quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Porto e Douro Wine Tasting 2016: Belos Vinhos!

Esta postagem estava há algum tempo no forno. Não está fácil manter o blog atualizado. Mas vamos tentando. Tempos atrás fui a São Paulo participar do Porto e Douro Wine Tasting 2016, no Hotel Intercontinental. Foram muitos vinhos bons, alguns, que nem citarei aqui, pois já citei recentemente em postagem sobre a degustação da Adega Alentejana. Neles, está incluido um excelente Quinta da Manoella Vinhas Velhas, vinho sensacional e que ficou entre os melhores da noite. Mas outros vinhos, foram novidade, e colocarei as fotos abaixo, com alguns comentários. O Rei do evento, na minha opinião, foi o Quinta do Monte Xisto 2013, novo projeto de João Nicolau de Almeida, filho de Fernando Nicolau de Almeida, da Ferreirinha, que lançou o famoso Barca Velha. Um super vinho feito com Touriga Nacional, Touriga Franca e Sousão, com maturação por 18 meses em pipas. O vinho é riquíssimo! Aromas florais, amoras silvestres, minerais e cacau. Em boca é vivo, intenso, mineral, com bela acidez e taninos firmes. O final é interminável e com toques de cacau. Apesar de tantos outros grandes vinhos no evento, este foi destaque absoluto. Em sua terceira safra, já ocupa lugar de destaque entre os grandes vinhos portugueses. Imagino ele daqui a uns anos. Só por curiosidade, a Wine Spectator lhe concedeu 89 pontos... Ou estavam resfriados no dia que provaram ou beberam outro vinho. No mesmo estande, da Épice, outros 3 vinhos que me agradaram bastante, a seguir.

Excelente vinho! Fruta madura, alcaçuz e notas balsâmicas. Intenso, taninos redondos e final longo.

Uma boa surpresa para mim. Não conhecia. Ótimo duriense, a ser conhecido.
Ali do lado da Épice:

Aqui o negócio pega! Era produzido pelo mesmo João Nicolau de Almeida, do Quinta do Monte Xisto. Esse 2011 faturou nada mais nada menos que 95 pontos da Wine Spectator, e elogios rasgados. É um menino ainda! Ótimos aromas de fruta, balsâmicos e especiados. Em boca, ótima acidez e taninos ainda pegando, pedindo tempo em garrafa para arredondar. Grande vinho! Sou fã!

Reserva Pessoal 2005, de Domingos Alves de Sousa. O produtor é um craque e o vinho está uma beleza! Feito com vinhas velhas de mais de 80 anos. Fruta madura, licoroso, especiarias, tabaco e notas terrosas. Entre os melhores do evento.

A foto não está boa, mas o vinho, excelente! 18/20 pontos da Revista de Vinhos de Portugal. Vinho ainda novo, nervoso, notas minerais, de tabaco e especiarias. Os taninos são secos e o final levemente herbáceo. Vinho que não enjoa e pede comida. Para longa guarda. 

Ótimo Touriga Nacional de Domingos Alves de Sousa: Floral na medida, fruta silvestre e notas minerais. Acho que é o 2012...

Não precisa dizer muito aqui. Dois ótimos portos da famosa Fonseca. Claro que o 20 Anos sobrava elegância. Mas o 10 anos também estava muito bom.

Ótimo vinho produzido por João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco. Daí o nome com referência à dupla e ao Douro. Um vinho excelente, de grande presença. Notas de framboesa, amoras e chocolate amargo. Pena que subiu tanto de preço. 

Ótimos os vinhos da Quinta do Portal. O Colheita é muito justo, o Reserva muito bom e o Grande Reserva 2009, estava excelente! Vinhos com fruta muito limpa e um toque exótico.  Estava louco para experimentar o Grande Reserva 2011. Logo o farei.





segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Poeira 2009, Brunello di Montalcino Castelli Martinozzi 2010 e Cadus Blend of Vineyards 2012: Trio de responsa!


Estou desovando aos poucos posts que estão no forno. Este, por exemplo, trata de uns vinhões que bebemos Paolão, JP e este felizardo que vos escreve. O primeiro da foto é um grande Poeira 2009, levado pelo Paolão. É um duriense de muita categoria, projeto de apenas 15 anos do enólogo Jorge Moreira e sua esposa Olga Martins, e que já é grande destaque entre os melhores vinhos do Douro. Bem, o nome vem do que diziam haver ("Poeira") nas terras compradas pelo casal para produzir vinhos em 2001, próximas a terras da Taylors. Vou colocar um extrato de um artigo na revista adega (clique aqui para o original) que define um pouco os vinhos Poeira, com depoimentos de Olga Martins, esposa de Jorge. 


“Há 12 anos não se falava de vinhos virados ao norte, de vinhos frescos no Douro. Era só concentração, intensidade, exuberância. Nunca elegância, acidez, frescura eram usadas para descrever um vinho do Douro. Acho que nisso Poeira foi pioneiro. São vinhos que gritam menos, que impressionam menos no primeiro impacto, que não nos deixam extasiados, mas são de uma complexidade que deve ser descoberta aos poucos, que nos faz passar um tempo com ele”, acredita Olga.
Segundo ela, a longevidade dos tintos durienses sempre foi calcada no tanino e isso não estava certo. “Quando o vinho está sustentado no tanino, há um desequilíbrio. É preciso esperar cinco anos para o tanino amaciar, mas, quando se espera, a fruta também cai”, aponta. Para eles, a base do vinho deveria ser a acidez. “Um vinho que tem muita acidez pode ser equilibrado desde o primeiro dia”, garante.

