domingo, 27 de setembro de 2015

Quinta do Vallado Branco Reserva 2011: Grande Safra, grande produtor, grande vinho!

Quinta do Vallado é sinônimo de grandes vinhos. Sou fã fiel de seus Reservas e Touriga Nacional. Mas o Quinta do Vallado Branco Reserva 2011 foi o primeiro branco reserva do produtor que apreciei. E ele não deixou por menos. Seguiu os passos dos belos tintos e mostrou grande qualidade.
O vinho é feito com Rabigato, Gouveio, Viosinho e Arinto, fermentadas em barricas de 225 litros de carvalho francês (Allier, Vosges e Nevers), 40% novas e o restante de um ano. Depois da fermentação o vinho permanece por 10 meses nas mesmas barricas, com batonnage periódico. O vinho possui bela cor citrina e aromas muito ricos. É floral e mostra notas de pera, maçã e abacaxi, além de mel, amendoas e anis. Em boca repete o nariz, é muito elegante e mostra ótima acidez e mineralidade. O final é longo e com toque amanteigado bem sutil, que não enjoa. Um ótimo branco, muito estiloso, e que teria ainda muitos anos pela frente. Mais uma bela obra de Francisco Olazabal. Se encontrar, não hesite.


terça-feira, 22 de setembro de 2015

Quinta do Saes Reserva Encruzado 2010: Branco fino e fresco da Quinta da Pellada!

Meu amigo Paolão divide comigo o gosto pelos vinhos do Dão. Tanto tintos, quanto brancos. E se for um produzido pelo grande Álvaro Castro, melhor ainda. É o caso deste Quinta do Saes Reserva Encruzado 2010, aberto pelo amigo Paolão para acompanhar um belo Bacalhau a Gomes de Sá. Embora o nome sugira que o vinho seja um varietal Encruzado, ele é feito com 80% Encruzado e 20% Cercial, com fermentação lenta (2 meses) em pequenos tanques de inox e batonnage por 3 meses. É um vinho de bela cor citrina e aromas de frutas tropicais envoltas em grande mineralidade. Em boca esbanja frescor e mineralidade, com secura que sempre pede uma taça a mais. Alia corpo e finesse, sendo intenso e sem exageros. É um ótimo branco, pronto a escoltar pratos de bacalhau e frutos do mar.  Ah, e é vinho que se pode guardar. Este está em sua juventude. Outra ótima comprovação da qualidade dos vinhos do Dão, também em questão de brancos.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Boa noite na confraria: Campolargo Vinha da Costa 2003, Terrunyo Cabernet Sauvignon 2011, Tito Zuccardi 2011, Numina Cabernet franc 2013 e Mocali Rosso di Montalcino 2012

Só estávamos em cinco nessa última reunião da confraria. Mas aproveitamos a noite chuvosa e fria para mandar ver em bons vinhos. 
O primeiro deles, e para mim, o destaque da noite, foi um Campolargo Vinha da Costa 2003, Bairradino levado pelo Paolão. O vinho é feito com Merlot (60%), Syrah (20%) e Tinta Roriz (20%), com estágio de 12 meses em barricas novas de carvalho francês. Com 12 anos de idade, o vinho mostrava uma bela cor rubi escura e halo de evolução. Ao nariz, não mostrava a idade. Tinha aromas florais, notas de cereja preta e amoras, em meio a um toque balsâmico que dava um charme muito legal. Em boca mostrava ótima acidez, intensidade e taninos já arredondados pelo tempo. O vinho era fresco, vivo, o que fazia com que buscássemos sempre outra taça. O final era longo e com um toque herbáceo na medida (um toque de sálvia). Não parecia ter 12 anos. Paolão, Joãozinho e eu o consideramos o melhor da noite. O JP e o Caio já não dividiram a mesma opinião.
O Caião levou um que queria beber: Terrunyo Cabernet Sauvignon 2011. Eu gosto da linha Terrunyo, que oferece ótima qualidade (a um preço que já foi bem melhor, principalmente no Chile, onde subiu bastante ultimamente). Este 2011 teve elogios rasgados da revista inglesa Decanter, que lhe considerou "outstanding"e o colocou a frente em um painel de Cabernet chilenos que incluiam vinhos bem mais caros. A revista lhe atribuiu 19 pontos em 20 (96 em 100), concluindo que seu preço é ridículo (média de 20 libras na Inglaterra). O legal deste vinho é a regularidade e a fidelidade ao Terroir de Pirque. Bebi outros vinhos da região e as características são muito parecidas. Ao nariz mostra notas de pimenta do reino, uma pitada de goiaba (sem exageros), amoras, cassis e mentol (na medida) em meio a chocolate amargo e grafite. Em boca, repete o nariz e destaca-se pela mineralidade, frescor e taninos finos. O final é longo e mineral. Não tem exageros e mostra grande potencial de guarda. É um vinho que quero beber daqui a uns anos para sentir sua evolução. Realmente, um belo exemplar de Terrunyo. Aprovadíssimo!
O Joãozinho levou um vinho top da vinícola argentina Zuccardi. Era um Tito Zuccardi 2011, vinho que fica alí bem pertinho da faixa do ótimo Zeta. Sebastian Zuccardi relata que é feito em homenagem ao seu avô, Alberto Zuccardi, conhecido como "Tito". Este 2011 é feito com Malbec (70%), Cabernet Sauvignon (17%) e Ancellotta (13%), plantadas em La Consulta. A novidade é a inclusão de uma casta não tão tradicional no corte, que é a Ancellotta. O vinho estagia 12 meses em barricas novas de carvalho francês. Ao nariz mostra notas de ameixa, amoras e cerejas, em meio a um chocolate e leve pimenta. Em boca, repete o nariz, é intenso e mostra boa acidez e taninos sedosos. O final é frutado, com alcaçuz e leve apimentado. É um vinho bem redondo e com pedigree argentino. Pede uma boa carne! Gostei dele, embora prefira seu irmão Zeta. 
O JP levou um Numina Cabernet Franc 2013, que já comentei aqui. É um ótimo vinho, com nariz frutado, mineral e boca muito bem equilibrada. Foi considerado um dos melhores vinhos feitos com esta casta na Argentina, onde, aliás, a CF tem se dado muito bem. Deve ganhar com anos em adega. Eu já tenho minhas garrafas descansando para provar sua evolução nos anos que virão. Experimente!
E para finalizar, o vinho que levei embrulhado para a turma advinhar. Bem, se deram mal nas tentativas... Era um Mocali Rosso di Montalcino 2012. O vinho foi considerado um dos melhores Rossos da safra. Sua cor é clara, típica da Sangiovese que não foi "mexida". Os aromas são bem florais no início, mas mudam um pouco com o tempo. Mostra notas de cereja e framboesa (que surge depois de bom tempo aberto), cítricas, chá e terrosas. Em boca é nervosinho no começo, mas vai ficando mais macio com o tempo. A acidez é ótima e os taninos estão presentes, indicando que o vinho tem boa vida pela frente. É um vinho com clareza e frescor, no estilo mais tradicional. Gastronômico por natureza. Eu gostei bastante dele, principalmente pelo preço que paguei na Casa do Vinho, de BH. Eu sou daqueles que preferem um bom Rosso a um Brunello meia boca... Quero experimentar o Brunello da vinícola.
Isso aí, pessoal!





