quinta-feira, 29 de novembro de 2012

VOCÊ TOMA VINHO OU COCA-COLA?

Caríssimos(as),
Visitando o blog "Vinho sem Frescuras", do enólogo argentino residente no Brasil, Adolfo Lona (produtor de belos espumantes), li duas postagens que me chamaram muito a atenção. Transcrevo abaixo alguns trechos delas, e deixo o link para os textos completos, que acho muito interessantes. São frases importantes, escritas por alguém que entende do assunto, para que os amantes de um bom vinho reflitam. Particularmente, acho que chega uma fase na vida da gente (e de nosso fígado) na qual devemos tentar beber menos, e melhor. Ou seja, percorrer um caminho inverso ao que estão tentando nos impor com os vinhos padronizados. Isso não quer dizer que não possamos beber um desses, e gostar. Mas o negócio é mais profundo. A busca por vinhos mais elaborados, autênticos, com vida, obras de mãos cuidadosas e corações pulsantes, que enxergam além  dos sifrões, deve permear nossa trilha. O primeiro texto de Adolfo Lona, intitulado "Leviandade", começa assim (em itálico):


Uma noticia publicada hoje no facebook dá conta que:

Michel Rolland, considerado o maior enólogo e consultor de vinho do planeta, durante uma palestra na INSEEC, a business school de Bordeaux, fez uma declaração que deixou todos os estudantes na sala (e os enófilos do mundo) sem palavras.

“O vinho do futuro deverá se adaptar ao gosto dos clientes, que nem Coca-Cola”.

O enólogo de reputação controversa por colocar o aspecto tecnológico antes de tudo em produção de vinho, alegou que o terroir será importante somente para os grandes vinhos, mas para todo o resto da produção vai valer somente marketing e tecnologia.

E deu como exemplo a Coca-Cola que adapta o sabor do próprio refrigerante conforme ao gosto do mercado local: por exemplo, no norte dos EUA ela vem com marcadas nuances de canela, pois o povo de lá gosta, assim como na Índia tem leves toques de especiarias, já na Europa é mais fresca e leve.

Então, argumenta o Rolland, se os indianos gostam de curry, eles vão ter um vinho com sabor de curry.

Michel Rolland acha que isto acontecerá até o ano 2050.

Veja o texto completo no link.

E logo em seguida, o Sr. Adolfo Lona publica outro texto, intitulado "Não aceito", cujo parágrafo final gostei bastante, e reproduzo abaixo. O parágrafo complementa uma sequência de várias perguntas iniciadas por "Será":

- Será que o caminho empreendido por diferentes regiões do Novo Mundo em direção às Indicações de Procedência e Denominação de Origem tem como destino os vinhos coca-cola?

- Será, será, será?

Não, apesar da globalização, do mercado competitivo quase predatório, da banalização dos valores culturais, da entrada permanente de novos consumidores que pouco ou nada conhecem, nada conseguirá transformar o vinho num produto fabricado, padronizado, “esterilizado”, porque o vinho É EXPRESSÃO, CULTURA, TERRA, SOL, NATUREZA, EMOÇÃO, SABOR, COR, CHEIRO, AROMA, SENSAÇÃO... É VIDA.

Nota: Reproduzi os fragmentos dos textos de Adolfo Lona com sua permissão

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

TOP 100 2012 DA WINE SPECTATOR: LISTA COMPLETA E ALGUNS COMENTÁRIOS

Bem, depois de revelarem o vinho do ano em 2012, e os outros vinhos que fechavam os TOP 10, saiu a lista completa dos TOP 100 da Wine Spectator (a qual coloco abaixo). Como eu sempre digo, a lista não é sinônimo de verdade. Na minha opinião, ela reflete bastante o gosto americano, e geralmente vem recheada de vinhos potentes e com jeitão internacional. E é claro, muitos vinhos americanos. Mas não podemos ser preconceituosos e é claro que tem muito vinho bão nela.  Há obviamente, muita injustiça, tanto para vinhos que nela figuram, como para ausentes. Mas isso sempre acontecerá. Eu acho divertido, principalmente, se der para comprar umas garrafinhas e conferir se são bons mesmo. O negócio é que, depois que a lista sai, os vinhos geralmente somem...rs. 
Bem, mas e a lista? 
O primeirão é um califoniano (Shafer 2008, feito com Syrah e Petite Sirah). Não sei se pode ser encontrado no Brasil.  
O segundão é um Gigondas 2010, do Chateau de St. Cosme, que mostra o quão boa foi a safra 2010 no Rhone. Eu sempre procurei vinhos desse produtor aqui no Brasil, por ter bom preço e ótimas referências, e nunca encontrei. Uma pena. 
O terceirão foi um Two Hands Bella's Garden 2010. Syrazão australiano poderoso e que deve ser uma criancinha ainda. Eu bebi o 2009, ofertado pelo amigo Tom, e gostei demais! 
O quarto é mais um da grande safra de 2010 no Rhone: Clos des Papes Chateauneuf du Pape 2010. Esse é figurinha carimbada nos Top 10: o 2005 foi o primeirão na lista de 2007, com os mesmos 98 pontos. 
O quinto colocado foi  um Sauternes, o Chateau Guiraud 2009. Outro que sempre está entre os melhores. Esse ano quase comprei uma garrafinha do 2009, mas não consegui. Bem, comprei o 2005, que inclusive teve nota mais alta da WS e foi quarto da lista em 2008 (veja a postagem aqui). É um vinhaço! Um dos melhores brancos de sobremesa que já bebi. Se tiver oportunidade, compre! 
O sexto da lista é um grande Leóville-Barton da soberba safra de 2009; o sétimo o Pinot Noir Shea 2009, do Oregon; O oitavo, outro americano, o californiano Beringer Cabernet Sauvignon Reserve 2009; o nono foi um Brunellão - Que beleza - O Ciacci Piccolomini d'Aragona 2007. Não sei se é o Vigna di Pianrosso, mas deve ser bão também! E para finalizar os top 10, um sulamericano, o argentino Achaval Ferrer Finca Bella Vista 2010. Eu bebi o 2008, também ofertado pelo confrade Tom, que estava uma beleza, mas novinho, novinho... Essse 2010 deve ser um bebê. 
Bem, e a lista dos top 100 continua... Vejam abaixo a lista, que está bem diversa. Os nossos hermanos argentinos não aparecem bem nessa lista de 2012 (com exceção do Achaval Bella Vista, que foi o décimo e do 51, Norton Reserva 2010). Os hermanos chilenos levaram boa colocação com o Cuvée Alexandre Cabernet Sauvignon 2010 (68), o Marques de Casa Concha Chardonnay 2010 (87) e o Primus 2009, da Veramonte (número 95 e grande preço!).
Mudando para a península ibérica, o Beronia Gran Reserva 2004, ótimo vinho com bom preço, ficou em 61. Outro espanhol, o Pétalos de Bierzo 2010 manteve a tradição de sempre estar entre os Top nos últimos ano. Alí do lado, em Portugal, outra figurinha carimbada entre os Tops, o Quinta do Vallado Touriga Nacional 2009, que foi o número 13. Esse bebi alguns meses atrás e realmente é muito bom (clique aqui)!
Os italianos estão bem representados: O grandioso Flaccianello de la Pieve 2009 ficou em 25.
Os franceses também estão bem na fita e os exemplos são muitos. Eu destaco o Cotes du Roussillon Bila-Haut 2010, de Chapoutier e o Vouvray Guy Saget Marie de Beauregard 2010, de ótimos preço e qualidade. Bem, a lista é grande. Divirtam-se! 