E o vinho é mesmo assim. Mostra acidez, frescor e elegância. Nunca cansa! Ao nariz mostra notas de cassis, amoras, chocolate e alcaçuz. Em boca mostra bela acidez, vibrante, que lhe aporta frescor, e taninos redondos. O final de boca é longo e com notas especiadas. Uma beleza de vinho, que deveria ter mais destaque frente a outros durienses tão badalados no Brasil. Aliás, ainda não postei sobre um Pó de Poeira que bebi recentemente, seu irmão menor, e que já é muito bom, com destaque também para o frescor. O vinhos Poeira me lembram alguns do Niepoort, por esta característica. Não preciso dizer que foi o meu preferido, preciso?

Este que vos escreve levou um Brunello di Montalcino Castelli Martinozzi 2010. Confesso que não conhecia nada sobre este vinho (quem quiser ler um pouco sobre o produtor, clique aqui). Comprei recentemente em uma bela promoção. E me dei bem. O vinho, embora seja de safra nova, pode ser apreciado agora sem problemas. Eu deixei umas duas horas em decanter para ele dar uma respirada. Mas logo ao ser aberto ele já mostra ótimos aromas, com notas florais e de framboesas, em um fundo de tabaco. Com o tempo, vão surgindo notas terrosas, alcaçuz e couro. Em boca, acidez vibrante e taninos firmes. O final é longo e especiado. Belo Brunello, que comprei sem conhecer, e que me dei bem.
E para fechar, o JP abriu um Cadus Blend of Vineyards 2012. O vinho é feito com uvas (Malbec) de 3 diferentes altitudes (como mostra o rótulo. É um Malbec clássico, com notas de ameixa e figo. Em boca é intenso, mas sem ser enjoativo. Mostra boa acidez, que equilibra o dulçor, e taninos redondos. Muito bom representante da casta! Briga fácil com o Lindaflor, Malbec que a turma adotou...
Isso aí!






domingo, 4 de setembro de 2016

Passa 2013: Bom vinho de entrada da Quinta do Passadouro

Quando vou ao restaurante do Duarte sempre levo um vinho português para combinar com as suas comidas portuguesas, claro. Desta vez, foi um Passa 2013, que é o vinho de entrada da Quinta do Passadouro. A vinícola é regida pelo enólogo Jorge Serôdio Borges, craque do Pintas, Quinta da Manoella, etc. O Passa é feito com Touriga Franca, Tinta Roriz e Touriga Nacional (esta última em proporção menor que as outras). A maturação é feita por um ano em barricas usadas de carvalho francês. Ao nariz mostra notas de framboesa, cereja, florais e achocolatadas. Em boca, mostra boa acidez, paladar frutado e taninos sedosos. O vinho está prontinho para ser apreciado. Embora deva aguentar, não é para guarda. Um vinho de entrada muito bem feito, fácil de beber, mas com boa complexidade.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Orma 2006 e Fontalloro 2005: Bela dupla italiana!

Há um tempo estava para beber uns vinhos com o colega Ufscariano Marcos, que também é fã da bebida. E decidimos apreciar uns vinhões lá no Barone. Eu levei um Orma 2006, da vinícola Toscana Sette Ponti. O vinho é um supertoscano, top de gama da vinícola e elaborado apenas com uvas francesas: Merlot (50%), Cabernet Sauvignon (30%) e Cabernet Franc (20%), ou seja, um corte bordalês clássico. Os 10 anos nem mexeram com o danado. Está ainda poderoso, na cor e no sabor. Ao nariz mostra notas de cereja preta, alcaçuz, café, chocolate e especiarias. Em boca mostra ótima acidez, taninos firmes e final longo e levemente picante. Ao mesmo tempo é sedoso e intenso. Uma beleza de vinho! Sei que muitos torcem o nariz para vinhos italianos feitos com castas francesas, considerando que a Itália possui um número enorme de castas autóctones. Mas o vinho é grande, e delicioso. Pode ser bebido agora, com um tempinho para respirar, ou guardado um bom tempo na adega. É importado pela World Wine.
O Marcos levou um que eu já havia bebido há alguns anos, Fontalloro 2005, da Fattoria Felsina. Um Chianti de primeira linha, riquíssimo ao nariz e em boca. Está em sua melhor forma e acredito que não deve crescer mais. Ao nariz mostra notas de cereja madura, tabaco e especiarias*. Em boca, repete o nariz e mostra ótima presença, com boa acidez e taninos redondos. Belo vinho, representante digno da Sangiovese! Evoluiu muito bem desde a última vez que o apreciei.
Isso aí!

* Na outra vez que bebi o Fontalloro 2005 (clique aqui), foi na companhia de meu amigo Vitor, do saudoso blog "Louco por Vinhos", que definiu seus aromas como sendo "de Sangiovese"! Perfeito!

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Castello di Brolio 2010, Aurius 2005 e Laurona 2006: 3 vinhos excelentes!