domingo, 6 de setembro de 2015

Quinta do Carmo 2011

Este Quinta do Carmo 2011 foi aberto por meu cunhado Bu, nesse final de semana em Jaú. Tem dois vinhos que ele gosta muito: Quinta da Bacalhoa e Quinta do Carmo. Bom gosto... E este Quinta do Carmo, da bela safra de 2011, estava muito bom. O vinho é feito com Aragonez, Trincadeira, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon, e passa um ano em barrica. Os aromas de cereja madura e ameixa se mesclam a alcaçuz, toques vegetais, azeitona preta e um tostado na medida. Em boca repete o nariz e mostra um calor alcoólico que para meu gosto, poderia ser mais discreto, mas que não compromete. É algo que talvez pudesse ser resolvido com decantação. Os taninos, apesar da juventude, são redondos, e o final é longo, frutado e com toques de alcaçuz. Muito bom vinho, com boa estrutura e que merece uns dois anos de adega para dar uma amaciada. Aliás, é um dos Quinta do Carmo com mais peso dos últimos anos. Tem estrutura para aguentar um bom tempo de guarda. Para acompanhá-lo, nada de pratos leves (tampouco bacalhau...): Faça uma boa carne. É daqueles que têm que entrar na cesta do Duty free nas voltas de viagens... Mesmo com o dólar nas alturas... rs.

domingo, 30 de agosto de 2015

Quinta fria, com bons vinhos: Brunello Il Poggione 2009, Chianti Classico Riserva La Selvanella 2010, Montes Alpha Cabernet Sauvignon 2009, Dominican Oaks Zinfandel 2010 e Celeste Crianza 2011


 Com esse inverno atípico que estamos tendo é bom aproveitar as poucas noites mais frias. Essa última quinta-feira era uma delas e pediu vinhos com mais corpo. Vários confrades deram o cano, mas os que foram, levaram coisa boa, como geralmente acontece.
O Caião chegou com um Brunello di Montalcino Il Poggione 2009 debaixo do braço. Promessa de boas taças, o que se concretizou. O vinho, apesar de novo, estava já pronto para ser apreciado. Claro que no começo estava um pouco nervoso, mas com o tempo foi se abrindo em belas notas de cereja bem madura, terrosos, tabaco e mentol, em um fundo tostado bem legal. No estilo de seu irmão de 2006, mas menos intenso que ele. Em boca, repetia o nariz e mostrava taninos firmes e um final longo e balsâmico. Esquentou a noite, claro! Il Poggione não decepciona. 
O segundo da foto foi levado por este que vos escreve, e era um Chianti Classico Riserva Vignetti la Selvanella 2010. O vinhedo da fattoria Il Selvanella é propriedade da conhecida Melini. Ele foi um dos 50 vinhos do ano da Decanter em 2014 e figurou também em segundo lugar em um painel de Chianti Classico 2010, com 95 pontos. O vinho deixa as marcas da Sangiovese logo na primeira fungada. Tem aromas intensos de cerejas e frutos silvestres, em meio a couro, chá e especiarias. Em boca é fresco e com final longo e especiado. Os taninos e acidez indicam longa vida pela frente. Uma belezinha que comprei a um ótimo preço em uma daquelas queimas da Wine, que a gente tem que ficar de olho, pois às vezes pinta coisa bem legal. 
O terceiro da foto, levado pelo JP, dispensa apresentações. Era um Montes Alpha Cabernet Sauvignon 2009. Os Montes Alpha frequentaram bastante as taças da confraria, mas fazia tempo que não pintava um Cabernet. Esse 2009 estava no ponto! Os aromas típicos de um CS chileno tinham como destaque o cassis bem maduro, um toque achocolatado, pimenta do reino e o pimentão que não suplantava a fruta. Em boca estava muito macio, com taninos devidamente arredondados e um final dominado pelo cassis e chocolate. Cabernet Sauvignon de manual, como dizem por aí... Muito bom!
O penúltimo vinho era um Dominican Oaks Zinfandel 2010, californiano do Napa Valley levado pelo Rodrigo. Um típico Zin (como dizem os americanos...rs), com notas de framboesas, anis, especiarias doces e um fundo defumado. Em boca repetia o nariz e, apesar daquele toque doce da zinfandel, tinha uma acidez destacada, que compensava o dulçor e fazia com que o vinho não cansasse. Bem, eu não sou muito fã de zinfandel. Gosto de alguns mais envelhecidos. Mas este estava agradável.
E para finalizar, o vinho levado pelo Thiago, que já estava para ganhar um cartão amarelo. Era um Celeste Crianza 2011, espanhol de Ribera del Duero produzido pelo craque Miguel Torres. É o primeiro vinho feito pela família Torres em Ribera, e é produzido a partir de uvas de vinhedos de quase 900 metros de altitude (de onde, segundo a vinícola, quase se pode tocar as estrelas e dar forma às nuvens... Daí o nome e o rótulo). O vinho tinha aromas frutados bem vivos, com notas de ameixa e cereja, em meio a caramelo e notas terrosas. Em boca, repetia o nariz e mostrava corpo médio e uma ótima acidez, que lhe aportava frescor. Os taninos são maduros e o final especiado. Um Ribera típico, que se destaca pela fruta, e que pode ser encontrado a bom preço aqui no Brasil.
Isso aí, pessoal! Noite fria e bons vinhos!


