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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Viña Gravonia Crianza 2004: Ouro na cor e na boca!

Viña Gravonia Crianza 2004: Os vinhos de R. Lopez de Heredia dispensam comentários. São vinhos únicos. Este Gravonia é um Crianza, 100% Viura, fermentado com leveduras da própria uva, clarificado com claras de ovos e maturado por longos anos em barricas, com duas trasfegas anuais. É engarrafado sem filtração. Este, da grande safra 2004, foi o melhor Gravonia que bebi. Cor lindíssima, dourada, brilhante e límpida, e aromas riquíssimos de frutas cítricas, minerais, jerez e frutas secas. Em boca, com seus 14 anos, mostrava juventude, muito frescor e mineralidade. O final era longo e mineral. Vinho com grande vivacidade! Não sei como está o Reserva 2004, mas este Crianza está sensacional. E tem muitos anos de vida. Se vir um desses pela frente, não pense duas vezes.

Vejam que cor maravilhosa!
Bacalhau com Natas do Solar dos Portuga, em São Carlos, onde fomos celebrar o Dia das Mães. Par perfeito para o Gravonia 2004.




terça-feira, 17 de março de 2015

Tondonia Branco Reserva 1993: Simplesmente, Tondonia!

É chover no molhado elogiar os vinhos de Lopez de Heredia, mas não me canso. Este Tondonia Branco Reserva 1993 é outra prova da qualidade irrepreensível destes vinhos. São 6 anos de barricas com 2 trasfegas anuais e clarificação com claras de ovos. Sua cor, belíssima como sempre: Amarelo dourado, tendendo ao âmbar. Ao nariz, uma riqueza aromática que evolui com tempo em taça. Aliás, não dá para evoluir muito, pois logo ele evapora...rs. Mostra aquelas notas de damasco, cítricas, gengibre, mel e amêndoas, em meio aquele toque de jerez que eu adoro. Os aromas se intensificam a medida que o vinho vai subindo um pouco a temperatura. A propósito, não é para ser apreciado gelado como branquinhos leves. O aprecie entre 14-16 graus. Aí ele manifestará sua riqueza aromática. Em boca é amplo, sedoso e fresco (apesar dos 22 anos). O final é longo e marcante. É vinho que se bebe com muito prazer e que nos faz esperar a próxima garrafa. Uma delícia! Foi oferta do Akira. Valeu!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Acabou o Carnaval: Tondonia Reserva Branco 1999, Chateau Montelena Chardonnay 2012, Pesquera Reserva 2008 e Castello di Ama Chianti Clássico Ama 2010!

Terça-feira de carnaval e recebo uma mensagem do JP no Whatsapp com uma foto do Chateau Montelena 2012... O convite estava feito: O Caião faria uma Paella e íamos matar uns vinhões, claro. Obviamente, demorou no máximo uns 5 minutos para que eu pegasse um vinho na adega e saísse ligeiro para participar da reunião na casa do JP. E o nogoso foi bom, como sempre.

domingo, 20 de julho de 2014

3 amigões, 3 vinhões: Tondonia Reserva Branco 1999, Beronia Gran Reserva 2006 e Quinta Vale D. Maria 2007!

A reunião da confraria nessa última semana estava completamente esvaziada: Alguns viajando, outros dormindo e outros negando fogo mesmo. Bem, mas sobraram 3 mosqueteiros que foram ao Chez Marcel para celebrar com o Caião a notícia de que está vindo um novo meninão por aí! Parabéns, Caião!
O Caião levou um que dispensa apresentações: Tondonia Reserva Branco 1999. Nós somos fãs de carteirinha dos vinhos de Lopez de Heredia, tanto dos brancos quanto dos tintos.  Este Reserva é feito com Viura (90%) e Malvasia (10%). O vinho é clarificado com claras de ovos e o envelhecimento é feito por 6 anos em barricas de carvalho, com duas trasfegas anuais. O engarrafamento é feito sem filtração. Tradição pura! O vinho começa a agradar pela bela cor âmbar e aromas deliciosos de frutas secas, amêndoas torradas e aquele leve oxidado, lembrando a Jerez, que muitos desavisados diriam ser defeito. Em boca,  repete o nariz e mostra aquela presença e elegância típica dos Tondonia. Sempre digo: Quem fica bebendo branquelos sem graça, todos iguais, e nunca apreciou um Tondonia, está perdendo tempo.
O JP chegou com um Beronia Gran Reserva 2006. Seus irmãos de 1995, 2001 e 2005 já pintaram aqui no blog. Acho os Beronia vinhos de boa qualidade e bom preço, mesmo aqui no país. Mas este 2006 confirma uma coisa que tinha visto quando apreciei o 2005: São vinhos para serem bebidos mais velhinhos. Este 2006 tinha notas de ameixas e cerejas maduras, em meio a madeira e um tostado meio forte. Em boca, embora redondo, também mostrava a madeira um pouco acima do ponto. É um bom vinho, mas teve este porém. Espero que os anos lhe façam bem. 
Eu levei um Quinta Vale D. Maria 2007, que já pintou aqui no blog anos atrás (clique aqui). Seu irmão de 2008 nos foi ofertado pelo Caião semanas atrás (clique aqui). E este 2007, depois de quase 4 anos, fico muito melhor! O vinho é feito pelo Douro Boy Cristiano Van Zeller, com um blend de uvas de vinhas velhas (mais de 40 tipos), com mais de 60 anos de idade. A maturação é por cerca de 21 meses em barricas de carvalho francês (75% novas e 25% de 1 ano). Ao nariz mostra notas de amoras, cerejas, kirsch, chocolate amargo e grafite. Em boca, repete o nariz e destaca-se pelo frescor e mineralidade. É daqueles que a taça evapora rapidamente e pede outra. Uma beleza de vinho! Estava muito melhor que quando o bebemos anos atrás. Pena que tenha subido tanto de preço desde aquela época.
Celebração bem feita, né Caião?

