quarta-feira, 16 de abril de 2014

Gravonia 2003: Outro belo branco de Lopez de Heredia!

Olha a cor do vinho!
Meus leitores sabem o quanto gosto dos vinhos de Lopez de Heredia. São vinhos únicos, que não se rendem a modernismos e que atravessam décadas mostrando tradição e elegância. Tanto os tintos como os brancos são vinhaços! Mas os brancos, longevos como poucos, brilham. São vinhos com longos anos em madeira e que conseguem, depois de muitos anos manter a vivacidade. Desde os mais simples, até o mais complexos (e caros), devem ser bebidos por aqueles que se dizem "bebedores de vinho". O Gravonia é o vinho de entrada do produtor. E que entrada...Vinho feito com 100% Viura e maturado por 4 anos em barricas de carvalho, com duas trasfegas anuais, clarificado com claras de ovos e engarrafo sem filtração. Tradição total. Seus ótimos 12,5% de álcool mostram que longevidade não tem nada a ver com bomba alcoólica. E não te deixam derrubado. Ao nariz mostra aquelas notas amendoadas, de cera de abelha e levemente oxidadas que muitos desavisados pensam ser defeito... Em boca, fresco, nos seus 11 anos. Longo e prazeiroso. Uma delícia de vinho! Só por curiosidade, ele ficou (não sei como) na lista dos Top 100 da Wine Spectator, com 93 pontos e a designação de altamente recomendado. Bem, de vez em quando eles acertam...rs.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Meandro 2006: Este vinho não tem erro!

Repito o desafio que fiz tempos atrás a quem quisesse apresentar aqui no blog um vinho argentino ou chileno melhor que o português Meandro na mesma faixa de preço. Se ele já é páreo duro para os próprios portugueses na mesma faixa, a briga fica bem mais fácil com os argentinos e chilenos. O segundo vinho da Quinta do Vale Meão impressiona pela qualidade e regularidade. Nunca tomei um que não tenha me deixado feliz. É daqueles que, se você tiver indeciso em qual vinho levar para uma reunião com amigos, tire um desses da adega e manda ver, que vai fazer sucesso. E olha, vai sempre agradar a todos e ficar na ponta brigando com os vinhos bonzões. E este Meandro 2006, que abri há uma semana, não estava diferente. Ao nariz mostrava notas de frutas maduras, kirsch, carne e chocolate. Em boca, repetia o nariz, era intenso e mineral. O final era longo e especiado. Uma delícia de vinho! Evoluiu que é uma beleza nesses 8 anos de vida. E aguentaria ainda uns outros na adega. Mas infelizmente, este já foi. Para quem for beber: Mesmo com seus 8 anos, ele precisa de um tempinho respirando para mostrar toda sua qualidade. Ah, e só para constar, ele foi top 100 da WS em 2009, com 92 pontinhos. 

domingo, 13 de abril de 2014

Na casa do Paolão: Chateau Trotanoy Pomerol 1994, Pago de Carraovejas Crianza 2007 e EQ Matetic Syrah 2010!

Dias atrás o Paolão ligou convidando para beber umas taças na casa dele. Disse que era um "velhinho", e que estava até com medo de já ter ido... Fui correndo, claro. O JP também. Chegando lá, era um Chateau Trotanoy 1994. O Chateau fica a um kilometro a oeste do grande Chateau Pétrus. Aliás, dizem que o vinho é vinificado da mesma forma que o grande Pétrus, com exceção para suas barricas usadas a cada ano, que são 1/3 a 1/2 novas. E enquanto o Pétrus é motivo de sonho para muitos apreciadores, o Trotanoy cabe no bolso. Os produtores dizem primar mais pelo frescor que pelo peso, o que acho ótimo. O vinho, como a maioria dos grandes bordeaux, é longevo e pede pelo menos uma década para mostrar suas qualidades. Este, tinha 20 aninhos. 
O Paolão me deu o prazer de abrí-lo e a rolha estava perfeita. Ao verter na taça, mostrava nervo e pediu decanter. Vejam a foto do danado descendo o funil... Que cor! E os aromas foram se revelando aos poucos. Notas de framboeza e cassis se mesclavam a notas de tabaco, herbáceas e de especiarias. Em boca tinha corpo médio, muito frescor para um vinho de 20 anos, clareza, taninos firmes e final longo. Muita elegância, claro... Duvido que alguém dissesse se tratar de um vinho de 20 anos. Aguentaria ainda muitos outros. Pode me chamar quantas vezes quiser para beber vinhos iguais a este, Paolão!!!
E não contente, o Paolão abriu um Pago de Carraovejas Crianza 2007. Aliás, é o segundo destes que ele nos oferece. Por isso, nem vou comentar muito. É só você dar um clique aqui para ler sobre ele. Mas tenho que dizer que gosto muito do danado, que se destaca pelo lado especiado. Um Ribera del Duero diferenciado e a ser conhecido.
Bem, e como o JP tinha levado um EQ Matetic Syrah 2010, e a gente não gosta de fazer desfeita (rs), resolvemos abrí-lo para beber pelo menos uma taça cada. Tá bom... matamos o vinho. Estava muito bom o danado! O vinho é um chileno produzido com uvas cultivadas de forma orgânica e segundo os preceitos da biodinâmica. A maturação é feita por 13 meses em barricas de carvalho. É um Syrah de primeira! Ao nariz mostra notas de amoras, cassis, de especiarias e minerais. Em boca, repete o nariz e mostra ótima acidez, mineralidade e um final especiado muito gostoso. Destaque para seu frescor, mineralidade e lado especiado. É um vinho muito rico, sem exageros e para mim, destaque entre seus colegas chilenos na mesma faixa. Ótimo vinho! Por isso, não teve jeito de ficar apenas com uma taça...rs.
Valeu amigos!


