segunda-feira, 28 de outubro de 2013

3 Amigos, 3 Vinhões: Viña Real Gran Reserva 1999, Cresasso 2006 e Enzo Bianchi Gran Cru 2007!


Quase desistimos da noite... Todos estávamos muito cansados. JP então ligou do Restaurante Barone, quase chorando, dizendo que estava lá sozinho com uma garrafa de um bom espanhol para ser descorchada. Tive que ir. Não deixaria meu amigo aos prantos bebendo um Viña Real Gran Reserva 1999 sozinho...rs. E estava bom o danado. Eu sou fâ da Compañia Vinicola del Norte da España (CVNE), e o Viña Real sempre me deixava bem impressionado em degustações da Vinci. Só para lembrar, a CVNE possui 3 bodegas: CVNE (localizada em Rioja Alta e que deu origem ao nome da companhia em 1879), Contino (com vinhedos na Rioja Alavesa) e Viña Real (também na Rioja Alavesa). A sede desta última é em forma de tina, feita com cedro do Canadá, de onde saem túneis cavados na rocha para maturação dos vinhos. O Viña Real Gran Reserva é um dos tops da vinícola (alí pertinho do Pagos de Viña Real) e é feito com uvas de pagos selecionados, sendo 95% Tempranillo e 5% Graciano. A fermentação malolática do Gran Reserva é feita em barricas de carvalho francês e americano por mais de 2 anos, com trasfegas regulares a cada 3 meses. A clarificação é feita de forma tradicional em Rioja, com claras de ovos. O vinho é um Rioja clássico. Ao nariz mostrava notas de cereja, tabaco, cítricas e da madeira bem acertada. Em boca repetia o nariz, a madeira aparecia discreta e os taninos já estavam amaciados pelo tempo. A acidez já não era aquela... Bem, a safra de 1999 não foi lá essas coisas em Rioja e parece que se manifestou neste vinho, que me pareceu um pouco discreto frente a outros irmãos seus que apreciei em outras ocasiões. Já estava em seu ápice. Estava bom? Sim, claro! É vinhão de estirpe. Mas não era um dos melhores representantes do seu time.
Eu levei o italiano Cresasso 2006, da Zenato. Produtor, ano e vinho, ótimos! Sérgio Zenato fundou a vinícola em 1960 e até os dias atuais, acompanha a produção, do vinhedo ao engarrafamento e exportação. Seu Amarone Clássico é delicioso (imagino que o Riserva deva ser uma beleza). O Cresasso eu apreciei em uma World Wine Experience tempos atrás, e fique impressionado com sua qualidade. Mas era um 2005, cuja safra ficou na sombra da grandiosa 2006. E quando tive a chance de pegar umas garrafas, ainda mais em promoção, mandei ver. O Cresasso é feito com uvas de um vinhedo localizado em Costalunga, no coração de Valpolicella. O solo do terreno é caracterizado por ser formado por rochas do período Cretáceo, daí o nome (Cre, de Cretáceo e Sasso, de pedra). O vinho é feito com Corvina Veronese e matura por 18 meses em barris de carvalho de 500 litros. É muito rico em aromas. No começo mostra notas de cereja preta, amoras maduras e alcaçuz. Com o tempo, surgem notas de chocolate amargo e geléia de ameixa. Em boca, repete o nariz, é mineral e mostra taninos muito sedosos. A acidez é perfeita e o final longo, longo. Um ótimo vinho! Bom para beber solo ou melhor ainda acompanhando uma boa carne ou lascas generosas de parmigiano reggiano.
E para finalizar, o vinho levado pelo Tonzinho, um Enzo Bianchi Gran Cru 2007. O vinho é um top da vinícola Bianchi, e seu nome é em homenagem a Don Enzo Bianchi, seu enólogo por mais de 50 anos. Este 2007 foi feito com 85% Cabernet Sauvignon, 7% Malbec e 8% Petit Verdot. É uma prova de que a Argentina vai (muito) além da Malbec. O vinho passa 14 meses em barricas e é engarrafado sem filtrar. Ao nariz mostra notas de cereja e ameixa, em meio a especiarias. Depois de um tempo, surge um mentolado bem gostoso. Em boca, repete o nariz, mostra taninos sedosos e ótima acidez. É seco e foge do padrão fruta madurona. Um ótimo vinho, com grande potencial de guarda. Aguentaria tranquilo bons anos na adega. A ser conhecido.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Amélia Chardonnay 2011: Branco de qualidade

