Fico muito contente quando compro um vinho a bom preço e ele me satisfaz. Se o danado ainda agrada meus amigos, melhor ainda. E foi o caso deste vinho que adquiri há alguns meses na Importadora Cellar. Não conhecia o produtor, mas li alguns elogios em alguns artigos. Era um Marziacanale Irpinia 2007, da vinícola Vinosia Luciano Ercolino, da Campania. O vinho é feito com uma uva que eu adoro, a Aglianico. A maturação é feita em barricas de carvalho francês por 12-15 meses. A garrafa é bonita, sem muitas firulas, mas imponente. Ao ser aberto o vinho já mostra a que veio: Aromas riquíssimos de cereja preta, passas, café, balsâmicos, chocolate e alcaçuz. Em boca era amplo, sedoso, com boa acidez e um final longo e com notas de alcaçuz e chocolate. Italiano perfeito para acompanhar uma boa massa. Delicioso, redondo, com presença e que pedia sempre uma nova taça. Agradou a todos. Sem dúvida alguma, foi a melhor compra que fiz nos últimos tempos. Valeu cada centavo. Dá até dó de novomundistas na mesma faixa (ou bem mais caros...rs).
sábado, 6 de junho de 2015
sexta-feira, 5 de junho de 2015
Marques de Riscal Reserva 2008: Tradição com um leve toque de modernidade
Há dois vinhos ibéricos que me agradam e que não faltam em minha adega: Marques de Riscal e Quinta da Bacalhôa. Seus preços no Brasil já foram mais legais, mas mesmo assim, são vinhos tradicionais e que dificilmente decepcionam. Este Marques de Riscal Reserva 2008, que bebi na casa de meu cunhado Bú, em Jaú, estava muito bom. Notei nele um toque de modernidade, começando pela cor, mais escura que a tradicional. Ao nariz, mostrava notas de cereja preta, café, tostadas, cedro e chocolate. Depois de um tempo, um mentolado agradável. Em boca mostrava ótima acidez, toques amadeirados e aquelas notas cítricas, de casca de laranja. Senti falta das notas terrosas. O vinho estava muito bom, com um perfil mais moderno que seus irmãos de outros anos, mas com a qualidade de um Marques de Riscal. Já pode ser bebido agora, mas tem longa vida pela frente. Li em alguns blogs menção à evolução. Deve ser alguma garrafa que por algum motivo teve sua evolução acelerada, pois este 2008 ainda mostra juventude.
quarta-feira, 3 de junho de 2015
Alta Vista Single Vineyard Alizarine 2007: Malbec clássico, mas que surpreende em boca
A tradicional Alta Vista se gaba de ser a primeira vinícola Argentina a lançar o conceito de Single Vineyards. Este Alta Vista Single Vineyard Alizarine 2007 é um dos vinhos produzidos dentro deste conceito. Ele é produzido com uvas de um vinhedo antigo de La Compuertas, Luján de Cuyo. O vinho matura 12 meses em barricas de carvalho francês. Ao nariz mostra aquelas notas de Malbecão clássico, com destaque para a ameixa seca e mirtilos, em meio a notas florais, chocolate, alcaçuz e um tostadão bem evidente. Com o tempo os aromas vão ficando mais equilibrados, com uma diminuição do tostado e aumento de notas especiadas. A impressão, pelo menos no início, é que beberíamos mais um Malbec doce, denso, enjoativo. Mas não foi isso. O vinho tem boa acidez e as especiarias dão um toque legal ao conjunto. Os taninos são redondos e o final com toques de especiarias (canela, alcaçuz, etc). É claro que não deixa de ser um Malbec, com aquele lado doce típico. Mas em boca é dá uma compensada, principalmente depois de um bom tempo de descanço após a abertura. A dica é abrir e deixar descansando por 1-2 horas antes de beber. Mas aqueles que são fãs de Malbec clássico podem gostar já de cara. Eu preferi depois de um bom tempo, e clamei por um Filé de Costela para acompanhar... Vinho ofertado pelo Carlão.
