segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Emilio Moro Malleolus de Sanchomartin 2004: Opulento!

A bodega Emilio Moro, localizada em Ribera del Duero, é relativamente jovem, tendo lançado o seu vinho Malleolus de Sanchomartin apenas em 2002, como este Emilio Moro Malleolus de Sanchomartin 2004 que bebemos. As uvas vem do Pago de Sanchomartin, um vinhedo de altitude, pequeno, com menos de 1 hectare (mais especificamente 0,85 hectare), plantado em 1964, e que tem solo rico em calcáreo e argila. A produção é pequena, geralmente ao redor de 2.500 garrafas.  A maturação é feita em carvalho francês por 22 meses. Ao nariz, já mostrava a que veio. Vinho poderoso! Depois de uma hora em decanter ainda relutava em mostrar suas melhores qualidades. Eu, particularmente, sentia muito as notas tostadas e de baunilha. No entanto, elas foram se equilibrando com o restante e deixando que aparecessem notas de ameixa e amora bem maduras e alcaçuz marcante. Confesso que me lembrou muito um Kilikanoon Oracle que bebemos tempos atrás. Mesmo apreciando muitos vinhos espanhóis, tive dificuldades em identificá-lo como tal. Só com o passar do tempo (+/- 3 horas) é que mostrava mais a sua identidade. Podia-se sentir, depois deste tempo, notas cítricas, mentoladas, de café e florais. Em boca é um vinho carnudo, daqueles de mastigar, de densidade impressionante. Enchia a boca com seus aromas de fruta madura, balsâmicas e alcaçuz. Com o tempo, notas minerais, mentoladas e herbáceas foram surgindo. Os taninos são presentes mas com uma polidez incrível. O vinho é sedoso até mandar parar. E a persistência? Aqui outro grande destaque: O danado insistia em permanecer na boca. Interminável! Realmente, um grande vinho, opulento! E para favorecer, produto de uma safra grandiosa. Este da safra de 2004 foi o mais aclamado entre os Sanchomartin, com 97 pontos da Wine Spectator e 97 do Mr. Parker. Mas os de outras safras, sempre ficam alí pelos 94-95 pontos. Bem, aí emendo com a minha primeira crítica. Para o meu gosto (por favor, entendam: Para o meu gosto!), o vinho satisfaz o paladar americano, que adora o estilo mastigável. Para atestar o quanto o vinho os alegra é só fazer uma boa busca na rede e ver como os elogios são rasgados. Mas acredito que essa concentração seja uma característica própria do vinho, que é oriundo de uvas de vinhedo de baixo rendimento. Aliás, lembrou-me a concentração do seu primo riojano Pujanza Cisma, que também é feito com uvas de um vinhedo de menos de 1 hectare e de baixo rendimento (e que também é de solo calcáreo e argiloso). 
Por outro lado, acho o preço salgado, mesmo lá fora. No Brasil, causa hipertensão. Não farei comparações diretas, mas aqui mesmo no blog dá para encontrar conterrâneos dele que fazem muita presença com um preço menor. Mas é claro, a experiência valeu, e muito! 

sábado, 28 de setembro de 2013

Dois alentejanos: Esporão Quatro Castas 2011 e Herdade São Miguel Touriga Franca 2010