sábado, 12 de abril de 2014

Unánime 2007: O segundo colocado nos Top 50 da Decanter em 2013

Bem, o título é só para chamar um pouco a atenção. Estou meio cabreiro com estas listas top 10, top 50, melhor do mundo segundo avaliação da tribo Malaquita da Indonésia etc. No caso, o vinho ficou em segundo na lista Top 50 da revista Decanter em 2013, apenas atrás do Faustino I  Gran Reserva 2001. Restrições a parte, confesso que gosto das opiniões da Decanter, e resolvi experimentar. O vinho é feito pela vinícola argentina Santa Ana. Lembro-me que costumava apreciar, muitos anos atrás, um Merlot legal da vinícola. Este Unánime 2007 é um corte de Cabernet Sauvignon (60%), Malbec (25%) e Cabernet Franc (15%) e passou 20 meses em barricas novas de carvalho francês. Logo ao ser aberto, mostrou-se tímido, mas com algum tempo em taça começou a liberar aromas de cassis, pimenta do reino, azeitona preta, chocolate e minerais. Em boca repetiu o nariz e mostrou acidez muito boa e mineralidade. Os taninos são corretos e o final levemente herbáceo, que dava um charme ao vinho. Este finalzinho herbáceo fazia com que ele não ficasse enjoativo, o que é comum em muitos vinhos argentinos. Gostei bastante do danado, que mostra potencial para envelhecimento. O seu preço é bom, por volta de 120 Reais. Eu paguei ótimos 72! Uma bela compra! Vinho recomendado!

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Callabriga Dão 2007: Equilibrio

Abrimos este Callabriga Dão 2007, da portuguesa Sogrape, na Mercearia 3M. O vinho, da ótima safra de 2007, foi feito com uvas da Quinta dos Carvalhais, com as castas Tinta Roriz, Alfrocheiro e Touriga Nacional. Ele maturou por 12 meses em barricas de carvalho e mais 6 em garrafa antes de sair ao mercado. No comeo, o danado relutou em mostrar suas qualidades. Estava reticente, embora mostrasse bons aromas e bom potencial logo ao ser aberto. No entanto, com o tempo foi se abrindo em aromas de amoras, chocolate, baunilha e especiarias. Em boca mostrava sedosidade, boa acidez e taninos finos. O final era médio e levemente herbáceo. Vinho devidamente amaciado pelo tempo e bem equilibrado. Para um Dão, esperava até taninos mais pegados. Mas tudo estava correto. Só precisa de tempo para se abrir. Se for bebê-lo, não deixe de decantar por no mínimo uma horinha para ele mostrar suas qualidades. É um vinho gostoso e bem feito. Mas esperava mais "Dão"! E pelo preço, tem muitos concorrentes, tanto no Dão, quanto em outros sitios portugueses.

Cortes de Cima Syrah 2011: Para dar inveja a muito Syrah (caro) chileno

Bebi este vinho no restaurante Porto Cave, em Goiânia, junto meus amigos Zeca e Silvana. Várias coisas favoreceram a sua qualidade. Primeiramente, o produtor é craque com a Syrah. Vide o Incógnito... Depois, a grande safra de 2011 gerou grandes vinhos em Portugal. Além disso, a comida, estava ótima! As postas de bacalhau estavam divinas. E para finalizar, a companhia. Qualquer vinho melhora com boa companhia. E com estes amigos, de décadas, o vinho tinha mesmo que ficar ótimo. Este Cortes de Cima Syrah 2011 é um 100% Syrah que passa 8 meses em barricas de carvalho francês e americano. Ele mostrou as garras logo ao ser aberto. Notas florais se mesclavam a notas de cereja preta, baunilha e grafite. Com o tempo, foi se transformando e surgindo chocolate amargo, toques de pimenta e alcaçuz. Em boca repetia o nariz e mostrava excelente frescor e mineralidade. Um ótimo vinho, que vale cada centavo. Dá chinelada em chileno que custa bem mais. Recomendado!

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Esporão Reserva tinto 2011: Compre de caixa!

