostrava notas de fruta madura, com destaque para a cereja preta e ameixa, em meio a notas especiadas (alcaçuz e cravo), além de tabaco e couro. Em boca, muita maciez aportada pela idade, acidez ainda presente, taninos sedosíssimos e final longo, levemente tostado. Um Toro domado pelo tempo. Belíssimo vinho, com muita categoria. Um prêmio para apreciadores pacientes.
E ao seu lado, um outro ibérico, agora lusitano, levado por este que vos escreve, o Quinta de Pancas Reserva 2001. Mais um vinho devidamente amaciado pelos anos. O vinho, da região de Estremadura (atual Lisboa) foi feito com Cabernet Sauvignon, Aragonês, Syrah e Touriga Nacional e maturou 10 meses em barricas de carvalho francês (80%) e americano (20%). O nariz mostrava frutas maduras, com destaque para o cassis e cereja, em meio a tabaco e chocolate. Em boca, muito redondo, com taninos muito macios e final duradouro. Outro vinho muito elegante e que confirma o potencial de envelhecimento dos vinhos feitos pela Quinta de Pancas. Até hoje, não bebi um vinho dessa vinícola que não tenha me dado prazer.
Isso aí, pessoal! Dois ibéricos mais velhinhos e em perfeitas condições, que nos deram muita alegria.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Noite de Confraria com direito a um ótimo Quinta da Bacalhôa 2010 (e um vinho cozido)!

E na mesma noite que apreciamos o Pichon Baron 1995, bebemos também outros vinhos. Bem, já vou adiantando: os portugueses levaram a noite frente a dois espanhóis e um italiano. 
O primeiro é um que queria experimentar, que é o Quinta da Bacalhôa 2010. Já apreciei Bacalhoas de muitos anos, e mais recentemente, os 2008 e 2009. É um vinho certeiro, longevo e que melhora com os anos. Novo, costuma ter a madeira destacada. Mas esse 2010 foi uma grata surpresa por mostrar tudo já no devido lugar. A madeira não sobrepujava a fruta. As notas de cerejas e frutas silvestres se mesclavam a notas minerais e um fundinho de alcaçuz doce. Uma delícia de vinho! Já prontinho, mas que deve dar alegria por muitos anos. Quero beber novamente, sem dúvida! Ah, a WS lhe deu apenas 85 pontinhos. Sabem por que? Porque não tem excesso de extração, nem madeira aparente. E tampouco é pesado, meladão. A propósito, a WS não gosta de Bacalhôa: O vinho melhor pontuado lá obteve 89 pontos! Tá legal, vai... Estão de brincadeira... O vinho foi levado pelo João, irmão do confrade Rodrigo, que já fez bonito em sua primeira visita à confraria.
E já que estamos na família, continuo com o vinho levado pelo amigo Rodrigo. Foi o riojano Conde de Valdemar Reserva 2006. O vinho é feito majoritariamente com Tempranillo e uma pitadinha de Mazuello. Passa 18 meses em barricas de carvalho francês e americano. Ao nariz mostra notas de amoras e cerejas, com um fundo de chocolate amargo e minerais. Em boca faltou-lhe pegada. O Rodrigo mesmo disse que o vinho estava "frágil"... Foi uma maneira gentil de dizer que o vinho estava ralo. Acho que a safra fraca se manifestou aqui. Uma pena.
Eu levei um Quinta de Pancas Reserva 2009, que já havia apreciado anteriormente e esquecido de postar. É um vinho da Companhia das Quintas, da denominação Lisboa (ex-Extremadura). É feito com Merlot, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, e passa 20 meses em barricas de carvalho francês. É um vinho denso, concentrado e com riqueza ao nariz e em boca. A fruta é madura, com destaque para a cereja preta e ameixa. Estão presentes também notas tostadas e especiadas, em meio a café e chocolate. Em boca tem boa acidez, que lhe aporta frescor, e taninos muito corretos. A madeira aparece, mas não incomoda e deve se integrar ainda mais com alguns anos em adega. Os vinhos da Quinta de Pancas me agradam sempre, e costumam ter bom preço pela qualidade. São vinhos longevos e que recompensam enófilos pacientes.
O Caião levou um italiano de bom produtor (Luigi Coppo). Era um Barbera D'Asti L'Avvocatta 2008. Ao bater o naso e dar as primeiras goladas já imaginei que não passasse por madeira. Mas depois vi que não passa por madeira nova, mas estagia 6-8 meses em grande botti de carvalho. Tem notas de cerejas e especiarias, e é leve em boca, com taninos muito sedosos. É fácil de beber e agradável - descompromissado. Sua rolhinha pequena e de cortiça prensada denunciam sua simplicidade. Seu irmão Camp du Rouss é um pouquinho mais caro, mas carrega mais complexidade.
E para finalizar, a decepção da noite: Viña Sastre Roble 2004. O roble é o vinho de entrada da vinícola de Ribera del Duero. Olha, gosto muito dos vinhos dessa bodega, mas esse foi uma decepção. Estava sem vida, cozido, sem graça. Parecia que o JP o tinha deixado na caçamba da camionete umas duas tardes quentes antes de levar. Eu disse ao JP que não perdoaria...rs. E nem vou mencionar aqui a nota boa que o próprio lhe deu no famigerado Vivino...rs.  Bem, mas o JP tem saldo positivo, pois quem leva Vega Sicilia tem direito a dar umas vaciladas... Mas não abusa, hein!
Isso aí, pessoal! Vou parar por aqui por que hoje estou pegando pesado demais...rs.