Nessa última sexta-feira passamos na Mercearia 3M para aquele tradicional fim de tarde regado a bons vinhos. Estávamos Caio, JP, Carlão e este que vos escreve. Eu queria abrir um Tosca, chianti que sempre me agrada. Mas o JP estava inclinado a abrir um português e elegemos o Esporão Quatro Castas 2011. Bem, nem preciso dizer que o vinho é feito com 4 uvas diferentes: Aragonez (com vinificação em lagares e estágio de 6 meses em carvalho americano), Alicante Bouschet (com vinificação em inox e estágio de 6 meses em carvalho francês), Petit Verdot (vinificada em inox e com estágio de 6 meses em carvalho francês) e Syrah (vinificada em cubas roto-fermentativas e estágio de 6 meses em cavalho americano). O vinho é concentrado, com aromas de frutas compotadas, baunilha e um fundinho mineral. Em boca, repete o nariz, mostra bom corpo e bom equilibrio (embora logo ao ser aberto se mostrasse um pouco "quente"). Ficou bem melhor depois de algum tempo. Assim, se for beber, decanter nele. É bem feito e redondinho, mas confesso que não é o tipo de vinho que me mais me agrada. Se fosse um pouquinho mais seco e com um pouquinho menos de extração, me alegraria mais. 
O Carlão, que chegou depois, abriu um Herdade São Miguel Touriga Franca 2010. O vinho é feito pela Companhia Agrícola Alexandre Relvas (que tive o prazer de conhecer tempos atrás - clique aqui). Este 2010 é muito parecido com o 2009 que bebi tempos atrás. Ele estagia 9 meses em carvalho francês. Ao nariz mostra notas de framboeza, alcaçuz e leve tostado. Em boca, repete o nariz e é bastante sedoso, levemente glicerinado. Agrada fácil, fácil. Mas se tivesse uma pitada de alguma uva para lhe agregar uma certa rusticidade, para o meu paladar, melhoraria. Eu o preferi ao 4 Castas. Nota pós-postagem: O vinho ficou entre os 100 melhores vinhos da Revista Adega no final do ano, com elogios para sua qualidade e relação custo/benefício.
São vinhos na mesma faixa de preço (75-80 Reais), e que justificam o valor pago.
Bem, isso aí, pessoal!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Foradori Morei Teroldego 2010: Belo vinho!

Tempos atrás escrevi aqui no blog sobre o vinho biodinâmico Foradori Sgarzon Teroldego 2010, italiano do Trentino-Alto Adige que gostei bastante. Bem, agora chegou a hora de seu irmão, o Foradori Morei Teroldego 2010, que apreciamos na casa do Carlão. A diferença quanto ao seu irmão é apenas em relação ao vinhedo, já que a vinificação é parecida, assim como a maturação em ânforas (tinajas espanholas) por 8 meses. Também não são utilizadas leveduras industriais e a adição de sulfito é miníma, só ao final do processo. Dessa vez, deixamos o vinho descansar em decanter por no mínimo uma hora e fomos apreciando devagar, acompanhando a sua evolução. Ao nariz ele mostra notas de amoras silvestres, azeitonas pretas, alcaçuz e minerais. Em boca, repete o nariz, mostrando ótima intensidade e muita mineralidade. Os taninos são firmes e devem melhorar com os anos, mas nada que incomodasse agora. É um vinho de muita presença e, da mesma forma que o Sgarzon, distinto. Não quero ser prepotente, longe de mim, mas não é vinho para iniciantes. Novo-mundistas de carteirinha podem estranhar esta beleza. 
Cada vez eu fico mais fã dos vinhos de Elisabetta Foradori.

sábado, 21 de setembro de 2013

Espino Pinot Noir 2012: Legalzinho!

Nessa semana estava na querida Ribeirão Preto e tirei uma noite para ir ao Bistrô Flor de Sal. Se estiver em Ribeirão, pode ir que vale a visita. O ambiente é legal, a comida boa e a carta de vinho com boas opções, desde vinhoa mais "em conta" quanto alguns de mais peso. O legal é que não há exagero nos preços dos vinhos. A margem fica abaixo do normalmente cobrado nos restaurantes. E para acompanhar um carré de novilho precoce delicioso, escolhi um Espino Pinot Noir 2012, feito por William Févre no Chile. O vinho passa 8 meses em barricas e 6 meses em garrafa antes de ir ao mercado. Ao nariz mostra notas de morango, cerejas e um toquezinho de goiaba, sem exageros, lembrando um suflê. Em boca é fresco, com boa acidez, taninos discretos e um fundinho apimentado legal. É um vinho sem exagero de extração e muito justo. No seu valor, que vi por aí abaixo de 50 pilas, uma ótima pedida. Um exemplo para um monte de Pinot Noir cozido e sem graça que tem por aí... Aliás, esta linha Espino é muito boa. Todos que provei dela são bem feitos.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

António Saramago Escolha 2003: Um vinho de muita classe!