Dias atrás o Carlão nos ofertou este Amélia Chardonnay 2011. O Amélia foi lançado em 1993 e é feito com uvas do vinhedo Las Petras, do Vale do Casablanca. O local, que fica perto da região central costeira do Chile, possui solos argilosos e com baixa fertilidade.  Segundo a Concha y Toro, o solo, juntamente com o clima frio e os ventos constantes, fazem com que as videiras tenham baixo rendimento e aportam concentração ao vinho. A maturação das uvas no local é lenta e tardía. O responsável pelo vinho é o conhecido enólogo Ignácio Recabarren. O Amélia passa 11 meses em barricas de carvalho. Este 2011 mostra notas de pêra e abacaxi (não exagerado) ao nariz, com um leve toque amanteigado e um fundo mineral. Em boca, repete o nariz, é maduro, mas sem perder o frescor,  e bem sedoso. Para o meu gosto, poderia ser um pouquinho mais mineral e ter um pouquinho menos de álcool. Mas é um vinho muito bem feito, gostoso e par perfeito para frutos do mar. Parece que a vinícola caminha na direção de torná-lo mais fresco, o que acho legal.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Rutini Coleccion Pinot Noir 2002: Bom, mas o 99 estava melhor...

Na mesma noite que apreciamos um Mazis-Chambertin de Dominique Laurent e um Sequana Pinot Noir, levei um Rutini Colección Pinot Noir 2002. Tempos atrás havia apreciado o 1999, que me alegrou muito. A curiosidade por este, da histórica safra de 2002, era grande. Bem, a safra de 1999 também foi muito boa. Quando eu cheguei com o vinho o "Big Charles" deu uma torcida de nariz...rs. "Um Rutini"???...rs. Mas esta linha do Rutini é outra coisa. Nada a ver com os cortes facilmente encontrados por aí. O Pinot, inclusive, é bem difícil de ser encontrado. Lembro que se achava no Free Shop de Guarulhos tempos atrás, mas não mais. E em se tratando de um 2002, mais difícil ainda. Esse me foi trazido por uma cunhada, da Patagônia, junto com o 1999. Mas vamos ao vinho. Ele é feito com uvas de Tupungato e passa 14 meses em barricas novas de carvalho (80% francês e 20% americano). Ao nariz mostra fruta madura, compotada, com destaque para cerejas e ameixas, em meio a baunilha. Em boca já se mostrava no auge e apresentava uns toques terrosos interessantes. Mas tinha um lado compotado que não me agradou muito. Diferente de seu irmão de 1999, do qual gostei mais. E na noite, obviamente, levou uma chinelada do Mazis-Chambertin e a meu ver, também mostrou-se inferior ao Sequana (que tem preço similar no exterior - Aqui no Brasil o preço do Sequana é mais salgado). Mas há de se destacar a boa performance do vinho nesses 11 anos de vida. Aguentou bem.

Sequana Pinot Noir Green Valley of Russian River Valley 2009

Apreciamos este Sequana Pinot Noir Green Valley of Russian River Valley 2009 na mesma noite em que bebemos o Mazis-Chambertin 1997 de Dominique Laurent. O vinho, levado pelo Carlão, foi submetido a uma prova de fogo. Mas o californiano se portou bem. 
O nome da vinícola é em homenagem à deusa Sequana, que é representada por uma estátua sobre um barco que flutua sobre o Rio Sena, cujas águas nascem no berço da Pinot Noir. O enólogo é James MacPhail, que já trabalhou com experts em Pinot Noir, como Merry Edwards e Gary Farrell. Este vinho, em particular, vem de um vinhedo pequeno, de menos de 3 hectares, chamado Sundawg Ridge. O vinho matura 11 meses em barricas de carvalho francês (40% novas). Ao nariz mostra notas de fruta madura, com destaque para cereja e morangos, e alcaçuz. Nariz típico de novo mundo. Em boca é bem redondo, e surpreende com notas terrosas e um toquezinho herbáceo ao final que dá um charme especial. Os taninos são muito sedosos e o final longo. O álcool é alto, o que em Pinot Noir (e tantos outros), me incomoda. Mas neste vinho ele não sobressai. Para o meu paladar, eu só queria que ele fosse um pouquinho mais seco. A sua característica novo-mundista ficou, obviamente, evidenciada por ter sido bebido ao lado de um Borgonha de primeira linha. Foi legal a comparação.  Embora eu tenha gostado do vinho, devo dizer que prefiro os Pinot Noir do Oregon aos da Califórnia. Mas nesse caso, é questão de gosto. Logo descreverei aqui no blog um outro novo-mundo que o acompanhou na mesma noite. 
Os vinhos Sequana são importados pela Decanter.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Dominique Laurent Mazis-Chambertin Grand Cru 1997: Grandioso!