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Gravonia 2003: Outro belo branco de Lopez de Heredia!

Olha a cor do vinho!
Meus leitores sabem o quanto gosto dos vinhos de Lopez de Heredia. São vinhos únicos, que não se rendem a modernismos e que atravessam décadas mostrando tradição e elegância. Tanto os tintos como os brancos são vinhaços! Mas os brancos, longevos como poucos, brilham. São vinhos com longos anos em madeira e que conseguem, depois de muitos anos manter a vivacidade. Desde os mais simples, até o mais complexos (e caros), devem ser bebidos por aqueles que se dizem "bebedores de vinho". O Gravonia é o vinho de entrada do produtor. E que entrada...Vinho feito com 100% Viura e maturado por 4 anos em barricas de carvalho, com duas trasfegas anuais, clarificado com claras de ovos e engarrafo sem filtração. Tradição total. Seus ótimos 12,5% de álcool mostram que longevidade não tem nada a ver com bomba alcoólica. E não te deixam derrubado. Ao nariz mostra aquelas notas amendoadas, de cera de abelha e levemente oxidadas que muitos desavisados pensam ser defeito... Em boca, fresco, nos seus 11 anos. Longo e prazeiroso. Uma delícia de vinho! Só por curiosidade, ele ficou (não sei como) na lista dos Top 100 da Wine Spectator, com 93 pontos e a designação de altamente recomendado. Bem, de vez em quando eles acertam...rs.