Semanas atrás reunimos Joãozinho, Paolão e eu para beber uns vinhões. O Paolão levou um vinhaço, cujos exemplares de 2004 e 2006 já pintaram aqui no blog. Era um Chianti Clássico Castello di Brolio 2010, de Barone Ricasoli. Este é certeza de agradar. É feito com 80% Sangiovese, 15% Merlot e 5% Cabernet Sauvignon, com envelhecimento por 18 meses em madeira. O 2013 já ganhou a nova classificação "Gran Selezione". Parece que o 2010 também, embora ainda não apareça no rótulo. O vinho mostra aromas de cereja preta, tabaco e notas achocolatadas, em um fundo tostado na medida. Em boca é de grande presença, com acidez vibrante e taninos firmes. Italiano na veia! O final é longo e levemente tostado. Uma beleza de vinho, como sempre... Valeu, Paolão! Você sabe que gosto deste danado...rs.
Do lado direito do Brolio, na foto, o vinho levado pelo Joãozinho: Laurona 2006. O vinho, do produtor homônimo, é um espanhol de Monsant feito com 55% Garnacha e o restante dividido entre Merlot, Cabernet Sauvignon e Syrah. Estávamos um pouco desconfiados desta garrafa, pois o Paolão havia aberto duas, compradas no mesmo bota-fora, e não estavam legais. Mas esta garrafa estava à altura dos vinhos do produtor. Vinho com aromas de ameixa e café, em um fundo balsâmico e mineral. Em boca, mostrava ótima acidez e mineralidade. O vinho tem um leve toque licoroso e ótima persistência. Muito bom!
E para finalizar, o vinho à esquerda na foto, levado por este que vos escreve: Aurius 2005! Este tem pedigree, pois é feito pelo grande José Bento dos Santos, na Quinta do Monte D'Oiro. Eu estava curioso para beber este vinho, pois havia lido elogios rasgados para ele no Wine Penacova Meeting, blog português que gosto (e confio) bastante. O vinho é feito com Touriga Nacional, Syrah e Petit Verdot (estas últimas em menor proporção). O estágio em madeira é de 12 meses, em barricas apenas 30% novas. Assim, a madeira não predomina. Aliás, este vinho destaca-se pela extrema elegância. É incrível como se abre discreto, sem muita estrepolia, e com o tempo vai se mostrando. Mas todo o tempo, com muita sobriedade e sem exageros. É bom ir sentindo a sua evolução na taça. Ao nariz, mostra notas florais (na medida), cereja ao licor, chocolate, tabaco fino e especiarias. Em boca, mostra elegância ímpar, sedosidade, grande complexidade e um final longuíssimo. É um vinho dos grandes, acima da média, para quem aprecia um grande vinho português e não é fâ de exageros, e sim, elegância. Por sorte, comprei mais de uma garrafa dele no último bota-fora da Mistral, incluindo uma bela vertical. Devia ter comprado mais, pois é vinhaço! 
Noite de primeiríssima!  

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Vinhões na cozinha do Tom: Tignanello 2011, Giusto di Notri 2009 e Brunello di Montalcino Il Poggione 2009!

Fazia tempo que não íamos à cozinha do nosso querido Tonzinho. É um lugar onde já passamos muitos momentos legais, e é claro, comemos e bebemos muita coisa boa. E nessa semana matamos as saudades. não fomos em muitos, e quem não foi, perdeu. Para acompanhar os assados do Tonzinho mandamos 5 vinhos. Destaquei no título apenas 3 por que foram os que se destacaram. O primeiro deles, levado pelo confrade Rodrigo, era um Tignanello 2011. O supertoscano de Antinori, feito com Sangiovese (80%), Cabernet Sauvignon (15%) e Cabernet Franc (5%), estava uma maravilha. Nariz muito complexo, com notas de cereja preta, alcaçuz, chocolate amargo, grafite, leve mentolado e um fundo elegante de pimenta-do-reino. Em boca, repetia o nariz e mostrava grande elegância. Os taninos são redondos, apesar da juventude, e o final muito longo. Um vinho muito prazeiroso, delicioso, que teria muitos anos pela frente. Mas mandamos ver agora, sem dó e com muita felicidade! Valeu, Rodrigo!
Outro supertoscano também fez sucesso: Giusto di Notri 2009, da vinícola Tua Rita. Foi levado pelo Caião, que pegou pesado também. O vinho também estava uma beleza! É feito com Cabernet Sauvignon (60%), Merlot (30%) e Cabernet Franc (10%). Corte bordalês clássico, com passagem por 18 meses em barricas de carvalho 70% novas. Neste a fruta era um pouco mais presente que no Tignanello, com aromas de cereja e framboesa, em meio a tabaco e especiarias. Em boca mostrava taninos firmes e um final longo e especiado. Vinhaço também! Isso aí, Caião!
Eu levei um Brunello di Montalcino Il Poggione 2009. No começo, o vinho estava meio reticente em mostrar a fruta, mas em cerca de uma hora, e em temperatura mais adequada (um pouco mais fresco), mostrou toda a qualidade dos Il Poggione. Notas de cereja se mesclavam a tabaco e chá. Em boca, ótima acidez cítrica e toques terrosos. O final era longo e especiado. Uma delícia de Brunello! Já tinha ouvido falar que este 2009 tendia mais para o lado tradicional, e é verdade. Do jeito que eu gosto! Se tiver um deste, deixe em decanter por 1-2 horas antes de beber. O danado evolui muito bem.
O JP levou um Malbecão clássico: Lagarde Primeras Vinhas 2012! O vinho é feito com uvas de vinhedos centenários, plantados em 1906 e 1930, e é bem concentradão, com aqueles toques doces característicos. Notas de mirtilo e ameixas, com uns toques de cravo. A madeira é presente, mas nada que incomode. Muito redondo em boca, com boa acidez e final longo. É vinho bem feito, mas precisa de tempo em garrafa para dar uma amenizada na concentração. Par perfeito para uma carne suculenta e gordurosa...rs.
Faltou eu falar do vinho aberto pelo anfitrião, que era um Altos las Hormigas Vista Flores 2007. O motivo é simples: Bouchonné! E muito! Foi bater o naso e sentir... Uma pena, pois este 2007 foi considerado um dos melhores da linha. 
Isso aí! Grande noite para matar as saudades da cozinha do Tom. O saudosismo estava alto e tirei umas fotos de algumas garrafas que já abatemos lá, que o Tonzinho guarda de recordação. Quanta coisa boa para celebrar a vida...



segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Beronia Reserva 2011: Premiadíssimo no International Wine Challenge 2016!