Il Nero di Casanova 2009: Uma lição em Brunellos sem-vergonha
Sou fã dos vinhos da vinícola piemontesa La Spinetta. Seus Barberas e Barbarescos são de uma clareza incrível. Mas a vinícola também produz vinhos na Toscana, e este Il Nero di Casanova 2009 é um ótimo exemplo de que não é só no Piemonte que os La Spinetta são bons. Em sua ficha técnica é relato que é um 100% Sangiovese, mas parece que tem 5% de Colorino, que o torna mais escuro. Passa 9 meses em barricas de carvalho frances. É Sangiovese na veia! Ao nariz mostra notas de cereja preta, tabaco e alcaçuz. Com o tempo vai surgindo um mentolado delicioso. Em boca, repete o nariz, mostra ótima acidez, mineralidade e taninos redondos. O final é fresco e especiado. Uma delícia de vinho, que mostra como deve se manifestar a Sangiovese. É uma bela lição em um monte de Brunello sem-vergonha que surge no mercado, e que por causa do nome, muita gente pensa que é bom. Custa pouco mais de 100 pilas e considerando o custo Brasil, é uma boa pedida. Foi uma oferta do Akira.
terça-feira, 2 de junho de 2015
Falernia Donna Maria Syrah 2009: Diferente dos tradicionais Syrah chilenos
Há algum tempo queria experimentar os vinhos da vinícola Falernia. Ouvia dizer que seus vinhos têm um estilo menos carregado, e isso me agrada. E chegou a vez deste Falernia Donna Maria Syrah 2009. O vinho é feito com uvas do Vale do Limarí, que costuma originar vinhos frescos e minerais. Este Syrah passa apenas 6 meses em barricas, o que também contribui para que a fruta se manifeste mais que a madeira. Levei encoberto para apreciar com amigos e ninguém chutou ser chileno. Rótulo bonito, tem cor rubi escura e aromas de ameixas frescas, amoras e alcaçuz, em meio a um apimentado na medida e chocolate amargo. O álcool é um pouco saliente no começo, mas depois de respirar o vinho se ajeita. Em boca, repete o nariz e mostra frescor, com um final apimentado e de alcaçuz. É um vinho que foge do padrão carregado de muitos Syrah chilenos. Guardando as devidas proporções, tende mais para o Rhone, lembrando um Crozes-Hermitage. É um estilo mais europeu que novo mundo. Gostei dele! Se conseguirem um álcool mais baixo, ficará bem legal. Comprei na Wine me up. Ficarei de olho em outros vinhos da vinícola. Dizem que os Pinot Noir deles também são bons. A conferir.
domingo, 31 de maio de 2015
Vinha Grande 2011: Assinatura da Casa Ferreirinha
Os vinhos da Casa Ferreirinha agradam sempre. E nem precisa ir para Reserva Especial ou Barca Velha. O básico Esteva é muito justo, o Quinta da Leda, marcante pela elegância, e os Vinha Grande trazem também a assinatura da marca. O Vinha Grande é feito com 35% Touriga Franca, 30% Tinta Roriz, 30% Touriga Nacional e 5% Tinta Barroca, e matura de 12 a 18 meses em barricas de carvalho francês usadas. Segundo o próprio produtor, ganham com 2-3 anos de garrafa, mas atingem seu ápice entre 5-6 anos (embora possm ser guardados de 10 a 15 em adega). Este Vinha Grande 2011, proveniente da grande safra dos últimos tempos, está novo ainda, mas já dá muito prazer. Está diferente de seus irmãos de anos anteriores. Tem as notas florais típicas, mas estão mais comedidas, assim como a fruta, que começa a se mostrar depois de um tempo. As notas de amoras e mirtilos se integram a notas de cedro, cacau, minerais e de especiarias. Em boca a acidez é vibrante, os taninos firmes e o final longo e com toques picantes e amadeirados. Os taninos ainda se sobressaem, mas nada que incomode. Duas coisas contribuem muito para a sua apreciação: Comida e um tempinho respirando. Eu gostei muito deste 2011 e vou guardar uma garrafa em adega para abrí-la daqui a uns anos. Com certeza ficará ainda melhor.