domingo, 19 de maio de 2013

Vini Vinci 2013: Fotos e algumas impressões

Muitos anos de barrica, elegância e longevidade
Nessa edição de 2013 do Vini Vinci a importadora Vinci voltou para o local onde foi feito o seu primeiro evento, ou seja, o Hotel Tivoli. Lembro-me bem daquele evento estreiante. Obviamente, a cada edição fica ainda melhor. É difícil eleger destaques dentre tantos vinhos excelentes. 
Minha primeira passagem foi na CVNE, onde experimentei um branco muito fresco, feito só com Viura e sem madeira, o Monopole. Alí também bebi o grande Imperial Gran Reserva 2001, que dispensa comentários. Nossa turma já apreciou o 1998 e eu no último Vini Vinci experimentei o 1999. Todos ótimos! Ah, tem a história batida de que é o preferido do Rei... 
Sedosidade!
Dalí, fui direto ao estande da Lopez de Heredia, o qual tinha como anfitrião o simpático e empolgado Sr. Júlio Lopez de Heredia. Também, como não ser empolgado com aqueles vinhos maravilhosos? São destaques sempre. Brancos incríveis, tintos maravilhosos! O que há de melhor em Rioja. São sucesso sempre em nossa confraria. Ficarei devendo as fotos dos tintos, um Cubillo, um Reserva 2001 e um belíssimo Gran Reserva 1994, vivíssimo e cheio de finesse.
Passei alí pertinho pelo estande da italiana Fontodi, que produz grandes vinhos, entre eles o grande Flaccianello 2007, o Vigna del Sorbo Riserva 2006 e o ótimo Syrah Case Via. Ah, e o Pinot Nero também é uma beleza, assim como o Vin Santo, feito com Sangiovese e Malvasia Bianca. Todos vinhos excelentes, de muita classe. E se estamos falando de italianos, grandes vinhos da Argiolas (destaque óbvio para o Turriga, mas também o grande Vermentino Cerdeña e o de sobremesa Angialis). 
Alegria, elegância e grandes vinhos
E os vinhos da vinícola Dei? O estande nem estava tão cheio. Parece que o pessoal não conhece muito. Mas se não visitou, perdeu. Os vinhos são ótimos e eram apresentados pela super simpática Catharina Dei, proprietária da vinícola. Aliás, seu vinho top tem o nome de Sancta Catharina, e é uma beleza. Eu já havia apreciado o 2001 e agora apreciei o 2009, que embora novo, estava muito sedoso. São vinhos a serem conhecidos. Todos são muito elegantes. Eu gosto muito de seu Nobile de Montepulciano. 
Da Argentina não podia deixar de visitar a Noemía e apreciar todos os seus vinhos, que gosto muito. Quem quiser conhecer o estilo deles pode começar pelo ótimo A Lisa. Mas se quiser chutar o balde mesmo deve mandar um Noemía, que é maravilhoso, para muitos anos de adega. Experimentei o 2008 e o 2009 e estavam belíssimos. Incrível como são distintos dos outros Malbecs argentinos. E ainda tinho o "2", que é um corte que tem como majoritária a Cabernet Sauvignon. Outro vinhão! 
Passando para o Chile, mas com alma espanhola, visitei o estande da O. Fournier, onde o incansável José Manuel Ortega Founier mostrava os vinhos que faz na Argentina, Chile e Espanha. É outro produtor que gosto muito, pela qualidade e regularidade de seus vinhos. Bebi todos, mas fiquei particularmente impressionado com o chileno O. Fournier blend 2008, que tem como majoritária a Cabernet Franc, com pitadas de Cabernet Sauvignon e Carignan. Os vinhedos de Cabernet Franc foram plantados em 1890! Um grande vinho, que deve evoluir maravilhosamente em garrafa. O problema é, como sempre, o preço, que está salgado... Mas que é um grande vinho, é! E também grandioso o de Ribeira del Duero, o O. Fournier 2005. Cem por cento Tempranillo de uma grande safra e de um grande produtor. Potência e elegância perfeitamente casadas. 