Meus amigos André e Akira apareceram com um borgonha de responsa para mandarmos ver. E não era coisa pequena: Dominique Laurent Mazis-Chambertin Gran Cru 1997! Bem, eu poderia gastar umas boas linhas sobre Dominique Laurent, que é um négociant muito respeitado na Borgonha, mas prefiro remeter à uma postagem do Beto Gerosa, que descreve com muito mais propriedade as características do produtor, que figura entre os négociant tops (isso, tem négociant e négociant...). Para se ter uma idéia, até a Wine Spectator, que não costuma ser muito generosa com borgonhas (?), ou pelo menos o quanto deveria ser, lhe outorga sempre pontuações de respeito. O Mazis de 1995, por exemplo, faturou 98 pontos, e este de 1997 que bebemos, 96 e elogios rasgados. 
O Grand Cru Mazis-Chambertin é localizado dentro da comuna de Gevrey-Chambertin e conta com pouco mais de 8 hectares plantados, em sua maioria, com Pinot Noir (85%). Os restantes 15%, obviamente, são ocupados por videiras de Chardonnay. Seus vinhos são conhecidos pela opulência e é claro, elegância. E este Mazis-Chambertin 1997 não poderia estar diferente. O vinho exalava aromas de morangos silvestres e amoras, em meio a sous-bois, notas florais e muita (mesmo) especiaria. As notas de alcaçuz se alternavam com canela e noz-moscada. Eram impressionantes os aromas do vinho. Na primeira cafungada lembrei também de carne flambada. Parece esquisito, né? Mas foi a sensação que eu tive. Em boca era intenso, especiado, com bela acidez e taninos finíssimos. A madeira, como deve ser em um bom vinho, era coadjuvante e muito bem integrada. O final era interminável, terroso e levemente cítrico. Uma maravilha! Um vinho de 16 anos e em plena forma. Tudo que a Pinot Noir pode oferecer. Sem dúvida alguma um dos melhores borgonhas que eu bebi, ajudado pela perfeita maturação nesses anos em garrafa. E ele foi apreciado na presença de dois outros Pinot Noir do novo-mundo que, embora de muita qualidade, tomaram chineladas daquelas ardidas. Bem, ardido também é o preço do vinho, que é importado pela World Wine. A safra disponível é, no entanto, a 2006.
Valeu André e Akira!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Flaccianello della Pieve 2006: Para comemorar a titularidade com um grande amigo!

No final de 2011 meu grande amigo Márcio fez concurso para Professor Titular. Coincidentemente, eu também concursava para Titular aqui em São Carlos na mesma semana. Queria muito ter presenciado o seu concurso, mas por motivos óbvios, não pude ir. Mas eu guardei uma garrafinha aqui na adega para um dia celebrarmos juntos o feito duplo. E só agora, na semana passada, quase final de 2012, conseguimos sentar na mesa de um restaurante para celebrar com calma. A vida corrida pouco tempo nos dá. Por isso sempre digo: Não podemos perder a oportunidade de abrir uma boa garrafa! E é claro que eu não abriria uma zurrapa, né? Meu amigo nem eu merecemos judiar de nosso estômago. Fomos ao Barone e eu levei um Flaccianello della Pieve 2006. Bem, esse vinho dispensa apresentações, mas tenho que escrever umas linhas sobre ele. O vinho, da belíssima safra de 2006, acumula notaças de tudo quanto é lado. Foi top 10 da Wine Spectator em 2009 com nada mais, nada menos, que 99 pontinhos... Bem, podemos falar o que for das avaliações, mas nesse caso, o negócio é sério. A vinícola não brinca em serviço. Nunca bebi um vinho dela que não me tenha feito levantar as sobrancelhas. A Fontodi fica bem no coração de Chianti, em um local chamado "Concha Dourada", que tem a forma de um anfiteatro romano. Segundo seu site, o local beneficia-se da altitude, solo calcáreo, muita luz e um excelente microclima, com alta amplitude térmica. A vinícola pratica a agricultura orgânica. O Flaccianello é seu vinho top, e é feito com 100% Sangiovese de vinhedos selecionados. A fermentação é realizada por leveduras indígenas e o vinho matura por 18 meses em barricas de carvalho francês Allier e 12 meses em garrafa antes de ser comercializado. É um vinho superlativo. Ao nariz, mostra notas de cranberry, cereja preta, baunilha, café e um perfume floral que eu não consegui identificar. No primeiro gole pensei ter aberto cedo demais. Estava meio pegado, nervoso... Mas em alguns minutos o negócio mudou. O vinho foi se abrindo e, além dos aromas que pareciam saltar da taça, mostrava uma riqueza em boca impressionante. É cheio de camadas, explosivo, intenso, e muito elegante. Daqueles de encher a boca e ficar com o gosto lá, intrépido, sem vontade de sair. Acidez italiana e taninos presentes, mas sem arestas. Sem dúvida um dos melhores vinhos que bebi este ano e que ocupará lugar de destaque no portfólio do "Vinhobão!". Um vinho para ficar na memória, que ficou ainda melhor por que foi apreciado com um grande amigo, para celebrar duas conquistas resultantes de muita luta. Valeu, amigo Márcio! Devidamente celebrado!