Eu tenho um apreço especial pelo Esporão Reserva. Quando conheci o Fernandinho, do Ciao Bello, sentei-me à mesa com ele no seu restaurante para jantar e conversar. No meio da conversa ele me disse: Quer um vinho bom, e de ótimo custo benefício? Compre um Esporão Reserva! No dia seguinte passei naquele supermercado que costumava vender grandes vinhos portugueses e mandei ver. Isso vai fazer quase 20 anos... Que saudades. E eu concordo plenamente com o Fernandinho. Esporão Reserva é garantia de satisfação. E como envelhece bem o danado... Bem, e esse Esporão Reserva 2011 se superou. Mais uma comprovação de que a safra 2011 foi mesmo grandiosa em Portugal, não apenas para os Portos Vintage, mas também gerando grandes vinhos finos de mesa. Este tinto foi feito com Aragonez, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet. Passou 12 meses em barricas de carvalho americano e francês, e mais 12 meses em garrafa antes de sair para o mercado. Ao nariz mostrou notas florais, de amoras e kirsch, em meio a notas de cedro, alcaçuz e chocolate. Em boca, repete o nariz, mostra ótimo frescor e taninos firmes. É intenso e com final longo. Um vinho vivo, com fruta e madeira na medida certa. Um dos melhores Esporão Reserva que bebi. Já pode ser apreciado agora sem nenhum problema, mas deve melhorar ainda mais com algum tempo de adega. Muito bom, mesmo! Como disse, para comprar de caixa e ir abrindo uma garrafa de vez em quando. 

Ps. Tasquei o vacuvin no que sobrou, porta da geladeira e no dia seguinte o vinho estava ainda mais redondo, com notas balsâmicas e tabaco. Delícia!

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Barbaresco Elvio Cogno Bordini 2010: Dê-lhe tempo

O Caio nos brindou com um vinho cujo irmão de 2008 já apareceu por aqui. Era um vinho de uma vinícola piemontesa que gosto muito, a Azienda Agricola Elvio Cogno. O Barbaresco Bordini 2010, levado pelo Caião, mostrava grandes qualidades. Tinha notas florais, de morango, tabaco e folhas secas. Em boca tinha um estilo leve, com ótima acidez, mas claro, ainda tânico pela idade. Achei um desperdício bebê-lo agora, e sem ao menos decantar. É um ótimo vinho, mas precisa de tempo. O 2008 está bem melhor agora, e mesmo assim, precisa de decanter. Se tiver um desses, experimente daqui a uns 2 anos e não deixe de decantar. E é claro, ele pede comida.

Complementando: Este vinho é importado pela Vinos y Vinos, que sempre faz umas promoções legais dele.

terça-feira, 8 de abril de 2014

O Vinhobão voltou!!! E com tudo: Incógnito 2008, Flaccianello 2009, La Cumbre 2007, Brunello La Colombina 2007 e muito mais!