sexta-feira, 15 de maio de 2015
Brunello di Montalcino Terralsole Riserva 2004, Churchill's Estates Douro 2011 e Tormentas Serena Pinot Noir 2013
Noite de apenas 3 confrades: Tonzinho, JP e eu. Mas os vinhos estavam muito bons. O Tonzinho surgiu com um Brunello di Montalcino Terralsole Riserva 2004. O vinho tem um rótulo prateado, meio estranho, e ninguém conhecia o produtor. Mas em se tratando de um Brunello Riserva, a gente esperou coisa boa. E veio! O produtor é Mario Bollag, filho de um advogado suiço e que tem um histórico de aventuras na vida. Quatro rótulos de seus vinhos vêm de artistas haitianos, de uma época que ele viveu 5 anos por lá. Isso inclui este Brunello di Montalcino Terralsole Riserva 2004. O vinho é maturado em carvalho Allier, e tem um perfil mais moderno. Mas nem por isso deixa de trazer a riqueza de um grande Brunello. No início mostra aromas herbáceos, de folhas secas, a frente da fruta. Mas em pouco tempo vai se soltando e os aromas de cereja emergem em meio a tabaco, funghi, chá e especiarias. Foi mudando muito depois de aberto. Em boca é intenso e bem sedoso, com taninos muito redondos. O final é muito longo e especiado. Uma beleza de Brunello! Uma grata surpresa. Embora possa ser guardado, já está na hora de beber. Ah, ele apresenta bastante borra. Decante para que ele respire e também para se livrar dela.
Eu levei um Churchill's Estates Douro 2011. Bem, já fazia um tempo que queria experimentar os vinhos de mesa deste famoso produtor de vinhos do porto. Ele é feito com Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. Tem cor bem escura e aromas bem florais e meio à fruta madura (ameixa e amoras), fumo, especiarias e uns toques herbáceos. Em boca é denso e frutado, e as especiarias estão lá. Para implicar: Um pouquinho mais de acidez faria bem. Não é daqueles para se beber muitas taças. É perfeitamente apreciável agora, mas pode ganhar bastante com adega. Vamos ver.... Tem bom valor lá fora (~17 doletas) pela sua qualidade. Mesmo aqui, seu valor não é alto. Só para ilustração, a WS lhe tascou 93 pontos. É claro que ficou atrás do Brunellão, mas também é bom.
E para finalizar, o JP abriu o Tormentas Serena Pinot Noir 2013, do Marco Danielle. O vinho é feito com uvas de Nova Pádua, cultivadas em altitude de 750 m. A produção é pequena, de apenas 673 garrafas. A fermentação é feita com leveduras da própria uva. É um vinho com aromas de cereja e framboesa, em meio a toques terrosos, de canela e noz moscada. Em boca é leve, repete o nariz e é bem equilibrado. Muito gostoso! Já está pronto, mas pode ser guardado.
Isso aí!
domingo, 10 de maio de 2015
Brunello di Montalcino Sasso di Sole 2007
A Sasso di Sole é uma vinícola familiar localizada no nordeste de Montalcino, no parque natural do Vale D'Orcia. O nome significa "pedra ensolarada", e os vinhedos ocupam uma áre de apenas 8 hectares. Este Brunello di Montalcino Sasso di Sole 2007 é um Brunello clássico, no estilo tradicional, com cor rubi, bem bonita, e aromas de cerejas secas, cogumelos, terrosos, couro, mentol, chá e tabaco. Em boca, repete o nariz e é vibrante, com bela acidez e taninos firmes. O final é bem longo, mentolado e com especiarias. Eu não conhecia o Brunello deste produtor, mas gostei bastante. E paguei um preço de dar vergonha no preço que estão cobrando por vinhos sulamericanos. Perfeito para um Noix ou uma Bistecona assada. Mas deixe decantando no mínimo uma duas horas, para o bichão acalmar, porque no começo é nervosão. Aliás, apesar de poder ser bebido agora, tem evolução garantida na adega. Eu abri para celebrar o dia das Mães com a patroa.
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| Os vinhedos da vinícola |
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Dominio de Atauta 2006: Sou fã!