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Fim de tarde na casa do JP: Churrasco e vinhos, com direito a um excelente Crasto Reserva Vinhas Velhas 2012!

O JP não parava de falar que queria comer uma picanha bem alta etc, etc... E não deu outra, reuniu alguns confrades em sua casa para apreciar boas carnes e alguns vinhões, claro. 
Bem, eu levei um que foi eleito por todos o melhor da tarde/noite, e o descreverei em primeiro lugar. Era um Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2012, até o momento, o representante mais recente de um vinho sempre querido da confraria. Aliás, se ela tivesse outro nome, acho que se chamaria "Confraria Crasto Vinhas Velhas", tamanha é sua identidade com este vinho, frequentador assíduo de nossas taças. E este 2012 estava uma beleza! Eu o achei ainda melhor que sei irmão da grande safra de 2011. Acho que, dos que bebi novos, foi o da linha que mais se mostrava pronto. Um vinho riquíssimo, com notas de frutas maduras, cerejas em licor, madeira da melhor qualidade, bolo inglês, chocolate e especiarias. Em boca tem um ataque levemente licoroso, com as cerejas se sobressaindo e um tostado que agregava muito charme ao conjunto. O vinho é mineral e com final especiado longuíssimo. É intenso e ao mesmo tempo muito elegante, sem nenhuma aresta. Como todos os Crasto Vinhas Velhas, deve evoluir maravilhosamente, mas já está uma beleza agora. Um vinhaço! Para mim, o melhor desde o fabuloso 2005. 
Tentarei ser mais breve com os outros vinhos, sombreados pelo anterior... rs. 
O primeiro da foto é um Tiago Cabaço Alicante Bouschet 2011. O Paulinho levou este vinho e ele mesmo não ficou muito empolgado. É claro que perto do anterior, ele perde um pouco o brilho, mas eu gostei do danado. É um vinho com fruta madura, notas especiadas e defumadas. Em boca é redondo e com taninos presentes, que devem arredondar com algum tempo, visto que o vinho ainda é novo. Tem boa acidez e é mais seco que os vinhos normalmente feitos com esta casta. 
O segundo da foto é um Brunello di Montalcino Maté Riserva 2008, ofertado pelo anfitrião JP. É o segundo vinho que bebemos do produtor, não muito conhecido por nossas bandas. O primeiro que apreciamos, e que ainda não postei, era um normal, que também não fez muito a cabeça do pessoal. Este Riserva tem mais intensidade que seu irmão menor, mas também não convenceu a turma. Tem cor clara e aromas de cereja madura, tabaco e especiarias doces. Em boca, repete o nariz e mostra fruta madura e final especiado, lembrando cravo. Eu achei um pouco doce, sei lá... Não me encantou. 
Do lado direito do Crasto Vinhas Velhas na foto, um Montes Alpha Syrah 2010, também ofertado pelo JP. É um vinho que frequentava muito a mesa da confraria, e que há tempos não dava o ar da graça. O Syrah costuma ser um vinho extraído e concentrado, com muita fruta madura, baunilha e tostado. Mas este 2010 parecía mais comedido, com mais frescor, embora siga na mesma linha.
E o último vinho era um Finca Flichman Paisajes de Barrancas 2012, levado pelo Thiago. Este matei o corte no nariz: Syrah, Cabernet Sauvignon e Malbec. Ele se denuncia. Tem aromas florais e de ameixa em compota, amoras maduras, madeira, alcaçuz e outras especiarias. Em boca tem um ataque doce equilibrado com um toque mineral e boa acidez. A madeira ainda aparece um pouco, visto a idade do vinho, mas nada que incomode. Deve ganhar com um tempo de guarda. Para fãs do novo mundo.
Isso aí, pessoal! Ah, as carne assadas pelo Tonzinho? Estavam ótimas, claro.


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Degustação Mercearia 3M/Zahil em São Carlos: Ótimo evento e novidades sulamericanas!