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Emilio Moro Malleolus de Sanchomartin 2004: Opulento!

A bodega Emilio Moro, localizada em Ribera del Duero, é relativamente jovem, tendo lançado o seu vinho Malleolus de Sanchomartin apenas em 2002, como este Emilio Moro Malleolus de Sanchomartin 2004 que bebemos. As uvas vem do Pago de Sanchomartin, um vinhedo de altitude, pequeno, com menos de 1 hectare (mais especificamente 0,85 hectare), plantado em 1964, e que tem solo rico em calcáreo e argila. A produção é pequena, geralmente ao redor de 2.500 garrafas.  A maturação é feita em carvalho francês por 22 meses. Ao nariz, já mostrava a que veio. Vinho poderoso! Depois de uma hora em decanter ainda relutava em mostrar suas melhores qualidades. Eu, particularmente, sentia muito as notas tostadas e de baunilha. No entanto, elas foram se equilibrando com o restante e deixando que aparecessem notas de ameixa e amora bem maduras e alcaçuz marcante. Confesso que me lembrou muito um Kilikanoon Oracle que bebemos tempos atrás. Mesmo apreciando muitos vinhos espanhóis, tive dificuldades em identificá-lo como tal. Só com o passar do tempo (+/- 3 horas) é que mostrava mais a sua identidade. Podia-se sentir, depois deste tempo, notas cítricas, mentoladas, de café e florais. Em boca é um vinho carnudo, daqueles de mastigar, de densidade impressionante. Enchia a boca com seus aromas de fruta madura, balsâmicas e alcaçuz. Com o tempo, notas minerais, mentoladas e herbáceas foram surgindo. Os taninos são presentes mas com uma polidez incrível. O vinho é sedoso até mandar parar. E a persistência? Aqui outro grande destaque: O danado insistia em permanecer na boca. Interminável! Realmente, um grande vinho, opulento! E para favorecer, produto de uma safra grandiosa. Este da safra de 2004 foi o mais aclamado entre os Sanchomartin, com 97 pontos da Wine Spectator e 97 do Mr. Parker. Mas os de outras safras, sempre ficam alí pelos 94-95 pontos. Bem, aí emendo com a minha primeira crítica. Para o meu gosto (por favor, entendam: Para o meu gosto!), o vinho satisfaz o paladar americano, que adora o estilo mastigável. Para atestar o quanto o vinho os alegra é só fazer uma boa busca na rede e ver como os elogios são rasgados. Mas acredito que essa concentração seja uma característica própria do vinho, que é oriundo de uvas de vinhedo de baixo rendimento. Aliás, lembrou-me a concentração do seu primo riojano Pujanza Cisma, que também é feito com uvas de um vinhedo de menos de 1 hectare e de baixo rendimento (e que também é de solo calcáreo e argiloso). 
Por outro lado, acho o preço salgado, mesmo lá fora. No Brasil, causa hipertensão. Não farei comparações diretas, mas aqui mesmo no blog dá para encontrar conterrâneos dele que fazem muita presença com um preço menor. Mas é claro, a experiência valeu, e muito! 

sábado, 28 de setembro de 2013

Dois alentejanos: Esporão Quatro Castas 2011 e Herdade São Miguel Touriga Franca 2010