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

E a praia chegou a São Carlos: TIBURON! Com vinhobão, claro: MARQUES de ARIENZO Reserva Especial 2001 e VALDUERO RESERVA 2005

 No sábado passado fomos a uma prévia do que será o cardápio do Tiburon, mais um grande empreendimento gastronômico dos amigos Tom, Humberto e Adriano em São Carlos. O restaurante é temático, e nos remete a um local praiano. A decoração é belíssima, desde a entrada até o interior, onde fica o bar, dentro de um barco. E nós estávamos lá para provar (e aprovar) em primeira mão, o belo cardápio, rico em pratos com frutos do mar, como uma ótima lagosta, e carnes, ao estilo Tom de assar. São todas carnes nobres, de excelente procedência, como as picanhas Bassi, seladas inteiras e levadas à mesa para que o cliente escolha o corte e ponto, até os assados de tira de Black Angus e a bela Bisteca Fiorentina. Tudo ótimo, claro. Parabéns, meus amigos! Mais um sucesso garantido.
E eu estava lá, apreciando a bela comida e uma Baden-Baden Golden, com aquele toque gostoso de canela, quando chegam os confrades JP e Caio  com duas botellas de responsa para apreciarmos com as carnes. E foram dois espanhóis de classe. 
O primeiro deles, levado pelo JP, foi um tradicional riojano Marques de Arienzo Reserva Especial 2001. Aquele da etiqueta preta. É um vinhão! E a safra ainda ajudou muito. É produzido com Tempranillo (75%) e Graciano (25%) e passa 48 meses em barricas de carvalho americano. Ao nariz, notas de cereja, cassis, cítricas, tabaco, toques especiados e um fundinho medicinal. Em boca, muito sedoso, com taninos redondinhos, redondinhos. É de médio corpo e grande elegância. Muito bom! Valeu JP! Nota: Para quem não sabe, a Marques de Arienzo era da Pernod Ricard, mas em 2010 foi vendida para a Marques de Riscal, por 28 mi de Euros.
E o Caião chegou com os dois pés no peito,  portando um belíssimo Ribera del Duero, o Valduero Reserva 2005. Bem, já apreciamos alguns (grandes) vinhos desse produtor, que é de primeira (clique aqui). Seus Crianza já são muito bons, mas o Reserva fica degraus acima. Este 2005, 100% Tempranillo, passou 30 meses em barricas de carvalho de 3 origens distintas (americano, francês e provavelmente eslavono) e mais 18 em garrafa antes de ser comercializado. Ao nariz, mostra aromas muito ricos de licor de cereja, baunilha, alcaçuz, café com leite e caramelo. Em boca, repete o nariz e deixa um fundinho herbáceo da madeira, leve, muito bem integrado. Os taninos são sedosos ao extremo e a acidez perfeita, daquelas de limpar a língua. Uma beleza de vinho! Nem preciso dizer que acompanhou maravilhosamente as carnes do Tiburon, preciso? Aliás, hoje voltaremos ao Tiburon para apreciar mais carnes e os grandes vinhos de Marco Danielle, no evento Sobrevoando Tormentas 2, com a nossa confraria. A primeira edição foi um sucesso (clique).
Céu bonito de São Carlos... E o Tiburon
A entrada do Tiburon
Visão interna do Tiburon, mostrando o "Bar-co"
Detalhe do Bar-co
Essa lagosta pedia um branquinho...rs

MORANDÉ Edición Limitada CARIGNAN 2004: Muito bom!