Nessa semana que se passou a Mercearia 3M, em parceria com a importadora Zahil, promoveu mais um ótimo evento em São Carlos. O local era muito apropriado, a presença de produtores agregou qualidade, e além dos vinhos, tinha boa música, massagem relaxante e um ótimo café Coração da Terra, de São Sebastião de Paraíso (MG) para arrematar. Ou seja, tudo de bom!
Bati um ótimo papo, e aprendi muita coisa com o produtor Jean-Pascal Lacaze (foto), que apresentou seu grande Domus Aurea 2009. Sou fã deste vinho, que é um Cabernet Sauvignon tradicional chileno que não se curvou à internacionalização. Na verdade, ele tem pitadinhas de Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot. É um vinho que tem identidade própria, intenso mas muito fresco, com belas notas de cassis envoltas em especiarias e um mentolado muito charmoso. A acidez é vibrante, os taninos são vivos e o final muito longo. Uma beleza de vinho, que em alguns anos deve ganhar aqueles toques terrosos e de curry que aparecem em seus irmãos mais evoluídos. A propósito, seu irmão Alba de Domus 2010, também apresentado, feito com Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc, também estava muito bom! Só lembrando que Jean-Pascal Lacaze também produz o grande Peñalolen TEZ e Triangle (Crazy Wines), sobre os quais também conversamos na ocasião.
Alí do lado de Jean-Pascal estava a mesa da Casa Marin, representada por Nicolas Marin, e cujos vinhos também me agradam bastante. Já disse várias vezes aqui no blog que considero seu Casa Marin Cipreses Sauvignon Blanc o melhor feito com a casta no Chile. O exemplar de 2013 segue a qualidade e características de seus antecessores: Frescor, mineralidade, intensidade, riqueza aromática e capacidade de envelhecimento! Um ótimo Sauvignon! Mas os brancos foram representados também por um Casa Marin Miramar Riesling 2012 bastante típico, com notas de querosene e um Sauvignon Gris que agradou muito, pelo lado floral, acidez vibrante e mineralidade! Gostei muito, principalmente deste último, pois o o "lado querosene" de muitos Riesling não me faz muito a cabeça. No campo dos tintos, estava delicioso o Casa Marin Pinot Noir Litoral Vineyard 2011, sem excesso de extração e com fruta na medida certa, boa acidez e mineralidade. Também muito bom o Casa Marin Syrah Miramar Vineyard 2010, denso, com boa fruta, especiarias e um fundo mineral. Intensidade na medida.
A vizinha de bancada da Casa Marin era a Aquitânia, que elabora um dos melhores Chardonnay do Chile, o ótimo Sol de Sol. Bebemos novamente o exemplar de 2009, que já foi citado aqui no blog. Como 6 anos está uma beleza, cheio de vida e frescor, mostrando que o vinho é longevo. Pude beber também o Sol de Sol Pinot Noir 2009. Tempos atrás, havia bebido o exemplar de 2008, que mostrava-se um pouco fechado, mais seco e com fruta um pouco discreta. O 2009 está mais aberto, com mais fruta (mas sem exageros de extração), bastante frescor e mineralidade. Pinot Noir do jeito que eu gosto, sem exageros. Para mim, melhor que seu irmão de 2008. É no estilo do Casa Marin, supracitado. Gostei! Também da Aquitânia, estava uma beleza o Lazuli 2006, um Cabernet Sauvignon maduro e com ótima evolução. Elegante, sedoso e com muita presença. Muito bom preço pela sua qualidade. Para que comprar Cabernet Sauvignon chileno 3 vezes mais caro?
Da Chateau Los Boldos gostei de uma novidade, que é o Los Boldos Gran Reserve Assemblage 2013, feito com Cabernet Sauvignon e Syrah, e cujo rótulo tem uma zebra desenhada. É um vinho de corpo médio, redondo e fácil de beber. Também achei legal o Chardonnay Sanama, leve e bem fresco. 
Pertinho dalí estava o estande da uruguaia Juan Carrau, com a presença do simpático Javier Carrau (foto), com o qual batemos um bom papo. Bebi dois vinhos da vinícola. O primeiro foi um Reserva de Tannat 2012, que mostrou uma qualidade muito boa pelo seu preço. O vinho tem boa fruta, toques defumados, mineralidade e taninos típicos da casta, que no conjunto, deixava o vinho agradável e a gente desejoso de mais uma taça. Tem aquele toque de rusticidade que eu gosto bastante. Perfeito para uma carne gordurosa! E é claro, bebemos o seu top Amat 2009. Vinho muito refinado, com notas de ameixa seca, tostadas, tabaco e chocolate. Em boca é amplo e elegante, com taninos sedosos. Não denuncia a idade, mostrando-se ainda jovem. Tem longa vida pela frente. Não é Tannat daqueles poderosões, cheios etc. Mostra sim, muita elegância e maciez, sem abandonar o lado típico da casta. Um ótimo vinho!
Para não extender muito a postagem, vou concluir com três argentinos que gostei bastante. O primeiro deles é um Flecha de Los Andes Gran Corte 2008. O vinho é um corte de Malbec, Syrah e Merlot. Apesar de denso, é muito elegante e tem ótima estrutura, com grande potencial de envelhecimento. Elegância bordalesa!
Os outros dois são feitos com uma casta que adoro, que é a Cabernet Franc. Todos sabem que é uma casta na qual a Argentina está investindo bastante, e que gera ótimos vinhos por lá. Tempos atrás, destacava-se o Pulenta XI, com sua intensidade, e o Angelica Zapata, com menos intensidade, mas muita elegância e presença em boca. Depois, novos foram surgindo, aliando mais frescor e mineralidade aos vinhos. Os vinhos das Bodegas Aleanna (Alejando Vigil e Adrianna Catena) são excelentes! Desde o mais simples até o belíssimo Gran Enemigo. Mas tem muita gente surgindo com força na elaboração de ótimos vinhos feitos com a Cabernet Franc. Um deles, que bebemos no presente evento, é o Rutini Cabernet Franc 2012. Uma delícia de vinho! Aromas florais, fruta na medida, acidez vibrante, taninos finos e grande evolução em taça. Um Cabernet Franc muito elegante e com grande capacidade de envelhecimento. Refinado!
O outro exemplar que adorei foi o Salentein Numina Cabernet Franc 2013. Este, já comprei algumas garrafas para beber aos poucos. Seus irmãos de anos anteriores andaram arrebatando prêmios por ai. Parece que dois anos seguidos ele ganhou como melhor Cabernet Franc da Argentina em sua faixa de preço. Aliás, é um vinho que oferece muita qualidade pelo seu preço. Ao nariz é mais intenso que o Rutini, mostrando mais fruta, com notas de amoras e ameixas em meio a notas florais, azeitonas pretas, defumadas e minerais. Em boca, repete o nariz e mostra ótima intensidade e persistência. Apesar da juventude, pode ser perfeitamente apreciado agora, mas deve ganhar muito com a adega. Aliás, como já escrevi por aqui, a Cabernet Franc costuma recompensar muito bem quem tem paciência. Esse não deve ser diferente. Não hesite: Compre! É muito bom.
Bem, isso aí pessoal! O evento foi muito bom, com muita gente legal, boa comida e ótimos vinhos. Valeu, Idinir e equipe!




domingo, 23 de agosto de 2015

Ponzi Pinot Noir Willamette Valley Tavola 2012: Outro belo exemplar do Oregon!