Dias atrás passei na casa de meu amigo Paulão para trocar um dedo de prosa e levei um vinho para bebermos tranquilamente, sem pressa, como deve ser. O vinho era um António Saramago Escolha 2003. O produtor é tradicional, com algumas boas décadas na produção de vinhos de ótima qualidade e trabalho junto a várias vinícolas portuguesas. António Saramago é filho de José Maria Saramago, que foi adegueiro da empresa de José Maria da Fonseca por mais de 40 anos. Formado em enologia em Bordeaux, trabalhou com o próprio José Maria da Fonseca e foi, na década de 90, responsável pelos ótimos vinhos Tapada dos Coelheiros. Além de produzir vinhos em diferentes regiões de Portugal, Saramago estendeu seu trabalho para o Brasil, junto à vinícola catarinense Villagio Grando. Em 2012, comemorou 50 anos de carreira. Ou seja, é experiência para dar e vender. Bem, mas voltando ao vinho que levei, o Escolha 2003, ele é feito com 100% Castelão (Periquita) e passa 12 meses em barricas de carvalho francês. Seus aromas já são de um vinho senhorío. No começo, me deu até a impressão de que em pouco tempo perderia vigor na taça. Mas pelo contrário, o tempo foi passando e o vinho foi se arredondando e ganhando novas nuances. Riqueza impressionante. Mostrava notas de cereja bem madura, quase em licor, ameixa seca, balsâmicas, chocolate, tostadas, alcaçuz e um fundinho de baunilha. Com o tempo, surgiu um mentoladinho bem gostoso e um toquezinho de sálvia. Em boca era muito equilibrado e mostrava taninos arredondados pelo tempo. Era intenso, com um final longo e muito gostoso, levemente amadeirado. Um senhor vinho, de muita categoria e que está no seu auge. Uma demonstração clara de que a Castelão pode gerar ótimos vinhos nas mãos de quem sabe trabalhá-la. Paolão e eu, que apreciamos muito vinhos portugueses devidamente amaciados pelo tempo, gostamos demais deste vinhão de 10 anos. Peguei esta garrafa na última promoção da Vinci, por praticamente a metade do preço. Estou (muito) arrependido de ter pegado só uma. Os vinhos de António Saramago são agora importados pela Viníssimo.
Ah, e para terminar a noite, o Paolão ainda serviu um belo macarrão e umas taças de um Lindaflor 2004, já comentado aqui no blog.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Dois espanhóis e dois chilenos: Hacienda Monasterio 2008, Beronia Gran Reserva 2005, Montes Alpha Pinot Noir 2009 e Sol de Sol Pinot Noir 2008

A noite estava quente e estávamos inclinados a levar brancos para a reunião da confraria no restaurantes Chez Marcel. No entanto, furou e dois de nós levamos Pinot Noir e dois outros, tintos espanhóis.
O Caião levou um clássico Montes Alpha Pinot Noir 2009. Ele gosta muito do estilo do vinho, maduro e com bastante fruta. O vinho era quente, com notas de cereja e goiaba, em meio a um toque tostado. Em boca repetia o nariz, tendia para o doce e deixava um final levemente herbáceo. Não é do tipo de Pinot Noir que eu aprecie muito. Prefiro os menos frutadões. Este Montes Alpha é um representante fiel do estilo dos Pinot Noir chilenos.
Eu levei um embrulhado, para matar a cisma com este Sol de Sol Pinot Noir 2008. Da outra vez ele não deixou boa impressão (clique aqui). Dessa vez, deixei respirando mais tempo em casa antes de levar e ele melhorou. Às cegas, o pessoal não malhou tanto, mas notou seu lado seco e falta de fruta. Eu achei melhor que da outra vez e notei que ele acompanha muito bem comida. No entanto, ao contrário do Montes Alpha anterior, que a meu ver peca pelo excesso, este peca pela falta de de fruta. E é só um totózinho. Se tivesse um pouquinho mais... Eu ainda boto fé nas futuras safras deste vinho.
Migrando para os espanhóis, o levado pelo JP foi um Hacienda Monasterio 2008. Havíamos provado um 1999 há algum tempo e que estava ótimo. Este 2008, que é da linha Cosecha, estava uma delícia. Bem, a vinícola tem como enólogos Carlos de La Fuente e Peter Sisseck (Domínio Pingus) e dela espera-se coisa boa. O vinho é feito com 80% Tempranillo e pitadas de Merlot e Cabernet Sauvignon. A fermentação é feita por leveduras da própria uva e o vinho matura 20 meses em barricas de carvalho francês. Os aromas de frutas, como a ameixa e cassis, se mesclam a notas de especiarias, como o alcaçuz e canela. Em boca é mineral e destaca-se pela suavidade. Os taninos são muito sedosos. Vinho redondinho, redondinho. Delicioso! Para mim, o destaque da noite.
E para finalizar, nosso confrade Rodrigo levou um Beronia Gran Reserva 2005. Eu considero os Beronia riojanos de ótima relação custo benefício. Oferecem bastante pelo preço. Já passaram por aqui os Gran Reservas 1995 e 2001. Esse 2005 não ficou atrás. Só lhe achei mais maduro e um pouquinho mais doce que os seus irmãos. Mas a qualidade estava lá. O vinho mostra notas de cereja madura, ameixa e tostadas, em meio a um toque de casca de laranja. Os taninos estão já redondinhos e o vinho é muito sedoso. Tudo certinho! Novamente, um ótimo Beronia.
Bem, é isso aí!