Nessa última sexta-feira passamos na Mercearia 3M para ver os amigos e lá chegando, encontramos o Carlão matando umas taças de Numanthia 2007 que havia aberto na quinta-feira. Apreciei uma taça e mais uma vez confirmei a potência e estrutura desse vinhaço do Toro! Esse sim, é Loco! Cereja preta em licor, toques balsâmicos, tostados, uma delícia. Veja a descrição do vinho no blog do Carlão (clique aqui), e a de outros Numanthia aqui no blog. 
Bem, mas depois passamos para um Morandé Edición Limitada Carignan 2004. O vinho passa 20 meses em barricas de carvalho americano, levemente tostados, que lhe aportam um toquezinho de baunilha e tostado. A fruta se manifesta em notas de amora madura e principalmente, cereja, ou melhor, licor de cereja. Tudo isso, em meio a notas de couro, chocolate e alcaçuz. Um vinho bem complexo. Em boca, muito sedoso, com taninos já domados pelo tempo. O final era longo e levemente balsâmico. Um vinho muito bom mesmo! Gostei do danado. 
Depois dele, passamos para um Parinacota 2009, da vinícola Volcanes de Chile. Queríamos dar continuidade ao primeiro, visto que este último é um corte de Carignan e Syrah. Só que na verdade, pelo que vi no site da vinícola, o vinho é 85% Syrah e 15% Carignan (ou seja, poderia ser chamado apenas de Syrah, que tudo bem...rs). Mas no rótulo é indicado apenas Carignan/Syrah. E tanto em nariz, como em boca, mostrava aquele Syrah que não me agrada muito: Doce! Diferente daqueles Syrah mais minerais e especiados. A Carignan não dá o ar da graça. É um vinho bem feito, redondo e fácil de  beber, mas fica longe do Morandé e de outros na mesma faixa. O preço é alto pelo que oferece. Para agradar novo-mundistas de carteirinha...

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

CASA MARIN LITORAL VINEYARDS PINOT NOIR 2004: 8 anos e um belo vinho!

E depois de apreciar um belíssimo Casa Marin Cipreses Sauvignon Blanc, fui agraciado pelo amigo Paolão com mais um ótimo vinho da chilena Casa Marin, o Litoral Vineyards Pinot Noir 2004. O vinhedo Litoral é um dos mais próximos ao mar, e recebe as influências dele. O clima é frio e há muito vento, que segundo a vinícola, faz com que o vinho seja agraciado com taninos maduros e um excepcional caráter frutado. Há alguns anos o Paolão abriu uma garrafa desse vinho, mas na época, o álcool aparecia um pouco (e acho que bebemos sem dar-lhe tempo...rs). Dessa vez, não! O vinho mostrou porque é considerado um dos melhores Pinots chilenos. Tudo na medida certa! A fruta se mostrava em notas de framboesa e morango silvestre, em meio a notas terrosas, tabaco e alcaçuz. Em boca nada das geleionas, e sim, fruta na medida certa e acidez correta. Os taninos já estavam maduros e sedosos. Uma beleza de vinho. Até o Fernandinho, que não sei porque, não é fã da Pinot, bebeu de golada. Que pena que era a última garrafa do Paolão. Se você passar perto de uma garrafa dessas, não hesite!

Vinhedos Casa Marin

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Pieropan Soave Clássico Calvarino 2007: Branco italiano de (muita) classe!

A vinícola Pieropan foi fundada em 1890, no Vêneto, e tem produzido grandes vinhos por quatro gerações. Ela se localiza no centro histórico do vilarejo de Soave, Verona. A vinícola é considerada a melhor produtora de Soave, e seus brancos estão sempre entre os melhores da Itália. São 5 brancos produzidos: Soave Clássico, Calvarino, La Rocca e os doces Le Colombare e Passito de La Rocca. Tanto o Calvarino, quanto o La Rocca, são vinhos feitos a partir de uvas de vinhedos únicos. O nome Calvarino significa "pequeno calvário", e se refere à dificuldade em se trabalhar no terreno tortuoso, no qual se venta de cima para baixo, e onde estão as videiras. A primeira garrafa do Calvarino foi produzida em 1971, e segundo o produtor, ele simboliza o que há de mais tradicional e  mais característico na zona de Soave. O vinho é produzido com 70% Garganega e 30% Trebbiano di Soave, com idade entre 30-60 anos. A maturação é feita por 1 ano sobre as lias em tanques de cimento vitrificado, o que lhe aporta estrutura e complexidade. Depois disso, descansa alguns meses em garrafa antes de ser comercializado. 
Este Pieropan Soava Clássico Calvarino 2007, que levei para apreciar com os amigos Fernandinho e Paolão, tinha uma cor palha com reflexos dourados, e provavelmente ainda teria muitos anos pela frente. Aliás, os Calvarino são conhecidos por terem grande capacidade de guarda. Ao nariz o vinho mostra notas florais, de limão, pêssego e leve cera de abelha. Em boca demora um pouquinho a se abrir. Deixe respirar! Pode parecer estranho para quem está acostumado com os brancos triviais, mas este é daqueles brancos que ganham com aeração (como o Tondonia, Capellania, o brasileiro Era dos Ventos, dentre outros). É um vinho sêco, especiado, mineral, com ótima acidez, muito elegante e com um fundinho amendoado ao final. É daqueles que deixam a gente triste quando a garrafa acaba. Evaporou rapidamente! Esse repetirei, sem dúvida! Aliás, ele é importado pela Decanter, e a inspiração para adquirí-lo veio de uma postagem do amigo Eugênio (clique aqui), na qual ele mostrava um Pieropan Soave Clássico e outros dois grandes (mesmo) brancos.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Que é isso pessoal? NICOLAS CATENA ZAPATA 2008, CHRYSEIA 2000, TONDONIA RESERVA 2000, BERONIA GRAN RESERVA 1995, BERONIA GRAN RESERVA 2001, MANSO DE VELASCO 2008 e VIÑA ALBERDI 2005!!!