De Portugal, gostei muito dos vinhos da Monte da Ravasqueira. É claro que o pessoal (fugindo da etiqueta) ía logo pedindo o MR Premium 2007, top da vinícola, mas perdeu quem não começou do prinícipio, ou seja, do ótimo Viognier Flavours, que é muito típico. Ou então, não quis conhecer o bom custo benefício Monte da Ravasqueira. É claro que o Vinha dos Romãs e o MR agradaram a todos. O Romãs, que tem como majoritárias a Syrah e Touriga Nacional, eu já havia gostado muito da última vez que provei. O MR Premium é feito com Alicante Bouschet, Syrah e Petit Verdot. 
Joana Cunha: Entusiasmo!
E já que entrei nos portugueses, gostei bastante também dos vinhos da Fontes da Cunha. Eles eram apresentados pela simpática e entusiasmada enóloga Joana Cunha, que conta com a assessoria de Francisco Olazoabal (Meão e Valllado). Vinhos do Dão, com alma do lugar (embora eu tenha notado um lado mais moderno neles). Muito frescor aportado pela ótima acidez e taninos marcantes. O Munda Touriga Nacional 2007 estava uma delícia. É a Touriga no seu berço, diferente daquela do Douro. Ela é menos floral, menos explosiva, e mais elegante. Confesso que a prefiro. Ah, e o branco Munda Encruzado 2010 não pode deixar de ser provado. É fermentado em barricas grandes, onde também matura por 6 meses, junto com as borras. Um vinho de muito personalidade e de ótimo preço. Bem, ainda nos patrícios, nem precisaria  comentar sobre os Portos Fonseca, belíssimos vinhos, apresentados pelo conterrâneo Frederico. Mas não posso deixar de citar o Tawny 20 Anos e o Fonseca Vintage 2009, do qual peguei uma bela taça e apreciei bem devagar caminhando pelos corredores do evento. 
E ainda nos portugueses, quem não bebeu o belíssimo Dão Porta dos Cavaleiros Reserva 1975, das Caves São João, perdeu boa parte do ingresso. Antes de apreciá-lo, é claro que bebi todos os outros da vinícola, cujos vinhos muito me agradam. Em sua juventude, mostram certa rusticidade, mas com o tempo, vão ganhando muita elegância. É só ter paciência. Mas quando cheguei naquele "Senhor" de 38 anos, fiquei estupefado. Como são longevos os vinhos dessa vinícola! Impressionante! Um Touriga Nacional estupendo, que evoluiu maravilhosamente bem nesses 38 anos e ainda mostra muito frescor. Destaque total!
E vamos em frente com a vinícola sulafricana Rust en Vrede. Gostei muito do Shiraz e Cabernet Sauvignon. São vinhos de ótimo corpo e com estrutura para guarda. Mas fiquei impressionado com o seu primo Guardian Peak Lapa Cabernet Sauvignon 2009, alí no mesmo estande.  Um vinho com ótima estrutura, nervoso, com taninos presentes e toques muito gostosos de pimenta e tabaco em meio ao cassis. Um belo vinho com ótimo potencial de envelhecimento, mas que já dá muito prazer agora.
Ufa, já tô ficando cansado... Gostei dos vinhos do Clos de L'Oratoire, principalmente o Chateauneuf Branco 2010 e os de Ogier, com destaque para o Gigondas e o Côte Rotie, muito sedosos e elegantes. 
E para finalizar, impossível não se deslumbrar com os vinhos La Spinetta. O Chardonnay Lidia tem muita presença. Lembra, mas não tem o peso e exagero de novo-mundo. O Barbera D'Alba é belíssimo, assim como os Pin Monferrato. Mas o destaque, claro, vai para o estupendo Barbaresco Gallina 2007. Esse sim, merece o adjetivo estupendo. Que vinhaço! Bebi devagar, curtindo com alguns queijos. Um vinho de cor clara, límpida e aromas deliciosas, riquíssimos, com notas de frutas em meio a notas florais e de especiarias. Muscular, mas extremamente elegante, com taninos perfeitos. Estonteante! Esse vou  conferir devagar, em taças adequadas, brevemente. 
Turma da pesada: La Espinetta
Bem, chega vai... Teve muitos outros e não dá para citar todos. Fiquem com as fotos. Ah, e ainda deu tempo de gastar um pouquinho de energia dando uma caminhada até a Tasca da Esquina para apreciar uma boa comida portuguesa, porque ninguém é de ferro...rs.