Fico muito cabreiro quando leio notícias sobre um vinho que ganhou como melhor do mundo etc, etc... Vide fenômeno Toro Loco. Quando isso acontece, tento beber o vinho para saber do que se trata. Li notícias em vários blogs sobre os prêmios recentes que o Beronia Reserva 2011 ganhou no International Wine Challenge 2016. Bem, este evento está em sua 34a edição, e tem credibilidade. O Beronia Reserva 2011, de Gonzalo Byass, ganhou a tríplice coroa: Trophy, Gold e Great Value (abaixo de 15 Libras). Isso inclui o Rioja Reserva Trophy, Rioja Trophy, Spanish Red Trophy e IWC Great Value Champion Red 2016. Ou seja, é prêmio prá todo lado. Eu gosto dos Beronia. São riojanos que oferecem muita qualidade pelo preço. Este Reserva é feito com Tempranillo e aquelas pitadas típicas de Graciano e Mazuelo. A maturação ocorre por no mínimo 20 meses em barricas de carvalho francês e americano, com adicionais 18 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Ao nariz o vinho mostra notas de cereja preta, chocolate, tostado e especiarias como cravo e canela. Em boca repete o nariz e mostra boa acidez. A madeira aparece, mas está muito bem integrada. Os taninos são redondos e o final longo e levemente achocolatado. É riojano com perfil moderno, mas sem perder a raiz. Está pronto agora, mas pode ser guardado por bons anos. O que achei? Muito bom!!! Talvez até melhor no segundo dia e um pouquinho mais resfriado. Assim, o decanter fará  bem. Se encontrar, pode colocar na cesta que não se arrependerá. Eu comprei na Wine For

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Santa Cruz de Artazu 2007: Belo garnacha!

Quem comprou este vinho no último bota-fora da Mistral se deu bem. Este Santa Cruz de Artazu 2007 está uma beleza! O vinho, produzido pela Artadi com uvas de vinhedos muito antigos, mostra ótima complexidade. Ao nariz apresenta notas florais, de ameixa, cítricas e minerais. Em boca, repete o nariz e mostra ótima acidez e mineralidade. Os taninos são redondos e o final é longo e com toques cítricos e minerais. Um ótimo vinho, que melhora muito com a comida. Foi par perfeito para as comidas portuguesas do Duarte, do Tablado dos Sabores, na UFSCar. Aliás, se você um dia passar por São Carlos na hora do almoço, dê uma parada lá para apreciar boa comida portuguesa (aos sábados o cardápio é ainda melhor).

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Clos del Mas 2009: Bom Priorato premiado na Expovinis 2016!

Este Clos del Mas 2009 é primo de um bom custo benefício facilmente encontrado em prateleiras de supermercados, o Clos de Torribas. Ambos são da Pinord. Este ano ele ganhou como melhor vinho tinto Velho Mundo (subcategoria "Península Ibérica") na Expovinis. Só não sei se era exatamente esta safra, pois em nenhum dos 1.435 blogs que divulgaram o resultado ela foi mencionada*. Assim, estou assumindo que foi este 2009, que é o encontrado nas prateleiras do Pão-de-Açúcar. Torceu o nariz por ser um vinho de supermercado? Não deveria... O vinho, feito com Garnacha, Syrah e Mazuelo tem ótima qualidade pelo preço! Sua cor, rubi escura, é límpida e brilhante. Os aromas são muito agradáveis, com notas florais, de ameixas, amoras, baunilha e especiarias (cravo e canela). Tudo isso em meio àquele toque mineral característico dos Priorato. Em boca mostra clareza, ótima acidez e mineralidade. Os taninos são redondos e o final é longo, especiado e abaunilhado. Os 14,5% de álcool, comuns para um Priorato, podem ser salientes no início, mas com um tempinho em taça ou decanter, se equilibram. Muito bom vinho pelo preço pago! Se vir um desses, pode colocar no carrinho e levar para acompanhar uma boa carne. E se não gostar, certamente não me xingará pelas 90 pilas gastas.

*Se alguém souber a safra que foi avaliada na Expovinis 2016, me diga. 

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Paulinho triunfou com um CH by Chocapalha 2008, em noite com belos vinhos!