Na semana passada a reunião semanal da Confraria do Ciao foi na cozinha do amigo Tom, com seus assados maravilhosos. A turma teve o desfalque do Fernandinho (que errou o dia, pensou que fosse quarta-feira...kkkk) e do Paolão, que está sofrendo lá no Rhone. Bem, mas o amigo Marcelo Margarido, que aparece só de vez em quando, deu o ar da graça.
Vou começar por um grande, ofertado pelo amigo Tonzinho: um Nicolas Catena Zapta 2008. Aqui tratamos de coisa grande. O primeiro Nicolas foi feito em 1997 e desde aquela época tem sido considerado um dos maiores vinhos da América do Sul. Ele é feito com Cabernet Sauvignon das melhores parcelas da vinícola. Quando o Nicolas 1997 foi lançado, em 2000, participou de diversas degustações às cegas na europa, contra Chateau Latour, Haut Brion, Caymus, Solaia e Opus One, e em todas ficou em primeiro ou segundo lugar. O 2008 foi feito com 65% Cabernet Sauvignon e 35% Malbec, dos vinhedos Pirámide, Adrianna, Domingo e Nicásia. A fermentação foi feita em barricas novas de carvalho francês e a maturação também em carvalho francês, por 24 meses. Mirtilo, cassis, ameixa, alcaçuz, chocolate, notas florais e muitas ervas. Aliás, a presença de ervas aromáticas me chamou a atenção. Como disse ao Tonzinho, era como se colocássemos várias delas em uma tábua e sentíssemos os aromas após o corte. Em boca era muito sedoso, refinado, com taninos perfeitos. Um grande vinho! Para me agradar mais ainda, poderia ser um pouquinho menos doce. Lembrou-me um pouco o ladinho doce de alguns vinhos americanos. Mas vou fazer uma crítica a nós, confrades: Este vinho está muito novo! Ficará mais integrado em alguns anos. Diferentemente de grandes bordeaux, que em sua juventude são fechados, nervosos, e precisam de tempo para se abrirem e serem domados, o Nicolás já é macio, mas a meu ver precisa de tempo para integrar melhor suas virtudes.  Cometemos (mais) um pecado...rs. Quero beber um desse mais velhinho... 
O JP levou um ótimo Beronia Gran Reserva 1995. Um vinho já senhorio, cor e aromas de cereja ao marrasquino. Já no seu ápice. Os aromas de cereja se misturavam a notas de tabaco e alcaçuz. Em boca, muito redondo, gostoso, mas com baixa acidez. Vinho muito bom, embora unidimensional, talvez já pela idade. Se tiver um desses, beba logo, e vai se divertir. 
E como eu sabia que o JP ia levar o 95, resolvi levar o irmão dele, o Beronia Gran Reserva 2001. Este eu já comentei aqui no blog (clique aqui), e nem vou colocar a foto. Embora fosse patente o DNA do produtor, o 2001 estava bem mais vivo e rico. Destaque para as notas de cereja preta, tostadas, balsâmicas, couro e alcaçuz. Ah, e um fundinho de mel discreto e interessante. Vinho muito redondo e sedoso. Uma delícia! Talvez seu irmão de 95 fosse assim alguns anos atrás. Foi divertida a comparação.
Nosso confrade esporádico, mas muito querido, Marcelo Margarido, levou um grande Chryseia 2000. Eu fiquei curioso com ele, pois havia apreciado um Chryseia 2006 tempos atrás, que se mostrava novão, e queria beber um desses mais antigo. No entanto, o que vi foi um vinho completamente diferente do 2006. O 2000 é muito mais ao estilo austero, tradicional, menos moderno. O vinho é feito com Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Cão. A fermentação ocorreu em inox e a maturação por apenas 8 meses em cascos de carvalho francês (400 litros). Nos mais recentes o tempo passou para 12 meses. Sua cor, influenciada pelo tempo, mas também característica que o difere dos atuais, é mais clara, tendendo à cereja. Ao nariz, o lado floral da Touriga Nacional não se destaca tanto. Nada de fruta muito madura e excessos. Notas de cereja e framboesa se mesclavam a notas de couro e cedro. Em boca, era seco, com taninos corretos e um fundinho de madeira no tanto certo. Um vinho distinto, diferente das novas tendências. No começo, causou-me até certa estranheza, pois esperava um Chryseia parecido com o 2006 que havia apreciado, mas com o tempo, foi mostrando categoria. Aqui se vê a influência bordalesa de Bruno Prats (Cos d'Estournel). Vinhão, Marga!
E nosso amigo Rodrigo não deixou por menos e levou um riojano de peso: Tondonia Reserva 2000. Esse eu já levei uma vez prá turma (clique aqui). Falar de Tondonia é chover no molhado, pois é grande vinho sempre. Se você quer beber Rioja tradicional, experimente um deles. É elaborado com leveduras indígenas, maturado em barricas usadas de carvalho americano por longos anos (6 anos este Reserva), clarificado com claras de ovos e submetido a inúmeras trasfegas. A cor já é particular, lembrando um borgonha. Ao nariz, notas de cereja, cítricas e de especiarias. Em boca, taninos domados pelo tempo e acidez correta. Uma beleza, sempre! E amado pela nossa turma.
E não contente, o Tonzinho foi na adega e ainda trouxe um Manso de Velasco 2008. O Tonzinho não estava para brincadeira. Esse vinho é um dos meus chilenos preferidos. Já comentei aqui sobre o 2006, que me agradou muito. A assinatura do vinho estava também neste 2008. É um vinho com muita fruta madura (mirtilo, ameixa, cassis) compotada (mas sem incomodar), chocolate e alcaçuz. É cheio de camadas e vai mudando com tempo em taça. Em boca é amplo, vivo, mastigável, e com taninos doces e sedosos. Um vinho excelente e que merece mesmo ser sempre considerado um dos melhores Cabernet Sauvignon do Chile sempre, no Guia Descorchados.
O Caião levou o irmão menor dos grandes La Rioja Alta, o Viña Alberdi 2005. O vinho é uma boa introdução aos vinhos desta tradicional vinícola Riojana. Já comentei aqui sobre o Gran Reserva 904 1994, que bebemos esse ano e estava maravilhoso. O Alberdi é feito majoritariamente com Tempranillo e aquelas pitadinhas clássicas de outras uvas que lhe aportam mais peso, cor e acidez. O envelhecimento é o tradicional, em barricas de carvalho americano por 24 meses, o que aporta a característica baunilha, já evidente nas primeiras cafungadas. O primeiro ano é em barricas novas e o segundo em barricas de 3 anos. A cereja se mostra entre notas de café com leite, leve balsâmico e cítricas leves. Em boca é muito sedoso, com boa acidez e taninos muito redondos. É um vinho muito bom, que mescla tradição e modernidade, e que parecia ser mais novo.
Bem pessoal, e foi isso. Muito vinhobão! Como sempre...
A turminha reunida...