Nessa última sexta-feira passamos na Mercearia 3M para aquele tradicional fim de tarde regado a bons vinhos. Estávamos Caio, JP, Carlão e este que vos escreve. Eu queria abrir um Tosca, chianti que sempre me agrada. Mas o JP estava inclinado a abrir um português e elegemos o Esporão Quatro Castas 2011. Bem, nem preciso dizer que o vinho é feito com 4 uvas diferentes: Aragonez (com vinificação em lagares e estágio de 6 meses em carvalho americano), Alicante Bouschet (com vinificação em inox e estágio de 6 meses em carvalho francês), Petit Verdot (vinificada em inox e com estágio de 6 meses em carvalho francês) e Syrah (vinificada em cubas roto-fermentativas e estágio de 6 meses em cavalho americano). O vinho é concentrado, com aromas de frutas compotadas, baunilha e um fundinho mineral. Em boca, repete o nariz, mostra bom corpo e bom equilibrio (embora logo ao ser aberto se mostrasse um pouco "quente"). Ficou bem melhor depois de algum tempo. Assim, se for beber, decanter nele. É bem feito e redondinho, mas confesso que não é o tipo de vinho que me mais me agrada. Se fosse um pouquinho mais seco e com um pouquinho menos de extração, me alegraria mais. 
O Carlão, que chegou depois, abriu um Herdade São Miguel Touriga Franca 2010. O vinho é feito pela Companhia Agrícola Alexandre Relvas (que tive o prazer de conhecer tempos atrás - clique aqui). Este 2010 é muito parecido com o 2009 que bebi tempos atrás. Ele estagia 9 meses em carvalho francês. Ao nariz mostra notas de framboeza, alcaçuz e leve tostado. Em boca, repete o nariz e é bastante sedoso, levemente glicerinado. Agrada fácil, fácil. Mas se tivesse uma pitada de alguma uva para lhe agregar uma certa rusticidade, para o meu paladar, melhoraria. Eu o preferi ao 4 Castas. Nota pós-postagem: O vinho ficou entre os 100 melhores vinhos da Revista Adega no final do ano, com elogios para sua qualidade e relação custo/benefício.
São vinhos na mesma faixa de preço (75-80 Reais), e que justificam o valor pago.
Bem, isso aí, pessoal!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Foradori Morei Teroldego 2010: Belo vinho!

Tempos atrás escrevi aqui no blog sobre o vinho biodinâmico Foradori Sgarzon Teroldego 2010, italiano do Trentino-Alto Adige que gostei bastante. Bem, agora chegou a hora de seu irmão, o Foradori Morei Teroldego 2010, que apreciamos na casa do Carlão. A diferença quanto ao seu irmão é apenas em relação ao vinhedo, já que a vinificação é parecida, assim como a maturação em ânforas (tinajas espanholas) por 8 meses. Também não são utilizadas leveduras industriais e a adição de sulfito é miníma, só ao final do processo. Dessa vez, deixamos o vinho descansar em decanter por no mínimo uma hora e fomos apreciando devagar, acompanhando a sua evolução. Ao nariz ele mostra notas de amoras silvestres, azeitonas pretas, alcaçuz e minerais. Em boca, repete o nariz, mostrando ótima intensidade e muita mineralidade. Os taninos são firmes e devem melhorar com os anos, mas nada que incomodasse agora. É um vinho de muita presença e, da mesma forma que o Sgarzon, distinto. Não quero ser prepotente, longe de mim, mas não é vinho para iniciantes. Novo-mundistas de carteirinha podem estranhar esta beleza. 
Cada vez eu fico mais fã dos vinhos de Elisabetta Foradori.

sábado, 21 de setembro de 2013

Espino Pinot Noir 2012: Legalzinho!

Nessa semana estava na querida Ribeirão Preto e tirei uma noite para ir ao Bistrô Flor de Sal. Se estiver em Ribeirão, pode ir que vale a visita. O ambiente é legal, a comida boa e a carta de vinho com boas opções, desde vinhoa mais "em conta" quanto alguns de mais peso. O legal é que não há exagero nos preços dos vinhos. A margem fica abaixo do normalmente cobrado nos restaurantes. E para acompanhar um carré de novilho precoce delicioso, escolhi um Espino Pinot Noir 2012, feito por William Févre no Chile. O vinho passa 8 meses em barricas e 6 meses em garrafa antes de ir ao mercado. Ao nariz mostra notas de morango, cerejas e um toquezinho de goiaba, sem exageros, lembrando um suflê. Em boca é fresco, com boa acidez, taninos discretos e um fundinho apimentado legal. É um vinho sem exagero de extração e muito justo. No seu valor, que vi por aí abaixo de 50 pilas, uma ótima pedida. Um exemplo para um monte de Pinot Noir cozido e sem graça que tem por aí... Aliás, esta linha Espino é muito boa. Todos que provei dela são bem feitos.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

António Saramago Escolha 2003: Um vinho de muita classe!

