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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

E ainda em 2011, dois Uruguaios de peso: Prelúdio 2005 e Massimo Deícas Tannat 2007

E antes que o ano se encerrasse, ainda apreciamos na casa do Carlão dois belos vinhos uruguaios da Família Deicas. O primeiro deles, já comentado aqui no blog, foi Prelúdio Lote 81 2005. É um vinho feito com 38% Tannat, 22% Cabernet Sauvignon, 10% Cabernet Franc, 15% Merlot, 8% Petit Verdot e 7% Marselan. Um corte bastante interessante e que gera um vinho muito complexo. Ao início, a baunilha e tostado aparecem bastante, mas com o tempo vão surgindo notas de figo seco, anis e ameixa em compota, além de chocolate e caramelo. Em boca é um vinho amplo e muito sedoso. Pela segunda vez, gostei muito do danado.
Em paralelo, apreciamos outro da Familia Deícas, agora um puro Tannat, o Massimo Deícas Tannat 2007. É o Tannat top da vinícola, cujo nome é homenagem ao seu fundador. O vinho descansa por no mínimo 18 meses em barricas novas de carvalho francês. Ao nariz, é suntuoso, com notas densas de frutas negras, alcaçuz e madeira na medida certa. Em boca, é muito amplo, estruturado, mineral e com taninos presentes, mas muito finos. Tudo isso, junto com uma acidez que pedia comida, de preferência uma bifão grosso de picanha. Que beleza de vinho! Um dos melhores Tannats que já apreciei. Com alguns anos de adega deve ficar sensacional. 
Contra rótulo do Massimo Deicas
E como os amigos ainda não estavam satisfeitos, ainda abriram um Palácio da Bacalhoa 2007, belo vinho que já comentei aqui no blog duas vezes, e por isso não tecerei mais comentários. Está melhorando a cada garrafa. Jeitão bordalês e com muitos anos pela frente.
Bem, agora é 2012 vindo aí... Que belos vinhos nos aguardem.

Nota pós-postagem: Como eu suspeitava, o Massimo Deícas é a nova denominação para o  grande Família Deicas 1 Cru D'Exception Tannat. Escrevi para a vinícola e o Sr. Diego Pérez, do Departamento de Exportação, prontamente me respondeu com a informação. A propósito, os vinhos da Família Deícas são importados pela Interfood

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Excursão ao novo mundo na casa do amigo Carlos André

Neste último sábado me juntei aos amigos Akira e Carlos André para um jantar na casa deste último. O jantar foi regado a vinhos, em sua maioria, do novo mundo. O único do velho mundo foi o ótimo Palácio da Bacalhoa 2007, que já nos foi anteriormente ofertado pelo Akira e comentado aqui no blog (clique aqui). Desta vez ele descansou por mais tempo em decanter e pode mostrar ainda mais as suas qualidades. É quase um Bordeaux, que deve ganhar muito com alguns anos em adega. O Carlão e Akira também apreciaram um Notas de Guarda 2002, da chilena Santa Helena, também decantado. Eu declinei. Isso por que confesso não ser fã deste vinho, por achá-lo muito amadeirado. Já comentei sobre ele aqui no blog também (clique aqui). Não é perseguição ao Notas, mas uma questão de gosto. Apesar de gostar de vinhos potentes de vez em quando, ele supera um pouco meu limite para potência, principalmente pela madeira. Mas como eu mencionei, é uma questão de gosto. Conheço diversas pessoas que gostam muito dele.
Eu levei um vinho que já havia apreciado com o pessoal da confraria, o sulafricano Stellenbosch Hills 1707, de 2007 (para minhas impressões, clique aqui). O vinho é bastante frutado e com madeira presente. Exala notas de tabaco doce e chocolate. Um bom vinho, que agradou aos amigos Akira e Carlos.
Os outros dois vinhos apreciados foram duas novidades para mim. O primeiro foi o americano RedTree Petite Sirah 2009. A Petite Sirah é também conhecida como Durif. Aliás, essa é mais uma confusão no mundo do vinho, pois isso só foi identificado nos EUA por exames de DNA. A Petite Sirah (assim mesmo, com "I" não "Y") é um cruzamento entre Peloursin e Syrah.  O vinho em questão era fácil de beber. Em geral, a Petite Sirah gera vinhos mais potentes, este não estava tanto. Ao nariz, notas de frutas compotadas, geléia e baunilha. lembrava até a Bonarda. Em boca era bem resolvido, com taninos redondos e levemente doces. Um bom vinho.
O último vinho foi também um americano, o Leese-Fitch Cabernet Sauvignon 2008. Embora a Cabernet Sauvignon seja majoritária, parece que o vinho tem pitadas de Syrah, Tempranillo, Alicante Bouschet e Petite Sirah . Ao nariz o vinho mostrava inicialmente poucas características da Cabernet Sauvignon. Mas com o tempo foi se abrindo e melhorou bastante. Notas de cassis, groselha e baunilha. Eu achei esta última um pouco exagerada, o que é normal em vinhos dos EUA. Em boca tinha um herbáceo diferente, que contrastava com o doce do nariz. Ficou bem melhor acompanhando o Filé ao Molho Pavarotti do Ciao Bello.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Palácio da Bacalhôa 2007 e Marques de Casa Concha 2005

Nesse final de semana o Akira nos brindou com um belo Palácio da Bacalhôa 2007, o irmão maior do sempre bom Quinta da Bacalhôa. O Palácio é um corte de Cabernet Sauvignon (70%), Merlot (25%) e Petit Verdot (5%), envelhecido por 18 meses em barricas de carvalho Allier e que descansa 12 meses em garrafa antes da comercialização. Este, da bela safra de 2007, tinha belos aromas de café, ameixa, menta, leve apimentado, chocolate amargo e depois de um tempo liberava notas gostosas de amora. Em boca, mostrava juventude, mas já dá grande prazer. É vinho de bom corpo, denso, e com taninos finos. Um belo vinho, e que deve ficar muito gostoso com algum tempo de adega. De qualquer forma, se você não resistir, não deixe de decantá-lo antes de beber. O amigo Carlos André nos levou um Merlot americano que estava bastante fechado, principalmente no começo, quando as notas herbáceas roubavam a cena. Mudou um pouco com o tempo, liberando um pouco de fruta, lembrando groselha, mas a madeira era muito presente. Bem, não fez muito minha cabeça não... Tanto que esqueci o nome! (rs). Qual era Carlão? Saint Andrews ou algo parecido.
Mas o Carlos levou um outro Merlot, o conhecido Marques de Casa Concha 2005, que estava muito bom. Bem, os vinhos desta linha costumam agradar, e o Merlot, em minha opinião, é o melhor deles. Este, de uma bela safra, ainda estava vivão, e o tempo lhe amaciou os taninos de maneira bem correta. Logo que foi aberto já mostrou notas de ameixa e amora, mescladas com notas de café e um tostado na medida, que se mantinha em boca. Mas foi melhorando na taça. Um vinho bem gostoso, redondo e com tudo correto. Para mim, bem melhor que o americano (sorry Carlão!).
Eu levei um que já comentei aqui, o espanhol Emina Prestigio 2006, de Ribeira del Duero. Vinho bom, mas que nesta safra não repetiu o sucesso do 2003, por exemplo, que era mais redondo. Mas depois de um bom tempo aberto mostrou boas qualidades, com notas de cereja e tabaco típicas. Mas eu esperava que ele tivesse melhorado desde o ano passado, quando apareciam notas herbáceas que incomodavam um pouquinho. Elas ainda aparecem.
Bem, a meu ver, a noite foi mesmo do Bacalhôa...