O Carlão abriu uns vinhos prá gente apreciar, às cegas. Um deles não vou comentar, pois não agradou. Mas o outro sim, era coisa de primeira. Eu chutei ser espanhol, mas com uma característica distinta, pois ao nariz lembra Ribera del Duero, mas em boca nem tanto. Foi aí que ele foi buscar a garrafa, dizendo que era um bom espanhol na casa dos 50tinha. Eu fiquei espantado, já querendo saber onde encontrar para encomendar uma caixa. Só que era 50tinha doletas, e comprado fora. Bem, pela qualidade era impossível custar 50tinha aqui...rs. Era um Dominio de Atauta 2006, de Ribera del Duero. É um 100% Tempranillo maturado por 17 meses em barricas de segundo uso, onde maturou o Chateau Angelus. Eu já havia bebido algumas vezes o seu irmão de 2004, e o legal foi ver a "assinatura" do vinho. Este 2006 mantém as características de seu irmão de 2004 (e também do 2005, que provei em uma degustação). No início a fruta é discreta e fica em meio a notas de folhas secas, herbáceas, minerais e de cacau. Mas com o tempo a fruta vai se mostrando e o vinho se modifica bastante, ressaltando a cereja preta e ameixa, em meio ao alcaçuz. Em boca é seco e mostra as notas herbáceas e de cacau. É bastante mineral e os taninos são firmes. A madeira aparece, mas bem integrada. Com o tempo, o vinho vai mostrando mais fruta e especiarias. É um vinho que muda bastante desde quando é aberto até algum tempo decantando. É bem legal acompanhar sua evolução. Portanto, se for apreciá-lo, abra, coloque no decanter, abasteça uma taça e vá se deliciando. Ele confirma o fato de que Ribera del Duero oferece vinhos bem ricos e distintos. Eu gosto muito dos vinhos de lá, e este me agradou bastante. É importado pela Mistral.
quinta-feira, 30 de abril de 2015
4 vinhões para celebrar: Champagne Pierre Gimonnet e Fils Paradoxe 2006, Caves São João 93 Anos de História 2011, Aalto PS 2006 e Bacalhôa Moscatel Roxo 1997!
Dias atrás recebi a visita do Akira e Carlão para iniciarmos as celebrações de mais um inverno deste que vos escreve. Os recebi com um Champagne Pierre Gimonnet e Fils Paradoxe 2006. É um Champagne feito com Pinot Noir (66%) e Chardonnay (34%). Tem uma bela cor amarelo dourada e aromas muito ricos com notas florais, maçã gold, amendoadas, casca de laranja, gengibre e brioche. Em boca é cremoso, amplo, especiado e com acidez perfeita. Uma delícia de Champagne! Perfeito sozinho, com entradas e também pratos principais a base de pescados. Pode ser bebido agora ou guardado ainda por uns bons anos. Comprei na Casa do Vinho, de BH. Vale cada centavo!!!
O Carlão pegou (muito) pesado. Levou um Aalto PS 2006! Quem conhece o Aalto normal já sabe que trata-se de um grande vinho. Mas o PS é degraus acima. Dá para imaginar? Bem, as Bodegas Aalto foram fundadas e têm como diretor técnico ninguém menos que o grande Mariano Garcia, que foi responsável durante 30 anos (1968 a 1998) pelos vinhos da Vega Sicília. Bom CV, não? Então é claro que podemos esperar vinho grande. O Aalto PS, como o nome indica, é feito com Tempranillo de pagos selecionados, de videiras velhas, com idades entre 60 e 100 anos, de baixos rendimentos. Passa 22-24 meses em barricas novas de carvalho francês. É um vinho grandioso! Este 2006 mostrava aromas enebriantes, de ameixas, cerejas pretas, especiarias, toffee, chocolate, tabaco e alcaçuz. Parece exagero, né? Não é! O vinho mudava a cada minuto na taça. Em boca, repetia o nariz, mostrava notas lácteas, tostadas e de madeira de ótima qualidade. É um vinho amplo, intenso, com taninos sedosos ao extremo. O final era especiado e interminável. Uau! De deixar saudades. Vinhaço! Entre os melhores que já bebi da Espanha (e olha que já tive o prazer de beber uns bons...rs).
Bem, e para finalizar e acompanhar a sobremesa, abri um Bacalhôa Moscatel Roxo 1997. O vinho estava delicioso. Cor escura pela idade, notas de frutas secas, doce de laranja, amendoadas e tabaco finíssimo. Em boca a acidez equilibrava o dulçor e o vinho descia macio e pedindo mais uma taça. O final era longo e o tabaco dava o tom. Vinho muito rico. Uma beleza!