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

SOBREVOANDO TORMENTAS 2012: VOANDO ALTO - Pacote fechado com os 6 melhores vinhos ainda disponíveis no Atelier Tormentas!


Estimados leitores, abaixo descrevo uma nova oferta especial do Atelier Tormentas, de Marco Danielle. Quem tiver a oportunidade, não pode deixar de aproveitá-la, pois seus vinhos são únicos. Fuja do convencional: Experimente os vinhos Tormentas! Siga as recomendações do Marco Danielle para o consumo e verá que são vinhos especiais. Adaptei o texto para a postagem, mas o texto original pode ser encontrado aqui.
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Cerca de uma vez por ano o Atelier Tormentas oferece uma caixa mista com valor super reduzido, incentivando os clientes a apreciar uma das maiores virtudes da vinicultura natural: a surpreendente evolução dos vinhos ao longo do tempo. É, igualmente, um incentivo à divulgação de seus vinhos junto aos enófilos que ainda não tiveram a oportunidade de prová-los. Este "sobrevôo 2012" reúne apenas os vinhos de maior valor e reduz drasticamente os preços, proporcionando a todos uma oportunidade de conhecer o melhor do trabalho de Marco Danielle. Aos que provaram esses vinhos muito cedo, eis um convite para voltar a degustá-los hoje, refinados pelo tempo.

 PRELÚDIO 2007 - Um dos 3 vinhos de maior sucesso da história do Atelier Tormentas

Para a edição 2012 da oferta "Sobrevoando Tormentas" o Atellier adquiriu um lote de Prelúdio 2007, vinho há muito esgotado para a venda em seu site. Às cegas considerado um bordeaux clássico à moda antiga por muitos especialistas, o Prelúdio 2007 arrancou elogios de Guilherme Corrêa, eleito duas vezes melhor sommelier do Brasil. Longamente elogiado na imprensa pelo músico Ed Motta, obteve a unanimidade da crítica como nenhum outro vinho do Atelier Tormentas, sendo o responsável pelo artigo em que o vinicultor e restaurateur parisiense Mark Williamson declara o Brasil como "mais uma nação capaz de produzir grandes vinhos". Nesta caixa mista com excepcional desconto, o Atelier tem o prazer de incluir uma rara garrafa de Prelúdio 2007.

ATENÇÃO: esta oferta estará disponível por tempo limitado, sujeita à pequena quantidade disponível. Não há limite de caixas por comprador.  

O PACOTE FECHADO É ASSIM COMPOSTO:

 Tormentas Premium 2006 (Pinot Noir + Tannat + Merlot) - 14,8 % vol.
(presença de SO2 insignificante)

Prelúdio 2007 (Cabernet-Franc + Cabernet-Sauvignon + Merlot) - 12,7% vol.
INDISPONÍVEL FORA DESTE PACOTE FECHADO
(sem traços de SO2)

Tormentas Premium 2007 (Merlot) - 12,6 % vol.
INDISPONÍVEL FORA DESTE PACOTE FECHADO
(sem adição de SO2 em nenhuma das etapas de vinificação)

Tormentas Ius Soli Garagem 2008 (Cabernet-Sauvignon + Merlot + Alicante) - 13,0 % vol.
(presença de SO2 insignificante)

Tormentas Fulvia Garagem 2010 (Cabernet-Franc) - 12,0 % vol.
(sem adição de SO2 em nenhuma das etapas de vinificação)

Tormentas Fulvia Garagem 2011 (Pinot Noir) - 12% vol.
(adição de SO2 moderada)


Preço normal da caixa 820,00 (+ frete)
Desconto Oferta Especial "Sobrevoando Tormentas": -328,00
Preço final: 492,00 (+ frete)


Nota de Marco Danielle.: De todos os vinhos que elaborei, o Prelúdio 2007 é o mais impressionante em termos de paleta aromática. A presença de sulfitos no vinho engarrafado (incluindo o SO2 naturalmente gerado pela fermentação) é próxima de zero, portanto estamos à frente de um vinho radicalmente sem conservantes. Sua assinatura aromática é típica de um vinho natural em toda autenticidade, transbordando "sous-bois" e notas animais. Para inspirar a degustação desse vinho, sugiro com entusiasmo a leitura do artigo Compreendendo o Espírito dos Bosques.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

NÃO é só COMER FILET, tem que ROER OSSO também: VINHOBÃO teve seu dia de TORO LOCO