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Villa Maria Private Bin Pinot Noir 2010 e dois repetecos

Na semana passada sentamos para beber uns vinhos na casa do Carlão. Eu levei o neozelandês Villa Maria Private Bin Pinot Noir 2009. Adquiri este vinho na promoção da Vinci, por um bom preço. O vinho é o mais simplezinho da vinícola, mas me animou para abrir os seus irmãos "maiores" que tenho na adega. Ele é feito com uvas de vinhedos localizados em Awatere e Wairau (Marlborough), e maturou 9 meses em barricas de carvalho francês. É um vinho com aromas de frutas silvestres, "tutti-fruti", tabaco e especiarias. Depois de um tempo aberto lembrou-me aromas do Fulvia 2010. Em boca mostrava bom frescor, aportado pela acidez correta, mineralidade e taninos firmes. É bem elegante que pode ser bebido solo ou acompanhando comida. Claro que, sendo o vinho de entrada da vinícola, não é aquela exuberância toda. Mas dá chineladas em muitos chilenos, argentinos e sem dó em alguns brasileiros que têm sido elogiados por aí...rs. Todos sabem que não tenho preconceito e que mando ver em vinhos nacionais, mas recentemente ouvi elogios para dois Pinot Noir, um com madeira amarga e outro cozido, que não dá... A verdade é que a grande maioria dos Pinot Noir sulamericanos ainda precisa caminhar muito para alcançar a qualidade dos neozelandeses.
Bem, e a noite teve ainda dois repetecos: Beringer Cabernet Sauvignon Knights Valley 2009 e Quinta da Bacalhoa 2010. Ambos já foram descritos aqui e não vou gastar mais linhas. Só posso dizer: Dois Cabernets de primeira!

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Você sabe a diferença entre o Crasto Etiqueta Negra Reserva Vinhas Velhas e o tradicional Reserva Vinhas Velhas?

Em noite regada a um belo bacalhau na casa de nosso amigo Fernandinho, apreciamos 3 portugueses de muita responsa. E o legal é que não combinamos o que levar. Só tinhamos na cabeça que seriam vinhos de Portugal, claro. Mas o bom de tudo é que cada um levou um vinho de uma região diferente, e com características bem distintas. 
O Paulão levou um de Lisboa (Ex-Estremadura), o Chocapalha Reserva 2006. Gosto muito deste vinho (o 2007 já frequentou o blog algumas vezes - clique aqui). Este 2006 não foge à qualidade. Pelo que vi, o corte é um pouco diferente do 2007, sendo feito com 60% Touriga Nacional e 40% Tinta Roriz (o 2007 tem uma pitada de Syrah). É um vinho rico, com notas de amoras e kirsch em meio a notas tostadas bem dosadas, café e chocolate. Em boca é amplo e sedoso, com taninos muito polidos e um final muito longo. O mais austero da noite. Muito bom! Vinho talhado pelas mãos da brilhante enóloga Sandra Tavares da Silva. 
O JP levou um clássico Alentejano que já pintou no blog (clique aqui), o Cartuxa Reserva 2007. Este há pouco o que escrever... Na verdade, há muito, mas é desnecessário. É um vinhaço! Tudo no lugar. A fruta no ponto em meio a especiarias e chocolate. Muito rico. Em boca repete o nariz e é de um equilibrio invejável. É daqueles vinhos que garantem a noite. Uma delícia!
E eu levei um Duriense, o Crasto Etiqueta Negra Reserva Vinhas Velhas 2010. Aqui tem uma curiosidade a ser esclarecida. Sempre fiquei na dúvida se ele se tratava do mesmo Reserva Vinhas Velhas, mas em roupagem diferente. Nunca ninguém me respondeu a contento. Então, escrevi para a vinícola e o próprio Tomás Roquette gentilmente me respondeu, esclarecendo que o Etiqueta Negra é um projeto especial para a Wine e que é distinto do tradicional Reserva Vinhas Velhas. Transcrevo a seguir, com a sua devida autorização, parte da resposta:

"O vinho Etiqueta Negra, apesar de ter um nome parecido é um vinho diferente, embora também seja proveniente de vinhas velhas com muito baixa produção e com grande concentração. São vinhas com mais de 30 variedades de uvas diferentes o que lhe confere uma grande complexidade mas com um estilo um pouco diferente do tradicional Reserva Vinhas Velhas, bem como uso de barricas de Carvalho também ligeiramente diferentes. Tem sido considerado uma excelente relação custo beneficio".

Só para comparar os rótulos (postagem aqui)
Ou seja, o vinho realmente é diferente e parece ocupar uma posição abaixo de seu tradicional irmão. E o que eu achei dele em comparação ao tradicional da mesma safra, 2010 (que já pintou por aqui há um tempo)? Este Etiqueta Negra é mais jovial, mais pronto para beber. É um vinho complexo, mas não tanto quanto seu irmão. As notas de cereja e framboesa reinam em meio a toques de baunilha, cravo e chocolate. Em boca é muito redondo, sedoso, com acidez correta e taninos perfeitos. Prontinho para beber, mas aguenta tranquilo uma guarda. Seu irmão, aquele tradicional, com a etiqueta bége (é isso?) é mais austero, com presença maior de frutas silvestres em meio a kirsch e chocolate. Tem mais estrutura para guarda. Como o Paulão definiu, "é mais senhorío". Mas vou dizer uma coisa: Pelo preço que estava na Wine, este Etiqueta Negra Vinhas Velhas é uma ótima compra. Impossível não agradar.
Isso aí, pessoal! A noite foi muito boa e os vinhos acompanharam muito bem o belo bacalhau que nosso amigo Fernandinho nos ofertou.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Clos Floridene 2009: Mais um Bordeaux de bom preço e (muito) boa qualidade

O Clos Floridene é talhado sob a batuta de Denis Dubourdieu, que é conhecido pelos seus ótimos brancos, tanto os secos quanto os Sauternes Chateau Cantegril e Doisy-Daene. No portfólio está ainda o grandioso Sauternes L'Extravagant (para quem quer, e pode, gastar bastante). Embora não tão famoso, ele é comparável ao grande Chateau D'Yquem, para o qual Dubourdieu já deu consultoria. Bem, mas voltando a este tinto que bebi na última sexta-feira, o Clos Floridene 2009, ele é feito na região de Graves com 70% Cabernet Sauvignon e 30% Merlot, maturando 12 meses em barricas de carvalho francês (1/3 novas). Eu imaginava se tratar de um bordozinho leve, frutadinho e fácil de beber. Nada! É austero e com boa estrutura. A fruta está lá, com notas de cassis e amoras, mas entre notas especiadas e minerais bem firmes. A pimenta branca aparece, assim como o tabaco e toques defumados. Em boca é seco, mineral e com final longo. Ainda está jovem e a madeira aparece um pouco. Os taninos ainda anseiam por uns aninhos para entrarem na melhor forma, mas nada que nos impeça de apreciá-lo agora (depois de uma horinha de decanter e de preferência com comida). Se você tiver paciência, guarde em adega por uns tempos e terá uma boa surpresa. É um vinho muito bom e que oferece bastante pelo preço. Vi que na Winestore (loja virtual que oferece os produtos da Casa Flora) está a 128 (eu paguei 100 pilas...rs). Vale, tranquilo. Pode comprar. Se você não gostar, aguento o xingo...rs. Só a título de informação, a WS outorgou 90 pontos para este 2009 e 91 para o 2010. 