Caros leitores: Nessas últimas semanas descansei um pouco, pensei, pensei, e voltei. Muitos amigos pediram a volta, e recentemente, uma noite da confraria na casa de nosso amigo Paulo Flaquer, me fez tomar a decisão final. A noite foi decisiva. O Paulinho nos recebeu em sua casa com tanto carinho e fidalguia, que me impulsionou a retomar o blog. A comida estava ótima. Além dos petiscos e queijos oferecidos pelo Paulinho, o Caião e o Tom foram os responsáveis pelos (excelentes) assados.
Bem, e cada um levou um vinhão, claro. Começo por onde? Acho que pelo vinho do anfitrião. E não era um vinho, era "o vinho": Incógnito 2008, top da vinícola portuguesa Cortes de Cima. O nome do vinho vem daquela história já batida, do tempo em que a Syrah não era permitida no Alentejo. Em 1991, a vinícola foi a primeira a plantar a uva, e colocou o nome Incógnito no primeiro vinho engarrafado em 1998 para não revelar o nome da casta (embora todo mundo provavelmente soubesse). O vinho passa apenas 6 meses em barricas de carvalho francês, e a madeira não sobrepuja a fruta. Ao nariz mostra notas de amoras silvestres, cacau, charuto e alcaçuz. Em boca, mostra frescor, intensidade e taninos corretíssimos. Possui grande clareza e nada de excesso de extração. Um vinho excelente! Para ser apreciado em todas as safras. Aliás, ele só é produzido nas grandes. Valeu, Paulinho!
Em seguida, o vinho levado pelo JP, que também pegou pesado: Flaccianello 2009! Este não tem muito o que falar. Só lembrando que o 2006 foi o vinho que escolhi como o que mais me agradou no ano passado. Este 2009 não ficava atrás. Um grande Sangiovese, com aromas de cereja preta, cassis, tostado, alcaçuz e notas minerais. Em boca, era explosivo, intenso, carnudo, com taninos finos e final interminável. Um gole mais generoso e ele mostrava seu lado explosivo na boca. Um grande vinho da Fontodi. Não que precise, mas só para citar, ele foi (de novo) top 100 da WS, com 96 pontinhos. Mas não é isso que o faz um vinhaço. Grande vinho, JP!
O Caião também exagerou. Levou um La Cumbre 2007, Syrazão de primeiríssima da Errazuriz. Outro vinho de primeira grandeza. Fermentado com leveduras da própria uva e maturado por 18 meses em barricas novas de carvalho francês. Ao nariz mostra aromas de amoras, cereja preta, alcaçuz, chocolate amargo e um apimentadinho gostoso no fundo. Com o tempo, notas de tabaco foram surgindo, dando charme ao conjunto. Em boca, era denso, untuoso, repleto de sabores e com boa mineralidade. Um vinhaço! Sem dúvida um dos melhores Syrah chilenos que apreciei. Vinho de ponta! Isso aí, Caião!
E vamos em frente... Passo para o que eu levei, depois de decantar por 10 horas: Brunello di Montalcino La Colombina 2007. Este vinho ficou em primeiro lugar em um painel de Brunellos da revista Decanter, com 95 pontos. E estava muito bom! Sangiovese em seu esplendor. Notas de cereja preta, chá, alcaçuz, tabaco e couro. Em boca, incrivelmente sedoso para um Brunello de 2007, mas não deixando de mostrar excelente acidez e taninos... de Brunello! O tempo em decanter lhe fez muito bem, claro. Mas mesmo assim, surpreendeu. Esperava algo mais pegado. Quando abri, obviamente, tirei um pouquinho para experimentar. E estava nervoso. Mas o tempo de decantação mostrou o quanto é importante isso para um Brunello. Vinhão!
O Tonzinho levou um Campo Viejo Gran Reserva 2005, Rioja da jovem vinícola fundada em 2001. O vinho passa dois anos em barricas e 3 em garrafa antes de sair ao mercado. Tem aromas de cereja, alcaçuz e tabaco. Com o tempo, foram aparecendo aromas de couro, que foram cada vez mais se destacando e até mesmo sobrepujando os demais. É para beber pouco tempo depois de aberto. Em boca possuía corpo leve para médio e taninos levemente arenosos. Um vinho muito bom, mas que, como mencionei, não tem como amiga a aeração.
O Rodrigo, levou um replay, o sedoso Perdriel del Centenário 2007, corte de Malbec, Cabernet Sauvignon e Merlot, da Norton. Assim, não gastarei mais linhas com ele, e remeto à postagem antiga (acima). Vale citar sua sedosidade e boa evolução.
O Joãozinho levou um de uma linha que gosto muito, que é a Single Vineyard da Trapiche. No caso, era um Trapiche Viña Jorge Miralles 2008. Vinho com aromas de figo e ameixa, em meio a um tostadinho gostoso e toffee. Em boca, mostrava boa acidez e muita sedosidade, característica da linha. Um ótimo Malbec. Dos melhores e mais confiáveis da Argentina. Certeza de agradar.
E para finalizar, o Paulinho trouxe uma "baciada", quero dizer, um recipiente belíssimo, em forma de taça, repleto de pães de mel, maravilhosos, acompanhados de um Porto Ferreira LBV 2008, escuro, intenso, com notas de mirtilo e chocolate amargo. Delicioso! Que beleza! Foi difícil não repetir várias taças acompanhadas dos deliciosos pães de mel. Combinação perfeita.
Obrigado Paulinho! A noite foi memorável e responsável pela volta do Vinhobão!

terça-feira, 11 de março de 2014

O Vinhobão vai parar por uns tempos... Repensando o blog!

Caros leitores (fiéis e aqueles que passam por aqui por acidente): Vou dar um tempo! O Vinhobão vai ficar em stand by até segunda ordem. Quero descansar um pouco e também repensar o blog (assim como repenso a todo momento a maneira de apreciar o vinho). Espero que seja momentâneo... Não sei. Só o tempo dirá. Abração a todos!

domingo, 9 de março de 2014

Que noite na Confraria!!! Carmín de Peumo 2008, Migliara 2006, Mouchão Colheitas Antigas 2003, Poesia 2002, A-Crux Blend 2006, Santa Rita Triple C 2008, Chateau de la Mulonnière 2004 e Baron de Magaña 2007! Uau!