Em noite cheia na confraria, o Paulinho, Rei dos Portugas, matou a pau novamente, e desta vez, com um vinho de Lisboa: CH by Chocapalha 2008! É o segundo vinho da foto, com o rótulo escuro. Ele é feito pela enóloga Sandra Tavares da Silva em homenagem a sua família, de origem suíça. É um 100% Touriga Nacional, elaborado com uvas de vinhas velhas, fermentado em lagares e maturado por 24 meses em barricas novas de carvalhos francês. Os aromas são riquíssimos, com notas florais da Touriga, domadas, sem exageros, em meio a framboesa, cassis, chocolate amargo e um mentolado bem evidente, muito charmoso. Em boca era igualmente rico, com ótima acidez que lhe conferia muito frescor, mineralidade e taninos firmes. Uma beleza de vinho, que pedia a cada momento uma nova taça. Foi mudando com o tempo e no final da noite estava bem macio. É muito legal acompanhar sua evolução. É um dos melhores Touriga Nacional que apreciei recentemente. Excelente! O Paulinho fez sucesso novamente com um português.
Não gastarei muitas linhas com o vizinho esquerdo dele na foto, o Roquette e Cazes 2012. Isso por que ele já pintou por aqui. Desta vez, foi levado pelo Rodrigo, e obviamente, também fez sucesso. Só quero citar que o vinho está uma beleza. É para mim um dos melhores da linha: Belo nariz e intenso em boca, com muita presença. Ótimo vinho!
À direita do CH, um ótimo riojano levado pelo Caião: Marqués de Murrieta Reserva 2010. Belos aromas de cereja, baunilha e outras especiarias. Em boca, muito macio, bom frescor e taninos redondos. A madeira é presente, mas muito bem integrada. Delicioso! O melhor Murrieta Reserva que bebi.
Um pouquinho mais à direita, no meio da foto, um Ribera del Duero levado por este que vos escreve: Torre de Golban Crianza 2008. Antes, este vinho da Dominio de Atauta, era chamado Atalayas de Golban. Mudou na safra de 2007. Gosto dos vinhos deste produtor, principalmente, do mineral Domínio de Atauta. Mas o Golban mostra também qualidade. Tem um lado austero que aprecio. Ao nariz mostra notas de ameixa, cereja e tabaco. Em boca mostra maciez, boa acidez e um final de boca com toque de café. Vinho gostoso, que desce fácil. 
Seguindo na foto, um Chateau du Cédre Le Cédre 2007. O JP chegou com este vinho perguntando se não havíamos levado vinho pesado para matar o francês dele...rs. Mas foi justamente o contrário. Foi o mais pesado da noite. O vinho é um Malbecão de sua origem, Cahors, muito intenso, denso, tanto nos aromas quanto em boca. Bem rico ao nariz, com notas de cereja madura, framboesa e pasta de figo, em meio a café, chocolate e especiarias. Em boca, bem potente, denso, mastigável, lembrando Malbecs argentinos de peso. Mas ao mesmo tempo que mostrava o lado denso e frutado, tinha acidez para contra-balançar. Mas mesmo assim, apesar de gostoso, é daqueles vinhos que satisfaz com uma taça, devendo ser bebido em grupos grandes.
Caminhando no sentido contrário, o vinho levado pelo Thiago: Kumeu River Pinot Noir 2009. Como um bom PN neozelandês ele mostrava boa clareza e frescor. No começo, um pouquinho nervoso, mas em pouco tempo foi se equilibrando na taça e se mostrando um PN muito gostoso, com boa fruta, acidez correta, mineralidade e especiarias. Pede comida! Muito bom vinho.
E para finalizar, um Pulenta XI Cabernet Franc 2011. O vinho apresentava um nariz apimentado, amoras, azeitonas e chocolate amargo. Em boca, repetia o nariz, era concentrado e mostrava final longo e especiado. Um pouco doce para o meu gosto. Aliás, é um vinho que já gostei mais.  Ele era um Cabernet Franc argentino que se destacava. Mr. Parker (ou o pessoal de sua equipe) sempre lhe outorgava belas notas. Atualmente, a casta caiu na graça dos produtores argentinos, e há muitos outros no mercado para competir. Este é no estilo para quem aprecia vinhos mais novomundistas, concentrados. 
Isso aí!


quarta-feira, 22 de junho de 2016

Quinta do Mouro Estremoz 2004 e Finca Els Camps Ull de Llebre 2002: Evolução perfeita!

Noite de poucos confrades... Só JP, Caião e este que vos escreve, com passagem breve do amigo Rodrigo.
Eu levei um Quinta do Mouro 2004, alentejano feito por Miguel Louro, com as castas Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e uma pitada de Cabernet Sauvignon. O vinho, já com seus 12 anos, mostrava muita vivacidade. A cor era bonita, rubi bem límpida e brilhante. Ao nariz mostrava notas de framboesas e cerejas, em meio a cacau, couro e cedro. Em boca mostrava-se fresco, levemente austero, com notas de frutas silvestres e taninos mais secos. O final era longo e especiado. Um grande vinho, sem exageros, com frescor e muita presença em boca. Muito bom com a comida. Prova de que os grandes alentejanos envelhecem bem...
O JP levou um Finca Els Camps Ull de Llebre 2002, um vinho de Penedes, de Jané Ventura. Bem, Ull de Llebre é como a famosa Tempranillo é conhecida na Catalunha. O vinho, apesar de ser originado de uma safra não muito boa na Espanha, estava muito bom. A mineralidade típica da região estava presente, em um Tempranillo diferente, que lembrava até alguns do Toro. Aromas florais e de cereja se mesclavam a notas minerais. Em boca, boa acidez e mineralidade. Muito bom vinho! Teria ainda alguns anos pela frente. 



segunda-feira, 20 de junho de 2016

A noite em que o Thiagão mandou bem com um Villa Corullon 2007, de Álvaro Palácios!

