Nesta última quinta fizemos o bota-fora do confrade Paulão, que sai de viagem à França na próxima semana, coitado... Bem, como era de se esperar, ele levou uma preciosidade, o italiano Castello di Brolio 2006, de Barone Ricasoli. Apreciamos este vinho em nossa especial de final de ano em 2010 (clique aqui). É uma maravilha! Não é a toa que ficou em quinto lugar do mundo na lista dos Top 100 2010 da WineSpectator. Vale cada pontinho (dos 96, rs). Aliás, o 2004 também é excelente (clique aqui). A diferença é que o 2006 é mais moderno, mais internacional, mas nem por isso deixa de ser um grande vinho (neste aspecto, confesso que prefiro o 2004). Neste 2006, as notas de baunilha já diminuiram um pouco em relação aquelas garrafas que apreciamos no ano passado, mas ainda estão presentes em meio a notas de amoras bem maduras e alcaçuz. Em boca é amplo, denso, com taninos finíssimos e final longuíssimo. Uma beleza de vinho Paulão!
O amigo João Paulo levou o Barbaresco Dessilani 2003. O vinho estava fechado no início. Notas de ervas e funghi secchi bastante presentes, mas pouca fruta. Depois de um bom tempo respirando surgiram notas de frutas, leve ameixa fresca, morango, mas poucas notas florais típicas da Nebbiolo. Em boca era de leve para médio corpo, com boa acidez e taninos se arredondando. O vinho ficou gostoso depois de bom tempo aberto, com mais harmonia e boa mineralidade. O problema é o seguinte: Barbaresco, Barolo, Brunello e companhia, têm que ser apreciados com muita calma, e com comida! Se não for assim, perdem potencial.
Eu levei embrulhado um Muga Selección Especial 2005. É um riojano muito elogiado pela crítica. Uma característica especial dele é o corte de 70% Tempranillo, 20% Garnacha e 10% Graciano e Manzuelo. A Garnacha entra na composição e dá a ele características especiais, principalmente mais acidez e mineralidade. Aliás, só o Fernandinho acertou a nacionalidade. O Caio até que acertou as notas de cereja, típicas, mas errou o chute. Acho que a Garnacha enganou a turma. O vinho tinha as notas típicas de cereja, tabaco, um pouco de ameixa, alcaçuz e notas cítricas. Em boca parecia ainda jovem, com uma acidez vibrante. O JP achou fechado. Talvez sim, para um Rioja. Mas acho ele causou um certo estranhamento ao pessoal pela acidez vibrante. Por isso, faltou-lhe também a companhia da comida. No entanto, é inegavelmente um belo vinho, e gostei dele.
Seguimos com um Chianti Clássico Riserva 2003, da Tenuta di Capraia, levado pelo Caio. É um 100% Sangiovese , feito com videiras de baixo rendimento. O vinho tinha um bom nariz, com notas de ameixa fresca e leve tostado. Senti falta da cereja, notas florais e de chá da Sangiovese. Mas é um vinho gostoso, rico, de médio corpo e com taninos redondos. Obviamente, tinha acidez típica de um bom italiano e carecia de comida para acompanhá-lo. Mais um que precisava ter respirado mais.
Nosso amigo Tom levou um vinho que me encantou, um Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria 2005. O vinho é um regional das Beiras, feito quase que exclusivamente com a difícil casta Baga (ele tem também uma pitadinha de Touriga Nacional), a partir de vinhas velhas plantadas em apenas 3 hectares. A propósito, o grande João Portugal Ramos é genro do Conde e Condessa de Foz de Arouce, proprietários. Dá para imaginar então que tem seu "dedinho" nos vinhos (informação retirada do site Petichef). O enólogo responsável é o engenheiro João Perry Vidal, colaborador da equipe de JPR. Bem, mas vamos ao vinho. Ao nariz, notas de cereja foram se mostrando junto com notas de chocolate meio amargo, grafite e tabaco. Os aromas foram enriquecendo com o tempo. Em boca mostrava médio corpo e taninos e acidez típicas da casta, mas tudo muito bem integrado. É vinho mineral, gastronômico e com grande potencial de guarda. Imagino que em alguns anos irá adquirir aqueles traços de borgonha, que acontece com bons bagas envelhecidos. Eu adorei o vinho! Para mim, foi a surpresa da noite.
E por último, apreciamos o Má Partilha 2008, da Quinta da Bacalhôa, levado pelo amigo Rodrigo. O vinho é feito com 100% Merlot e matura por 16 meses em barricas de carvalho Allier. Ao nariz notas especiadas, de pimenta-do-reino, mescladas a notas de amora e ameixa compotadas e chocolate. Em boca, taninos ainda por arredondar, mas já elegantes, e bom final. Lembrou-me um bom Cuvée Alexandre Merlot.
Minha conclusão geral da noite é que todos os vinhos eram muito bons, mas precisavam ter respirado mais e terem sido apreciados com comida. Apenas os últimos o foram. Eu sou daqueles que pensam que vinho tem que ser com comida, senão prejudica sua avaliação. Por outro lado, apesar do Rosbife com molho do Troigros e bolinhas de batata estar maravilhoso, penso que os vinhos eram adequados para pratos italianos típicos, como cabrito, risotos e massas com molho vermelho.
Bem, a despedida do Paulão, que nos deixará por algumas semanas, foi excelente! Espero que ele se lembre da gente lá na França e pague algum excesso de peso na volta.
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A família reunida...
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