O aniversário de nosso amigo Thiago foi comemorado em grande estilo. Levamos vários vinhos embrulhados, para brincar um pouco com a turma, que sempre está afiada.
 O primeiro a ser aberto foi levado por este que vos escreve, e era o argentino Poesia 2002 (foto acima). Ele já apareceu aqui no blog em duas ocasiões (clique aqui). Uma vez levado por este que vos escreve e outra pelo Caião. É um vinhão das Bodegas Poesia, feito com Malbec (60%) e Cabernet Sauvignon (40%). Vinho de safra histórica na Argentina, mostrava, depois de 12 anos, muita vida. Aromos de cereja se mesclavam a cassis e notas especiadas. Um toque licoroso lhe dava um charme. Uma delícia. O Caião, sugeriu ser um Tempranillo, o que não ficou longe, pois os cortes argentinos com Malbec, depois de evoluídos, lembram bem vinhos espanhóis. Outros amigos, sugeriram um Bordeaux, pela elegância. O fato é que o vinho estava ótimo, repleto de elegância. Acho que é o último da turma. Sobrou um 2004 em minha adega. Logo veremos como está.
O Paolão então chegou com um vinho do Vale do Loire, feito com Chenin Blanc, o Chateau de la Mulonnière Savennières 2004. Sua cor dourada, com toque âmbar, já denunciava seus 10 anos. O nariz também, que mostrava notas amendoadas, de mel, gengibre, compota de abacaxi e damasco. Em boca, repetia o nariz, mostrava leve amanteigado e boa acidez para a sua idade. Bom vinho, já senhorío, descendo a Rebouças em direção ao Jóquei Clube, mas ainda apreciável. Sería par perfeito para um camarão ou lagosta. Importado pela Vinci.
O Joãozinho, que está se especializando em levar coisa boa (rs), levou um ótimo A-Cruz Blend 2006, de O.Fournier. Aqui fica até fácil de falar. Não tem erro! Safra boa e vinho que sempre agrada. Seus irmãos de 2001, 2002 e 2003 já pintaram por aqui. Este 2006 subiu mais uns degrauzinhos na escada. E a qualidade, continua a mesma. Vinho de grande riqueza e elegância. Um vinho argentino com acento espanho. É feito com 75% Tempranillo e 25% Malbec, e passa 20 meses em barricas novas de carvalho francês (80%) e americano (20%). Ao nariz, notas de cereja preta, ameixa seca, tabaco e toffee. Em boca, repete o nariz e mostra toda a sedosidade dos vinhos de José Manuel Ortega Fournier. Mais um vinhão da linha. Como sempre digo: Quer agradar um amigo? Dê-lhe um desses! Valeu Joãozinho!
O Caião, também mandou muito bem. Levou embrulhado um Santa Rita Triple C 2008. A maioria matou de cara a procedência chilena, mas o Tonzinho arriscou um pouco mais no corte, dizendo que tinha Carmenêre, Cabernet Sauvignon e algo mais que ele não conseguia pegar. Bem, passou perto. O vinho, como o próprio nome diz, é um corte de três uvas cujos nomes se iniciam com a letra "C": Cabernet Sauvignon, Carmenére e Cabernet Franc. O vinho foi top 100 da WS em 2013, com 93 pontos e com a tarja de highly recommended. E realmente é um ótimo vinho! Notas de amoras e cassis se mesclam a tabaco, chocolate e especiarias. Em boca é amplo, untuoso, sedoso e com final bastante longo e persistente. Para mim, e vários colegas, acima de muitos vinhos badalados chilenos e com preço (embora não baixo) mais convidativo (principalmente na promoção de começo de ano da Grand Cru). Valeu, Caião!
O JP também levou um vinhão embrulhado, cuja garrafa era bem parecida com a do Paulinho. Aí foi feita a confusão. Ao bebê-lo, pensei que era o do Paulinho e fiquei passando para ele, anotado, as minhas impressões. De cara, mandei que era um Syrah de responsa. Ao receber a resposta negativa do Paulinho fiquei muito cabreiro e ainda aguentei as chacotas da turma. Mas nada me tirava da cabeça se tratar de um grandioso Syrah. Bem, era sim! Só que aquela não era a garrafa do Paulinho, e sim, do JP... rsrs. E que Syrah era! Carnudo, nervoso, cheio de corpo mas com frescor e mineralidade. Longe de Syrah australiano. As notas de amora madura eram equilibradas com muita mineralidade e acidez vibrante, que lhe aportavam muito frescor. E o que era? Um grande Migliara 2006, toscano da Tenimenti Luigi D'Alessandro! Este vinho, que recebeu nada menos que 98 pontos da WS, já apareceu aqui no blog várias vezes (clique aqui). Acho que esta é a quarta garrafa que apreciamos. Mas aqui vale aquele negócio, de que cada garrafa é uma garrafa. O vinho nesta contido estava muito mais nervoso que nas outras anteriores. Mais pegado, potente e acenando para muitos anos de vida ainda. Sem dúvida, um dos melhores da noite, e que merecia ter sido decantado. Ainda bem que tenho ainda uma garrafa deste danado, que apreciarei daqui a uns anos. Belíssimo vinho, JP! Valeu!
Bem, mas vamos então ao vinho levado pelo Paulinho. Bem, tirando a confusão engraçada com aquele levado pelo JP, ele foi para mim o vinho mais emocionante da noite. Também embrulhado, a primeira taça foi um mistério. Fruta madura, notas terrosas e tabaco. Mas fechado. Depois de um tempo, que maravilha! Foi se abrindo, mostrando ótima fruta em meio ao balsâmico, especiarias, fumo de corda e tantos outros. Em boca, untuosidade, frescor e final interminável. E o que era? Eu mandei que era um Alentejano, quase mandei Mouchão, mas achei muito fresco, e como o Paulinho disse que era mais velho, a confusão foi feita. Mas era um Mouchão! O Mouchão Colheitas Antigas 2003! Por que o nome? Na verdade, é o mesmo Mouchão 2003, mas na ocasião do engarrafamento, a vinícola guarda em suas adegas, algumas garrafas da preciosidade para ser comercializada 10 anos após a colheita, justamente para mostrar a capacidade de guarda e evolução do vinho. E como isso fica patente! Como evolui o vinho! De jeito nenhum parece ter 10 anos. Um frescor acima da média para um Alentejano e muita vida pela frente. A validação perfeita da importância do bom acondicionamento para um vinho. Repito aqui o que disse ao pessoal: O vinho me emocionou! Valeu mesmo, Paulinho! Quero beber de novo. A propósito, o Mouchão é muito conhecido, mas só lembrando que é feito com base na Alicante Bouschet (70%) e Trincadeira (30%), com a tradicional pisa a pé (2 vezes por dia) e maturação em grandes tonéis de 5.000 litros, de carvalho português, macacaúba e mogno. Depois disso, 24 a 26 meses em garrafa antes de ser comercializado. Bem, este Colheitas Antigas fica bem mais tempo em garrafa.
Vamos em frente que ainda tem vinho...rs.
O Tonzinho levou também embrulhado um vinho que na hora vários de nós chutamos ser um corte bordalês. Eu, até pensei ser um Assemblage do Carmelo Patti, mas senti falta de mais especiarias, cor mais cereja e taninos arenosos... Mas era um espanhol, de Navarra! Baron de Magaña 2007. O Tonzinho tirou aquele sarro básico (rs), mas depois, ao ver a ficha técnica do vinho, constatei que ele é feito com Cabernet Sauvignon (35%), Merlot (35%), Tempranillo (20%) e Syrah (10%), com passagem de 14 meses por barricas novas. Tá aí o motivo de nosso chute! Até o Mr. Parker (ou o Jay Miller? rs), que lhe atribui "generosos" 94 pontos, mencionou o lado bordalês. Aliás, este negócio de buscar estilo bordalês fora de Bordeaux não me agrada muito. O pessoal tá perdendo a identidade... Bem, tirando a polêmica, o vinho tinha notas de cassis, cereja, couro e especiarias. Em boca era de médio corpo e bem elegante. Foi o mais simples da noite, mas mostrou-se um bom custo benefício. Vinho bom, correto e de bom preço pela qualidade. A competição era que era dura para ele na noite. Mas não fez feio, não. Eu gostei dele. Mas Tonzinho, olha o troféu, hein! rsrs.
Bem, e para finalizar, o vinho levado pelo aniversariante, também embrulhado. Na hora todo mundo mandou: Carmenére! Não tinha erro. Mas não era um Carmenére qualquer, repleto de pimentão e notas herbáceas. Não, era algo superior, bem superior... Ao nariz, notas de cassis, tabaco, grafite e de especiarias (como a pimenta do reino). Em boca, era untuoso, mas nada exagerado. Não transbordava pimentão. Tinha sim um toquezinho de pimenta do reino ao fundo. O final, especiado e mineral, era longuíssimo. Um vinhão! E sabem o que era? Aquele que é considerado o melhor Carmenére chileno: Carmin de Peumo 2008! O caro e imponente vinho da Concha y Toro tem também 7.5% de Cabernet Sauvignon e 2.5% de Cabernet Franc, e passa 18 meses em barricas novas de carvalho francês. Um vinho feito para ser grande. Eu estava curioso para experimentá-lo. E mesmo para aqueles que não apreciam muito a Carmenére, há que se reconhecer a qualidade que este atingiu. Aliás, foi o que eu disse ao pessoal: O vinho me surpreendeu por mostrar até que ponto um Carmenére pode chegar em termos de sofisticação. Um grande vinho, sem dúvida... O problema? Seu preço... Muito salgado, mesmo lá no Chile. Aqui no Brasil... uff...
Valeu, Thiago! Cumpleaños bien celebrados!