Isso aí!
Bem, e para finalizar e acompanhar a sobremesa, abri um Bacalhôa Moscatel Roxo 1997. O vinho estava delicioso. Cor escura pela idade, notas de frutas secas, doce de laranja, amendoadas e tabaco finíssimo. Em boca a acidez equilibrava o dulçor e o vinho descia macio e pedindo mais uma taça. O final era longo e o tabaco dava o tom. Vinho muito rico. Uma beleza!
Isso aí!
terça-feira, 28 de abril de 2015
Tessellae Old vines 2011: Mais um 93 RP?
De vez em quando escrevo sobre alguns vinhos que ganham (muitos) pontos de críticos e na minha opinião, de forma exagerada. E é o caso deste Tessellae Old vines 2011. O vinho ganhou 93 pontos de Mr. Parker e pude bebê-lo dias atrás por oferta do Carlão. A vinícola (Domaine Lafage) cultiva uma área bem grande de videiras (138 hectares) e fica no Roussillon. Esta é uma região francesa (sul) menos badalada e que costuma ter bons vinhos a bom preço. O vinho em questão é um clássico corte GSM (Grenache/Syrah/Mourvédre), mas com uma pitadinha de Grenache gris. O envelhecimento é em tanques de concreto por um ano. É um vinho floral, perfumado, e com notas de cereja, chocolate e minerais. Pelo menos no começo, o nariz é melhor que a boca. Mas com o tempo ele vai se soltando. Assim, é melhor decantar ou esperar um pouco para que ele se abra. Depois disso, em boca corresponde ao nariz, tem boa acidez e taninos redondos. O final é médio. É um vinho bem feito, agradável e que desce fácil. Mas mesmo eu não tendo competência para pontuar, e tampouco gostar de fazê-lo, sugeriria dar um desconto de uns 5 pontinhos na nota de Mr. Parker.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Catherine e Pierre Breton Chinon Les Picasses 2004: Autêntico
A Cabernet Franc costuma recompensar quem tem paciência. Nova, ela pode ser nervosa, mas o tempo lhe faz muito bem. E se o vinho vem do Vale do Loire, a recompensa é maior ainda. E este é um produtor que sempre me agrada. Sou fã dos vinhos de Catherine e Pierre Breton. Eles são adeptos da produção chamada "natural", com pouca intervenção. Praticam a agricultura orgânica, utilizam leveduras da própria uva etc... O resultado é um vinho mais puro, sem manipulações. A história do "vinho natural" é bastante controversa e dá margem a muita discussão. É claro que o fato de ser feito com pouca intervenção não garante a qualidade do produto. Os produtores precisam saber vinificar. E estes sabem. Este Catherine e Pierre Breton Chinon Les Picasses 2004 estava muito bom. O vinho ainda estava com uma cor viva e aromas típicos da casta, com notas de amoras, azeitonas, tomate, alcaçuz e apimentadas. Em boca, repetia o nariz e mostrava-se seco, mineral, picante e bastante fresco. O final é apimentado e mineral. A única crítica é que o final não é lá dos mais longos. Se fosse um pouco mais persistente... Mas no geral, o vinho é muito típico e prazeiroso. É vinho que pede comida e que caminha em direção oposta às bombas concentradas, cheias de geléia, álcool alto e madeira no talo. Portanto, se você é fã desses últimos, talvez demore um pouquinho a virar um fã dos vinhos de Catherine e Pierre Breton. Mas quando ficar, vai querer repetir sempre que puder.