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Victoria Park Shiraz 2011

Os leitores do blog sabem que são raras as postagens sobre zurrapas e que evito ao máximo malhar vinho. Fiz isso com poucos, como o Toro Loco e o Yellow Tail. Mas sou obrigado a dar meu parecer sobre esse vinho que veio no pacote Clube Wine do mês. Seu irmão Cabernet (com pitadinha de Shiraz) passou raspando, mas esse Victoria Park Shiraz 2011 doeu. O vinho é alcoólico, principalmente após a abertura. Com o tempo, o álcool foi amenizando, mas tem outro problema que não tem jeito: É aguado! Parece que alguém deixou cair uma caixa d'água no vinho antes de engarrafar. Perdeu para o Toro Loco. Dá para imaginar?

Confraria no Barone: Gibbston Valley Pinot Noir 2004, Sela 2008 e um replay de A-Crux blend 2003

Nessa última quinta-feira voltamos ao Restaurante Barone para beber bons vinhos. Estávamos apenas o Caio, JP e eu. 
Começarei pelo que levei, o neozelandês Gibbston Valley Pinot Noir 2004. Comprei este vinho na promoção da Vinci. O preço cheio é salgadinho, como conhecido para bons vinhos da Nova Zelândia. O vinho passa um pouco menos de um ano em barricas francesas (20%) novas. A cor é bem bonita, brilhante, e o nariz muito vivo, com notas de amoras e especiarias. Parecia muito promissor. No entanto, em boca o negócio pegou. A fruta era boa, o vinho saboroso, mas a acidez estava acima da conta. Dava pontadas na língua. E não melhorou com o tempo. Não parecia um vinho de quase 10 anos. Estava pegado e sem a finesse típica da Pinot Noir. Estranho para um Pinot Noir neozelandês, que juntamente com aqueles do Oregon, são os que mais se aproximam dos borgonheses. O JP mencionou que lembrava um sulafricano, mas mais vivão e menos doce. Era a acidez exagerada, que inclusive, não fez muito bem para meu estômago. Eu esperava mais desse vinho, sem dúvida. No catálogo da Vinci mencionam que é vinho pede mais tempo em garrafa que os outros do mesmo produtor. No entanto, não sei se o tempo lhe amansará.
O Caio levou um espanhol, das Bodegas Roda. Na semana anterior havíamos apreciado um Roda I, seu irmão maior. O Sela 2008 é o de entrada da vinícola e este foi elaborado com 96% Tempranillo e 4% Graciano, com passagem de 12 meses por carvalho. É um Riojano mais moderno, no qual a madeira dá lugar à fruta, que é bem viva. Ao nariz mostra notas de cereja e groselha, florais e cravo. Em boca, repete o nariz, mostra muito frescor e taninos redondos e doces. É um vinho muito agradável,  festivo, gostoso, e que agrada a gregos e troianos. Lembrou-me o estilo dos vinhos da Vega Saúco, de Toro. Tinha bom preço para sua qualidade, mas parece que aquele da safra 2009 já veio com um preço mais salgado. É um vinho que custa por volta de 15 Euritos lá na Espanha e que já custou aqui cento e poucos reais. Agora está perto de 200 e em alguns lugares, mais que isso. Aí não dá!
E o JP, levou um vinhão. Um Argentino com alma espanhola, como já citei aqui. Era um replay do A-Cruz Blend 2003. Nem vou gastar muitas linhas com esse vinho. Alguns deles já pintaram aqui no blog e este 2003 já nos foi levado também pelo confrade Rodrigo. Se o leitor quiser saber mais detalhes, clique aqui. Só não posso deixar de mencionar novamente: Um vinhaço que qualquer amigo gostaria de ganhar como presente! O tempo passa e o vinho parece indestrutível. Delicioso!

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Chateau Hyot 2010: Bordozinho bom, e de bom preço!

Este Chateau Hyot 2010 vem de uma denominação criada há apenas 5 anos, a Côtes de Bordeaux, que congregou 5 outras denominações, que foram extintas. Antes pertencia à Côtes de Castillon. É produzido pela enóloga Amelie Aubert, com a consultoria de quem? Isso, Michel Rolland...rs. 
O vinho é feito com Merlot (70%), Cabernet Sauvignon (20%) e Cabernet Franc (10%). Embora novo, já está prontinho para beber (mas aguenta uns aninhos na adega). A fruta é madura, mas sem excessos, e se mostra em notas de cassis e amoras. Tem uma pimentinha ao fundo que dá um toque legal. Depois de um bom tempo aberto surgem notas de alcaçuz e tabaco. Em boca é de corpo médio, fresco e tem boa intensidade. É muito elegante, macio, com taninos bem sedosos. O final de boca é longo e bem agradável. É um vinho muito bom pelo preço. Agora entendi os 90 pontinhos que a WS lhe outorgou. Quer beber um bordozinho legal sem pagar muito? Tá aí uma boa escolha. É importado pela World Wine e custa um pouquinho mais de 80 pilas.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Post 500: A confraria mudou para o Restaurante Barone: Luis Pato Vinhas Velhas Branco 2009, Grosset Piccadilly Chardonnay 2006, Don Melchor 2008, Roda I Reserva 2006 e Gary's Pinot Noir 2010!