Vou começar o post sobre esta noite da confraria com o vinho que chegou por último, pois o nosso amigo Thiagão chegou um pouquinho atrasado. Assim, se vinho foi fotografado em separado. Mas foi até bom, pois ele se destacou frente aos demais. Não por que os outros não estivessem muito bons, mas este Villa Corullón 2007 estava uma beleza e roubou a noite. O vinho elaborado pelo craque Álvaro Palácios, na região de Bierzo, obviamente com a casta Mencía, estava com uma elegância ímpar. Os aromas saltavam da taça e iam se modificando durante a noite. Frutas silvestres, confeitadas, especiarias e um toque leve de tabaco bem fino. Lembrava aromas de um Chateauneuf jovem, daqueles com estilo mais moderno, frutado... Em boca era tudo de bom: Fruta na medida, bela acidez e taninos redondos. O final de boca era longuíssimo, com notas especiadas e de chocolate amargo. Uma delícia de vinho! Matou a pau, Thiagão!
Descreverei os outros na sequência da foto abaixo.

O primeiro, garrafona preta, imponente, era um Farnese OPI Riserva Montepulciano d'Abruzzo 2008, levado pelo Caião. Vinho  escurão, denso, aromático, com notas de frutas madura, azeitona preta, chocolate, alcaçuz e tabaco. Em boca era encorpado, carnudo, com acidez equilibrando o dulçor da fruta madura extraída. O final era longo e com notas de tabaco e couro. Vinho perfeito para uma massa com molho vermelho. Italianão na veia! Muito bom também!
O segundo da foto acima é um Tapanappa Whalebone Vineyard Cabernet-Shiraz 2005 da vinícola australiana Tapanappa, criada em 2002 a partir de uma associação do enólogo Brian Croser (ex-Petaluma) com a Champagne Bollinger e o Chateau Linch Bages (Jean-Michel Cazes). Ou seja, como mencionado no próprio site da Mistral, tem que se esperar coisa boa. E é! O vinho é um corte de Cabernet Sauvignon (65%), Shiraz (25%) e Cabernet Franc (10%), com maturação por 20 meses em barricas frances 70% novas. Nada de muita extração e geléia aqui! Vinho muito refinado, com notas de cassis e amoras, em meio a chocolate ao leite e leve apimentado. Em boca mostrava grande elegância, com taninos muito macios e um fundo lácteo evidente. Vinho excelente, muito macio e elegante. Ganhou 93 pontinhos da WS. Estou curioso para beber o Chardonnay deles, que dizem ser também excelente.
O penúltimo na foto, um Quinta da Touriga-Chã 2007, foi levado por este que vos escreve. O vinho é um duriense potente, encorpadão, do produtor Jorge Rosas. É feito com Touriga Nacional e Tinta Roriz, e a produção é pequena, de apenas 2.700 garrafas. Sua cor é escura, densa, e os aromas são profundos, de amora madura, cereja preta, kirsch, alcaçuz e fumo. Em boca é intenso, rico, levemente lácteo, com notas especiadas e final com chocolate amargo e alcaçuz. Um duriense nervoso, concentrado e ainda cheio de vida. A Revista de Vinhos de Portugal lhe tascou 18 pontos em 20. Vinhão que casou muito bem com cordeiro.
E para finalizar a noite, o vinho levado pelo nosso amigo Paulinho: Ponte Canas 2010, da Herdade do Mouchão. Este tem pedigree e agradou bastante. O vinho é feito com Alicante Bouschet, Syrah, Touriga Nacional e Touriga Franca. Ao nariz mostra fruta madura em meio a especiarias, cacau, baunilha e notas herbáceas. Em boca é muito macio e com boa acidez, que lhe dá frescor. O final é longo, levemente abaunilhado e com notas de cacau. Muito bom vinho, como era de se esperar do produtor.
Noite excelente na confraria! Não teve um vinho que não tenha agradado, e muito. Assim que é bão! Abaixo, o Thiagão celebrando a ponta...rs.
Thiagão celebrando o vinhão!


quarta-feira, 15 de junho de 2016

Escultor 2007, Brunello Castiglion del Bosco 2010 e outros grandes vinhos na Confraria

Essa reunião da confraria também foi daquelas... Só vinhão, sem exceção!
Prá começar, um belíssimo branco para abrir os serviços: Chateau de Puligny-Montrachet Saint-Aubin 1er Cru "En Remilly" 2008, levado pelo Paolão. Impressionou este vinho! Aromas deliciosos de pêra e anis, em um fundo mineral nervoso. Em boca, destaque para sua grande mineralidade e acidez vibrante. Teve gente que perguntou: "Caramba! É da Borgonha ou do Loire?". Um grande branco, com 8 anos que nem mexeram com sua força. Teria mais um monte deles pela frente. Delicioso!