O casal Dick e Nancy Ponzi compraram 20 hectares no Oregon para começar a produção de vinhos, inspirados em muitas visitas a Borgonha. A vinícola familiar foi fundada em 1970 e em 1976 foram lançadas as primeiras 96 caixas de Pinot Noir no mercado. Até hoje, a segunda geração da família utiliza na vinícola os métodos implementados há cerca de 40 anos atrás. E nesses anos, os vinhos do produtor têm acumulado prêmios e elogios da crítica, sendo reconhecidos entre os melhores produtores do Oregon. Nesse último sábado levei este Ponzi Pinot Noir Willamette Valley Tavola 2012 para apreciar em almoço no Restaurante Tablado dos Sabores, lá na UFSCar. Para quem não conhece, vale a pena visitar o restaurante, conduzido pelo português Duarte, que aos sábados prepara um menu especial. Nesse último sábado o cardápio era atrativo, e o vinho era apropriado para acompanhar o arroz de pato, pernil de cordeiro, Bacalhau a Gomes de Sá e outras delícias preparadas pelo Duarte (que aliás, também gostou muito do vinho). Este Pinot Noir Tavola é preparado com um blend de até 10 vinhedos, e matura 11 meses em barricas de carvalho francês 20% novas. É produzido para ser um vinho apreciável mais jovem. O vinho tinha notas florais e de cerejas, framboesas e especiarias, em um fundo mineral muito gostoso. Um PN leve, com acidez vibrante, mineralidade e final longo e muito agradável. Os taninos são finos e sedosos. Uma delícia! Perfeito para o cardápio daquele día. Mais uma prova da qualidade dos PN do Oregon, que muito me agradam. Este, da grande safra de 2012, também deixou sua marca.
Só como observação, este vinho foi Top 100 da Wine Spectator em 2014, com 91 pontos e sendo classificado como smart buys


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Bila-Haut Côtes du Roussillon Villages 2012

Rapidinho: Sempre uma boa compra (já foi melhor), este Bila-Haut 2012 é produzido por M. Chapoutier no Languedoc-Roussillon. É um corte de Grenache, Syrah e Carignan, sem passagem por madeira. Ao nariz mostra notas de framboesas e cerejas, em meio  chocolate, leve tabaco e especiarias. Em boca, repete o nariz e mostra boa acidez, que lhe aporta bom frescor. É bem sedoso e desce fácil. Não tem a complexidade de seu irmão Occultum Lapidem, mas é um vinho sempre bem feito, fácil de beber e que sempre agrada. Vários de seus irmãos já pintaram nos Top 100 da WS, sendo sempre considerado best values. Mas como mencionei, com o dólar nas alturas, já não é tanto. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Só feras no Niver do Joãozinho: Tignanello 2010, Imperial Gran Reserva 2008, Font de La Figuera 2008, Promis Ca'Marcanda 2009, Antis 2008, Mas La Plana 2009 e um Vin Santo Castello di Brolio para arrematar!

Nessa semana nosso querido confrade Joãozinho completou mais uma safra, e para celebrar, descorchamos boas garrafas. Boas não seria bem a definição, eu diria ótimas! 
Vou começar por uma maravilhosa, levado pelo Paulinho, que sempre pega muito pesado. Era um Tignanello 2010. Aqui o negócio pega. O Tignanello disputa com o Sassicaia o posto de precursor dos famosos supertoscanos. No entanto, embora a família Antinori já fizesse experimentos há tempos com uvas francesas, o Sassicaia foi lançado em 1968, enquanto o primeiro Tignanello em 1971. Mas a discussão ainda existe. Vejam trecho extraído da página da Antinori, sobre o Tignanello: "E' stato il primo Sangiovese ad essere affinato in barrique, il primo vino rosso moderno assemblato con varietà non tradizionali (quali il Cabernet), e tra i primi vini rossi nel Chianti a non usare uve bianche". Controvérsias à parte, trata-se de um vinho históricoE este 2010 tem ainda nas costas o carimbo de uma bela safra na Itália. Bem, antes que venham me dizer que estava novo, que matamos um vinho novinho etc..., devo dizer: Não estamos nem aí! Somos adeptos daquele ditado: "Melhor um ano antes que um dia depois". No caso, não foi bem um ano antes...rs. Foram muitos, pois este Tignanello teria anos de vida pela frente. Mas já agora, mostra o quanto é grande. O danado é um corte de 80% Sangiovese, 15% Cabernet Sauvignon e 5% Cabernet Franc, produzidas no vinhedo homônimo. Matura 12 meses em barricas. Ao nariz é muito complexo, com notas de cerejas pretas, cassis, alcaçuz, chocolate amargo, minerais e um defumado bem charmoso. Com o tempo vão surgindo notas mentoladas muito elegantes. Em boca repete o nariz e mostra grande intensidade e elegância. Destaque para o defumado e a mineralidade. A acidez é perfeita e os taninos muito sedosos. É vinho de grande persistência. Apesar de novo, mostra-se perfeitamente apreciável. No entanto, tem longa vida pela frente e deve ganhar muito com alguns anos em adega. Vinhaço! Grazie mile, Paulinho!
O anivesariante também pegou pesado. Levou um belíssimo Imperial Gran Reserva 2008, da riojana CVNE. Bem, é chover no molhado falar sobre este vinho. Vários irmãos dele, de outras safras, já nos deram muito prazer e apareceram aqui no blog. Este 2008 foi a  primeira vez, e como não poderia deixar de ser, confirmou a qualidade. Como o mais recente que havíamos bebido era um 2007, deu para ver bem a diferença entre eles. Este 2008 fica entre um 2007, mas cítrico e fresco, e o grande 2004, ganhador como vinho do ano da Wine Spectator tempos atrás, que é mais cheio, mais tostado. O vinho tem aromas de cerejas, caramelo, tabaco e cítricos, com um fundo de madeira muito bem integrada. Em boca mostrava toda a elegância da linha, ótima acidez, taninos corretos e final muito longo. Uma beleza! É daqueles que evaporam rapidinho da garrafa. Xodó de nossa turma, terá sempre lugar garantido em nossas taças.