Bem, depois de todo o auê feito em torno no Toro Loco 2011, dividi com um amigo uma compra e abri uma garrafa nessa última sexta-feira para ver qual era a dele. Claro que não poderia nutrir expectativas por um vinho que custa menos de 4 libras lá fora, e que chegou aqui por bons 25 Reais. Mas considerando que uma turma lá no Reino Unido havia premiado o danado, o colocando à frente de vinhos 10 vezes mais caros (?), resolvi encarar o taurino. Bem,  o vinho tem cor rubi-violácea, aromas frutados de cereja fresca e groselha, com um toque floral. Em boca é leve e a acidez é boa, fazendo dele um vinho fresco. Os taninos se fazem sentir um pouco, fruto da juventude. O final de boca mostra um amargor que me incomoda. Aliás, amargor que não me incomoda, é o de Amarone. Aqui vale uma nota: A percepção do amargo depende de características genéticas e bioquímicas, e varia entre as pessoas. Desta forma, o que pode parecer amargo para uma pessoa, pode não ser para outra. Aliás, é uma das práticas legais da disciplina fisiologia. Voltando ao vinho, com comida ele melhorou um pouco (bem pouco). O vinho é leve e completamente unidimensional - Não muda um milímetro com tempo em taça. Aliás, vai piorando, como previsto para um vinho simples.  Por outro lado, falta-lhe alma e tipicidade espanhola. Eu, que gosto e costumo beber frequentemente vinhos espanhóis, não seria capaz de reconhecer sua nacionalidade, de maneira alguma. 
De resto, por 25 pilas, não esperaria mais. Ou melhor, por esse preço dá prá comprar um Clos de Torribas Crianza, que lhe supera, ou com mais uns reaizinhos, compro em São Carlos o português Cicônia,  o Flor de Crasto e outros com mais estrutura e que dão mais prazer. Mas isso não quer dizer que o Toro seja um vinho ruim e para jogar no ralo. Dá para beber e o preço está de acordo com o que ele oferece. E só!

Tenho algumas hipóteses para tentar explicar o alarde que os caras no Reino Unido fizeram em cima dele:


1. Os caras estavam indo para uma degustação de Whiskys e entraram por engano em uma de vinhos;
2. Os caras já estavam "mamados";
3. Os vinhos que o Toro enfrentou tinham acabado de chegar de viagem, trazidos na caçamba de uma camionete com a suspensão quebrada, sob o sol do meio-dia, ou...
4. Era um Caballo, não um Toro, que beberam!!! rsrs... 

sábado, 20 de outubro de 2012

AS SALVAGUARDAS miaram: Há mesmo tanto motivo para COMEMORAR?

Notícia de hoje em jornal de grande circulação menciona que o governo brasileiro desistiu das famigeradas salvaguardas ao vinho nacional. E agora, serão enxurradas de postagens sobre o tema. Bem, e estou eu aqui contribuindo para isso. Mas tenho minhas dúvidas se há tanto motivo assim para comemorar. Eu sempre me manifestei contra às salvaguardas, por achar que não resolveriam o problema, pelo contrário, traríam mais. Por outro lado, sempre disse que não sou favorável ao boicote ao vinho nacional, embora compreenda a revolta de muitos colegas. Nesse período conturbado, continuei apreciando "bons vinhos nacionais", como os de Marco Danielle, pelos quais nutro  grande admiração. E voltando às minhas dúvidas quanto às comemorações, fico aqui pensando com a minha taça que continuaremos a pagar muito caro pelo vinho nacional, assim como pagamos pelo importado. E me questiono: O vinho nacional melhorará? Terão identidade ou continuarão (em sua maioria) no caminho da internacionalização? Deixarão de chamar de vinho "icone" aqueles que são feitos aos milhares, como bem alerta meu amigo Carlão? Valorizarão mais o conteúdo do que a garrafa? Os pequenos produtores serão valorizados? O brasileiro primará pela qualidade em vez da quantidade? Bem, uma coisa é certa, o absurdo das salvaguardas não passou, o que já é muito bom. Por outro lado, Toros Locos da vida poderão ter sua investida dificultada. E com isso, eu concordo. Aliás, logo postarei sobre ele...(rs) - Para não dizer que não falei das flores... (essa é só para os antigos...).

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

TORMENTAS ROSÉ GARAGEM 2011: Para uma tarde quente de verão

Não preciso repetir que sou fã dos vinhos de Marco Danielle. Todos que bebi até hoje me deixaram felizes. É só buscar aqui no blog FULVIA, e verá do que estou falando. Mas dessa fez, o vinho apreciado foi o Tormentas Rosé Garagem 2011, uma tiragem especial que foi vendida apenas en primeur. Apenas 270 garrafas foram produzidas. Segundo o próprio Marco "tamanha é a familiariedade com um vinho francês (origem da casta), que lhe resulta difícil, ainda que de longe, apreciá-lo sem fechar os olhos e contemplar o panorama ao alto das colinas de Sancerre, com seus vinhedos a perder de vista". É um Rosé feito com Pinot Noir vinificada em branco, com cor de laranja-sangue... O vinho utiliza leveduras enológicas em sua fabricação, mas em interação com as selvagens. Não há adição de SO2 no engarrafamento, não é filtrado, nem sofre colagem. É um rosé fresco, leve, mas com presença. Além da fruta silvestre, tem um toquezinho de tabaco bem gostoso. Gostei muito dele. Aliás, não sei se era o correto, mas fiz o mesmo que geralmente faço com o FULVIA PINOT NOIR, colocando em decanter e aerando. Acho que funcionou da mesma forma. Que ótimo que pude desfrutar de uma destas poucas 270 garrafas produzidas. E ainda tenho uma garrafa que vou guardar. Segundo o Marco, diferentemente da maioria dos rosés, este pode ser guardado e deve evoluir. Abaixo coloco texto do vinhateiro, que consta no site do Atelier Tormentas.
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NOTA DO VINHATEIRO (Marco Danielle)