Dias atrás passei na casa de meu amigo Paulão para trocar um dedo de prosa e levei um vinho para bebermos tranquilamente, sem pressa, como deve ser. O vinho era um António Saramago Escolha 2003. O produtor é tradicional, com algumas boas décadas na produção de vinhos de ótima qualidade e trabalho junto a várias vinícolas portuguesas. António Saramago é filho de José Maria Saramago, que foi adegueiro da empresa de José Maria da Fonseca por mais de 40 anos. Formado em enologia em Bordeaux, trabalhou com o próprio José Maria da Fonseca e foi, na década de 90, responsável pelos ótimos vinhos Tapada dos Coelheiros. Além de produzir vinhos em diferentes regiões de Portugal, Saramago estendeu seu trabalho para o Brasil, junto à vinícola catarinense Villagio Grando. Em 2012, comemorou 50 anos de carreira. Ou seja, é experiência para dar e vender. Bem, mas voltando ao vinho que levei, o Escolha 2003, ele é feito com 100% Castelão (Periquita) e passa 12 meses em barricas de carvalho francês. Seus aromas já são de um vinho senhorío. No começo, me deu até a impressão de que em pouco tempo perderia vigor na taça. Mas pelo contrário, o tempo foi passando e o vinho foi se arredondando e ganhando novas nuances. Riqueza impressionante. Mostrava notas de cereja bem madura, quase em licor, ameixa seca, balsâmicas, chocolate, tostadas, alcaçuz e um fundinho de baunilha. Com o tempo, surgiu um mentoladinho bem gostoso e um toquezinho de sálvia. Em boca era muito equilibrado e mostrava taninos arredondados pelo tempo. Era intenso, com um final longo e muito gostoso, levemente amadeirado. Um senhor vinho, de muita categoria e que está no seu auge. Uma demonstração clara de que a Castelão pode gerar ótimos vinhos nas mãos de quem sabe trabalhá-la. Paolão e eu, que apreciamos muito vinhos portugueses devidamente amaciados pelo tempo, gostamos demais deste vinhão de 10 anos. Peguei esta garrafa na última promoção da Vinci, por praticamente a metade do preço. Estou (muito) arrependido de ter pegado só uma. Os vinhos de António Saramago são agora importados pela Viníssimo.
Ah, e para terminar a noite, o Paolão ainda serviu um belo macarrão e umas taças de um Lindaflor 2004, já comentado aqui no blog.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Dois espanhóis e dois chilenos: Hacienda Monasterio 2008, Beronia Gran Reserva 2005, Montes Alpha Pinot Noir 2009 e Sol de Sol Pinot Noir 2008

A noite estava quente e estávamos inclinados a levar brancos para a reunião da confraria no restaurantes Chez Marcel. No entanto, furou e dois de nós levamos Pinot Noir e dois outros, tintos espanhóis.
O Caião levou um clássico Montes Alpha Pinot Noir 2009. Ele gosta muito do estilo do vinho, maduro e com bastante fruta. O vinho era quente, com notas de cereja e goiaba, em meio a um toque tostado. Em boca repetia o nariz, tendia para o doce e deixava um final levemente herbáceo. Não é do tipo de Pinot Noir que eu aprecie muito. Prefiro os menos frutadões. Este Montes Alpha é um representante fiel do estilo dos Pinot Noir chilenos.
Eu levei um embrulhado, para matar a cisma com este Sol de Sol Pinot Noir 2008. Da outra vez ele não deixou boa impressão (clique aqui). Dessa vez, deixei respirando mais tempo em casa antes de levar e ele melhorou. Às cegas, o pessoal não malhou tanto, mas notou seu lado seco e falta de fruta. Eu achei melhor que da outra vez e notei que ele acompanha muito bem comida. No entanto, ao contrário do Montes Alpha anterior, que a meu ver peca pelo excesso, este peca pela falta de de fruta. E é só um totózinho. Se tivesse um pouquinho mais... Eu ainda boto fé nas futuras safras deste vinho.
Migrando para os espanhóis, o levado pelo JP foi um Hacienda Monasterio 2008. Havíamos provado um 1999 há algum tempo e que estava ótimo. Este 2008, que é da linha Cosecha, estava uma delícia. Bem, a vinícola tem como enólogos Carlos de La Fuente e Peter Sisseck (Domínio Pingus) e dela espera-se coisa boa. O vinho é feito com 80% Tempranillo e pitadas de Merlot e Cabernet Sauvignon. A fermentação é feita por leveduras da própria uva e o vinho matura 20 meses em barricas de carvalho francês. Os aromas de frutas, como a ameixa e cassis, se mesclam a notas de especiarias, como o alcaçuz e canela. Em boca é mineral e destaca-se pela suavidade. Os taninos são muito sedosos. Vinho redondinho, redondinho. Delicioso! Para mim, o destaque da noite.
E para finalizar, nosso confrade Rodrigo levou um Beronia Gran Reserva 2005. Eu considero os Beronia riojanos de ótima relação custo benefício. Oferecem bastante pelo preço. Já passaram por aqui os Gran Reservas 1995 e 2001. Esse 2005 não ficou atrás. Só lhe achei mais maduro e um pouquinho mais doce que os seus irmãos. Mas a qualidade estava lá. O vinho mostra notas de cereja madura, ameixa e tostadas, em meio a um toque de casca de laranja. Os taninos estão já redondinhos e o vinho é muito sedoso. Tudo certinho! Novamente, um ótimo Beronia.
Bem, é isso aí!