Como os leitores do blog devem saber, a Confraria do Ciao acabou... Na verdade, não se reune mais no Restaurante Ciao Bello, que não mais abrirá a noite. Fomos então ao Restaurante Barone, que nos acolheu maravilhosamente. O ambiente é legal, a comida muito boa, e o atendimento, nota 10. E para iniciar nossa saga no Barone, começamos com um branco levado por nosso amigo Paolão. Era um Luis Pato Vinhas Velhas branco 2009. O vinho é feito com Bical (50%), Cerceal (25%) e Cercealinho (25%). A vinificação é feita em inox e barricas de castanho, e a maturação ocorre por 4 meses em tanques de inox. O vinho tem bons aromas cítricos e minerais, mas o seu destaque é a acidez vibrante, que lhe aporta muito frescor e o torna excelente acompanhamento para comida. É um vinho rico, com ótima presença e que tem um preço justo pelo que oferece. Na sua faixa (~80 pilas) é duro de bater. É importado pela Mistral. 
Eu levei um Grosset Piccadilly Chardonnay 2006 que comprei na Vinci. O produtor é conhecido por produzir excelentes brancos na Austrália. Eu ainda não conhecia, mas acreditei nas informações do catálogo e me dei bem. Além disso, o danado, que custa 85 doletas, estava por ótimos 105 reais. Bem, ainda tem gente que tem dó de pagar um pouquinho mais por vinho branco. Essa é uma visão muito antiga e equivocada. Para mim, não tem dessa não. Mas enquanto pensarem assim, dá prá gente comprar ótimos brancos a preços menos exorbitantes que tintos no mesmo patamar. Mas voltando ao vinho, ele é leve, muito fino, com notas de grapefruit, nectarina, florais e minerais. Nada daqueles exageros de manteiga e mel, que tanta gente gosta (eu não...). É muito fresco e com tudo em cima. Muito elegante e com seus 7 anos esbanja vitalidade. Ainda aguenta uns anos pela frente. Estilo borgonha. De pronto, não consigo imaginar nada com a mesma qualidade pelo preço que paguei. Um ótimo Chardonnay.
O Caião levou um embrulhado, que ao dar a primeira cafungada já matei a nacionalidade chilena. Sabia que era um bom vinho e chutei da safra 2007. Pensei até se tratar de um Caballo Loco... Mas não, era um Don Melchor 2008. Não passei muito longe, vai... rs. Bem, esse vinho já foi tema de uma postagem aqui no blog (clique aqui). Nem precisaria comentar muito sobre ele. No entanto, preciso mencionar que estava diferente da garrafa que apreciei anteriormente. Senti menor agressividade, mas elegância nesse exemplar. A madeira estava mais integrada. Depois de um tempo aberto, foi melhorando e ficando muito bom. Como explicar isso? O outro apreciei há alguns meses apenas. Não era para ter tanta diferença. A questão é: Essa garrafa estava melhor que a que eu apreciei da outra vez. E estava muito boa, mesmo! O problema do Don Melchor: Preço alto (no Brasil e no próprio Chile). O negócio é trazer de outras paragens... Valeu Caião!
O JP, que estava ralado por levar vários espanhóis cozidos, resolveu levar agora um que trouxe diretamente da Espanha, o Roda I Reserva 2006. Ele já nos havia brindado com um desses há exatamente um ano (clique aqui). Naquela oportunidade, achei o vinho parecido com exemplares de Ribera del Duero, com notas de toffee. Lembrei que parecia um pouco ralo também. Mas ele evoluiu bem e estava melhor que o anterior. Além disso, o bebemos mais devagar, dando tempo para ele respirar, o que fez com que ele mostrasse suas qualidades. No final da garrafa, estava muito bom, mostrando a que veio. Notas de cereja preta, toffee mais bem integrada, cítricas e especiarias. Bom mesmo. Agora sim, JP!
E para finalizar a bela noite, o Tonzinho levou um californiano, o Garys' Vineyards Pinot Noir 2010, da vinícola Loring Wine Company. Dei uma boa olhada no site dela e vi que o produtor é moderno e bem cuidadoso. Ele menciona apreciar muito os borgonheses. Não encontrei muita informação sobre cada vinho individual no site. Senti falta. Seus vinhos maturam em barricas francesas de primeiro e segundo usos (geralmente 50% cada), com tosta média. A média tosta aparece nesse exemplar levado pelo Tom. Mas nada que incomode. Dá para sentir o tostadinho, que é bem integrado com a fruta, que é madura mas não chega a ser super madura, com em muitos americanos. A framboesa se destaca. É um vinho muito bem feito, redondinho, redondinho.  Tem muito potencial de guarda e acredito que melhorará com o tempo. Gostei dele, mas queria tê-lo bebido mais tranquilamente, em taça apropriada, devagar e sentindo sua evolução. Do jeito que foi, não deu para curtir na totalidade as suas qualidades. Como a maioria dos vinhos americanos, o rótulo é bem bonito. A WS lhe outorgou 92 pontos. Não é um vinho barato, custando uns 50 doletas nos EUA.
Bem, a primeira noite da confraria no Barone foi bem legal. Vamos ver se mantemos o padrão...rs.

