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segunda-feira, 9 de abril de 2018

Barranco Oscuro Cerro las Monjas 1368 2003: Vinhaço natural granadino!

Meu amigo Marceleto, em uma de suas viagens a Espanha, passou por Granada e me trouxe alguns vinhos naturais de lá. Eu já havia bebido lá mesmo o belíssimo Syrah Rubaiyat e ficado impressionado com os vinhos da vinícola Barranco Oscuro. Este 1368 Cerro las Monjas 2003 é um vinho top da vinícola, e seu nome remete à altura dos vinhedos, considerado os mais altos da Europa. O vinho é produzido por Manuel Valenzuela, na D.O. Andalucia, região de Granada. Pertence à classe dos vinhos naturais, fermentado com leveduras da própria uva, com o mínimo de intervenção e sem adição de sulfito. Este 2003 é feito com Garnacha (30%), Syrah (30%), Cabernet Sauvignon (15%), Cabernet Franc (10%), Merlot (10%) e Tempranillo (5%), de baixa produção e vinificadas separadamente. A maturação é feita em barricas de carvalho francês por 17 meses. Apenas 8.300 garrafas foram produzidas. O vinho mostrava uma cor muito bonita, granada, brilhante. Ao nariz, aromas riquíssimos que invadiam o ambiente. Notas florais, de ameixa fresca, cerejas, azeitonas, balsâmicos, caixa de charutos e notas terrosas. Uma beleza! Em boca, frescor, mineralidade e taninos finíssimos. O final era longo e mineral. Muito equilíbrio e grande vivacidade. Lembrou-me excelentes Prioratos, como o Mas DoixNada de superextração, ou madeira sobressaindo. E tampouco aromas de Brett etc, por vezes presentes nos ditos vinhos "naturais". É um vinho sensacional! E para mim, não é por que é "natural". Obviamente, é melhor que seja feito assim, sem pesticidas nos vinhedos, conservantes etc. Claro que, se o vinho é bom e ainda é feito da forma mais saudável e artesanal possível, tanto melhor. Mas o fato é que, a meu ver, um vinho não é bom, ou deva ser assim considerado, só por que é natural, orgânico ou biodinâmico. Ele deve ter qualidades e ausência de defeitos. E suas qualidades são produto de vários fatores, mas penso que, principalmente, do uso de boas uvas e produção cuidadosa de um grande enólogo (que é o caso!). Mas devo dizer que todos os vinhos "naturais" espanhóis que bebi até hoje me agradaram muitíssimo. E este 1368, não fugiu à regra. Recomendadíssimo! Logo abaterei o 2001, que veio na mesma remessa.



quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Syrah Rubaiyat y Restaurante Azafran en Granada


Confrades, hoje fomos ao Restaurante Ruta del Azafran, em frente ao Passeo del Pueblo Triste, em Granada. Bem, de triste lá não tem nada, afinal, ficasse admirando uma bela paisagem, aos pés da Alhambra. Ah propósito, todos em Granada choram pelo fato do Cristo Redentor ter ganhado da Alhambra a disputa para ser maravilha do mundo... Olha, sendo sincero, a Alhambra é linda demais... Bem, mais voltando ao Azafran, é um restaurante de comida internacional mas com clara vocação espanhola. O legal de lá é também o atendimento, nota dez, e os vinhos que levam prá gente provar, muitos deles regionais e biodinâmicos. De comida iniciei com um Foie con pimientos confitados, que estava muito bom, e que foi acompanhado por um branco doce Monastrel L'Ermita, muito bom e servido como cortesia. Para o prato principal, que foi um Cuscuz de cordeiro, pedi um vinho biodinâmico chamado Rubaiyat, que é um 100% Syrah, de 2006. A vinicola é da região de Granada e se chama Barranco Oscuro. Esta vinícola elabora vinhos nos vinhedos mais altos da Europa, na Sierra de la Contraviesa-Alpujarra de Granada. Belíssimo vinho! O garçon decantou porque o vinho não era filtrado e tinha muitos sedimentos. Além disso, foi ganhando vida após a decantação. Tem corpo e muita personalidade, além de pedir comida. É um vinho complexo e untuoso. Com o tempo na taça começam a aparecer os aromas de caramelo queimado, notas terrosas, amora bem madura, ameixa preta e compotas. É um vinho bastante mineral, e com notas de especiarias. Na boca apresenta ainda um toque balsâmico, aportado pelos 16 meses em barricas novas francesas, da Borgonha. Combinou perfeitamente com o Cuscuz de cordeiro. Pena que ainda não tenha no Brasil. Ah, antes de servi-lo o garçon me ofereceu uma taça de um tinto jovem (6 meses de barrica) da mesma vinicola, o BO2 Barranco Oscuro 2008. É um tempranillo de meio corpo, bastante mineral e que trás as características do produtor. Um bom vinho de entrada. Ainda novo, mas já apreciável. E no final ainda fomos brindados com um vinho de laranja para acompanhar a sobremesa... Que beleza!
Foie con pimiento confitado e berries
Cuscuz de cordeiro