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Villa Maria Private Bin Pinot Noir 2010 e dois repetecos

Na semana passada sentamos para beber uns vinhos na casa do Carlão. Eu levei o neozelandês Villa Maria Private Bin Pinot Noir 2009. Adquiri este vinho na promoção da Vinci, por um bom preço. O vinho é o mais simplezinho da vinícola, mas me animou para abrir os seus irmãos "maiores" que tenho na adega. Ele é feito com uvas de vinhedos localizados em Awatere e Wairau (Marlborough), e maturou 9 meses em barricas de carvalho francês. É um vinho com aromas de frutas silvestres, "tutti-fruti", tabaco e especiarias. Depois de um tempo aberto lembrou-me aromas do Fulvia 2010. Em boca mostrava bom frescor, aportado pela acidez correta, mineralidade e taninos firmes. É bem elegante que pode ser bebido solo ou acompanhando comida. Claro que, sendo o vinho de entrada da vinícola, não é aquela exuberância toda. Mas dá chineladas em muitos chilenos, argentinos e sem dó em alguns brasileiros que têm sido elogiados por aí...rs. Todos sabem que não tenho preconceito e que mando ver em vinhos nacionais, mas recentemente ouvi elogios para dois Pinot Noir, um com madeira amarga e outro cozido, que não dá... A verdade é que a grande maioria dos Pinot Noir sulamericanos ainda precisa caminhar muito para alcançar a qualidade dos neozelandeses.
Bem, e a noite teve ainda dois repetecos: Beringer Cabernet Sauvignon Knights Valley 2009 e Quinta da Bacalhoa 2010. Ambos já foram descritos aqui e não vou gastar mais linhas. Só posso dizer: Dois Cabernets de primeira!

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Você sabe a diferença entre o Crasto Etiqueta Negra Reserva Vinhas Velhas e o tradicional Reserva Vinhas Velhas?

Em noite regada a um belo bacalhau na casa de nosso amigo Fernandinho, apreciamos 3 portugueses de muita responsa. E o legal é que não combinamos o que levar. Só tinhamos na cabeça que seriam vinhos de Portugal, claro. Mas o bom de tudo é que cada um levou um vinho de uma região diferente, e com características bem distintas. 
O Paulão levou um de Lisboa (Ex-Estremadura), o Chocapalha Reserva 2006. Gosto muito deste vinho (o 2007 já frequentou o blog algumas vezes - clique aqui). Este 2006 não foge à qualidade. Pelo que vi, o corte é um pouco diferente do 2007, sendo feito com 60% Touriga Nacional e 40% Tinta Roriz (o 2007 tem uma pitada de Syrah). É um vinho rico, com notas de amoras e kirsch em meio a notas tostadas bem dosadas, café e chocolate. Em boca é amplo e sedoso, com taninos muito polidos e um final muito longo. O mais austero da noite. Muito bom! Vinho talhado pelas mãos da brilhante enóloga Sandra Tavares da Silva. 
O JP levou um clássico Alentejano que já pintou no blog (clique aqui), o Cartuxa Reserva 2007. Este há pouco o que escrever... Na verdade, há muito, mas é desnecessário. É um vinhaço! Tudo no lugar. A fruta no ponto em meio a especiarias e chocolate. Muito rico. Em boca repete o nariz e é de um equilibrio invejável. É daqueles vinhos que garantem a noite. Uma delícia!
E eu levei um Duriense, o Crasto Etiqueta Negra Reserva Vinhas Velhas 2010. Aqui tem uma curiosidade a ser esclarecida. Sempre fiquei na dúvida se ele se tratava do mesmo Reserva Vinhas Velhas, mas em roupagem diferente. Nunca ninguém me respondeu a contento. Então, escrevi para a vinícola e o próprio Tomás Roquette gentilmente me respondeu, esclarecendo que o Etiqueta Negra é um projeto especial para a Wine e que é distinto do tradicional Reserva Vinhas Velhas. Transcrevo a seguir, com a sua devida autorização, parte da resposta:

"O vinho Etiqueta Negra, apesar de ter um nome parecido é um vinho diferente, embora também seja proveniente de vinhas velhas com muito baixa produção e com grande concentração. São vinhas com mais de 30 variedades de uvas diferentes o que lhe confere uma grande complexidade mas com um estilo um pouco diferente do tradicional Reserva Vinhas Velhas, bem como uso de barricas de Carvalho também ligeiramente diferentes. Tem sido considerado uma excelente relação custo beneficio".

Só para comparar os rótulos (postagem aqui)
Ou seja, o vinho realmente é diferente e parece ocupar uma posição abaixo de seu tradicional irmão. E o que eu achei dele em comparação ao tradicional da mesma safra, 2010 (que já pintou por aqui há um tempo)? Este Etiqueta Negra é mais jovial, mais pronto para beber. É um vinho complexo, mas não tanto quanto seu irmão. As notas de cereja e framboesa reinam em meio a toques de baunilha, cravo e chocolate. Em boca é muito redondo, sedoso, com acidez correta e taninos perfeitos. Prontinho para beber, mas aguenta tranquilo uma guarda. Seu irmão, aquele tradicional, com a etiqueta bége (é isso?) é mais austero, com presença maior de frutas silvestres em meio a kirsch e chocolate. Tem mais estrutura para guarda. Como o Paulão definiu, "é mais senhorío". Mas vou dizer uma coisa: Pelo preço que estava na Wine, este Etiqueta Negra Vinhas Velhas é uma ótima compra. Impossível não agradar.
Isso aí, pessoal! A noite foi muito boa e os vinhos acompanharam muito bem o belo bacalhau que nosso amigo Fernandinho nos ofertou.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Clos Floridene 2009: Mais um Bordeaux de bom preço e (muito) boa qualidade

O Clos Floridene é talhado sob a batuta de Denis Dubourdieu, que é conhecido pelos seus ótimos brancos, tanto os secos quanto os Sauternes Chateau Cantegril e Doisy-Daene. No portfólio está ainda o grandioso Sauternes L'Extravagant (para quem quer, e pode, gastar bastante). Embora não tão famoso, ele é comparável ao grande Chateau D'Yquem, para o qual Dubourdieu já deu consultoria. Bem, mas voltando a este tinto que bebi na última sexta-feira, o Clos Floridene 2009, ele é feito na região de Graves com 70% Cabernet Sauvignon e 30% Merlot, maturando 12 meses em barricas de carvalho francês (1/3 novas). Eu imaginava se tratar de um bordozinho leve, frutadinho e fácil de beber. Nada! É austero e com boa estrutura. A fruta está lá, com notas de cassis e amoras, mas entre notas especiadas e minerais bem firmes. A pimenta branca aparece, assim como o tabaco e toques defumados. Em boca é seco, mineral e com final longo. Ainda está jovem e a madeira aparece um pouco. Os taninos ainda anseiam por uns aninhos para entrarem na melhor forma, mas nada que nos impeça de apreciá-lo agora (depois de uma horinha de decanter e de preferência com comida). Se você tiver paciência, guarde em adega por uns tempos e terá uma boa surpresa. É um vinho muito bom e que oferece bastante pelo preço. Vi que na Winestore (loja virtual que oferece os produtos da Casa Flora) está a 128 (eu paguei 100 pilas...rs). Vale, tranquilo. Pode comprar. Se você não gostar, aguento o xingo...rs. Só a título de informação, a WS outorgou 90 pontos para este 2009 e 91 para o 2010.