quinta-feira, 6 de março de 2014

Jean Grivot Clos de Vougeot Grand Cru 2006: Nervoso!

A família Grivot tem origem no Jura mas se estabeleceu na Borgonha no século XVII. Atualmente o Domaine é conduzido por Étienne Grivot (filho de Jean Grivot), que formou-se em Beaune e tem experiência também na Califórnia. A vinícola pratica agricultura orgânica e só usa leveduras da própria uva para fermentação. O vinhedo em Clos de Vougeot foi adquirido em 1919 por Gaston Grivot, avô de Étienne, e possui pouco mais de um hectare, no lado leste da denominação. Este Clos de Vougeot Grand Cru 2006, ofertado pelo Cássio, mostrou-se um vinho robusto, nervoso, até com certa rusticidade. O vinho tinha notas de morangos silvestres, daqueles pequenos, meio azedinhos, cereja, funghi e especiarias (com destaque para um lado apimentado que me agrada muito). Em boca, mostrava ótima acidez e mineralidade, com um final muito longo e apimentado. Os taninos eram finos e corretos. Um ótimo vinho, que deve ganhar muito com adega. Mas este já foi... E estava excelente! Gostei demais, claro....rs. Valeu, Cássio!
Nota: O vinho é importado pela Mistral. Salgadinho...rs.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Dinastia Vivanco Crianza 2008: Dê-lhe um tempinho