Eu levei o único sulamericano da noite, e era um Antis 2008, vinho top de gama do produtor William Févre no Chile. O vinho é um corte em proporções idênticas de Cabernet Sauvignon, Cabernet Sauvignon e Carmenére. Ao nariz é bastante aromático, floral e com notas de cassis e framboesa, em meio a tabaco e pimenta. Em boca é amplo, com ótima acidez e taninos redondos. Tem que ser aberto com antecedência, pois é nervoso e demora um pouco para amaciar. Uma horinha de decanter, pelo menos. Um chileno de classe, andar de cima, que lembrou-me o Montelig, de Von Siebenthal. 
O nosso amigo Rodrigo levou um espanhol de muita classe, que já foi comentado aqui. Portanto, nem vou gastar muitas linhas. Era um Mas La Plana 2009, Cabernet Sauvignon de primeiríssima feito pela vinícola Torres. Mas tenho que reforçar a elegância deste vinho e dizer também que esta garrafa parecia estar ainda melhor que a primeira que o Rodrigo levou. Cabernet Sauvignon de primeira linha!
O Paolão, que recentemente parece ter adquirido um carinho especial pelo Priorato, levou um ótimo Font de la Figuera 2008, segundo vinho do grande Clos Figueres. Mas é um segundo nervoso...rs. Também pudera: É produzido sob a batuta do grande René Barbier, em parceria com Christopher Cannan. É feito com Garnacha (60%), Cariñena (10%) e partes iguais de Syrah, Cabernet Sauvignon e Mourvédre. Vinho super sedutor ao nariz, com notas florais e de ervas frescas (destaque para a sálvia) em meio à fruta madura (framboesa) e notas minerais. Em boca é amplo e fresco, com acidez balsâmica e taninos sedosos. O final é longo e especiado. Uma delícia de vinho! Comprova toda a força do Priorato e a qualidade de seus vinhos. Tem ainda anos de vida pela frente. Esse já foi, em ótima hora...rs.
O JP levou um vinho de Angelo Gaja, produzido na Toscana: Promis de Ca'Marcanda 2009. É feito com Merlot (majoritária), Syrah e Sangiovese, de vinhedos de baixa produção da região de Bolgheri. Ao nariz mostra notas de amoras maduras e cereja preta, em meio a alcaçuz e chocolate. Em boca repete o nariz e mostra muita sedosidade. A maturação em barricas usadas faz com que a madeira não deixe marcas. Destaque para sua elegância e maciez. Difícil não agradar. Muito gostoso!
Bem, e para arrematar a noite com muita classe, um Vin Santo Castello di Brolio 2003, levado pelo Caião, que já nos havia brindado com um destes anos atrás (clique aqui). Como já pintou por aqui, não vou gastar muitas linhas. Mas não posso perder a oportunidade de elogiar este vinho, com suas notas deliciosas de damasco seco, nozes, mel, caramelo, café e tabaco. Delicioso e perfeito com queijos azuis e sobremesas (tortas de pêssego, de laranja, pastiera di grano etc. Chocolate não...). Vinhão!
Aniversário muito bem celebrado, hein Little John? Felicidades, meu amigo!
A turma reunida... Vinhaços!


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Mas Borràs 2006: Pinot Noir classudo de Miguel Torres!

Miguel Torres produz belos vinhos na Espanha e Chile. E além do seu famoso Cabernet Sauvignon Mas La Plana, produz um excelente Pinot Noir, como este Mas Borràs 2006. O vinhedo Mas Borràs fica em Santa Maria de Miralles (Penedés), em uma região de altitude  e fria, que segundo a vinícola Torres é apropriada para o cultivo da Pinot Noir. Como citado no site da própria vinícola, é um dos poucos vinhedos de Pinot Noir plantados na Espanha. Eu só havia bebido um Pinot Noir espanhol, feito na região de Granada, o excelente Cauzón (clique aqui). Como o seu irmão Cabernet Sauvignon Mas La Plana, o Mas Borràs surgiu para o mundo ganhando prêmios importantes em concursos de vinho em Paris. O vinho, que vem em uma garrafa imponente, passa 9 meses em barricas de carvalho 50% novas, que marcam presença positivamente. Ao nariz o vinho mostra notas de cereja, minerais, couro, ervas secas e tostado. Em boca é intenso, mineral, com ótima acidez (que lhe aporta frescor), taninos finos e final longo e levemente tostado. Evolui muito bem na taça. Destaque para o seu lado mineral  e intensidade (herança Catalunha?). Parece em estilo com seu conterrâneo Granadino, mas é mais denso. Um ótimo Pinot Noir, que tem identidade própria.  No dia que levei para beber com os amigos Tonzinho e JP, comentamos que ele tinha alma própria. Não tendia para Borgonha, embora fosse cheio de elegância, e tampouco para a fruta e extração exagerada geralmente encontradas em Pinot Noir sulamericano, por exemplo. Gostei muito, claro!  


segunda-feira, 27 de julho de 2015

Salanques 2006: Outra beleza da Celler Mas Doix!