Entrando nos tintos, um belíssimo vinho da Alentejana Monte do Pintor: Escultor 2007! Ele, que é o vinho top da vinícola, foi levado pelo Paulinho, o Rei dos Portugueses, claro... Eu estava curiosíssimo para beber este vinho, pois só conhecia os outros vinhos do produtor, incluindo, um que acho ótimo, o Monte do Pintor Reserva. Mas o Escultor consegue ficar ainda acima. É feito apenas em anos excepcionais, com Trincadeira, Alicante Bouschet e Alfrocheiro. Esta era a garrafa n. 212 de apenas 3.450 produzidas. É um vinho superlativo! Aromas ricos de frutas maduras, especiarias doces e chocolate. Em boca, denso mas com ótima acidez, que lhe aportava muito frescor. O vinho é mais seco que muitos alentejanos. O final, longuíssimo. Gostei demais do vinho! Não é só a garrafa que é grande, o vinho também!
 O nosso confrade Rodrigo também pegou pesado e levou um Brunello di Montalcino Castiglion del Bosco 2010. Já apreciamos alguns desta safra maravilhosa, mas este é o primeiro relatado aqui no blog. E ele mostrou por que a safra gerou grandes Brunellos. É um vinho rico em aromas de cereja ao marrasquino, couro, alcaçuz e leve tabaco. Em boca, apesar de jovem, já se mostra apreciável, com bela acidez e taninos marcantes, mas que nada incomodam. O final é longo e com notas de couro e alcaçuz. Uma beleza de Brunello, que faturou 94 pontinhos da WS. Se for beber, decanter no danado, claro.
 O Thiago levou um californiano, do Napa Valley: Fraternity Four Sons 2010, da Baldacci Family Vineyards. É um blend de Cabernet Sauvignon, Syrah e Merlot, que parece ter recebido umas pitadas de Malbec e Cabernet Franc. A partir de 2013 tiraram a Syrah... Bem, de qualquer forma, é um vinho que lembra o estilo bordalês. Tem aromas de licor de cassis, amoras, chocolate e especiarias. Em boca mostra extração, mas equilibrada por boa acidez e taninos firmes. Está novo ainda, e mostra grande potencial de envelhecimento. Bom vinho.
 O JP não ficou atrás e levou um ótimo Quinta do Roriz Reserva 2005. Vinho clássico do Douro, que nessa safra ainda não pertencia à familia Symington. Foi feito com Touriga Nacinal, Touriga Franca e Tinto cão. Deu um sustinho ao ser aberto, como se já estivesse indo... Mas não! Ainda está perfeito. Mas acho que não tem muitos anos pela frente. Ao nariz mostrou notas de kirsh, alcaçuz e chocolate amargo. Em boca mostrava fruta em meio a tabaco e alcaçuz, com um final longo e especiado. Um ótimo vinho, já senhorío, que acompanhou muito bem carne grelhada.
 E para finalizar, o vinho que levei: Chateauneuf du Pape Tardieu Laurent 2005. Não se engane com a palavra negociants no rótulo de baixo... Mesmo por que, o fato de ser negociant não quer dizer que não possa produzir vinhos de grande qualidade. A Maison Tardieu-Laurent foi estabelecida em 1994 e é uma parceria de Michel Tardieu e o borgonhês Dominique Laurent. Ou seja, tem que vir coisa boa. Eles não produzem uvas, tampouco as compram. Na verdade, compram vinhos de produtores ao longo do Rhône, promovem a maturação e o blend. A produção é pequena - Não mais que 20 barricas (geralmente 6-12) são produzidas de cada vinho. E os vinhos têm ganhado reconhecimento internacional, com grandes elogios da crítica. Este CdP que levei é o de entrada da Maison, e é feito com 80% Grenache e 20% Syrah. É um vinho com aromas de frutas silvestres, confeitadas, chocolate e alcaçuz. Ao ser aberto, a fruta é discreta, mas com o tempo ela vai se mostrando e o vinho fica muito equilibrado. Um belo Chateauneuf-du-Pape!
Como vocês podem observar, não teve zurrapa na noite... Coincidentemente, o Caião não levou vinho...rs. 

terça-feira, 14 de junho de 2016

Porca de Murça 2013: Destaque nos top 100 da Wine Spectator, bom e barato!

Coisa boa é encontrar vinho bom e barato. Difícil também... Mas este Porca de Murça 2013, que pode ser encontrado em prateleiras de muitos supermercados por menos de 40 pilas, é um exemplo de que isso é possível. O vinho é feito com Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinta Barroca. Não passa por madeira. A produção é alta (1.500.000 garrafas), o que, juntamente com a fácil acessibilidade, contribuiu para a sua colocação n. 39 na lista dos Top 100 da Wine Spectator em 2015, com 90 pontinhos. O vinho é bem feito. Ao nariz, mostra notas de cerejas secas e framboesas, em meio a toques minerais e florais. Em boca destaca-se por seu frescor, aportado por uma ótima acidez, e boa mineralidade. É vinho que desce fácil e ótimo para acompanhar a refeição do dia-a-dia. Recomendei a muita gente, que comprou e gostou! Recomendo novamente!

Atenção: Estamos tratando de um vinho bem feito, para o dia-a-dia, não de um super Douro. Que fique claro.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Encontro Mistral 2016: Vinhão de 100 pontos e muitos outros!