Ps. Os asteriscos nos marcadores indicam os vinhos "provados", não os bebidos... Estou adotando essa marca agora para diferenciá-los.


Sr. Júlio Lopez de Heredia e eu
Olha a cor desse Barbaresco Gallina La Espinetta!



O incansável José Manuel Ortega Fournier


O melhor em Chianti Clássico Riserva


Ótimos brancos de Argiolas, liderados pelo grande Cerdeña
Suolo 2007: Ótimo Sangiovese de Argiano, que mostrava também um grande Solengo 2006


Paleta de Porco Preto com Creme de Cogumelos e Farofa de Torresmo - Bão demais!


Pudim de Abade de Priscos - Delicioso candidato a Doce do Ano pela Prazeres da Mesa - Eu já votei!








quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Que é isso pessoal? NICOLAS CATENA ZAPATA 2008, CHRYSEIA 2000, TONDONIA RESERVA 2000, BERONIA GRAN RESERVA 1995, BERONIA GRAN RESERVA 2001, MANSO DE VELASCO 2008 e VIÑA ALBERDI 2005!!!

Na semana passada a reunião semanal da Confraria do Ciao foi na cozinha do amigo Tom, com seus assados maravilhosos. A turma teve o desfalque do Fernandinho (que errou o dia, pensou que fosse quarta-feira...kkkk) e do Paolão, que está sofrendo lá no Rhone. Bem, mas o amigo Marcelo Margarido, que aparece só de vez em quando, deu o ar da graça.
Vou começar por um grande, ofertado pelo amigo Tonzinho: um Nicolas Catena Zapta 2008. Aqui tratamos de coisa grande. O primeiro Nicolas foi feito em 1997 e desde aquela época tem sido considerado um dos maiores vinhos da América do Sul. Ele é feito com Cabernet Sauvignon das melhores parcelas da vinícola. Quando o Nicolas 1997 foi lançado, em 2000, participou de diversas degustações às cegas na europa, contra Chateau Latour, Haut Brion, Caymus, Solaia e Opus One, e em todas ficou em primeiro ou segundo lugar. O 2008 foi feito com 65% Cabernet Sauvignon e 35% Malbec, dos vinhedos Pirámide, Adrianna, Domingo e Nicásia. A fermentação foi feita em barricas novas de carvalho francês e a maturação também em carvalho francês, por 24 meses. Mirtilo, cassis, ameixa, alcaçuz, chocolate, notas florais e muitas ervas. Aliás, a presença de ervas aromáticas me chamou a atenção. Como disse ao Tonzinho, era como se colocássemos várias delas em uma tábua e sentíssemos os aromas após o corte. Em boca era muito sedoso, refinado, com taninos perfeitos. Um grande vinho! Para me agradar mais ainda, poderia ser um pouquinho menos doce. Lembrou-me um pouco o ladinho doce de alguns vinhos americanos. Mas vou fazer uma crítica a nós, confrades: Este vinho está muito novo! Ficará mais integrado em alguns anos. Diferentemente de grandes bordeaux, que em sua juventude são fechados, nervosos, e precisam de tempo para se abrirem e serem domados, o Nicolás já é macio, mas a meu ver precisa de tempo para integrar melhor suas virtudes.  Cometemos (mais) um pecado...rs. Quero beber um desse mais velhinho... 
O JP levou um ótimo Beronia Gran Reserva 1995. Um vinho já senhorio, cor e aromas de cereja ao marrasquino. Já no seu ápice. Os aromas de cereja se misturavam a notas de tabaco e alcaçuz. Em boca, muito redondo, gostoso, mas com baixa acidez. Vinho muito bom, embora unidimensional, talvez já pela idade. Se tiver um desses, beba logo, e vai se divertir. 
E como eu sabia que o JP ia levar o 95, resolvi levar o irmão dele, o Beronia Gran Reserva 2001. Este eu já comentei aqui no blog (clique aqui), e nem vou colocar a foto. Embora fosse patente o DNA do produtor, o 2001 estava bem mais vivo e rico. Destaque para as notas de cereja preta, tostadas, balsâmicas, couro e alcaçuz. Ah, e um fundinho de mel discreto e interessante. Vinho muito redondo e sedoso. Uma delícia! Talvez seu irmão de 95 fosse assim alguns anos atrás. Foi divertida a comparação.
Nosso confrade esporádico, mas muito querido, Marcelo Margarido, levou um grande Chryseia 2000. Eu fiquei curioso com ele, pois havia apreciado um Chryseia 2006 tempos atrás, que se mostrava novão, e queria beber um desses mais antigo. No entanto, o que vi foi um vinho completamente diferente do 2006. O 2000 é muito mais ao estilo austero, tradicional, menos moderno. O vinho é feito com Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Cão. A fermentação ocorreu em inox e a maturação por apenas 8 meses em cascos de carvalho francês (400 litros). Nos mais recentes o tempo passou para 12 meses. Sua cor, influenciada pelo tempo, mas também característica que o difere dos atuais, é mais clara, tendendo à cereja. Ao nariz, o lado floral da Touriga Nacional não se destaca tanto. Nada de fruta muito madura e excessos. Notas de cereja e framboesa se mesclavam a notas de couro e cedro. Em boca, era seco, com taninos corretos e um fundinho de madeira no tanto certo. Um vinho distinto, diferente das novas tendências. No começo, causou-me até certa estranheza, pois esperava um Chryseia parecido com o 2006 que havia apreciado, mas com o tempo, foi mostrando categoria. Aqui se vê a influência bordalesa de Bruno Prats (Cos d'Estournel). Vinhão, Marga!
E nosso amigo Rodrigo não deixou por menos e levou um riojano de peso: Tondonia Reserva 2000. Esse eu já levei uma vez prá turma (clique aqui). Falar de Tondonia é chover no molhado, pois é grande vinho sempre. Se você quer beber Rioja tradicional, experimente um deles. É elaborado com leveduras indígenas, maturado em barricas usadas de carvalho americano por longos anos (6 anos este Reserva), clarificado com claras de ovos e submetido a inúmeras trasfegas. A cor já é particular, lembrando um borgonha. Ao nariz, notas de cereja, cítricas e de especiarias. Em boca, taninos domados pelo tempo e acidez correta. Uma beleza, sempre! E amado pela nossa turma.
E não contente, o Tonzinho foi na adega e ainda trouxe um Manso de Velasco 2008. O Tonzinho não estava para brincadeira. Esse vinho é um dos meus chilenos preferidos. Já comentei aqui sobre o 2006, que me agradou muito. A assinatura do vinho estava também neste 2008. É um vinho com muita fruta madura (mirtilo, ameixa, cassis) compotada (mas sem incomodar), chocolate e alcaçuz. É cheio de camadas e vai mudando com tempo em taça. Em boca é amplo, vivo, mastigável, e com taninos doces e sedosos. Um vinho excelente e que merece mesmo ser sempre considerado um dos melhores Cabernet Sauvignon do Chile sempre, no Guia Descorchados.
O Caião levou o irmão menor dos grandes La Rioja Alta, o Viña Alberdi 2005. O vinho é uma boa introdução aos vinhos desta tradicional vinícola Riojana. Já comentei aqui sobre o Gran Reserva 904 1994, que bebemos esse ano e estava maravilhoso. O Alberdi é feito majoritariamente com Tempranillo e aquelas pitadinhas clássicas de outras uvas que lhe aportam mais peso, cor e acidez. O envelhecimento é o tradicional, em barricas de carvalho americano por 24 meses, o que aporta a característica baunilha, já evidente nas primeiras cafungadas. O primeiro ano é em barricas novas e o segundo em barricas de 3 anos. A cereja se mostra entre notas de café com leite, leve balsâmico e cítricas leves. Em boca é muito sedoso, com boa acidez e taninos muito redondos. É um vinho muito bom, que mescla tradição e modernidade, e que parecia ser mais novo.
Bem pessoal, e foi isso. Muito vinhobão! Como sempre...
A turminha reunida...