Eu tinha acabado de chegar de uma corrida para queimar um pouco a gordura quando recebo uma ligação do amigo Paolão convocando para beber em sua casa este belo Salanques 2006, da Celler Mas Doix, Priorato. Aliás, é o segundo Salanques que o Paolão nos oferta. O primeiro foi um 2010, que estava uma delícia (clique aqui). E que o Paolão continue inspirado! Fomos JP e eu apreciar a presença do amigo e seu vinho, que estava uma beleza. O vinho é feito com Garnacha (majoritária) e Cariñena (ambas de vinhas velhas), e Syrah de vinhas mais jovens. Os vinhedos, como é comum no Priorato, são de baixíssimo rendimento (700 g de uva por planta) e a maturação é feita por 14 meses em barricas novas e de segundo uso de carvalho francês. O vinho é muito aromático, com notas de cereja preta e chocolate amargo, em um fundo mineral e de ervas. Em boca mostrava fruta na medida, levemente licorosa, ótima acidez, mineralidade e taninos redondos. Destaque para o seu frescor e clareza. O final era longo e com notas de ervas frescas. Melhor ainda que o 2010 ofertado da primeira vez. Os anos lhe fizeram muito bem. Eu sou suspeito para falar de vinhos do Priorato, dos quais gosto muito, pela sua intensidade e mineralidade. Mas este estava realmente muito bom. Aliás, depois vi que não fomos só nós 3 que gostamos dele. A WS também, lhe outorgando 92 pontos, com menção de highly recommended e o incluindo na lista dos top 100 de 2009. Merecido. Gracias, Paolão!

Uma dupla sensacional: E. Guigal Hermitage Branco 2010 e Duas Quintas Reserva Especial 2004!

Não é todo dia que se aprecia vinhos deste calibre. E estes dois que descreverei foram abertos para celebrar o encontro com o amigo Roberto, leitor assíduo aqui do blog. Aliás, esta é uma das coisas boas do blog: A possibilidade de fazer novos amigos e até encontrá-los pessoalmente. O Roberto, que reside em Pernambuco, veio a trabalho para o interior de São Paulo e em sua passagem por Ribeirão Preto, deu uma esticada a São Carlos para um almoço e bons vinhos, claro. E acho que o "sacrifício" valeu a pena. Vamos começar pelo vinho que levei.  
Era um E.Guigal Hermitage 2010. Aqui, tem tudo para dar certo: Produtor excelente e safra histórica. Assim, só podíamos mesmo esperar coisa grandiosa. O vinho é feito com Marsanne (95%) e Roussanne, de vinhedos com 30 a 90 anos de idade, e a maturação feita em barricas de segundo uso. Sua cor era dourada, brilhante, belíssima. Ao nariz, mostrava notas florais, alecrim, de pêssego, uvaia, mel e frutos secos. Em boca, repetia o nariz e mostrava ótima acidez e mineralidade.  O final é muito longo, com toques de ervas (alecrim) e amêndoas. É daqueles vinhos que evapora ligeiro da taça e da garrafa, e que a gente fica triste quando acaba. Uma delícia! Perfeito sozinho ou acompanhando peixes e frutos do mar. Tem ainda longa vida pela frente, mas já está excelente agora.


NotaTem gente que ainda confunde Hermitage com Crozes-Hermitage. Bem, a colina de Hermitage (ou Ermitage, em escrita mais antiga), que tem apenas 134 hectares de vinhedos, é praticamente envolta pela bem maior AOC Crozes-Hermitage. A densidade permitida em Hermitage é menor, assim como o número de produtores bem limitado. As uvas e procedimentos usados em Crozes-Hermitage são semelhantes, mas os vinhos não atingem a qualidade dos grandiosos Hermitage, cujos vinhos tem como rivais no Rhone apenas os grandes Côte-Rotie (para os tintos) e os Condrieu e Chateau Grillet (para os brancos). Por outro lado, muita gente subestima os vinhos de Crozes-Hermitage. Embora possam ser encontrados nesta AOC vinhos de qualidade irregular, há aqueles, de grandes produtores, que são muito bons. Exemplos são aqueles produzidos por Alain Grillot, Jaboulet, Delas, Chapoutier, Colombier, etc, que são de primeira. Em suma, se for comprar um Hermitage, pode fechar os olhos, tirar o escorpião do bolso e mandar ver. Se for comprar um Crozes-Hermitage, fique com os melhores produtores. E se quiser fazer uma brincadeira, pegue um bom Crozes-Hermitage tinto de um bom produtor e coloque ao lado de um Syrah do novo mundo, na mesma faixa de preço, e depois me diga o que aconteceu...rs. 

Bem, e depois de apreciarmos o belo branco, passamos pelo vinho trazido pelo amigo Roberto. E era um grande vinho, top da tradicional Casa Ramos Pinto: Duas Quintas Reserva Especial 2004! Se o Duas Quintas Clássico já é muito bom e o Duas Quintas Reserva excelente, imaginem este Reserva Especial... O vinho é feito de forma tradicional, com fermentação em lagares de granito e pisa a pé. É um corte de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinto Cão, Tinta Barroca, Tinta Amarela, Tinta Francisca, Tinta da Barca, Souzão e Bastardo. A maturação é feita em barricas de carvalho francês por 18 meses. O vinho tem cor bem escura, com halos amarronzados. Ao nariz é riquíssimo, mostrando notas de frutas maduras (destaque para a cereja preta), ameixa seca, minerais, tabaco, café, alcaçuz e carvalho. Em boca é untuoso, denso, mineral, com notas de ginja, café e alcaçuz. Os taninos são redondos e o final interminável, com notas de chocolate amargo e especiarias. Riquíssimo! Um vinho superlativo. Foi o primeiro da linha que bebi, e fiquei impressionado. Bem, esperar o que de um vinho feito sob a batuta de João Nicolau de Almeida, filho de Fernando Nicolau de Almeida, criador do mítico Barca Velha? 
Valeu, Roberto!


sábado, 25 de julho de 2015

Herdade dos Grous 2011: Na medida

Rapidinho: Alentejano de ótimo produtor (Luis Duarte) elaborado com as castas Aragonez, Syrah, Alicante Bouschet e Touriga Nacional, com estágio de 9 meses em barricas de carvalho francês. Ao nariz mostra notas de ameixa e amoras em meio a ervas e um fundinho balsâmico. Em boca mostra bom frescor para um alentejano, é menos frutado, mais leve e seco que em safras anteriores, e com taninos finos. O final é médio e levemente herbáceo. A madeira aparece um pouco, mas está bem integrada ao conjunto. É vinho que não enjôa e pede outra taça. Já perfeitamente apreciável agora. Está em promoção na Casa Deliza, em São Carlos, a um preço convidativo.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Uma noite portuguesa, com certeza: Incógnito 2009, Quinta do Noval 2009, Adega de Borba Grande Reserva 2011, Vallado Reserva 2011, Cartuxa Reserva 2011, Pacheca Reserva 2011 e um Chateauneuf de intruso!