No meu oitavo Encontro Mistral apreciei, como sempre, muita coisa boa. E é claro, muita coisa passou, pois só tenho um fígado. Farei descrições breves daqueles que mais me marcaram. Começarei aqui pelo hemisfério sul, por dois motivos: 1. Por tratar-se de um vinho que recentemente foi agraciado com 100 pontos pelo James Suckling (ex-WS); 2. Por que o enólogo, o grande Alejandro Vigil, mostrava uma alegria e disposição em atender a legião de visitantes que dava gosto. Simpatia pura! E na foto à esquerda, ele segura orgulhoso o vinho agraciado com 100 pontos: Adrianna Vineyards Fortuna Terrae 2012. Um super vinho, grande riqueza aromática, fino, com uma clareza incrível, sem exageros e acidez vibrante. Novo, um bebê, mas com grandes anos pela frente para mostrar todo o seu potencial. Esqueça aqueles Malbecs densos, concentradões etc... Aqui o negócio é finesse... Mas precisa de tempo... Ah, o que acho dos 100 pontos? Deixa prá lá, vai...
Grandes vinhos na mesa do Alejandro: Estiba Reservada 2003, Nicolas Catena Zapata e os belos El Enemigo, com destaque para o Gran Enemigo Gualtallary 2011, com Cabernet Franc majoritária e uma pitadinha de Malbec. Grande vinho! Um dos melhores vinhos argentinos da atualidade, na minha modesta opinião.
Continuando nos vinhos sulamericanos, partindo para o Chile, não há como não destacar o superelegante Monte Alpha M 2011. Vinho de estirpe, grande presença e maciez. Junto dele, o untuoso Montes Folly 2011, Syrah de primeiríssima, para brigar com grandes australianos. Mudando de estande, mas não de pais, fiquei impressionado com a riqueza do Clos Apalta 2011. Mais nervoso que o Montes M, intenso, taninos vivos, especiarias e grande final. Um vinhaço!
Para variar, os espanhóis deram um show: Pesquera, Conde de Valdemar, Perez Páscoa e os Macan de Vega Sicilia. Belos vinhos. De Pesquera, gostei de todos, como o ótimo El Vínculo Paraje La Golosa, mas fiquei mesmo impressionado com o primeiro vinho que bebi, o branco Alejairén 2011, feito com a uva Airén, amplamente plantada e utilizada para vinhos mais simples, e que agora dá origem a um belíssimo branco, encorpado, amendoado e longo. Uma delícia! Bem, o "Ale" do nome deve ser de Alejandro Fernandez, o mago produtor dos Pesquera e El Vínculo.

De Conde de Valdermar, a surpresa de um Inspiración Valdemar Tempranillo branco 2013, que segundo o representante da vinícola, é feito com uma cepa mutante da Tempranillo. O vinho, bem gostoso. Mas gostei mesmo foi do Conde de Valdemar Gran Reserva 2005. Que vinhão! Cereja preta, tostado, tabaco, tudo de bom... Marcante!

Continuando nos espanhóis, fiquei impressionado com a riqueza e sedosidade dos vinhos de Perez Páscoa. Seu Cepa Gavilan já é ótimo, mas fiquei impressionado com o Viña Pedrosa La Navilla 2009 e o top Perez Páscoa Gran Reserva 1999. O primeiro, um vinho de pago, rico e delicioso, e o segundo, sensacional! Notas de ameixa, cereja, caixa de charuto e alcaçuz. Vinho top, entre os melhores que bebi na noite. Maravilhoso!

Todos os da vinícola de Mallorca Anima Negra estavam excelentes! Deliciosos o AN/2 e o AN Anima Negra, mas o Son Negre 2007... Que estrondo! Vinho rico ao nariz e riquíssimo em boca: denso, untuoso, mastigável e com final longuíssimo! Uma beleza!



Passando para os portugueses, a lista é grande. Mas devo destacar aquele que achei o melhor branco da noite: Campolargo 2011! Uau! Que vinho! Já bebi algumas vezes o 2009, mas o 2011 consegue estar ainda melhor. Impressionante. Vinho riquíssimo, fresco, cítrico, especiado e mineral. Na minha opinião, uma dos melhores brancos portugueses.
Quinta do Vale Meão dispensa comentários. É tudo de bão. O grande Meão 2012 ainda está muito novo, mas é claro, grandioso. Mas o Quinta do Vale Meão Porto Vintage 2012, apesar de novo, estava sensacional! Tomaria várias taças...
Minha visita mais agradável foi no estande do Sr. Dominic Symington. A conversa foi muito prazeirosa. O entusiasmo do Sr. Symington é algo impressionante. Ele fala de seus vinhos com tanto carinho que dá gosto. E obviamente, ele tem toda razão, pois os vinhos são excelentes! O Altano Quinta do Ataíde 2009, uma delícia; O Chryseia 2012, um monstro de vinho, para muitos anos na adega. Estou devendo a postagem de um que bebemos na confraria tempos atrás. Adorei! E os Portos Graham's? Falar o que destes vinhos? Deliciosos! Fiquei com vontade de levar aquela garrafona do 10 Anos para casa...rs. E o 20 Anos estava uma beleza!

Ainda tenho que citar os belos brancos da vinícola grega Gaia, frescos e minerais. O tinto top da vinícola também é grande.



Da Borgonha, não há muito que dizer: Drouhin e Faiveley dispensam comentários. Belos brancos e tintos representando os mais nobres dos vinhos. 



Da Itália, muita coisa boa. Difícil enumerar todos os belos vinhos apreciados: Felsina, Castello del Terriccio, Capezzana e Castello di Montepó/Biondi-Santi... Só coisa boa! Mas só destacando, belíssimo o Syrah Capezzana 804, da vinícola homônima e o Schidione 2000 de Castello di Montepó/Biondi-Santi. Este último, uma beleza de vinho, devidamente amaciado pelo tempo. Ah, e a WS lhe deu apenas 87 pontinhos... Só pode ser brincadeira. O Brunello de Montalcino Biondi Santi 2008 estava ainda muito nervoso, mas é claro, grande. Para agora, gostei do Rosso di Montalcino 2012, que estava uma delícia.

E que tal terminar este post com um maravilhoso Quarts de Chaume 2008, servido pelo produtor Florent de Baumard? Este vinho é um néctar, intenso, dulçor equilibrado por bela acidez... Belíssimo! Mas se não quiser gastar muito, compre seu irmão menor, o Coteaux du Layon, que já terá muito prazer.



É para fechar a noite em grande estilo!