domingo, 18 de agosto de 2013

Domados Lobuno Select Blend 2007 e Domados Zaino Grand Reserve 2007

Estes dois vinhos foram regalos do amigo Vitor, do ótimo blog Louco por Vinhos. O Vitor é um garimpeiro de bons vinhos, e de bons preços. Ama a Sangiovese mas não se priva de vinhos feitos com outras uvas, claro. E o Vitor fez uma brincadeira bem legal semanas atrás: Adquiriu duas garrafas de vinho, embrulhou os dois em papel alumínio, arrancou as cápsulas para que eu não tivesse dicas da procedência e me enviou pelo correio. Pediu que eu acompanhasse a evolução dos dois, apreciando taças ao longo do tempo. Bem, fiz tudo direitinho e escrevi prá ele passando minhas impressões. Só depois eu desembrulhei as botellas. E o legal é que nossas impressões foram muito parecidas. Tanto, que nem vou me estender e apenas remeterei ao blog do Vitor, que fez uma descrição detalhada dos danados (clique aqui). 
Bem, os dois eram argentinos. O primeiro vinho, o Domados Select Blend 2007 é um corte de Malbec, Merlot e Cabernet Sauvignon e o segundo, o Domados Zaino Grand Reserve 2007, um 100% Malbec. Ambos tem um toque adocicado ao nariz (mais que em boca), principalmente no começo, ao serem abertos. Mas depois, o dulçor dá uma trégua e deixa os vinhos se mostrarem. A fruta é envolta em toques balsâmicos e alcaçuz (mais presente no blend). A madeira deixa um final característico no blend, sem incomodar (pelo contrário - equilibra o dulçor). Embora o blend seja mais complexo, eu preferi o Malbec. Mas ambos são bons. E depois que o Vitor me passou o preço que pagou, ficaram ainda melhores. Uma compra muito boa que ele fez em uma rede de supermercados do sul. Mais uma amostra de que garimpagem vale a pena, ainda mais em época de dólar alto e preços subindo. Valeu o regalo, Vitor!

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Les Granges 2004: Mineral

Este vinho nos foi ofertado pelo amigo Carlão e é o segundo vinho do Chateau Clarke. A companhia vinícola Baron Edmond de Rothschild também produz vinhos aqui pertinho da gente, na Argentina, o conhecido Flecha de los Andes. Esse Les Granges é um corte de 70% Merlot, 20% Cabernet Sauvignon e 10% Cabernet Franc. A maturação é feita por 12 meses em barricas de segundo uso. Ao nariz mostra notas de amoras, cerejas, azeitona preta e animais. Em boca é mineral, com boa acidez e taninos levemente secos. É um vinho leve, fresco e que pede comida.  É fácil de beber. Gostei!