Nada foi combinado, mas em noite que celebrávamos a volta de nosso confrade Rodrigo de uma viagem, choveu vinho português da melhor qualidade. E no meio da noite, eu me perguntava como iria comentar sobre aqueles vinhos, todos excelentes. E a turma me fez a mesma pergunta. A primeira coisa a dizer é que não teve um sequer que não tenha gerado um sorriso na cara de todos os confrades. Era elogio atrás de elogio. Todos impecáveis! Mas vocês podem ver que no meio da foto tem um intruso francês, um
Chateauneuf du Pape Mourre du Tendre 2010. Ele foi levado pelo Joãozinho e no início, mostrava-se melhor em nariz que em boca, onde estava um pouco fechado. Mas o vinho, da belíssima safra, foi se abrindo e no final da noite estava uma beleza. É CdP à moda antiga, mais austero, feito com Grenache majoritária e uma pitada de Mourvédre. Ao nariz é floral e com notas de framboesa e cassis, em meio a ervas. Com o tempo as notas de ervas foram ficando mais evidentes, com destaque para alecrim e sálvia. Em boca estava reticente no início, mas depois foi se abrindo e mostrando ótima complexidade e final herbáceo. A acidez era ótima e os taninos bem evidentes, ainda por arredondar. CdP novo, claro, de ótima estrutura e com grande potencial de guarda. Mas esse, já foi... Mr. Parker também gostou dele, tascando 95 pontos.
E os portugueses? Foram vários, e grandes. O primeiro, levado pelo Rodrigo, era um grande Incógnito 2009. Syrah de primeiríssima, cuja história é conhecida de todos. Aqui o negócio pega... O vinho estava maravilhoso. Ao nariz mostrava fruta na medida (amoras e mirtilo), mineralidade, azeitona preta, chocolate amargo e especiarias... Em boca, repetia no nariz, mostrava acidez perfeita, taninos sedosos, mineralidade e final longo e especiado. Equilíbrio perfeito. Sem dúvida alguma um dos maiores vinhos portugueses. Primeiríssima linha! Para rir: A WS lhe deu 87 pontos! "Tá de brincation with me?"
O Paolão levou outro de primeira grandeza, e do mesmo ano:
Quinta do Noval 2009. Eu adoro os vinhos desta vinícola, desde o mais simples Cedro do Noval. Mas este DOC é outro papo. Degraus acima. Tempos atrás bebi um 2008 que estava demais. E este 2009 seguiu na mesma linha, com destaque para um lado mineral bem característico, que faz a gente sempre querer uma taça a mais. Notas de frutas silvestres, amoras, em meio a cacau, tostado e grafite. É um vinho com muita estrutura e grande potencial de guarda. Muito complexo, concentrado (mas elegante), intenso e com aquele final interminável. Vinhaço! Para guarda, sem medo.
O JP levou outro vinho que sempre agrada (principalmente este que vos escreve...rs), e da grande safra de 2011: Quinta do Vallado Reserva 2011. Outro vinho de primeira. No início estava um pouco reticente em mostrar suas qualidades, mas depois de meia horinha começou a mostrar todas elas. E são muitas! Ao nariz mostrava notas de ameixa, kirsch, alcaçuz e outras especiarias, com um fundo mineral. Em boca, repetia o nariz e mostrava muito equilibrio. O final era longo, com notas herbáceas e minerais. O vinho, como muitos 2011 que tenho bebido, mostra-se incrivelmente pronto para ser apreciado, mas com belo futuro pela frente, para os pacientes... Mais um belo Vallado Reserva, sempre presente aqui no blog. A WS não lhe poupou elogios, outorgando-lhe belos 96 pontos. 
Eu levei outro também da bela safra, e que também é um queridinho da turma: Cartuxa Reserva 2011. Diferentemente de seu primo duriense descrito anteriormente, este alentejano, feito com as tradicionais Alicante Bouschet e Aragonez, esbanjava fruta madura (cereja e ameixa) em meio à baunilha, chocolate, tabaco e especiarias doces. Em boca mostrava grande intensidade, fruta madura e final longo. Os taninos estavam sedosos ao extremo. Não parece ter apenas 4 anos. Mais uma beleza de Cartuxa Reserva. Compra certa e prazer garantido!

E continuando no Alentejo, o vinho levado pelo Rei dos Portugueses, nosso confrade Paulinho: Adega de Borba Grande Reserva 2011. Para quem já conhece o famoso rótulo de cortiça, este é outro comprimento de onda. Fica degraus acima. É uma edição limitada, feita apenas em grandes safras, com as tradicionais uvas Trincadeira e Alicante Bouschet, de vinhas antigas.  Mostra notas de amoras e ameixa em meio a especiarias e notas minerais. Em boca, repete o nariz, mostra frescor e muita sedosidade. É como se fosse uma versão mais domada de seu conterrâneo Cartuxa Reserva, com fruta mais contida, mas muita estrutura. Ótimo vinho!

E para finalizar a saga portuguesa, chega o Tonzinho com um Pacheca Reserva Vinhas Velhas 2011. Outro belo vinho, feito com Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga
Nacional, Tinta Cão, Sousão e Tinta Amarela, com pisa a pé e maturação em carvalho francês. Nariz com notas de framboesa, cereja e notas lácteas, café com leite e caramelo. Ao fundo, um tabaco discreto e que dava charme ao conjunto. Em boca, repetia o nariz e era muito redondo e prazeiroso. Um duriense diferente dos demais bebidos na noite. Todos gostamos!
Bem, ainda mandamos um Bordeaux levado pelo Thiago, mas como bebi pouco e já estava com a língua cozida, nem vou apresentar minhas impressões.
Que noite!!!