Segundo rosê de Pinot Noir do Atelier Tormentas, feito sem objetivos comerciais, apenas para o deleite do vinhateiro que vos escreve. O primeiro foi da safra 2009, mesmo vinhedo, praticamente o mesmo vinho. O que muda em 2011 é a fermentação mais completa, gerando um vinho levemente mais seco, com menos doçura residual que em 2009. Ou seja, um pouco mais de "nervo" - tão importante para um rosê de caráter, mais clássico e mais gastronômico. Dos vinhos que fiz, considero esses dois rosês entre meus preferidos para o dia a dia, pela leveza que dá muito prazer. Pena o desprezo que sofrem os rosês, mesmo junto ao segmento melhor informado do público. Por certo há muitos rosês comerciais "mudos" ao redor do mundo (porque pesados e alcoólicos), que contribuiram para o preconceito generalizado, mas um rosê de estilo europeu e gastronômico, leve e fresco, pode proporcionar uma explosão de encanto. Rosês feitos com alma, a partir de grandes matérias-primas, podem significar finas vinicações em branco feitas com uvas tintas. No caso de um rosê de Pinot Noir, os resultados podem ser de uma delicadeza e de um requinte impressionantes. Esse é o espírito em que o Tormentas Rosê Garagem 2011 foi elaborado, e é essa delicadeza e expressividade que quero compartilhar através desse Pinot Noir vinificado em branco, de uma sutil cor "casca de cebola". A exemplo do branco 2011, o rosé 2011 será compartilhado com poucos clientes e amigos. A exemplo do branco, igualmente, esse rosê inspira-se na incursão pelos porões gelados dos vinhos naturais do Loire e da Borgonha, que fortemente o influenciaram. Tamanha é a familiariedade com um vinho francês (origem da casta), que me resulta difícil, ainda que de longe, apreciá-lo sem fechar os olhos e contemplar o panorama ao alto das colinas de Sancerre, com seus vinhedos a perder de vista.


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

VINHOS CHILENOS SÃO DESTAQUE NA WINE SPECTATOR: ALMAVIVA 2009 LEVOU 96 PONTOS! SEGURA...

Figura extraída do site da vinícola
Bem, e se você é um dos incomodados com o aumento constante de preços dos vinhos chilenos, pode continuar preocupado: A Wine Spectator acabou de soltar uma edição do Insider na qual figuram vários chilenos com ótimas notas. E se o Clos Apalta e Don Melchor eram os únicos chilenos a terem obtido uma nota 96, a maior nota dada a um vinho chileno, não são mais: O Almaviva 2009 também levou 96 pontos, assim como o grande Montes Alpha M 2010, e o próprio Clos Apalta, da safra de 2009. Outro bem avaliado foi o Syrah Montes Folly 2010, com 95 pontinhos. 
E no campo dos "mais baratos" (rs), destaque para o Alfa Centauri e o Blend de Fournier, ambos 2008,  com 93 pontos. O Carmenére Tierras Moradas 2008, das Viñas San Pedro, também levou 93 pontos, assim como o Purple Angel 2010, de Montes (que tem precinho salgado). Os vinhos da Casa Lapostolle também foram bem avaliados, como sempre, com destaque para seus Cuvée Alexandre (tanto de 2009 quanto de 2010), que são realmente muito bons. Bem, agora é tirar o escorpião do bolso ou ponderar se vale a pena pagar tão caro por eles aqui no Brasil. A discussão vai longe, mas para acirrá-la, dê uma olhada no preço de alguns ótimos franceses, espanhóis e italianos disponíveis no mercado. E olha que esses vinhos já chegam aqui com preços bem salgados. Ninguém discute a qualidade dos grandes chilenos agraciados, o que confesso me deixa feliz, mas...
Abaixo coloco a avaliação da WS para os vinhões citados acima. Ah, e com o preço que se compra nos EUA, para dar tristeza...

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VIÑA ALMAVIVA Puente Alto 2009
96 points | $100 | 12,500 cases made | Red
Classically built, with a compact and fine-tuned frame giving way to rich cassis, black cherry reduction, fig paste, spice box and licorice notes woven with fine tannins, juicy acidity and a firm minerally spine. The finish reverberates the focused flavors, but should expand with mid-term cellaring. Cabernet Sauvignon, Carmenère, Cabernet Franc and Merlot. Drink now through 2020. 

CASA LAPOSTOLLE Clos Apalta Colchagua Valley 2009
96 points | $90 | 6,361 cases made | Red
A gorgeous wine that deftly balances polished cassis, dark cherry reduction and blueberry notes on a compact frame. This is structured, with silky tannins lining the long finish that lingers on with hints of apple wood, spice box and underbrush. Carmenère, Cabernet Sauvignon and Petit Verdot. Best from 2014 through 2020. 

VIÑA MONTES Alpha M Santa Cruz  2010
96 points | $90 | 500 cases imported | Red
Beautifully concentrated, with a floral undertone to the rich yet racy wild berry, cassis and damson plum skin fruit character that’s tightly wound around fine tannins. The finish is long and compact, but this needs time in the cellar to fully shine. Best from 2014 through 2020. 

VIÑA MONTES Folly Santa Cruz 2010
95 points | $90 | 250 cases imported | Red
This dense red delivers cream-tinged layers of blackberry coulis, cassis and plum sauce backed by well-integrated tannins and fresh acidity. Compact now, with fine spice, smoke and licorice notes gracing the long finish. Syrah. Best from 2014 through 2020. 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

CADUS Malbec Blend of Vineyards 2008, HERDADE do PESO Colheita 2010 e ADEGA do BORBA Reserva 2008: 3 bons vinhos para uma sexta-feira a tarde!