domingo, 19 de agosto de 2012

FULVIA PINOT NOIR GARAGEM 2011: destaque em reunião da confraria


Nessa última reunião da confraria tivemos vinho francês, espanhol, português, argentino e um brasileiro que a meu ver, deu chineladas em todos eles...rs. Bem, vamos pela ordem da foto. 
O primeiro deles, que já comentei aqui no blog (clique) é o alentejano Cortes de Cima 2005. Levei o danado embrulhado e só o Fernandinho acertou se tratar de um português. Acho que a Syrah (67%), que divide o corte com Aragonez (16%), Touriga Nacional (12%) e Cabernet Sauvignon (5%), deu uma enganada na turma. O vinho estagiou 12 meses em barricas de carvalho (80% Francesas e 20% Americanas). O vinho mostrava notas muito intensas de frutas maduras, florais, couro e alcaçuz. Em boca, amplo e com longo final. Bem, como citei na outra postagem, é um vinho muito recomendado e que oferece muito pelo seu preço.
O seguinte na foto, também já comentado aqui (clique), é um que não poupo elogios. Foi levado pelo amigo Caio e para mim, foi o rei da noite. O Fulvia Pinot Noir Garagem 2011 deu o show. Mesmo bebido em taças de brunello, mostrou sua força. As notas de frutas silvestres estavam lá, mescladas a notas terrosas e especiadas. Uma delícia que ia se transformando com o tempo. Vinho para ser apreciado devagar, sozinho ou com boa comida (o que é melhor ainda) e que confirma a qualidade dos vinhos de Marco Danielle (alguns já comentados aqui). Só o Fernandinho, por não apreciar Pinot Noir, não gostou do vinho... Mas ele é novo, aprende...rs.
Do lado direito do FVLVIA, o vinho levado pelo amigo João Paulo (JP), o segundo vinho do  Chateau Gruaud-Larose, o Sarget de Gruaud-Larose 2003. O vinho, de St. Julien, varia em composição de safra para safra, mas este 2003 é feito com Cabernet Sauvignon (57 %), Merlot (30 %), Cabernet franc (8 %), Petit Verdot (3 %) e Malbec (2 %). Ele mostra notas de cereja, cassis, tostadas e alcaçuz. Em boca é levemente glicerinado, com taninos muito sedosos e final médio. É um bom vinho, mas não empolgante. 
O amigo Rodrigo levou o Crianza de Tondonia, o Cubillo 2005. Bem, Lopez de Heredia dispensa comentários. É tradição pura e qualidade certa. O Cubillo 2005 é um corte de Tempranillo (65%), Garnacha (25%), Graciano (5%) e Mazuelo (5%) que passa 2 anos em madeira e 1 em garrafa antes de ser comercializado. O danado demorou a abrir, principalmente em boca. Ao nariz, mostrava notas de cereja, baunilha e alcaçuz. Em boca, mostrou sedosidade, mas baixa acidez. Eu senti falta de mais presença, principalmente em boca. Na mesma faixa de preço, pelo menos este 2005, tem concorrentes seríssimos. 
E para finalizar, o Tonzinho levou um embrulhado que matei na hora: Shiraz novo, sem madeira, e embora simples, era de boa qualidade. Tinha notas de groselha e especiadas, e ótima acidez. Era um vinho alegre, festivo. E para nossa surpresa, era um argentino, o Las Moras Shiraz 2010. Vinho barato e que agrada. Nada de bomba! Estudando um pouco sobre a vinícola, soube que é conhecida por produzir grandes vinhos com Shiraz de San Juan, e que muitos a consideram ser a que melhor produz vinhos com esta casta na Argentina. Estou curioso para conhecer seus outros Shiraz, pois devem ser bons. Inclusive, são vinhos orgânicos. A conhecer melhor.


quarta-feira, 9 de maio de 2012

TURMA ABUSADA: Don Maximiano, Sastre Pago de Santa Cruz, Tondonia Reserva e Can Bonastre! Uau!