As Bodegas Vivanco ficam situadas em La Rioja Alta, no sopé da Serra Cantabria e as margens do Rio Ebro. Este Dinastia Vivanco Crianza 2008 representa o vinho de entrada da vinícola, e é feito com Tempranillo de vinhedos de 15-20 anos. A fermentação é feita em barricas de carvalho francês e a maturação, por 16 meses em barricas de carvalho francês e americano. O vinho é floral e mostra também notas de ameixa, tostado, alcaçuz, cedro e baunilha. A madeira está bem aparente, tanto ao nariz, quanto na boca. Apesar de mostrar frescor em boca, com boa acidez, eu achei que ainda mostra muita baunilha e notas de madeira seca. Muita gente gosta de vinho assim, nesta fase. Eu, prefiro deixá-lo descansar um pouco em adega para que estas características fiquem menos evidentes. Com certeza estará melhor em 1-2 anos, pois mostra qualidade o danado. Em 2011 foi top 100 da WS, com 90 pontos. Quando comprei, paguei um preção. Atualmente, seu preço deu uma subida. Para terminar: A garrafa é bem bonita!

terça-feira, 4 de março de 2014

Degustação Idealdrinks na Mercearia 3M, com direito ao Principal Grande Reserva 2008 e ao famoso (e portentoso) Principal Grande Reserva 2009!

 Há duas semanas, fomos à Mercearia 3M, de nosso amigo Idinir, para participar de uma degustação para poucos felizardos, com vinhos da Idealdrinks. Já disse aqui que o Idinir não brinca em serviço: É vinho à vontade, sem aquele negócio de colocar só o fundinho da taça. Mas e os vinhos? Começo por cima? Vamos lá. Vou começar pelo famoso Principal Grande Reserva 2009, Bairradino das Colinas de São Lourenço. Aquí o negócio pegou. Era uma garrafa Jeroboam, de 3 litros (double-magnum), que fez a alegria dos beb..s, quero dizer, dos enófilos. Não apenas porque proporcionou taças generosas, mas porque era um belíssimo vinho. 
Não era só a garrafa que era grande...
3 litros de um vinhão!
Este vinho tem causado alvoroço na Europa, principal-mente, porque ficou entre os top 10 em uma lista da revista italiana Spirito diVino, que contava também com o Ex-Aqueo, Petrus, Cheval Blanc etc. Acreditemos ou não nestas listas, o fato é que é uma referência. O vinho é feito com Cabernet Sauvignon, Merlot e Touriga Nacional. Não consegui encontrar as proporções e tampouco dados sobre a vinificação e maturação no site da Ideal Drinks. Bem, disso tudo, queria só saber um pouco mais sobre as proporções de cada casta. E obviamente, não posso deixar de perguntar, em se tratando de um bairradino: Onde está a Baga?
Bem, mas vamos ao vinho. O Idinir colocou parte dele em decanter e o restante ficou na garrafona, respirando igualmente. Deu prá sentir a evolução do danado durante a noite. Este 2009 era floral, mas sem os exageros típicos muitas vezes aportado pela Touriga Nacional. Ele mostrava notas de amoras e cassis, em meio a chocolate amargo e um apimentado gostoso. Uma beleza ao nariz e explosivo em boca, onde mostrava muita intensidade e taninos ainda nervosos, por evoluir. O vinho ainda é novo para sua potência. Mas eu não me importo em bebê-lo agora, pois gosto de vinhos nervosos. O final era longo, muito longo. Uma beleza de vinho! Tem muitos anos de vida pela frente. Para guardar com carinho na adega. Seu irmão, o Principal Grande Reserva 2008, tinha notas de cassis, framboesa, chocolate e especiarias. Aromas deliciosos! Em boca mostrava-se mais sedoso e pronto que o 2009, com taninos mais macios, e um final muito longo. Outra beleza de vinho! Refinado! Tanto o 2008, quanto o 2009 são dois vinhaços! Pode fechar os olhos e pegar qualquer um dos dois que ficará muito feliz. São vinhos muito bem talhados. Entendo o sucesso que estão fazendo. Mas ainda não entendo a falta da Baga...rs (cara chato, hein!).
A linha Terras do Pó é muito boa (e a maioria, de preço bem justo), tanto os brancos, quanto os tintos. Tem um Duriense aí no meio...rs.
A noite teve ainda outros vinhos da Ideal Drinks. Desde os bons básicos (e de bom preço) Terras do Pó (o Reserva, com Castelão, é show), o Colinas de São Lourenço Bairrada 2008 (ótimo custo-benefício), até os da linha Reserva da Principal. Destes últimos, um branco com muita estrutura, um rosé de Pinot Noir intenso (mas fresco) e o Principal tinto Reserva 2007 (já comentado aqui). Bem, tinha outros vinhos, mas o texto está ficando longo. Vou concluir dizendo que recomendo todos os vinhos da empresa. Há vinhos de entrada, bons e com bom preço, e outros tops, mais caros, mas que oferecem muito. Vale a pena conhecer o portifólio deles. Aliás, eu estou devendo ainda umas notas sobre os brancos das belas garrafas... Logo sai... Mas como eu disse no artigo sobre o São Lourenço Bairrada, só espero que os vinhos mantenham a alma portuguesa.
A propósito, aqui não tem jabá. Se estou falando bem dos vinhos é porque gostei, e pronto. 
Um Rosé de primeira, um tinto de estirpe e um Bairrada bom e barato!