domingo, 26 de abril de 2015
Silicum Rosso 2010: Bom vinho de San Gimignano
A vinícola Poderi del Paradiso, da região de San Gimignano (Toscana), produz uma ampla gama de vinhos. A Azienda se dedica também ao agroturismo, oferecendo acomodações muito bonitas (e com uma vista privilegiada). Além de possuir vinhedos com as tradicionais Sangiovese e Vernaccia, iniciou a partir de 1980 a produção de variedades francesas, como a Cabernet Sauvignon e Franc, Merlot, Syrah e Chardonnay. Este Silicum Rosso 2010 é feito com 50% Sangiovese, 30% Merlot e 20% Syrah, com estágio de 14 meses em barricas novas de carvalhos francês. É um vinho de cor escura e aromas de amoras maduras e alcaçuz, em meio a um tostado na medida e couro. Em boca, repete e nariz, mostra boa acidez e taninos redondos. Destaque para a sua boa persistência. O vinho, da belíssima safra 2010 na Toscana, oferece boa qualidade pelo preço que pagamos, um pouquinho acima de 100 pilas. Infelizmente, andou subindo. Se for bebê-lo, vale decantar por uma meia horinha para ele se abrir. Pode ser bebido agora, mas tem potencial de guarda. É importado pela Casa Flora.
| Vista superior da propriedade |
| Vista superior da propriedade |
| Vista até que bonita, né? rsrs |
domingo, 5 de abril de 2015
El Incidente 2008: Carménère distinto da Viu Manent!
Acho que os meus leitores devem notar que não sou fã ardoroso de vinhos que têm a Carménère como majoritária. Aquele herbáceo exagerado da maioria deles me incomoda. Mas há alguns que conseguem um bom equilíbrio. É o caso deste El Incidente Carménère 2008, da Viu Manent. O nome recorda uma viagem que José Miguel Viu Bottini, da terceira geração da família, fez com um grupo de amigos para sobrevoar seus vinhedos em Colchagua. A viagem terminou quando o balão caiu inesperadamente em um mercado ao ar livre na cidade de Santa Cruz, sob os olhares surpresos do povo local. Felizmente, todos saíram bem do acidente. O rótulo e contra-rótulo estampam o fato. O vinho foi lançado em 2007 e contém, além da Carmenére, pitadas de Malbec e Petit Verdot. A maturação deste 2008 foi feita em barricas novas de carvalho francês (97%) e americano (3%), por 23 meses. Ao nariz mostra notas de fruta madura em compota (cereja preta e amoras), em meio a chocolate, tabaco e um tostado na medida. Ah, e é claro, pimenta do reino (sem exageros). Em boca, repete o nariz, mostra ótima intensidade e taninos muito sedosos. O final é longo e com notas de café com leite e chocolate. É um vinho bem complexo e com grande potencial de guarda. Sem dúvida, é um Carménère distinto, feito para ser grande, e a ser conhecido. Gostei dele. Lembrou-me o Microterroir da Casa Silva, pela intensidade e elegância.
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Quinta das Bágeiras Reserva 2010: Belo Bairrada!
Há tempos queria conhecer os vinhos da Quinta das Bágeiras. A vinícola é propriedade do enólogo Mário Sérgio Alves Nunes, considerado uma das estrelas da Bairrada. Ele faz parte do grupo chamado "Baga Friends", formado por produtores como o grande Luis Pato. Felipa Pato, Kompassus (Luis Póvoa - ex-Quinta de Baixo), Quinta da Vacariça, Palácio do Buçaco e Sidônio de Sousa. Este Quinta das Bágeiras Reserva 2010 iniciou muito bem meu caminho pelos vinhos do produtor. É um vinho que tem a Baga temperada com a Touriga Nacional (60/40). A fermentação é feita sem desengace, em pequenos lagares, e a maturação em tonéis de madeira avinhada. É engarrafado sem colagem ou filtração. A produção é pequena. Esta era a garrafa número 1721 de 7529 produzidas. O vinho tem aromas florais e de frutas maduras (amoras e cassis), até meio licorosas, em meio a especiarias e um fundinho amadeirado na medida. Em boca, destacava-se pela acidez vibrante, que lhe aporta grande frescor, e taninos firmes mas muito redondos. Tem um toque terroso delicioso! O final é especiado e com um toque amadeirado, lembrando o engaço. O corte com a Touriga dá uma amansada na Baga (para aqueles que ainda a estranham - Eu a adoro!). É um vinho bastante rico e que oferece muito pelo seu preço (custou um pouquinho menos de 100 pilas). Preencheu completamente minhas expectativas. Aliás, as superou. E foi muito bem com a bacalhoada. Estou agora curioso para experimentar toda a linha, pois dizem que os espumantes são ótimos, assim como os Garrafeiras (branco, Pai Abel Branco e Garrafeira tinto).
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