Olha a fera!
A turma tá pegando pesado. Nessa quinta-feira passada, em comemoração ao retorno do amigo Rodrigo, e à viagem do JP, mandamos ver em várias botellas de muito respeito. A primeira delas foi levada pelo Caião, que está se especializando em levar belos vinhos. E foi uma de Don Maximiano 2007, o top da chilena Errazuriz. Eu já postei aqui sobre o 2005 e também tomei uns goles do próprio 2007 no último Vini Vinci. Naquela oportunidade, achei um vinhão, claro. Mas agora, muito mais, pois pude apreciar boas taças e o vinho já estava mais aberto. É um vinho diferente do 2005, mais austero  e para mim, ainda melhor que ele. Aromas muito ricos, com notas de cassis, tabaco, leve pimenta, grafite e alcaçuz. Em boca, muito amplo, com taninos sedosos e final longuíssimo! Belíssimo vinho Caião! Valeu mesmo! Bem, os vinhos da Errazuriz são importados pela Vinci.

Veja o número da garrafa...
O segundo vinho foi levado por este que vos escreve. Era um irmão maior do Sastre Crianza, que sempre foi sucesso em nossa turma (veja aqui comentário sobre o 2002). O vinho em questão era um Sastre Pago de Santa Cruz 2003. É feito a partir de uvas de vinhedos especiais de Tempranillo, com mais de 64 anos de idade. As videiras são tratadas de forma natural, e não recebem tratamento de inseticidas ou herbicidas. O vinho matura por 18 meses em barricas novas de carvalho americano. Ao nariz já mostra sua força: Notas de cereja preta, caramelo e terrosas. Em boca, intensidade pura, com taninos sedosos e com um final interminável. É daqueles vinhos que a gente fica triste quando acaba. Uma beleza! Degraus acima de seu já ótimo irmão mais novo, o Crianza. A Peninsula comercializa os vinhos Sastre, mas pelo menos em seu site não figura o Pago de Santa Cruz, que pode ser encontrado na Invinovita
Tradição pura!
E a saga continuou com mais um espanhol, mas agora, de Rioja. E não era qualquer um. O amigo Rodrigo levou uma garrafa de um queridinho da turma, o Tondonia Reserva 2001. Esse dispensa maiores comentários. O 2001 já foi comentado aqui no blog, assim como outros belos vinhos deste tradicional produtor (clique aqui). E este estava uma delícia! As tradicionais notas de cereja e tabaco se misturavam a um fundinho cítrico. Tudo correto! Quem nunca tomou um longevo Tondonia não sabe o que está perdendo.
E como estas garrafas evaporaram logo, antes mesmo do jantar, o Fernandinho ofereceu uma garrafa de outro espanhol! E de outra região. Desta vez, da Catalunha: O Can Bonastre 2006 É um vinho que não peita os anteriores, mas muito gostoso. É feito com 60% Cabernet Sauvignon e 40% Merlot, e passa 12 meses em barricas francesas e americanas. Embora seja elaborado com castas francesas, possui a alma da Catalunha, mostrando fruta escura, notas balsâmicas, tostadas e boa mineralidade. Um vinho muito bom, e que se não tivesse sucedido a turma supracitada, faria ainda mais sucesso. É importado pela Mercovino.
Bem, como diria meu amigo Eugênio: Degustação totalmente Faixa-Preta! Paolão e Tom, que estavam viajando, perderam mais uma grande noite...
Balsâmico

domingo, 29 de maio de 2011

Vini Vinci 2011 - Espanhóis dão o show!

Desde a primeira edição do Vini Vinci que destaco a participação espanhola, e desta vez, não poderia ser diferente. Começo pela tradicional CVNE (Compañia Vinicola del Norte de España). E não poderia deixar de ressaltar a recepção e atendimento do seu diretor, Sr. José Luis Cornejo, que é de uma fidalguia impressionante.




O Sr. José Luis mostrou os vinhos da CVNE, das três bodegas (Cune, Viña Real e Contino) com muita alegria, contando a história de cada bodega e as características de cada vinho. A começar pelo ótimo Cune Crianza, que segundo ele, é vinho do dia-a-dia do Rei Juan Carlos III (o que mostra que o Rei não tem o Rei na barriga).
Destaca-se, obviamente, o grande Imperial Gran Reserva, o preferido do Rei. O exemplar experimentado, de 1999, estava uma delícia, redondo, cremoso, equilibrado, com notas carameladas, fruta na medida certa, uma delícia! Mas segundo o Sr. José Luis, deve melhorar com o tempo e ganhar as características do 1998, que experimentamos há uns dois anos atrás e estava maravilhoso.