sábado, 1 de março de 2014

Bons vinhos na confraria: Chacra Barda 2012, EPU de Almaviva 2010, Chateau de Chamirey Mercurey Les Ruelles 2009, Trefethen Merlot 2001 e Calyptra Assemblage 2008

Foi uma noite estranha, que esquentou de repente e nos pegou de surpresa, sem nos dar chance para levar brancos para a reunião da Confraria lá no Chez Marcel. Mas de mais leves, dois Pinots deliciosos. 
O primeiro deles, o patagônico Chacra Barda 2012, tinha cor clara, bonita, e aromas frutados, de morango e cereja, em meio a um tostadinho gostoso e especiarias (cravo). Destaque para ao seu frescor. Era um vinho fresco, mineral,  do tipo festivo. Como o pessoal disse, para um fim de tarde à beira da piscina. Muito gostoso! Diferente de outros Barda que bebi, que eram mais tostados. Eu sempre achei este de entrada da Chacra o melhor. Não me encantaram o Chacra 55 nem o Chacra 32. Por outro lado, o preço que estão cobrando por aqui é surreal. O Caião trouxe direto da Argentina, direto para a nossa mesa. Valeu! Importante sobre este vinho: A experiência que tive com outros anteriores é que não aguenta guarda. É para beber logo.
Depois dele, outro Pinot de responsa, levado pelo Paolão. Mas agora, algo com mais peso e estrutura. Era um Chateau de Chamirey Mercurey Les Ruelles 2009. Vinho de excelente safra, cor mais escura que o primeiro, aromas deliciosos de cereja, framboesa e especiarias, como a canela.  Em boca é amplo, mineral, com um toque salino bem gostoso. Foi um camaleão durante a noite, mostrando aromas distintos e fazendo a felicidade da turma. Para mim, e vários outros, o melhor da noite. Uma delícia! Vou guardar uma garrafa dele que tenho para apreciar daqui a uns anos. Quem pegou no último bota-fora da World Wine pode ficar feliz. A propósito, o Caião já havia levado uma garrafa destes prá gente semanas atrás, em postagem que ainda não publiquei.
O JP chegou disposto também (apesar do resfriado....rs): Levou um EPU de Almaviva 2010. Não este, mas dois de outras safras, já foram motivo de artigos (e "polêmica salutar") aqui no blog (clique aqui e alí). Mas este 2010 já me atraiu pela safra, que tem me trazido boas surpresas, com vinhos mais vivos e menos extraídos que o normal. E este seguiu a mesma linha. Estava pegado no começo, nervoso, mas depois de um tempo no decanter, foi se equilibrando. Diferentemente de outros EPUs que bebi, é menos extraído, mas fresco, como tenho visto nos Cabernets chilenos de 2010. Vinho com aromas de cassis, cereja preta e alcaçuz. Em boca, amplo, fresco e com taninos nervosos, do jeito que eu gosto. Para mim, o melhor dos EPUs que bebi. E com longa vida pela frente. Me lembrou o TEZ. Gostei, JP! Tá indo muito bem no ano.
Eu levei um Trefethen Estate Merlot 2001. A vinícola familiar do Napa Valley produz uma ampla gama de vinhos e muitos deles têm feito muito sucesso por aí (o Cabernet 2005 é muito elogiado e faturou 97 da WE). Este Merlot tem também uma pitadinha de Cabernet Sauvignon (e em algumas safras, Malbec). Passa 19 meses em barricas de carvalho francês e americano. Ao nariz, mostra notas de frutas maduras, tostadas, chocolate, couro e tabaco. Já traz o sinal dos 13 anos. O JP, que estava com o nariz um pouco afetado...rs, dizia que ele estava na descendente. Para mim, ele estava senhorío, maduro, evoluído, o que é diferente. Até acho que não ganhará mais com o tempo e talvez já comece a descer. Mas agora, está no ponto, macio, redondo, muito elegante. Eu gostei. Mas ele ficou na rabeira dos outros.
E para finalizar, o Thiago levou um Calyptra Assemblage Gran Reserva 2008. Chileno feito com Merlot, Syrah e Cabernet Sauvignon, e que passa 26 meses em barricas usadas. Apenas 3.500 garrafas foram produzidas. Tem aromas de amoras, pimenta do reino, madeira e chocolate amargo. Em boca, repete o nariz, mostra mineralidade e bons taninos. É um vinho com bom nervo. A madeira aparece um pouquinho, mas não incomoda. Pede comida. Pelo preço, uma boa pedida. Gostei dele. O Descorchados lhe atribuiu 93 pontos.
Isso aí, pessoal! Todos os vinhos aprovados! E como estava bom aquele Risoto com lula, chorizo e vieira, hein? O Bart estava inspirado.
A turma reunida