Em uma sexta-feira de duas semana atrás o Caião me ligou dizendo que estava na Mercearia 3M tomando um vinhão. Fui lá para conferir e quando vi, era uma reunião extraordinária da confraria, com a presença do Caião, Tom, JP e Rodrigo. Já estavam bebendo um Cadus Blend of Vineyards 2008, da Nieto Senetiner. O vinho é um Malbecão feito com videiras de 3 vinhedos diferentes, cultivados em diferentes altitudes, como mostrado no rótulo. O produtor cita que as uvas de Vistalba lhe aportam estrutura, cor, bons taninos e teor alcoólico, o que lhe favorece a guarda. As de Agrelo, aromas de fruta madura e o de Vistaflores, acidez mais elevada e notas especiadas. O vinho matura por 12 meses em barricas francesas de tostado médio. É bastante aromático, com notas de figo, ameixa, cereja preta e alcaçuz. Em boca é amplo e muito sedoso. Não exagera na doçura e pede outra taça. Um ótimo Malbec! Foi o melhor vinho da tarde.
Depois dele, passamos para um alentejano, o Herdade do Peso Colheita 2010. O vinho, da gigante Sogrape, é feito com Aragonez (70%) e Alfrocheiro (30%). Eu gosto de ambas! A Alfrocheiro dá uma estrutura ótima para o vinho. Lembro de ter bebido um 100% Alfrocheiro 2000 da mesma Herdade do Peso, que estava ótimo. Quanto a este colheita 2010, os aromas são de amoras maduras em meio a toques balsâmicos, baunilha, café e alcaçuz. Em boca era muito redondo, amplo e sedoso. Pode até parecer um pouco doce, mas com o tempo em taça tudo fica mais integrado e o vinho se mostra muito elegante. Eu gostei bastante dele e acho que daqui a uns 2 anos estará melhor ainda. 
O terceiro e último vinho foi outro alentejano, o Adega do Borba Reserva 2008. É o famoso com rótulo de cortiça, feito com Aragonez, Trincadeira, Castelão e Alicante Bouschet. Segundo o site da vinícola, o vinho matura por 12 meses em barricas de carvalho de terceiro e quarto uso e também em tonéis de madeira exótica (?). Ao nariz mostra notas de framboesas, baunilha e especiarias. Em boca, mostra boa acidez e taninos sedosos. A turma achou um pouco "ralinho", mas penso que foi em decorrência de o termos apreciado após o Herdade do Peso, que tem mais peso...rs. O Borba é mais gastronômico e pede comida (portuguesa, claro). 
Ótima happy hour, pessoal! Padrão, Confraria do Ciao, lógico!

MUGA BRANCO Fermentado em Barricas 2006: Par perfeito para um bacalhau!

A discussão sobre qual é o vinho mais adequado para acompanhar pratos com bacalhau é antiga. Os portugueses geralmente não admitem que não seja um bom tinto. Há alguns anos eu também era assim, até ler um artigo do saudoso (mesmo) Saul Galvão, no qual ele sugeria um bom branco barricado. Por outro lado, José Osvaldo Albano do Amarante, em seu indispensável "Os Segredos do Vinho Para Iniciantes e Iniciados", indica o ótimo Conde de Valdemar Fermentado em Barricas como acompanhante para o bacalhau. Depois que eu experimentei com esse vinho, fiquei fã e mudei o meu conceito de que bacalhau pede vinho tinto. É claro que depende muito de como o bacalhau é feito, mas em geral, eu o aprecio com vinho tinto leve, com pouco tanino ou com um bom branco barricado. Desses últimos já apreciei com o citado Conde de Valdemar, Angelica Zapata Chardonnay, Borgonhas, dentre outros.
E nesse último sábado, fiz um bacalhau para a digníssima, que adora, e abri um Muga branco Fermentado em Barricas 2006. Eu sou fã dos vinhos dessa vinícola riojana, que faz excelentes tintos (clique aqui). Mas ainda não tinha experimentado o seu branco. Ele é feito com Viura (90%) e Malvasia (10%). A fermentação é feita em barricas de carvalho francês e depois de finalizada, o vinho permanece sobre as lias por 3 meses antes de ser engarrafado. Esse 2006 já estava com uma cor dourada bonita e ao nariz mostrava notas de pêssego, nespera, florais, amêndoas, baunilha e um fundinho de mel. Em boca mostrava ótima acidez, um fundinho amanteigado (sem exagero) e aquele toquezinho de jerez, para o qual muita gente torce o nariz, mas que eu adoro. Foi par perfeito para o bacalhau. Ele fica abaixo do Conde de Valdemar, mas é um bom vinho, e pelo preço é uma boa pedida. Beba em temperatura por volta de 11-13 graus, pois picolé de vinho branco barricado não é legal!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Quinta dos Carvalhais Colheita 2008: Dão típico, muito bom!

Tenho bebido poucos vinhos do Dão - Muito menos que queria, ou até, deveria, pois são vinhos que muito me agradam. Eles têm aromas e gosto de vinho, algo meio difícil hoje em dia...rs. Por outro lado, costumam ter bons preços em comparação com seus balados colegas do Alentejo e principalmente, Douro. 
Mas nessa quinta-feira matei a vontade e abri um Quinta dos Carvalhais Colheita 2008. A Quinta dos Carvalhais foi adquirida em 1990 pela gigante Sogrape, e produz belos vinhos no Dão. Este em questão é feito com Touriga Nacional, Trincadeira e Alfrocheiro, com estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês e americano. Tem uma cor rubi bonita e aromas finos de violeta, groselha, amora, baunilha e chá preto.  O álcool, no começo, aparece um pouco, mas depois tudo fica mais integrado. Depois de algum tempo em taça vão surgindo notas gostosas de alcaçuz e o vinho remete a vinhos do Rhone. No entanto, em boca é um típico Dão, com acidez vibrante e taninos firmes. Quem não está acostumado, ou gosta de vinhos mais doces, com mais extração, pode estranhar. Eu gosto muito de vinho assim, estilão bem gastronômico. No caso deste colheita, vale a pena decantar porque ele ganha com aeração, e apreciar com uma leitoa à pururuca... Vinho recomendado.
A propósito, eu adquiri o vinho na Mercearia 3M, do amigo Idinir. Sua importadora é a Zahil.