Os vinhos da Viña Real também estavam maravilhosos, com destaque, óbvio, para o complexo e mais moderno Pagos de Viña Real 2004. Finalizamos com os excelentes vinhos de Viñedos del Contino, elaborados com uvas selecionadas de Rioja Alavesa. Seus vinhos são considerados verdadeiros chateau riojanos. O Contino Reserva 2002 estava muito bom, mostrando muita finesse. Enfim, se parássemos alí, a noite já estaria ganha!
Mas a Espanha tinha ainda grandes obras de arte a serem apreciadas. E seguimos pelos Tondonia, que adoro. Pena que o Sr. Lopez de Herédia não estava presente. Mas seus vinhos, estavam em peso e como sempre, maravilhosos. Os brancos, são únicos, particulares e de uma riqueza impressionante. Todos com cores belíssimas, douradas e aromas riquíssimos, com notas de amêndoa, mel, frutas secas, leve oxidado lembrando a Jerez, que delícia! O Gran Reserva 1987 é uma obra de arte, de ficar na memória.
Os tintos, riojanos tradicionais e da melhor estirpe, surpreendem sempre pela sua complexidade e elegância.
O Tondonia Reserva 2000 já mostra a qualidade da vinícola, e o Tondonia Gran Reserva 1987 é de tirar o fôlego.


O Bosconia Gran Reserva 1981, em sua garrafa borgonhesa, esbajou elegância. Aliás, muitos consideram os vinhos de Tondonia verdadeiros borgonheses dentro da Espanha, e eu concordo. São maravilhas engarrafadas.
Continuando a saga espanhola, como não citar os vinhos O.Fournier?

Apresentados pelo seu proprietário, o incansável José Manuel Ortega Fournier, os vinhos deram um show. Desde o mais simples, o Urban Uco (ótimo custo benefício), passando pelo Spiga e Alfa Spiga, todos são de dar água na boca, exemplos de concentração e elegância. Mas o O.Fournier 2004, o top da vinícola, foi destaque absoluto. 
O vinho éconsiderado um dos melhores da Espanha, arrebatando 95 pontos da WS para esta safra. É um vinho intenso, concentrado, que mescla potência com muita elegância e sedosidade. Uma maravilha!
Bela surpresa foi a passagem pelo estande da Altavins. Estávamos do lado, meio indecisos quanto a onde ir, até que o simpático produtor,

Joan Arrufi, nos convidou a conhecer seus vinhos da DO Terra Alta, no extremo sul da Catalunha. São vinhos excelentes e de ótimo custo benefício. O branco é uma delicia, feito com garnacha branca. Seu primeiro tinto, o Almodi, uma mescla de Garnacha, Syrah, Cariñena, Merlot e Cabernet Sauvignon, não passa por madeira e mostra ao mesmo tempo frescor e potência. Muito bom mesmo para sua faixa de preço. O Tempus, já maturado por seis meses em madeira, é mais complexo e redondo, e também muito concentrado.
Mas o ápice é o Domus Pensei, uma mescla de Garnacha, Cabernet Sauvignon, Merlot, Cariñena e Syrah, maturado por 12 meses em madeira. Uma delícia de vinho, com notas deliciosas de café, chocolate, balsâmicas e que traz a potência, mineralidade e concentração dos vinhos da Catalunha. Ótima surpresa espanhola!
Surpresa também foram os brancos das Bodegas Naia, de Rueda. O Naia, um branco feito com uvas Verdejo de vinhedos antigos, é muito bom. Mas o Naiades Rueda (à direita na foto), branco feito com uvas Verdejo de vinhedos muito antigos (alguns centenários) e maturado 8 meses em carvalho, é uma delícia! Um branco complexo, sedoso e muito rico.

E para terminar minha incursão sobre a Espanha, tenho que citar os vinhos que apreciei das Viñas del Cénit. Seus vinhos são feitos na região de Tierra del Vino de Zamora, em Castilla y León, bem próximo a região de Toro. O concentrado e elegante Cenit tempranillo (foto), top da vinícola, elaborado com uvas de vinhedos de 60-100 anos de idade, plantados em pé-franco e maturado por 18 meses em carvalho, é uma maravilha! Foi o último vinho que apreciei na noite, já ao apagar das luzes, e comprovou o sucesso constante dos espanhóis no Vini Vinci. Infelizmente, deixei de visitar ainda alguns outros produtores espanhóis, como as Bodegas Mauro, que adoro. Mas fica para o próximo encontro.
Postarei em breve minhas impressões sobre vinhos de outras nacionalidades apreciados neste excelente Vini Vinci 2011...